Topo
Bala na Cesta

Bala na Cesta

Contra o Portland, LeBron James estreia hoje pelo Lakers - o que esperar do time na temporada?

Fábio Balassiano

18/10/2018 01h18

Foto: Divulgação Los Angeles Lakers

Eis uma quinta-feira histórica para o Los Angeles Lakers. Com um hall de estrelas que vai de Magic Johnson a Kobe Bryant, passando por Shaquille O'Neal, Jerry West, Kareem Abdul-Jabbar, entre outros, a franquia começa a ver hoje mais uma joia vestindo seu uniforme: LeBron James faz a estreia vestindo o amarelo angelino às 23h30 contra o Blazers (o Sportv exibe), em Portland, na primeira partida do time na temporada 2018/2019.

A dúvida que fica a partir é: o que podemos esperar do Los Angeles Lakers com LeBron James? Final? Nem irá ao playoff? Passar da primeira rodada? Vamos lá analisar isso tudo com calma.

A grande realidade é que se LeBron James, aos 33 anos, conseguir levar este elenco do Lakers à decisão do Oeste ou da NBA ele merece uma estátua na porta do Staples Center. Não que os angelinos sejam uma tragédia, mas é um grupo que mescla muitos jovens em desenvolvimento a um punhado de veteranos que estão por ali para, em primeiro lugar, ensinar o caminho das pedras para a molecada e depois para também trazer de volta a franquia um pouco da filosofia vencedora que vêm com eles dos clubes pelos quais passaram antes de chegar a Los Angeles.

Foto: Divulgação Los Angeles Lakers

Não é sem razão que Magic Johnson, o manda-chuva de um Lakers que não vai ao playoff desde 2013, fez questão de trazer, junto com LeBron, Rajon Rondo (armador), Lance Stephenson (ala), Michael Beasley (ala-pivô) e JaVale McGee (pivô). Um experiente para cada posição e isso não é coincidência. São posições que têm, também, jovens para se desenvolver.

Uma a uma, é assim que o elenco do Lakers está montado com os jovens Lonzo Ball (armador), Josh Hart, Kentavious Caldwell-Pope, Sviatoslav Mykhailiuk e Kyle Kuzma (alas), Brandon Ingram (ala / ala-pivô) e Ivica Zubak (pivô). Todos com razoável talento, mas desde já com uma salutar sombra por trás para acelerar o desenvolvimento e também pressioná-los a entender que a cultura da franquia deve ser vencedora – e não a da eterna reconstrução com a qual os primos-ricos de Los Angeles estavam perigosamente se acostumando.

Foto: Divulgação Los Angeles Lakers

Dentro da quadra tem tudo para funcionar, mas não dá pra saber ainda até que ponto. É tudo muito novo, e pra usar uma frase do antigo técnico da franquia Phil Jackson, time bom no basquete é time que se acostuma a jogar e a perder junto. E elenco como unidade é novo, muito novo. Por mais que LeBron James traga experiência, talento, a capacidade de envolver e fazer seus companheiros melhores a cada dia, é muito tranquilo esperarmos 50 vitórias do Lakers, uma ida ao playoff e também bons momentos de Ingram, Kuzma, Hart, Pope, Ball e Zubak, mas também nada além disso em uma conferência Oeste que é absurdamente competitiva e, brincando, com quatro grandes times (Warriors, Rockets, Thunder e Jazz).

No final das contas, estou mais curioso com o vestiário neste primeiro momento do que com os aspectos de quadra. Como disse recentemente por aqui, todos os experientes têm histórico de confusão por onde passaram, sendo verdadeiros terror para Lakers novatos – caso de Luke Walton no Lakers. E aí essa combinação pode ser explosiva em um ambiente com pressão por resultado, imprensa em cima o tempo todo e sede de vitórias de LeBron, Magic Johnson e dos donos.

Pode, por um lado, dar muito certo e essa molecada se desenvolver rápido e fazer desse elenco do Lakers recheado de peças diferentes e bastante heterogêneo uma força do Oeste. Há talento, potencial . Mas pode dar tudo errado e aí sim os dirigentes terão que agir rapidamente também – ou com trocas durante a temporada ou logo depois dela pensando no mercado de agentes-livres de 2019.

No momento, e falo sobretudo deste começo de temporada, vale mais pro Lakers e sua torcida aproveitarem a presença de uma super-estrela, algo que não há por lá desde Kobe Bryant, do que qualquer outra coisa. Pensar em resultado grande (final do Oeste, decisão da NBA ou título da liga) neste momento me parece devaneio. A palavra em Los Angeles é "construção", e é a partir de LeBron que a franquia irá se moldar para o futuro de médio prazo. De novo: não creio que dê para levar pra casa o troféu Larry O'Brien em junho de 2019, mas é possível ser competitivo em 2018/2019 e chegar no playoff antes de, aí sim, subir de patamar pra disputar de igual para igual contra Golden State Warriors e Houston Rockets pelos próximos anos.

O difícil, pros padrões do Lakers, é incluir na mesma frase paciência e longo prazo – e aí estará o segredo do sucesso pra equipe. Pra uma franquia que sempre venceu muito, é um desafio e tanto. Ainda mais com um dos melhores jogadores de todos os tempos vestindo a camisa do time.

Sobre o blog

Por aqui você verá a análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais.