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Bala na Cesta

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Entre aplausos e cantos: a Euroliga bateu a NBA, por Rodrigo Salomão

Fábio Balassiano

18/03/2018 12h00

* Por Rodrigo Salomão, direto de Tel-Aviv (Israel)

Esta semana mais uma vez estive no ginásio do Maccabi Tel-Aviv, o Menora Arena, para acompanhar o time local contra o russo Khimki pela Euroliga. Tão importante quanto a partida, vencida pelos visitantes por 94-91 com grandes atuações de Anthony Gill (24 pontos) e Alex Svhed (o ex-NBA terminou com 22), foram as lições que fiquei pensando enquanto via os mais de 11 mil torcedores do Maccabi se esgoelando para apoiar o time.

Desde cedo aprendemos que o importante no esporte é competir, mas com o tempo vamos entendendo o quanto é doloroso perder e, claro, saboroso vencer. Esporte é, acima de tudo, paixão.

Amar o basquete e não amar a NBA é praticamente um contrassenso. A maior liga do mundo é um espetáculo na sua mais firme essência. Tudo que a cerca é esplendoroso, é genial e você quer fazer parte dela. É com muito mérito que o grande modelo vem sendo seguido por anos a fio na compreensão do tratamento dado ao público que consome diariamente tudo que for possível sobre o assunto. Mas ela também não é perfeita. Pelo menos em um aspecto deixa a desejar: o clima das arquibancadas.

O tradicional coro pedindo "defesa" e uma ou outra musiquinha em momentos derradeiros são pequenas ilhas de vibração que poderiam vir mais de fora para dentro do jogo. A NBA tem mais rivalidades em quadra do que fora dela. É sabido que se trata principalmente de uma questão cultural, não podemos ignorar isso. Cada um tem seu jeito de se comportar, é verdade. Total direito.

Mas não deixa de ser estranho alguém acenar para o telão ao som da Rihanna enquanto seu time tem a bola do jogo e pediu tempo restando 5 segundos para o fim. A minha condição de torcedor não consegue conceber isso. Afinal, se estou ali, é para jogar junto, focar com o time.

É nesse ponto que vejo uma diferença muito clara: enquanto a NBA, em sua maioria, tem fãs, a Euroliga tem fanáticos torcedores. Obviamente não estamos falando isso como rei da verdade absoluta, nem temos a pretensão de esgotar o assunto. É claro que existem exceções dos dois lados, algumas franquias norte-americanas mais pulsantes que outras, assim como equipes europeias menos inflamadas. A diferença geral, no entanto, é notória.

Venho tendo a oportunidade de acompanhar de perto algumas partidas no basquete europeu, seja pela televisão ou pessoalmente ao frequentar o ginásio do Maccabi Tel Aviv, de Israel. Acreditem: o clima é avassalador. Sabe o papo de que "esporte é paixão"? Eles levam isso muito a sério.

O fascínio pelo basquete e pela busca incessante da vitória transcendem e fazem muita diferença para o andamento da partida. Imaginem uma Libertadores, só que com acústica muito maior e pressão incessante o tempo todo sobre os atletas, com gritos, bumbos e as tradicionais palavras amigáveis direcionadas aos árbitros. Euroliga é isso e mais um pouco.

Mas só vendo para entender, já que nem mais de mil palavras serão suficientes para superar esses tipos de vídeos que gravei para mostrar para vocês. Assistam abaixo:

Algumas curiosidades sobre torcidas na Euroliga:

1) A média de público da edição 2017/2018 é de 8.472 presentes por partida;

2) Nada menos que 6 mil torcedores do Zalgiris Kaunas, da Lituânia, compareceram a uma partida de pré-temporada da equipe em Londres. Não à toa, são os donos da melhor média até aqui nesta temporada (13.268 presentes por jogo);

3) Há duas semanas aconteceu o clássico grego entre Panathinaikos e Olympiacos, chamado tradicionalmente de "dérbi dos eternos inimigos". A página oficial da Euroliga deu uma pequena amostra do clima para esta partida (aqui);

4) O último Final Four, realizado em Istambul e que culminou com o título do Fenerbahçe, levou uma média de 14.819 torcedores ao ginásio no fim de semana de sua realização.

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