Topo
Bala na Cesta

Bala na Cesta

Realizado, Oscar chega aos 60 anos e avisa: 'Já fiz de tudo. Se Deus quiser me levar, pode me levar'

Fábio Balassiano

16/02/2018 06h14

Um dos maiores ídolos do esporte nacional, Oscar Schmidt completa 60 anos nesta sexta-feira. Em 16 de fevereiro de 1958 nascia em Natal (Rio Grande do Norte) aquele que se tornaria o maior cestinha da história do basquete mundial, membro do Hall da Fama e dono de espaço pra lá de especial no coração do povo brasileiro.

De férias nos Estados Unidos com sua esposa, Cris, seu genro e a filha (Stephanie), Oscar, que ainda convive com o tumor que teve no cérebro em 2011, conversou com o blog por telefone nesta quinta-feira.

BALA NA CESTA: Muda algo pra você completar 60 anos?
OSCAR SCHMIDT: Não muda nada chegar aos 60 anos, embora eu saiba que é um marco, uma data especial. Mentira, tem mudado muita coisa. A verdade é que você cansa mais. E em tudo. Dói tudo, dói o corpo todo. Tem um ditado que fala que esporte faz pra bem saúde. Pode até fazer, mas pra atleta de alto rendimento, que fica o dia inteiro em quadra ou campo, isso não é verdade. Mas não me arrependo de absolutamente nada e faria tudo de novo se precisasse.

BNC: Você tem alguma coisa especial preparada pra essa sexta-feira aí em Orlando, na Flórida?
OSCAR: Ah, tenho. Eu? Tenho, tenho. Vou te contar. O que vou fazer? Nada, absolutamente nada (risos). Vamos pra Disney, vou ver o Mickey, o Pato Donald, rodar lá e me divertir. Só isso. E já está bom demais.

BNC: Chegar aos 60 anos como Hall da Fama e maior cestinha do basquete mundial era algo inimaginável pra quem começou no esporte sem tanta pretensão, né?
OSCAR: Não há a menor dúvida. Conquistei muita coisa e sou muito grato a todos que me ajudaram nessa vida. Quando olho pra trás, tenho um orgulho danado das realizações que consegui tanto individualmente quanto coletivamente. Foi tudo com muito sacrifício, muita luta, muita dificuldade. Se tivesse que iniciar uma nova vida, seria com o meu amado basquete de novo. Chegar aos 60 anos não é o fim da vida, mas é quase o fim (risos). Agora, tem uma coisa que te digo, hein. Basquete eu não jogo mais porque castiga demais o corpo. É uma violência enorme com meu corpo. Hoje em dia só futebol. Fico de atacante, sou grandão, paro lá na área, a bola bate em mim e faço gol direto.

BNC: Sei que você odeia essa pergunta, mas é inevitável querer saber como anda a sua saúde…
OSCAR: Bala, não sou nenhuma criança e sei do que tenho e do que tive. Faço quimioterapia todos os meses, me cuido, me medico e faço todos os exames possíveis. Já dei um coice naquele negócio (o tumor) e se tiver que dar de novo eu vou dar. Mas se Deus quiser me levar, pode me levar. Já fiz tudo, sou um cara realizado e muito feliz com a família que possuo. Tenho uma esposa fantástica e dois filhos maravilhosos. O Felipe hoje é um baita cineasta. E por mérito dele. Correu atrás e hoje faz um trabalho atrás do outro. A Stephanie casou com um menino de ouro. E a Cris, né. Essa semana foi o Dia dos namorados aqui nos Estados Unidos e estar ao lado da minha esposa é tudo pra mim. Ela é tudo, tudo pra mim. Não tem como não ser. Minha esposa abriu mão de muita coisa pra cuidar de mim e da nossa família com muito amor e carinho. Quero ver meus filhos crescerem e terem sucesso. A concepção de sucesso é muito pessoal, subjetiva, mas a minha é bem simples: sucesso é ser feliz no que você está fazendo e vivendo. E os dois estão muito bem. Agora, uma coisa é certa: quero ser avô ainda em 2018. Já dei um ultimato pra Stephanie, que está casada. Quero neto até dezembro e ela que se vire. Tem que ser já.

Foto: Aquivo pessoal

BNC: Ela já sabe disso?
OSCAR: Se não sabe, vai ficar sabendo quando ler isso (risos).

BNC: Por fim. Você é um cara que ama seu país e sabe que o Brasil vive uma convulsão com os últimos acontecimentos tanto no campo político quanto no econômico. O que você tem pensado sobre isso tudo?
OSCAR: Muita gente fala sobre o momento do nosso país como sendo uma coisa ruim. Eu não acho. O Brasil é incrível, amo o país e nunca deixarei de viver nele. Nem cidadania italiana eu quis quando joguei na Itália. Pra mim é só o Brasil que vale. Então eu olho as coisas todas e acho que estamos passando por uma transformação incrível, animadora mesmo. Creio que está melhorando, punindo, julgando, deixando tudo mais claro. Nunca é o ideal, mas estamos evoluindo, crescendo, nos conhecendo melhor como país e como sociedade. Vamos ser outro país em pouco tempo, pode anotar aí. Se Deus quiser, e se as pessoas que estão no poder fizerem o trabalho delas.

BNC: Você tem mesmo essa esperança? Mesmo com tudo o que temos visto recentemente?
OSCAR: Cara, tenho, tenho muita. Tenho esperança que o nosso país deixará as pessoas com seus próprios méritos crescerem, brilharem. Não como vemos hoje em dia, quando pessoas sobem na vida com méritos escusos. Sou otimista e quem sabe em pouco tempo meus filhos e netos poderão viver em outro país. Se eu pudesse deixar dois recados eu diria: continuem amando o Brasil e cuidando dele. E continuem gostando de mim, porque sou uma pessoa boa.

Sobre o blog

Por aqui você verá a análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais.