Bala na Cesta

Seis motivos que explicam a péssima fase do Cleveland Cavs na NBA

Fábio Balassiano

21/01/2018 00h03

O Cleveland Cavs teve mais uma noite para esquecer na temporada 2017/2018. Levou uma surra, em casa, do Oklahoma City Thunder (148-124) neste sábado em Ohio, viu sua campanha chegar a não mais que razoáveis 27-18 (seis derrotas atrás do Boston Celtics, líder do Leste com 34-12) e colocou muitas dúvidas sobre o futuro da equipe no campeonato.

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Para se ter uma ideia, na temporada passada após 45 jogos o Cleveland tinha 31-14. O que explica uma queda assim tão acentuada?

1) Marcação ruim -> O primeiro fator atende mesmo pela defesa. Em que pese a comparação com os números da temporada passada não ser tão ruim (em 2016/2017, o time permitia conversão de 45,8% dos chutes dos rivais e levava 107,2 pontos; em 2017/2018, 47% e 109,8), chama atenção o desempenho do time neste ano: média de 118,8 pontos por noite, com os adversários convertendo nada menos que 57% dos arremessos de quadra, algo absurdo. Isso explica bastante o motivo pelo qual o time tem 3-6 em 2018 (não por coincidência o período desde que Isaiah Thomas passou a ser o armador titular da equipe – explico isso no ponto 3). No total, a franquia tem a sexta pior defesa da NBA e a quinta mais vazada (108,6 pontos/jogo).

2) Formação sem pivô de ofício -> Sei que hoje em dia times jogam sem pivôs, que os “cincões” ficam menos tempo em quadra, mas a opção do técnico Tyronn Lue de tirar Tristan Thompson para colocar Kevin Love de pivô do time titular foi uma das piores decisões dele desde que assumiu o Cavs em 2016. Tristan está longe de ser craque, mas dava consistência ao Cleveland na marcação, protegia o aro, impedia infiltrações e era bem físico para controlar os rivais pertinho da cesta.

Nada disso Kevin Love, um grande arremessador de perímetro e ZERO físico em suas ações dos dois lados da quadra, consegue fazer. A ideia de jogar com cinco jogadores para espaçar a quadra tampouco surtiu efeito positivo no ataque, onde o Cavs têm índices exatamente 6% menores em todos os principais quesitos (percentual de conversão de arremesso, pontos por jogo e bolas de três). Se a ideia de fazer isso era mostrar ao mundo que o Cleveland não sentiria falta de Kyrie Irving, não deu certo pra nada.

3) O baixinho Isaiah Thomas na defesa -> O terceiro problema também é causado pela presença de Isaiah Thomas em quadra. Não dá pra compará-lo a Kyrie Irving, o antigo titular na armação do Cleveland nos últimos anos, em absolutamente nada.

O baixinho Isaiah joga muito no ataque, consegue criar seus arremessos, é um azougue pras marcações adversárias com suas infiltrações que costuram meio mundo de gente, mas sua altura (1,75m) meio que obriga o Cleveland a fazer dobras e coberturas nos ataques rivais o tempo todo. Não seria problema se o Cavs fosse organizado e bem treinado para tal (algo que Brad Stevens, técnico de Thomas em Boston, conseguia fazer razoavelmente bem). Daria pra “esconder” a baixa estatura de Isaiah com coberturas boas, marcações por zona em alguns momentos e ajustes defensivos. É normal isso acontecer com Steph Curry no Warriors, por exemplo. Steve Kerr protege seu armador de qualquer contato maior, evitando que ele se canse no setor defensivo e também fazendo com que seus problemas de marcação não fiquem expostos (quantas vezes vimos, por exemplo, Klaus Thompson marcando Russell Westbrooks para deixar Curry com Andre Robersons da vida).

Como o Cavs não possui uma rotação boa, Isaiah é batido a todo instante pelo armador adversário (como vimos ontem quando Russell Westbrook o driblava facilmente e quicava para um companheiro livre arremessar – Russ teve 20 assistências), a defesa realiza cobertura atrasada e invariavelmente um rival está no perímetro para chutar de fora (e livre). Ter Isaiah no time e Kevin Love como o cara que faz a cobertura dentro do garrafão é uma mistura de tragédia com loucura de Tyronn Lue.

4) LeBron James pós-Natal -> O melhor jogador do time não está jogando bem em 2018. LeBron James saiu de 27,5 pontos e 10,3 assistências em dezembro de 2017 para 23,4 pontos e 6,5 passes em janeiro deste ano. Pior que isso: nas bolas de três o camisa 23 está realmente muito mal. Saiu de 43% em novembro para 35% em dezembro e agora tem anormais (pros padrões dele) 23% nos tiros longos. Visivelmente irritado, LeBron tem dado broncas homéricas em seus companheiros e parece totalmente fora de sintonia entre o que ele pensa de basquete e o que seu time tem apresentado em quadra.

5) JR Smith em fase lunática -> Nunca fui fã de JR Smith, um dos jogadores mais erráticos da NBA atual. Sempre instável emocionalmente, a verdade é que ele estava controlado em Cleveland desde que lá chegou em 2015. Foi inclusive muito bem no título de 2016, é bom ressaltar. Mas em 2017/2018 JR tem os piores números de sua carreira em pontos (7,6) e bolas de três pontos (34,8%). Smith fez beiço quando Dwyane Wade chegou e tomou seu lugar no quinteto titular. Wade pediu pra sair do banco, JR Smith tornou-se titular novamente, mas infelizmente pro Cavs o seu basquete ficou em algum lugar do passado.

6) O técnico -> Tyronn Lue está péssimo no comando do Cleveland nesta temporada. Errou ao mudar o quinteto inicial do time (retirando Tristan Thompson), não acerta as formações nem por decreto e sua defesa é um verdadeiro queijo suíço de tanto buraco que possui. Até o momento não chegam informações sobre o clima no vestiário (se azedou ou não), mas é meio óbvio que há um claro problema de encaixe na equipe. As derrotas têm vindo, e pior que o revés é a forma com o qual ele tem chegado – com jogadores apáticos, técnico sem reação e torcida incrédula. Lue está sendo incapaz de transformar um dos melhores elencos da NBA atual em um time confiável.

A dúvida é se tal qual em 2016, quando fez uma temporada regular inconstante mas conquistou o título no playoff ao bater o Golden State por 4-3, o Cleveland Cavs consegue se reequilibrar para chegar forte na pós-temporada. Se antes do campeonato era inimaginável pensar em Toronto Raptors ou Boston Celtics batendo LeBron e companhia, com o que vemos da franquia de Ohio atualmente dá pra dizer que isso é perfeitamente plausível de acontecer (não que vá ocorrer, mas que é possível, isso é).

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