Bala na Cesta

Com novo vice, LeBron James tem mais derrotas que vitórias em finais de NBA – isso significa algo?

Fábio Balassiano

14/06/2017 05h00

Resignado, LeBron James abraçou Kevin Durant, disse algumas palavras ao ala campeão pelo Golden State Warriors e foi para o vestiário da Oracle Arena. Tomou banho, falou com os repórteres e não dourou a pílula: “Como time, eles foram muito melhores do que a gente. Mereceram a vitória e não há nada que possamos fazer”. É por aí mesmo. O Warriors é, hoje, a melhor equipe do planeta basquete, possui um basquete absolutamente imarcável, um elenco cheio de armas (e de armas diferentes) e representa como ninguém a revolução que vive a modalidade hoje em dia.

Isso é uma coisa. A outra é que LeBron James, um fenômeno do basquete que teve MÉDIA de triplo-duplo na final da NBA com 33,6 pontos, 12 rebotes e 10 assistências (fato inédito), agora possui um retrospecto negativo em finais da liga. São oito aparições, com três títulos (dois pelo Miami em 2012 e 2013 e um pelo Cavs em 2016) e cinco vice-campeonatos (em 2007, 2015 e 2017 pelo Cleveland e 2011 e 2014 pelo Heat). Não vou entrar em comparações (NUNCA fiz isso!), mas nomes constantemente comparados a ele possuem recordes bem melhores: Michael Jordan (6-0), Magic Johnson (5-4) e Kobe Bryant (5-2). Como explicar que James esteja abaixo dos 50% nas decisões?

Em primeiro lugar, vale dizer que isso não diminui o seu (dele) legado. Acho, sim, que títulos são importantes, resultados são mega relevantes para as carreiras serem analisadas, mas tudo precisa ser relativizado. No basquete ninguém ganha sozinho. Ninguém perde sozinho. Está aí o Golden State Warriors para provar. São 4 Hall da Fama, um MVP de finais vindo do banco e um basquete absurdamente altruísta onde as individualidades se sobressaem. LeBron tem um companheiro excelente a seu lado (Kyrie Irving), mas nada que se compare ao que os craques de Oakland possuem quando olham pro lado.

Como exemplos de craques que sofrem do mesmo problema de LeBron, vale citar Jerry West, a logomarca da NBA até os dias de hoje e atualmente consultor da franquia Golden State Warriors, que perdeu oito finais e só foi conquistar o título dele como veterano do Lakers em 1972. Além dele, Elgin Baylor, outro craque e Hall da Fama, jogou oito decisões da liga. Perdeu TODAS com o mesmo Lakers que tinha West e que parava sempre no Boston Celtics ou no New York Knicks. Mito, Wilt Chamberlain teve 2-4 em finais. Eles são considerados gênios do basquete, alcunha que LeBron merece, sim, carregar. O único porém, em minha modesta opinião, nisso tudo é que paira por cima de James uma aura que quando o título vem, o mérito é dele (e normalmente é mesmo!). Quando não vem, o rival era melhor e seus companheiros não contribuíram. Assim é fácil argumentar, né?

Não dá pra analisar cada uma das decisões como se fosse algo frio, muito menos nas opções de carreira deste gênio, mas o fato cristalino é que na lista dos 10 melhores jogadores de todos os tempos da qual LeBron James faz parte ele é um dos únicos (talvez o único) com mais derrotas do que vitórias em finais de NBA. Tudo na vida tem um motivo e antes de decretar qualquer coisa, creio que valha realmente a pena investigar mais a fundo as condições pelas quais LeBron James atuou em cada final.

A única que eu consigo dizer um “caramba, seu time deveria ter ganho” é a de 2011 contra o Dallas. De resto, ou ele estava em condições iguais ou era claramente inferior (como era neste ano contra o Warriors ou em 2007 diante do Spurs ou em 2015 contra o Golden State). Na outra que era superior (contra o Thunder em 2012), venceu. Em igualdade, duas vitórias (2013 contra o Spurs e ano passado contra o Warriors) e outra derrota (2014, contra o San Antonio).

Meu medo, como grande admirador que sou de seu basquete, de seu legado e do que ele já produziu em mais de uma década na melhor liga do planeta é que o futuro lhe seja mais cruel ainda em relação a este retrospecto. Ele está ficando mais velho, o Cleveland não tem tantas peças assim para mexer no tabuleiro e do outro lado o Golden State Warriors muito provavelmente seguirá jovem, talentoso e matando uma pancada de bolas de três por temporada.

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