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O brilho do técnico Demétrius na classificação de Bauru à semifinal do NBB

Fábio Balassiano

01/05/2017 10h10

Caio Casagrande / Bauru Basket

Há pouco mais de dois meses escrevi aqui que Bauru era um time em reconstrução no NBB. Após perder três titulares (Ricardo Fischer, Rafael Hettsheimeir, o cestinha da atual temporada, e Robert Day) de um ano pro outro, o técnico Demétrius precisou encontrar uma nova forma de jogar, de pensar, de bater os adversários. Ao contrário dos conhecidos bombardeios de três pontos que fizeram fama no basquete nacional há duas, três temporadas, entrou em quadra um grupo mais cerebral, menos rápido (o que não é ruim, pelo contrário!), mais guerreiro, mais combativo, mais defensivo (sofreu apenas 73,8 pontos/jogo, 29% nas bolas de 3 e 47% nas de 2, menores índices do torneio e que comprovam a eficiência na marcação). Era um Bauru diferente. Claramente diferente e que trocou a roda com o carro andando, ou seja, durante o campeonato.

Caio Casagrande / Bauru Basket

O tempo passou, o time se classificou em quinto lugar, bateu Macaé na primeira rodada do playoff do NBB sem dificuldade (3-0) e eu imaginei que a equipe pararia em Brasília nas quartas-de-final. A galera da capital federal possui um elenco elenco fortíssimo, recheado, com dois jogadores em cada posição. Era um palpite apenas.

E aí o que aconteceu ontem? Os bauruenses, diante de um ginásio Panela de Pressão lotado, fizeram 80-78, venceram a terceira partida seguida, fecharam o duelo em 3-1 e se classificaram para a terceira semifinal consecutiva (esperam o vencedor de Flamengo e Pinheiros – o jogo 4 é nesta noite em SP, e os rubro-negros têm 2-1). Ganharam do poderoso Brasília sofrendo, nos três triunfos, 73, 76 e 78 pontos, em uma clara prova de força defensiva e sobretudo do caminho encontrado pelo técnico Demétrius para vencer o forte rival.

Foram duas vitórias na capital, outra em Bauru e em todas elas fazendo o que Demétrius, um dos melhores técnicos dessa nova geração, prega aos quatro ventos: intensidade defensiva, jogo coletivo no ataque, ataque controlado, troca incessante de jogadores (são oito jogadores atuando por 10+ minutos jogo e aí que surgiu o espaço para o jovem Gabriel Jaú aparecer muito bem!) e uma entrega absurda em quadra. No jogo 3 de ontem, por exemplo, Brasília virou o jogo no último período, teve bolas para ganhar, mas no final o jovem Gui Deodato, formado nas categorias de base do clube, colocou a bola embaixo do braço e pôs os bauruenses na semifinal. Alex, o melhor do elenco, teve apenas 11 pontos e ninguém nota ou sente falta. Quando a engrenagem é bem azeitada, pouco importam os indivíduos, mas sim o todo. É o que ocorre com o Dragão.

Caio Casagrande / Bauru Basket

Ninguém é maluco de dizer que o nível do NBB é altíssimo ou que se assemelha ao basquete europeu, por exemplo. Mas quando há grandes trabalhos por aqui é preciso elogiar. O de Demétrius em Bauru é um deles. Armador fantástico de Vasco e Franca no final do século passado e começo deste, ele se transformou em um excepcional treinador que explora exatamente as fortalezas de seu time para vencer. Se ano passado era uma equipe livre pra atacar, nesta temporada os bauruenses aprenderam a jogar com a limitação que têm. Se eu pouco conheço o cara, o de 2016/2017 tem mais a cara dele do que a equipe da temporada passada. Independente disso, nos dois casos as vitórias surgiram e o mérito do treinador é imenso. Só nos resta aplaudir.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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