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Bala na Cesta

O que esperar de Magic Johnson como novo presidente do Lakers na NBA?

Fábio Balassiano

22/02/2017 00h07

A notícia que chamou a atenção do mundo do basquete ontem foi o anúncio do Los Angeles Lakers. Menos de um mês de depois de ter sido contratado como consultor Magic Johnson foi alçado ao papel de presidente de operações de basquete (o manda-chuva da parada, digamos assim). Saem de cena portanto o fraquíssimo Mitch Kupchak (demitido) e também Jim Buss, um dos proprietários do Lakers e que "brincava" de ser entendedor de basquete (este volta "apenas" a ser dono do time). Na prática, o que isso significa? Vamos lá!

1) Em primeiro lugar, e acho que o mais importante de tudo: a franquia Lakers parou de achar que ainda manda na NBA e procurou ajuda. Uma das melhores franquias da história de todos os esportes americanos, ela está há 3 anos só pagando mico e agora se deu conta de que, sim, está em uma draga sem fim, precisando de alguém que entenda de basquete, de gestão e sobretudo de mudança de cultura. Colocou a mão na consciência, teve humildade e pediu auxílio. Demorou horrores mas enfim fez o que tinha que fazer. Se vai dar certo ninguém sabe, mas pelo menos saiu da inércia em que se encontrava.

2) Não fosse o bastante tudo isso, a presença de Magic Johnson, provavelmente ao lado de Kobe Bryant o maior ídolo da história da franquia, traz uma palavrinha mágica de volta ao Lakers que andava em falta ao redor da liga: 'respeito'. Nos dois últimos anos a franquia virou chacota na NBA, tem sofrido derrotas bizarras, acumulado recordes negativos e fez com que jogadores disponíveis no mercado sequer aceitassem ouvir as propostas da equipe. Não é que os atletas recusavam os valores, mas algo pior: eles não queriam nem escutar o que o Lakers tinha a oferecer. Isso é grave. Não dá pra garantir que Magic vá conseguir trazer 3 supercraques de uma só vez a partir do verão (americano) de 2017, mas é muito óbvio que os jogadores da NBA o consideram um cara especial por tudo o que ele representa dentro e fora das quadras, e minimamente ouvirão o que ele tem a dizer.

3) Dentro deste ponto cabe um outro também. O Lakers certamente sairá de sua reconstrução em looping. Magic é da escola de Pat Riley, aquela que acredita em trocar a roda com o carro andando, que acredita que dá pra ser competitivo sem ficar perdendo por 450 anos seguidos. De novo: se não dá pra garantir que virão reforços de peso logo de cara, é seguro dizer que os Lakers serão mais atuantes no mercado de agentes-livres e que tentarão ser um lugar mais atraente para os atletas do que vem sendo nos últimos anos.

4) Uma questão que fiquei matutando ontem à noite foi a seguinte: o que leva alguém como Magic Johnson, milionário e cheio de outros negócios para tocar, a largar quase tudo para gerenciar uma franquia em frangalhos? Quem responder "amor ao time" desconhece Magic (homem de negócios de sucesso) e também como funciona o ambiente extremamente profissional da NBA. Já disse isso aqui da vez passada e repito: Magic tem obsessão em comprar a franquia que o fez um mito. Ele está cada vez mais próximo disso. Um bom trabalho e ele consegue convencer a família Buss a vender um time que estava muito ruim antes de ele chegar por um preço mais alto ainda. Não duvidemos disso.

5) Obviamente o eterno camisa 32 não irá trabalhar sozinho. Alguns nomes já são cogitados para ajudá-lo no dia a dia, e muita gente espera que ex-jogadores de sucesso na franquia tenham funções bem específicas. Magic disse recentemente que gostaria de contar com Kobe Bryant para auxiliá-lo nesta reconstrução. Quem sabe o Lakers consegue colocar juntos, agora, os seus 2 maiores ídolos para retomar o melhores momentos da equipe.

6) Seu trabalho na verdade já até começou. Faltando pouco menos de 3 dias para expirar o prazo final das negociações da NBA ele decidiu agir. Em menos de 24h Magic já fez a sua primeira mexida: despachou o armador Lou Williams para o Houston em troca do ala Corey Brewer e do pick do Draft de 2017 do Rockets.

7) Muita gente torceu o nariz para a transação, mas deu pra entender: o Lakers não será forte nesta temporada. Precisará de boas escolhas no próximo Draft e sobretudo de muitas derrotas ainda neste campeonato. Explico. A franquia só terá a sua própria escolha no Draft caso fique entre as posições de escolha 1 e 3. Quanto mais perder, mais chances terá. Meio contraditório, né, falando tudo o que falei do Magic Johnson logo acima, mas o momento é mesmo de ser pragmático e uma escolha no Top3 pode significar muita coisa em 2017/2018.

A conclusão meio óbvia é: Magic Johnson terá um trabalho imenso para recolocar a franquia Lakers nos trilhos. Será sem dúvida o trabalho mais difícil de toda a sua vida dentro do basquete. Caso saia vencedor como sempre saiu, se colocará em um patamar ainda mais alto na história não só do Los Angeles Lakers, mas também do basquete.

O movimento do Lakers está mais do que claro – precisava chacoalhar a franquia e trouxe um grande nome para isso. Qualquer análise preliminar sobre Magic me parece realmente precipitada. Vale esperar um pouco para traçar uma análise mais detalhada da qualidade de seu trabalho.

Concordam comigo? Comentem!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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