Bala na Cesta

Arquivo : janeiro 2017

Após dois anos lesionado, camaronês Joel Embiid renova esperança do Sixers
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Fábio Balassiano

simmons1Três vezes campeã da NBA, a franquia Sixers viveu momentos de pânico nos últimos anos. Somando as três temporadas mais recentes, 47 vitórias (apenas dez na última) e um desânimo terrível. Veio outro Draft, mais uma primeira escolha, o sorriso da galera do Philadelphia apareceu quando Ben Simmons, ala australiano bastante versátil e considerado o melhor atleta disponível na última leva, foi selecionado. Mas como desgraça pouca é bobagem Simmons lesionou o tornozelo, foi pro estaleiro e não tem previsão de estreia. Mais um campeonato jogado no lixo, certo? Nem tanto.

Com mudança na direção (Bryan Colangelo chegou para dar uma cara mais vitoriosa para uma franquia que se acostumou a gostar de perder e a confiar no tal processo de reconstrução), o Sixers foi ao mercado. Não trouxe estrelas, mas colocou no elenco figuras como o espanhol Sergio Rodriguez, ex-Real Madrid, Jerryd Bayless, Ersan Ilyasova e Gerald Henderson. Perder poderia ser uma possibilidade, não mais uma “obrigação”. Nomes experientes evitam derrotas em sequência, mas não só isso. Os veteranos dão tranquilidade para jovens como Dario Saric, croata bom de bola que chegou agora para seu primeiro ano, jogarem. Então é por isso que o caminho do Sixers tem sido menos tortuoso? Nada disso.

embiid1A grande mudança atende pelo nome de Joel Embiid, que tem uma história tão incrível quanto surpreendente. Nascido há 22 anos em Yaoundé, Camarões, jogava vôlei quando foi descoberto pelo também camaronês Luc Mbah a Moute, hoje no Los Angeles Clippers, em uma clínica. Embiid teve seu primeiro contato com o basquete aos 15 anos. No ano seguinte se mudou para os Estados Unidos, onde passou por duas escolas na Flórida para fazer o segundo grau. Recebeu uma bolsa de estudos de Kansas e em 2013/2014 estreou pela universidade. Foi bem com as médias de quase 12 pontos e 9 rebotes por jogo, ainda tinha muito a aprender, mas preferiu testar o Draft da NBA.

Estava sendo bem avaliado pelas franquias quando foi diagnosticado com um problema no pé. Seis meses de molho. Muita gente torceu o nariz para o que seria dele no Draft, mas o Sixers, com a terceira escolha, decidiu apostar em Embiid, atlético e com 2,13m para dominar garrafões por muito tempo. Com a terceira posição, o Philadelphia fez dele o seu mais novo pivô. O que seriam seis meses para quem espera por um novo gigante peso-pesado há décadas?

embiidSó que não foram seis meses. Com problemas na recuperação, ele ficaria de fora de toda temporada 2014/2015 e também perderia o campeonato de 2015/2016 devido a complicações no mesmo pé direito. O Sixers, neste meio tempo, trouxe dois outros homens de garrafão – Jahili Okafor e Nerlens Noel. Todo mundo já descartava Joel Embiid, mas 2016/2017 veio.

Em 4 de outubro de 2016 ele fez a sua estreia na pré-temporada. Jogou 13 minutos e teve 6 pontos. Era um começo, mas o que viria depois? No dia 26 de outubro, primeiro jogo oficial da NBA, a estreia contra o Oklahoma City Thunder em casa. Não dava pra esperar nada, né? Mas Embiid decidiu roubar a cena com 20 pontos, 7 rebotes e 2 tocos em 25 minutos. Trata-se de alguém diferenciado mesmo com minutos limitados (via de regra, ele não passa dos 28 minutos por jogo e quando tem um mínimo sinal de dor é retirado de quadra pela comissão técnica).

Passaram três meses, e Embiid segue encantando a todos (quase foi selecionado para o All-Star Game do Leste). Vivendo seu sonho, como ele mesmo diz a todo instante e muito animado nas redes sociais, ele registra 20,2 pontos, 7,8 rebotes e 2,5 tocos de média em incríveis 25 minutos por noite (quase um ponto por minuto, é isso mesmo). Mais do que bons números, o camaronês é carismático e tem conseguido colocar um pingo de esperança na torcida do Sixers. Com o triunfo de ontem diante do Sacramento em casa (122-119 sem Embiid, poupado devido a dores no joelho) já são 18 vitórias até agora (10 apenas neste ano, o quarto maior número de toda NBA) e uma força ofensiva e defensiva incríveis nos dois lados da quadra. Na sexta-feira, contra o Houston, 32 pontos (4 bolas de 3), 7 rebotes, 4 assistências, 3 roubadas e 2 tocos em uma atuação de tirar o fôlego.

embiid3A história da NBA mostra que jogadores “pesados” perto da cesta sempre causam impactos monstruosos em seus times. A combinação de força e razoável técnica (já são 36 bolas de 3 pontos convertidas, mais de uma em seus 31 jogos até aqui) de Embiid é mais uma prova disso. A cultura mudou, o humor mudou, a perspectiva mudou. Caso mantenha a boa forma física e técnica, Joel Embiid tem tudo para recolocar o Philadelphia 76ers nos trilhos depois de muito tempo.

O dia que Ben Simmons estrear a tendência é que o Sixers tenha uma ótima dupla para chamar de sua por um longo período. Se o processo da Pensilvânia é doloroso, o sorriso de Embiid mostra que pode haver luz no final do túnel. Sua história de superação, improbabilidade e sorrisos distribuídos aos montes para seus torcedores é um dos maiores exemplos desta temporada 2016/2017 do melhor basquete do mundo.


Com vitória diante do Flamengo, Vasco consolida bom momento sob comando do técnico Dedé
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Fábio Balassiano

nezo1Aconteceu no sábado o primeiro Vasco x Flamengo da história do NBB. Sem torcida, uma tristeza absoluta, mas na quadra vimos uma vitória vascaína por 78-77 em um duelo que, se não foi brilhante em termos técnicos, foi emocionante pra caramba. O experiente Nezinho terminou com 22 pontos e foi o cestinha do time vencedor. Melhor que do o triunfo contra o maior rival, vale notar o crescimento do time cruzmaltino na temporada 2016/2017 do NBB, a primeira do clube, desde que o técnico Dedé estreou.

Contratado na virada do ano e quando o Vasco tinha a campanha de 4-5, Dedé chegou ao Vasco sob desconfiança depois de um incidente grave em Rio Claro. Sua missão era mostrar que estava mais, digamos, calmo e mudar absurdamente a postura defensiva do time e organizar melhor o ataque (quase sempre pouco espaçado e baseando suas finalizações em jogadas de um-contra-um, a de pior conversão no basquete atual). No final do primeiro mês de seu trabalho já dá pra dizer: ele está conseguindo isso tudo e muito mais. Sob seu comando os vascaínos têm 5-2, saltaram para 9-7 na competição, já estão entre os oito melhores da fase regular e olham bem pra cima vislumbrando até um lugar no G-4 que garante uma rodada de folga nos playoffs. A questão é: como o cruzmaltino evoluiu tanto em pouco tempo?

dede21Em que pese a surpreendente derrota para o Minas em casa na última semana, desde que Dedé, técnico com ótima bagagem tática, chegou ao Vasco o time ainda não levou 90 pontos. É o estilo de trabalho dele desde sempre: defesa sufocante, rodízio forte de jogadores para aumentar a intensidade em quadra e um ataque menos acelerado (menos desperdícios de bola, menos chance de contra-ataque para o adversário). Outro ponto importante é que os vascaínos têm marcado muitíssimo bem o perímetro. Na semana passada em vitória contra o (agora) líder Brasília por 85-76, a equipe da capital federal acertou apenas 3 bolas em 17 tentativas de fora. No sábado contra o Flamengo, os rubro-negros acertaram 8/26.

dede1No ataque a melhora coletiva atende individualmente pelo nome de Nezinho. Até então tímido, o armador cresceu demais na competição desde que voltou a trabalhar com Dedé (foi seu técnico em Limeira). Sua média antes do novo treinador chegar era de menos de 10 pontos por jogo. Desde que o novo comandante assumiu, 15,7 pontos e 5 assistências por jogo. A melhora é evidente e sua atuação decisiva no sábado foi a certeza de que o camisa 23 está de novo nos trilhos.

murilo1Outro que está bem é Murilo. O ala-pivô teve 14 pontos e 8 rebotes contra o Flamengo, foi fundamental no ataque e bem no duelo contra Olivinha. Desde que Dedé assumiu ele tem 5 (de 7) partidas com 10+ pontos e 4+ rebotes.

Perto do G4, o Vasco agora quer se consolidar entre os grandes times do campeonato. Para isso, terá que vencer no próximo sábado o ótimo time de Mogi fora de casa (14h na Bandeirantes). Caso triunfe, ganhará ainda mais confiança para o restante do returno e solidificará o excelente começo do técnico Dedé na equipe. É bom ficar de olho nos vascaínos.


Nova Lei de Trump pode impactar 2 jogadores sudaneses da NBA – entenda!
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Fábio Balassiano

trump1Na última sexta-feira o novo presidente dos Estados Unidos Donald Trump suspendeu o programa de admissão de refugiados e congelou por três meses a entrada no país de pessoas provenientes de sete países muçulmanos: Iraque, Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen (mais aqui). Uma Juíza Federal de Nova Iorque suspendeu parcialmente o decreto no sábado, mas a ideia de Trump causa preocupação em dois jogadores da NBA, a liga de basquete norte-americana.

SudanNascidos no Sudão, o pivô Thon Maker, do Milwaukee Bucks, e o ala Luol Deng, do Los Angeles Lakers, poderiam ter problemas para, vindo do Canadá, voltar aos Estados Unidos após partidas contra o Toronto Raptors, única franquia da NBA que fica fora do país de Trump.

As franquias (Bucks e Lakers) demonstram tranquilidade com a situação neste primeiro momento pelo fato de os dois atletas terem passaportes de outros países (Maker da Austrália; Deng, da Grã-Bretanha) e porque não há mais viagens para enfrentar o Raptors, no Canadá, até o final da temporada regular. Para o Bucks, porém, o sinal amarelo deve ficar aceso: os dois times (Milwaukee e Raptors) podem se enfrentar nos playoffs que começam em 15 de abril de 2017 (dentro do período de três meses da sanção de Donald Trump portanto).

Atenta obviamente pelo fato de existir a possibilidade da Lei ser prorrogada, impactando os atletas nas próximas temporadas, a NBA informou ontem por nota oficial: “Consultamos o Departamento de Estado e estamos no processo de coleta de informações para entender como essa ordem executiva se aplicaria aos jogadores da nossa liga que são de um dos países afetados. A NBA é uma liga global e estamos orgulhosos de atrair os melhores jogadores de todo o mundo”.

Entre as várias mensagens de protesto sobre o assunto, chamou a atenção a da ex-Atleta Swin Cash, tricampeã da WNBA (2003, 2006 e 2010) e duas vezes medalhista de ouro em Olimpíadas (2004 e 2012). Cash colocou em seu Twitter: “Pergunta séria: existem jogadores da NBA que podem ser afetados por essa lei quando forem jogar em Toronto? Acabei de receber essa indagação“.


Curry explode com bola do meio da quadra, nove de 3 e 43 pontos em 29 minutos – assista!
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Fábio Balassiano

curry1Antes do jogo de sábado contra o Los Angeles Clippers o técnico do Golden State Warriors, Steve Kerr, e Kevin Durant, maior reforço do time para a temporada, chamaram Steph Curry para conversar. Pediram para que o camisa 30 relaxasse mais e que voltasse a jogar o basquete que fez dele o MVP da temporada nos últimos dois anos.

Aparentemente Curry ouviu a mensagem. Azar do Los Angeles Clippers, que jogou sem o craque Chris Paul na armação e sofreu na mão do magriça. Na noite de ontem Steph fez uma cesta no meio da quadra no estouro do cronômetro ao final do primeiro tempo, matou 9 bolas de três pontos (em 15 tentativas), distribuiu 6 assistências, apanhou 9 rebotes e terminou o jogo com 43 pontos em 29 minutos (jogou apenas os três períodos iniciais) na fácil vitória do Warriors por 144-98.

Abaixo os melhores momentos da exibição de gala de Steph Curry ontem:

ARREMESSO DO MEIO DA QUADRA:

PASSE PELO MEIO DAS PERNAS DO ADVERSÁRIO:

AS 9 BOLAS DE 3 PONTOS:

OS 43 PONTOS:

 


Fala, Leitor: A receita de um time de sucesso na NBA
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Fábio Balassiano

* Por Gustavo Souza

russ7O jeito tradicional de montar times campeões na NBA, aquele que se baseia em ter uma estrela e cercá-la de bons jogadores parece que não é mais a forma de formar um time competitivo. As equipes que têm apenas uma estrela muitas vezes transformam esses jogadores em estrelas solitárias, muitas vezes tendo médias astronômicas pois precisam carregar o time nas costas para se manterem na briga por algo. Quando essas estrelas ficam fora por qualquer motivo o time fica visivelmente mais fraco times. Isso acontece com o Oklahoma City Thunder, Portland Trail Blazers e New Orlenas Pelicans.

lebron2Para ter uma noção do quanto a formação de super times influencia, nos últimos cinco anos apenas um time que foi campeão não era um super time (San Antonio Spurs, que ganhou do super time do Miami). Os outros quatro títulos foram para o Miami dos super amigos LeBron, Wade e Bosh duas vezes (seguidas), o Golden State na primeira final contra os Cavaliers depois de quarenta anos sem conquistar o título e o time de LeBron na reedição da última final. Reparem que tirando o Spurs são todos times com dois All-Stars. Times com estrelas solitárias ficaram pelo caminho, e um bom exemplo é o Pelicans que foi aos playoffs com Anthony Davis jogando sozinho praticamente e foi varrido pelos Warriors naquele ano. Outro ótimo exemplo disso é a primeira final entre Cleveland e Golden State. Em 2015 Lebron tentou levar o time nas costas pois seu time estava desfalcado de Kevin Love e Kyrie irving. O astro jogou quase sozinho enquanto o outro time tinha Curry e Thompson. Warriors venceu.

durant3Para formar um super time não basta só fazer um bom draft e contratar bons free agents mas também ter paciência com os jogadores. Ou seja não seguir o exemplo do Thunder, que se desfez de James Harden e posteriormente de Serge Ibaka. Kevin Durant vendo que estava cercado de jovens jogadores e que o time não iria muito para frente em relação aquela temporada foi reforçar um time que já era espetacular (Golden State 73-9 na temporada regular), fazendo o time se tornar uma máquina de jogar basquete.

rose2Nem todo super time é sinônimo de sucesso. Alguns merecem algumas aspas, como o “super time do Knicks” como foi chamado por Derrick Rose. Não basta apensa juntar estrelas mas sim saber como fazer elas funcionam juntas, o que não aconteceu de forma alguma em New York. Algo que é fundamental em qualquer time cheio de estrelas é o ambiente da equipe não só no vestiário mas principalmente fora dele. Quando cada jogador sabe o seu lugar e não existe uma batalha de egos (sempre lembramos de Kobe e Shaq), sem a discussão de quem é o dono do time, ou qualquer outra distração como números, salários ou quem tem o maior contrato de marketing, todos jogam pelo mesmo objetivo. Essa briga de egos, como já vimos várias vezes acabou com grandes times como o super time do Lakers que tinha Kobe, Howard, Nash e Gasol, destruído pela batalha dentro do vestiário entre Kobe e Howard. Foi infelizmente um time que prometeu muito e entregou pouco.

A maneira de montar times na NBA mudou muito nos últimos anos. Não dá pra entregar o time não mão de só um grande jogador e cercá-lo de jogadores produtivos. O próprio passado recente nos diz isso. Ter uma segunda estrela se tornou parte importante para o time ter sucesso.


Prorrogação no Podcast BNC: Perguntas e Respostas dos leitores
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Fábio Balassiano

Pedro Rodrigues e eu recebemos o ótimo Gabriel Andrade, que esteve aqui nesta semana com um texto sobre Nikola Jokic, do Denver Nuggets, para o prorrogação do Podcast BNC. O programa é só com perguntas dos leitores. Falamos do Lakers, do Celtics, do Raptors, de basquete brasileiro, de sul-americanos no basquete europeu e muito mais. Ficou bem legal e espero que vocês gostem do formato.

Caso prefira, o link direto está aqui. Caso queira, também estamos no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, perguntas ou sugestões ou é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!

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Quinta-feira, 26 de janeiro, o caótico dia pra quem gosta de basquete no Brasil
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Fábio Balassiano

lnb1Se liga só em como foi a quinta-feira, 26 de janeiro de 2017, pra quem gosta de basquete no Brasil. Sente o drama e acompanha tudo comigo.

A menos de 72h do maior jogo do NBB na temporada, o Vasco x Flamengo que já foi adiado anteriormente, a Liga Nacional de Basquete, organizadora do campeonato, comunicou via Nota Oficial que a partida será realizada… com portões fechados. Não com as duas torcidas, nem com torcida única, mas sim sem um mísero torcedor no ginásio (a Rio Arena, a antiga HSBC Arena). Reforçando: era o evento considerado o MÁXIMO da fase regular da competição para a turma da LNB e que será (perdão pelo termo) decepcionante devido a uma lamentável atitude da Polícia do Rio de Janeiro, que não garante segurança alguma e que avisa aos clubes e a Liga horas antes da partida acontecer (notadamente na terça-feira passada). Mundo bizarro, não? O UOL explica mais profundamente a situação. Só uma perguntinha importante: como pode o GEPE e a Polícia Militar não garantirem a segurança de um evento com 4, 5 mil pessoas, número de entradas que o Vasco venderia? Estranho isso, não acham?

cbb1Acham que acabou? Não, não, não. Em matéria publicada em primeiríssima mão o UOL informou que a FIBA convocou todas as partes envolvidas no basquete brasileiro (LNB, CBB, os dois candidatos a presidência da Confederação etc.) para discutir a situação e esclarecer o que acontecerá com a modalidade por aqui após a suspensão que termina em 28 de janeiro (o famoso amanhã). O encontro será na Suíça em 3 de fevereiro na sede da entidade máxima do basquete no planeta.

cbb1Sinceramente não consigo entender o que está acontecendo nesta relação pouco ortodoxa de FIBA e CBB, mas aparentemente alguma coisa deu errado na tentativa de intervenção da Federação Internacional e que envolveria Ministério do Esporte e Comitê Olímpico Brasileiro.

Aqui não é informação, mas sim uma análise de cenário de quem, como eu, ouviu muita gente nas últimas 24 horas para entender melhor o tema. E me explico. Caso a FIBA tivesse uma solução para o caso envolvendo a CBB, onde realmente está o problema, sabemos bem, ela já teria informado às partes sobre os próximos passos e tudo mais. Como (aparentemente) não tem, e muito provavelmente Ministério e COB saíram do barco, coube a ela em um último recurso chamar os envolvidos no esporte da bola laranja no país para tentar encontrar uma solução no meio do caminho. Creio, inclusive, que a FIBA não tenha muita noção do que deva ser feito, chamando os envolvidos para informar do ocorrido e meio que, em português claro, lavar as suas mãos. Trevas total. O que está por vir? Não tenho ideia, mas tenho medo absurdo do pior – como sempre acontece quando o assunto envolve a Confederação.

tristezaEspero, do fundo da minha alma, que aquele famoso trecho introdutório e/ou conclusivo de alguns textos meus, quando coloco o já conhecido “mais um dia triste para o basquete brasileiro” não seja mais escrito por aqui, mas com tanta notícia ruim fica difícil acreditar no contrário. É uma pena, é uma tristeza absoluta dizer isso, mas é a mais pura realidade. Alguns trabalham, e bem, como é o caso da Liga Nacional, mas há tanta força jogando contra que ser otimista e pensar que as coisas irão melhorar por aqui é um verdadeiro devaneio.


NBA anuncia reservas do All-Star Game – confira a lista!
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Fábio Balassiano

east1A NBA acaba de anunciar a lista dos reservas do All-Star Game que acontecerá em Nova Orleans no dia 19 de fevereiro. Abaixo a lista dos selecionados:

LESTE: Isaiah Thomas (Celtics), Kevin Love (Cavs), Paul George (Pacers), Kyle Lowry (Raptors), John Wall (Wizards), Kemba Walker (Hornets) e Paul Millsap (Hawks)
Antes, os titulares selecionados foram: Kyrie Irving (Cavs), LeBron James (Cavs), Jimmy Butler (Bulls), Giannis Antetokounmpo (Bucks) e DeMar DeRozan (Raptors)
Observação: Dwyane Wade fora e SETE armadores entre os 12 selecionados

west1OESTE: Russell Westbrook (Thunder), Klay Thompson (Warriors), Draymmond Green (Warriors), DeMarcus Cousins (Kings), Marc Gasol (Grizzlies), DeAndre Jordan (Clippers) e Gordon Hayward (Jazz)
Titulares: James Harden (Rockets), Steph Curry (Warriors), Kawhi Leonard (Spurs), Kevin Durant (Warriors) e Anthony Davis (Pelicans)
Observação: teremos 4 do Warriors e o esperado reencontro entre os agora desafetos, mas antes companheiros, Westbrook e Durant

isaiah1Sinceramente manteria praticamente toda a lista, talvez colocando o garotão Karl-Anthony Towns (Wolves) no Oeste no lugar do DeAndre Jordan e Joel Embiid, calouro bom de bola do Sixers, no de Kevin Love, embora o ala do Cavs esteja jogando muitíssimo bem nesta temporada. Na real, na real, está tudo dentro dos conformes ao meu ver entre os 12 convocados (apenas, na minha opinião, Isaiah e Westbrook deveriam ser titulares nos lugares de Irving e Davis, respectivamente.

Concorda com a lista? Sentiu falta de alguém?

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Fim de uma Era: camisas da NBA terão patrocínio – veja como ficará a do Celtics
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Fábio Balassiano

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Uma das maiores tradições dos esportes americanos está chegando ao fim. Primeira das quatro grandes ligas dos Estados Unidos (Baseball, Futebol Americano, Basquete e Hóquei) a abrir mão das famosas “camisas limpas” de patrocínio, a NBA liberou as suas 30 franquias e estampar a marca de um patrocinador na parte frontal de seus uniformes para um período de testes de três anos. E alguns destes times já estão fechando seus negócios.

celtics2Nesta quarta-feira foi a vez do Boston Celtics, maior vencedor da história da NBA com 17 títulos, anunciar o seu patrocínio. Foi com a empresa General Eletric (GE), que além de ter a sua marca estampada no lado esquerdo do tradicional uniforme verde e branco apoiará a equipe em ações fora da quadra.

O valor e o tempo do contrato não foram divulgados, mas estima-se que tenha ficado entre os US$ 10 e os US$ 15 milhões em 2017/2018, mesma temporada em que a Nike também colocará a sua logo do lado direito das camisetas de 29 das 30 camisas. Apenas no Charlotte Hornets, cujo proprietário é ninguém menos que Michael Jordan, é que será vista a do Jordan Brand, subsidiária da Nike.

sixers1Antes do Boston, o Philadelphia 76ers fechou com o StabHub (ingressos online) por US$ 5 milhões, mesmo valor do Sacramento Kings com a Blue Diamonds Almonds (alimentos).

Outros acordos de patrocínio serão anunciados nos próximos meses, e times como o Golden State Warriors e o Cleveland Cavs, finalistas nas duas últimas temporadas, estão buscando montantes de até US$ 20 milhões por ano. Um detalhe interessante é que as camisas que serão vendidas pela NBA em suas lojas oficiais aos torcedores não terão as marcas dos patrocinadores. Dentro dos ginásios as franquias têm a liberdade de vender tanto as com a marca dos patrocinadores quanto a verão “limpa” de marcas.

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Utah Jazz ‘cumpre promessa’ e voltará ao playoff da NBA após cinco anos
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Fábio Balassiano

jazz31Antes da temporada 2016/2017 da NBA os analistas norte-americanos apostavam no Utah Jazz entre os quatro primeiros da conferência Oeste do melhor basquete do mundo. Sempre achei um tremendo exagero, principalmente por acreditar que Spurs, Warriors e Clippers não sairiam das três primeiras colocações, com o Grizzlies tendo mais chance de ser o último a conseguir mando de quadra para o playoff.

Acertei em quase tudo, com a exceção que o Houston Rockets tomou o lugar do Memphis entre os melhores do Oeste, mas o mais bacana de tudo é notar que de fato o Utah, do brasileiro Raulzinho e do técnico Quin Snyder, está cumprindo a, digamos, promessa que muita gente colocava pra eles antes da temporada. Com metade do campeonato já disputado, a franquia de Salt Lake City tem 29-18, hoje enfrenta o Los Angeles Lakers em casa para abrir uma sequência de quatro jogos em seu ginásio, está na quinta colocação da sua conferência e a não ser que aconteça uma grande catástrofe irá jogar o playoff da NBA depois de cinco anos (a última foi em 2012, e a derradeira vez que o time passou de fase no mata-mata aconteceu em 2010, ainda na gestão Jerry Sloan).

E como o Utah Jazz tem conseguido jogar bem, vencer jogos e se aproximar de seu objetivo principal para esta temporada? Coloco abaixo alguns pontos:

jazz11) Defesa: É o principal atributo da equipe. O Jazz é um dos três times da NBA a não levar 100 pontos por jogo (Spurs e Grizzlies são os outros), tem a defesa menos vazada (95,5 pontos por noite) e está em segundo lugar no percentual de conversão dos arremessos dos adversários (43,4%). Um dado interessante em relação a marcação é que muita gente aqui no Brasil pensa que ela se torna forte porque força erros dos adversários. No Utah não é assim. A franquia está na penúltima posição quando o assunto é desperdício de bola do rival, com apenas 11 vezes vendo o oponente não arremessar à cesta, e no mesmo local em roubadas de bola (6,6). Para o time do bom técnico Quin Snyder o importante é vigiar a bola, evitar arremessos livres e depois atacar com consistência.

jazz22) Estabilidade ofensiva: Se na NBA atual correr loucamente no ataque e chutar de três pra caramba estão em voga, no Utah não é bem assim que a coisa funciona. São 99,4 pontos por jogo e apenas 25 arremessos do perímetro por noite, índices que colocam a franquia lá embaixo no ranking da liga nos dois itens. Mas há um dado que faz o time ser muito equilibrado: o percentual de conversão de chutes é de 46%, o oitavo maior do campeonato. Não é quanto um time chuta, mas sim COMO o time chuta, né? Como controla bem o ritmo de jogo, motivo pelo qual o armador George Hill foi contratado aliás, os desperdícios de bola não se acumulam (apenas 13 por partida) e os adversários não pontuam com facilidade. O jogo não se divide, sabemos, e o Jazz ataca bem porque defende bem (e defende bem porque ataca bem).

jazz3333313) Altruísmo no ataque: O maior pontuador do Utah Jazz (Gordon Hayward) tem 21,8 pontos por jogo. Está “apenas” na posição 24 entre os maiores pontuadores da NBA. Isso é ruim? Não, não. Pelo contrário. Gordon (analisado abaixo) é ótimo, responde por mais de 20% dos pontos de seu time, mas o setor ofensivo de Quin Snyder é muito bem dividido e recheado de atletas pontuando bem em todas as posições de quadra. Além dele estão com mais de dez pontos o armador George Hill (18), Rodney Hood (ala com 14 por jogo) e o pivô Rudy Gobert (12,8). Destacam-se também o ala-pivô Derrick Favors (9,3), o experiente ala Joe Johnson (8,1), o ala-pivô Trey Lyles (8,0), o ala Joe Ingles (6,4) e o armador Shelvin Mack (7,9). Estes últimos quatro vêm do banco de reservas. E nem falei de Boris Diaw, excepcional passador, Raulzinho e Alec Burks, que também contribuem.

jazz414) Gordon Hayward: É o melhor jogador-franquia que quase ninguém fala na NBA. E dá pra explicar de uma forma bem simples. O cara não é midiático, joga em um time que não tem muito apelo de mídia desde que o duo Stockton-Malone saiu de cena e é um moço bem comportado, sem grandes polêmicas em seu currículo. Mas joga muito basquete o ala de 26 anos, viu. Com ótima técnica e bom físico, Hayward evolui a cada temporada desde que chegou à liga há seis temporadas. Suas médias de 21,8 pontos, 5,7 rebotes, 3,5 assistências, 45,5% nos arremessos e 39,9% nas bolas de três pontos são excepcionais, consistentes e todas (com exceção das assistências) as melhores de sua carreira.

jazz35) Rudy Gobert: Peça fundamental na defesa do Utah, o francês de 2,18m, 24 anos e braços longos é o que os americanos chamam de cadeado do garrafão. Se posiciona perto da defesa e está sempre pronto para distribuir tocos nos adversários. Lidera a NBA no quesito com 2,5 todos por noite, aliás. Só que nesta temporada Gobert tem se interessado, digamos, também em finalizar os passes de George Hill, que joga muito bem com ele em pick-and-roll (corta-luzes). São 12,8 pontos por jogo (quase 50% a mais que a média atingida em 2015/2016) e 66% de aproveitamento nos chutes. A fundação e o crescimento do Jazz passam por ele no presente e no futuro. Pela primeira vez ele tem média de duplo-duplo (são 12,6 rebotes) e algumas partidas “animalescas”, como as três seguidas de semana passada: 19+19 contra o Orlando, 18+17 contra o Phoenix e 27+25 contra o Dallas. Três vitórias.

jazz21Ainda não dá pra saber como o Utah Jazz se comportará no playoff e muito menos nos próximos anos, mas se o objetivo para esta temporada era chegar ao mata-mata, o time de Quin Snyder, que também merece muitos elogios, será cumprido com louvor. Salt Lake City voltará a ver uma partida de pós-temporada depois de cinco anos. A última vez foi em 7 de maio de 2012. A espera vai chegar ao fim em 2017.

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