Bala na Cesta

Arquivo : novembro 2016

Começa hoje o Campeonato Brasileiro em cadeira de rodas em SP – entrada é franca
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Fábio Balassiano

SEMI_Gadecamp_x_hands (2)Passada a Paralimpíada, quando o Brasil chegou na ótima quinta colocação, chegou das feras voltarem à disputa. Começa hoje às 9h com o duelo entre ADD Magic Hands (SP) e ADA (GO), em São Paulo, o Campeonato Brasileiro Masculino de Basquete em Cadeira de Rodas da 1ª Divisão.

O torneio, que vai até sábado, tem entrada franca, acontecerá no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (Rodovia dos Imigrantes, Km 11,5 – ao lado do São Paulo Expo) e contará com os 12 atletas que participaram do Rio-2016. A final ocorre no sábado às 19h30.

cpb1Realizado pela Confederação Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas (CBBC) e com o apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro, a disputa contará com dez equipes dos estados de São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Pará, e verá 120 atletas em atividade. No ano passado o título ficou com o CAD São José do Rio Preto, que tem entre os seus destaques o capitão da Seleção Paulo César dos Santos, o “Jatobá”, e o ala Erick da Silva. O vice-campeão 2015, Gadecamp, de Campinas, chega reforçado com o pivô Leandro de Miranda e o ala armador Marcos Sanchez, que também vêm de grandes performances na Paralimpíada. O torneio feminino foi realizado no começo deste mês em Recife e teve como vencedor o All Star Rodas Pará, do Pará.

SEMI_CAD_RP_XTigres (5)A disputa estão as equipes CAD São Paulo (SP), Adfego (GO), Afadefi (SC), ADF (PA), ADD Magic Hands (SP), CBPRN América Tigres (RN), All Star Rodas (PA), ADA (GO). São três grupos e avançam à semifinal os dois melhores de cada chave. O primeiro jogo será entre a ADD Magic Hands e ADA, nesta quarta, às 9h. A grande final ocorre no sábado, 03, às 19h30.


‘Time de camisa’, rubro-negro e líder do NBB: o surpreendente começo do Vitória
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Fábio Balassiano

vitoria1Quando se olha a classificação do NBB a gente vê um rubro-negro invicto na liderança da competição. A alcunha se encaixa no Flamengo, que tem 4-0 e é o atual tetracampeão da competição. Mas há outro time que veste vermelho e preto na mesma situação. É o surpreendente Esporte Clube Vitória, da Bahia, que ainda não perdeu após cinco partidas disputadas. Sob o comando do ótimo técnico Régis Marreli, treinador que foi vice-campeão com São José em 2012, os leões já despacharam Pinheiros, Brasília, Minas, Caxias do Sul e Vasco (três triunfos fora de casa, inclusive o último, em São Januário, Rio de Janeiro, na quinta-feira, por 70-60) e enfrentam o Campo Mourão na quarta-feira para manter a boa fase.

vitoria4“É surpreendente, sem dúvida alguma. Nossa realidade é para brigar para ficar entre os oito melhores, pegar uma Liga Sul-Americana quem sabe. Mas de fato o começo está sendo muito legal. O encaixe está sendo excepcional. Os jogadores se gostam e quando isso acontece é muito legal. Costumo dizer que às vezes o elenco é excepcional, mas as peças não se encaixam. Aí não tem jeito. E há o contrário. Peças menos estelares, como é o nosso caso, que se dão muito bem no dia a dia. Eu prezo muito isso. É fundamental ter um ambiente de trabalho tranquilo para melhorarmos no dia a dia”, destaca Régis Marrelli, que faz questão de citar a diferença entre o primeiro e o segundo ano do time no NBB: “O começo foi muito difícil, mas a chegada do diretor Marcelo Falcão deu outra cara pro projeto. Ano passado cheguei aqui faltando 18 dias para começar o campeonato. Não tinha camisa, academia, preparador físico, nada. Teve treino que fizemos que nem água tínhamos para beber. Esse ano temos a estrutura, tivemos treinamento, dois torneios preparatórios, um preparador físico de alto nível, o Felipe Tinoco, que veio de Macaé, e um respaldo muito grande do corpo diretivo”.

vitoria9Um dos pontos que chamam a atenção da campanha do Vitória é a equipe ainda não levou 80 pontos (a maior pontuação sofrida foi contra o Brasília nos 88-77). A agremiação tem a defesa menos vazada (71 pontos/jogo) e a segunda que menos permite tiros de fora convertidos (27,4%). Se as cinco vitórias surpreendem, o apreço pela marcação está na ordem do dia do comandante.

“Estes números que você cita não são coincidência. É o meu carro-chefe desde sempre. Coloquei pra eles na pré-temporada que teríamos que marcar e marcar muito. Temos um elenco mediano e não é vergonha alguma dizer isso. Mas se marcarmos muito bem e com inteligência podemos chegar longe. Não abro mão disso. Meus atletas sabem que se quiserem ficar em quadra têm que marcar. Diferentemente do ano passado, nesta temporada eu participei da montagem do elenco. Dentro do limite financeiro pude escolher os atletas. Todos os atletas são de médio para bons na defesa e pensei muito nisso. E, óbvio, há o mérito dos atletas, que estão acreditando. Não adianta eu querer se eles não acreditam”.

vitoria100Na ausência de estrelas, Régis faz o time correr. E correr muito. O Vitória tem 9 atletas jogando 14 ou mais minutos por jogo, o que faz com que a intensidade vista em quadra seja sempre altíssima. Além disso, são oito jogadores (Dawkins, Coimbra, André, Keyron, Renato, Kurtz, Hayes e Edu Mariano) com 7 ou mais pontos por partida e 16 assistências os 26 arremessos convertidos por jogo (ótimo índice). E Marrelli quer mais, mas mantendo sempre a serenidade.

vitoria8“É intensidade. Palavra-chave para mim e nisso o preparador físico Felipe Tinoco tem sido fundamental. Esse rodízio é o que tenho que fazer. E olha que acho que o Dawkins e o Andre Goes (armadores) ainda jogam muito tempo, mais de 30 minutos por jogo. O Arthur (ala, ex-Brasília) volta em breve e eles vão diminuir um pouco. O grande time é aquele que você não sabe quem vai ser o cestinha, o melhor. E o outro técnico também não sabe. Eu acredito muito nisso. Falta mta coisa. Estou até preocupado porque de fato nosso começo é muito bom, mas ao mesmo tempo falta uma temporada toda pela frente. Todos estão muito empolgados, mas vamos precisar manter o pé no chão. Na teoria dá pra fazer mais algumas vitórias até o final do ano, mas pensando jogo a jogo. Temos que sonhar”, revela, destacando um dos jogadores preferidos do blogueiro, o ala Andre Goes (foto), que tem 11,6 pontos e é um dos líderes da equipe retornando de grave lesão: “Sempre gostei muito de jogar com 2 armadores. Foi assim com Laws e Fulvio em São José. E aqui encaixou o Andre e Dawkins. O Andre retornou no NBB passado em Macaé, foi bem, e o vi no Paulista em Osasco também muito bem. É um cara de grupo, ótimo jogador e ótima pessoa. Está sendo muito útil. E olha que os dois, ele e Dawkins, podem melhorar muito juntos. Não consegui ainda ter um jogo de transição mais rápido. Ainda estamos muito lentos no cinco contra cinco. Nossos jogadores podem ousar mais”.

vitoria3Experiente, Régis está treinando o seu terceiro time “de camisa de futebol”. Com passagens por Corinthians e Palmeiras, ele consegue ver diferenças claras neste começo de história em Salvador.

“Passei por Corinthians, Palmeiras e agora estou no Vitória. Aparentemente são coisas parecidas, mas há uma grande diferença. O Vitória, no basquete, joga em um bairro chamado Cajazeiras, que tem 680 mil habitantes. É um bairro humilde e que tem ginásio bacana para duas mil pessoas. O que acontece é que 99% da nossa torcida é do bairro. É uma torcida muito carente de eventos, e também por isso estamos tendo muito carinho. No Vasco na semana passada eu vi a torcida e ela foi muito agressiva com atletas e comissão técnica após a derrota pra gente.

vitoria10O Vitória está muito diferente de uma torcida de futebol, digamos, normal. É tudo muito novo, eles estão aprendendo o que é o basquete e estamos adorando esse contato. São quase mil pessoas por jogo. Está sendo muito legal. É difícil até de explicar. Sentimos falta de não termos um ginásio central, porque do centro de Salvador até Cajazeiras são no mínimo 50 minutos, mas o carinho que a gente recebe da galera é lindo. E até espanta. No torneio preparatório que fizemos aqui estávamos perdendo de 20 um jogo, levamos pra prorrogação, mas saímos derrotados. Estávamos chateados, mas no final todos os torcedores estavam sorrindo, aplaudindo, agradecendo pelo empenho e pela luta. Estamos nos sentindo muito acarinhados. Não tínhamos água pra tomar em um treino. Não tinha uniforme. Agora estamos melhorando”, finaliza Régis.


O animador começo de temporada do jovem armador Georginho no Paulistano
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Fábio Balassiano

george4Um dos nomes mais falados da nova geração do basquete brasileiro, George Lucas Alves de Paula, o Georginho, vai tendo um começo de NBB bem animador no Paulistano.

No sábado contra o Minas o armador de 20 anos e 1,96m foi responsável por 25 pontos (11 no último período), 9 rebotes e 7 assistências (31 de eficiência) para guiar seu time a uma importante vitória (98-86). Foi a quinta boa exibição do jogador, que tem as médias de 14,8 pontos, 51% nos tiros de dois, 6,2 rebotes, 4,8 assistências e índice de passes por desperdício de bola de 1,7, algo muito bom para quem é tão jovem.

george3Vale dizer que Georginho está jogando com constância seu 1º NBB. Em 2015/2016 foram apenas 9,1 minutos por jogo no Pinheiros. Nesta temporada seus números quase triplicaram (são, até o momento, 27,1 por partida no Paulistano) e com a ausência do ala Lucas Dias (lesionado no joelho) o papel de protagonista tem feito bem a ele (no sentido de ganhar mais responsabilidade – na marra e na prática). No campeonato são 9,4 arremessos de quadra por partida, e pela primeira vez em sua carreira três partidas seguidas chutando mais de 10 vezes (Franca, Brasília e Minas).

george1Não tinha dúvida que tanto Georginho quanto Lucas Dias iriam crescer nas mãos do ótimo Gustavo de Conti, um dos melhores e mais exigentes técnicos do país. Mas confesso que seu começo é muito melhor do que o que eu esperava (ressaltando o fato de ser este o primeiro NBB “real” dele).

Quero ver mais de Georginho, que obviamente tem a evoluir em todos os aspectos (defesa, arremesso, leitura de jogo, parte física, liderança etc.), o que é normal para alguém de 20 anos e ainda em formação, mas desde já vale dizer que é muito bom ver um garoto assim tão novo e sendo dominante sem a menor cerimônia. Toda sorte pra ele! E olho no garoto!


Aviso aos navegantes: o Warriors já lidera a NBA e vê time voar muito alto
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Fábio Balassiano

durant1No dia 25 de outubro o mundo parou para ver Kevin Durant estrear com a camisa do Golden State Warriors. Seria o começo de uma era de vitórias, shows, sucesso, mídia e tudo mais. O San Antonio Spurs não quis saber de nada disso e deixou um recado importante: vitória por 129-100 e um banho de água fria na franquia.

A imprensa oportunista dos EUA caiu em cima, chegou a, vejam só vocês, cogitar que a vinda de Durantula para o mundo do Warriors tinha sido um engano (com um mísero jogo, hein…) e o primeiro ponto e interrogação poderia ser colocado na cabeça de Steve Kerr, o técnico.

warriors1Um mês se passou, e o Warriors mudou. Pra melhor. Muito melhor. Já são 15 vitórias (11 seguidas), apenas mais uma derrota (a surpreendente para o Lakers em 4/11 por 20 de diferença), a melhor campanha da NBA, a liderança do Oeste e um aviso singelo: o time está jogando um basquete de altíssimo nível! Em alto nível, sem grandes diferenças de pontos, arremessos e percentuais envolvendo as suas principais estrelas (tabela ao lado) e produzindo jogadas deste nível.

durant2São 118,4 pontos/jogo, de longe a melhor média da NBA e acima dos 114,9 de 15/16, e 43% dos arremessos rivais convertidos, o quinto melhor índice e 1% melhor que no campeonato passado. Ou seja: se o ataque é furioso, a defesa está cada vez mais encaixada (e com Durantula se esforçando muito neste sentido, algo que sempre esteve longe de ser sua virtude).

Individualmente na pontuação quem brilha é o trio de ouro formado por Kevin Durant (27,2), Steph Curry (26,7) e Klay Thompson (20,7), o único do mesmo time a estar entre os 25 primeiros em pontuação junto com o do Cavs (Kevin Love, LeBron James e Kyrie Irving). No jogo coletivo, vale ressaltar o seguinte: são 31,5 assistências por jogo, 7 a mais que o Houston, e 58% dos arremessos convertidos através de passes dos companheiros.

warriors3Ganhar ou não o título depende de muitos fatores, inclusive sobre quão descansado chegará o Cleveland, que ganhará o Leste com pouquíssimo esforço pelo visto, mas que a turma de Oakland está jogando o fino da bola, isso está. Ano passado o Warriors iniciou o certame com 24 vitórias. Neste ano já são 15-2 e a possibilidade REAL de chegar pelo terceiro ano consecutivo a mais de 65 vitórias. Isso tudo sem “estourar” as principais estrelas (Green, que se machucou na sexta-feira sem gravidade, Curry, Durant e Klay Thompson jogam menos de 35 minutos por noite).

curry10Hoje o duelo será contra o Atlanta Hawks na Oracle Arena. Depois disso, outros três jogos em casa (Rockets, Suns e Pacers) para sedimentar o incrível começo de temporada.

Pra gente, do Brasil, a única tristeza mesmo é o fuso horário que faz as partidas começarem depois de 1h da manhã. Mas se ninguém tinha dúvida que o Golden State seria bom, acho que nem “quão” bom este time poderá vir a ser precisamos ficar nos perguntando.


Fidel Castro, Magic Paula, Hortência, Havana-1991 e o basquete brasileiro
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Fábio Balassiano

fidel1Fidel Castro, líder cubano, faleceu nesta madrugada. Seu amor por esporte sempre foi imenso. E uma vez ele (seu amor) encontrou o basquete feminino brasileiro. Há 25 anos. No Pan-Americano de 1991 Brasil e Cuba mediriam forças na final. Seria a primeira grande final daquela geração maravilhosa de Paula e Hortência. Antes do jogo Fidel foi tentar conversar (e desestabilizar) as Atletas brasileiras. A técnica Maria Helena Cardoso, em entrevista ao blog, contou como foi:

fidel2“Pouca gente sabe, mas ele queria falar com as nossas atletas antes da partida. A Eleninha é que veio me contar que ele queria falar. E eu mandei avisar lá: “Antes, ele só fala comigo. Com as atletas, só depois”. E ele falou comigo, conversamos, batemos papo. Mas pelo menos não influenciou, não pressionou as atletas”.

Deu certo. Geniais, Hortência fez 30 pontos, Paula outros 24 e o Brasil passou por cima de Cuba naquela decisão com 97-76. Ficou com o ouro e na cerimônia de premiação Fidel desceu de seu lugar para parabenizar e brincar com as brasileiras.

fidel3“No pódio, durante a entrega das medalhas, o Fidel chamou a mim e a Hortência de brujas (bruxas), mas a vitória foi de toda a equipe. Ele era mais um incentivo a favor delas. Foi muito gentil da parte dele descer de seu camarote para parabenizar nossa equipe. Só deu mais valor ao nosso título”, rleembrou Magic Paula ao site da CBB em 2015.

Olhou para Paula, Hortência e brincou que não entregaria a elas a medalha de ouro. Momento inesquecível para o basquete feminino brasileiro. E sem dúvida para Fidel também. Dá uma olhada no vídeo abaixo!


Podcast BNC: Lakers, Cavs, Warriors, CBB, NBB e muito mais!
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Fábio Balassiano

SuperIngressos

clippers10No programa dessa semana falamos sobre mais um capítulo da novela envolvendo CBB e FIBA, mas principalmente de assuntos de quadra. O surpreendente Vitória-BA, no NBB, e muito, muito, muito de NBA. Os Lakers indo bem, o hesitante Spurs, o excepcional Clippers, o ataque furioso do Warriors, o “eu tô tranquilão” Cavs, o sensacional DeMar DeRozan e o incrível Charlotte Hornets. O que tem dado certo pra essa galera no começo de temporada? Tentamos desvendar os mistérios!

Caso prefira, o link direto está aqui. Caso queira, também estamos no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, perguntas ou sugestões ou é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!

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Marcando melhor, Clippers evolui, lidera o Oeste e pisa no acelerador para liderar a NBA
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Fábio Balassiano

clippers1Três times perderam apenas duas vezes na NBA até o momento. Os dois finalistas dos dois últimos anos estão entre eles. Cleveland Cavs e Golden State Warriors, favoritos para repetir a onda pela terceira temporada consecutiva, ninguém se surpreende. Os melhores jogadores do planeta estão lá (LeBron, Durant, Kyrie, Curry, Klay etc.), a confiança dos caras está no teto e o nível deles é realmente surreal. O outro é o Los Angeles Clippers, que tem 14-2 e lidera o Oeste jogando (atenção) o melhor basquete da liga. Ontem, no feriado de Thanksgiving nos EUA, boa parte do elenco esteve no estádio fantástico do Dallas para ver o jogo da NFL entre os Cowboys e o Washington Redskins.

clippers2Quando analisei o Clippers antes da temporada, havia chamado a atenção para duas coisas: o número de opções que o técnico Doc Rivers tem em mãos e que esta poderia (poderá?) ser a última dança do núcleo formado por Chris Paul, DeAndre Jordan e Blake Griffin. O tal senso de urgência tem feito muito bem à franquia, que marca como nunca, ataca como sempre e roda o grupo com maestria. O quinteto titular, como demonstra a foto ao lado, tem de longe a maior diferença de pontos entre todos os quintetos da liga.

doc3O incrível disso tudo é que o time de Doc Rivers, mesmo tendo as peças certas nos últimos anos, não conseguia ser uma potência defensiva, algo que todos estranhávamos. Como um grupo que tem DeAndre Jordan protegendo o aro consegue não intimidar adversários de maneira consistente? Era estranho demais, sem dúvida alguma. Em 2015/2016 levava 100,5 pontos/jogo e permitia 44% de conversão de arremessos dos rivais. Neste campeonato as coisas mudaram – e pra melhor. O Clippers reduziu o patamar para 97,1 pontos por noite (a quarta menos vazada) e 42% de acerto dos oponentes (o melhor patamar entre as 30 equipes do certame).

luc1Outro dado interessante é o número de erros forçados (15,4 por noite, o quarto mais alto do campeonato). Com os rivais desperdiçando bolas à exaustão, o agora primo rico de Los Angeles cria 17,6 pontos (16% do total) em contra-ataques, o segundo maior número da NBA. Um bom motivo para compreender essa transformação defensiva do Clippers atende pelo nome de Luc Mbah a Moute (foto). O camaronês é certamente o menos midiático dos titulares do time, mas exerce papel fundamental na marcação e dá espaço, fôlego e tranquilidade para Chris Paul e JJ Redick criarem arremessos do perímetro com mais tranquilidade.

blake1No ataque, mais crescimento. Os 104 pontos de 2015/2016 passaram para surreais 111 pontos por jogo de média nos 16 jogos disputados até agora. Blake Griffin, Chris Paul e JJ Redick continuam sendo os principais pontuadores da equipe (o trio tem 54 pontos/jogo, quase 50% do total), mas a rotação extensa que conta com Jamal Crawford (11,2), Marreese Speights (9,5), Austin Rivers (7,9), Raymond Felton, Brandon Bass e Wesley Johnson merece ser destacada. Isso que nem falei de Paul Pierce, veterano e decisivo atleta do elenco de Doc Rivers que está em seu último ano de carreira. Pierce jogou apenas duas partidas e aparentemente vai ser poupado por Doc até o mata-mata, quando poderá ajudar.

clippers10Com a melhor campanha do Oeste, o Clippers inicia hoje uma série de cinco jogos fora de casa (Pistons, Pacers, Nets, Cavs e Pelicans) tentando se manter como um dos únicos times invictos da NBA (7-0). O outro é o San Antonio. Se o objetivo é chegar na final do Oeste pela primeira vez na história da franquia que completa 35 anos nesta temporada, ter o mando de quadra e evitar o confronto contra Spurs e Warriors na semifinal de conferência. Para isso, continuar pisando no acelerador é mais do que recomendável. Com um elenco incrivelmente cheio (10 jogadores atuando 15+ minutos/jogo), dá muito bem para fazer isso sem cansar demais as peças. Olho no Clippers.


O incrível primeiro período de Kevin Love – ala do Cavs fez 34 pontos!
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Fábio Balassiano

love1Kevin Love estava em outra dimensão no começo da noite de ontem. O ala do Cavs teve simplesmente 34 pontos no primeiro PERÍODO contra o Portland Trail Blazers, acertando 8 bolas de três pontos (em 10 tentativas) e ficando a apenas 4 pontos do recorde de Klay Thompson, que teve 37 contra o Sacramento Kings em 2015 e nove bolas do perímetro convertidas ao final daquele terceiro período histórico. O Cleveland venceu a parcial por 46-31, ou seja, Love teve mais pontos que o Portland INTEIRO.

Do segundo período em diante Kevin Love ficou mais, digamos, tranquilo e fez apenas mais seis pontos, terminando com 40 e 7 rebotes na vitória do Cavs, a décima-primeira em 13 partidas na temporada 2016/2017 da NBA, contra o Portland por 137-125 nesta quarta-feira à noite em Ohio.


CBB sofrerá intervenção; COB, FIBA e Ministério comandam basquete até 2020
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Fábio Balassiano

cob1Em ação inédita no basquete brasileiro, a Confederação Brasileira sofrerá intervenção nos próximos dias. Encurralada após a Federação Internacional (FIBA) suspendê-la até 28 de janeiro de 2017, restou à CBB aceitar a intervenção. Caso não topasse poderia ver a modalidade suspensa por tempo indeterminado ou desfiliada da FIBA, causando impacto em seleções e clubes, que não poderiam participar de competições internacionais.

Sendo assim, assumem o basquete até 2020 o Comitê Olímpico Brasileiro, que se reuniu na semana passada com a FIBA em Doha (Catar), o Ministério do Esporte e a própria FIBA em uma força-tarefa que terá inicialmente duração de quatro anos. Até 2020, portanto, não haverá eleição na entidade e o pleito previsto para abril de 2017 está cancelado. Com os trâmites jurídicos já em andamento, o anúncio deverá ser feito nos próximos dias. O mesmo procedimento (intervenção) foi realizado pelo COB na Confederação de Vela em 2007, também atolada em dívidas à época. De acordo com uma fonte do alto escalão do esporte ouvida pelo blog há instantes, “a força-tarefa destes três poderes somará forças para trabalhar para o basquete brasileiro voltar a ter destaque de forma positiva no cenário internacional”.

nunes2A dúvida maior neste momento é se Nunes, presidente da entidade máxima do basquete brasileiro, renunciará ao cargo ou se sofrerá o impedimento formal por parte do Comitê. Seja como for o blog apurou que a intervenção do COB colocará em prática alguns dos principais desejos da Federação Internacional: a mudança no estatuto da CBB, fazendo com que mais eleitores sejam parte integrante do processo de votação (atualmente apenas os Presidentes de Federação elegem o mandatário da Confederação) e um planejamento de longo prazo para o esporte nacional.

cbb10Neste novo modelo de gestão haverá quatro integrantes como os responsáveis pela nova fase do basquete brasileiro. De acordo com apuração do blog dois destes já foram selecionados: Paulinho Villas-Boas, ex-jogador da seleção masculina de basquete e que trabalhou recentemente no Comitê Olímpico Brasileiro e no Rio-2016, e José Luiz Saez, ex-presidente da Federação Espanhola e o interventor designado pela FIBA para apurar a situação da CBB recentemente. Saez já viria ao Brasil na próxima semana. O grupo já possui inclusive um plano estratégico em suas mãos chamado de “Brasil 2020” (logomarca ao lado).

cbb1O Comitê Olímpico Brasileiro foi procurado na tarde de ontem e disse que não daria posicionamento formal em relação a situação da Confederação Brasileira. A CBB, por sua vez, informou na sexta-feira que não falaria com a imprensa.

Resta ao COB escolher como finalizar o processo da melhor maneira possível. E explico: em outubro de 2013, pouco antes do Mundial Interclubes envolvendo Pinheiros e Olympiacos em Barueri (São Paulo), houve um acordo semelhante para que Carlos Nunes se afastasse do cargo e abrisse espaço para uma força-tarefa tentar salvar a entidade. Só que Nunes não cumpriu com o prometido em uma reunião a portas fechadas em um hotel e optou por se manter como presidente da Confederação Brasileira, gerando o descontentamento da FIBA. Caso novamente haja mudança de rumo e resistência por parte do mandatário da CBB as partes (FIBA e Comitê Olímpico Brasileiro) irão se reunir novamente para tratar do caso e encontrar a melhor solução.

nunes2No final das contas, a informação é esta: Carlos Nunes não chegará ao final de seu mandato, previsto inicialmente para cessar em março de 2017. Ele deixará para a força-tarefa liderada pelo COB uma entidade com R$ 17 milhões de dívida, sem nenhuma credibilidade junto ao órgão máximo da modalidade (FIBA), com os dois clubes do país ausentes da Liga das Américas devido a suspensão (Flamengo e Bauru) e com as suas duas seleções mais novas (as Sub-15) fora de campeonatos internacionais no mínimo até 2018 (Copa América em 2017 e Mundial no ano seguinte).


Entrevista: Shamell lidera Mogi na final da Sul-Americana que começa hoje
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Fábio Balassiano

mogi3A partir das 20h desta quarta-feira Mogi das Cruzes viverá um dia especial. É neste horário que o time da cidade verá o ginásio Hugo Ramos, o Hugão, lotado, para o primeiro jogo da final (melhor de cinco) da Liga Sul-Americana contra o bom Bahia Blanca, da Argentina e treinado por Sebastián Ginóbili, irmão deste mesmo que você está pensando. O Sportv tem os direitos de transmissão do torneio e promete exibir a decisão. O jogo 2 será na quinta-feira, também em SP.

Buscando o primeiro título internacional da história do basquete de Mogi, a equipe será liderada mais uma vez por Shamell. Um dos melhores jogadores do país, o norte-americano de 36 anos sabe que não serão muitas as chances de ganhar um caneco desta relevância. Para ele, a hora é, mais do que nunca, agora. Conversei com o camisa 24 do time mogiano no último sábado, depois que da derrota contra o Vasco no Rio de Janeiro, sobre tudo isso.

mogi4BALA NA CESTA: Qual a sua expectativa para essa final da Liga Sul-Americana? Estão todos ansiosos, né?
SHAMELL: Eu espero grandes jogos. Se tiver cinco, espero cinco grandes jogos. A gente sabe que o técnico do time é irmão do Manu Ginóbili e tem uma qualidade muito boa da molecada. Os garotos jogam forte, duro, com intensidade e tem uma rotação de 10 jogadores. Nós rodamos com sete, oito atletas. Vai ser muito legal essa final principalmente porque os dois primeiros jogos vão ser em Mogi e espero ganhar. Entro sempre pra ganhar e não é diferente dessa vez. Falei com o grupo que estes primeiros dois duelos em casa são fundamentais, essenciais mesmo. A gente já faz duas semanas que vem recebendo informações, vendo jogadas, analisando o adversário. Não muito, porque tem o NBB que estamos jogando, mas cada um daqui já está estudando o Bahia Blanca com força. Nosso foco é fazer história para Mogi.

guerra2BNC: Como está sendo esse começo de convivência com o Guerrinha?
SHAMELL: Está sendo ótimo! Ótimo mesmo. Ele é um cara muito seguro, muito objetivo e muito prático também quando passa as instruções para nós, atletas. Ele fala as coisas de forma verdadeira e pronto. Se você jogou mal, ele vai com cuidado, mas fala o que precisa ser falado. Ele tem experiência e deixa o clima tranquilo. Você vê. Nós perdemos uma partida jogando mal (contra o Vasco), estávamos sem pivô e ele estava nos cobrando para jogarmos o melhor que poderíamos jogar. É assim que ele é. Mesmo perdendo de 30 ele está tranquilo. Ele é um, não sei como se fala em português, um player’s coach (Nota do Editor: Técnico que conhece bem os jogadores). Sabe conversar, passar as coisas diretamente pra você e isso é muito bom. Pra mim está ótimo, estou gostando. Ele sempre fala pra mim: “Shamell, você não precisa mostrar nada pra mim e eu não preciso mostrar nada pra você. Só preciso te ajudar, te facilitar a ser o melhor atleta que você puder ser em quadra”. Como ele jogou 20 anos na seleção, ganhou várias vezes, depois ótimo técnico em Bauru, ele sabe bem o que está falando.

mogi1BNC: Antes do NBB coloquei você como o MVP no palpitão
SHAMELL: (me interrompendo) Ah, Bala, minha namorada falou, ela leu lá, mas eu nem sei. É tanto campeonato que eu nem sei direito o que estou jogando (risos). Entra em quadra, é bola diferente, é regulamento diferente, é cada coisa que confunde tudo (risos). Mas, Bala, obrigado. Só que vou te dizer uma coisa: o que eu quero mesmo é jogar a final do NBB. O resto não me importa. A gente chegou tão perto nos dois últimos anos, acho que agora estamos preparados para dar o próximo passo. A gente viu o gostinho disso de perto no último campeonato, quando tivemos o jogo 4 contra o Flamengo em casa e não conseguimos matar, e creio que agora chegou a nossa hora. Falta alguma coisinha, mas agora temos todas as condições e creio que iremos chegar lá também. A chegada do Caio Torres, pivô forte, foi muito importante para times que têm bons arremessadores, como é o nosso caso.

cbb1BNC: Nessa maluca semana passada que pegou o basquete brasileiro com a suspensão da CBB, o que um norte-americano há tanto tempo no Brasil conseguiu pensar disso tudo?
SHAMELL: Eu fico triste, triste mesmo. O NBB está elevando o basquete a um nível muito alto, muito alto mesmo. Eu peguei o começo das coisas aqui e dá pra ver uma evolução muito grande. Aí você lê uma notícia como é da suspensão e você fica triste, triste mesmo. Tenho muita fé no basquete do Brasil. Foi aqui que, para o basquete profissional, eu fui criado e sou muito grato ao país por causa disso. É um absurdo o que acontece, Bala. Você escreve lá no seu blog, a gente lê. São R$ 17 milhões de dívida, não é isso?

mogi10BNC: Sim, de acordo com as análises do balanço ao final de 2015 eram R$ 17 milhões mesmo…
SHAMELL: (balança a cabeça) R$ 17 milhões! Cara, R$ 17 milhões de dívida. Nossa. Não é um, não são dois, que você resolve buscando um patrocinador, por exemplo. Mas, cara, R$ 17 milhões? Como assim? Como deixaram chegar a isso? É um absurdo! Você acha que isso vai acontecer nos EUA por exemplo? É uma coisa muito louca, muito vexatória. E aí quem sofre, você sabe quem é? São os jogadores.

BNC: Mas você sabe, muita gente acha que a imprensa gosta dessas notícias. Não é verdade. Falo por mim e odeio das este tipo de informação. É chatíssimo. Gosto de ver jogo, de falar da quadra, dos craques, mas aqui é impossível porque o lado de fora interfere no que a gente vê no dia a dia do esporte…
shamell10SHAMELL: E você está certíssimo. Tem que ficar em cima mesmo. Mesmo notícia ruim a gente tem que ficar sabendo o que está acontecendo. Se com jornalistas entrevistando, ficando em cima, está difícil, imagina e se ninguém fosse em cima dos caras. Você quer ver um exemplo? Se eu faço um jogo, vou lá e agrido um árbitro, o que acontece? Sou suspenso, né? Vou ter que pagar pelos meus atos, pelas minhas ações. É igualzinho que deveria acontecer. Se você está devendo R$ 17 milhões, tem muita coisa errada. Não pouca, Bala, mas muita coisa mesmo. Aí agora, como você vai buscar esse dinheiro? E agora? Quem sofre? A gente. Jogador, técnico, dirigente, imprensa. E agora pior ainda, porque Flamengo e Bauru podem não jogar a Liga das Américas. Ganharam o direito na quadra. Basquete brasileiro dominou o continente em três dos últimos quatro anos e agora não poderemos manter essa hegemonia por causa de um absurdo dos dirigentes. A gente pode ser campeão da Liga Sul-Americana e não atuar na Liga das Américas pelo mesmo motivo. É triste, um absurdo mesmo.