Bala na Cesta

Arquivo : setembro 2016

Os 30 da NBA: Recheado de armadores, Utah tenta retornar ao playoff
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Fábio Balassiano

hill2George Hill (foto). Dante Exum. Raulzinho. Shelvin Mack. Marcus Paige. Se tem uma posição que o Utah Jazz não pode dizer que está pouco recheada para a próxima temporada da NBA esta é a de armador. São cinco disponíveis para o técnico Quin Snyder fazer todo tipo de experimento (de titular a reserva, passando pela possibilidade de usar dois juntos em formações “menores” etc.) na busca para retornar ao playoff, algo que não acontece desde 2012. Ano passado a franquia de Salt Lake City passou perto, mas na última semana da fase regular perdeu a tração e a vaga para o Houston Rockets.

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gordon1Trocado pelo Pick do Draft de 2016, Hill será o titular e na verdade a “resposta” da diretoria de que quer brigar por playoff já, com Exum, voltando de grave lesão no joelho, sendo o segundo armador e Raulzinho e Mack brigando pelos minutos restantes da rotação (a situação do brasileiro será analisada longamente depois aliás). Formarão o quinteto inicial o ótimo Gordon Hayward, o recém-chegado Joe Johnson ou Rodney Hood (14,5 pontos de média no certame passado), Derrick Favors e Rudy Gobert. É uma boa combinação. Tem potencial físico, pontuação perto e longe da cesta, experiência e mais de um atleta criando seu próprio arremesso.

gordon2Talvez falte, apenas, O cara, alguém que seja o motor da franquia em momentos difíceis. O Utah tem tentado fazer isso com Hayward. As médias dele em 2015/2016 (19,7 pontos, 5 rebotes e 3,7 assistências) são ótimas, mas na frieza dos números o time só cresceu duas vitórias em relação ao campeonato anterior com o camisa 20 no comando – e o objetivo final de ir ao mata-mata não foi alcançado. Talvez com a ajuda de Joe Johnson e George Hill, dois caras mais cascudos, o ala de Butler exploda de vez.

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gobert1Se no perímetro as opções são imensas, com Alec Burks e Joe Ingles sendo outras alternativas para arremessos de longe, tenho preocupação em relação ao garrafão. Favors e Gobert (foto) formam de fato uma boa dupla titular, com o francês precisando desenvolver um pouco mais o seu jogo para se tornar uma arma efetiva no ataque. As peças de reposição, porém, causam um pouco de apreensão e vão ter que trabalhar muito bem para não deixar o ritmo cair. Trey Lyles vai para seu segundo ano no time e fez boa Liga de Verão recentemente. Boris Diaw chegou, mas ninguém nunca sabe como ele estará – fisicamente, tecnicamente e mentalmente. Caso jogue o que realmente sabe, e sabe muito, o Utah ganha uma ótima arma.

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JJ1Perto da classificação em 2015/2016, o Utah poderia ter esperado mais um ano com sua escolha de Draft para ver o que seria do desenvolvimento de seus jovens. Aparentemente não é isso que a franquia quer. A luta é por agora, é por chegar com o elenco montado nos playoffs em 2017. Para isso chegaram atletas experientes como Hill e Johnson. A esperança de todos por lá é que o trio formado por eles e Hayward esteja pronto para começar bem a temporada e recolocar a equipe no mata-mata.

Campanha em 2015/2016: 40-42
Projeção para 2016/2017: Briga por Playoff (entre 40 e 45 vitórias).
Olho em: Gordon Hayward


Podcast BNC: Especial sobre Kevin Garnett, recém-aposentado do basquete
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Fábio Balassiano

SuperIngressos

garnett2Prestamos uma homenagem a Kevin Garnett, mito da NBA que anunciou aposentadoria na semana passada após 21 anos de brilhante carreira na liga norte-americana.

Citamos também a saída de cena de Paul Pierce, que jogará apenas a temporada 2016/2017 da NBA antes de se despedir do basquete. Aproveitamos o programa para conversar com Tiago Frank, técnico da seleção brasileira paralímpica masculina que conseguiu o quinto lugar no Rio-2016, melhor colocação paralímpica do país na história.

Caso prefira, o link direto está aqui. Caso queira, também estamos no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, perguntas ou sugestões ou é só enviar para  podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!


Os 30 da NBA: Com técnico Frank Vogel e elenco experiente, Orlando quer voltar ao playoff
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Fábio Balassiano

vogel1Quando, de forma surpreendente, Scott Skiles pediu o boné e abandonou o cargo de técnico no final da temporada passada o Orlando tinha duas opções: ir ao mercado contratar o melhor nome disponível ou iniciar um novo processo de reconstrução.

De forma inteligente e conhecendo o seu próprio histórico de a cada cinco anos entrar em remontagem o Magic optou pela primeira opção, fisgando Frank Vogel, excepcional técnico demitido de forma absurda do Indiana Pacers. Junto com Vogel chegam mudanças interessantes na franquia que não vence uma série de playoff desde 2010, quando jogou a final do Leste, e que não frequenta a pós-temporada desde 2012.

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ibaka1Com a vinda de Frank Vogel o Orlando deixa de ser o time da reconstrução para tentar (ao menos tentar) ser o time do presente, o time da ação, o time que vai brigar por alguma coisa no Leste. Foi meio difícil entender o movimento no dia do Draft, mas olhando agora dá pra sacar o motivo da direção do Magic ter despachado Victor Oladipo + pick (o de Domantas Sabonis) por Serge Ibaka mesmo com o congo-ibérico tento contrato vencendo ao final do certame. Foi muito por pouco, mas há uma razão clara e não verbal nisso tudo: a mudança de cultura. Ninguém na franquia aguenta mais viver de derrota, derrota e derrota. Parece que Rob Hennigan, gerente-geral, olhou ali pro lado, para Pat Riley em Miami, e viu que é possível, sim, se manter competitivo mesmo sem apelar para tanks (perder quase que de propósito pensando no Draft seguinte).

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byiombo1Ibaka vem de temporadas seguidas vencendo 50 jogos, jogando playoff, disputando confrontos decisivos e pressionados. O Orlando quer viver isso e também por isso fez questão de abrir o cofre para novas aquisições mesmo que tenha pago acima do valor de mercado, e com risco alto, jogadores não mais do que medianos.

Sensação do playoff passado jogando pelo Toronto, Bismack Biyombo chega com um contrato imenso de US$ 70 milhões por 4 anos. No garrafão, aliás, o Orlando está com uma ótima rotação que possui Biyombo, Ibaka, Nikola Vucevic, que permanece no time, Jeff Green, recém-contratado, e Aaron Gordon, que parece cada vez com menos chance de ter tempo de quadra. A não ser que Vogel opte por tentar Green, que vem para apenas um ano de contrato, na posição 3, Gordon terá talvez até menos que os 23 minutos disponibilizados a ele em 2015/2016. Para quem precisa jogar para mostrar que é mais do que apenas um ótimo saltador para enterradas, não é um bom sinal.

fournier21No perímetro a responsabilidade vai ficar mesmo com o francês Evan Fournier (foto), que foi muito bem em 2015/2016 com 15,7 pontos/jogo, motivo pelo qual foi agraciado com novo contrato (US$ 85 mi/5 anos). Parece ser com ele que o Orlando conta para ser a pedra fundamental da construção ofensiva fora do garrafão. Foi um voto de confiança para o camisa 10, mas sobretudo um indicativo de que o futuro está sendo pensado desde já. Gostei dos movimentos do Magic nas alas e na armação com as chegadas dos experientes D.J. Augustin para ser reserva e mentor de Elfrid Payon e de Jodie Meeks para ajudar a Fournier e também a Mario Hezonja, outro que precisará de mais tempo de quadra no campeonato.

vogel1Não é a oitava maravilha do mundo, mas o Orlando sai da estagnação e aponta um caminho. Falta uma série de coisas ainda, a começar pela definição de quem vai ser O cara da franquia (será que Fournier aguenta esse tranco?), mas para brigar para disputar playoff no Leste me parece que o cardápio seja mais do que suficiente.

Ao invés de apertar o botão da reconstrução, o Magic vai tentar disputar com o melhor que conseguiu no mercado. Com um técnico de alto nível (Frank Vogel), é provável que os jogadores cresçam e que os objetivos de curto prazo sejam alcançados rapidamente.

Campanha em 2015/2016: 35-47
Projeção para 2016/2017: Briga por Playoff (entre 40 e 45 vitórias).
Olho em: Evan Fournier


Os 30 da NBA: O Sacramento Kings e sua eterna casa da Mãe Joana
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Fábio Balassiano

divac1Gostaria muito de começar o texto sobre o Kings falando que a equipe entra em uma nova Era. Desculpem, mas não dá pra dizer nada disso. O Sacramento continua sendo a grande “Casa da Mãe Joana” da NBA. Com a gestão de basquete de difícil compreensão exercida por Vlade Divac, a quem entrevistei recentemente no Rio de Janeiro, com uma estrela totalmente alucinada como DeMarcus Cousins, com um elenco totalmente desbalanceado, é muito complicado crer que a equipe volte ao playoff depois de dez anos (a última vez foi justamente na temporada 2005/2006).

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divac3Analisando o elenco montado por Vlade Divac você entende exatamente por que será bem difícil a vida do técnico David Joerger, recém-contratado pela franquia junto ao Memphis Grizzlies. De Joerger falarei adiante.

Na armação temos como contratações o errático porém experiente Jordan Farmar, aquisição que anunciou a sua chegada ao time com uma foto de sua melhor atuação com a camisa do maior rival, o Lakers, diante do… Sacramento, e o maluco-beleza Ty Lawson, que depois de micos e micos em Denver, Houston e Indiana tenta reencontrar a sua carreira. Ambos têm contratos não garantidos, o mesmo podendo-se dizer de Isaiah Cousins, calouro que não tem parentesco com o pivô do time. O único remanescente da posição 1 é Darren Collison, um cara talentoso mas que nunca foi titular em sua carreira. Provavelmente Collison começa a temporada jogando, mas ele tem chance de ser suspenso por ter se envolvido em uma briga doméstica no começo do mês. O campeonato do Kings não começou e já tem crise interna pra resolver, né?

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afflaloAs alas até que estão bem preenchidas, mas sem nenhum grandíssimo jogador. Chegaram Matt Barnes, polêmico toda vida, e Arron Afflalo, que deve ser o titular na ala-armação, para dar uma melhorada na marcação de perímetro. Também vieram o regular Garrett Temple, que fez boa temporada passada com o Wizards, e o calouro Malachi Richardson. Permanecem por lá Rudy Gay (será trocado rapidamente como se especula ou não?), Ben McLemore, que está indo para seu quarto ano na liga sem ter engrenado ainda, e Omri Casspi, ala israelense que teve 11,3 pontos em 2015/2016. Perguntinha básica: além de Gay, quem daí consegue criar bem o seu próprio arremesso? Afflalo, Barnes, Casspi e McLemore nunca foram conhecidos por isso. Como o Kings conseguirá pontuar de longe da cesta?

steinNo garrafão as coisas ficam ainda mais incompreensíveis. Willie Cauley-Stein (foto) foi testado junto com DeMarcus Cousins em alguns momentos da temporada passada, mas coexistir a dupla do então calouro com a estrela da companhia não rolou. São dois gigantes de mais de 2,10m precisando de espaço perto da cesta, sem tanta mobilidade assim e invariavelmente com Cousins convergindo demais para o aro e dificultando a vida de Stein. Pensando nisso, o que fez Vlade Divac nas férias? Trouxe mais pivô! E olha que Divac teve chance de dar uma arejada na ala-pivô. Com o oitavo pick do Draft deste ano ele selecionou Marquese Chriss, da Universidade de Washington e considerado um dos mais promissores da turma de 2016. O que aconteceu minutos depois? O Sacramento trocou Chriss para o pelo pivô grego Georgios Papagiannis, de apenas 19 anos e dono da média de 6,5 pontos na Liga Grega em 2015/2016. Estão no elenco ainda Kosta Koufos, o haitiano Skal Labissiere, da Universidade de Kentucky, e o Anthony Tolliver, veterano de 31 anos.

joerger1Dá pra entender quão dura será a vida de David Joerger no Sacramento? Encarar o Kings parece ser uma tarefa dura demais para ele ou qualquer ser humano deste planeta. Não só porque o elenco, como demonstrei acima, é desbalanceado, indecifrável, sem boas opções, mas porque acima de tudo existe um clima de que a cada cinco minutos algum desastre irá acontecer. Controlar a ansiedade do dono do time, o milionário Vivek Ranadivé, e de um já pressionado Vlade Divac é tão ou mais importante que tentar manter a paz no vestiário. A pressão do Kings, sobretudo nos últimos anos, não vem somente dos jogadores, mas principalmente de fora (da diretoria) para os atletas. E isso atrapalha muito. O elenco não entende bem os rumos da organização, pensam sempre que serão trocados e por mais que exista talento no grupo qualquer pequena série de derrotas é a fagulha para acender a chama do desespero. Decididamente deve ser fácil ser treinador em Sacramento. George Karl, o antecessor de Joerger, que o diga.

kings1É óbvio que falar do Sacramento sem citar DeMarcus Cousins não é apropriado, né? Cousins é disparado o melhor jogador do time, está entre os cinco melhores pivôs de toda a NBA e poderia facilmente chegar a média de 30 pontos por jogo se tivesse um mínimo de juízo na cabeça. Acompanhei Boogie o máximo que consegui nos jogos e treinos dos EUA no Rio de Janeiro durante a Olimpíada, deu pra ver o desespero da comissão técnica e de seus companheiros em fazer com que ele se sentisse o mais confortável possível.

cousins3Nada disso rolou, e Cousins mal ficava em quadra na equipe de Coach K. Havia momentos que Mike Krzyzewski inclusive saía da beira de quadra durante as partidas, se ajoelhava diante do atleta, falava calmamente e retornava o rapaz ao jogo. O que acontecia? Dava dois, três minutos, Cousins cometia faltas seguidas, era retirado novamente, colocava uma toalha na cabeça e Krzyzewski balançava a cabeça. Se Coach K não foi capaz colocar o cara na linha, será que alguém consegue?

cousins4Basquete ninguém duvida que DeMarcus Cousins tenha, mas o rapaz que faz questão de parecer ser um doidão (ele tuitou na noite do Draft o famoso “D’s me dê força”, em uma crítica DIRETA e PÚBLICA à direção da franquia), já tem 26 anos, o tempo está passando, ele não é mais criança e ainda por cima o ambiente em Sacramento é convidativo para quem quer ser “rebelde a vida toda”, desperdiçando a carreira. Desde que chegou ao time, em 2010/2011, Joerger será o seu sétimo técnico. Confesso que gostaria de ver: 1) Como Cousins jogaria em uma franquia organizada como o Spurs? 2) Qual seria a real performance do camisa 15 no Kings caso mantivesse a cabeça no lugar por um campeonato completo?. A segunda parte ainda pode acontecer, embora pareça irreal. A primeira depende muito da segunda. Caso não se emende, sabe lá o que o time fará com o atleta cujo contrato termina em 2017/2018.

A Casa da Mãe Joana da NBA ainda aguarda por um síndico que transmita paz e tranquilidade aos condôminos.

Campanha em 2015/2016: 33-49
Projeção para 2016/2017: Fora dos Playoffs (entre 33 e 38 vitórias).
Olho em: DeMarcus Cousins


Diretor do IBOPE/Repucom aponta crescimento e deixa ‘dever de casa’ para o NBB
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Fábio Balassiano

Negocios1Dando prosseguimento à seção “Negócios do Basquete“, que estreou aqui na semana passada com entrevista de Álvaro Cotta, Gerente de Marketing da Liga Nacional de Basquete (LNB), o blog hoje traz bate-papo exclusivo com José Colagrossi, Diretor Executivo do IBOPE / Repucom.

Colagrossi palestrou no NBB Marketing Summit em São Paulo na última terça-feira, mostrou números importantes sobre o crescimento do NBB, como por exemplo, a base de fãs (38%) e superfãs (15% dos famosos viciados), e deixou um dever de casa para os times em particular e para a Liga Nacional de maneira geral que é conseguir trazer os fãs da NBA para acompanhar o NBB mais de perto. Confira a entrevista que fiz com ele.

BALA NA CESTA: Não consigo resumir a sua palestra porque foram dados e mais dados incríveis, mas algumas coisas chamaram a atenção. Primeiro a questão do renascimento do basquete com a criação do NBB. Queria que você dissesse como o IBOPE / Recpucom explica isso.
nbbmkt3JOSÉ COLAGROSSI: O basquete vive um momento de renascimento. Não que a paixão pelo basquete tenha morrido. Não, de jeito nenhum. Mas o basquete organizado passou por um período quase que de inexistência no Brasil. O renascimento é na forma da competição, é na forma da Liga Nacional fazer as coisas, é no interesse da televisão em ter mais e mais jogos disponíveis, é no patrocínio. Como esporte organizado, de 2007, 2008 pra cá, o basquete vem crescendo. Na audiência, nos jogos, no número de times, no número de competições, nos patrocinadores, na entrega do que a Liga consegue entregar aos seus patrocinadores e sobretudo no interesse crescente do público que não era chegado ao basquete. O renascimento também acontece de uma forma muito forte na população mais jovem.

jose1BNC: Exato. Este é o outro ponto interessante. Dentro dos fãs e superfãs de basquete há dois nichos bem claros, não? Uma galera mais velha e a outra que está chegando agora para acompanhar o esporte.
COLAGROSSI: É isso. Há o pessoal de 40 anos ou mais que viveu os anos 80 e cresceu vendo Oscar, Paula, Hortência e tantos outros grandes jogadores. Essas pessoas nunca esqueceram do basquete, mas se distanciaram e retornaram agora. E tem, no outro lado, a turma da geração Y, de 16 a 29 anos, que consome o basquete no Brasil por causa da NBA. Então você tem dois públicos completamente diferentes consumindo o mesmo produto. Em idade, background, renda, em educação, interesse, mas os dois, por razões diferentes, consomem o esporte muito fortemente. Isso é parte do renascimento que eu mencionei.

BNC: Você falou muito também muito sobre a questão de blogueiros e influenciadores. De acordo com o IBOPE / Repucom, 7 dos 10 maiores influenciadores do esporte brasileiro hoje são blogueiros e não ex-jogadores ou jornalistas renomados. E você disse outra coisa que era a questão da rebeldia dos jovens, que cada vez menos aceitam argumentos fáceis, pré-estabelecidos. Juntando essas duas coisas hoje eu questiono: o jovem, hoje, confia menos no, digamos, institucional e mais em quem fala diretamente a língua dele e por isso os influenciadores fazem tanto sucesso?
geracaoYCOLAGROSSI: A principal característica do jovem hoje, dessa geração Y de 16 a 29 anos, é que ele não quer que ninguém dite como deve ser o seu comportamento. E não é no Brasil, não, mas no mundo todo. Por isso eu usei o termo rebeldia. Isso no esporte se manifesta da seguinte maneira: eles querem consumir o esporte que quiserem, da maneira que quiserem, na hora que desejarem, na plataforma que preferirem e como quiserem. A rebeldia vem de seguir o que eles quiserem seguir, não de ser como seus pais foram. É basicamente dizer: ‘Eu vou fazer o que estiver disposto a fazer’. Só que hoje é possível isso. Estamos em 2016, Século XXI, é possível. Quando eu tinha 20 anos de idade a única maneira que eu tinha de consumir o esporte era na televisão ou no estádio. Só. Não tinha outra alternativa. Então eu poderia até ser rebelde, mas não tinha opções de fazer diferente. Hoje você pode consumir o esporte de cinco maneiras diferentes, ao vivo ou em video on demand, ou seja, você pode consumir inteiro ou em partes. E principalmente: você pode interagir com seus amigos, com as ligas, com os atletas, e isso cria um mundo onde o fã deixou de ser um mero recipiente passivo de informação para se tornar um fã que está no meio do ecossistema. É um cara que está no meio disso tudo e gera opinião, gera informação, que influencia todo mundo e um cara cuja opinião é relevante. E ele, esse jovem, sabe disso.

nbb_nba1BNC: No seu último slide você deixou alguns pontos como desafios para o NBB daqui pra frente. O principal deles é atrair os fãs da NBA que há aos montes no Brasil para as partidas da Liga Nacional, correto?
COLAGROSSI: Quando você olha a performance do NBB e da Liga Nacional é uma história de sucesso. O basquete hoje está entre os três esportes mais consumidos do país, como disse aqui no encontro. Mas tem uma tarefa que eles não conseguiram fazer muito bem até o momento, que é essa que você cita. A base de fãs do esporte basquete ainda é muito maior do que a base de fãs do NBB. Então tem muita gente transitando pelo basquete que não consome NBB. Não torce para nenhum time, não vê jogo, não lê nada. O NBB precisa se aproximar, atrair esse cara para que ele consuma o basquete nacional da mesma maneira que ele consome a NBA. Esse é um desafio. E se tem alguma coisa que a Liga Nacional ainda não fez intensamente em relação a marketing / comunicação, eu posso te citar isso. E este é o grande desafio para os próximos anos.


Os 30 da NBA: Sem identidade, Denver segue longe de encontrar seu caminho
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Fábio Balassiano

denver1Quando se começa a analisar o Denver Nuggets a cabeça dá um nó. Há apenas dois cara acima de 30 anos (Mike Miller e Jameer Nelson), jogadores com bom valor e já rodagem na NBA (Danilo Gallinari e Kenneth Faried, por exemplo), um punhado de atletas de composição de elenco interessantes (Wilson Chandler, Gary Harris e Will Barton) e outros jovens, bem jovens, que ou chegaram recentemente ou que estão chegando (Malik Beasley, Jamal Murray e Juan Hernangómez chegam agora via Draft – na foto -, e já estão no Colorado Emmanuel Mudiay, Jusuf Nurkic e Nikola Jokic, por exemplo). Com um elenco tão heterogêneo, dá pra imaginar o trabalhão que o técnico Michael Malone terá nesta temporada?

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mudiay1Não há dúvida que há bastante talento na franquia, principalmente no perímetro com a possível formação inicial envolvendo Mudiay na armação, Garry Harris ou Jamal Murray (20 pontos por jogo em Kentucky na temporada passada e apenas 19 anos) na posição dois e Gallinari na ala, com a Nelson sendo o armador suplente e Wilson Chandler, Malik Beasley e Will Barton fazendo o revezamento nas alas.

O problema é que esse “discurso” do bom elenco se aplica ao Denver há muito tempo. Desde que o Nuggets tinha um time titular com Chauncey Billups, Dahntay Jones (JR Smith no banco), Carmelo Anthony, Nenê e Kenyon Martin que chegou à final do Oeste em 2009 aliás.

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faried1As dificuldades técnicas mesmo acontecem no garrafão. Kenneth Faried, o titular da ala-pivô, surgiu muito bem, acabou motivando o Nuggets e trocar Nenê para o Washington de modo a abrir espaço em 2011/2012 para o Manimal, como é conhecido. O problema para o Denver é que Farie saiu dos razoáveis 10,2 pontos e 7,7 rebotes em seu ano de estreia para os não tão gigantes assim 12,5 pontos e 8,7 rebotes por partida em 2015/2016. Não é um crescimento tão grande assim, né? O camisa 35 marca legal, tem tentado chutar um pouco mais de três pontos, mas não chegou ao ponto que todos no Colorado esperavam dele. Adicionalmente há os jovens Nikola Jokic (sérvio, 21 anos e 10 pontos de média em sua temporada de estreia em 2015/2016) e Jusuf Nurkić (bósnio, 22 anos e 8,2 pontos em seu segundo ano na liga em 2016). Não é animador para ninguém, vamos combinar.

malone1Muita coisa mudou desde 2009. Carmelo Anthony saiu e vieram Gallinari e Chandler principalmente, mas desde então a franquia não conseguiu nem passar da primeira rodada (perdeu assim entre 2010 e 2013 e desde então não frequenta a pós-temporada) e muito menos mostrar uma identidade própria a seus torcedores. A sensação que dá é que o Nuggets até hoje procura um estilo pra chamar de seu.

Com o bom perímetro dá para sonhar em começar a construir alguma coisa para o longo prazo. No presente, a sensação que dá é que o time de Michael Malone (foto) continuará a patinar no gelado Colorado.

Campanha em 2015/2016: 33-49
Projeção para 2016/2017: Fora dos Playoffs (entre 35 e 39 vitórias).
Olho em: Danilo Gallinari


Paul Pierce anuncia aposentadoria, e ‘NBA da década de 90’ está chegando ao fim
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Fábio Balassiano

pierce1Parece que foi combinado, né? Menos de uma semana depois de Kevin Garnett anunciar a aposentadoria das quadras, foi a vez de Paul Pierce, que jogou com KG no Boston campeão de 2008, enviar um texto ao Players Tribune informando que 2016/2017 será a sua última temporada como atleta profissional. Aos 38 anos, The Truth, como é conhecido, jogará o seu décimo-nono campeonato com o Los Angeles Clippers e dará adeus ao basquete.

nba90sA saída de cena de Pierce merecerá um texto à parte no dia 5 de fevereiro, quando o craque jogará contra o “eternamente seu” Boston Celtics pela última vez (foram 15 temporadas com o verde mais famoso da NBA) e também na semana de sua despedida, em maio, junho de 2016.

Por enquanto vale refletir que com as aposentadorias recentes de Kobe Bryant, Tim Duncan, Kevin Garnett e agora Paul Pierce restarão, caso continuem jogando em 2017/2018, apenas cinco jogadores em atividade que atuaram na década de 90 (final do Século XX portanto). São eles Dirk Nowitzki, do Dallas e de 38 anos. Vince Carter, do Memphis e de 39.  Jason Terry, agora no Bucks e também de 39. Elton Brand, de 37 e com o Sixers. E Ron Artest, no Lakers aos 36. Na NBA desde 1999, o pivô Nazr Mohammed ainda está sem clube.

pierce2havia notado isso quando da convocação para o All-Star Game de 2015, mas agora está mais claro do que nunca que a NBA passa por uma troca de guarda como a que aconteceu quando Michael Jordan, Hakeem Olajuwon, Karl Malone e Isiah Thomas, entre outros, deixaram o bastão da liga para Kobe Bryant, Tim Duncan, Kevin Garnett e outros projetos de craques que surgiam à época.

Paul Pierce, assim como Kobe, Duncan e Garnett, nasceu para o basquete no final da década de 90. Foi calouro com o Boston em 1998/1999, a temporada do locaute, aprendeu com a turma mais antiga que a dele, ralou nas ostras para recolocar os Celtics de novo nos trilhos (quase uma década depois que disputou, e ganhou, a sua primeira final) e se consagrou como um dos maiores ídolos de uma das franquias mais tradicionais do esporte americano.

pierce2Ainda passou por Brooklyn Nets, Washington Wizards e agora está no Los Angeles Clippers para fechar a sua brilhante carreira na NBA, mas a verdade é que ninguém se lembrará disso daqui a 20, 30 anos. Paul é o nome e seu sobrenome será sempre Boston Celtics.

Pierce será um dos últimos do Século XX a se despedir das quadras. Fez parte do “boom” internacional da liga e muitos dos que acompanham nos dias de hoje no Brasil começaram a amar a NBA naquela época. Época de Bandeirantes com Luciano do Valle, época de transmissões na TNT e na ESPN (algumas vezes só em inglês, outras vezes travando o sinal nos últimos dois minutos do quarto período…), época de um dos slogans mais famosos da liga, o “I Love This Game“, época de Michael Jordan. Época de muita coisa que, vejam só, hoje parece nostalgia.

Estamos ficando todos muito velhos. Continuamos amamos este jogo. Eternamente seremos gratos a Paul Pierce a aos “velhinhos” da década de 90 que nos fizeram abrir os olhos para o melhor esporte de todos.


Técnico da seleção masculina, Tiago Frank analisa 5º lugar na Paralimpíada
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Fábio Balassiano

frank2

feminina1A medalha sonhada não veio, mas o desempenho das seleções brasileiras paraolímpicas no Rio-2016 não decepcionaram. Com a vitória por 57-39 contra a França, as meninas conseguiram o melhor resultado da história do país em Paralimpíadas. O mesmo feito foi alcançado pelos rapazes, que venceram a Austrália por 70-69 para chegar na quinta posição, também o melhor desempenho do time masculino na competição.

frank7O blog conversou com Tiago Frank, de 33 anos e técnico que assumiu a seleção masculina há pouco menos de um ano, sobre o Rio-2016 e os próximos passos da modalidade. Sem contrato após a Paralimpíada, o treinador de fala fácil que dirige equipes paraolímpicas de Caxias do Sul (RS) há cerca de sete anos usou durante todo evento histórias para motivar seus atletas, como a de Phil Jackson, multicampeão da NBA, e diz que não tira o livro “A Pirâmide do Sucesso”, de John Wooden, maior vencedor do basquete universitário americano, da cabeceira.

Vamos à entrevista com o comandante responsável pela melhor campanha da história brasileira em Paralimpíadas.

frank4BALA NA CESTA: Fazendo hoje uma análise fria, dá pra dizer que a quinta posição, a melhor do basquete paralímpico brasileiro, foi um ótimo resultado, não?
TIAGO FRANK: Eu diria que a quinta colocação foi um bom resultado, sim. Nosso objetivo era passar para as quartas-de-final, o que seria, como acabou sendo, um feito inédito. Saímos satisfeitos dos Jogos Paralímpicos, mas fica, sim, um sentimento de que poderíamos ter ido mais além principalmente quando analisamos a partida contra a Turquia nas quartas-de-final. Não realizamos um bom primeiro tempo. O grupo lutou muito no segundo tempo mas não conseguiu reverter.

frank8Fizemos bons jogos na fase classificatória, outros não tanto, mas destaco o contra a Grã-Bretanha (derrota por 73-55) em que tivemos uma excelente atuação diante de uma equipe tradicional e que depois conseguiu a medalha de bronze na competição. O grande trunfo foi a disputa de quinto lugar. A Austrália é a atual campeã mundial e nós conseguimos um excelente resultado. Trabalhamos ​no decorrer da preparação e dos Jogos para que os atletas desempenhassem as suas habilidades ao máximo e creio que este resultado tenha sido uma consequência do nosso esforço conjunto.

cbcc2BNC: Qual foi a emoção que você e seu grupo sentiram quando entraram para jogar a primeira partida contra os EUA e verificaram a Arena Carioca lotada? Foi difícil controlar a emoção?
TIAGO: Atuar em um ginásio diante da torcida brasileira exigiu um elevado nível de concentração a fim de controlar as cargas emocionais. Acredito que todos os membros da equipe estavam muito envolvidos com o evento. É claro que no universo do alto rendimento a emoção em excesso atrapalha, pois dificulta uma tomada de decisão racionalizada, e por isso trabalhamos constantemente no fortalecimento mental . Mas confesso que principalmente na estreia contra os EUA em uma Arena lotada foi difícil. Isso pesou, fazendo com que não tivéssemos um bom jogo. Mas a torcida se manteve incentivando durante todos os jogos, independente do placar ou resultado. Ter a torcida tão próxima e tão intensa ao nosso lado era algo novo, diferente do que estamos acostumados. Como isso se repetiu da primeira para as demais partidas, passou a ser natural e aprendemos a lidar com a situação.

frank1BNC: Para quem acompanha pouco o basquete paralímpico, você consegue descrever as maiores dificuldades que vocês enfrentam? É apoio? É popularização do esporte? Como quem gostou de vê-los na Paralímpiada poderia acompanhar / apoiar mais o paralimpismo?
TIAGO: Olha, Fábio, o esporte paraolímpico em termos de movimentação e de mídia é algo bem recente. Podemos notar um crescimento em termos de divulgação, de apoio no Rio-2016 e esse é um dos legados das Paralimpíadas. Potencializou o interesse da sociedade em conhecer o movimento paraolímpico. No caso do Basquete em Cadeira de Rodas a gente tem a modalidade mais antiga difundida no Brasil. Pessoas com deficiência que procuram no paradesporto uma ferramenta de qualidade de vida e inserção social acabam cruzando com o basquete em cadeira de rodas.

cbccBuscamos nosso espaço para maior popularização, e acredito que isso aconteça de uma forma geral no esporte olímpico como um todo, não só no paraolímpico. Precisamos de investimentos maiores principalmente da iniciativa privada. Hoje, por exemplo, a Confederação Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas não conta com nenhum patrocinador privado. Espero, sinceramente, que as Paralimpíadas tenham dado essa grande alavancada no movimento paralímpico. No nosso caso, torço para que as pessoas possam prestigiar as iniciativas que já existem em suas cidades, acompanhando jogos, dando força aos atletas. Creio também que as prefeituras municipais possam ser mais atuantes em termos políticas públicas para pessoas com deficiência.

frank10BNC: Quais os próximos passos dessa seleção a partir de 2017?
TIAGO: Para 2017 está prevista a Copa América, classificatória para o Mundial de 2018. Em 2019, o Para-Pan de Lima, no Peru, que classifica para a Paralimpíada de Tóquio, em 2020. É bem parecido com o que acontece no basquete olímpico pela FIBA. Temos também a cada dois anos o Sul-Americano. O deste ano foi em Cali, na Colômbia, em que nos sagramos campeões diante da Argentina. Além disso, há o Sub-21 e o Sub-23, que é realizado em âmbito internacional.

frank6BNC: Você me disse que não sabe se continuará na seleção, mas imagino que a vontade seja grande. Há alguma meta que você acaba colocando para si mesmo neste ciclo olímpico que se inicia caso seja o técnico?
TIAGO: Penso que existe um desejo mútuo de continuidade do trabalho. Digo isso em relação a atual gestão da Confederação, aos atletas e também de minha parte. Desejo continuar no cargo e posso te adiantar uma meta para 2020: extrair o que há de melhor de uma equipe para colocá-la em condições de batalhar por uma medalha. Acredito que com a qualidade técnica que temos no Brasil associada a um bom planejamento podemos pensar em estar novamente entre as grandes potências do mundo.


Os 30 da NBA: Nas mãos de Antetokounmpo, Bucks tenta encontrar rumo certo
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Fábio Balassiano

khrisO texto sobre o Milwaukee Bucks já estava quase preparado quando semana passada surgiu a notícia que de Khris Middleton, ala-armador titular do time e com contrato que vai no mínimo até 2018/2019 (2019/2020 é opção do atleta), vai operar a coxa e ficará seis meses afastado. Se já seria difícil retornar ao playoff com ele, autor de 18,2 pontos em 2015/2016, agora então a situação do time do técnico Jason Kidd fica ainda mais complicada. Mais do que nunca, agora, as esperanças da franquia ficam depositadas em Giannis Antetokounmpo.

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giannis3Aos 21 anos, o Greek Freak renovou recentemente o seu contrato (US$ 100 milhões até 2020/2021) e parece ter ganho não só uma bolada de dinheiro mas sobretudo a chave para guiar a franquia nos próximos anos. Se no final de 2015/2016 o grego recebeu carta-branca do técnico Jason Kidd para armar o jogo, fechando o certame depois do All-Star Game com as médias de 18,8 pontos, 7,2 assistências e 8,6 rebotes, além de cinco triplos-duplos, a tendência é que agora Kidd use Giannis desde o princípio assim. Com 2,11m, ele terá vantagens competitivas imensas no ataque devido ao seu físico descomunal e pode proporcionar ótimas alternativas no sistema defensivo de seu time marcando os rivais das cinco posições. Tenho bastante curiosidade para ver o que o rapaz de (insisto) 21 anos ainda pode colocar em seu arsenal. Ele já é um jogador muito bom, e em três temporadas tem 2 com 12+ pontos, o que não é pouco para alguém da sua idade e que veio tão jovem para a NBA. Com a evolução que tem demonstrado, tem tudo para se tornar um cara excepcional. Caso melhore nos chutes de três pontos (26% de aproveitamento em 2015/2016), se tornará uma arma muito difícil de ser marcada.

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Jabari1Outro nome que a franquia aposta muito é Jabari Parker. Segundo colocado no Draft de 2014, ele se lesionou com gravidade no joelho logo no começo de sua temporada de calouro. Parou, retornou e teve um ano satisfatório em 2015/2016 com 14,1 pontos e 5,2 rebotes. É outro atleta muito jovem (21 anos) e que pode render ótimos frutos para o Bucks em um futuro muito próximo. Muita gente aposta, inclusive, que o fato de o Milwaukee ter conseguido renovar com Antetokounmpo por pouco menos que o salário máximo que poderia ter sido oferecido (cerca de US$ 110 milhões pelos mesmos quatro anos) fará com que a diretoria tenha fôlego para oferecer valor semelhante a Parker. Se evoluir sobretudo em seus arremessos (25,7% nas bolas de fora), tem tudo para formar uma dupla animadora com o grego por muito tempo na NBA.

maker1Para o Bucks, porém, creio que falte um pouco mais para retornar ao playoff. A última vez foi em 2015 e de forma completamente inesperada. Chegaram os calouros Thon Maker (pivô australiano de 2,11m, 19 anos e que saiu direto do ensino médio) e o ala-armador de Virginia Malcolm Brogdon (23 anos, 1,96m de altura, 18 pontos de média em 2016 e 41% nas bolas de fora). Reforçaram o elenco via contratações os experientes alas Mirza Teletovic, Michael Beasley e Jason Terry, além do armador Matthew Dellavedova, ex-Cavs. As contratações de Terry e Teletovic explicam-se claramente. Os dois trazem a rodagem necessária para ser acrescentada à juventude do elenco (7 possuem 21 anos ou menos) e podem dar a Jason Kidd um alívio na conversão dos arremessos de três pontos. Em 2015/2016 o Bucks foi simplesmente o que menos arriscou de longe (15,6 vezes), com a conversão de 34,5% (a vigésima-primeira da liga). Para uma NBA que cada vez mais “demanda” times chutadores, ter opções mais consistentes é importante para conseguir mais vitórias.

Kidd4Só que isso não é tudo. Antes de começar a temporada há perguntas importantes a serem respondidas. Armador trazido no campeonato passado em uma troca, Michael Carter-Williams perderá espaço com a consolidação de Antetokounmpo como armador principal e com a chegada de Dellavedova, que aparentemente vem para ser o primeiro reserva da posição 1? E o pivô Greg Monroe, contratado em 2015 como a esperança no pivô (15,3 pontos e 8,8 rebotes de média), mas que sempre figura nos rumores de troca, fica por lá até o final do certame? A chegada de Thon Maker é um indicativo de que Monroe poderá ser realmente envolvido em uma transferência?

Kidd2Estas são as perguntas que envolvem muito mais a diretoria do que a quadra. Dentro das quatro linhas, Jason Kidd sabe que o ataque do seu time precisa ser mais consistente – ano passado pontuar era uma tortura para os caras. Foram apenas sete times que ficaram abaixo dos 100 pontos de média em 2015/2016 na NBA. O Bucks esteve entre eles. Como adaptar a imensa versatilidade de Giannis, Jabari, Beasley, Michael Carter-Williams e John Henson para que seu time tenha um sistema de jogo mais homogêneo? Será que enfim o técnico conseguirá explorar as habilidades que Greg Monroe, sim, possui?

giannis10Gosto bastante do futuro do Bucks na NBA (e o próprio slogan da equipe, o “Own the Future”, algo como “Possua o Futuro”, fala disso). Creio que com Giannis Antetokounmpo e Jabari Parker a pedra-fundamental do time seja animadora, mas não sei se os jogadores de 21 anos terão capacidade de levar a franquia ao playoff direto em 2016/2017. O Milwaukee passa por uma transição e vejo muitas interrogações, como as que mencionei acima, precisando ser respondidas antes de o time tentar dar o próximo passo.

Campanha em 2015/2016: 33-49
Projeção para 2016/2017: Fora do Playoff (entre 33 e 38 vitórias).
Olho em: Giannis Antetokounmpo


Os 30 da NBA: Com Derrick Rose e Carmelo Anthony, Knicks mira volta ao playoff após 4 anos
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Fábio Balassiano

philQuando Phil Jackson assumiu o Knicks em março de 2014 estava claro que o time nova-iorquino teria que passar por uma reconstrução. Ninguém na Big Apple gostaria de ver o que viu, mas era, sim, necessário. O time tinha salários inchados, o elenco era completamente desbalanceado, nem mesmo a tradição da franquia e a beleza da cidade conseguiam atrair mais os agentes-livres, as escolhas de Draft estavam comprometidas, a comissão técnica não empolgava e nos últimos 14 anos a equipe só vencera uma série de playoff. O Mestre Zen teria muito trabalho.

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phil2No primeiro ano, era hora de cortar na carne, limpar a folha salarial e garantir alguns picks de Draft para o futuro. O que era possível fazer, Phil Jackson fez. Os 17-65 eram muito mais reflexo do solo mal plantado de antes do que resultado de sua competência. Em 2015/2016, houve evolução, mas não muita (30-52). Saiu o técnico Derek Fisher, e de positivo, positivo mesmo apenas a chegada da surpresa da Letônia chamada Kristaps Porzingis, autor de 14,4 pontos em sua temporada de estreia na NBA. Mas paciência tem limite até mesmo para o Mestre Zen e era hora de tentar o próximo passo.

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rose1E ele foi dado. Phil Jackson bateu na porta do Chicago, ofereceu quase nada (Robin Lopez, o expirante de José Calderon e Jerian Grant) e conseguiu Derrick Rose. Foi uma manobra arriscada devido ao histórico de lesões do agora ex-armador do Bulls, mas como escrevi aqui em junho para o Knicks valeu muito a pena. O contrato de Rose também está entrando em seu último ano, o atleta precisava de um choque de realidade e pode ser que a vontade de voltar a ser estrela de NBA faça com que ele jogue a temporada 2016/2017 ligado na tomada. Mudar de ares muitas vezes é a melhor solução para reencontrar a melhor forma. Pode acontecer com o número 25 do New York Knicks.

noahTambém do Bulls veio Joakim Noah. Às turras com o técnico Fred Hoiberg, todo mundo sabia que ele não ficaria em Chicago. Surpreendeu-me demais, porém, ver Noah pouco cortejado no mercado de agentes-livres logo nas primeiras horas de conversas com as franquias. O que fez Phil Jackson? Pegou o telefone, organizou o encontro e fechou a contratação em menos de dois dias. Contrato de 4 anos, valor final de US$ 19 milhões no último e nos padrões da NBA atual isso é uma senhora barganha por um jogador excepcional de defesa, dono de um comportamento profissional acima da média e emotivo na medida certa. Noah nasceu na cidade, tem apenas 31 anos e, caso se mantenha saudável, pode ser uma presença importante não só no garrafão, mas sobretudo para dar um pouco de organização ao vestiário. Das aquisições nova-iorquinas, foi a que eu mais gostei.

jenningsAlém deles chegaram o armador Brandon Jennings, o também armador Justin Holiday, o ótimo ala lituano Mindaugas Kuzminskas e ala-pivô senegalês Maurice Ndour, que jogou a temporada passada no Real Madrid, e o pivô espanhol Guillermo Hernangomez, também ex-merengue. Para o torcedor vivia reclamando da qualidade do elenco, é uma baita evolução e uma prova que até mesmo o tradicional New York está aberto às novidades gringas (são seis jogadores não nascidos nos EUA no elenco). Se ainda não é um oásis de talento, os Knicks possuem opções heterogêneas que podem dar ao técnico estreante Jeff Hornacek variações importantes para o começo de trabalho.

jeff2O time titular deve formar com Rose, Courtney Lee, outro recém-chegado, Carmelo Anthony, que segue sendo a principal estrela da companhia (com a diferença que agora ele está cercado de outras ótimas peças experientes), Porzingis e Noah, cenário bem mais animador do que o que se via na franquia em outros anos. Minha única dúvida é se Hornacek é o melhor nome para colocar o Knicks de novo em posição de vencer com frequência. Querendo ou não, trata-se de um técnico inexperiente (duas temporadas e meia de experiência no Phoenix apenas) e eu gostaria muito mais de ver um nome como Frank Vogel, que estava disponível no mercado após a saída absurda do Indiana Pacers, do que Jeff em si.

melo1De todo modo, por menos brilhante que Jeff Hornacek possa vir a ser está muito claro que o Knicks desta temporada tem tudo para ser muito, mas muito forte mesmo. É um elenco com inúmeras opções (talvez falte um pouco mais de jogo interno, perto da cesta mesmo), com um jogador que precisa começar a ganhar de forma mais constante para subir de patamar na história da liga (Carmelo Anthony) e com outro punhado que precisa ou voltar a se provar ou se confirmar na NBA (Porzingis, Rose, Noah, Jennings etc.). A combinação disso tudo, em minha opinião, fará com que os nova-iorquinos retornem aos playoffs já na temporada 2016/2017, concretizando uma das maiores variações de vitória entre o campeonato passado e este. Começar bem, para trazer a confiança de volta ao vestiário e também à torcida, é mais do que fundamental

Campanha em 2015/2016: 32-50
Projeção para 2016/2017: Nos Playoffs (entre 42 e 47 vitórias).
Olho em: Derrick Rose