Bala na Cesta

Arquivo : março 2016

Estudando marketing, Marcelinho Machado pensa no futuro e analisa NBB
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Fábio Balassiano

mmMarcelinho Machado ainda joga em bom nível pelo Flamengo, atual tricampeão do NBB. Mas aos 40 anos um dos maiores ídolos da história do rubro-negro já pensa nos próximos passos de sua vida. Aproveitando ao máximo a vida “na estrada”, o ala está se formando nos próximos meses em Marketing no Ensino a Distância da Universidade Estácio de Sá. O blog conversou sobre isso com ele.

BALA NA CESTA: Você está terminando a faculdade de marketing, é isso?
MARCELINHO MACHADO: Sim, é isso mesmo. Fico feliz de poder estar terminando a faculdade. A gente teve um evento na Estácio recentemente e eu pude ver a alegria de outros atletas que estão conseguindo se formar também. Hoje com a facilidade do Ensino a Distância isso é mais possível, mais fácil de acontecer. Quando comecei a jogar, lá atrás, tive que fazer uma escolha – era estudar ou jogar. Espero que a molecada mais nova veja isso e que isso sirva de exemplo. Hoje em dia é possível jogar e estudar ao mesmo tempo. É possível, sim, conciliar. A gente faz três, quatro matérias por semestre e em quatro, cinco anos é possível terminar a faculdade, ter uma graduação no currículo. É importante. Fico feliz de poder estar chegando ao final. Falta uma matéria ainda, mas estou bem próximo.

machado1BNC: Foi muito difícil você voltar a estudar? Porque você não estudava há muito tempo e não é fácil regressar.
MARCELINHO: Primeiro eu sempre tive isso em minha cabeça. Sempre pensei em me formar para me ajudar no que faria depois que parasse de jogar. Mas entrei em um programa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o PAA (Programa de Ajuda ao Atleta), e lá eu fiz um trabalho de coaching com o Carlos Moreno. Ele me apontou a possibilidade de eu fazer o Ensino a Distância, achei muito legal e logo me matriculei. Além da faculdade eu fiz um curso no COB sobre Gestão Esportiva. Estou muito feliz de estar me formando antes mesmo de parar de jogar.

nbb6BNC: O que você mais aprendeu na faculdade que a gente pode aplicar no esporte brasileiro?
MARCELINHO: Acho que a gente não tem que inventar nada. Tem muita gente no mundo que já está fazendo muita coisa boa. Então é só a gente trazer pra cá, adaptando, claro, à nossa realidade. Mas as coisas já melhoraram muito. Se você pegar de dez anos pra cá é possível ver que já evoluiu demais. Este próprio evento, o Jogo das Estrelas, é um exemplo deste avanço em marketing, gestão. Coloca a modalidade em evidência, e os atletas perto dos torcedores, que é algo que a gente precisava fazer e que por um tempo a gente deixou de fazer. Aumentar o número de atletas conhecidos no Brasil é fundamental.

machadoBNC: Se você fosse um gestor esportivo do Flamengo ou da Liga, em qual ponto você atacaria mais rapidamente?
MARCELINHO: Acho que temos que atacar em tudo. Criar o ídolo é importante, e automaticamente você promove a modalidade e aproxima do público. O torcedor brasileiro, que é fã de futebol, poderia conhecer um pouco mais do basquete. Já estamos melhorando isso, mas acho que é possível criar ferramentas para tentar trazer a modalidade para mais perto do fã, do cara que irá consumir o nosso produto todos os dias.

machadoBNC: Você fez 40 anos recentemente, não sei por quanto tempo você continuará atuando, mas o que já está pensando para o pós-carreira?
MARCELINHO: Estou mais pra parar de jogar do que pra ter dez anos de carreira, isso é óbvio. Mas ainda não pensei exatamente quando parar, essas coisas. No momento estou abrindo meu leque, abrindo possibilidades pra mim. Há algumas coisas acontecendo, mas eu prefiro não falar ainda enquanto não estiver 100% concretizada. Acho que você ter um diploma já te abre, expande um pouco mais as suas possibilidades.

machado2BNC: Vi uma entrevista recente do Kaká em que ele diz que, jogando nos Estados Unidos e já pensando no pós-carreira, ele acaba os treinos e sempre faz uma visita a um departamento do time dele em Orlando. Vai no marketing, vai no financeiro, vai na comunicação, na logística pra aprender mais. Isso também acontece com você? Você tem tentado conhecer um pouco mais desse lado de fora das quadras?
MARCELINHO: Nesse caso eu tenho uma facilidade, né, porque meu pai (Renê Machado) foi diretor esportivo e a gente conversa muito sobre tudo o que envolve um clube dentro e fora das quadras. Não só basquete, mas montagem de equipes, conseguir patrocínios, as formas de conseguir as verbas via Lei de Incentivo, por exemplo. Converso muito com o Marcelo Vido, Gerente de Esportes Olímpicos do Flamengo, e também com o Marcus Vinicius Freire, Diretor-Executivo do COB. São pessoas que tiveram carreiras de sucesso nas quadras e que hoje fazem muito bem as suas funções.


Os melhores do NBB na temporada 2015/2016 – vote você também!
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Fábio Balassiano

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Terminou na terça-feira a fase de classificação do NBB. Flamengo, Bauru, Basquete Cearense e Paulistano se classificaram direto para as quartas-de-final. Os confrontos válidos pelas oitavas-de-final (conforme figura acima) dos playoffs da principal competição de basquete do país, que começam no sábado, serão analisados aqui neste espaço. Por enquanto, vamos aos melhores da temporada 2015/2016 na minha opinião:

davi1MVP: Davi Rossetto (liderou o Basquete Cearense a quarta melhor campanha da fase regular com 19-9 e teve 13,1 pontos, 4,9 assistências e 4 rebotes de média, unindo performance individual a desempenho da equipe da melhor maneira no campeonato)

Melhor técnico: Alberto Bial (Basquete Cearense)

Quinteto ideal: Davi Rossetto, Shamell, Marquinhos, Giovannoni e Caio Torres

ld6Jogador que mais evoluiu: Lucas Dias (Pinheiros)

Melhor defensor: Alex Garcia (Bauru)

Melhor jogador que ninguém nota: Neto (Liga Sorocabana)

Time surpresa: Basquete Cearense

Time decepção: São José (campeão paulista, sequer se classificou ao playoff)

deryk50Melhor Jovem: Deryk Ramos (Brasília)

Atleta surpresa: Caio Torres (Paulistano)

Momento mais marcante da temporada regular: O Jogo das Estrelas do NBB com a chegada dos patrocinadores

Pior momento da temporada regular: A retirada de quadra da Liga Sorocabana a pedido do técnico Rinaldo Rodrigues

Melhor estrangeiro: Shamell (Mogi)

E aí, concorda comigo? Vote você também!

Tags : LNB NBB


Sergio Domenici lembra momentos emocionantes e projeta futuro do NBB
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Fábio Balassiano

Você leu aqui a parte I da entrevista

sergio1BALA NA CESTA: Teremos sempre as nossas discordâncias sempre, mas canso de escrever, e você sabe disso, que vocês recolocaram o basquete de clubes na linha, nos trilhos. Você foi um dos primeiros funcionários da Liga, se não me engano…
SERGIO DOMENICI: Eu fui o primeiro funcionário, e pouca gente sabe que os seis primeiros meses o escritório da Liga Nacional de Basquete foi na minha sala, na minha casa em Belo Horizonte. Ou seja: era eu trabalhando sozinho até a LNB ter uma estrutura em São Paulo. Já tinham acertado com o Antonio Carlos Affini para ser o Coordenador de Arbitragem, mas eu fui o primeiro funcionário mesmo.

BNC: Aí, lá em 2008, eram você, Kouros, João Fernando Rossi, Cassio Roque e Rubens Calixto que arquitetaram o que estamos vendo agora. O primeiro jogo foi em 28 de janeiro de 2009. Quando vocês olham lá pra trás e veem tudo o que já conquistaram qual é a sensação que fica? Sei que você não gostam de falar de si mesmo, mas queria ouvir pessoalmente do Sergio qual é o sentimento que se fica quando nota-se um produto tão bem estruturado sete anos depois.
nbb6SERGIO: Vou falar pra você um pouco sobre isso. Vinha para o ginásio (Hugo Ramos, em Mogi) com o Kouros, e ele foi a uma reunião da FIBA em Porto Rico. Neste encontro, todos da Ligas de clubes das Américas queriam saber qual o segredo do NBB. Há uma inveja sadia do que a gente está fazendo. E aí eu disse a ele que outro dia em uma palestra me perguntaram exatamente isso. O que eu respondi? Nada. Nós não inventamos a roda. Se você me perguntar se nós desenvolvemos uma estratégia administrativa revolucionária, a resposta é um “não”. O fato é: nosso comunicador comunica, nosso cara do marketing “marqueteia”, o contabilista contabiliza e a parte técnica faz parte técnica. É simplista isso, mas é mais ou menos por aí. A gente trabalha muito, e você sabe disso, fica muito atento aos detalhes em todas as áreas, e colocamos o que a gente acredita ser o melhor. Além disso, colocamos a ética em primeiro lugar. Em um país que a gente está vendo o que está acontecendo, ter essa palavrinha (ética) faz a diferença. Agora, tem um aspecto que fez a liga dar certo que foram os dirigentes. A Liga teve uma sorte danada de ter achado, fazendo uma analogia, Paula, Hortência e Janeth na parte de gestão em uma mesma época. O Kouros foi o cara que uniu essa turma toda, é um líder nato e fez as pessoas acreditarem que poderia dar certo. O Cássio foi na mesma linha do Kouros e um cara que ninguém tem nenhuma objeção. O Rossi abraçou isso também. Calixto a mesma coisa. Então juntaram esses quatro e a Liga deu uma sorte danada. Administrativamente foi isso. Nós não inventamos a roda. Fizemos o que tinha que ser feito.

BNC: Tá bom, Sérgio, mas você não me responde. Eu quero saber o seu sentimento. Quantos anos tem seu filho?
SERGIO: Oito anos.

fla1BNC: A idade do NBB. Você viu o seu filho nascer praticamente no mesmo momento do NBB. Você olha pro seu filho hoje e tem um orgulho danado porque vê um moleque bacana, educado, inteligente, preparado para o mundo. Quando olha para o NBB, o que você sente?
SERGIO: Assim eu fico meio emotivo. Algumas coisas me emocionaram muito. A final do NBB1 me emocionou demais. Foi um negócio de outro mundo ver aquela HSBC Arena lotada na final contra Brasília (Neste momento Sérgio se emociona um pouco e pede para parar a gravação por alguns segundos). O Flamengo campeão mundial em 2014. Nós pegamos o basquete e não ganhávamos de ninguém internacionalmente. Ninguém. Não ganhava nada. Sete anos depois nós fomos campeões de tudo. Não é que nós voltamos a ganhar um Sul-Americano. Fomos três vezes seguidas campeões sul-americanos, das Américas e campeões mundiais. Então quando vi o Flamengo ganhar do campeão da Euroliga em um ginásio absolutamente lotado foi demais. Um time, como era o Maccabi Tel-Aviv, de 35 milhões de euros de orçamento anual. Isso é muito significativo. Perdemos agora na Liga das Américas. OK, justo, faz parte do esporte e não se ganha sempre. Foi uma festa legal lá ne Venezuela, mas fomos segundo, terceiro, quarto e quinto neste Liga das Américas. É relevante, não? A evolução foi muito além do que eu esperava. Tem a entrada da NBA também que foi emocionante. Quando eles demonstraram o interesse houve toda a parte jurídica, de documentos, de envio de materiais. Eles nos pediram mais de 100 itens para fazer uma auditoria. E não são itens pequenos. Você conhece empresas americanas, e o volume de detalhes era absurdo, era surreal como tem que ser. E em três dias nós enviamos tudo em inglês para eles. E fomos aprovados. Somos a única entidade fora dos EUA que a NBA fez uma parceria. Não tem como você não se emocionar com isso. Acho que o sucesso da Liga é resultado da união dos clubes, da sorte das nossas lideranças serem as que foram, de ter a ética em primeiro lugar e de termos nossos objetivos muito claros para todos da Liga.

vasco10BNC: A gente está vendo o Vasco na Liga Ouro e o Corinthians tentando retomar as suas atividades (no momento inclusive Guerrinha, o técnico do time do Corinthians que será montado, entra no ginásio e nos cumprimenta). A volta destes clubes chamados “de camisa” é algo que a Liga e a NBA Brasil têm colocado como uma das metas para trazer mais público aos ginásios?
SERGIO: No planejamento estratégico há a massificação da modalidade. E que clubes como Corinthians e Vasco contribuiriam enormemente pra isso não há a menor dúvida. Mas antes a gente tem que entender se o projeto que esses clubes vão apresentar têm consistência. Vamos pegar o exemplo do Corinthians que você citou. É um clube que tem história no basquete há anos. É um clube que tem até hoje todas as categorias de base do basquete até hoje. O profissional seria apenas a extensão. Pelo que temos acompanhado, eles estão se cercando para fazer uma possível entrada no basquete profissional da melhor maneira possível. O Vasco é a mesma coisa. Tem história e jamais deixou de fazer as divisões de base. Essas são equipes que nos interessam. O que não podemos mais é ter o camarada que cai de paraquedas. Entra em um ano, não sabe se estará no outro, essas coisas. O projeto é mais importante do que ter a camisa.

lbf1BNC: Como está sendo o começo da Liga de Basquete Feminino (LBF) na mesma estrutura de vocês na Liga?
SERGIO: A Liga Feminina está no processo de descoberta. Eles precisam ter uma autonomia maior para aprender a caminhar com as próprias pernas. Demos uma contribuição importante pra eles de mostrar como foi o nosso início. Não sei se você sabe, mas o campeonato teria apenas quatro clubes e passou a ter seis. O próximo terá oito. A Caixa vai ser determinante para o sucesso da LBF, mas sei que eles vão ter alguns problemas naturais. Vão ter que descobrir as melhores soluções entre erros e acertos qual é o caminho deles. Não sei se irão continuar na estrutura da LNB. Se continuar será ótimo. Se não, vão achar o caminho deles. Tenho que respeitar a decisão deles de não estar em Mogi para o Jogo das Estrelas. Hoje com o patrocínio da Caixa dá pra dizer que eles teriam condições, mas não sou eu que pago as contas dos times. Eles acharam que ficaria caro colocar as meninas aqui. Na minha opinião era melhor que eles estivessem no Jogo das Estrelas. É a coisa da Gestalt. O NBB vale 10. A LBF, 10. Os dois juntos, 30. Creio que o resultado seria melhor que todos estivessem juntos.

BNC: Quando veremos uma loja online em que é possível comprar produtos dos clubes do NBB na internet?
SERGIO: Não sei exatamente, mas está no nosso radar. Nós estamos conversando com Netshoes, com outras empresas de comércio eletrônico também. Mas isso vem um outro trabalho junto. Não adianta eu ter uma loja online se eu não tiver um departamento de licenciamento atuante e com os produtos. Não resolve muito. Este é um próximo passo da área comercial. Não é no curto prazo, não.

nbb7BNC: Quando você olha pro teto e também pra fora do ginásio e vê stands de patrocinadores ativando suas marcas com o público dá pra dizer que estamos no caminho certo?
SERGIO: No marketing esportivo brasileiro há um amadurecimento das entidades que fazem o esporte e também das empresas que patrocinam o esporte. Se o patrocinador não entender que essa parte de ativação deve ser feita, talvez daqui a um ano ele não renove o patrocínio porque acha que não valeu a pena. Eu vejo o sorriso no semblante do pessoal da Caixa quando vê uma ação social e nota as crianças todas vestidas de azul. A Adidas mesmo, olha lá fora na quadra de brincadeira e todos vestindo os tênis da Adidas. Esse amadurecimento é importante para as duas partes. Casam-se as coisas.

sergio2BNC: Por fim, o que pensar daqui pra frente?
SERGIO: Acho que estamos vivendo um momento bacana no basquete. Estamos vivendo uma sinergia muito grande. O esporte brasileiro perdeu muito porque só apareciam notícias ruins. O Estadão tinha um caderno inteiro dedicado a esportes. Não tem mais. A Folha de São Paulo era um caderno de esportes imenso. Hoje não tem mais. A mídia esportiva vai diminuindo também por causa de notícias não tão boas. E temos coisas legais para contar. Temos, por exemplo, uma Olimpíada no país. O basquete também está indo bem e queremos trazer o maior número de pessoas para o nosso lado, para fazer parte disso. Temos a união dos clubes, os atletas estão entendendo isso, os patrocinadores estão chegando. Que este momento perdure, e que a gente trabalhe cada vez mais para evoluir o basquete, porque sabemos que tem muita coisa ainda pra fazer.


Tempos difíceis em Cleveland – como os Cavs não inspiram confiança na NBA?
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Fábio Balassiano

cavs1Ainda não chegamos aos playoffs e o Cleveland está em crise. Está em crise porque mesmo com a desejada (pelos atletas e pela diretoria) troca de técnico as coisas não engrenaram.

Se com David Blatt o retrospecto foi de 30-11 , com Tyronn Lue as coisas não estão muito diferentes (22-10). Com a singela diferença que David Griffin, o Gerente-Geral, e o elenco acreditavam que o problema era apenas o Blatt.

cavs2Não era. Na verdade nunca foi. O Cleveland é um ótimo time, mas que faz uma temporada regular muito abaixo do que poderia. Tanto é assim que está, faltando menos de duas semanas para acabar a fase de classificação, brigando com o Toronto Raptors pela liderança do Leste. Se, é bom dizer desde já, chegar à final da NBA, é bem provável que não tenha mando de quadra (Warriors e Spurs, têm campanhas melhores).

cavs3O ataque tem sido baseado cada vez mais em jogadas de isolação de LeBron James (que chuta terrivelmente mal da linha dos três pontos nesta temporada com 29% e tem 25 pontos por jogo, sua pior marca desde o ano de novato), em infiltrações e arremessos de Kyrie Irving e em bolas de três pontos de Kevin Love (o ex-ala do Minnesota quase não chega mais perto da cesta, contentando-se com os tiros do corner após cortes de LeBron ou Irving). Pontuar, assim, tem sido muito difícil e deixa a marcação adversária bem confortável para segurar o Cavs, que tem apenas 46% de conversão nos arremessos, o nono melhor índice da temporada). Passes em sequência praticamente inexistem em Ohio. Em uma NBA que estuda os mínimos detalhes de absolutamente tudo, ter um ataque tão estático e previsível assim não é um bom sinal. Na verdade é um péssimo sinal para qualquer franquia. Para quem tem as peças que o Cleveland tem, é um sinal pior ainda. Não custa lembrar que o Spurs outro dia relegou o Golden State Warriors, que dá uma aula de espaçamento na quadra, a módicos 74 pontos.

lue1Do outro lado, a defesa, uma das marcas registradas de Blatt e um dos trunfos do Cleveland desde que o “novato”, para usar o termo que os jogadores utilizavam para se referir ao cara, parece confusa para fazer as rotações e muito pouco ativa quando falamos em como ela (marcação) pode (deve?) agredir os adversários com a bola. Se em uma conferência Leste cujos melhores times estão longe de ser uma potência da NBA os Cavs estão tendo dificuldade, o que imaginar em uma decisão da liga contra Spurs ou Golden State, cujos ataques são ferozes perto ou longe da cesta? Os 45% de conversão nos arremessos dos rivais falam por si.

andy4Outro número interessante é o do retrospecto do time após a saída de Anderson Varejão. Os 13-7 acabam falando muito sobre a importância do brasileiro no elenco. Não que Anderson fosse responsável por trazer 20 pontos e 15 rebotes em todos os jogos, mas era um cara que estava na franquia há mais de uma década, que os jogadores mais jovens respeitavam muito e que conseguia acalmar os jogadores de rotação que a todo momento anseiam por mais minutos. Não ter um líder assim fora de quadra atrapalha muito. Pode parecer bobagem, mas olhem a importância de Derek Fisher nos títulos do Lakers, do trio Duncan, Ginóbili e Parker no Spurs, de Udonis Haslem no Miami e dos Jasons (Terry e Kidd) no título mais recente do Dallas. Ter um cara que tem o respeito do vestiário ajuda muito.

lue2Como se percebe, o busílis do Cavs é bem mais embaixo. Não era, como todos ali imaginavam, só tirar David Blatt que o anel de campeão viria. O busílis é tão mais embaixo que na semana passada LeBron James deixou de seguir o perfil do Cavs no Twitter. Pode ser uma atitude boba, até certo ponto candinha de se mencionar neste post, mas sabemos bem como funciona a cabeça de LBJ. Quase tudo o que ele faz há um motivo por trás, uma razão, uma motivação. No jogo seguinte, derrota para o Nets com LeBron, que teve 13/16 nos arremessos e 30 pontos, reclamou de seus companheiros para o ginásio inteiro ver (de fato as rotações defensivas foram uma tragédia).

cavs10Não dá pra prever o que acontecerá na pós-temporada do Cleveland. Mas que o clima em Ohio já foi mais agradável perto de um mata-mata, isso foi. A impressão que dá é que a franquia é uma bomba prestes a explodir a qualquer momento. Vale lembrar que LeBron pode se tornar agente-livre ao final do certame. Como a gente sabe que qualquer coisa que não o título não interessa ao Cavs, é bom ficar de olho nas animadas cenas dos próximos capítulos.


Gerente-Executivo, Sergio Domenici fala do sucesso do NBB
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Fábio Balassiano

dome1Criada em 2008, a Liga Nacional de Basquete tem em Sergio Domeneci o seu primeiro funcionário. Gerente Executivo desde que o NBB, que tem hoje a última rodada da fase de classificação , nasceu, ele viveu de tudo um pouco desde o surgimento de um novo modelo de fazer campeonato de basquete no Brasil. Da reconstrução, passando pelas conquistas internacionais dos clubes do país, a assinatura do contrato com a NBA e a recente chegada de três patrocinadores fortes, Sergio comandou e esteve presente em tudo. O blog conversou com ele sobre tudo isso em um papo franco, aberto e bastante revelador. Como o conteúdo ficou extenso, vou dividir em duas partes porque creio que tudo seja bastante relevante.

nbb25BALA NA CESTA: Nas últimas semanas tivemos grandes notícias, como as chegadas da Caixa, Avianca e Sky como patrocinadores, e também com Spalding, Adidas e Renault no Jogo das Estrelas. Queria que você falasse um pouco do processo para a obtenção desses patrocínios em primeiro lugar.
SERGIO DOMENICI: Isso tudo se traduz neste momento por uma coincidência de data porque esse trabalho foi iniciado há mais de um ano. A questão de venda não é um trabalho de curto prazo. Existe um trabalho de identificação de anunciantes, estratégia de abordagem, fazer com que as pessoas conheçam o produto e o fechamento do acordo. As tratativas com a Caixa já vem de muito tempo, com a Sky a mesma coisa, e ainda bem que conseguimos anunciar todos praticamente ao mesmo tempo.

nbb4BNC: O que a Liga espera com esses aportes? A expectativa de todos é que o NBB mude, assim, de patamar. E você sabe que a LNB será mais cobrada a partir de agora, né?
SERGIO: Nós nunca fomos menos cobrados. Quando acabou a final do NBB1, e você estava lá, as pessoas vinham nos dar parabéns, porque foi muito bacana aquela HSBC Arena lotada. Quanto mais me davam parabéns, maior era o elefante que pousava nos nossos ombros. Essa cobrança vem desde sempre, o que é uma coisa positiva. O advento da Liga gerou expectativa muito grande nas pessoas. A vinda desses patrocinadores significa uma segurança que continuaremos a fazer o melhor trabalho possível para os clubes. Não há nada na Liga que não seja feito para os clubes. Se o produto hoje é melhor, é por causa de um trabalho conjunto entre o que a Liga conseguiu transformar o produto e do que os clubes conseguiram demonstrar dentro das quadras. Essa coisa do repasse aos clubes a gente sempre procura fazer, ajudá-los, a questão da arbitragem é um exemplo, mas, creia, não é isso o principal. O principal é fazer uma competição que justifique aos clubes terem um bom produto para ser vendido. É a gente oferecer televisão, uma grande exposição, um produto de qualidade para que eles (clubes) tenham também o que oferecer os seus patrocinadores. Não pode ser a Liga a provedora de tudo. A Liga tem que ser a provedora de uma metodologia que os clubes têm para se profissionalizarem ao máximo. Nos próximos meses vamos lançar um novo site, já com uma tecnologia mais responsiva e integrará as nossas mídias sociais. Assim como nós, os clubes precisam se profissionalizar para ter a melhor entrega, para se tornarem autossustentáveis. Se não mudar na raiz, não mudará nada.

Sergio1BNC: Você falou sobre o clube se auto-sustentar, e o Kouros Modadjemi, Presidente de Honra da Liga Nacional, me disse que a Liga vai promover espécies de clínicas de gestão para os clubes. É isso mesmo? Você poderia explicar melhor como isso vai funcionar?
SERGIO: Nós finalizamos o nosso processo de planejamento estratégico para a Liga Nacional de Basquete faz duas semanas. Dentro desse planejamento nós temos, sem querer ser redundante, alguns objetivos estratégicos. Em um nível primário, ou inicial, nós temos a melhoria dos processos internos da liga, de gestão e de qualificação das pessoas. Em um segundo nível, os processos administrativos da Liga e que visam a melhorar o produto e também a interação com o público e a geração de recursos. No terceiro nível, vem o que você falou, ou seja, a capacitação dos clubes. Vem desde a parte de gestores e técnicos estarem de acordo com o modelo de gestão que achamos pertinente. Veremos as melhores práticas existentes e iremos aplicar isso. Faremos essa implementação, o acompanhamento, o incentivo e veremos também a parte promocional, a de comunicação e marketing dos clubes. Nessa parte do alinhamento dos processos dos clubes é que entra a intervenção da liga com cursos, a própria NBA já abriu as portas para o aprendizado. A primeira coisa, ao meu ver, é chamar os donos e presidentes das franquias e fazê-los entender definitivamente que isso aqui é um negócio. A atividade fim, o jogo, não se encerra nele mesmo. Hoje o que a gente tem no esporte brasileiro de uma forma geral é: montei um bom elenco, contratei uma boa comissão técnica e está tudo certo. Não é verdade. Você precisa ter um departamento de marketing que atue eficazmente em suas diversas atividades. Precisa ter o público como prioridade zero. E não só no ginásio, mas nas redes sociais, o cara que acompanha na televisão e o morador da comunidade. Se a alta diretoria não “comprar” essa ideia, não adianta eu tentar depois implementar isso com os profissionais. Passado esse primeiro momento, vamos identificar quem cuida de comunicação, de marketing, de promoção, de atração de público, de bilheteria, e dando treinamentos para essa galera toda. Vamos trazer o pessoal da NBA para nos ajudar nessa parte de treinamento sem dúvida alguma.

sergio4BNC: Deixa eu te cortar. Quase que 99% dos clubes não possuem estes profissionais que você cita – marketing, comunicação, bilheteria, promoção…
SERGIO: Por isso teremos que fazer um trabalho preliminar de fazer a alta direção dos clubes entender a importância disso. Se essa turma não comprar essa ideia, não adianta que não haverá o trabalho seguinte que você cita. Se eu não tiver um “patrocinador interno” que entenda a importância de ter todas essas áreas, não adianta absolutamente nada.

sergio1BNC: E esse primeiro contato com os gestores dos clubes já está acontecendo?
SERGIO: Ainda não. Eu preciso agora, junto com a diretoria da Liga Nacional, fechar algumas estratégias para implementação dos nossos objetivos e também como implementar as metas. Aprovadas essas ações a gente começa. Até o final de abril faremos isso. A implementação das atividades deve ser no começo de maio. A ideia é pegar todos os gestores das franquias e colocar dentro de um hotel, uma sala de reunião, e fazer um trabalho de um final de semana. Depois a gente desdobra para o restante dos funcionários. Com a chegada da NBA as pessoas sabem que precisarão caminhar pra isso.

sergioBNC: No planejamento, qual a prioridade?
SERGIO: Não existe a prioridade zero. Existe a nossa visão, que é ter o basquete como a segunda modalidade mais praticada no Brasil e ser a modalidade no país com o maior reconhecimento. Mas vamos lá. Na minha opinião: é o entendimento de que o que fazemos é um negócio – e isso já faz mudar tudo.

BNC: A Liga depende dos clubes, que por sua vez formam a Liga. É uma relação simbiótica, mas que nem sempre é fácil de administrar, né?
SERGIO: Sim, sem dúvida. Mas uma das coisas que vem fazendo a Liga dar certo foi as associações entenderem que isso é uma coisa só. Que o todo é maior do que as partes isoladas. Uma questão interessante disso: a NBA é uma empresa e como qualquer empresa do mundo visa o lucro. Grande parte das nossas associações são entidades sem fins lucrativos. Isso é interessante, não? E isso vai precisar mudar um pouco. Não creio que teremos tantas dificuldades dos gestores entenderem isso porque são pessoas bem sucedidas com suas empresas e entendem que um modelo de gestão moderno e transformador só trará benefícios.

BNC: Sobre a mais recente Liga das Américas, faltou senso coletivo para trazer o Final Four para o Brasil? Pelo momento que o NBB está vivendo agora seria muito importante ter um Mundial por aqui na abertura da próxima temporada. Porque claramente, e sem tirar os méritos do Guaros de Lara, ter uma final em Barquisimeto influenciou decisivamente no resultado final do torneio.
guaros1SERGIO: Então vou te contar uma coisa que ninguém sabe e não sei se estou autorizado a falar isso. Nenhuma das equipes (Mogi, Flamengo ou Bauru) tinha condição de oferecer os US$ 100 mil que a FIBA Américas exigia para fechar o Final Four. Mais estadia, transporte interno, entre outras coisas. Aí o que aconteceu. Bauru e Flamengo abriram mão de ser sede em função de Mogi, que poderia receber as finais. Os times, na Liga das Américas, têm direito a um prêmio financeiro. O campeão, US$ 50 mil, o vice US$ 30 mil e o terceiro, US$ 15 mil. Os três times abriram mão e, como teríamos no mínimo vice e terceiro, como tivemos, abrimos mão da premiação para oferecer a FIBA. Flamengo e Bauru viriam a Mogi e pagariam sua própria estadia e passagens, cabendo a Mogi fazer o aporte financeiro apenas do Guaros e de toda delegação da FIBA. Eu nunca vi uma união como essa. Fizemos a oferta para a FIBA. Aí o que pesou? A Venezuela já havia feito as duas primeiras etapas – e pagando para a FIBA. Empatou conosco para esta terceira etapa, e a FIBA decidiu por eles.

CONTINUA AMANHÃ


O caminho do Warriors para bater o recorde de vitórias do Chicago na NBA
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Fábio Balassiano

gsw1Na noite deste domingo o Golden State fez 117-105 no Philadelphia 76ers com 40 pontos de Klay Thompson em Oakland e chegou a incríveis 66-7. Mais do que manter a invencibilidade em casa nesta temporada (35-0 e 53-0 desde 2014/2015) e ficar pertinho de cravar o melhor retrospecto entre todas as equipes da NBA em 2015/2016, os Warriors estão muito perto de bater os 72-10 do Chicago Bulls, que em 1996 registrou a melhor campanha da história da liga. Com o mesmo número de partidas, o time de Michael Jordan tinha 65-8.

gsw2Com 9 partidas por jogar, o Golden State Warriors, que já bateu o recorde de bolas de três convertidas (tem 952, contra 933 do Houston Rockets de 2014-2015, o antigo dono da marca) ainda “pode” perder duas partidas (chegaria a 73-9). Até o final da temporada o calendário reserva o seguinte para Steph Curry e companhia: Washington (em casa na terça-feira), Utah (fora de casa na quarta-feira), Boston (casa em 1/4), Portland (casa em 3/4), Minnesota (casa em 5/4), San Antonio (casa em 7/4), Memphis (fora em 9/4), San Antonio (fora em 10/4) e Memphis (casa em 13/4). Ou seja: são nove partidas, sendo seis no lar e três na estrada. Mais: há dois back-to-backs, como os americanos chamam duelos em dias consecutivos (Wizards e Jazz em 29 e 30/3 e Grizzlies e Spurs em 9 e 10/4 fora de casa).

gsw4Em final de temporada tem gente pisando no acelerador para entrar no playoff (Washington, Portland e Utah), alguns que precisam melhorar para pegar um confronto menos traumático na pós-temporada (Boston e Memphis) e outros que já estão pensando ou nas férias (Minnesota) ou em como poupar ao máximo suas estrelas (San Antonio Spurs).

Se fosse em condições normais, eu diria que o Golden State não perderá nenhuma partida em casa esta temporada, superando o que aconteceu com o Boston Celtics (40-1) em 1985-1986. Com isso os Warriors já teriam mais seis vitórias, chegando a 72 e igualando o feito do Chicago em 1996. Para ultrapassar a marca, precisariam, então, dobrar Jazz Grizzlies ou Spurs longe de casa para atingir o feito histórico.

gsw21Como disse acima: é impossível a gente chutar qualquer coisa, mas é extremamente pertinente que os Warriors vençam TODAS as partidas até o final da temporada regular (os Spurs, rival mais complicado, já está tirando o pé e pensando lá na frente – no que eles não estão errados), o que daria a eles a surreal campanha de 75-7 (91,4% de aproveitamento!).

Será que o Golden State Warriors vai conseguir bater as 72 vitórias do Chicago Bulls de 1996? Em minha opinião a marca de Michael Jordan e companhia cairá no dia 9 de abril em Memphis. E você, o que acha? Comente aí!


Surpreendente, jovem Deryk, de 21 anos, brilha em Brasília no NBB
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Fábio Balassiano

deryk11A carreira de Deryk Ramos parecia sair dos trilhos pouco antes do começo da temporada. Tendo atuado a vida inteira no time da sua cidade natal, Limeira, e com a expectativa de continuar a ser reserva de Nezinho em outro NBB, ele se viu sem chão quando a equipe anunciou que não atuaria no campeonato nacional devido a dificuldades financeiras. Com a maioria dos elencos fechados, as opções eram pequenas, de difícil encaixe, mas aí surgiu Brasília. Potência, a agremiação da capital federal surgiu com uma proposta e fisgou o armador de 21 anos.

deryk20Lá ele seria o reserva imediato de Fúlvio, um dos melhores “professores” da posição no Brasil. Sua evolução (14,3 pontos, 3,1 assistências, 52% nos tiros de dois pontos e 36% nas bolas de fora), sua capacidade de decidir jogos complicados (ele teve duas bolas nos segundos derradeiros na final da Liga das Américas), seu alto nível de comprometimento em treinos e jogos (todos falam que ele é um maníaco por treinamento) e sua maturidade fizeram de Deryk não só titular de Brasília, mas também participante do Jogo das Estrelas (recebeu 7.687 votos) e também um dos candidatos a fazer parte do elenco de Rubén Magnano na Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. Confira a entrevista com ele.

deryk7BALA NA CESTA: Depois de tudo o que você passou antes da temporada, com o fechamento de Limeira e também a indefinição de onde atuaria, qual a emoção de participar do Jogo das Estrelas menos de seis meses depois?
DERYK RAMOS: Estou muito feliz, sem dúvida alguma. É um reconhecimento, né? Reconhecimento por parte do público pelo fato de eu estar fazendo um campeonato bom, de estar entre os melhores do NBB. Ser votado, ser escolhido me dá uma felicidade imensa. Mas da mesma forma que é muito feliz quis aproveitar ao máximo o fim de semana em Mogi. É algo muito diferente de tudo aquilo que já tinha vivido. O clima, a descontração, a ausência de pressão, é tudo muito distinto. A gente sai fora do clima tenso de jogo atrás de jogo. É bom, né? Tem as ações sociais, as crianças, o carinho dos fãs. Foi muito legal.

deryk1BNC: Você passou pelo, digamos, crivo da imprensa, técnicos, personalidades do basquete e depois foi escolhido pelo público. Como é, tão jovem, ser selecionado pelo púbico que acompanha a modalidade?
DERYK: Você falou bem. Primeiro veio o reconhecimento dessa galera que você citou, e isso já é muito legal e gratificante. Depois disso vem a parte da torcida. E a quantidade de votos também não foi pequena. Isso tudo me deixa mais e mais motivado a seguir evoluindo no basquete, pois o esforço está sendo acompanhado por imprensa, técnicos e torcedores.

deryk15BNC: Todo mundo sabe o que aconteceu com Limeira, mas queria ouvir exatamente como foi o fechamento do time, a busca por outra equipe, essas coisas…
DERYK: Primeiro que eu nunca esperava que fosse acontecer o que aconteceu em Limeira. Nunca, nunca mesmo. Da forma como o basquete era tratado, pelo profissionalismo, por tudo o que acontecia dentro e fora das quadras, jamais imaginávamos que algo daquele gênero poderia passar. Foi um baque, porque realmente do nada a gente recebeu a notícia e no momento seguinte todos estávamos sem time. Foi um tombo muito grande. Primeira vez que isso aconteceu comigo. Já tinha ouvido de companheiros, de amigos, mas comigo, comigo mesmo, foi a primeira vez. É óbvio que fiquei muito triste, sou da cidade, cresci como pessoa e atleta naquela equipe, mas logo depois comecei a pensar na minha carreira. Não tinha outra coisas pra fazer, né? O problema foi, para os atletas, o momento em que o time anunciou que não jogaria o próximo NBB. Quase todos os elencos já estavam fechados, quase todos os orçamentos já tinham sido organizados para os atletas e não era uma questão de eu escolher onde eu quereria jogar, mas sim qual clube poderia contar comigo. Não era só eu que estava sem time, né? Eram nove, dez atletas na mesma situação. Tive algumas propostas, mas eu quis ir para Brasília, e posso te dizer do fundo do meu coração que um dos motivos foi o fato de poder estar jogando junto do Fúlvio. Eu tinha muito comigo que ele, Fúlvio, tem coisas que preciso muito melhorar, ou seja, essa parte de leitura de jogo, de passes, de controle da partida. Estar convivendo com um cara assim no dia a dia, nos treinos, nos jogos, nas viagens, só poderia me trazer benefícios. Eu cresceria, eu aprenderia. Eu queria continuar evoluindo. Eu sempre tinha visto esse cara jogando e ficava maravilhado. Jogando, convivendo, ouvindo os conselhos dele é totalmente diferente. É muito melhor, claro. Além do Fúlvio, há o fato da cidade de Brasília ser um polo importante para o basquete. É um time tricampeão de NBB, com inúmeras conquistas internacionais e há uma história muito forte no basquete. Vivendo em um time desses é uma atmosfera diferente, uma pressão maior. Passar por isso é muito bom, me ajuda a amadurecer muito.

fulvio2BNC: Você pode falar um pouco mais desse convívio com o Fúlvio? Eu conversei algumas vezes com o Ricardo Fischer, e ele atuou com o Fúlvio em São José. O Fischer fala muito isso que você está me dizendo, de aprendizado, de conselhos, de escutar o que um cara muito bom e muito experiente tem a dizer.
DERYK: Eu sempre fui muito observador. Joguei com vários excelentes armadores, como Nezinho, Hélio e Benite, que passaram em Limeira. Então o simples fato de estar no dia a dia com aquela pessoa te faz evoluir. Ganhei muito com esses caras do lado em Limeira. Isso também acontece com o Fúlvio, mas ele vai além. Tem a parte dos toques, dos conselhos, de explicar o porquê de ele ter feito uma determinada jogada em detrimento da outra, de perguntar o motivo pelo qual eu optei por uma ação e não outra, essas coisas. O cara sempre me ajudou muito, muito mesmo. São detalhes que parecem bobos, mas é essa diferença mínima de tempo que te faz encontrar um cara livre, um companheiro em boa condição de arremesso para ganhar o jogo como foi a jogada contra o Flamengo em que ele descobriu o Ronald passando por debaixo da perna de um adversário. Isso está agregando muito para a minha carreira. Essa questão de leitura de jogo é treinar, olhar, observar, ouvir e estar aberto a aprender. Não é só ele, né? Ele joga na minha posição, mas tem o Giovannoni, Arthur, tudo jogador de muito nome e que certamente têm muitas coisas para me passar.

deryk9BNC: Como foi a chegada ao time? A recepção, os primeiros dias…
DERYK: Cheguei lá e não tinha ideia de como seria. Nunca tinha saído de Brasília, Bala, nunca tinha jogado fora. Meus pais tentam fingir que está tudo bem, que estão apoiando, mas você sente que é uma situação complicada. Mas a gente sempre se falou todos os dias, mesmo nos períodos de seleção, então agora não é diferente neste sentido. A gente está longe, mas não se distancia. O engraçado é que o começo foi meio às pressas. A gente fechou em um dia à noite, no outro pela manhã eu estava viajando porque teríamos a Sul-Americana. A cabeça estava a mil, você deve imaginar. Pra você ter ideia eu não tinha nem casa pra ficar e acabei dormindo algumas noites na casa do Guilherme Giovannoni, que me acolheu como um irmão. Sou muito grato a todos de Brasília por causa dessa recepção, desse carinho comigo.

deryk13BNC: Você foi pra lá pra aprender com o Fúlvio, como você disse, mas você evoluiu tanto, e tão rápido, que acabou se tornando titular do time ao lado dele. Não sei exatamente o que você pensa sobre isso, mas você hoje pode ser considerado um dos cotados para a seleção olímpica do Rubén Magnano. Você pensa muito nisso, ou deixa acontecer?
DERYK: Sem dúvida nenhuma é um sonho, é algo que penso. É uma oportunidade única de jogar uma Olimpíada no Brasil. Mas ao mesmo tempo que é uma chance única eu também não posso ficar consumido por isso. As coisas precisam acontecer naturalmente. Eu não posso forçar alguma coisa ou mudar o meu estilo de jogo para que isso aconteça. Se rolar, vai ser natural. A forma carinhosa que eu fui recepcionado em Brasília também contribui para o meu crescimento, sabia? Não tenho dúvida disso. Os atletas se envolveram pessoalmente para que eu fosse para a equipe, e uma das formas que eu tenho de retribuir esse carinho é me esforçando muito em treinos e jogos. Sobre a seleção, é isso: tem que acontecer de forma natural. Eu só preciso estar pronto para quando a oportunidade aparecer. É para isso que eu treino, me esforço.

deryk12BNC: Tem uma história que você dormia com a bola em Limeira, isso é verdade?
DERYK: (Risos) É verdade, mas eu posso explicar melhor isso. Como eu ia de ônibus para o treino, eu levava a bola para ficar o dia inteiro com ela e não precisar pegar a chave para começar ou terminar a treinar. Maníaco, né? E nos fins de semana eu precisava da bola para ficar com ela o dia inteiro no clube. E meus pais e minha irmã ficavam comigo nessa. Treinando, catando bola, me ajudando nos treinos. Eu ficava jogando contra meu pai, minha mãe e minha irmã. Por isso ia e saía do clube com a bola. Em casa ela (bola) ficava no meu quarto.

deryk50BNC: Deixa eu te fazer uma pergunta e você me diga se tem relação: você tem treinado mais por estar longe de casa, ou não tem nada a ver? Porque hoje em dia a sua vida em Brasília é só basquete, né?
DERYK: Por incrível que pareça não mudou nada, nada mesmo. Em Limeira tinha amigos e família, mas o basquete sempre esteve acima de tudo. Em Limeira sempre cheguei uma hora antes no ginásio e sempre fiquei mais de duas horas me aprimorando depois dos treinos. Sempre me dediquei muito. Em Brasília é a mesma coisa. A diferença maior é em casa. E te explico: em Limeira, por mais que estivesse em família, a gente ficava vendo basquete. Sou meio tarado, você sabe disso. Em Brasília é igual, mas acabo assistindo mais sozinho. Com o meu pai, por exemplo, a gente fala quase que o dia todo de basquete. A dedicação sempre esteve muito alta comigo e nunca será diferente.

deryk14BNC: Sempre faço essas, e para um jovem como você é inevitável. Quais os próximos passos que pretende dar na carreira? Acha que ainda tem que ficar um pouco mais de tempo aqui, ou é hora de tentar um salto para Europa, essas coisas?
DERYK: Na minha cabeça a Europa iria agregar muito ao meu basquete, pois meu objetivo é único: crescer, crescer e crescer. Não quero colocar limite para o que poderei crescer. Jogar na Europa é um sonho, claro. O quanto você pode aprender lá é muito incrível, pois eles estão na frente da gente. Atuar na NBA também é um sonho. Todo jogador de basquete vai te falar isso, e comigo não é a mesma coisa. Mas tento pensar muito nos passos de curto prazo. O que eu preciso fazer agora para, lá na frente, colher? O que eu gostaria pra próxima temporada? Eu não gosto muito de contar com as coisas. Não dá pra ter certeza de absolutamente nada. Procuro aproveitar o momento em que eu estou. Tem um playoff importante vindo aí e quero estar focado em como ajudar Brasília da melhor maneira possível.

deryk8BNC: Você é muito novo, mas que já está sendo bem remunerado, tá ganhando a sua grana com toda justiça. Você já conseguiu retribuir para seus pais o que eles te proporcionaram ao longo da vida? E quanto isso te emocionou?
DERYK: Eu e meus pais sempre estivemos muito juntos. Então toda ajuda que eu sempre precisei eles me ajudaram e todo auxílio que eles precisarem eu irei ajudar. Não houve nada específico, nada que eu possa te dizer, mas é claro que no que posso eu vou ajudando, vou contribuindo. Essa convivência pra mim já é muito emocionante. Eu faço o que posso e o que eu não posso para dar suporte a eles. Nunca fomos uma família ostentação. Sempre fomos muito simples e eles todos me apoiaram na minha decisão de me tornar um jogador de basquete. Sou grato eternamente a eles por isso.


Ginóbili confirma, e fará despedida da seleção argentina no Rio-2016
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Fábio Balassiano

manu1Vai terminar no Rio de Janeiro a história de Manu Ginóbili com a seleção argentina. O eterno camisa 5 da equipe nacional platense confirmou na quinta-feira ao técnico Sergio Hernandez que estará com seu país nos Jogos Olímpicos para fazer a sua despedida com a geração mais vitoriosa do esporte dos hermanos (em Olimpíadas ouro em 2004, bronze em 2008, quarto lugar em 2012 e em Mundiais prata em 2002, quarto em 2006 e quinto em 2010).

Aos 38 anos, Ginóbili completará 39 antes da estreia olímpica. Vale lembrar, desde já, duas coisinhas: a vinda de Manu Ginóbili significa que a Argentina terá a sua força máxima na Olimpíada (Pablo Prigioni, ele, Andres Nocioni e Luis Scola – todos com mais de 35 anos e com tantos títulos no currículo que não caberia aqui para citar); E que Brasil e hermanos se enfrentam no dia 13 de agosto (a não ser que mude o calendário) na quarta rodada da fase de grupos (e as duas equipes estão no grupo da morte, vale lembrar – Lituânia, Nigéria, Espanha e alguém que virá no Pré-Olímpico Mundial completam a chave).

manu2Para quem gosta de basquete, é uma grandíssima notícia. Para a seleção brasileira e demais adversários, nem tanto. Ginóbili é um dos maiores ídolos da história do esporte argentino, a torcida dos hermanos vai se animar a vir com mais peso ao Rio de Janeiro e o time ganha uma força muito maior com ele. Sua última partida havia sido justamente em uma Olimpíada. Foi em 2012, no jogo do bronze contra a Rússia (derrota de 81-77, com 21 pontos dele).

Por fim, deixo o vídeo maravilhoso da cesta de Manu Geniobili na estreia da Olimpíada de 2004 contra a Sérvia (Sérvia que havia batido os hermanos em 2002 na final do Mundial – ainda como Iugoslávia, mas era o mesmo time). Vejam que coisa espetacular!


Pioneiro, lendário pivô Pipoka relembra passagem na NBA
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Fábio Balassiano

pipoka2Conversar com Pipoka é falar com a história. Segundo brasileiro a jogar na NBA (teve passagem breve pelo Dallas Mavs, onde atuou em apenas uma partida na temporada 1991/1992), ele é um dos melhores pivôs do basquete brasileiro em todos os tempos. Com passagens marcantes por Flamengo, Monte Líbano, Mogi, onde foi homenageado pelo título Paulista de 1996, e seleção nacional, foi um dos primeiros jogadores de garrafão do país a ter arremesso confiável da linha de três pontos, algo raríssimo para a década de 80 em que jogava – e se destacava. Campeão Pan-Americano em 1987 e presente em quatro Mundiais e três Olimpíadas, ele conversou com o blog no último fim de semana sobre sua brilhante carreira.

BALA NA CESTA: Qual é a emoção de voltar a Mogi das Cruzes para receber essa homenagem pelo título conquistado há 20 anos (1996)?
PIPOKA: Cara, olha só, o meu coração está batendo forte, que nem o de uma criança. É uma felicidade imensa estar aqui em Mogi de novo, com esse ginásio cheio, com essa festa linda e com meus eternos companheiros do meu lado. Estou me sentindo em casa e muito feliz mesmo

pipokaBNC: Quando olha hoje 9 jogadores brasileiros na NBA você olha lá atrás a sua passagem rápida pelo Dallas e pensa o quê? Foi breve, mas foi um dos desbravadores.
PIPOKA: Me sinto muito orgulhoso de ter feito parte dessa história e de ter contribuído ao menos um pouco para que o nome do Brasil entrasse na NBA. Vejo esses meninos hoje com muita felicidade. São 9, parece que é fácil, mas sabemos que não é assim, não. Cada um que chegou lá lutou muito, passou por muita coisa até chegar lá. Então é bonito ver que 25, 30 anos depois da minha chegada o nome do país está muito bem representado na melhor liga do mundo com tantos atletas de alto nível como os nossos que estão lá. Quanto mais jogadores puderem ter essa experiência, melhor pra nós. Eu sei o sentimento de alegria que esses garotos sentem.

pipoka3BNC: Como foi a sua chegada lá naquela época? Consegue traçar um paralelo ao que acontece na atualidade?
PIPOKA: Não dá pra comparar com o que é hoje, e isso não é uma crítica. São tempos diferentes, e precisamos entender isso. A dificuldade para se chegar à NBA continua a mesma. Os atletas que conseguem chegar lá têm um nível diferenciado, algo diferenciado que faz com que as franquias da liga se interesse. Foi assim comigo e me sinto muito orgulhoso em relação a isso. Hoje em dia se há mais acesso à informação, há muito mais concorrência também. Os times da NBA olham pra todo mundo, então a competição é contra os americanos, os europeus, os asiáticos, os africanos. Não é mais ou menos difícil, mas sim diferente mesmo.

pipoka4BNC: Você teve uma carreira longa na seleção brasileira, e recentemente saiu o sorteio dos grupos para o Rio-2016. O que você achou?
PIPOKA: O grupo é difícil, não há dúvida. Mas se nossos meninos e nossa comissão técnica estiverem focados, e certamente estarão, confio que faremos um belo papel nesta Olimpíada. Temos garotos novos e experientes com muita qualidade, e estou esperançoso em uma boa campanha. O que a seleção precisa ter em mente é que em uma competição assim tão curta é sempre um detalhe ou outro que faz a diferença para chegar ou não ao pódio. Minha geração viu isso na pele quando jogou muito bem em alguns jogos, e não tão bem em outros, acabando perdendo quando não poderia. Então estar concentrado o tempo todo, a todo instante, é fundamental. Ainda mais em um grupo assim tão complicado.

pipoka7BNC: Pra terminar, conta pra gente onde você mora atualmente, o que tem feito…
PIPOKA: Sou de Brasília, voltei pra lá depois de ter parado de jogar e sou professor universitário na capital do país. Dou aula de Educação Física e conto para meus alunos um pouco sobre a minha experiência de vida e de carreira. Um pouco do que vivenciei tanto nos clubes quanto na seleção. Eu transmito um pouco desse mundo do basquete de alto rendimento, mas gosto muito da parte de iniciação também.

Tags : Pipoka


Promoção BNC: concorra a camisa do Leandrinho, ala do Warriors, da NBA
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Fábio Balassiano

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