Bala na Cesta

Arquivo : fevereiro 2016

Curry, Warriors e o possível recorde de vitórias da NBA
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Fábio Balassiano

Você viu o que aconteceu no sábado, né?

curry1Um dos melhores jogos da temporada regular da NBA em 2015/2016 terminou com um roteiro incrível. Kevin Durant matou uma bomba de três no tempo regulamentar, mas fez duas besteiras seguidas logo depois – errou passe na saída de bola e no ataque do Warriors pós-roubo de pelota fez falta em Andre Iguodala. No tempo extra Durantula cometeu a sexta falta, saiu, Russell Westbrook e Serge Ibaka carregaram a equipe até que Steph Curry assumiu e detonou a machadada final.

E a machadada final foi a vitória na prorrogação, que veio com o recorde de 12 tiros de três certeiros convertidos em uma mesma noite (vídeo abaixo), igualando feito de Kobe Bryant e de Donyel Marshall. Como eu tenho dito sempre nas redes sociais: estamos presenciando a história sendo escrita, e isso é maravilhoso (tanto é assim que até LeBron James, o que se chama de Rei, elogiou Steph, dizendo que nunca viu algo parecido na vida na história do jogo). É, portanto, sentar, abrir um sorriso e admirar Curry e companhia.

warriorsCom isso a gente tem o seguinte: o Golden State Warriors, com surreais 53-5, já está classificado para o playoff. Sim, é isso mesmo. Com 24 jogos para fazer, e ainda em fevereiro, a franquia de Oakland já está na pós-temporada, podendo vender ingressos (terá, no barato do barato, duas pelejas para já garantir receita) e planejar ações dois meses pra frente. Coisas desse timaço de bola comandado por Steph Curry, mas que tem peças espetaculares como Klay Thompson, que segurou a onda contra Russell Westbrook quase que o tempo todo, Andre Iguodala, Draymond Green, Harrison Barnes, Andrew Bogut e os brasileiros Leandrinho e Anderson, o sortudo maior, Varejão (agradeça ao Cleveland, Vareja…).

curry4Timaço de bola que pode, sim, bater não só o recorde de 72 vitórias do Chicago Bulls de 1995-1996. Há outra marca que pode ser alcançada pelo Warriors. Em 1985-1986, o Boston Celtics venceu 40 de seus 41 jogos em casa, tornando-se o melhor mandante da história da liga (foi derrotado apenas pelo Portland por 121-103). O Golden State até o momento tem 24-0. Ou seja: mais 17 duelos diante do seu torcedor para se manter invicto.

Mas, bem, voltando. Aquela comparação marota mostra que os dois times estão no mesmo ritmo após 58 jogos. Os Bulls tinham 52-6. Os Warriors, 53-5. Quase igual. A questão, agora, é dar uma olhadela no que a turma de Oakland tem pela frente até o final da temporada regular. Vamos lá:

curry10Faltando 24 jogos para terminar a fase regular e podendo ainda perder quatro partidas para terminar com 73-9, batendo assim a marca do Bulls de 1996, o Warriors tem mais sete partidas fora de casa apenas: Lakers, Mavs, Spurs e Wolves em sequência (18, 19 e 21 de março), Jazz, Grizzlies Spurs (aqui também em dias consecutivos  – 9 e 10 de abril). De enrolado, enrolado mesmo, San Antonio (duas vezes, hein), Memphis e, com boa vontade, Jazz e Mavs.

Em casa há 17 partidas por fazer. O calendário prevê Hawks (na terça-feira), Thunder, cinco jogos direto contra Magic, Jazz, Blazers, Suns, Pelicans e Knicks entre 7 e 16 de março, quatro consecutivos diante de Clippers, Mavs, Sixers e Wizards entre 23 e 29 de março, quatro de novo seguidos entre 1/4 e 7/4 versus Celtics, Blazers, Wolves e Spurs, e pra fechar o campeonato o Grizzlies no dia 13/4.

curry3Cabe lembrar: os Warriors vêm de cinco vitórias consecutivas e de 16-1 nos últimos 17 jogos, e as cinco derrotas da franquia até agora foram contra Bucks, Mavs, Nuggets, Pistons e Blazers (todas fora de casa obviamente). Destes, apenas o Dallas terá a chance de rever o Golden State em seu lar. O recorde de mais de 72 vitórias, portanto, é pra lá de possível de acontecer (muita gente aposta, até, em mais de 74 vitórias).

curry6Ah, sabem o mais importante de tudo? Tanto o Boston de 1986 (41-0 em casa) quanto o Chicago de 1996 (72-10 na temporada regular) foram campeões após registrarem estas marcas expressivas.

Vendo o que estamos vendo a pergunta é até meio óbvia: alguém duvida que o Golden State está no mesmo caminho de Boston-86 e Chicago-96? Não que vá ganhar o título, porque sabemos que Spurs, Cavs e Thunder mesmo são fortíssimos, mas que está no mesmo caminho, está.


Flamengo perde, mas se classifica na Liga das Américas; Brasília eliminado
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Fábio Balassiano

lda3Terminou a segunda semifinal da Liga das Américas. E com ela o sonho de ver os quatro times do NBB no Final Four. Ontem o Flamengo perdeu do Guaros de Lara, o time da casa em solo venezuelano, por 92-87, mas havia feito a sua parte nos dois dias anteriores e acabou avançando. Brasília acabou eliminado no saldo.

Nas semifinais, que serão disputadas no dia 11/3, Flamengo x Bauru e Guaros (do técnico figuraça Nestor Garcia – na foto) x Mogi. No dia seguinte, vencedores fazem a decisão, com o campeão disputando o Mundial Interclubes contra o campeão da Euroliga na abertura da temporada 2016/2017. O Final Four ainda não tem local definido (a FIBA Américas deverá divulgar na próxima semana).

lda5Brasília pode, sim, lamentar que ficou fora do Final Four, mas não muito. Jogou mal contra o Flamengo na sexta-feira (principalmente o segundo tempo), perdendo por 106-93 e deixando um saldo negativo de 13. Venceu o Guaros no sábado por 80-77 e dependia de vitória rubro-negra no domingo ou triunfo do Guaros por 24+ pontos, algo que acabou acontecendo ali no meio do terceiro período.

Naquele momento o Flamengo jogava muitíssimo mal, fazendo uma de suas piores apresentações da temporada. Mas o elenco de José Neto se recuperou, contou com boas atuações de Rafael Luz (14 pontos e 6 assistências), JP Batista (21) e Marcelinho Machado (12), diminuiu a diferença para apenas 4 pontos, mas não conseguiu ir além, o que eliminou Brasília. Os últimos minutos ficaram mesmo para a definição das semifinais.

lda2Em um dos lances mais bizarros do torneio, o experiente Damien Wilkins sofreu falta (boba) de Marquinhos e foi pra linha de lance-livre. Se acertasse, colocaria Flamengo x Mogi (primeiro colocado do outro grupo), com Guaros de Lara x Bauru (o segundo). A falta, aliás, foi bem mal feita (sem propósito algum), o que faz muita gente achar que o time da Gávea também estava escolhendo enfrentar a equipe mogiana (daqui, de minha parte, é bem difícil julgar e não vou entrar nessa). Na linha de lance-livre, Wilkins deu duas porradas na tabela, errou os dois e deixou Fla x Bauru e Guaros x Mogi na semifinal mesmo.

lda1Ficamos assim então. O Brasil, que fez campeões em 2013 (Pinheiros), 2014 (Flamengo) e 2015 (Bauru), poderá fazer o seu quarto campeão seguido em 2016, embora não tenha conseguido colocar os quatro times do NBB na decisão. Fica a lição mais uma vez: depender de resultados dos outros é SEMPRE uma temeridade. Como o formato é este (três jogos em sequência), perder uma partida (ainda mais a primeira) significa deixa as situações abertas e não controladas por si mesmo.

O intruso nessa história toda é o venezuelano Guaros de Lara, que conta com bons norte-americanos (Wilkins mesmo e Tyshawn Taylor). Não será fácil derrotá-lo, e o local do Final Four será fundamental para que a hegemonia continental continue por aqui (principalmente pelo fato de termos mais um Mundial no país).


Liga Ouro começa, e Ginástico vence Vasco fora de casa em jogo emocionante
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Fábio Balassiano

vasco1Foi uma bela manhã de basquete em São Januário. Não tanto pela qualidade técnica do jogo em si, e nem poderia ser diferente, pois era uma partida de estreia, com todos os componentes de ansiedade que a gente sabe que existem, mas pela emoção da partida e pelo que ela representava. Era a volta do Vasco, que ganhou quase tudo no final do século passado e no começo deste, a uma competição nacional depois de mais de uma década. Era o começo, para cariocas e mineiros do Ginástico, do sonho de chegar ao NBB (o campeão da Liga Ouro jogará o campeonato em 2016/2017). No final, vitória do Ginástico por 79-76 na prorrogação em peleja que foi exibida pelo site da Liga Nacional e que contou com imensa audiência (números serão divulgados posteriormente, mas a prévia foi bem boa).

vasco10Não sei exatamente o público e nem a capacidade do ginásio de São Januário, mas foi emocionante notar que estava absolutamente lotada a reformada quadra (e com torcedores que aplaudiram a equipe no final, mesmo com a derrota, em bela prova de apoio e de compreensão do esforço do elenco do treinador Cristiano Pereira). Se pudesse arriscar, diria que havia ali entre 750 e 900 pessoas contando as que, no andar de cima, viam o duelo em pé (número maior do que muitos jogos de NBB…). Nota 10, portanto, para uma galera que foi se reencontrar com uma antiga paixão (o basquete) e que apoiou a sua equipe. E apesar da derrota, os vascaínos que trocaram a praia pelo quentíssimo programa matinal em São Cristováo, bairro imperial da Zona Norte do Rio de Janeiro, não se arrependeram.

vasco200Muito ansioso, o Vasco não conseguiu jogar muito bem no primeiro período. Precipitava ataques, errava rotações na defesa e acelerava o jogo sem muito sucesso. O Ginástico, sob o comando dos experientes Fred (15 pontos e 5 assistências – na foto ao lado com a camisa 9) e Fernando Mineiro (ele, em sua oitava temporada pelo NBB, joga pelo seu oitavo time diferente, algo incrível), não tinha nada a ver com isso e abriu 16-9. O segundo quarto começou e o time crumaltino veio com Marcellus do banco. Muito bem, o ala-armador (19 pontos ao todo) comandou a reação, empatou o time quando restavam dois minutos, mas os mineiros mantiveram a postura e saíram para o intervalo vencendo por 32-27.

vasco50Na volta do vestiário o Vasco pareceu mais acordado. Fez 26-17 no período, viu Robby Collum anotar 10 de seus 18 pontos, foi novamente comandado por Marcellus (foto ao lado) e levou a torcida ao delírio. Aparentemente o retorno do time seria com vitória. Do outro lado, porém, o Ginásico não pensou em desistir. A equipe, mesmo sem os rodados Alírio e Wanderson (lesionados), se valeu do melhor preparo físico e do entrosamento (treina há mais de seis meses; os vascaínos, há dois), reagiu com 18-14 nos 10 minutos derradeiros e teve, com o placar empatado em 67, a bola do jogo nas mãos de Fred. O armador infiltrou, mas levou toco e a bola sequer chegou à cesta.

avelinoNa prorrogação o brilho ficou todo com o garoto Lucas Avelino (foto). Formado nas categorias de base de Bauru, onde ganhou o título da Liga de Desenvolvimento em Brasília anos atrás, o ala, que terminou com 12 pontos, fez 8 dos 12 pontos do seu time, colocou o Ginástico em condição de vencer a peleja e mostrou ótimo potencial físico e boa capacidade técnica.

Muito nervoso e sentindo o cansaço, o Vasco tentava, mas não conseguia anotar cestas no tempo extra. No final, com 78-76 a favor dos mineiros, Fernando Mineiro errou dois lances-livres, Hélio teve a chance de virar para os cariocas, mas a bola rodou no aro e não entrou (vídeo abaixo). Lucas Avelino ainda acertou um lance-livre derradeiro, dando números finais à abertura da Liga Ouro.

jefferson1A vitória acabou ficando justa nas mãos do Ginástico, que se coloca em boa posição para o jogo de segunda-feira (19h30 também em São Januário). Vale destacar, aliás, o nome do técnico Jefferson Teixeira. Os mineiros foram muito bem armados pelo treinador, que estava bem calmo (menos no lance em que substituiu e falou cobras, lagartos, tigres e leões para um atleta), dando boas instruções e rodando bem a equipe (evitando que o calor gerasse excessivo impacto em seus atletas). Em começo de trabalho, o Vasco mostrou que ainda precisa evoluir muito (natural) para alcançar o objetivo de chegar à elite do basquete brasileiro.


Jogo das Estrelas do NBB terá mudança no formato – veja meus eleitos
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Fábio Balassiano

coachesNesta semana a Liga Nacional de Basquete divulgou os técnicos do NBB Brasil (Neto, o mais votado, e Gustavo de Conti, o terceiro) e do NBB Mundo (Demétrius, o segundo mais votado, e Alberto Bial, o quarto) para o Jogo das Estrelas da edição de 2016 de sua anual festa (informações sobre horários e ingressos você encontra aqui e aqui).

mogi1Anual festa que sofrerá mudanças neste ano (e não da eleição dos 12 que irão atuar ser totalmente pela internet). O jogo entre NBB Mundo x NBB Brasil será no sábado às 18h30 (Sportv) e os Desafios (Enterradas, Três pontos e Habilidades), no domingo a partir das 9h (exibição dentro do Esporte Espetacular). O objetivo da alteração (e eu entendo perfeitamente isso) é fazer com que se tenha a exposição da modalidade em TV Aberta, mas não sei se isso me agrada muito. Normalmente, e na NBA também é assim, faz-se primeiro o Festival (Habilidades, 3 pontos e Enterradas) e depois o jogo.

markDe todo modo, veja quem são os jogadores que elegi para disputar o duelo entre NBB Brasil x NBB Mundo:

NBB Brasil: Fischer (Bauru), Marquinhos (Flamengo – foto), Giovannoni (Brasília), Hettsheimeir (Bauru) e Caio Torres (Paulistano) de titulares. No banco: Deryk (Brasília), Davi (Basquete Cearense), Alex (Bauru), Larry (Mogi) e Ronald (Brasília). Técnicos: José Neto (Flamengo) e Alberto Bial (Basquete Cearense).

NBB Mundo: Dawkins (Paulistano), Holloway (Pinheiros), Shamell (Mogi), Sosa (Minas) e Meyinsee (Flamengo) de titulares. No banco: Jamaal (São José), Simmons (Minas), Jason (Vitória), Day (Bauru) e Tyrone (Mogi). Técnicos: Demétrius (Bauru) e Gustavo de Conti (Paulistano).

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Por Final Four brasileiro, Flamengo e Brasília jogam na Liga das Américas
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Fábio Balassiano

nbb3Mogi e Bauru fizeram a parte deles na semana passada. Os dois times jogaram em solo bauruense, deixaram o argentino Quimsa e o uruguaio Malvin pra trás e já estão no Final Four da Liga das Américas, competição que garante ao campeão a chance de disputar o Mundial Interclubes contra o campeão da Euroliga. Nesta semana, em Barquisimeto, na Venezuela, é a vez de Flamengo e Brasília lutarem para fazer da decisão continental um quadrangular apenas com equipes brasileiras.

nestor2Em uma rápida análise, é possível descartar o Correcaminos, time panamenho limitado, embora muito voluntarioso e que já jogou contra o Flamengo na primeira fase. Quem eu acho que pode dificultar as coisas é o time da casa, o Guaros de Lara. Além do fator casa, que conta muito neste tipo de competição, o elenco comandado pelo maluco-beleza Nestor Garcia (sim, o treinador da seleção venezuelana que aprontou todas na Copa América de 2015 no México) tem nomes importantes como o do norte-americano Damien Wilkins (atuou na NBA), a base da equipe nacional local (Colmenares, Graterol e Echenique) e o também norte-americano Zach Graham, autor de 19,3 pontos de média no torneio. Se há um rival perigoso, é o Guaros de Lara portanto.

neto1O Flamengo, que disputou os dois últimos Final Four (campeão em 2014 e eliminado na semifinal do ano passado), está completo e arrisco-me a dizer que tem o melhor elenco do continente (tirando a NBA, obviamente). A rotação sensacional do técnico José Neto com 10 jogadores deve se repetir neste final de semana, ainda mais com a sequência furiosa de três pelejas em dias consecutivos. Se normalmente utiliza bem as suas peças, evitando perda de intensidade, em um evento assim Neto deve utilizar o mesmo expediente – no que ele tem total razão.

derykPelo lado de Brasília a situação não é tão animadora assim. Com problemas musculares, o experiente Arthur não viajou. Ronald, Jefferon Campos (estes estavam com caxumba) e Pilar foram à Venezuela, mas não se sabe em que condição física. Para o time do técnico Bruno, mais do que nunca será contar com as atuações excepcionais do menino Deryk Ramos (foto), com a ótima fase do armador Fúlvio (quando ele está bem fisicamente seu lado técnico flui tranquilamente) e com o comando de Guilherme Giovannoni.

horarios1Por fim, vale o aviso: dias e horários das partidas podem ser encontrados no site da competição, e novidades se as pelejas serão exibidas estão disponíveis no site do Sportv, que detém os direitos de transmissão (a figura ao lado foi retirada do site da Liga Nacional de Basquete). Eventuais dúvidas que surjam em relação a isso sugiro que sejam sanadas diretamente com os responsáveis.

Será que teremos um Final Four brasileiro na edição de 2016 da Liga das Américas?


Ícone da superação, Tamika Catchings quer 4º ouro olímpico no Rio-2016
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Fábio Balassiano

tamika20Quem olha o passado recente pensa que a vida sempre foi um mar de rosas para Tamika Catchings. Dona de três medalhas de ouro olímpicas (2004, 2008 e 2012), dois Mundiais (2002 e 2010), um título da WNBA pelo Indiana Fever em 2012 e uma das melhores jogadoras de todos os tempos, a ala nascida em New Jersey teve uma infância pra lá de difícil.

Detectada com um problema de audição, sofreu nas mãos dos colegas de escola por usar um aparelho auditivo. Encontrou no esporte a maneira adequada de responder às provocações das crianças que cismavam em infernizar a sua vida com algo tão grave. “Na quadra nunca houve problema. Era cada uma por si. E treinar muito nunca foi o problema para mim”, afirma Tamika com exclusividade ao blog.

tamika9Com um talento descomunal para alguém de 1,85m, Tamika Catchings passou a ser respeitada pelos colegas de seu colégio e depois da Universidade do Tennessee. Apesar dos problemas de audição, decidiu jogar fora o aparelho aos 12 anos (quando entrou na equipe colegial) e tratar de ouvir o quanto podia – e o que queria. Tornou-se uma especialista em leitura labial, uma pessoa de personalidade forte e, atualmente, uma das atletas mais engajadas com a comunidade local de Indianápolis, onde joga desde 2002, do esporte norte-americano (em 2010 e 2013 recebeu o Prêmio da WNBA por sua conduta ética fora das quadras).

tamika15Aos 36 anos (completa 37 exatos 14 dias antes do Rio-2016 começar) e com aposentadoria marcada para depois das Olimpíadas do Rio de Janeiro, a jogadora, que lança na próxima semana a sua aguardada autobiografia (“Catch a Star”, ainda sem tradução para o português mas já à venda online para quem quiser comprar por aqui) e é filha do ex-jogador da NBA Harvey Catchings, treinou com a seleção dos Estados Unidos esta semana em Connecticut e conversou com o blog por telefone sobre sua história de vida, a premiada carreira, a amizade com Kobe Bryant, cujos pais jogaram juntos na Itália na temporada 1985-1986, e sua vida depois das quadras.

tamika8BALA NA CESTA: Você tem inúmeras conquistas, mas o começo da sua vida foi bem difícil. Como o problema de audição impactou a sua infância?
TAMIKA CATCHINGS: Quando era criança tinha esse problema e hoje não tenho vergonha alguma de falar a respeito. Foi por causa dele, aliás, que o esporte apareceu e mudou a minha vida. Na sala de aula ou no pátio do meu colégio, eu sofria muito por usar um aparelho auditivo que depois acabei jogando pela janela de tanta raiva que ficava por ser sacaneada pelos meus colegas de classe. Quando o esporte apareceu, era minha chance de mostrar que eu pertencia ao mesmo universo daquela galera. Era eu ser a melhor e pronto. Foi assim que tudo começou, não só em termos esportivos mas em termos de um convívio harmonioso com meus amigos. Passei a ser aceita, a ser vista como uma atleta de alto nível e a receber carinho no meu colégio.

tam1BNC: Você lembra exatamente de quando o basquete foi o responsável por esta mudança?
TAMIKA: Na sétima série mais ou menos. Tinha voltado da Itália com meu pai anos antes, foi detectado meu problema de audição e usei o aparelho por quase dois anos. Ali pelos 12, 13 anos é que o basquete entrou na minha vida para sempre. Jogar em um esporte coletivo, fazer parte de um grupo de atletas, era muito especial. Me ajudou muito em todos os sentidos e sou muito grato por tudo o que ele, o basquete, me proporcionou como pessoa e como atleta. Hoje, quando olho pra trás vejo os obstáculos que passei, sou muito grata às pessoas que me apoiaram naquela fase inicial.

tamika00BNC: Ainda falta um pouco, eu sei, mas é inevitável perguntar, já que a sua aposentadoria será depois da Olimpíada e da temporada 2016 da WNBA: você já consegue dizer como será a sua vida fora das quadras?
TAMIKA: Olha, é difícil visualizar isso neste momento. Em primeiro lugar, meu marido (o ex-jogador Parnell Smith) e eu sairemos de lua de mel, né? Nos casamos recentemente e precisamos comemorar como um casal normal faz. Depois disso pararei para pensar realmente no que quero fazer. Sei que adoro trabalhar com crianças e tenho minha Fundação para tocar também. Essa são as minhas paixões. Quem sabe não continuo com isso de forma mais intensa. Além disso, exerço um trabalho muito forte com a comunidade de Indiana e tento sempre devolver um pouco do que me foi dado ao longo da vida. Isso de retribuir é algo muito forte no nosso país, e o que eu puder fazer para ajudar a desenvolver a comunidade, a cidade, eu também farei.

tamika1BNC: Sobre seu casamento, desculpe perguntar, mas eu vi no Instagram uma foto (ao lado) de vocês dois dentro de uma quadra de basquete. Se não me engano é a do Indiana Fever mesmo. E vocês estavam vestidos como noivo e noiva. Vocês fizeram a festa lá na quadra mesmo?
TAMIKA: (Risos) Não, não. Foi parte do ensaio com a nossa fotógrafa apenas. É engraçado que muita gente me pergunta isso, porque minha paixão pelo jogo é tão grande que meus amigos não duvidavam que eu de fato fosse casar na quadra do Indiana Fever (Nota do Editor: o Fever é o time da na WNBA desde 2002)

tamika3BNC: O que você está esperando da Olimpíada e do Rio de Janeiro de uma maneira mais ampla? O tema do Zika Vírus lhe preocupa?
TAMIKA: A expectativa é grande, mas teremos outro camp da seleção em julho. Ainda não estou entre as 12 e não dá pra falar como se já fosse uma atleta olímpica em 2016. Há muitas meninas boas aqui e precisamos estar focadas nesta missão. Será a minha primeira vez no Rio de Janeiro, sei que a cidade é muito bonita, mas pra gente é muito difícil sair do circuito, digamos, esportivo. O que sei é que, como fanática por esportes que sou, vou querer ver o máximo de modalidades que conseguir. A respeito do tema do Zika, sei da gravidade, mas estaremos preparados pra isso. Nunca passamos por isso, mas sei que teremos muitas ações preventivas. Isso não me assusta.

tamika26BNC: Vi um documentário recente sobre a sua relação com o Kobe Bryant na Itália. Vocês foram educados por um ano praticamente juntos, e por uma dessas coincidências ambos tiveram uma carreira genial que chega ao fim agora em 2016. Você chegou a falar com ele depois do anúncio de sua aposentadoria? Acha que Kobe pode mudar de ideia?
TAMIKA: Kobe mudar de ideia? Acho impossível. Quando ele coloca algo na cabeça dele… Ainda não conversamos depois do anúncio da aposentadoria que ele fez. Você está acompanhando no que isso (a aposentadoria dele) se tornou. É um ícone do esporte mundial e tenho muito orgulho de ser próxima a ele. Teremos muito tempo livre para conversarmos a partir de setembro (depois das Olimpíadas e da WNBA), né?

tam2BNC: Desculpe te lembrar disso, mas a sua única derrota com a seleção adulta norte-americana aconteceu em solo brasileiro. Foi na semifinal do Mundial de 2006, em São Paulo, para a Rússia por 75-68. O que você lembra daquele jogo (2 pontos, 1/5 nos arremessos e 3 desperdícios de bola), e qual o sentimento para regressar ao país que viu seu único revés com a camisa do seu país?
TAMIKA: Uau. Sério? Eu não me recordava mais disso. Uau. Céus. Fábio, por favor, não me lembre disso novamente, pelo amor de D’s (Risos). Estou animada para voltar e tentar reverter esse quadro. Aquele dia da semifinal foi muito traumático, mexeu muito conosco. O que eu lembro daquele campeonato? Que foi frustrante. Fomos bronze, né?

tam190BNC: Sim. Ganharam do Brasil por 99-59 no jogo do bronze.
TAMIKA: Sim, verdade. O que lembro daquele Mundial é que não fizemos bem o que tínhamos que fazer. Não fomos bem na maneira de fazer. Mas sabe o que me lembro bem? Do carinho dos brasileiros. Foram, todos, muito legais, carinhosos e animados conosco. Espero que tenhamos o mesmo clima no Rio de Janeiro. E que dessa vez eu volte do Brasil com um ouro na bagagem…

BNC: Tudo leva a crer que sim, mas já que você não quer garantir nada eu vou colocar assim. Caso você venha de fato ao Rio de Janeiro a chance de você se aposentar com quatro medalhas de ouro olímpicas são imensas. Qual é o sentimento que fica quando você está a menos de seis meses de igualar, junto com Diana Taurasi e Sue Bird (as três na foto), um recorde que hoje pertence a Lisa Leslie e Teresa Edwards (quatro ouros pelos EUA)?
tamika5TAMIKA: A expectativa é grande para isso que você cita (o recorde). Mas isso não pode mudar a rotina, a minha forma de ver o jogo e muito menos a maneira como a gente, como grupo, lida com a competição. Temos que continuar a fazer o que sempre fizemos. Sou a mais velha do time e tenho que trazer o que sempre trouxe à seleção: liderança, comprometimento, intensidade e sentimento altruísta. Assim todas chegaremos ao objetivo maior que é a conquista do ouro olímpico.

tamika150BNC: Você falou sobre comprometimento, este lado do trabalho, e em todas as matérias que leio sobre você é claro que trata-se de uma atleta de outro nível de profissionalismo. É muito difícil quando você vê que nem todas as suas companheiras têm o mesmo nível de dedicação que você tem?
TAMIKA: Fábio, na minha vida desde o primeiro dia que eu me lembro até hoje, sempre usei a máxima: ‘Ou você treina ou você desiste’. Não existe um meio termo em relação a isso. Eu treino muito porque amo o que faço e porque sei que não existe outra maneira de evoluir neste esporte. Não conheço ninguém que teve uma carreira de sucesso sem se dedicar 110% todos os dias de sua vida esportiva. Não há muito mais o que possa ser feito em uma modalidade cuja exigência física, técnica, tática e mental é assustadora. Se não treina muito, você está morto, ultrapassado, pronto para ser destruído pelo seu rival. É a máxima de todos os esportes aliás. Simples assim. Basquete é o que eu mais amo neste mundo, e gosto quando as jogadoras que estão ao meu lado seguem isso. Os melhores times que joguei não foram os que tinham as jogadoras mais bem dotadas em termos técnicos, mas sim as que mais treinaram. Significa algo, não?

tamika2BNC: Você lança a sua autobiografia (“Catch a Star”) na próxima semana nos Estados Unidos e pelo que li está muito ansiosa em relação a isso também. O que você está esperando que esse livro traga para as pessoas?
TAMIKA: Estou muito animada realmente. Queria fazer isso há muito tempo e agora saiu. As pessoas sempre me ouvem falar em adversidade, em tudo o que eu passei na vida. Foi só colocar no papel. Quero, com este livro, compartilhar essa experiência desde que eu era criança. Não tenho problema em falar dos problemas que passei. Mas falo de coisas boas também, como o título da WNBA, as Olimpíadas, meu trabalho social. Espero que inspire as pessoas.

tamika0BNC: Por fim, como você gostaria que o mundo lembrasse de você?
TAMIKA: Difícil essa. Pelo que fiz nas quadras, sem dúvida pela minha paixão pelo jogo e por todo o esforço que eu coloquei na minha carreira. Fora de quadra por tudo o que passei e o que eu vivi para chegar a ser uma atleta deste nível. Se possível, quero ser lembrada pelo meu comprometimento, por toda ajuda a comunidade de Indiana, por estar sempre pronta para fazer a diferença na vida das pessoas.

tamika11BNC: A gente vai ficando mais velho e normalmente fica mais emotivo. Você, vendo o final da sua carreira se aproximar, sente-se assim, mais à flor da pele, também?
TAMIKA: (Risos) É difícil dizer se estou mais emotiva porque estou vivendo isso intensamente esse final de carreira, esses dias de treinamento aqui com as meninas, o lançamento do meu livro. Ainda não coloquei a cabeça no travesseiro para refletir que a partir de setembro serei uma ex-atleta. Sei que a USA Basketball fará algumas festas de despedida para mim, talvez lá eu sinta alguma coisa, mas até agora nada mudou para mim, não. No final da Olimpíada você me faz essa mesma pergunta e aí falamos, ok?


Podcast BNC: Anderson Varejão no Warriors e a Liga das Américas
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Fábio Balassiano

vareja1No Podcast desta semana Pedro Rodrigues e eu falamos da troca que levou Anderson Varejão ao Golden State Warriors, das outras movimentações na temporada 2015/2016 da NBA e da primeira fase semifinal da Liga das Américas que teve Mogi e Bauru se classificando ao Final Four. No final abordamos o começo da Liga Ouro, que contará com a estreia do Vasco neste fim de semana no Rio de Janeiro.

Caso você prefira, o link direto está aqui . Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e bom programa!


No Final Four da Liga das Américas, o momento da virada para Mogi
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Fábio Balassiano

mogi2A temporada 2015/2016 começou enrolada para Mogi. O time perdeu a final do Paulista em casa contra São José, o técnico Paco Garcia pediu demissão logo em seguida, a equipe foi eliminada de maneira precoce na Liga Sul-Americana, perdeu jogos até certo ponto “ganháveis” no NBB e só entrou na Liga das Américas porque Brasília acabou com o troféu, beneficiando outra agremiação do país a entrar na competição.

O cenário não estava muito bom até começar a Liga das Américas. Em Santiago, República Dominicana, os comandados de Danilo Padovani venceram o Malvin, o Metros local e o Leones de Quilpue e ganharam confiança. Veio a fase semifinal em Bauru e era a chance de não só ganhar nova dose de confiança mas também de se colocar entre os grandes no Final Four do torneio.

danilo25Deu certo. O time jogou muito bem contra Bauru e Malvin, avançou em primeiro do grupo e agora espera o segundo colocado do grupo que tem Guaros, Flamengo, Brasília e Correcaminos (jogos a partir de sexta-feira). Mais do que já estar entre os melhores do continente, e isso é coisa pra caramba, para os mogianos pode ser que a fase semifinal da Liga das Américas represente o momento-chave na temporada.

Conversei com Shamell, um dos líderes da equipe, sobre isso no final do jogo contra o Malvin, e ele concorda com esta tese, principalmente porque o técnico Danilo, novato na função, precisava de uma espécie de validação (nos resultados) de seu bom trabalho com a equipe. E essa “validação” veio com a classificação e com as boas apresentações.

nbb3Agora Mogi precisa manter a consistência no NBB (principalmente a defensiva), onde está na sexta colocação com 12-7 (enfrenta hoje Franca às 20h com transmissão do site da LNB), para ir bem não só na competição nacional como quem sabe para beliscar o inédito título da Liga das Américas. Faltam dois jogos para a grande glória que seria conquistar o caneco continental. Manter a chama acesa do que foi obtido em Bauru na semifinal do torneio é mais do que fundamental.

Para um elenco que jogava abaixo das suas capacidades (técnicas, táticas e coletivas) no começo da jornada, o que se viu no ginásio Panela de Pressão deve servir de espelho para a equipe mogiana. Jogar com a intensidade, disciplina e entrega que foram vistas em solo bauruense é meio caminho andado para terminar a temporada de maneira bem diferente daquela que começou a caminhada em 2015.


Raulzinho perde espaço com a chegada de novo armador no Utah Jazz
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Fábio Balassiano

mack1O que eu temia infelizmente aconteceu no Utah Jazz: “É bom que Raulzinho (o titular) e Trey Burke (o reserva que perde espaço e a confiança da franquia) abram o olho, evitando qualquer perda de minutos possível. Mack é mais experiente que os dois, e nessa briga por playoff que o Utah está pode ser que o tempo de rodagem faça a diferença para o técnico Quin Snyder“. Foi o que disse quando a franquia de Salt Lake City fez a troca que levou Shelvin Mack, de 25 anos e há quatro temporadas na NBA, para lá.

mack2Mal chegou, e Shelvin Mack já mudou a vida de Raulzinho. Para pior. O armador, ex-companheiro do astro do Jazz Gordon Hayward na faculdade de Butler (foto ao lado), saiu do banco no jogo contra o Portland (16 pontos e 6 assistências) no último domingo, jogando 24 minutos e causando boa impressão em sua estreia com a camisa do time. Naquele jogo, Raulzinho teve 10′ e quatro pontos apesar de ter sido titular. Ali a luz amarela de preocupação já ficaria acesa pelo brasileiro. Mack trouxe muita agressividade do banco de reservas e deu muito trabalho na defesa para Damian Lillard, um dos melhores jogadores da liga.

NBA: Houston Rockets at Utah JazzOntem, porém, ficou pior para Raulzinho. Na vitória contra o Houston Rockets na prorrogação (117-114) o brasileiro saiu de primeira para terceira opção na armação. O brasileiro, que atuou por apenas oito minutos, jogou bem menos até que Trey Burke (29′ e aparentemente o novo suplente da posição) e viu Shelvin Mack se tornar titular com uma ótima atuação. Em 32 minutos ele teve 17 pontos e 2 assistências, além de um arremesso decisivo no tempo-extra (07:40 do vídeo abaixo).

Após o jogo o técnico Quin Snyder explicou a mudança na formação titular: “Ele é novo em nosso time, mas tem experiência e isso pode nos ajudar. Mack jogou mais partidas de playoff (17) que todos os nossos jogadores juntos. É um fator importante que pode nos fazer chegar à pós-temporada, não tenho dúvida disso. Não precisamos ficar fazendo mudanças o tempo todo. Creio que iremos assim até o final da temporada regular”.

raul3A sorte de Raulzinho é que o período de trocas terminou. Não porque o Utah fosse movê-lo, mas porque isso evita que Rubén Magnano, técnico da seleção, solte alguma indelicadeza, como fez com Marcelinho Huertas no dia de ontem (o treinador afirmou que o armador do Lakers “tinha muita vontade de ser trocado, mas não conseguiu“). De todo modo, vale a pena ficar de olho, pois a situação de Raulzinho de agora até o final do certame pode não ser tão boa assim (em termos de minutos). É ótimo ele estar em um time que brigue e que talvez até jogue em playoff, mas é óbvio que a possível perda de espaço para quem vinha jogando mais de 20 minutos/jogo em janeiro e fevereiro assusta um pouco.


Armador Ricardo Fischer segue em evolução e pede passagem na seleção
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Fábio Balassiano

fischer1No dia 25 de janeiro de 2011 escrevi, ainda na casa antiga, sobre a ida de Ricardo Fischer para São José. Terminei o texto assim: “Sorte para o menino de 19 anos! Ele tem futuro!”. Dez dias depois ele estreou pelos joseenses e fez 11 pontos, chamando ainda mais a atenção de todos que o acompanhavam desde seu retorno da Europa para o Barueri (onde foi campeão Paulista juvenil e melhor jogador do campeonato de 2010). Era apenas o começo de uma trajetória que este blogueiro sempre acompanhou com atenção por acreditar que o rapaz de 1,83m e cabelo enfezado tinha um futuro imenso na modalidade.

fischerQuem acompanha este espaço já leu inúmeros textos sobre Ricardo Fischer (aqui tudo do blog sobre ele), e o que sempre me intrigou muito (positivamente falando) é o fato de que sua evolução não para (ainda bem!). Após dois NBB’s aprendendo com Fúlvio em São José, a mudança para Bauru (está lá há quatro temporadas).

Vi o título da Liga de Desenvolvimento em 2013 ao lado de seu amigo Gui Deodato. Os títulos por Bauru da Liga das Américas, Sul-Americana e Paulista em 2014/2015 já como comandante principal do time no lugar do seu também amigo Larry Taylor. E ano passado, no começo da temporada 2015/2016, as apresentações excepcionais contra o Real Madrid no Mundial Interclubes e o jogo contra o Knicks na NBA (triplo-duplo no Madison Square Garden). Escrevi, à época, que sua evolução já tinha inclusive chegado no teto em solo brasileiro, assunto reforçado no Podcast do qual ele participou na semana passada aliás.

fischerPara seguir crescendo no basquete (ou em qualquer esporte) não há segredo e com Ricardo Fischer não foi diferente. Com todos que converso a análise é sempre a mesma: ele é um tarado por treinamento e um estudioso do jogo. Não é coincidência, portanto, que esteja sempre colocando pedrinhas em sua caixa de ferramentas (seja ela na parte técnica ou física – em ambas ele melhorou muito de dois, três anos pra cá), tornando-se um atleta cada vez mais completo e pedindo passagem na seleção brasileira em um período crucial do ano – finais de Liga das Américas e playoffs do NBB. É o famoso “está crescendo no momento certo”.

fischer1O jogo de domingo contra o Quimsa reforçou essa maturidade e a capacidade que o armador foi criando ao longo do tempo para decidir quando sua equipe mais necessita. Precisando vencer por seis pontos, Bauru não tinha em Alex, Day e Jefferson as bolas de segurança para chegar aos seis pontos de diferença. Com Hettsheimeir marcado por Battle, coube a Ricardo Fischer assumir a partida, anotando pontos, quebrando a marcação adversária e ainda encontrando espaço para servir a Hettsheimeir após os bloqueios. Foi uma atuação magnífica, com 26 dos 73 pontos de Bauru saindo de suas mãos (um terço praticamente), e uma prova de maturidade e personalidade acimas da média.

fischer4Ricardo Fischer passou pela LDB, pegou um NBB mais estruturado e em crescimento e por conta de suas atuações excelentes em solo nacional foi campeão Pan-Americano pela seleção brasileira em 2015. É seguramente um produto do meio (do, digamos, novo formato de basquete implementado pela Liga Nacional por aqui), mas se não fosse a sua tara por seguir sempre evoluindo suas atuações teriam estacionado em algum momento de sua (ainda) curta carreira.

fischer2Não é o caso. Inquieto, Fischer é um garoto novo (24 anos), que tem muita margem de crescimento ainda (sua defesa pode ser ainda mais atuante, tema que será falado por Rubén Magnano certamente em todos os treinos com a equipe nacional) e que não para de evoluir.

Jogar pela seleção brasileira na Olimpíada seria um prêmio pelo que ele tem feito e uma porta aberta para, no futuro, termos na armação brasileira dois armadores tão diferentes e com trajetórias bem bonitas – ele e Raulzinho.