Bala na Cesta

Arquivo : janeiro 2016

Podcast BNC: A demissão de David Blatt do Cleveland Cavs
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Fábio Balassiano

lue1Com a presença do narrador Roby Porto, do Sportv, falamos da demissão de David Blatt do comando técnico do Cleveland Cavs na semana passada, do All-Star Game de Toronto que está a caminho, da ótima briga entre Warriors e Spurs no Oeste, do decepcionante Miami no Leste e muito mais!

Caso você prefira, o link direto está aqui . Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e bom programa!

Tags : NBA Podcast


Gerente da Liga Nacional fala sobre ações para aumento de público no NBB
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Fábio Balassiano

sergio3A respeito do post publicado aqui mais cedo em que mostrei de forma bem detalhada as médias de público do NBB desde a sua segunda temporada (até 2014/2015, o índice está em 1.063 pessoas/jogo), o blog ouviu Sérgio Domenici, Gerente-Executivo da Liga Nacional de Basquete desde a sua criação.

Foram três perguntas, que Sérgio, através da sempre educada assessoria de imprensa da LNB, respondeu de forma bem completa e esclarecedora. Vale dar uma lida com atenção.

sergio2BALA NA CESTA: Como a Liga Nacional  avalia o número de torcedores por jogo ao longo deste tempo? A falta de crescimento preocupa a LNB?
SERGIO DOMENICI: Não tivemos ainda o crescimento esperado, isso preocupa e temos que ficar atentos. No entanto é cedo para uma avaliação mais aprofundada. Início de temporada, parada de final de ano, crise financeira. Estamos conversando com as equipes. Constatamos também que algumas estão se movimentando para inverter esta situação, como Sorocaba, Brasília, Flamengo, que já conseguiram aumentar bastante seus públicos nas últimas rodadas.

sergio2BNC: O que a Liga e os clubes têm feito para que este número cresça? Existe alguma meta estipulada pela LNB neste quesito para os próximos anos?
SERGIO: O público é prioridade “zero”, ou seja, qualquer que seja a motivação para se fazer esporte profissional, se não houver público nada se justifica. E me refiro a público nos ginásios, nas audiências ou consumindo de alguma forma a modalidade. A conclusão é simples: se não há público, não há consumo, não há fãs e não há novos praticantes. Respondendo a sua pergunta: de maneira mais abrangente a Liga trabalha com uma comunicação muito forte para que os torcedores acompanhem as suas equipes. Hoje somos, inclusive, benchmarking para algumas entidades esportivas. Em relação aos clubes o trabalho hoje está concentrado nas suas assessorias de imprensa para levar seus torcedores ao ginásio. Temos que avançar neste aspecto. Temos que fazer com que um número cada vez maior de pessoas queira ir ao ginásio como uma alternativa completa de lazer e entretenimento, e é este trabalho que deveremos focar neste ano.

sergio1BNC: A presença de mais clubes “de camisa”, como por exemplo o Vasco, que virá na Liga Ouro, faz parte do plano da LNB para que público e a exposição do produto NBB cresçam? Ou não há relação?
SERGIO: Não há uma relação direta, embora saibamos que equipes como Vasco ou Sport, em se tratando de Liga Ouro, atraiam uma atenção maior da mídia além de terem uma base de fãs muito grande. Qualquer uma destas equipes que se classificarem para o NBB contribuirão muito neste aspecto. Por outro lado, Campo Mourão e Ginástico representariam a consolidação da LNB em importantes estados brasileiros. O que nos anima é saber que equipes tradicionais do basquete brasileiro voltam a atividade em função deste processo de retomada da modalidade e da qualidade do campeonato. O Palmeiras, por exemplo, já sinaliza um possível retorno. Quem sabe boas novidades como foi o Vasco este ano não continuem a surgir? Vamos aguardar.


Números mostram que público do NBB é pequeno e não cresce – veja análise!
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Fábio Balassiano

ginasio1Quem me acompanha (principalmente) nas redes sociais nota que nos últimos jogos do NBB tenho reclamado da ausência de público nos ginásios. Era, apenas, uma percepção (totalmente empírica, portanto) minha vendo pela televisão ou pisando nos ginásios (principalmente os do RJ , onde vivo), e decidi aprofundar a análise.

Solicitei, então, à Liga Nacional as médias de público do NBB desde a sua criação, e a entidade me enviou tudo, de forma bem transparente (como sempre) a partir da segunda temporada (quando imagino que este tipo de índice tenha sido medido). Vamos a alguns detalhes antes das imagens:

ginasio21) O que você verá a seguir é uma fotografia do produto NBB (e fotos não conseguem “mostrar” as especificidades da cada campeonato ou clube). Cada time tem a sua média (não consegui isso ainda), e a cada ano inúmeras variáveis influenciam na conta final (clubes de “camisa” e cidades que têm o “basquete na veia” sempre puxam pra cima, por exemplo);

fla12) Como você verá a seguir, entre o NBB2 (2009/2010) e o NBB7 (2014/2015) a média de público ficou em 1.063 pessoas. Entre estas temporadas, houve redução de público de 1.277 em 2009/2010 para 1.033 em 2014/2015. Desde 2012/2013, aliás, o NBB não registra crescimento (caiu 16% e 5% em relação aos anos anteriores).

3) Na última temporada o NBB registrou 1.033 pessoas por partida em todo o campeonato, com média de 875 na fase de classificação e 1.861 nos playoffs. Em relação ao certame anterior (2013/2014), as reduções ficam em 5% (total), 1% (fase de classificação) e 20% (playoffs).

fla14) O melhor NBB da história em termos de público aconteceu na temporada 2012/2013. Foi o que teve o Flamengo campeão, o Palmeiras (que debutava em NBB’s) e praças fortes como Joinville, Fortaleza (Basquete Cearense, que também estreava no certame) e Uberlândia. A média de 1.286 pessoas/partida, sendo 1.001 durante a fase de classificação e 3.274 nos playoffs, é 21% maior que a média do campeonato (na pós-temporada a variação frente a média fica em 34%).

ginasio35) A média de público da atual temporada (849 pessoas/jogo) conta apenas com os dados do primeiro turno (ainda faltam alguns jogos de Brasília, que estava na Liga Sul-Americana). Mesmo assim, os números não são animadores – queda de 2,9% em relação à 2014/2015, 13,8% em relação ao NBB2 (2009/2010) e terceiro pior índice histórico (à frente apenas dos 711 de 2010/2011 e 835 de 2011/2012).

Vamos aos gráficos (se quiserem ampliar, cliquem nas imagens):

a) Todas as Médias (Total, da Fase de Classificação e Playoff)

publicototal

b) Variação da média total de público em relação ao ano anterior (total e fase de classificação)

variacao1
variacao2

c) Média Total do campeonato

campeonato1

d) Média da Fase de Classificação (apenas o primeiro turno da atual temporada)

faseregular1

e) Média dos playoffs

playoffs

E aí, qual a sua análise em relação a isso? NBB indo no caminho certo? Ou os números ainda são muito pequenos? Depois tecerei comentários sobre o que penso disso tudo, prometo!

Tags : LNB NBB


Com Desafio dos Calouros, outro passo na ‘escada’ da carreira de Raulzinho
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Fábio Balassiano

raul1Na quarta-feira o armador Raulzinho, do Utah Jazz, foi escolhido para fazer parte do desafio dos jogadores de primeiro e segundo anos nascidos nos Estados Unidos contra os estrangeiros. O evento acontecerá durante o All-Star Weekend de Toronto na sexta-feira, 12 de fevereiro, e o brasileiro repetirá o feito de Nenê, que fez parte da mesma partida em 2003 (como novato) e em 2004 (em sua segunda temporada da NBA) e até então era o único atleta do país a participar da festa.

raul1Ninguém é maluco de dizer que jogar em uma partida festiva assim é sinônimo de sucesso eterno na NBA. Não é. Há atletas que participaram deste tipo de partida e não duraram muito na liga depois disso. Mas para Raulzinho vale. Vale por ser mais um degrau que ele escala na escada da sua carreira que começou lá atrás, em 2008/2009, pelo Minas no NBB.

Raulzinho tem mostrado, temporada após temporada, não apenas que pode ser um bom armador, mas uma evolução que sinceramente ninguém consegue dizer em qual estágio ele vai parar (se seguirá sendo bom, ou se progredirá para se tornar excepcional). Do Minas, onde era uma promessa, para Gipuzkoa (Espanha), deste para o Murcia, e do Murcia para a NBA sempre houve algo diferente, uma melhoria em alguma parte de seu jogo, como demonstram abaixo seus números.
raul6

raul2Para quem tem apenas 23 anos, já joga como titular (só foi reserva em um dos seus 44 jogos do campeonato) e encara a primeira temporada em um time bom (bom pra cima) da NBA como é o Jazz (atualmente com 20-25 e brigando pela oitava vaga no Oeste) com certa naturalidade e sabendo que faz para de seu processo de crescimento / amadurecimento (vendo as partidas do Utah não dá para sentir o brasileiro nervoso), isso é um ótimo sinal. Prova que o armador não está satisfeito, não está parado e quer sempre colocar algum “tijolinho” diferente em seu arsenal (ofensivo, defensivo, físico, mental etc.).

raul3As médias de Raulzinho (5,6 pontos, 2,3 assistências e 19 minutos/jogo) são tão razoáveis quanto tímidas para um garoto que enfrenta bambas da posição todos os dias (não deve ser fácil esbarrar com Steph Curry e Chris Paul em partidas seguidas como foi em 23 e 26 de dezembro do ano passado, por exemplo) e que sabe que ainda precisa evoluir muito. Ao mesmo tempo, conhecendo o camisa 25, que tem a confiança do técnico (Quin Snyder), o carinho dos companheiros e o monitoramento da franquia Jazz, dá para vislumbrar que ele seguigrá melhorando ainda mais.

raul4Se seria exagero dizer que o céu é o limite para Raulzinho, não me parece loucura afirmar que o seu melhor ainda está por vir (qual será este ‘melhor’ é que é impossível dizer).

Jogar o Desafio dos Novatos no All-Star Weekend é o prêmio para o garoto que começou lá atrás, passou por muita coisa na Europa e que agora está apenas iniciando a sua carreira no melhor basquete do mundo.


O indecifrável Chicago Bulls – como explicar tanta irregularidade?
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Fábio Balassiano

butler1Os números não explicam bem o comportamento irregular do Chicago Bulls, quarto colocado do Leste com 25-19. Em termos individuais a franquia tem um real candidato a MVP (entre os humanos) da temporada 2015/2016 da NBA em Jimmy Butler, autor de 22,3 pontos, 5,3 rebotes, 4,2 assistências e dono de algumas atuações memoráveis (em Toronto, com 40 pontos no segundo tempo, e em Filadélfia, com 53 pontos, por exemplo), além de ótimas peças de apoio no elenco (Pau Gasol tem ótimos 16,6 pontos e 10,9 rebotes e Derrick Rose contribui com 15,3 pontos e 4,2 assistências). Na defesa a equipe permite a conversão de apenas 42% dos arremessos dos adversários, melhor marca da liga (apesar disso, quando permite 100+ pontos dos rivais tem 6-16). Daria, facilmente, para ter confiança em um time assim, certo?

fred1Errado. Bem errado. Em que pese o esforço defensivo dos Bulls para impedir que os rivais pontuem com facilidade (em alguns momentos a agressividade na marcação faz a gente pensar que Tom Thibodeau ainda está lá no banco de reservas treinando a galera), o ataque do Chicago empaca mais que Fusca 78 subindo ladeira. É o quinto pior da temporada 2015/2016 da NBA, com 43,3% de acerto nos chutes, apesar dos 101,3 pontos por noite. Isso é meio inexplicável para um time que tem tantas armas ofensivas assim (Rose, Butler, Gasol, Mirotic, Gibson, Brooks etc.) e para um técnico (Fred Hoiberg) que foi trazido justamente para dar um jeito em algo que todo mundo criticava em Thibs – a ausência de criatividade no setor ofensivo.

bulls1Os números, porém, não são tão ruins assim e insisto que não é por eles que a gente vai entender quão inconstante é este Chicago Bulls. Tem, sim, muito do fato de Fred Hoiberg ser um técnico novo, até certo ponto inquieto, em alguns momentos meio “leve” para cobrar os atletas (como o próprio Jimmy Butler já reclamou publicamente…) e que já mexeu cinco vezes no time titular. Há, também, a ausência do lesionado pivô Joakim Noah, que talvez nem vista mais a camisa da franquia (seu contrato vence no final da temporada). Mas tem, sobretudo, uma falta de concentração dos atletas que beira o bizarro.

gasol1Como explicar que em uma sequência (a última) de três jogos o comportamento da equipe tenha sido tão diferente entre as partidas? Os Bulls foram presas fáceis contra o bem armado time do Boston (110-101) ao levarem 64 pontos no primeiro tempo. No dia seguinte, duelo contra os Cavs em Cleveland. Vitória tranquila, convincente até, por 96-83. O time marcou bem, atacou de forma espaçada, cinco jogadores tiveram 10+ pontos e não deixou a menor dúvida contra LeBron James e companhia. Logo depois veio o não menos inconstante Miami em Chicago na segunda-feira. O que aconteceu? Derrota por 89-84 após levar 28-16 no último período. Em casa. E com Dwyane Wade lembrando o Dwyane Wade com 23 anos de idade (10 pontos no último período).

fred2Dá pra explicar este Chicago? Quer mais exemplos? É este Chicago que, vale lembrar, precisou dos 53 pontos para vencer os Sixers (o pior time da NBA), fora de casa. Chicago que, vale reforçar, foi o responsável bater o Oklahoma City Thunder de maneira categórica no Natal fora de casa (105-96). Chicago que, caramba, levou uma surra de 125-94 do Warriors em casa faz uma semana.

O problema, ao meu ver, está em equilibrar bem o que o “legado” de Thibodeau deixou (a defesa) ao que ainda não está fluindo como deveria (o ataque e a capacidade de concentração do time). Da parte técnica deste ótimo elenco dos Bulls ninguém pode falar muita coisa. O complicado, no momento, está em confiar em uma equipe que na mesma semana ganha jogos contra ótimos adversários e perde de maneira apática para rivais não tão qualificados assim.

Time por time, na conferência Leste eu não tenho a menor dúvida em dizer que os Bulls seriam os que mais dariam trabalho a Lebron James e companhia. O duro é imaginar que é bem possível que o Chicago caia antes por conta de sua própria irregularidade. Atualmente é impossível decifrar o time de Fred Hoiberg, que hoje enfrenta o Lakers na Califórnia.


Pré-Olímpicos Mundiais são definidos – veja chaves e regulamentos
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Fábio Balassiano

A Federação Internacional de Basquete (FIBA) definiu ontem como serão os Pré-Olímpicos Mundiais que colocarão as últimas seleções no Rio-2016. Vamos lá:

fiba1No masculino irá funcionar assim (figura ao lado). São três locais (Sérvia, Filipinas e Itália), partidas entre 4 e 10 de julho e APENAS o campeão de cada sede jogará o Rio-2016. Cada torneio terá o seguinte regulamento: são dois grupos com três seleções cada. Os dois melhores de cada chave fazem a semifinal. Ganhadores disputam a decisão, e o campeão de cada “regional” virá para a Olimpíada no Rio de Janeiro.

milos1Quem se deu bem nessa história toda? A Sérvia, que jogará em Belgrado e não terá rivais tão fortes assim (Milos Teodosic, na foto, agradece). Quem está realmente em apuros? França, Canadá e Turquia, que estão na mesma localidade (Filipinas), e Grécia, México, Itália e Croácia (jogarão em Turim). Lembrando que apenas dois europeus se classificaram via EuroBasket, causando essa verdadeira confusão agora no Pré-Olímpico Mundial. Ah, e quem já está dentro: EUA, Brasil, Austrália, Nigéria, Venezuela, Argentina, Lituânia, Espanha e China. Os três campeões do Pré-Olímpico Mundial completam os 12 do Rio-2016.

fiba2O Pré-Olímpico Mundial Feminino é diferente. Será disputado apenas em um local (Nantes, na França), entre os dias 13 e 19 de junho e com os CINCO primeiros vindo ao Rio-2016.

O regulamento é assim: são quatro grupos com três seleções em cada (figura ao lado). Os dois melhores avançam e fazem as quartas-de-final. Quem vencer esta etapa já estará automaticamente na Olimpíada. Quem perder vai para a repescagem e apenas o quinto colocado carimba o passaporte para os Jogos Olímpicos.

franca1Quem se deu bem nessa história? A França, atual vice-campeã olímpica, que jogará em casa e pegará provavelmente a Argentina (segunda colocada do Grupo B) nas quartas-de-final, e a Espanha, que tem tudo para pegar Nigéria ou Coreia do Sul no jogo que vale vaga nos Jogos Olímpicos. Lembrando que no feminino já temos os seguintes países garantidos: EUA, Brasil, Austrália, Canadá, Sérvia, Japão e Senegal. Faltam, portanto, os cinco que sairão do torneio mundial pré-olímpico de Nantes.

Palpites para quem avança ao Rio-2016? Aqui vão os meus: Sérvia, Itália e França no masculino. França, Espanha, Bielorrússia, Turquia e China.


O abalo que a surra do Warriors pode causar no Spurs
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Fábio Balassiano

pop1Foi um jogo de homens contra meninos“. “Quase ganhamos… Mentira, estou brincando para tentar amenizar“. “Estou aliviado que meu chefe não estava no vestiário porque estaria demitido agora“. “Não tenho ideia de como pará-los. Não posso controlar a velocidade deles“. “É um time espetacular e muito disciplinado“. “Não é só um time executando bem o que o técnico pede. Eles têm muita agressividade na execução também“.

Foi assim que, em entrevista coletiva, Gregg Popovich reagiu à surra que o seu San Antonio Spurs levou do Golden State Warriors na noite de segunda-feira em Oakland (120-90). Não foi com raiva, não foi com ironia, não foi com estupidez (como ele vira e mexe faz com a imprensa). Foi com resignação, algo que a gente não está acostumado a ver de alguém tão competitivo e perfeccionista quanto Pop. Creio que esta seja a melhor palavra para descrever o sentimento do técnico texano após ver seu time sofrer com isso aqui abaixo, ó:

curry1Pudera. Não há como dourar a pílula nesta situação realmente. Pop poderia falar da ausência de Tim Duncan, mas uma diferença de 30 pontos entre os dois melhores times de basquete da atualidade pode dar a medida do que está por vir (no playoff, próximos campeonatos, sei lá).

A verdade é que revendo o jogo ficou claro que o San Antonio tentou de tudo para segurar Steph Curry: Tony Parker, Danny Green, Patty Mills, Manu Ginobili, Kawhi Leonard (o que levou a finta linda no vídeo aqui de cima), Jonathon Simmons, marcações duplas e pressão na bola desde o campo defensivo. Em vão. O camisa 30 do GSW terminou com 37 pontos (6/9 de três pontos) em 28 minutos, e se tivesse jogado o último período chegaria, brincando, a 50, tamanha a facilidade que arremessava. Um Spurs que leva, em média, 90,4 pontos por jogo (1,87 ponto/minuto) sofreu 92 do Warriors. Em três períodos (média de 2,6 pontos/minutos, algo absurdo). Parecia, de fato, um jogo de um time adulto contra um juvenil (juvenil que vinha de 13 triunfos consecutivos). O bizarro é notar que o treinador da equipe “de criança” de segunda-feira chama-se Gregg Popovich.

curry3Não é pouca coisa o que o Golden State fez, portanto. Não pela vitória, que pode nem valer a primeira colocação do Oeste, não tanto pelo chocolate (em uma semana foram surras em Cleveland, Chicago e San Antonio, três dos melhores times da NBA). Não é isso.

Mas sim por ter sido o primeiro (e aguardado) encontro dos dois melhores times da liga na temporada 2015/2016, pelo que ela (a porrada) causará no lado psicológico do Spurs pensando em futuros encontros e pelo fato de, com a resignação apresentada no final da partida, aparentemente Gregg Popovich não ter a menor ideia do que fazer para segurar o Golden State.

curry5Na real, na real mesmo? Pode ser que em um, dois, três meses o ritmo do atual MVP diminua, que um treinador encontre uma fórmula mágica, que o próprio Spurs consiga derrotar o Warriors em uma eventual final do Oeste com quatro magníficas vitórias. Hoje em dia, no entanto, não há técnico, jogador ou time no mundo capaz de frear Steph Curry. Simplesmente não há.

Que a gente se ajeite na cadeira, e bata palmas para o magriça. O que ele está conseguindo é algo raríssimo não no basquete, mas no esporte de modo geral. Deixar os adversários resignados, sem saber como agir, preparados candidamente para serem abatidos, é para poucos.


Instável, confuso e ‘maluco’ – como o Kings está na zona do playoff da NBA?
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Fábio Balassiano

cousins1O Sacramento entrou em quadra ontem à noite na NBA. Não era o jogo mais aguardado de segunda-feira (este foi o que o Golden State Warriors passou em casa contra o San Antonio Spurs por 120-90), mas apesar da derrota em casa diante de 17 mil pessoas na Sleep Train Arena contra o Charlotte na segunda prorrogação por 129-128 acabou servindo para ratificar os Kings na oitava posição do Oeste (20-24) em uma caminhada que nem o mais otimista torcedor poderia prever depois do início da temporada 2015/2016. Provando de boa fase, Rajon Rondo distribuiu 20 assistências, e DeMarcus Cousins finalizou a peleja com seu recorde pessoal de 56 pontos.

karl1Antes do campeonato escrevi aqui que em termos de talento ninguém poderia duvidar que o Sacramento chegasse enfim a um playoff que não vem desde 2006 (a última vitória em pós-temporada foi em 30 de abril daquele ano contra o Spurs). Só que aí a NBA deu a largada e com ela os problemas conhecidos do Sacramento brotaram como sempre brotam: DeMarcus Cousins tomando falta técnica a torto e a direito, Rudy Gay envolvido em rumor de troca na primeira semana do certame, Rajon Rondo tendo que se controlar para não entrar em rota de colisão com o técnico George Karl, uma frustrada contratação de Seth Curry para a ala e o retrospecto de 12-20 para fechar 2014.

divacMuita gente dava como certa uma mudança brusca de direção, com Vlade Divac indo ao mercado trocar o “doidão” Cousins pela primeira oferta que pintasse (o Boston seria o principal interessado) e tentando se livrar de Rudy Gay e seu contrato milionário (US$ 28 milhões pelos próximos dois anos). Longe de sua principal característica, Divac preferiu, com calma, remediar com o que tinha ao invés de negociar para receber o inesperado. E tem dado certo.

karl2Antes da derrota ontem contra o Charlotte eram cinco vitórias seguidas, 8-3 em 2015 e a oitava colocação do Oeste (aparentemente a disputa pela última vaga no playoff desta conferência ficará entre Kings, Jazz, Pelicans, Blazers e Nuggets). É válido citar o técnico George Karl, que agora é o quinto técnico com maior número de triunfos na temporada regular da história da NBA (1.156, atrás apenas de Pat Riley, Jerry Sloan, Lenny Wilkens e Don Nelson) e que teve paciência para encontrar a melhor formação sem jogar o elenco todo ao fogo, mas a boa fase do Sacramento passa necessariamente pelos ótimos momentos de Rajon Rondo e DeMarcus Cousins.

rondo1Rajon Rondo estava vivendo uma sequência de insucessos em sua carreira que muita gente já o havia descartado da NBA. Em uma época de armadores fortes, rápidos e muito pontuadores, estava difícil ver como o cerebral-porém-mão-de-pau líder do Boston campeão poderia se encaixar na liga. Ainda mais depois da terrível briga que teve em Dallas com Rick Carlisle ano passado. Depois de acenar com uma ida para o Lakers que não houve, o camisa 9 optou por assinar um contrato de apenas um ano com o Sacramento. Se desse certo, estaria em alta no mercado em 2016. Se desse errado, talvez fosse sua última chance. O começo do campeonato não foi animador. Além de bater de frente em algumas vezes com Karl, Rondo foi suspenso pela NBA em dezembro ao xingar o árbitro com uma ofensa de baixíssimo calão justamente em uma partida contra o seu ex-time (o Celtics) no México.

DeMarcus Cousins, Rajon RondoAli tudo parecia desabar, mas o armador conseguiu se equilibrar e voltar a jogar o melhor basquete. É o líder da NBA em assistências (11,6), o dínamo defensivo que sempre foi, o segundo com mais triplos-duplos (são 6, sendo dois nos últimos três jogos) e o mentor que DeMarcus Cousins nunca teve em Sacramento para lhe ensinar não sobre a melhor maneira de agir dentro e fora das quadra, mas para lhe dar alguns toques sobre leitura de jogo. Veja só no vídeo abaixo quando ele aponta para Cousins o que irá acontecer no ataque do Atlanta Hawks no último segundo da partida.

cousins5Se Rajon Rondo ajuda nos passes (e com um pouco de experiência e liderança), na pontuação quem está sobrando no Sacramento (e também na NBA como um todo) é DeMarcus Cousins. Disparado o melhor pivô da atualidade (pelo lado técnico da coisa, que isso fique claro), ele despeja 26,7 pontos por jogo e ainda contribui com 11,7 rebotes, 2,7 assistências e razoáveis 34,7% nas bolas de três (sim, o camisa 35 tem se arriscado de mais longe também, com 3,5 tentativas por partida nesta temporada). Já são 25 duplos-duplos do cara que desperta o pânico das defesas adversárias.

cousins6Aqui, aliás, vale citar um ponto. A entrada do calouro Willie Cauley-Stein no time titular em janeiro fez com que Cousins pudesse se preocupar mais em atacar a cesta, deixando grande parte do “trabalho sujo” da marcação perto do aro do Kings para o calouro (esta foi outra mexida interessante de George Karl). Com Boogie mais “solto”, seus números subiram loucamente em janeiro (para 32,7 pontos e 13,7 rebotes), com direito a uma exibição de gala contra o Indiana Pacers na semana passada (48 pontos e 13 rebotes). Se mantiver a cabeça em ordem, algo que até o mês passado parecia impossível, ele e o Sacramento só terão a ganhar.

rudy1Além da dupla, Rudy Gay não pode ser esquecido. Considerado um “enganador de números” por muita gente (dizem que suas médias escondem suas deficiências na defesa e o não tão bom relacionamento que ele cultiva no vestiário – eu não sei bem se concordo com isso…), ele entrega 17,9 pontos, 6,8 rebotes e 46,6% de conversão de arremessos. Não considero desprezível um jogador que consegue média superior a 17 pontos há uma década na melhor liga de basquete do mundo, não. Saber que não é a principal opção ofensiva também ajuda, pois a pressão em cima dele fica menor e faz com que mais espaços surjam, como aconteceu na semana passada quando o ala matou uma bola decisiva em Utah.

casspiÉ importante falarmos também de Omri Casspi. Melhor amigo de Cousins, cabe ao israelense amansar a fera quando a cabeça do pivô vai para as nuvens e também matar as bolas de três quando a marcação dobra no gigante perto da cesta. Recentemente alçado a condição de titular, o ala de 27 anos responde com as boas médias de 14,5 pontos, 7,1 rebotes e 48% nas bolas de três quando começou as 17 últimas pelejas. Se não é um primor defensivo, ao menos tem potencial físico suficiente para incomodar os rivais e também para, quando necessário, atuar com o famoso “quatro aberto”, deixando o garrafão livre para Boggie fazer seus drives.

marcoAlém dele, Marco Belinelli (foto) mostra-se uma boa opção vindo do banco (10,8 pontos) no perímetro (antiga deficiência da equipe), Darren Collison tem conseguido jogar muitíssimo bem substituindo ou junto com Rajon Rondo (12,7 pontos e 4,2 assistências) e o novato Willie Cauley-Stein, como disse acima, aos poucos se habitua a atuar com Cousins perto da cesta e a se virar sem ele quando o craque do time descansa um pouco. A média de 7,2 pontos e 6,6 rebotes é razoável para quem está começando, e sua presença defensiva deve ser destacada.

cousins20Irregular, com contratações de Divac nas férias que aparentemente não faziam muito sentido, instável no vestiário e liderado por dois seres cujo lado psicológico nunca foi o forte (Rondo e Cousins).

É assim que o Sacramento vai brigando pela oitava posição do Oeste. Até a próxima crise estourar, ninguém pode dizer que os Kings não poderão chegar aos playoffs depois de 10 anos.


Em casa, Warriors recebem Spurs, que vão poupar Tim Duncan
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Fábio Balassiano

leonard1A madrugada de segunda para terça-feira tem tudo para ser agitadíssima. A partir de 01h30, o Golden State Warriors (40-4) abre o seu ginásio para medir forças com o San Antonio Spurs (38-6). São simplesmente as duas melhores equipes da NBA, e os grandes favoritos a chegar à final do Oeste. O Sportv exibe a peleja.

Mestre da estratégia, Gregg Popovich, técnico do Spurs, já avisou que o veterano Tim Duncan está fora do duelo. Kawhi Leonard (que briga pelo MVP da temporada regular contra Steph Curry, do rival de logo mais), Tony Parker, LaMarcus Aldridge, Manu Ginóbili e companhia, no entanto, estão confirmados e o San Antonio tem o melhor elenco da liga.

duncan1De todo modo, vale se debruçar um pouco na ausência do camisa 21. O Twitter oficial do time texano colocou que Duncan está com dores no joelho, e este o motivo oficial para a ausência do ala-pivô. Mas a gente sabe como funciona em San Antonio: o foco está, sempre, na pós-temporada, em poder descansar ao máximo as peças principais da equipe (ainda mais as veteranas). Se isso não fosse o bastante, Pop dá um recado claro ao Warriors: “Eu não vou dar a menor pista do que posso fazer em uma eventual final do Oeste”. Quer mais? O veterano treinador deixa o benefício da dúvida em caso de uma derrota (“Como seria se Tim Duncan estivesse lá?”). Gostemos ou não, é o estilo dele e da franquia. Tem dado certo há duas décadas e certamente eles não irão mudar tão cedo.

kerr1Do outro lado o Golden State, ainda invicto em seu ginásio nesta temporada (20-0), tenta manter o bom momento desde a vitória animalesca contra o Cleveland Cavs na semana passada em Ohio (o jogo que de fato derrubou David Blatt da franquia de LeBron James). Aqui, aliás, cabe um detalhe: os Warriors fizeram 120 ou mais pontos nas últimas três partidas (Cavs, Bulls e Indiana na sexta-feira). Do outro lado, hoje, estará a melhor defesa da NBA (89,8 pontos sofridos e 42% de conversão de arremessos dos rivais). Como lidará o melhor ataque da liga (114,7 por noite, e quase 49% de conversão nos chutes)?

curry11Sem jogar desde sexta-feira (de segunda-feira passada até hoje, na verdade, foram apenas três jogos, algo bem diferente do que foi a maratona de dezembro, com 13 jogos), os Warriors, agora com Steve Kerr de volta ao banco de reservas (o treinador passou por uma cirurgia na coluna e ficou os 40 primeiros jogos se recuperando), estão relaxados e sabem que, por mais que os Spurs tentem diminuir o “tamanho” do jogo de hoje, a partida tem, sim, muito valor (principalmente para a definição da melhor campanha da conferência na fase regular). É o tipo de jogo que Steph Curry, Klay Thompson e Draymond Green adoram, a gente sabe disso.

Independente da ausência de Tim Duncan (a única confirmada até o momento), tem tudo para ser um jogaço de bola em Oakland. Quem será que vence? Comente aí!


A esperada e discordável demissão de David Blatt do Cleveland
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Fábio Balassiano

blatt2“Eu vi de perto (…) LeBron essencialmente pedindo tempos e fazendo substituições. LeBron abertamente gritando com Blatt após decisões que ele não gostava. LeBron se reunindo com os assistentes e olhando para todos, menos para Blatt. Teve LeBron, em um caso que testemunhei atrás do banco, balançando a cabeça intensamente de forma negativa depois de uma jogada que Blatt desenhou no jogo 5, juntando a reação mais alta não verbal que você possa imaginar. E que forçou Blatt, em frente do time todo, a apagar o que estava escrito na prancheta e desenhar outra coisa“. Este relato é do dia 14 de julho, e foi escrito pelo ótimo Marc Stein, da ESPN americana (detalhes em inglês aqui e em português, aqui).

blatt1Começo este texto assim porque não causou espanto, ontem, a demissão de David Blatt do comando técnico do Cleveland Cavs. Não causou espanto o fato (a saída do técnico), que isso fique claro, mas sim o momento (este tópico deixo mais pra frente). Ainda mais pela declaração de LeBron James depois da derrota vexatória em Ohio para o Warriors nesta semana: “Foi um exemplo de quão longe estamos de ganhar um título. Contra os melhores times você quer jogar bem, e nós não fizemos isso ainda. Estamos com 0-3 contra Warriors (0-2) e Spurs (0-1)”. Eu cheguei a escrever isso aqui inclusive no Twitter depois da vitória do Golden State: “Algo me diz que o caldo do Blatt vai entornar depois dessa“.

blatt3Para tentar entender bem o que se passou para David Blatt sair do Cleveland é fundamental “esquecer” (se é que é possível) a campanha de 30-11 nesta temporada e a de 53-29 em 2014/2015. Blatt, educadíssimo com todos (relembre a entrevista que fiz com ele) e com inúmeros méritos de ter chegado à final passada, podia cravar a melhor marca da história, mas para seus jogadores ele era visto como um cara inexperiente na NBA por ter iniciado sua trajetória na liga apenas em 2014. Soa ridículo, mas era assim.

blatt4E aí há dois pontos que não se encontram nesta curva: 1) Os Cavs o trouxeram da Europa para Ohio não apenas para treinar uma equipe que à época estaria em formação com o primeiro pick do Draft (depois é que veio a contratação de LeBron James e a troca de Andrew Wiggins por Kevin Love), mas também para tentar uma mudança de cultura, para tentar mostrar aos atletas uma nova forma de ver e jogar o esporte; 2)Para o elenco, só valia mesmo chegar à final e ganhar o título. De aprender coisas novas de basquete, do jogo em si, eles não queriam saber muito. E, pra eles, Blatt inacreditavelmente era um calouro. Por mais que isso seja uma aberração, um acinte, um disparate, uma prova de falta de conhecimento até (o cara tem 20 anos treinando em alto nível, uma medalha olímpica, títulos importantes), é óbvio que isso faria com que houvesse vários choques, né?

blatt5Querem um exemplo? A surreal declaração de Kyrie Irving depois da vitória de 31 de outubro de 2014 em Chicago está aí para quem quiser consultar: “Fizemos uma festa para ele no vestiário agora há pouco. Demos a bola do jogo pra ele, porque foi a sua primeira vitória na liga. Chamo o Coach Blatt de o Virgem da NBA entre nós. Para nós, atletas, ele é um calouro mesmo“. Os jogadores não escondiam de ninguém isso – nem da imprensa.

blatt6Há, ainda, um fator complicador nisso tudo. Ele atende pelo nome de LeBron James e todo mundo sabe disso. O cara voltou a Cleveland para ser campeão. Voltou a Cleveland para ser campeão e com a chave do time para dar pitaco em qualquer coisa (vide o que ele disse recentemente de James Jones – “Enquanto eu estiver jogando ele estará ao meu lado”). E ponto. Qualquer coisa menor que isso não servirá para ele. Não o culpo, e seu objetivo profissional sempre ficou claro para todos. Tanto foi assim que a diretoria trocou Andrew Wiggins por um jogador experiente logo de cara. O recado foi claro: “Ganhemos logo, não importa o amanhã”. Por essa, digamos, perspectiva histórica o camisa 23 não “comprou o barulho” de David Blatt desde sempre. Para ele, o melhor jogador do mundo, era absurdo ser treinado por alguém que estaria aprendendo com a NBA, deixando seu sonho de ganhar pelo time de seu Estado o tão sonhado título mais longe. No final da temporada passada, LeBron completaria 12 anos na liga. Blatt, seis meses. Por mais triste que isso seja, é assim que funciona a cabeça de LBJ.

riley1Cabeça de LBJ que, diga-se, não tem em Cleveland um Pat Riley por trás como havia em Miami. Erik Spoelstra, técnico do Heat, era tão (ou mais) inexperiente que David Blatt. Dando amparo a Spo e conselhos a LeBron, porém, estava Riley, dono de 715 títulos e com currículo e moral suficientes para segurar qualquer cara feia de sua maior estrela. Houve, claro, momentos complicados na relação de um elenco estelar com um treinador que iniciara a sua trajetória como técnico em 2008 (dois anos antes de LBJ e Chris Bosh chegarem). Em todos o bombeiro veio com seu gel no cabelo e terno bem cortado para aparar as arestas. Fez a diferença – quatro finais, dois títulos e um dos melhores times da história.

lue1Isso não acontecia em Cleveland. Não era incomum ver LeBron James conversando Tyronn Lue (agora contratado como técnico principal até o final desta e da próxima temporadas) durante os jogos e fazendo elogios públicos a ele (“Lue está pronto para ser treinador de uma grande franquia”, dizia LBJ). David Griffin, o gerente-geral (na teoria), nada fez. Para o ala, ter alguém com estofo, com milhagem de NBA, era essencial (e eu não concordo com isso, obviamente). Blatt não tinha isso, e nunca recebeu, internamente, apoio de LeBron para seguir com o que achava correto. E se o principal soldado da esquadra não chancela as decisões do chefe da missão, sabemos que a faísca está pronta para virar uma explosão na primeira curva mais difícil, né?

griffinDo meu canto eu só não entendo porque a medida não foi tomada antes da temporada 2015/2016 começar. Se havia uma animosidade no vestiário entre jogadores e treinador (e havia), por que não dar tempo ao novo comandante com uma pré-temporada inteira e um campeonato completo para ajustar o time até os playoffs, quando o Cleveland será realmente testado? Do jeito que foi feito, Tyronn Lue terá menos de três meses de trabalho com a sua filosofia até o playoff (com uma All-Star Weekend no meio – e ele será o técnico do Leste, por mais bizarro que isso seja) e será cobrado como foi David Blatt caso não consiga levantar o troféu. Qual o motivo da insistência de David Griffin, o gerente-geral (na teoria) do Cavs? Os jogadores iriam mudar de ideia, tratando Blatt melhor? Não iriam (como não mudaram). Nas primeiras quedas (derrotas para Warriors, Spurs e de novo Warriors em menos de 30 dias), os problemas iriam voltar (como voltaram). Faltou, ao meu ver, uma análise mais minuciosa de cenário, um planejamento um pouco mais adequado com as pretensões do que a franquia quer (título, título e só título). Talvez em junho de 2016 Griffin se arrependa do movimento que não fez em agosto de 2015.

blatt20Por isso tudo digo que a situação de David Blatt não deve ser analisada pelo lado técnico da coisa. Por mais que tenha cometido erros (e nesta temporada o retrospecto de 30-11 explica-se muito mais pela grandíssima superioridade que o Cleveland tem no Leste do que por uma melhora em relação ao campeonato passado), seu calcanhar de aquiles em Ohio não era sua bagagem tática que ele trazia consigo. O problema de Blatt, mesmo, era o fato de ele ser visto pelos jogadores como um cara que ainda estava aprendendo com a NBA, sendo (na visão dos atletas) incapaz de, com instruções importantes, levá-los ao próximo nível (título).

blatt25Por fim, digo que para mim isso que os jogadores do Cleveland pensam é uma bobagem. Há grandes técnicos que nunca jogaram profissionalmente (Gregg Popovich) e outros que foram craques atuando e não tão bons na prancheta (Isiah Thomas, por exemplo). David Blatt é um excepcional treinador e pode muito bem continuar treinando na NBA (se fosse ele, optaria por um time em reconstrução, o que lhe daria tempo para colocar em prática as ideias e o basquete que ele acredita). No Cavs, a máxima de que quem manda prender e manda soltar na liga profissional norte-americana são os jogadores mais do que nunca está válida. Quando neste grupo de jogadores encontra-se o melhor do planeta então…

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