Bala na Cesta

Arquivo : novembro 2015

Warriors iniciam série de 7 jogos fora de casa – cairá a invencibilidade?
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Fábio Balassiano

dray1A grande história da temporada 2015/2016 da NBA até o momento atende pela invencibilidade (e melhor começo da história da liga) do Golden State Warriors. No sábado em casa o time contou com o segundo triplo-duplo seguido (13 pontos, 11 rebotes e 12 assistências) do excelente Draymond Green (na foto) para chegar a 18ª seguida ao bater o Sacramento por 120-101, conseguindo descansar suas feras (Steph Curry e Klay Thompson tiveram menos de 30′, Harrison Barnes foi poupado e Andre Iguodala e Andrew Bogut jogaram menos de 25′) em outra performance incrível na linha dos três pontos (16/30) e 32 assistências nos 39 arremessos convertidos.

gsw1Não custa lembrar que a maior sequência de vitórias da história da NBA em uma mesma temporada foi a do Los Angeles Lakers em 1971-1972 com 33, mas isso ainda está um pouco longe para Steph Curry e companhia. A pergunta que fica, agora, é: quando o Golden State Warriors vai perder? Na foto ao lado (se for preciso clique nela para ampliar) separei todos os jogos até o final de 2015. E o perigo para a queda da invencibilidade pode estar mesmo nos próximos duelos.

curry1Depois de sábado os Warriors embarcaram para uma série de sete partidas fora de casa que começa hoje (seis no Leste). Os atuais campeões terão Jazz (nesta segunda-feira), Hornets (quarta-feira), Raptors (sábado), Nets (domingo), Pacers (8/12), Celtics (11/12) e Bucks (12/12) em uma turnê que, se não é tão complicada quanto medir forças com bambas do Oeste longe do lar (Spurs, Grizzlies, Rockets ou Clippers, por exemplo), sempre mexe com as estruturas de qualquer equipe porque há, além dos rivais virem babando querendo acabar com a festa do GSW, um enorme desgaste com viagens, hotéis e fusos diferentes.

klay1Caso saia ileso desta série de sete partidas longe do lar o Golden State volta pra casa para cinco dos sete últimos jogos de 2015 diante de sua torcida (para a NBA seria muito genial se a sequência invicta se mantivesse até o Natal, com a reedição da final contra o Cleveland Cavs em Oakland no dia 25/12). Por enquanto, porém, vale a pena ficar de olho nesta turnê dos Warriors longe da sua torcida antes de projetarmos os passos seguintes.

Será que Curry, Klay, Leandrinho, Green e companhia voltam para a Califórnia com 25-0? Ou a invencibilidade cai antes? Comente aí!


Kobe Bryant anuncia aposentadoria ao final da temporada da NBA
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Fábio Balassiano

kobe1Muita gente já esperava (eu mesmo já havia escrito aqui), mas ontem à noite, pouco antes do jogo do Lakers contra o Indiana Pacers no Staples Center, Kobe Bryant fez o mundo parar mais um instante.

O camisa 24 anunciou que, sim, está parando de jogar ao final desta temporada em um belo e emotivo texto divulgado no Players Tribune (mais aqui). O abalo na internet foi tão grande que o site “caiu” devido ao número absurdo de acessos.

kobe4Aos 37 anos e em sua vigésima temporada, ficou claro para Kobe Bryant (e para todo mundo que viu algum minuto dos jogos do Lakers) que seu combalido corpo não suporta mais o ritmo frenético da NBA (ele vem de duas graves cirurgias seguidas, não custa lembrar). Os 12 jogos iniciais, os 15,7 pontos (sua pior média desde a temporada de novato) e os 31,5% não apontam um declínio apenas técnico, mas principalmente a dificuldade do cara que sempre buscou a excelência em conviver com um desempenho tão abaixo do (seu senso de) aceitável. Deve ser pra lá de frustrante (pra ele) ver que seu corpo não responde mais aos comandos que outrora sairiam facilmente, né? Para os jogadores medianos talvez seja possível conviver com isso. Para os extraclasse, não.

kobe2Kobe sabe que foi um dos melhores a já ter pisado em uma quadra de basquete (cada um que faça o seu ranking). Kobe, dono de cinco títulos e dois vice-campeonatos, sabe que teve uma das mais belas carreiras deste esporte. Genial, genioso, decisivo, um maníaco por treinamentos. Chamem como quiser. Se o final é triste, se o final está sendo doloroso (para ele e para quem o admira), a verdade é que o percurso (quase) todo foi belíssimo e quem pode acompanhar tem a certeza que valeu a pena. O camisa 24 do Lakers é um daqueles seres que honram o jogo, que dignificam o esporte, que fazem o basquete ser a mais emocionante das modalidades.

Foram inúmeras bolas para vencer o jogo. Foram incontáveis adversários batidos. Assim como os outros craques do esporte, Kobe só não conseguiu se desvencilhar de um rival – o tempo. Chegou mesmo a sua hora de parar. Chegou a hora de quem gosta dos grandes jogadores (mais do que de times) reverenciá-lo.

Abaixo a carta completa traduzida:

kobe1“Querido Basquete,

Desde o momento em que comecei a enrolar as meias do meu pai, arremessando de forma imaginária arremessos da vitória no Great Western Forum, sabia que uma coisa era real: me apaixonei por você.

Um amor tão profundo que me entreguei por completo. Da minha cabeça e meu corpo ao meu espírito e alma.

Um garoto de seis anos de idade se apaixonou profundamente por você. Nunca vi o fim do túnel. Apenas me vi saindo de um. Então eu corri. Corri para cima e para baixo em todas as quadras. Atrás de qualquer bola perdida por você. Você me pediu raça. Eu dei meu coração porque veio com muito mais.

Los Angeles Lakers guard Kobe Bryant(L) and ChicagJoguei cansado e machucado. Não por causa do desafio, mas porque você pediu. Fiz tudo por você, porque isso é o que se faz quando faz com que se sinta vivo como você fez comigo.

Você realizou o sonho de um menino de seis anos de ser um Laker. E sempre vou te amar por isso. Mas não posso te amar obsessivamente por muito tempo. Esta temporada é tudo que me restou para dar. Meu coração pode manter a batida, minha cabeça pode lidar com a rotina, mas meu corpo sabe que está na hora de dizer adeus.

kobeE tudo bem. Estou pronto para ir. Só quero que você saiba para que nós possamos gravar todos os momentos que vivemos juntos. Os bons e ruins. Nós demos um para o outro tudo que temos.

E nós sabemos, não importa o que farei depois, sempre serei aquele garoto, com aquelas meias enroladas, lata de lixo no canto, cinco segundos no relógio e bola na minha mão, 5 … 4 … 3 … 2 … 1.

Te amo para sempre, Kobe”


O encontro de Kevin Garnett e do jovem que ‘escreveu’ seu nome no olho
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Fábio Balassiano

daniel1Esta é daquelas histórias que você lê, não acredita, relê e se emociona bastante. Vamos lá.

Aos 18 anos, Daniel Megeath sofreu um acidente de carro em 9 de fevereiro 2003. Gravíssimo, quase morreu. Estava no banco do carona, o veículo bateu forte e todos foram diretamente para o hospital. Seu caso foi até certo ponto simples: ele teve que colocar um olho de vidro (olho direito) pois o ferimento na região foi imenso.

No hospital, a primeira coisa que viu depois da delicada operação foi o All-Star Game daquele ano. E Daniel ficou alucinado não com Michael Jordan, que participava da partida, mas com a performance de Kevin Garnett (37 pontos, MVP da partida).

garnett1Daniel, então, pediu ao médico para escrever o número 21 (utilizado por KG) no topo de seu olho de vidro. Foi uma homenagem a um ídolo e uma lembrança eterna da primeira coisa que viu quando renasceu após o grave acidente. Pedido feito, pedido aceito.

O tempo passou, e Daniel, agora com 30 anos em 2015, teve a chance de encontrar com Garnett pela primeira vez este ano em Denver (Colorado) através de um contato com o jogador Erick Green, do Nuggets. Era a chance de encontrar com seu ídolo. Difícil, mas havia a chance. Ele, então, saiu de Washington, onde mora, para Denver no dia 30 de outubro. Tentou um contato antes do jogo, mas sem sucesso.

daniel2Daniel, então, esperou o jogo acabar, viu KG entrando no ônibus, mostrou a camisa 21 do Minnesota ao veterano ala-pivô e pediu que ele saísse para falar com ele. Garnett saiu. E aí Daniel perguntou: “Onde você estava em 9 de fevereiro de 2003?”. Garnett lembrava: “Estava no All-Star Game. Por quê?”.

Aí o jovem contou sua história para Garnett falando do fatídico dia que mudaria a sua vida. Garnett não se segurou, e não só se emocionou (aparentemente chorou um pouco e não parou de agradecer a Daniel pela homenagem – repetiu o aperto de mão inúmeras vezes) como pediu o telefone do rapaz. Aparentemente o 30 de outubro de 2015 mexeu com KG.

garnett2O vídeo do encontro está logo abaixo, mas o mais legal foi a mensagem que Kevin Garnett enviou a Daniel depois do jogo. Antes mesmo de chegar ao ônibus para voltar para casa, o jovem de 30 anos recebeu isso aqui: “Continue assim, continue nos inspirando com o que você como ser humano é e o que você faz pelas pessoas. Só posso agradecer de verdade. Foi um dia incrível, um dia que jamais esquecerei. Muito amor pelo que você fez por mim. Foi um prazer te conhecer. Salve meu número e vamos manter contato”.


Podcast BNC: a agitada semana do basquete nacional
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Fábio Balassiano

A denúncia envolvendo o presidente da Confederação Brasileira de Basketball, Carlos Nunes, e o colegiado formado pelos seis clubes da Liga de Basquete Feminino, que quer cuidar da parte técnica da seleção feminina de basquete. O assunto requer atenção e merece ser ouvido com atenção. Ignorar (ambos os tempos) não é o melhor remédio.

Caso você prefira, o link direto está aqui . Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e bom programa!


Site da NBA no Brasil ‘muda-se’ para o Sportv – quais os impactos disso?
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Fábio Balassiano

nba1Foi com surpresa que quarta-feira acessei a versão em português do site da NBA (o NBA.com.br ou nba.com/brasil) e me deparei com o do Sportv (figura ao lado). Não demorou e na tarde de ontem o escritório brasileiro da NBA divulgou o release: “NBA anuncia parceria digital com Globo.com e SporTV“.

Resumindo a nota que pode ser inteiramente lida na Máquina do Esporte ou no site do Sportv: o site institucional (atenção a esta palavra) da NBA no Brasil a partir de agora será o do Sportv mesmo (o da liga, da liga mesmo em português, sumiu).

nba2Há várias maneiras de interpretar, no âmbito estratégico, esta situação (que parece simples, boba, mas não é, não), creio eu. Vamos lá:

1) O lado do Sportv eu entendo perfeitamente e creio que seja o mais fácil de analisar. O canal esportivo de maior audiência do país tenta cada vez mais se tornar “a cara” da liga no Brasil. Além de transmitir os jogos com boa frequência (três a cinco vezes por semana – ótimo índice), ter o redirecionamento do site da NBA em português faz com que o seu objetivo fique mais próximo de ser atingido. Em termos estratégicos, foi uma bola de três pontos do meio da rua à Steph Curry convertida pelo Canal Campeão. Quanto a isso creio que não tenha a menor dúvida. Analisando estritamente pelo lado do canal, é isso.

nba32) Antes de falarmos da NBA em si vale citar outro player importante no meio desta equação: como fica a ESPN, o outro canal que exibe o campeonato no país nesta temporada, com a situação? Não custa lembrar que o canal do Grupo Disney exibe a NBA no Brasil há 25 anos e é um dos mais fortes parceiros da matriz (NBA) nos EUA (exibe jogos na própria ESPN gringa, na ABC e tem forte destaque para o basquete em seu estupendo site). Qual o sentimento que fica para a ESPN? Como fica a relação do escritório nacional com seu parceiro estratégico mais antigo? Aqui, aliás, cabe uma perguntinha final importante: quando acontecer a final da NBA, cujos direitos estão com a ESPN nesta temporada, o site da NBA Brasil / Sportv irá divulgar o canal de transmissão normalmente?

arnon13) Pelo lado da NBA no Brasil, cujo escritório trouxe ganhos incríveis para o basquete do país (três anos com partidas por aqui, uma loja virtual com produtos, crescimento nas transmissões de TV e boas vendas do NBA League Pass) e é liderado pelo ótimo Arnon de Mello (foto), eu confesso não gostar do movimento, embora seja compreensível porque objetiva se unir ao canal de maior share de audiência dentre os esportivos.

nba13.1) Em primeiro lugar porque a liga não faz isso com ninguém nos EUA – nem ESPN, nem com ABC, nem com TNT, as emissoras que exibem as partidas por lá. Em português claro: o contato INSTITUCIONAL (olhem a palavrinha mágica aí) do público com a NBA deve mesmo ser feito (pelo público / consumidor) através do site da própria liga (o NBA.com) e não com exibidores de pelejas ao redor do mundo. Não há outra alternativa: se você quiser saber sobre as informações da liga direto na fonte, o site é justamente… a fonte básica de consulta. Não custa lembrar quão importante é o site oficial nesta relação consumidor-marca, né? Essa equação vai mudar, pelo visto.

arnon13.2) A imagem institucional (de novo a palavra mágica no texto) da NBA no Brasil será integralmente transmitida no seu novo portal? Com o mesmíssimo alcance? Com o mesmíssimo guide de marca? Pelo que havia entendido o objetivo de ter um site em português era, justamente, transmitir a mensagem oficial da NBA em português. Não era isso? Como ficará esse, digamos, “mix” de emoções envolvendo um canal, cujo foco prioritário não é o basquete, e uma liga esportiva? Ações sociais e de comunicação bacanas terão o mesmo espaço no novo espaço como tinham no site institucional? Será importante verificar isso ao longo do tempo.

arnon13.3) Pergunta bem importante: como o consumidor brasileiro acha, agora, as informações básicas (calendários dos jogos, sites dos times, estatísticas, os famosos box-scores) desta temporada? Entrei no site da NBA Brasil / Sportv e não encontrei, não. Aquele famoso “header” (ou cabeçalho no popular) com os resultados do dia anterior ficam exatamente em que parte? Ali, no topo do site, normalmente é o primeiro contato que eu, por exemplo, tenho ao clicar para ver os números dos jogos do dia anterior. Essa, digamos, perda de informação é esperada ou aceitada? Como ela é analisada pela NBA Brasil?

NBA13.4) E a tão conhecida identidade visual da NBA, continuará sendo vista? Pode parecer um questionamento bobo, mas teremos, agora, uma página DA NBA dentro do site do Sportv, ou uma página DE NBA no site do Canal Campeão? São coisas BEM distintas e que o público saberá diferenciar rapidamente, tenho toda certeza. A forma de interagir, mesmo na Web, com uma emissora é totalmente diferente, e menos apaixonada, do que com uma página institucional (basta ver as reações no Facebook da NBA Brasil aliás).

arnon23.5) Até que ponto a liga, enquanto empresa, ganha vinculando a sua marca (outra palavra importante) a uma empresa de comunicação? A NBA Brasil não teme que seu maravilhoso produto fique muito atrelado a um canal específico? Será que, em termos de abrangência, a liga não perde neste sentido? Na minha modesta opinião, quanto mais “própria” for a marca, menor a chance de o público ligá-la a alguma emissora. A NBA está na ESPN há 25 anos, mas o público brasileiro sempre entendeu que o produto era… a NBA. Isso vai se modificar agora?

nba2A (minha singela) conclusão é esta: dos players desta equação, saem ganhando o Sportv (o principal) e a NBA no Brasil em termos mercadológicos (esta aliando-se cada vez mais ao maior canal esportivo do país e ao maior conglomerado de comunicação do Brasil). Perdem o público brasileiro (que verá o seu principal ponto de contato com a melhor liga do planeta “embarcado” no site do canal campeão), a NBA em termos de marca e sobretudo a ESPN.

E você, o que acha a respeito? Abri, ontem, o Facebook Bala na Cesta e o debate sobre o tema foi muito bom. Opine aqui também!


O caldeirão que se transformou o basquete feminino
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Fábio Balassiano

molina3Foi só falar que estava tudo muito calmo no basquete feminino (aqui , aqui e aqui ) que o caldo entornou para o esporte das meninas esta semana. Como foi divulgado no UOL em matéria de Fábio Aleixo e em entrevista aqui do blog nesta quarta-feira, os clubes, em movimento liderado pelo presidente do Corinthians / Americana (Ricardo Molina – na foto) e pelo seu técnico (Antonio Carlos Vendramini), desejam, até o final dos Jogos Olímpicos de 2016, cuidar da parte técnica da seleção feminina.

Em português claro: ter uma comissão técnica decidida pelos 6 clubes da LBF e que esta (comissão) realize convocação e preparação visando a competição mais importante de 2016, deixando com a Confederação Brasileira apenas a parte de planejamento – amistosos, viagens, intercâmbio etc. . Vamos lá ao que penso:

zanon21) Em primeiro lugar, entendo a urgência dos clubes e o péssimo momento que vive o basquete feminino (momento dos últimos 20 anos, diga-se de passagem). Compreendo, de verdade, que a medida adotada pelos seis (heróicos) clubes da LBF tenha o objetivo de evitar um vexame nos Jogos Olímpicos de 2016. Quanto a isso, não há necessidade de explicação para mim, não. É, aliás, um objetivo lícito, justo e pra lá de compreensível. Alguns estão chamando de instinto de sobrevivência (o Luis Araujo, muito bem em seu texto aliás, disse isso), um último suspiro para se salvar ou um apelo desesperado para chamar atenção para um problema crônico – e todas as definições são corretas. Os últimos resultados internacionais do basquete feminino foram horrorosos, e ter mais um fiasco (desta vez em casa) colocaria a modalidade em uma lama praticamente irreversível.

nunes21.1) Se o tal colegiado (como o grupo dos seis clubes deseja ser chamado) queria diálogo com a Confederação Brasileira, aparentemente conseguiu. A CBB emitiu Nota ontem à noite informando que haverá um encontro “encontro com as lideranças do basquete feminino para debater a sua atual situação (…) no dia 3 de dezembro com dirigentes, técnicos, atletas e presidentes de federações que estão disputando a LBF 2015-2016, além de representantes do Ministério do Esporte, Comitê Olímpico do Brasil (COB), Associação de Atletas Profissionais de Basquetebol, Associação de Treinadores de Basquetebol, da LNB e o presidente da LBF”. Se o objetivo era debater, também foi atingido.

zanon22) De todo modo, considero que o problema da modalidade (principalmente no lado das meninas – totalmente ignoradas pela CBB) é muito maior e demanda um planejamento muito mais profundo que simplesmente trocar a comissão técnica (seria a quinta vez em 5 anos, aliás). Que Zanon, o técnico, não acompanha a LBF (e as atletas) como deveria é um fato. Que Vanderlei, o Diretor Técnico, não liga muito para o desenvolvimento das meninas, outro. Que Carlos Nunes não tem a menor ideia do que fazer para massificar o esporte e reverter o gravíssimo quadro da modalidade está mais do que claro. Fica, portanto, a pergunta: por que, então, não mexer na base da pirâmide TODA, fazendo com que, ao invés de um remédio de curto prazo, as palavras ‘planejamento’, ‘desenvolvimento’ e ‘massificação’ façam parte do dia a dia da Confederação Brasileira? Seria muito melhor, mais sustentável e mais profundo.

cbb3) Para conseguir o que menciono acima só há uma alternativa (e isso fiz questão de colocar também para Molina na entrevista de ontem): os clubes pressionarem os presidentes de Federação (eleitos por eles) por mudanças nos Estados e estes (das Federações) pressionarem o presidente da CBB a trazer algo de inovador em relação a gestão na entidade máxima do basquete brasileiro. Qualquer coisa diferente disso é simplesmente trabalhar no curto prazo, na troca de pessoas de pessoas e não de filosofia, na manutenção de um status quo tenebroso e na perpetuação de um modelo de gestão que, sabemos bem, não tem dado certo no basquete. O ponto central, insisto nisso, não está sendo atacado – que é o da gestão, da administração da modalidade no país.

4) Fica, aqui, uma perguntinha boba para os envolvidos nisso tudo: e se a Confederação Brasileira não tiver NENHUM planejamento para as meninas em 2016? Eu, particularmente, duvido que ela tenha uma série de amistosos tão bacana quanto tem para a masculina (mais de 10 jogos de preparação). O colegiado irá aceitar isso? Se não aceitar, qual a proposta? Ser planejamento + parte técnica em 2016? Ou seja: o naipe feminino inteiro?

nbb15) O que a turma da Liga Nacional de Basquete achou dessa tacada? Não custa lembrar que a LNB tem ÓTIMAS (na medida do possível) relações com a CBB, sempre evitando problemas e/ou choques que minariam não só a relação das duas partes mas principalmente o nome da modalidade. A LBF acaba de começar uma parceria com a Liga Nacional e em menos de um mês criticou o técnico (justo), o diretor técnico (justo), o presidente da entidade (justo), e partiu para essa ideia do colegiado de forma bem diferente do que a Liga Nacional faz para resolver os problemas com a Confederação Brasileira. São situações diferentes, claro, mas a forma de “batalhar” por algo que considerava justo é bem diferente daquilo que vemos da LNB. Que tipo de resposta a LBF recebeu dos dirigentes da LNB/NBB?

Concorda comigo? Comente aí!


Carlos Nunes, CBB, verbas e a estrutura esportiva brasileira
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Fábio Balassiano

nunes1Lucio de Castro explodiu uma bomba de proporções imensas ontem no UOL. Em mais um trabalho esplêndido de apuração (e documentação), ele divulgou um ótimo exemplo da falta de cuidado com a verba (seja ela pública ou não) por parte do presidente da CBB, Carlos Nunes (para dizer o mínimo). Há de tudo um muito no texto do Lúcio – de viagens, passando por compras e culminando com jantares. É de ler, reler (eu li umas vinte vezes para tentar capturar tudo), refletir e, o pior, se entristecer pra caramba. A Confederação emitiu, aliás, Nota Oficial em seu site no final da tarde (veja mais aqui).

cbb3Pode parecer que estou tentando lamber a própria cria, mas a verdade é que quem acompanha este espaço não se surpreendeu com a notícia desta quarta-feira. Pode ter, como aconteceu comigo, se chocado, indignado, entristecido. Mas surpresa, surpresa mesmo? Talvez pela desfaçatez da documentação apresentada na matéria, pode ser que pelos absurdos que estão detalhados no texto, mas não pelo fato em si. Que fique claro: e não digo isso por saber de algo em relação a Carlos Nunes na Confederação (se soubesse, com provas, teria divulgado), mas porque nos últimos anos o desempenho financeiro da entidade é uma verdadeira atrocidade que, se fuçada mais a fundo, sairia algo de estranho (como saiu). As análises dos Balanços Financeiros estão aqui do lado e são insanidades aprovadas, chanceladas e não contestadas por Federações e Associação de Atleta que agora (com o perdão da palavra) passam vergonha por não terem exigido mínimas explicações de algo errado que poderia estar ocorrendo – como estava.

cbbO problema, ao meu ver, está justamente no sistema e é preciso ampliar o olhar para analisar a situação toda (situação que é revoltante, obviamente). O sistema político que elege Nunes e afins nas Confederações brasileiras é arcaico, equivocado e “permite” que situações bizarras assim surjam. São 26 cidadãos que sentam em volta de uma mesa para definir os destinos de um esporte e o presidente NÃO remunerado de uma Confederação. Primeira pergunta boba: de que vive um presidente de Confederação? Se ele possui emprego ou negócios particulares, como irá se dedicar ao esporte da maneira profissional e integral exigida atualmente? Se ele não possui negócios particulares ou emprego, como paga suas contas? E sabemos que há presidentes de Confederação há anos em seus cargos, não? Nunes está na CBB, para citar um exemplo, desde 2009, não custa lembrar.

nunes1São estes mesmos 26 Presidentes de Federação que, depois da eleição, precisam ser cobrados pelo presidente da Confederação para desenvolver a modalidade em sua unidade federativa. Peraí, vou explicar de novo: o cidadão A, presidente da Federação X, decide votar em Y por acreditar que Y possui o melhor plano para estruturar e desenvolver o esporte. Eleito, Y passa a cobrar (vejam só vocês) ações e trabalho do cidadão A, que por sua vez pede verbas para Y para massificar o esporte na região X. Pode dar certo? Com todo respeito, não pode. A estrutura é deprimente, corroída, feita pra dar errado. Carlos Nunes, a quem respeito (sempre me tratou com o máximo de educação possível apesar de minhas severas críticas a sua gestão), está errado, muito errado. Fez algo que não deveria, mas fica uma pergunta singela: e os presidentes de Federação, que deveriam fiscalizar, cobrar, minimamente investigar os motivos de a conta da CBB estar alucinadamente endividada, como se sentem neste momento?

nunes1Será que Ministério do Esporte ou Comitê Olímpico Brasileiro (COB) não poderiam fazer algo em relação a melhor estruturação de Federações e Confederações deste país? Já vimos problemas desta natureza no futebol, no vôlei e agora no basquete (que eu me lembre de cabeça). Muito provavelmente não são as únicas. Não vou chegar ao ponto de dizer que o meio “proporciona” este tipo de situação, porque aí já seria demais (creio que a palavra ‘ética’ deva ser evocada por aqui), mas está muito claro para mim que as entidades esportivas deste país precisam ter um mecanismo mais profissional para eleger e manter seus dirigentes no cargo, e uma área de fiscalização eficiente e sobretudo independente,

aapb1Outra ponta importante que poderia fazer com que a situação não chegasse a este nível ridículo seria a dos atletas (atletas e técnicos). Como sempre a classe menos atuante no que tange a qualquer assunto fora das quadras, os jogadores, cuja Associação de Atletas aprovou as contas de 2013 da CBB mas se absteve de votar em 2014 (emitiu uma Nota lacônica ontem à tarde também), pouco fazem para mudar os rumos da modalidade – seja na forma estrutural precária como as coisas são feitas, seja para entender o porquê das dívidas crescentes, seja para exigir condições melhores para o esporte do país. Os veteranos estão satisfeitos com suas situações. Os jovens acham que não podem se expor. E aí, misturando as duas coisas, temos um deserto de ações que trava qualquer chance de mudança por aqui.

nunes2Gostaria de fechar este texto dizendo o contrário, que tudo vai melhorar mas não é possível. Infelizmente continuo achando que nada mudará no basquete brasileiro (ou no esporte daqui se quisermos aprofundar o debate). Já havia abordado isso aqui duas semanas atrás (e a bomba máxima do Lucio não tinha sido explodida), mas o silêncio de quem pode mover esta roda (atletas, dirigentes, clubes, técnicos, Ligas etc.) permite que Nunes e a turma que vêm levando a modalidade à bancarrota há tempos se perpetue no poder. Se perpetue no poder sem fazer absolutamente nada pelo esporte e ainda usufruindo das verbas, que deveriam ser usadas para investir exclusivamente no basquete do país, de maneira pouco recomendável.


A indignação de Oscar Schmidt: ‘É uma vergonha’
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Fábio Balassiano

oscar2Conversei há instantes com Oscar Schmidt a respeito da matéria divulgada pelo UOL mais cedo.

Sobre o texto assinado pelo brilhante Lucio de Castro, que relata a má utilização do dinheiro público por parte de Carlos Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Basketball, o Mão Santa disse o seguinte:

oscar1Que vergonha, Fábio. Quando a gente acha que nosso país chegou ao fundo do poço, aparece sempre coisa pior! Muita gente me pergunta os motivos pelo qual eu não quero saber mais de política, sabia? Acho que não preciso dizer nada, pois os fatos, relatados à exaustão recentemente, falam por si. Prefiro me abster disso, principalmente no esporte que tanto amo, para não me machucar mais. Com minhas palestras faço meu trabalho e pronto. De todo modo, fica minha imensa tristeza”, afirmou.

É uma declaração forte e de alguém que tem muito peso na modalidade. Oscar Schmidt, pelo que vejo, é o primeiro a se manifestar sobre a situação da Confederação Brasileira. Desnecessário dizer do peso que o brasileiro, Hall da Fama e um dos maiores jogadores de basquete deste país, tem em um momento destes. Bem bacana vê-lo se indignar.


De vaiado a aplaudido, o ótimo começo de Kristaps Porziņģis no Knicks
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Fábio Balassiano

porza1A expectativa era grande no dia 25 de junho de 2015 no Barclays Center, em Nova Iorque. O Knicks teria a quarta escolha do Draft, a mais alta desde 1985, quando selecionou Patrick Ewing na primeira posição. Aí Phil Jackson, o manda-chuva da franquia e dono de 13 anéis de campeão da NBA (11 como técnico, 2 como jogador do próprio Knicks), decidiu escolher o jovem Kristaps Porziņģis, ala da Letônia então com 19 anos e 2,21m. A recepção, obviamente, não foi muito boa da torcida (primeiro vídeo) e nem de boa parte da imprensa (o segundo vídeo é um exemplo disso, e as palavras são de Stephen A Smith, “polêmico”, por assim dizer, articulista da ESPN e um dos mais influentes da mídia norte-americana na atualidade)

porza2A desconfiança, como se vê, era imensa. Em primeiro lugar porque ninguém conhecia Porziņģis. Sua temporada no Sevilla, da primeira divisão da Espanha (Espanha que tem duas pratas olímpicas seguidas e a segunda melhor liga do mundo), não valia de nada naquele momento apesar dos respeitáveis números (21,6 minutos, 10,7 pontos e 4,9 rebotes). Havia, sobretudo, ignorância (no sentido de emitir opinião sobre alguém que se desconhece) e muito preconceito (gerado pelo desconhecimento sobretudo). Em português claro, o pensamento era: “Como o Knicks vai escolher, com um pick tão alto, um europeu e branco desse jeito?”. É um pensamento deplorável, reprovável e que nem de longe encontra eco neste espaço, mas era assim que estava funcionando nos Estados Unidos. A pré-temporada veio e o camisa 6 foi indo evoluindo e tendo espaço inclusive com Carmelo Anthony (maior estrela da equipe). Mesmo assim os elogios não vinham. Dizia-se o famoso “são apenas amistosos, vamos esperar partidas pra valer”.

Pois muito bem. A nova vida de Kristaps Porziņģis começou em 28 de outubro com 16 pontos e 5 rebotes em 24 minutos apesar dos 3/11 nos arremessos diante do Bucks. Havia algo para prestar atenção ali. Os olhares, e os corações, nova-iorquinos, começaram a se abrir para o novo.

porza3Menos de um mês passou e agora vemos a Porziņģis Mania na Big Apple. Como? Simplesmente porque o letão, cada vez mais habituado à NBA, tem jogado muita bola – principalmente nas últimas semanas. Em 15 jogos sua média é de 13,7 pontos, 9,1 rebotes e 1,5 toco, algo muito bom, mas o que dizer de três dos seus quatro últimos jogos? O cara teve 20+ pontos e 10+ rebotes contra Hornets, Rockets e Heat, times que brigarão por playoff (ou estarão lá com certeza). Diante do Houston fora de casa, aliás, uma atuação esplêndida: em 36 minutos, 24 pontos (8/12 nos chutes), 14 rebotes, 7 tocos e 2 assistências. Ele foi tão bem, o gigante, que no final do jogo o técnico Derek Fisher, nem tão verborrágico quanto seu chefe Phil Jackson, disse: “É, até que ele sabe jogar, né? Alguns de vocês (jornalistas) se apressaram um pouco ao avaliá-lo, não acham?”.

porza4Mais do que a parte técnica, o que impressiona no letão é a sua personalidade para ajudar o time a obter respeitáveis 8-7 no Leste (um Leste que está muito mais forte este campeonato com Indiana, Boston, Detroit e Charlotte lutando muito bem). Ele está jogando em uma franquia popular, com uma pressão imensa para reverter anos de insucesso na NBA e com uma estrela (Carmelo Anthony) que precisa ir longe nos playoffs o quanto antes para não ficar eternamente rotulado como um grande pontuador que nunca chegou a uma final da liga. Não é, digamos, um cenário fácil de se conviver para um estrangeiro de 20 anos e cuja experiência no basquete é pequena (pequena como a de qualquer novato, claro). Foi com essa personalidade que ele decidiu o jogo do Knicks contra o Charlotte no dia 11 de novembro com uma bola de três. Infelizmente o relógio já havia estourado e o lance não valeu, mas o lance mostrou bem que a força mental para aparecer em momentos decisivos está em dia.

porza5Dentro de quadra, além do bom tempo de bola para tocos (em 12 das 15 partidas ele teve ao menos um bloqueio), rebotes ofensivos (seus putbacks, quando ele transforma um rebote em enterrada, já são famosos) e de sua boa disposição para defender perto da cesta ou no perímetro, chama a atenção a facilidade que ele tem para criar seus próprios arremessos (31% dos chutes certeiros vieram sem assistência) e também a boa técnica para bolas longas (34,1% de aproveitamento para alguém de 2,21m e que joga na posição quatro é um bom índice – Draymond Green, do Warriors, tem 33,2% na carreira, por exemplo) e ganchos (63% de conversão neste tipo de jogada). Não é algo usual para um novato e cuja vantagem competitiva por ter alguém desta altura fazendo algo tão distinto tem sido bem aproveitado pelos Knicks neste animador começo de temporada para os nova-iorquinos.

porza7Derek Fisher sabe que Carmelo e Porziņģis são alas altíssimos para os padrões das posições 3 e 4, e espaçar bem a quadra para jogadas de um-contra-um perto da cesta tem sido utilizado pelo treinador em momentos específicos das partidas. Fica difícil para o adversário marcar, e não é raro vermos dobras em cima de Melo ou do letão, o que invariavelmente faz com que a bola rode para encontrar alguém livre na linha dos três pontos (ao lado está o mapa de arremessos do calouro, que teve 12 dos 74 chutes convertidos com assistência de Melo e que passa 20% das vezes para o camisa 7). É uma evolução do Knicks e sobretudo do técnico Fisher, que parece muito mais à vontade em seu segundo ano na função (embora Kobe Bryant tenha dito em inglês bem claro que a turma da Big Apple não jogue no Sistema de Triângulo….).

porza6Os próximos jogos, contra Orlando (hoje fora de casa) e depois Miami, Houston, Sixers e Nets no Madison Square Garden serão importantíssimos não só para a franquia, que pretende fincar o pé na zona de classificação aos playoffs, mas principalmente para o novato, que se consolida como um dos melhores calouros da temporada. Como tudo em Nova Iorque é potencializado (pro bem ou pro mal) recomenda-se um pouco mais de paciência – e racionalidade. Porziņģis já provou que não é o pereba que pintavam antes da temporada. Se ele será uma estrela só o tempo e sua evolução é que dirão. Que seu começo traz os melhores sentimentos para os Knicks, ninguém tem dúvida. Que ter uma das suas franquias mais populares brilhando de novo é excelente para a NBA, tampouco. O correto, no entanto, é aguardar um pouco mais (um ano, dois anos, se possível for) para sabermos se o camisa 6 será mais um bom jogador ou o craque que agora se pinta.

Independente disso tudo, no momento a história de Kristaps Porziņģis, o letão vaiado na noite do Draft, é uma das mais bonitas da temporada 2015/2016 da NBA. Que ele sustente este belo roteiro por muito mais tempo. Quem gosta de basquete (e de bons enredos) está adorando.


As ideias de Ricardo Molina com os clubes comandando a seleção feminina
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Fábio Balassiano

molina3O dia de ontem foi agitado para o basquete feminino. Depois de colocar mensagens em seu Facebook pessoal, Ricardo Molina (foto), presidente do Corinthians/Americana (atual campeão Sul-Americano e da Liga de Basquete Feminino), divulgou de forma oficial que os seis clubes da LBF não cederão suas atletas para o evento-teste da seleção brasileira feminina que acontecerá em janeiro de 2016 no Rio de Janeiro. O motivo, segundo Molina, é a falta de (segundo ele) comprometimento da Confederação Brasileira de Basketball com as meninas (o UOL fez uma reportagem ampla sobre tema e você pode ler aqui). O blog foi ouvir um dos líderes deste importante movimento. Amanhã eu faço a análise sobre o que penso disso tudo.

molina3BALA NA CESTA: Afinal, qual o objetivo deste movimento dos clubes?
RICARDO MOLINA: É simples, Bala. Que a CBB aprove o modelo de gestão onde será implementado o planejamento feito por ela, CBB, e executado pelo colegiado dos seis clubes da LBF de agora até os Jogos Olímpicos. É simples. Este colegiado tomará as decisões referentes à parte técnica sempre com a chancela do presidente Carlos Nunes, isso precisa estar claro. Desde a nova comissão técnica, culminando com as convocações ficariam com este colegiado. Se estas equipes estão na Liga é porque representam a elite do feminino, né? Temos os melhores técnicos, as melhores atletas e, principalmente, o comprometimento com a modalidade. Todos os clubes estarão na composição da comissão técnica. Assim, a possibilidade de errar se reduz muito. Não teremos vaidades e sim compromisso.

molina6BNC: Deixe-me entender uma coisa. Estes mesmos clubes não elegem os presidentes de federação, que por sua vez não elegem o presidente da CBB? Como votaram os clubes na última eleição? E o presidente da respectiva federação? Não considera este o melhor meio para promover mudanças no basquete brasileiro?
MOLINA: Seria se houvesse tempo. O feminino não tem representatividade nenhuma na Confederação. Nosso objetivo é o agora, é o já. É ter responsabilidade com a Seleção Brasileira que irá nos representar nas Olimpíadas para evitarmos um vexame. Você, que acompanha o Feminino, responda aí: quantos amistosos as meninas terão até os Jogos? Contra quem? Quando? Queremos ver este planejamento para executá-lo da melhor maneira possível pelo bem do nosso esporte. Não é pedir muito, é?

molina4BNC: Sendo bem sincero comigo, desculpe perguntar, mas vamos lá: existe alguma aspiração política neste grupo que está sendo formado pelos times da LBF?
MOLINA: Nenhuma, nenhuma mesmo. Não queremos cargo, salário e muito menos gestão administrativa na CBB. Quanto a isso pode ficar tranquilo. Só queremos, e isso não é muita coisa, que a seleção brasileira feminina seja representada pelas melhores atletas e pelos melhores técnicos, evitando convocações direcionadas.

nunes2BNC: Você acha mesmo que a CBB aceitará essa proposta?
MOLINA: Sinceramente desejo que o Presidente Carlos Nunes, o qual respeito, aceite essa proposta. É pelo bem do basquete feminino. Só que a sua pergunta deveria ser outra: “Por que não aceitar?”. É um modelo que pode ser replicado para outras modalidades, categorias. O presidente Carlos Nunes é inteligente e sabe que a proposta de “renovação” foi vexatória e que ele não deveria ter permitido isso.

molina1BNC: A decisão de não ceder as atletas para a seleção será mantida mesmo? Como garantir que este movimento não mude de direção?
MOLINA: Que fique claro. O ofício enviado à Confederação fala não somente nas atletas, mas principalmente de todos os profissionais vinculados aos nossos clubes. Fiquei muito feliz que todas as outras equipes estão finalizando o mesmo documento enviado pelo Corinthians/Americana à CBB, o que representa união ainda maior dos clubes que ainda fazem o basquete feminino deste país. Não temos o mínimo interesse em prejudicar nossos clubes, nossas atletas, mas também não temos mais tempo. Precisamos mostrar à torcida brasileira, patrocinadores, imprensa e entidades internacionais que temos, sim, basquete feminino no Brasil. Basquete feminino de qualidade, não este que foi feito nestes últimos dois anos. Vamos manter o movimento até que nossas demandas sejam atendidas.

molina1BNC: Os clubes temem ser prejudicados de alguma maneira por essa atitude? Como estão se preparando para isso?
MOLINA: Mais do que já foram? Perdermos parceiros, torcedores, equipes, atletas e principalmente o respeito. O que mais podemos perder?

BNC: Não sei. Por fim, e as atletas, como reagiram? Elas concordam com essa atitude?
MOLINA: No feminino, as atletas não se sentem seguras para se manifestar por medo que algo aconteça. E quando digo algo, é ter o nome cortado da seleção brasileira. Entendo a posição delas e esse movimento tem o objetivo de protegê-las.