Bala na Cesta

Arquivo : setembro 2015

Felipe Reyes exalta temporada perfeita do Real Madrid e já mira Rio-2016
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Fábio Balassiano

felipe1Aos 35 anos, Felipe Reyes representa como poucos o madridismo. Dono de comportamento exemplar, Don Felipe, como é conhecido, é o jogador mais antigo de um elenco que conquistou tudo de uma temporada pra cá, o capitão da equipe e homem de confiança do técnico Pablo Laso. Escalado para conter Rafael Hettsheimeir junto com Gustavo Ayón na partida de domingo, Felipe, que foi o último a sair da quadra por causa das infinitas fotos tiradas com torcedores brasileiros, conversou com exclusividade com o blog sobre sua trajetória no Real, o recente título do EuroBasket, o jovem Luka Doncic (16 anos) e também sobre o Rio-2016. Confira!

reyes3BALA NA CESTA: Qual a sensação de ganhar todos os títulos possíveis em uma única temporada?
FELIPE REYES: Muito contente, muito feliz de estar acontecendo isso. Estou em minha décima-segunda temporada com o Real Madrid e conseguir o que conseguimos desde o ano passado é realmente impressionante. Foi uma temporada incrível, perfeita, de sonho, muito difícil de repetir e que certamente não aconteceu com tanta gente assim no basquete mundial. Me sinto orgulhoso de fazer parte deste elenco.

reyes2BNC: Vocês ganharam tudo na temporada passada, mas jogam em um clube grandíssimo e que sofre uma pressão imensa. Como é para a cabeça de vocês tentar repetir este feito difícil de ser alcançado?
REYES: Olha, boa pergunta. Primeiro tem uma coisa: sempre que saímos à quadra para jogar com a camisa do Real Madrid não há outra escolha que não ganhar. Muita gente dizia que não daríamos a devida importância ao Mundial Interclubes e você está vendo aí a festa dos meus companheiros. Representamos uma instituição de âmbito mundial e sabemos que precisamos manter a marca Real Madrid no alto sempre. É algo que a diretoria sempre faz questão de falar e que tento, como capitão e um dos mais experientes do grupo, reforçar sempre com meus companheiros. É uma honra jogar no Madrid e temos que representar a instituição sempre dando o máximo na quadra. Mas sua pergunta faz todo sentido porque sabemos que é uma missão difícil ganhar tudo em uma temporada. Repetir, mais ainda. Só que traçamos como meta repetir o que alcançamos na temporada passada, não nos conformando com o que já alcançamos. A verdade é que no esporte o já conquistado não garante nada para o futuro e se conformar pode ser o maior pecado cometido por um esportista. Se estamos aqui é para ganharmos o maior número de títulos de agora em diante.

hetts1BNC: Neste domingo você começou jogando e ficou claro que seu trabalho era incomodar o Rafael Hettsheimeir ao máximo. Foi sua principal missão em quadra?
REYES: Pablo (Laso, o técnico) queria que Ayón (o pivô mexicano) e eu déssemos um pouco mais de trabalho a Rafael do que o que ele tinha tido na sexta-feira. É um grande jogador, mas todos nós sabíamos que teríamos que fazê-lo trabalhar duro para conseguir seus pontos. Não que ele não fosse conseguir, mas que tivesse ao menos mais dificuldade para chegar aos seus números. Tentei trazer energia e intensidade na defesa desde o começo e deu certo. Sabíamos que seria muito difícil vencer aqui porque Bauru tem uma equipe excelente e não treinamos absolutamente nada para este campeonato. É o mesmo núcleo, é verdade, mas desde a final da Liga ACB passada que não nos víamos como um time. Não é fácil, acredite. Não conhecíamos Bauru, não sabíamos exatamente como eles jogavam e sendo bem sincero para você foi um choque vê-los jogando um basquete tão criativo, inventivo, como foi o de sexta-feira. Não é algo fácil de marcar, não.

reyes4BNC: Jogar no Brasil um ano antes da Olimpíada que provavelmente será a sua última competição com a camisa espanhola te traz algum gostinho especial?
REYES: Comentei isso com o grupo antes de vir ao Brasil. São competições e cenários completamente distintos, mas espero vir ao Brasil em 2016 para, quem sabe, encerrar um ciclo maravilhoso com a seleção espanhola. Não se sabe de nada ainda, há uma temporada pela frente e depois a convocação, mas estou animadíssimo em poder defender a seleção na Olimpíada em 2016. Tomara que consiga. O público no ginásio foi incrível, deu para vê-los pulando e vibrando com o basquete. O Brasil é conhecido pelo seu futebol, mas vimos aqui que o basquete também é querido pelos torcedores.

doncic1BNC: Por fim, uma pergunta sobre Luka Doncic. O que pode dizer deste jovem de 16 anos que já faz parte do time principal?
REYES: É um jovem de muitíssimo futuro, que tem um potencial imenso e que vai crescer muito nos próximos anos. Tentamos falar com ele o máximo de coisas que já passamos, ele nos escuta e isso certamente ajuda muito. Mas tentamos não colocar muita pressão nele pois sabemos que isso não ajuda em nada. É um garoto excelente e bem acima da média para a sua idade. Só o tempo dirá até que nível conseguirá chegar. Sem pressão.


Oscar Schmidt: ‘Brasil vai conquistar medalha no Rio-2016’
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Fábio Balassiano

oscar2Entre todos os jogadores na quadra e os ex-jogadores na plateia, um nome foi o mais aplaudido – o de Oscar Schmidt. Usando as suas já conhecidas blusas de futebol americano, o Mão Santa chegou ao Ibirapuera na sexta-feira e foi parado para fotos a cada segundo.

Atendeu a todas as crianças e adultos com a maior paciência do mundo. Quando solicitei uma entrevista, ele disse: “Senta aqui rápido e começa a perguntar. Eu vou tirando foto com a garotada e te respondendo”. Confira o papo com um dos maiores ídolos do basquete brasileiro.

oscar1BALA NA CESTA: Qual o seu sentimento de voltar a ver um jogo no mesmo ginásio em que você ajudou o Sírio a conquistar o Mundial Interclubes em 1979?
OSCAR SCHMIDT: Aquele dia em 1979 foi extraordinário, impressionante, algo que realmente eu jamais esqueço. Entrei no Ibirapuera e me emocionei bastante ao lembrar do feito que conseguimos com o Sírio em 1979. A primeira pessoa que vi quando entrei aqui foi o Cláudio Mortari, meu técnico naquele torneio. Nem precisamos falar, só nos olhamos porque estávamos pensando na mesma coisa. Minha vida mudou por causa daquele jogo, sabia? Por causa daquele jogo eu fui para a Europa, fui contratado pela Itália. É uma emoção inesquecível.

sirio1BNC: O que você mais lembra daquele torneio de 1979?
OSCAR: Da invasão de quadra no apito final sem dúvida alguma. Do jogo eu lembro pouco, mas da invasão de quadra e de sermos carregados por aquele mar de gente, sim. Uma cena que não existe mais, que é difícil de vermos. E aquilo aconteceu porque faltando três segundos saiu uma falta, o jogo parou para enxugar a quadra e as pessoas começaram a vibrar e se aglomerar perto da quadra. Quando o cronômetro zerou os caras já estavam quase que dentro da quadra para nos abraçar. É algo que não deve acontecer, mas foi lindo.

oscar1BNC: É inevitável falar de seleção com você. Pelo que você está sentindo, o que esperar do time masculino para o Rio-2016?
OSCAR: Sou bastante crítico do que tem acontecido na seleção brasileira, você sabe disso, mas não é hora de eu ficar criticando, não. É hora de apoiar, unir forças e pensar positivo. Acho que este grupo de jogadores tem todos os elementos para conquistar uma medalha no Rio em 2016. E acho que vai conquistar, pode escrever aí. Quem sabe até chegue a uma final contra os Estados Unidos. Já imaginou que máximo que seria? É um feito que minha geração chegou perto, mas não conseguiu. O basquete brasileiro precisa voltar a ganhar medalha em uma Olimpíada e acho que chegou a hora. Jogar em casa, com o apoio da torcida, ajudará muito. Não foi bem na Copa América, não gostei de muitas coisas, mas prefiro não ficar criticando.

oscarBNC: Muita gente critica a sua geração por ter arremessado muito de três, mas de uns tempos pra cá vemos uma retomada grande de times chutando bastante de longe. O próprio campeão da NBA, o Golden State Warriors, baseia seu jogo em atiradores de elite no jogo exterior…
OSCAR: Meu amigo, a gente jogava igual ao que se joga na NBA hoje. Trinta anos atrás. Ou éramos malucos ou éramos visionários, né? Aí cada um escolhe o que quiser falar. A gente jogava mandando bala (ele ri e me aponta). Mas pra jogar assim tem que fazer duas coisas: 1) treinar pra cacete; e 2) correr muito para pegar rebote. Era o que nossos times faziam. O que há de errado nisso? A gente treinava muito. Quem não treina não vai meter bola. Já vi vídeos daquele menino do Golden State, o Stephen Curry, e o cara é uma máquina. Seu arremesso tem uma mecânica perfeita. Você acha que ele nasceu com aquilo? Claro que não. É treino, repetição. Pergunta lá ao Mortari quantas bolas de três a gente treinava. É matemático isso. Você treina, você acerta.

oscar1BNC: Por fim, como está a sua saúde? É inevitável perguntar isso, me desculpe…
OSCAR: Desculpar o quê, rapaz? Eu estou ótimo, estou bem, não tenho problema nenhum em falar disso. Minha saúda está em perfeito estado, tudo na boa mesmo. Está tudo bem, melhor do que antes. Você acha que eu, que fiz tantos pontos na minha vida, vou ser derrubado por um pontinho de merda? Não vai nada, rapaz. Nos veremos no Rio de Janeiro em 2016 nas Olimpíadas.


O craque Sergio Llull, o ídolo do Real Madrid que recusou proposta da NBA
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Fábio Balassiano

llull2Quando Sergio Rodriguez atirou a bola na quadra para reclamar da arbitragem o técnico Pablo Laso olhou para o teto do ginásio. Rodriguez seria expulso e sua (já curta rotação sem Rudy Fernandez) ficaria ainda menor na armação. Poderia ter sido ruim para o Real Madrid no jogo 2 do Mundial Interclubes. Não foi porque os merengues têm Sergio Llull, excepcional armador que chamou a responsabilidade ao anotar 21 decisivos pontos para guiar o Real ao título da competição. Aos 27 anos, Llull está no auge físico, mental e técnico e conversou com exclusividade com o blog depois de ser eleito o MVP do torneio sobre o Real, seleção espanhola e sua decisão de não se juntar ao Houston Rockets, franquia da NBA que tentou, em vão, contratá-lo para a próxima temporada.

llull1BALA NA CESTA: Que análise você faz deste torneio? Foi um pouco mais difícil do que vocês esperavam?
SERGIO LLULL: A verdade é que sabíamos que seria complicado, mas não conhecíamos muito da equipe de Bauru. Grande parte deste time jogou o EuroBasket até o domingo anterior a este Mundial Interclubes e só conseguimos começar a estudar Bauru na segunda-feira. Depois de sexta-feira algumas situações de jogo ficaram mais claras para nós, principalmente na defesa do jogo exterior de Bauru, e conseguimos sair com o título de São Paulo. Era muito importante para nós e quero deixar meus sinceros parabéns a Bauru. Jogou muito bem os dois jogos e sua torcida fez uma festa maravilhosa nos dois jogos. Foi um tremendo adversário do começo ao fim.

llull3BNC: Quão difícil foi jogar contra uma equipe que arrisca tanto de três?
LLULL: Não é algo que estamos acostumados realmente. Bauru tem um time bastante completo, com muitas opções e seu jogo exterior é incrível. Tem atletas que chutam muito bem de fora e isso causa enorme dano à defesa adversária. Na sexta-feira principalmente foi assim. Lembro que comentamos no hotel depois da partida que houve momentos em que os cinco jogadores deles estavam fora do garrafão. É algo raro de ver na Espanha ou na Euroliga, mas é excelente para ver que não há só uma maneira de jogar basquete também.

BNC: Você consegue diagnosticar o que mudou de sexta-feira para domingo?
LLULL: A atitude defensiva. Certamente a defesa de perímetro foi o que mais falamos depois do primeiro jogo. Sabíamos que para conquistar o Mundial teríamos que colocar Bauru com menos de 80 pontos. E foi o que conseguimos neste domingo. Eles fizeram 79, ficou dentro do que colocamos como meta. Na sexta-feira tivemos um lapso mental em três, quatro minutos, algo natural para um começo de temporada mas que não pode acontecer neste nível, e pagamos um preço caro.

llull3BNC: Qual é a sensação de ganhar, em um período de 12 meses, seis títulos – cinco com o Real Madrid e o EuroBasket com a seleção?
LLULL: Algo especial, indescritível, e que sabemos que será difícil de repetir. Trabalhamos muito e sofremos muito para conseguir isso. É maravilhoso saber que você é considerado o melhor time do mundo fora a NBA. A temporada que começa agora será ano muito exigente, em termos físicos, para todos nós, mas colocamos como desafio para nós mesmos repetir o que conseguimos em 2014/2015. Seria magnífico chegar a agosto de 2016 com o mesmo gosto que estamos sentindo agora. Difícil? Seguramente que sim. Impossível? Não.

ric1BNC: O que você pode dizer sobre Ricardo Fischer, armador de Bauru que você enfrentou pela primeira vez? Já o conhecia?
LLULL: Obviamente que quando soube que jogaríamos contra Bauru eu tentei coletar informações sobre ele da melhor maneira possível. Mas estudar é uma coisa e jogar, outra. Fischer jogou muito bem e impressionou a todos com seu ótimo jogo ofensivo. É jovem e tem muito a crescer. Nos deu muito trabalho em toda a série e foi um dos caras que mais nos preocupamos nos ajustes de sexta-feira para cá. Seu arremesso é muito bom e sua jogada de pick-and-roll também é ótima.

llull4BNC: Podemos espera-lo em 2016 na Olimpíada do Rio de Janeiro, certo? É algo que você já está pensando?
LLULL: Agora eu só penso em cuidar do meu tornozelo, porque está inchado e doendo bastante (risos). Mas falando sério: claro que penso. Será uma competição incrível, e certamente um momento importante para uma geração de jogadores que pode ser que se despeça da seleção. Falo, claro, de Pau Gasol, Juan Carlos Navarro, Felipe Reyes, jogadores históricos espanhóis que conquistaram tudo e que ainda jogam pelo país como se fossem garotos. O Rio de Janeiro é uma cidade linda e estamos animados em defender nossa medalha lá.

llullBNC: Por fim: você recusou um contrato do Houston Rockets para ficar no Real Madrid, com quem renovou até 2021. É possível explicar esta decisão?
LLULL: Sim, é bem simples. Em Madri eu sou feliz. É clichê, mas eu sou torcedor do Real Madrid desde criança e jogar neste clube para mim é uma honra imensa. Ninguém garante que na NBA eu seria feliz e disputaria tantos títulos como acontece comigo no Real Madrid. É algo que não me arrependo e que está muito em paz na minha cabeça. Não há nada para me preocupar, não.


As ótimas lições que Bauru deixa após o vice-campeonato mundial
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Fábio Balassiano

bauru1Muita gente imaginava (muita gente mesmo!) que o Real Madrid viria ao Brasil para passear e atropelar Bauru no Mundial Interclubes. “Será só formalidade, porque os caras ganham de Bauru de 30 fácil, fácil”. Era o que se ouvia e lia por aí. O primeiro jogo veio, os 17 pontos de vantagem ficaram estampados no placar e a previsão ganhou ainda mais força na sexta-feira no Ibirapuera. Mas Bauru virou, venceu o jogo 1, mostrou força e fez o Real cortar um dobrado para ficar com o título Mundial no domingo.

guerrinha1Pode parecer clichê mas essa é a graça do esporte. Um time se superar, um time tentar enfrentar outro de maior poderio. Mas tem mais que isso. Talvez o cansaço de uma semana intensa de trabalho aqui em São Paulo me impeça de traduzir em palavras o sentimento que se viu no Ibirapuera (lindíssimo e quase lotado no domingo), mas noves fora o fato de os bauruenses terem caído de pé o que fica pra mim é a sensação que o tal “desnível técnico” entre os dois principais continentes do basquete não é tão absurdo assim. É grande? É sim. É algo de outro planeta, tipo a NBA? Não, não é não.

alex1Existem times que praticam bom basquete por aqui (e o próprio Andres Nocioni cansou de ressaltar isso em suas falas no país), existem times que investem pesado por aqui (Flamengo e Bauru são os dois melhores exemplos) e pouco a pouco o basquete brasileiro vai dando sinais que pode se reencontrar com seus melhores dias (nos clubes, claro). Nem tudo que se faz é bom (óbvio), mas tampouco tudo o que temos por aqui é uma porcaria. Nestes tempos em que criticar tudo e todos é de praxe, creio ser salutar manter um olhar um pouco mais amplo em relação ao que estamos vendo no basquete brasileiro através do NBB (não confundir com falta de senso crítico, algo que tento manter sempre em riste) Não é coincidência que nos últimos três anos houve três Mundiais por aqui. Pinheiros, Flamengo e Bauru fizeram seis partidas pra lá de equilibradas com Olympiacos, Maccabi (derrotado pelo rubro-negro) e Real Madrid. Não houve, como se presumia, nenhuma lavada, nenhuma surra, nenhum atropelamento. Não há, aliás, times de outros países (leia-se Argentina) vencendo Liga Sul-Americana ou Liga das Américas como em outros anos (algo que deixa a diretoria da FIBA, composta de hermanos, bem desesperada aliás…).

fischer1Quanto mais intercâmbio houver será melhor para o basquete brasileiro, e as evoluções de Bauru e Flamengo, os dois principais do NBB no momento, nos dois últimos anos é bem nítida tanto em quadra quanto fora dela. Pouca gente repara, mas um influencia diretamente no outro quando vemos Ricardo Fischer, Leo Meindl e Gui Deodato jogando um Mundial Interclubes anos depois de terem saído da Liga de Desenvolvimento, né? Mas, bem, voltando. Com estilos táticos bem diferentes, cada um joga à sua maneira e tem se dado bem.

rafa2O Flamengo bateu o Maccabi com um jogo cadenciado. Bauru levou o fortíssimo Real Madrid à loucura com sua sanha nos tiros de três pontos. Não há só uma forma de atuar no basquete. Não há certo e errado em basquete. Há situações treinadas e não treinadas pelas equipes. É possível, obviamente, ganhar chutando muito de três (Warriors) ou forçando o jogo no garrafão como se não houvesse amanhã (Lakers do Shaquille O’Neal de anos atrás). A graça do esporte também está nisso, né? É possível ser competitivo jogando de diversas formas dependendo do elenco que você tenha em mãos.

Não há vitória moral, dizem os americanos. Pode ser. Mas Bauru deixa uma série de lições que podem ser aprendidas pelo basquete brasileiro após enfrentar de igual para igual um dos elencos mais caros e poderosos do planeta.


Breves notas do domingo no Ibirapuera
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Fábio Balassiano

pablo1Aqui vão as minhas notas deste domingo no ginásio do Ibirapuera:

1) Que simpatia o treinador Pablo Laso, do Real Madrid. Estava enfurecido à beira da quadra com seu time, mas na coletiva deu respostas claras sobre todos os questionamentos. Afirmou que valoriza, mais que a conquista do Real, o fato de que para jogar um Mundial Interclubes um time precisa passar por um caminho imenso (tal qual Bauru), que adoraria que a competição fosse com mais times (embora o calendário não permita muitas aventuras) e que conseguir a temporada perfeita é algo extremamente difícil. Evitou comparações com os melhores times da história do continente (“Queremos ser conhecidos apenas como Real Madrid”) e exaltou as qualidades intangíveis de Andres Nocioni: “Há coisas que você treina, e há coisas que estão no interior da pessoa. Quando o trouxemos para o Madrid sabíamos de suas qualidades técnicas, mas queríamos mesmo era o que a sua alma poderia trazer para este elenco. É um profissional excepcional e com uma vontade assustadora”.

2) No segundo período Gustavo Ayón saiu de quadra. Reclamou da arbitragem sentado no banco. Pablo Laso pediu que ficasse calmo. Ayón continuou reclamando. A arbitragem lhe deu uma falta técnica. Laso não teve dúvida e gritou: “Filho da… O que você está pensando? Isso aqui vale título e não admito o que você fez”. O mexicano não deu uma palavra…

doncic13) Que futuro tem este menino Luka Doncic (foto), hein! Aos 16 anos, o esloveno de 1,96m já faz parte da rotação do Real Madrid e é tratado (justamente) como uma joia pelos merengues. Com o rosto recheado de espinhas, ele tem ótima visão de jogo, aparentemente ouve tudo o que lhe falam (Andres Nocioni e Rudy Fernandez ficaram o jogo inteiro no banco lhe explicando as situações de quadra) e tem muita personalidade. Vale a pena ficar de olho em seus próximos movimentos. Vale lembrar que em 2014, em um Europeu Sub16, Doncic teve 35,4 pontos de média e foi (obviamente) o MVP da competição.

4) A piada que corria na área de imprensa, meio de brincadeira, meio de verdade, é que Doncic nem na Liga de Desenvolvimento entraria no Brasil por ser muito jovem (a LDB é Sub-22). Que dirá nos times adultos, recheados de veteranos e sem espaço para os mais jovens. Na sexta-feira conversei com um membro da comissão técnica do Real Madrid e lhe perguntei se Doncic estava no time adulto para ganhar experiência. Ele disse: “Rodagem ele ganha nos times de baixo, na Euroliga Júnior. Se está no time adulto é para fazer parte da rotação e porque está preparado”. Me assustei e achei que era discurso. Doncic jogou 25 minutos em dois jogos de Intercontinental. Magnífico, não?

ibira15) Chamou a atenção a ausência do presidente da Liga Nacional de Basquete. Cássio Roque não compareceu ao Ibirapuera nem sexta e nem no domingo. Rubén Magnano e Vanderlei, da seleção masculina, tampouco estiveram no ginásio (a ausência dos dois não surpreende, aliás…).

6) Ótimo público no Ibirapuera neste domingo, aliás. Não sei o número oficial, mas creio ter chegado ou passado nos 8,5 mil. Pensando que não era um time de São Paulo (capital), no horário e no estágio ainda em desenvolvimento do basquete eu considero um ótimo número. Na sexta-feira foram 4,5 mil no Ibirapuera.

ric17) O Ibirapuera, aliás, não conseguiu ver festa dos times da casa em suas últimas competições realizadas no local. Em 2006 o Brasil perdeu uma semifinal ganha contra a Austrália no Mundial Feminino e depois sofreu um atropelamento contra os EUA na medalha de bronze. Em 2015 Bauru não conseguiu bater o Real Madrid.

8) Um nome de Bauru sai em alta após o Mundial: Ricardo Fischer. Nome até então desconhecido nos grandes centros, Ricardo ganhou notoriedade na seleção do Pan-Americano e da Copa América, mas foi contra o Real Madrid que sua cotação subiu de verdade no mercado internacional. Teve 12+8 na sexta e 26+6 neste domingo. No final, um membro da delegação do Real me chamou de canto e disse: “Onde ele estava escondido? Este rapaz é uma pérola! Bateu de frente contra dois dos melhores armadores da Europa, Llull e Rodriguez, sem medo e foi muito bem”.

9) Foram simples, mas muito bonitas as homenagens feitas aos campeões mundiais de clubes pelo Sírio em 1979 e às campeãs mundiais pela seleção brasileira em 1994. A Liga Nacional de Basquete bem que poderia fazer estas homenagens com mais frequência. O público gostou e os ex-jogadores ficaram muito felizes.


Real Madrid finaliza ano perfeito com título Mundial contra Bauru
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Fábio Balassiano

real1

nocioni1Foi um domingo de basquete pra ninguém botar defeito. Depois de quase dez anos sem basquete em competições oficiais (o último jogo fora a final do Mundial Feminino de 2006 entre Rússia e Austrália), o Ibirapuera ferveu com a partida de sexta-feira e com o segundo duelo entre Bauru e Real Madrid na manhã (quente) de hoje.

No final das contas, vitória maiúscula do Real Madrid por 91-79 contra uma aguerrida equipe bauruense para assegurar o título do Mundial Interclubes. Os merengues coroaram o ano perfeito (títulos da Copa do Rei, Liga ACB, Euroliga e Supercopa espanhola) e comemoraram muito o troféu na quadra (pra quem dizia que os europeus não davam valor algum ao evento…). Além disso, foi o quinto título intercontinental do Real, que vencera pela última vez em 1981 justamente no Ibirapuera. Vamos a alguns pontos:

llull31) O primeiro período foi decisivo no que vimos nos 30 minutos restantes. O Real começou voando, abriu 10 pontos de cara, fechou a primeira parcial com 24-15, mostrou que estava faminto por mais um troféu e obrigou Bauru a correr atrás. Se desgasta jogar contra os merengues à frente do placar, imagina buscando reverter a desvantagem no duelo quase todo. Cansa ainda mais – mentalmente sobretudo.

2) Só que mesmo assim Bauru tirou forças e conseguiu equilibrar a peleja. Jogou bem o segundo período (de novo com a formação tendo Leo Meindl e Rafael Mineiro em quadra), tirou a vantagem, foi para o intervalo perdendo de 9, mas logo no começo do terceiro período empatou o jogo. Estava, lembro bem, 53 iguais ali pela metade do terceiro quarto quando Bauru teve três chances seguidas de passar à frente. Errou ataques seguidos, permitiu que o Real abrisse vantagem (13-4 na sequência final dos últimos quatro minutos) e não mais conseguiu encontrar os merengues.

fischer13) Voltarei a falar de Bauru com mais profundidade amanhã, mas que partida esplêndida fez Ricardo Fischer (agora mais do que nunca monitorado por times europeus). O jovem armador teve, obviamente, dificuldade contra Sergio Llull na defesa (quem não tem?), mas terminou com 26 pontos e 6 assistências. Uma atuação pra lá de excepcional de um jogador que cresce a cada dia. Alex (14) e Hettsheimeir (17 apesar dos 3/13 nos chutes) também foram bem.

4) Na coletiva pós-título Llull disse que a saída para o Real Madrid vencer o jogo 2 seria conter Bauru a menos de 80 pontos. Os bauruenses fizeram 79. Mas além da forte defesa merengue, que marcou muito melhor no perímetro (10/28 do rival de fora) e viu o adversário não tentar construir muitas situações no jogo interno, outro fator chamou a atenção: os rebotes ofensivos. Os espanhóis tiveram 14 no ataque (Ayon pegou 8 rebotes ofensivos) e anotaram 15 pontos em segundas oportunidades. Bauru, por sua vez, teve 5 rebotes ofensivos, com 2 pontos pós-rebotes. Em uma partida contra um rival tão forte, dar chances seguidas de ataque não é recomendável.

llull15) Sobre Sergio Llull, o MVP do torneio, a pergunta óbvia: de onde saiu este cara? O armador é um carrapato na defesa, tem rapidez no ataque e ainda melhorou demais seu arremesso. Tem o famoso pacote completo e joga com uma seridade de dar gosto. Terminou com 20 pontos, 6 assistências e 5 rebotes. Isso com o tornozelo torcido (na coletiva ele não conseguia andar direito e estava com o pé visivelmente inchado). Além disso, Sergio Rodriguez, seu companheiro de armação, foi expulso ainda no primeiro tempo após reclamar loucamente com a arbitragem. Ficou tudo com o camisa 23. Sem problemas, ele chamou a responsabilidade e resolveu. Llull é um cracaço (e estará aqui amanhã em entrevista exclusiva).

bauru16) Por fim, vale dizer: Bauru caiu de pé. Pegou o melhor time da Europa duas vezes pela frente e fez ótimo papel. Muita gente imaginava uma surra, mas isso esteve bem longe de acontecer – muito pelo contrário, pois os bauruenses tiveram chances de terminar com o caneco do torneio. Ademais, o Real Madrid veio com o time campeão europeu inteiro, reforçado (com os jogadores que chegaram para a temporada) e absurdamente motivado. Fez ótimo papel o time de Guerrinha, representando bem o basquete brasileiro e mostrando que há, sim, qualidade por aqui (embora obviamente em menor nível que na Europa). Olhem que bacana: com exceção do primeiro período de hoje, o Real fez 157-155 contra Bauru em 70 minutos de jogo. Acho este um ÓTIMO índice.

Viu o jogo? O que achou?


Bauru e a armadilha para conquistar o título contra o Real Madrid hoje
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Fábio Balassiano

ric1“O maior pecado que Bauru pode cometer é achar que poderá ganhar de novo do Real Madrid jogando como atuou no segundo tempo. É o maior pecado que a equipe pode cometer. Acertaram tudo, trabalharam bem as jogadas, os chutes, mas isso certamente será detido pelo Real no domingo (meio-dia, com Sportv2). É fundamental, para ganhar o torneio, não cair na armadilha”.

A análise acima me foi feita por um profundo conhecedor do jogo logo depois da linda vitória bauruense contra os merengues na sexta-feira. E de fato ele tem razão: arremessar 12/18 de três pontos contra o Real Madrid em um segundo tempo é um ponto totalmente fora da curva. Certamente o time de Pablo Laso está ciente disso e tentará deter os corta-luzes seguidos de Ricardo Fischer da melhor maneira. Ontem mesmo, em entrevista coletiva, Andres Nocioni disse que seu time precisa encontrar uma forma de marcar uma equipe que joga com cinco chutadores abertos, algo pouco usual na Europa.

alex2Para Bauru ser campeão neste domingo é fundamental ao mesmo tempo não fugir de seu estilo agressivo de jogo (com infiltrações e bolas de três arremessadas) e não cair na armadilha que o jogo de sexta-feira pode ter provocado (ou seja, a de que para ganhar do Real Madrid basta chutar loucamente de fora). Alternar momentos de agressividade perto da cesta e chutes longos pode ser uma solução interessante e algo que confundiria ainda mais a camisa madridista. É algo que certamente Guerrinha e sua comissão técnica terão conversado com os atletas de sábado até poucos minutos antes da partida. É algo que os jogadores bauruenses precisam ter muita consciência na tomada de decisões. Dois, três minutos de descuido, como aconteceu no terceiro período, podem ser fatais – e nem sempre se consegue remontar uma desvantagem de 17 pontos contra os merengues como ocorreu no jogo 1 da decisão. Defender bem forte nos 40 minutos também deve estar na ordem do dia.

Espero que o Ibirapuera receba um grande público e que Bauru e Real Madrid proporcionem outro grande espetáculo. Vale lembrar: desde que o Mundial Interclubes voltou a ser realizado está 1-1 entre brasileiros e europeus. Quem vencer hoje dá a vantagem para seu continente. O que será que acontece a partir do meio-dia de hoje? Comente aí!


Breves notas de uma sexta-feira agitada no Ibirapuera
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Fábio Balassiano

oscar1Aqui vão as minhas notas de sexta-feira em São Paulo, mais especificamente no ginásio do Ibirapuera:

1) Logo que cheguei ao ginásio, ali pelas 11h, duas senhoras fazendo caminhada quando o time de Bauru saía de seu ônibus para o treino pré-jogo. Elas param, falam alguma coisa pro Alex, uma vira pra mim e emenda: “Menino, eu sou da época do Oscar Schmidt! Como vai ter um Mundial aqui e eu não estou sabendo?”. Oscar, aliás, estava no Ibirapuera (conversei com ele e depois publico a entrevista exclusiva aqui) e vibrou loucamente com a vitória de Bauru, comandado pelo seu ex-companheiro de seleção Guerrinha.

llull12) Armador (e craque de bola) do Real Madrid, Sérgio Llull (foto) fez um pedido todo especial à organização do evento. Não queria que seu armário fosse posicionado no centro do vestiário madridista como de fato estava. O motivo conhecido na manhã desta sexta-feira? Segundo Llull, ele só se senta nos cantos (seja em aviões, vestiários ou restaurantes), jamais no meio. Cada louco com sua mania…

3)  Aqui um fato bacana que merece ser exaltado. O técnico Dedé, que disputou o último NBB por Limeira, pediu à comissão técnica de Bauru para acompanhar este período intenso de preparação visando o Mundial contra o Real Madrid. Pedido feito, pedido aceito. Dedé não só acompanha como interage fortemente com Guerrinha e sua comissão técnica, passando impressões e ajudando no que for preciso com informações e análises sobre o rival. Muito bacana das duas partes – do treinador em querer aprender e dos bauruenses em toparem isso sem o menor melindre.

dede14) E falando em Limeira, o papo que mais se ouvia no ginásio é que a franquia estaria se transferindo para o Rio de Janeiro, mais especificamente para o Vasco da Gama. A notícia foi trazida pelo JP Benini nesta semana e no começo da próxima pode ser anunciada oficialmente pela Liga Nacional. Aparentemente a Liga Nacional aguarda apenas detalhes burocráticos para colocar o Vasco no próximo NBB. Pelo que apurei, a comissão técnica liderada por Dedé e grande parte do elenco pegaria a caravela em Limeira direto para o Rio de Janeiro, deixando, assim, a agremiação vascaína com um time bem forte para a temporada. A vaga na Liga das Américas conquistada em quadra por Limeira ainda não foi sacramentada, mas aparentemente NÃO ficaria com o Vasco, não.

APRESENTAÇÃO NOVO TÉCNICO DO BASQUETE DA S.E.PALMEIRAS, REGIS5) Outra definição bacana. A franquia de Salvador (ex-Uberlândia) jogará mesmo o NBB pelo tradicional Vitória, cuja torcida, no futebol, é fanática. Outra definição importante é que o técnico da agremiação será o ótimo Régis Marrelli (foto), que treinou São José no começo dos NBB’s e na temporada passada esteve no Palmeiras. A montagem do elenco começará a tomar forma a partir da próxima semana.

6) Cientes da magnitude do evento, todos os integrantes de Bauru usaram ontem terno e gravata. Foi bacana, mas a preparação para isso foi tão difícil quanto vencer o Real Madrid horas depois. No hotel onde a delegação estava hospedada foi um tal de “me ajuda aqui com esse nó da gravata porque estou enrolado” que envolveu até funcionários do local para o resgate…

trio17) Não foi divulgado o público do ginásio, mas espero sinceramente que amanhã esteja mais cheio (arriscaria umas 4 mil pessoas nesta sexta-feira). Entre as personalidades, Oscar Schmidt (já citado e disparado o mais aplaudido do dia), Hortência, Magic Paula (os três da foto), Larry Taylor (ídolo de Bauru), Succar, Menon, Cláudio Mortari e Clifford Luyk, lendário jogador do Real Madrid e da seleção espanhola. O técnico da seleção brasileira, Rubén Magnano, não compareceu ao evento, o que considero um absurdo completo. O presidente da CBB Carlos Nunes estava no Ibirapuera, bem como Horacio Muratore, presidente da FIBA entusiasmado com mais um Mundial no Brasil.


A vitória de Bauru e a paixão pelo basquete
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Fábio Balassiano

ricardo2Quão maravilhoso pode ser um jogo de basquete? Se for pra resumir, vale pegar o que foram os últimos 16 minutos da primeira partida entre Bauru e Real Madrid pela primeira partida da final do Mundial Interclubes. Os bauruenses estavam sendo completamente dominados pelos espanhóis, àquela altura perdiam de 17 pontos (59-42) e estavam nas cordas. O ginásio do Ibirapuera, obviamente, calava-se diante do domínio de um rival claramente mais forte. Não custa lembrar: a equipe de Guerrinha estava diante de um adversário cujo orçamento estimado é de 30 milhões de euros (quase 15 vezes maior que o do time brasileiro), do atual campeão da Europa e cujo elenco é recheado de craques reconhecidos internacionalmente.

rafa2Mas aí entra a mágica do esporte, a magia do basquete. Ousado, o técnico Guerrinha optou por tirar Alex e lançar Gui Deodato ao lado de Leo Meindl, Ricardo Fischer, Rafael Mineiro e Rafael Hettsheimeir. Um time leve, com poderio para arremessar de longe e que poderia abrir espaço para as bolas de três pontos mais equilibradas (depois retorno sobre esta parte da estratégia). Poderia dar muito certo. Poderia (até com mais probabilidade) dar mais errado e afundar ainda mais Bauru.

O que se viu, então, foi algo além da compreensão racional. Bauru ESMAGOU o Real Madrid nos últimos quatro minutos do terceiro período, fez 17-3, foi perdendo por apenas três pontos para os dez minutos finais e lá tirou forças sabe-se lá de onde para bater um fortíssimo rival por 91-90 após infiltração de Ricardo Fischer a quatro segundos do fim. Foi uma vitória magnífica, esplendorosa, que contou com 27 pontos de Rafael Hettshemeir (o nome do jogo com 6/9 de fora!), outros 15 de Leo Meindl (ele engoliu o lituano Maciulis) e um esforço coletivo acima do normal por parte da agremiação brasileira.

Vamos a mais alguns detalhes da peleja:

jeff11) No primeiro tempo Bauru chutou 4/15 de três pontos. No segundo, surreais 12/18. E não foi sorte. Perguntei a Jefferson William (foto), que fez ótima partida apesar de sua limitação física (ele volta de grave lesão), qual o motivo de tamanha mudança e ele foi na mosca: “Quando perdíamos por 17 o Guerrinha orientou o Ricardo Fischer a fazer mais de um corta-luz por jogada, e ordenou que os outros jogadores em volta dele não convergissem para o meio do garrafão, mas que abrissem para se posicionar para o chute. Deu certo”. Ouvi o técnico a respeito disso também: “Não era uma jogada treinada, mas vi que o Real Madrid estava congestionando o meio e nosso time estava se atrapalhando com isso na primeira etapa. Quando conseguimos sair dessa armadilha tivemos oportunidade de arremessar com mais equilíbrio e as bolas caíram”. Está claro que não foi obra do acaso. O apressado ataque que se enrolava e dava espaço para os contra-ataques merengues se ajustou. A marcação, por consequência, não ficou tão pressionada. Tudo fluiu naturalmente e sem loucura. O Real tinha um remédio para deter os chutes longos de Bauru. Não contava era com um antídoto tão rápido assim por parte dos bauruenses. Arremessar de longe NUNCA foi o problema. De forma equilibrada e com as armas no lugar certo foi, é e sempre será uma ótima e letal arma.

alex12) Alex Garcia (foto) é um fenômeno do basquete brasileiro. Foram 12 pontos, 8 assistências, 7 rebotes e dois arremessos cruciais nos minutos finais. Seus números nem sempre mostram a sua importância para a equipe, e nesta sexta-feira ele foi um leão em quadra ao cobrir as investidas do excepcional Sergio Llull e Sergio Rodriguez ao garrafão bauruense. Irritado em alguns momentos com a falta de cobertura de sua defesa, o Brabo esbraveja pedindo atenção e reforço à marcação de Bauru. Deu certo. O Real Madrid fez apenas 31 pontos nos últimos 14 minutos, algo muito aceitável para uma equipe com padrão ofensivo como é a merengue. Já falei isso aqui algumas vezes e não canso de repetir: atletas como Alex, que se sacrificam pela equipe (pelo bem comum) em detrimento de façanhas individuais devem ser muito valorizados por aqui. O basquete é um jogo coletivo e ter alguém assim no elenco é sempre uma imensa vantagem competitiva.

guerra13) Não achei que Ricardo Fischer (foto) fez uma partida sensacional, mas o que dizer de um cara que precisa marcar Sergio Llull, Rudy Fernandez, Sergio Rodriguez e  tem força para guiar seu time a uma reação histórica e ainda por cima é capaz de matar a bola decisiva para dar a vitória a Bauru? Mais uma prova de força do jovem armador e mais um tijolo que ele coloca em sua “construção” para ser um dos melhores do país em pouquíssimo tempo. Tem muita gente que pega no pé de Ricardo, mas sua personalidade, sua constante evolução e o trabalho que ele tem feito com Guerrinha o credenciam a seguir brilhando por muito tempo.

leo24) Outro jovem que merece um destaque imenso é Leo Meindl (foto). Recém-chegado a Bauru, o ex-ala de Franca não teve o menor pudor de descascar o lituano Marciulis e detoná-lo em uma sequência de jogadas que deixou o técnico Pablo Laso, do Real Madrid, de boca aberta (estávamos sentados atrás de Laso na área de imprensa). Léo terminou com 15 pontos, sendo 6 no crucial terceiro período e 7 no quarto derradeiro. Vale citar, também, a bravura de Gui Deodato, jogador emprestado por Rio Claro e que na noite anterior havia jogado um jogo 5 de Paulista contra o Pinheiros. Chegou no hotel, dormiu, descansou, treinou de manhã, foi acionado em um grave momento e correspondeu totalmente às expectativas. Uma noite que ele jamais esquecerá certamente.

rafa15) Quer ver a mágica do esporte em ação? Rafael Hettsheimeir pelo Real Madrid na temporada 2012/2013: 106 pontos em 27 jogos. Nesta sexta-feira, 27 pontos em um jogo contra… o Real Madrid.

6) Para ser campeão mundial os bauruenses precisarão vencer o Real Madrid novamente no domingo ao meio-dia. Vitória do Real por um ponto de diferença leva a peleja para a prorrogação. Por mais que isso, título merengue. Qualquer triunfo de Bauru mantém o caneco no país (o Flamengo foi o último vencedor).

Foi uma noite magnífica para quem gosta de esporte, para quem ainda se deixa emocionar pelo jogo, para quem ama basquete poder bater no peito e dizer “cacete, eu vi uma partida espetacular”. Curtiu também? Comente o que achou!


Podcast BNC: EuroBasket, Copa América, Moses Malone e Elena Delle Donne
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Fábio Balassiano

No Podcast desta semana Pedro Rodrigues e eu falamos do sensacional EuroBasket terminado em Lille no último fim de semana, do feito incrível da Venezuela, da Argentina avançando ao Rio-2016, do Mundial InterClubes de Bauru, da saída de Limeira do NBB, do legado de Moses Malone e também de Elena Delle Donne, eleita a MVP da WNBA (antes de ser eliminada na segunda-feira, antes de gravarmos o programa).

Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e bom programa!