Bala na Cesta

Arquivo : julho 2015

Herói do ouro, Benite fala da conquista do Pan e planeja próximos passos
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Fábio Balassiano

benite1Ninguém tem dúvida que Vitor Benite foi um dos melhores jogadores da seleção brasileira que conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto no sábado passado. Aos 25 anos, o ala-armador do Flamengo terminou a competição com 18,5 pontos e foi uma das peças fundamentais do time de Rubén Magnano. De volta ao Brasil e aguardando a convocação para o Pré-Olímpico do México, ele conversou com o blog sobre o torneio no Canadá, o magnífico jogo contra os Estados Unidos, os próximos passos de sua carreira, sua incrível evolução na temporada do Flamengo e planos futuros. Confira!

bra5BALA NA CESTA: Você foi sem dúvida alguma um dos destaques do Brasil no Pan-Americano. Pouca gente lembra, mas dois anos atrás você fez parte do grupo que não foi bem naquela Copa América da Venezuela. O que mudou em você de uma maneira particular e neste grupo do Pan de maneira mais ampla ?
VITOR BENITE: Primeiramente em mim mudou muita coisa. Eu passei por muito aprendizado desde aquela época. Tive uma cirurgia no joelho, tive que enfrentar muitos desafios novos em relação a superação, a ficar muito tempo sem jogar, a desconfiança, a ter uma dúvida grande. Tudo o que um atleta passa. E além disso tudo teve a Copa América, como você citou. Mas depois de passar por esses obstáculos eu me fortaleci. Hoje sou mais confiante, mais focado, sei lidar melhor com as coisas ruins, resultados. E no grupo eu acho que essa seleção que se juntou tinha muita vontade de dar um recado, de mostrar um basquete coletivo, solidário, bem jogado defensivamente e ofensivamente altruísta e sempre se importando com quem estava mais livre pra chutar. Jogamos soltos e muito focados. Estávamos muito confiantes e todos com vontade de se estabelecer dentro da seleção brasileira. De 2013 pra cá acho que foi isso que mudou e estas qualidades do grupo que te apontei foram fundamentais para que pudéssemos ganhar o Pan.

benite2BNC: O jogo contra os EUA foi o melhor jogo da sua vida? O que você sentiu jogando aquela partida? Foram 8 bolas de 3, 34 pontos, parecia em outra dimensão aquela noite.
BENITE: O jogo contra o EUA foi o melhor da minha vida, sim. Pelas circunstâncias todas. Fazer 34 pontos contra uma equipe com uma camisa tão forte, com jogadores que já tinham passado por Euroliga, com uma história, e eu ter conseguido fazer aquela partida foi realmente muito bacana. Mas insisto no ponto: o mais gostoso daquele dia foi ver como o time estava vendo o meu bom momento e todos me procurando, me abastecendo para pontuar. Não havia egoísmo. Me senti numa das melhores noites da minha carreira. Além da bola estar caindo legal havia uma sintonia impressionante com todos. Isso foi o mais legal e que ficará marcado para sempre na minha cabeça.

benite1BNC: Com as suas atuações no Pan seu nome ficou muito em voga no mercado internacional (foi elogiado inclusive por Marc Stein, um dos jornalistas mais conceituados do mundo e que cobre a NBA há tempos). Você recebeu propostas? Jogar na Europa mexe muito com você ou hoje encara como algo natural?
BENITE: Foi muito bacana essa repercussão, muita coisa sobre mim apareceu e as pessoas puderam ver exatamente como eu jogo. O Pan tem uma visibilidade bacana e muito foi falado por mim. Houve, sim, alguns times falando, mas encaro uma eventual ida para a Europa como algo natural e que se acontecer vou pensar em caso de receber uma proposta. Sou muito feliz no Flamengo e valorizado no Brasil. Tenho vontade, sim, de um dia ir para a Europa. Quando chegar uma proposta concreta vou sentar, analisar e ver se é uma situação bacana. Precisa ser de forma natural.

bras5BNC: E a importância do Magnano pra este jovem grupo que foi ao Pan ? Escrevi que foi o melhor time desde que ele chegou a seleção e de longe pareceu haver uma empatia incrível entre todos vocês.
BENITE: O Magnano tem uma importância muito grande por ser um cara que trouxe uma filosofia diferente. Tanto de jogo quanto de convivência entre todos nós. E é um treinador que nos cobrou para melhorar, para buscar o jogo que conseguimos no Pan. Ele sempre pediu jogo coletivo, confiante, com muita raça. Ele passou a mensagem e creio que o grupo todo comprou a ideia para transformar naquilo que vocês viram. Todos queriam muito o título, provar a capacidade da equipe. O Magnano foi o grande comandante para fazer tudo dar certo.

bras1BNC: Depois do Pan você recebeu alguma mensagem que te emocionou? A gente sabe que a Paula tinha seu pai como ídolo e tem muito carinho por você.
BENITE: Recebi através do meu pai uma mensagem da Paula e isso me deixou muito feliz, sim. Ela foi falando com meu pai durante os jogos e isso foi muito bacana. A mais emocionante mesmo foi a da minha família, que viu os jogos juntos e depois da final me mandou uma mensagem. Sentir a felicidade deles por um objetivo alcançado foi algo que mexeu muito comigo. A gente conquistou tudo junto e logo depois do jogo ter recebido aquela mensagem foi a mais emocionante possível.

benite2BNC: Você falou de um tema e queria retomar. Queria que você falasse dessa superação da cirurgia e de como foi atravessar a dúvida que passa por todos que sofrem este tipo de lesão. Você fez algum trabalho com psicólogo, essas coisas? Ou foi tudo força de vontade sua para melhorar?
BENITEAs dúvidas acontecem porque quando você volta pra quadra tem aquela desconfiança natural. Seu corpo precisa se adaptar a alguns movimentos, você precisa perder o medo de fazer alguns movimentos, principalmente aqueles que se parecem com o que lhe causou a lesão. Na verdade você passa por um processo que vai reaprendendo algumas coisas. O principal trabalho que eu fiz não foi com psicólogo, não. Foi vir mesmo para ficar perto de casa, da família. Moro longe de casa faz tempo e estar ao lado das pessoas que amo foi muito importante. Vim me tratar em casa, com meus amigos, com meus pais por perto. Os dois primeiros meses pós-cirurgia eu comi tudo o que eu queria, fiquei bastante com meus amigos e tentei aproveitar ao máximo as pessoas para tentar ficar mais feliz, alegre, mesmo em um momento complicado. Queria passar por aquela fase bem de cabeça. Além disso tive uma força de vontade grande. Todo atleta é movido a isso. Eu sabia que voltaria mais forte. Precisava ter paciência e passar degrau por degrau. Não tentar queimar etapas, essas coisas. Sabia que ia demorar e precisava ter tranquilidade para subir aos poucos até uma fase boa.

benite1BNC: Quão importante pra você ter brilhado na seleção foi ter fechado bem a temporada com o Flamengo? No começo do NBB você era uma opção vindo do banco, tornou-se titular no começo de 2015 e fechou a temporada como campeão e peça fundamental do NBB.
BENITE: Foi fundamental, fundamental mesmo. Foi uma temporada no Flamengo com várias fases como você disse. O começo da temporada eu ainda tinha problemas no joelho. Ele inchava, tinha dores e em muitos jogos eu não entrava devido a isso. Quando naturalmente isso tudo foi passando eu fui melhorando meu físico, minha confiança e meu jogo foi crescendo. A equipe, da comissão técnica, atletas e médicos, passou a me dar muita confiança e as coisas foram fluindo. Quando você faz uma temporada assim no seu clube, sendo campeão do NBB no final dela, você chega na seleção confiante. Em bom ritmo de competição e também preparado psicologicamente. Era, então, uma questão de manter o foco para o momento esperado na seleção. O Flamengo foi essencial para eu chegar bem à seleção.

benite2BNC: Quando você chegou ao Flamengo acho que fui um dos primeiros que o entrevistou. E levei uma paulada por e-mail (no bom sentido) do seu irmão depois escrevi que sentia que você, pela qualidade que tinha, poderia estar optando por ir a um time grande para ser uma segunda opção ao invés de uma equipe em que poderia ser o líder técnico. Olhando hoje, três anos anos depois da sua escolha pelo clube da Gávea, como você enxerga os passos da sua carreira e o seu momento atual ? Você já se considera hoje uma “estrela”, no sentido de saber a responsabilidade de protagonista que sua qualidade lhe coloca? Seu irmão ainda liga pra blog?
BENITE: (Risos) Desde que eu fui para a Gávea eu não fui pensando em ser uma segunda opção. Eu fui pensando em jogar em uma equipe competitiva e que disputaria títulos. Foi assim que eu pensei quando vim ao Flamengo. Precisava da pressão, da cobrança de estar em um time grande e do dia a dia treinando contra grandes jogadores. Este embate diário te faz crescer também. O Flamengo me proporciona isso. Ganhamos muitos torneios, assumi um papel de protagonismo em algumas vezes em um grupo muito qualificado e acredito que isso tudo fez com que eu crescesse ao longo destes três anos em todos os aspectos do jogo. Desde a parte técnica, passando pelo físico e também no psicológico. Mentalmente eu precisava estar preparado para jogar bem no meio de tantos jogadores de qualidade. Creio que fui muito feliz com estas escolhas. E, não, não me considero uma estrela. Sou um jogador de grupo com uma responsabilidade dentro do Flamengo. E gosto disso. Espero manter isso e crescer o quanto for possível. E meu irmão e minha família leem tudo o que sai sobre mim. Vão me defender sempre com unhas e dentes pois eles conhecem e fazem parte da minha carreira. Eles vão ficar em cima sempre, não tem jeito (risos).

benite1BNC: Conhecendo a sua exigência e seu alto nível de cobrança, em quais partes do seu jogo você pode evoluir mais?
BENITEPor você saber que eu me cobro muito eu não posso dar uma resposta muito clichê, né? Então vamos lá. Pensando agora eu gostaria de continuar melhorando minhas infiltrações, o passe para achar os companheiros livres, a defesa, o físico. Tem muita coisa ainda. Eu vou chegar a falar aquele famoso “eu preciso melhorar em tudo”, mas é por aí mesmo.

beniteBNC: Esta pergunta é meio lugar-comum, mas difícil de fugir. Jogar a Olimpíada de 2016 sempre esteve em seu radar, obviamente. Com o Pan que você fez e com a provável convocação para o Pré-Olímpico do México atuar no Rio-2016 ficou mais próximo?
BENITE: Eu acho que deixa mais próximo, mas eu tento não ficar muito atrelado a isso. O que já passou já foi. Preciso focar no presente e nos próximos passos. As Olimpíadas do Rio de Janeiro serão uma consequência do que já fiz e do que ainda farei até lá. Fico muito feliz de estar sendo reconhecido, de estar me sentindo bem em quadra e é isso que vou tentar manter para chegar aos meus objetivos.


Podcast BNC: O Basquete do Brasil no Pan-Americano
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Fábio Balassiano

No Podcast desta semana, Pedro Rodrigues e eu falamos das duas seleções brasileiras no Pan-Americano de Toronto. O ouro da masculina e o mico da feminina. As análises estão no programa desta semana. Só clicar pra ouvir!

Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e bom programa!


Com verba do Ministério, falta de competência da CBB é premiada outra vez
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Fábio Balassiano

Me3Divulguei aqui ontem que o Ministério do Esporte disponibilizou a animada quantia de R$ 7 milhões para a CBB por meio de convênio até o final da Olimpíada de 2016. Pesquisei e vi, lá, uma série de valores altos de hospedagem, transporte aéreo, lavanderia, entre outras coisas. Isso assusta muito. Mas sabe o que assusta mais ainda? Ver que a Confederação Brasileira consegue receber um montante altíssimo como este mesmo com tudo o que (não) tem feito nos últimos anos no país.

cbb3Quem acompanha este blog com afinco sabe que ano após ano divulgo aqui o Balanço Financeiro da entidade máxima do basquete brasileiro. E ano após ano a dívida só faz crescer, numa clara e indelével prova de quão ruim é a gestão do presidente Carlos Nunes à frente da CBB desde 2009 (ano em que foi eleito para seu primeiro mandato – em 2013 foi reeleito para o segundo). Não custa lembrar: a Confederação fechou 2014 com mais de R$ 13 milhões de negativo na conta e uma série de problemas gravíssimos inclusive com órgãos do governo (mais de R$ 2,5 milhões entre INSS e Imposto de Renda). Deve a meio mundo, inclusive a Federação Internacional de Basquete por um convite para o Mundial masculino de 2012 que pode custar a vaga olímpica ao país em 2016.

cbb1E como o Ministério do Esporte responde a uma gestão tão ruim? Responde premiando-a com um convênio de R$ 7 milhões. É quase como se Carlos Nunes falasse assim à sociedade: “Faço as maiores loucuras do mundo na gestão técnica, administrativa e financeira, tem um pessoal que me critica, mas no final eu sempre consigo mais grana do Governo Federal”. É um exagero, obviamente, mas Nunes pode se orgulhar bastante de ter recebido mais de R$ 24 milhões em convênios do Ministério do Esporte desde 2009 para (agora) 11 projetos aprovados (amplie a foto ao lado).

nunes1Para uma entidade que cuida tão mal de grana é no mínimo um contrassenso ser agraciada com valores tão altos assim nos últimos anos, não? Infelizmente o Ministério não pensa assim e continua a pingar grana e mais grana nos endividados cofres da Confederação Brasileira chancelando, aplaudindo, garantindo e incentivando uma das piores gestões que o esporte brasileiro vê nos últimos anos. Tento, mas não consigo entender qual é o motivo para isso. É como se um pai desse um carro do ano para seu filho que acaba de ser reprovado na escola no final do ano. Não é a melhor maneira de educar, certo?

Pois é exatamente isso que o Ministério faz com uma de suas filiadas. A CBB de Nunes faz tudo errado. Falta transparência, falta gestão, falta credibilidade, falta planejamento, falta ação, falta de tudo um muito. E mesmo assim recebe muita grana pública. Como explicar isso? Sinceramente é algo que não consigo pois é muito incompreensível. Não é questão de querer ver o esporte que a gente tanto ama na lama. Mas sim de ver o dinheiro público aplicado da melhor maneira possível e em entidades que realmente merecem.

nunes3Há alguns anos Nelson Rodrigues escreveu que toda nudez seria castigada. No basquete brasileiro, parafraseando o mestre, a má gestão acaba sendo premiada. Premiada com um derramamento de dinheiro público assustador. Premiada com um dinheiro público assustador em uma entidade cuja gestão é terrível. Premiada com dinheiro público em um momento de crise econômica grave no país. Premiada com dinheiro público em um momento em que todo país fala em ajuste fiscal, em segurar gastos, em frear investimentos. A lógica do investimento do Ministério do Esporte na CBB, porém, é não ter a mínima lógica.

tristeza3Os R$ 7 milhões que pingarão na conta da CBB até o final das Olimpíadas de 2016 (infelizmente) são a cara do Brasil. A cara de um Brasil que não queremos. A cara de um Brasil que está literalmente quebrado. A cara de um Brasil que premia gestões ruins com mais e mais dinheiro público.


Ministério assina convênio com a CBB – valores chamam a atenção
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Fábio Balassiano

Me3O Ministério do Esporte anunciou convênio com a Confederação Brasileira de Basketball na tarde de ontem. De acordo com nota oficial do ME (mais aqui) a pasta do Ministro George Hilton liberará R$ 7 milhões para a entidade máxima da modalidade (cerca de R$ 2,5mi já para 2015).

Aqui, aliás, já cabe um aviso antes da minha análise completa desta situação (virá em texto posterior, prometo a vocês): o convênio refere-se apenas a preparação da seleção brasileira masculina visando às Olimpíadas de 2016. A grana (federal e “carimbada”, como se diz no meio) não pode, portanto, ser utilizada para qualquer outra coisa que não o que está descrito no convênio cuja proposta 36051/2014 pode ser analisada no site oficial do SICONV (clique em ‘Acesso Livre’, ‘Consultar Propostas’ e colocar o número descrito acima). Para a dívida com a FIBA, referente a Copa do Mundo de 2014, portanto, não é possível com a verba deste convênio.

me2Sobre o convênio, foi abrindo as contas (amplie a imagem ao lado caso queira) que me assustei um pouco. Não sou especialista em Convênios do Ministério do Esporte (ou de qualquer Ministério), mas há algumas coisinhas descritas no acordo que fará com que a Confederação Brasileira receba R$ 7 milhões que chamam a atenção. Vamos lá:

financas23a) As linhas 18 e 19 falam em “Contratação de Coordenação administrativa financeira” e “Contratação de Assessoria Juridica“. Para a parte financeira, em um período de 15 meses serão R$ 300 mil (R$ 20 mil/mês). Para a Jurídica, R$ 150 mil (R$ 10 mil/mês) pelo mesmo tempo. A que se refere isso exatamente? A CBB não possui departamentos próprios nas duas áreas? Pelo visto o Ministério concordou em ceder grana pública para serviços administrativos e jurídicos na Confederação.

b) Os custos de toda comissão técnica tampouco ficam longe de chamar a atenção. Não pelo valor total de R$ 1.111.500,00, mas sim pelo período compreendido. Entre 7/8 e 31/12/2015 (linha 2) a comissão receberá R$ 427.500,00 divididos entre “Administrador, Assistente Técnico 02, Preparador Físico, Assistente de Preparador físico, Fisioterapeuta 02, Médico, Fisiologista, Nutricionista e Massagista“. Na linha 10, os mesmos funcionários da CBB receberão R$ 684.000,00, só que pelo período de 7/8 a 20/9/2016 (fim dos Jogos do Rio-2016). Não entendo como há esta intersecção de datas e custos. E mais: todos estes profissionais estarão recebendo salários mesmo com a temporada de clubes acontecendo? Ou o montante estará escalonado apenas para o período de seleções?

financas31c) Nunca lavei roupa em hotel, mas se há uma despesa que chama a atenção neste convênio é a de lavanderia. O item aparece 10 vezes no convênio entre as linhas 1 e 19, com valor total de R$ 646.600,00 até o final das Olimpíadas de 2016. Será que nas cidades que a seleção vai passar (São Paulo, Brasília, Buenos Aires, San Juan, de Porto Rico, Cidade do México e depois Rio de Janeiro) não há locais menos custosos para se lavar roupa? Apenas na Cidade do México, onde se jogará o Pré-Olímpico, o custo total de lavanderia será de R$ 149.760,00. Muita coisa, não?

financas28d) Transporte aéreo é outro item que aparece em 10 ocasiões das linhas 1 a 19. O valor total das viagens chega a R$ 1.536.553,47. O montante não salta tanto aos olhos quanto alguns detalhes. Vamos lá: a programação da seleção brasileira até a Copa América do México contempla um período de treino em São Paulo (7 a 13/8) com uma viagem a Brasília para um torneio internacional em Brasília no meio disso (7 a 9/8), um Super 4 na Argentina (14 a 16/8), a Copa Tuto Marchand em Porto Rico (20 a 22/8) e a própria Copa América no México de 25/08 a 6/9. Não fica claro, pelo site do Ministério/Convênios, qual será o itinerário da equipe nacional, mas aparentemente a seleção não volta de San Juan (Porto Rico) para São Paulo, viajando depois para a Copa América no México. O normal é sair de Porto Rico direto para o México (ficam pertinho…). Os valores, porém, estão assim descritos: R$ 398 mil de viagem para a Copa América e outros R$ 299 mil para viajar para Porto Rico. São quase R$ 700 mil só nestas duas linhas. Muitão, hein…

financas14d.1) Uma perguntinha importante: em competições oficiais a organização (FIBA Américas, por exemplo) não paga hospedagem e transporte aéreo? Até onde eu sabia era assim que funcionava. Alguma coisa mudou?

d.2) Por que quando a seleção brasileira viaja para torneios em Buenos Aires (R$ 78.400) e Porto Rico (R$ 72.680) o custo de hospedagem é baixo, mas quando joga em Brasília este valor de hospedagem aumenta sobremaneira (para mais de R$ 352 mil)? Qual o motivo desta diferença? O Torneio em Brasília contempla o pagamento das hospedagens das seleções que participarão do evento? E quanto o Brasil viaja o pagamento fica… com o Brasil também? Não entendi bem…

financas7e) Há um item na linha 17 que é estranho também: há um custo de mais de R$ 155 mil para hospedagem nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Peraí: atletas e comissão técnica não ficam na Vila Olímpica? Como explicar um custo deste tamanho?

f) Itens como diárias de atletas e seguro dos jogadores não estão contemplados no Convênio. Não sei exatamente o motivo.

São dúvidas que me ocorreram quando li, do começo ao fim, o convênio liberado pela pasta do Ministro George Hilton para uma Confederação Brasileira endividada, sem nenhum plano de gestão e com problemas inclusive de tributos.


Nas palavras de Magnano, a dura realidade do basquete brasileiro
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Fábio Balassiano

magnano1“A medalha é real. Mas a estrutura do basquete brasileiro precisa melhorar muito mais para fazermos relação com os resultados”. Esta frase poderia ser dita por um analista que acompanha a modalidade a fundo. Poderia ser dita até por algum dirigente da oposição (se é que há oposição de algo neste país). Mas foi dita por Rubén Magnano, técnico da seleção masculina. E minutos depois do ouro pan-americano ter sido conquistado com brilhantismo no sábado por seu time. Não creio que precise nem me alongar muito para explicar o que as suas palavras querem dizer, certo? Ele foi bem claro e direto ao ponto.

ruben1O principal mesmo é tentar entender como as palavras (duras e sinceras) de Rubén Magnano podem se transformar em ação – e não em lamentação como se faz por aqui a cada segundo. Magnano que faz um trabalho bem bom na quadra mas que sofre bastante por não conseguir colocar tudo o que sabe justamente porque falta organização e gestão por parte de sua contratante (vide o caso da FIBA com a vaga ao Rio-2016). Seu diagnóstico do cenário em que o esporte se encontra é perfeito, bate bem com o que este espaço fala há anos e merece ser levado em consideração de maneira profunda e séria por quem dirige o basquete brasileiro.

bra7Falta alguém da Confederação puxar a cadeira para iniciar uma salutar discussão em torno da modalidade. Ora bolas, mesmo com uma assustadora dívida (mais de R$ 13 milhões ao final de 2014) ainda seguem surgindo jovens com potencial nas divisões de base. A pergunta, aliás, é bem óbvia e precisa ser feita: em um país de 200 milhões de habitantes como fazer para que o surgimento de novos Caboclos, Raulzinhos, Bebês, Benites e Meindls seja regra, e não exceção?

bra8A Liga Nacional, através do NBB e principalmente da Liga de Desenvolvimento (LDB), consegue estancar um pouco o problema com um trabalho acima da média, mas o basquete brasileiro só dará um salto de qualidade real quando houver união não de forças, mas de trabalhos (cada um em sua área) entre a fraquíssima CBB, clubes, LNB e Federações.

olivTodos precisam estar literalmente na mesma página, navegando de maneira tranquila e sabendo o que deve ser feito para que o resultado final seja bom para todos. Por enquanto sabemos bem em que lado está o problema. Mesmo com todas as mazelas o potencial (atlético e técnico) sobra por aqui e acho que isso está claro para todo mundo (e ‘mundo’ não é força de expressão, mas sim o que todos os países falam do Brasil e dos jogadores brasileiros).

bra2Só que ainda falta bastante coisa para, como bem disse Magnano, relacionar organização a resultados. Falta, sobretudo, ter a certeza que mais e mais atletas surgirão no basquete, não nos preocupando loucamente com renovação durante um ciclo olímpico. Nos questionamos dia após dia se não vale a pena lançar um jovem de 19, 20 anos no lugar de um veterano de 33 ou 34 anos simplesmente porque não se tem a certeza de quando a fonte milagrosa de revelação de talento irá secar. Como secou no basquete feminino (e estamos vendo o que acontece quando a fonte seca…).

Enquanto a mistura de organização, planejamento e fomento a clubes não acontecer vamos continuar a depender de uma ou outra ação das agremiações formadoras e dos bons trabalhos nas seleções. Como é o de Rubén Magnano na seleção adulta.


Os meus 12 para o Pré-Olímpico masculino – quais seriam os seus?
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Fábio Balassiano

magnano1O Pan-Americano já é passado para a seleção masculina (e um passado feliz). Agora é hora de pensar no Pré-Olímpico que acontecerá no México entre 31 de agosto e 12 de setembro. Não custa lembrar: até o momento ainda não se sabe se a FIBA dará a vaga direta ao Brasil para as Olimpíadas de 2016. Sendo assim, o torneio na Cidade do México vale muito.

Aí há um quebra-cabeça que o técnico Rubén Magnano tem em mãos. O que fazer com a lista que deve ser divulgada muito em breve? Seu grupo no Pan-Americano se encaixou maravilhosamente bem. Levá-lo, integralmente, ao Pré-Olímpico, porém, é um risco desnecessário (e não é por aí mesmo). O nível do torneio no México será outro, mais alto e como não há vaga garantida o melhor mesmo a se fazer é convocar os melhores.

magnano2Comecei a escrever meus nomes e coloco abaixo os 12 jogadores que EU convocaria para o Pré-Olímpico. O critério foi: todos que estão em condição física poderiam ser incluídos na minha convocação (Anderson Varejão, por exemplo, está machucado e não o coloquei). Não excluí, por exemplo, atletas que podem não ser liberados por suas franquias da NBA (principalmente os mais jovens). Como é um fator extra-quadra, deixei isso de lado. O balizamento foi totalmente técnico portanto e a lista está abaixo.

huertas10ARMADORES: Huertas e Raulzinho
ALAS: Leandrinho, Alex, Benite, Bruno Caboclo e Marquinhos
PIVÔS: Nenê, Tiago Splitter, Augusto Lima, Rafael Hettsheimeir e Lucas Bebê

O que você acha? Quais seriam seus 12 para o Pré-Olímpico do México? Opine você também!


No título do Pan, o melhor time da Era Magnano na seleção brasileira
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Fábio Balassiano

bra2

bra6Nada como um pouco de descanso, né? O Brasil teve mais de 24h entre a semifinal contra a República Dominicana e a final do Pan-Americano (algo que o Canadá, aliás, não teve) e fez exatamente o que deveria fazer contra os canadenses na final deste sábado: pressionar com a defesa, trocar passes no ataque e castigar os rivais no jogo de garrafão. A estratégia era clara. E a execução foi perfeita.

bra5De maneira soberana e incontestável a seleção brasileira bateu os donos da casa por 86-71 para conquistar o Pan-Americano de Toronto de forma invicta e sem deixar a menor dúvida sobre quem foi realmente a melhor equipe em toda competição. É o tipo da medalha de ouro que só é possível falar bem de tudo o que ocorreu por lá.

Antes que já surja a dúvida vamos lá: o Pan é uma competição, hoje, de nível B. O Canadá não foi completo. A Argentina não foi completa. Os EUA não foram completos. Mas, psiu, o Brasil também não foi completo. Eram condições iguais para todos. Quem jogasse melhor ganharia o torneio com as mesmas armas. E a seleção de Rubén Magnano fez exatamente o que tinha que fazer: se preparou, se concentrou, se uniu, estudou rivais e aniquilou todos dia após dia. Simples.

bra4Mas há muito mais a ser dito, obviamente. Além de termos visto o primeiro título da seleção brasileira em uma competição forte desde a criação do NBB (2008, um ano depois do último Pan conquistado), o primeiro troféu de Magnano com o país e de mais um da família Luz conseguindo uma medalha pela equipe nacional (o ótimo armador Rafael se soma a Helen, Cintia e Silvinha, todos do clã Luz), o mais bacana de tudo foi ter visto em prática todos os conceitos que o treinador fala no país desde que por aqui chegou antes do Mundial de 2010.

Aqui, aliás, uma observação: mesmo com o título (o primeiro de Magnano comandando a seleção) o treinador manteve a cabeça no lugar e repetiu que fora de quadra o esporte precisa melhorar.

bra7Mas, bem, voltando. Por isso usei no título deste texto a expressão “melhor time brasileiro sob o comando de Rubén Magnano”. Não melhor na concepção técnica da coisa. Mas sim no altruísmo que ele mesmo tanto prega mas que (sabemos) é difícil de ser visto em quadra como se viu neste Pan.

É muito difícil ver qualquer time de basquete fazer tão bem o que esta seleção brasileira fez em Toronto. Os onze caras que lá estiveram entraram e mantiveram o nível lá no alto. Nível técnico, físico, psicológico, de intensidade, tático e de entrega. O Brasil engoliu todos os seus adversários porque marcou demais, porque passou bem demais, porque explorou bem demais seus pivôs, porque abriu mão de suas individualidades para dar condições a Vitor Benite e Augusto Lima brilharem com força. Era, portanto, uma conquista que vinha se desenhando não por causa das vitórias somente, mas sim pela maneira como elas vinham acontecendo. Não pelos resultados (e por mais que a surra em Porto Rico na estreia tenha chamado bastante atenção), mas pelo jeito como os atletas estavam focados em fazer, cada um com a sua função, a sua parte pelo bem comum.

olivPor fim, uma confissão: desde que embarquei de cabeça nessa coisa de fazer um blog de basquete a sério (desde 2008 pra ser mais exato) poucos times conseguiram me fazer sentir algo emotivo em relação ao esporte. Tentei (e tento) sempre manter um distanciamento crítico para escrever e analisar racionalmente para (e com) vocês um jogo, um campeonato, uma situação. A seleção brasileira deste Pan e, vá lá, o Lakers que ganhou do Boston Celtics alguns anos atrás na decisão da NBA foram os dois únicos que conseguiram me tirar, digamos, da frieza. O Lakers pelo que tinha passado dois anos antes na mão dos verdes. O Brasil do Pan não pela qualidade da competição (insisto nisso), mas pela forma como jogou – pela forma como se joga o melhor do basquete no mundo. É algo que a gente (que gosta da modalidade) sonha e pede há tanto tempo que é duro não abrir vários sorrisos quando a gente vê uma defesa bem arrumada, um ataque ajustado e jogadores atuando de forma tão coletiva. Coletiva, esta é a palavra-chave.

bras20Não sei se vocês repararam, mas as fotos deste texto são todas de grupo (não há um atleta destacado nela). Foi proposital. Foi para mostrar quão coletiva, quão altruísta foi esta seleção brasileira. Seleção brasileira que conseguiu emocionar até mesmo Rubén Magnano, agraciado por uma medalha no final da partida em um gesto pra lá de maravilhoso do ala Marcus Toledo (mais aqui).

bras21Se a gente, que ama este esporte, pudesse pedir uma coisinha só seria: que este espírito que vimos nesta equipe do Pan-Americano seja repetido em todas as equipes nacionais daqui pra frente. Perder ou ganhar importa muito pouco. A maneira como se encara uma competição é o que fica. E foi indo profundamente até a essência (coletiva) do esporte que estes 11 caras e a comissão técnica conseguiram emocionar a todos (ou ao menos a mim). O Brasil enfim jogou um basquete de alto nível sendo um time. E não se pode pedir mais nada do que isso.

Também curtiu a conquista, certo? Foi bom ver este time em quadra, né? Comente você também!


Após suar muito na semifinal, Brasil decide o Pan contra o Canadá hoje
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Fábio Balassiano

guto1Seria até injusto cobrar que o Brasil jogasse bem contra a República Dominicana com menos de 12h de descanso entre a partida de quinta-feira (contra os EUA) e a semifinal de sexta-feira. O cansaço era cruel demais com o time de Rubén Magnano, que não repetiria, por motivos mais do que óbvios, a exibição bastante boa do dia anterior.

O Brasil, sem brilho e cansado ao extremo, fez o que tinha que fazer – suou, lutou e ganhou. Fez 68-62, passou pelos dominicanos e decide o Pan-Americano hoje às 17h30 contra o vencedor de Canadá, que ganhou dos EUA na prorrogação no jogo da noite. Benite (sempre ele) teve 18 pontos, Augusto Lima outros 15 e Larry saiu-se com 11 (sendo os últimos dele no jogo cruciais para decidir a peleja). Apesar de tecnicamente ter ido mal, o padrão de jogo da seleção continuou lá. Intacto. E isso é ótimo.

camisa1E temos uma promoção para este jogo. Você pode ganhar a camisa do Brasil personalizada com número + nome. Para isso, palpite aí: Quantos pontos fará Vitor Benite na decisão do Pan contra o Canadá? Votos devem ser enviados para fabio.balassiano@gmail.com com o Assunto “PROMOÇÃO BALA NA CESTA”. Palpites válidos até 17:29 (um minuto antes do jogo). Critério de desempate: quem enviar o palpite correto ANTES ganha. Um palpite por pessoa apenas, claro. Ah, e camisa está disponível para compra nos sites de Nike e Netshoes, aliás. 

beniteNa final deste sábado, um grande teste para o renovado elenco de Rubén Magnano. O Canadá jogará em casa, com o ginásio lotado e apoio de 95% da torcida (ou mais). Saber jogar contra isso não é fácil, ainda mais para um núcleo formado há tão pouco tempo. Em termos técnicos, os elencos até que são parelhos, embora o jovem armador canadense Jamal Murray chame a atenção (18 anos e recrutado para jogar em Kentucky para John Calipari). Murray tem tudo para fazer ótimo duelo contra Rafael Luz, Ricardo Fischer e Vitor Benite, que deve marcá-lo em algum momento da partida.

magnano1Sorte ao Brasil logo mais no jogo pela medalha de ouro da competição. Se não vale muita coisa em termos de conquista, pois o Pan perdeu muito a sua representatividade nos últimos tempos, ao menos vale como estímulo para esta molecada tão boa que está começando a trilhar seus passos na seleção brasileira. E começando a trilhar jogando um basquete de primeira grandeza. O título seria uma ótima primeira impressão para um grupo que ainda pode ir muito longe.


Com show de Benite, Brasil bate EUA e faz semi do Pan contra Dominicana
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Fábio Balassiano

brasil2Foi uma atuação irretocável da seleção brasileira ontem no Pan-Americano de Toronto. Se já tinha ido muito bem contra Porto Rico e Venezuela, faltava um duelo contra um time mais qualificado pra sacramentar a boa fase. Não falta mais.

Embora este elenco dos Estados Unidos não seja de primeiro escalão (como o brasileiro também não o é, não custa lembrar) a seleção comandada por Rubén Magnano fez uma partida segura, sem sobressaltos, comandou as ações desde o começo e bateu os norte-americanos por 93-83, avançando invicta à semifinal do Pan-Americano que acontece hoje contra a República Dominicana às 14h30 (Sportv e Record News exibem).

brasil1Notem: o nível do adversário influencia, mas é admirável o nível de jogo que o Brasil tem apresentado até o momento. Tudo o que sempre pedimos em termos de basquete estamos assistindo nas quadras de Toronto – defesa pressionada, troca de passes fluente no ataque (16 assistências em 32 arremessos convertidos ontem), bolas de três bem trabalhadas (NUNCA criticou-se “só” o volume, mas sim a construção das jogadas – o que neste Pan tem sido uma aula de passes-extras), rotação bem feita por Magnano (o ritmo não cai e o sistema tampouco muda com jogadores entrando e saindo) e nenhum pânico para enfrentar, e passar, por momentos difíceis (os norte-americanos tentaram reagir no último período, mas foram barrados de forma tranquila pela equipe brasileira).

benite1A belíssima atuação coletiva do Brasil (mais uma) fez com que Vitor Benite, o líder deste time, tivesse mais uma performance esplêndida (e havia cantado a pedra ontem de manhã neste espaço, né?). O camisa 8 terminou com 34 pontos, 8 bolas de três convertidas em 11 tentativas, 7 rebotes e bolas cruciais do meio para o final do jogo que evitaram que a reação dos Estados Unidos fosse mais longe. Se faltava a Benite um jogo de gala com a seleção para colocar na memória agora não falta mais ao jogador do Flamengo.

magnano1Hoje o adversário é a República Dominicana, time que não deve assustar tanto caso o Brasil mantenha o nível de competitividade e pressão defensiva que tem conseguido fazer neste Pan. Até o momento já vale dizer: havia muitos anos que não se via uma equipe nacional dominando tanto os fundamentos do jogo como esta que joga o Pan de Toronto.

É óbvio que tudo precisa ser relativizado (o nível da competição, os elencos rivais etc.), recomenda-se calma para embates em competições maiores (todos sabemos disso) e dá para ter dúvida de como serão os desempenhos de atletas daqui pra frente (é natural a dúvida também), mas o time de Rubén Magnano está de parabéns por mostrar que haverá, sim, vida após os Jogos Olímpicos de 2016 ao contrário do que muitos pensavam e que é possível, sim, jogar o basquete mais moderno possível mantendo as características dos atletas. A semente, com Benite, Fischer, Léo Meindl, Rafael Luz, Augusto (ótimo com 14 pontos e oito rebotes ontem), Raulzinho, entre outros, está lançada.


No Pré-Olímpico, Iziane retorna, Izabela pela 1ª vez e base do Pan mantida
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Fábio Balassiano

zanon1O Pan-Americano terminou pra seleção feminina com o vexatório quarto lugar (derrota para Canadá na semi e Cuba no jogo do bronze). Passaram poucos dias e o técnico Zanon fez nova convocação para o Pré-Olímpico do Canadá.

A competição será entre 9 e 16 de agosto e confirmará apenas o campeão no Rio-2016 (Pré-Olímpico Mundial em 2016 para vice-campeão, terceiro e quarto lugares). Não custa lembrar que até o momento o Brasil NÃO tem vaga garantida nos Jogos devido às pendências financeiras da CBB com a FIBA (mais aqui).

iza1A lista divulgada ontem pela CBB mostra que a base do Pan-Americano foi mantida (9 das 12 atletas que estiveram em Toronto permanecem pro Pré-Olímpico), apresenta a (esperada) volta de Iziane , traz o retorno de Nádia Colhado (dispensada do Atlanta Dream, da WNBA) e promove a estreia de Izabela Nicoletti na seleção adulta. Resumindo: saíram Tássia, Cacá e Fabi Caetano para as chegadas de Iziane, Izabela e Nádia.

Sobre Izabela Nicoletti, vale lembrar. A jovem da foto (camisa 6) foi um dos destaques da Copa América Sub-16 terminada há pouco no México. Líder do time vice-campeão (mais aqui e aqui), a armadora de 15 anos e 1,80m teve um torneio brilhante com 21,4 pontos, 5,4 rebotes e 3,6 assistências de média, chamando a atenção de todos (de Zanon a olheiros interessados em levá-la às universidadades dos EUA).

erika4Antes de prosseguir não custa citar: o Brasil jogará sem suas três principais atletas. Érika, Damiris e Clarissa, que formam um dos melhores garrafões do mundo, estão na WNBA e não aparecem na lista. Como transparência não é o forte da entidade máxima é impossível saber o motivo disso. Cabe, porém, dizer que o Pré-Olímpico é uma competição oficial e muitas vezes as atletas saíram de suas temporadas na liga norte-americana para atuar pela seleção (aqui um exemplo de Érika recente). O que houve dessa vez? Será que a CBB entrou em contato com as equipes e atletas para alinhar tudo previamente? Ou deixou tudo correr solto?

vanderleiPor isso é com elenco bem fraco e sem as três melhores jogadoras em atividade no país que o Brasil irá ao Canadá brigar por uma vaga olímpica. As chances não são boas e é bem improvável que o time de Zanon consiga derrotar as donas da casa em uma eventual/possível final tendo em vista o basquete apresentado e o que as novas peças trazem ao tabuleiro.

Nádia tem mobilidade e potencial atlético. Izabela é uma menina de 15 anos (espero que não joguem esta pedra preciosa ao fogo tresloucadamente). Iziane tem mais talento que as alas que foram ao Pan-Americano e trará alguma qualidade ao emperrado ataque de Zanon. Mas o problema do basquete feminino não se resolve com elas três.

nunes1A preparação, de menos de 20 dias, terá poucos treinamentos, jogos desnecessários contra o Chile (será que NUNCA vão organizar amistosos razoáveis para elas?), uma falta de senso de urgência incrível por parte das meninas, fundamentos mal trabalhados e um tenebroso preparo psicológico para enfrentar situações difíceis. O Pan-Americano foi ruim. O Pré-Olímpico não deve ser muito diferente disso.

Como ninguém da CBB liga para as meninas tudo permanecerá como está. Como as próprias atletas nada fazem, a situação tende a piorar no futuro.