Bala na Cesta

Arquivo : junho 2015

Mercado de agentes-livres da NBA abre amanhã – olho em LaMarcus Aldridge
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Fábio Balassiano

aldridge1Começa no primeiro minuto desta quarta-feira o mercado de agentes-livres da NBA (aqui a lista completa). Jogadores (e seus agentes) podem se reunir com as franquias para ouvir propostas e tomar decisões a respeito de seus futuros. As assinaturas dos novos contratos, porém, só podem ocorrer até 9 de julho. Até lá, o nome que mais chama a atenção neste verão americano é o de LaMarcus Aldridge.

Ala-pivô do Portland Trail Blazers desde 2006/2007, o camisa 12 teve 23,4 pontos e 10,4 rebotes de média na última temporada e avisou a franquia que não permanecerá no Oregon. Cortejado, seus agentes já agendaram incríveis SETE entrevistas até quinta-feira. Lakers, Mavs, Rockets, Spurs, Knicks e Raptors estão entre os times que conversarão com o atleta segundo informa a ESPN norte-americana informa.

wade1Sua tomada de decisão deve movimentar o mercado, mas há outros nomes que chamam a atenção. Marc Gasol, pivô do Memphis, está na Espanha e disse que nem conversará com outro time caso o Grizzlies lhe ofereça a bola que (ele acredita que) merece. Os Knicks, que queriam o pivô, já descartou contratá-lo aliás. LeBron James se colocou como agente-livre, mas deve renovar com o Cleveland por um valor maior valendo-se do novo teto salarial que valerá a partir de 2016/2017. Outro que quis se colocar disponível é Dwyane Wade (foto). Astro do Miami há mais de uma década, o camisa 3 tem seu nome cogitado no Cavs inclusive, mas também em Los Angeles, onde se uniria a Kobe Bryant. Até o momento, porém, é tudo rumor.

love4Ainda há, claro, os nomes de Kevin Love (foto), Rajon Rondo, Paul Millap, Greg Monroe, Monta Ellis, Goran Dragic, DeAndre Jordan, Jimmy Butler, Kahwi Leonard e Draymond Green. Os três últimos da lista são agentes-livres restritos, o que significa o seguinte: eles podem ouvir propostas, mas se aceitarem um contrato de outra franquia o seu atual time pode “cobrir” a oferta. Exemplo prático: Butler recebe oferta de US$ 100 milhões por 5 anos do Lakers. Ele aceita. Chicago decide que vale a pena bancar os mesmos US$ 100mi por 5 anos e cobre a oferta. Butler fica no Bulls.

kawhi1A quarta-feira promete ser agitada em um dos mercados mais concorridos dos últimos tempos. Times com história forte, como Lakers, Celtics e Knicks, têm muita grana para gastar (há espaço na folha salarial) e precisam dar respostas rápidas às suas exigentes torcidas.

É bom, portanto, ficar de olho aberto. LaMarcus Aldridge puxa a fila, mas há inúmeras boas opções para as franquias montarem seus elencos para as próximas temporadas. Quem se sairá melhor nas “compras”? Vocês têm palpites? Comentem!


Sobre a saída de Tom Thibodeau do Chicago Bulls
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Fábio Balassiano

tom31Acabou que os assuntos se acumularam e não falei sobre a saída de Tom Thibodeau do comando técnico do Chicago Bulls na NBA. Foram cinco temporadas completas (255-139, 64,7% de aproveitamento), todas com ida ao playoff (23-28, 45,1% de aproveitamento) e no final o gosto amargo de o treinador não ter levado a franquia às finais da liga pela primeira vez em (agora) quase 20 anos (1998 foi a última, lembramos bem da Era Jordan, né?).

thibs1Fui e sou contra a demissão de Thibs pelo fato de o técnico nunca ter pego uma equipe completa para treinar durante a temporada com as seguidas lesões de Derrick Rose e por acreditar que o time, com as chegadas de Pau Gasol e Nikola Mirotic, tinha muito a crescer no próximo campeonato. Mas é possível entender bem o movimento da diretoria do Chicago ao ler o release que está no site citando problemas internos inclusive. Mas não foi só isso. A frase do presidente Gar Forman é bem explicativa: “Quando contratamos Tom em 2010 ele era o comandante certo para o time e sistema que tínhamos. Para seguirmos crescendo uma mudança na forma de dirigir era necessária”.

fred1Por isso chegou Fred Hoiberg (cinco anos, US$ 25 milhões no imenso contrato), ex-jogador do Chicago inclusive (entre 1999 e 2003, sem muito brilho). Como técnico, Hoiberg ficou entre 2010 e 2015 na Universidade de Iowa State e conseguiu quatro participações no Torneio Nacional (o March Madness). Mais do que a performance de vitórias e derrotas, o que animou a diretoria do Bulls foi a forma que ele conseguiu dirigir a equipe no circuito universitário: aliando velocidade, tiros de três sem cerimônia (quase 40% dos arremessos do time na última temporada foram de fora) e, claro, muita pressão defensiva. Isso foi explicado em ótima e bela análise do blog Olho de Chicago, e você pode ler clicando aqui.

fred2Não foi, portanto, uma simples mudança de técnico. Foi uma mudança de conceito, de filosofia, de enxergar um jogo que tem mudado. Certamente impulsionada pelo crescimento de times como Golden State e Houston Rockets, que usam bastante as estatísticas (analytics) para evoluir ano após ano, a diretoria do Chicago acreditou que trocando um técnico, digamos, mais “old-school” (à moda antiga) por alguém com uma visão diferente do basquete os resultados surgirão mais rapidamente. É um risco, mas um risco que a franquia avaliou como sendo válido para a qualidade do elenco que há nos Bulls e por uma ausência em finais há quase duas décadas.

fred3Se vai dar certo ou não é impossível dizer. Do meu canto ainda acredito que Thibodeau poderia dar outra cara aos Bulls desde que a franquia fizesse as aquisições necessárias. Mas ele não está mais lá, sua troca foi compreensível e é imperativo dar chance a Fred Hoiberg de ajeitar a casa por lá. Para tanto, é fundamental que algum matador de bola no perímetro seja contratado. Do contrário, o jogo que o novo comandante tanto gosta não surtirá efeito.


Após vice-campeonato continental, qual o futuro das meninas da Sub-16?
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Fábio Balassiano

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foto1O Brasil lutou muito, mas não conseguiu voltar pra casa com o título da Copa América Sub-16 em Puebla, no México. Jogou bem, contou com 32 pontos (alguns arremessos incríveis e BEM decisivos), 7 rebotes, 5 assistências e 4 roubos desta promissora Izabela Nicoletti (que baita jogadora – foto), teve chances, mas perdeu do Canadá na prorrogação em um duelo de altíssimo nível para a idade das meninas neste domingo (71-72, e aqui você pode rever tudo), terminou com o vice-campeonato e uma campanha pra lá de honrosa que contou com uma magistral vitória contra os Estados Unidos na semifinal de sábado. Passada a alegria da medalha de prata, no entanto, fica a pergunta: qual o futuro das meninas a partir de hoje?

dam5Esta não é, aliás, uma pergunta nova e nem uma situação inédita no basquete brasileiro (feliz e infelizmente). Em 2003 o Brasil foi vice-campeão Mundial Sub-21. Em 2013, medalha de bronze no Mundial Sub-19 (com Damiris – a craque de bola na foto – sendo a MVP do torneio). Nas duas ocasiões abrimos um sorriso quando vimos surgir novas meninas para dar continuidade aos bons resultados internacionais de Paula, Hortência e Janeth. Nas duas situações a Confederação fracassou absurdamente em dar condições mínimas para as atletas evoluírem.

erika1Mais que isso: com o basquete nas cordas, a maioria destas meninas já pararam de jogar. Sejam as que hoje estariam com 32, 33 anos, sejam as que nem completaram 25 anos. Dá pra falar da brilhante Érika de Souza (foto), pivô daquele time de 2003, como a exceção que confirma a regra das que ainda estão em (boa) atividade, e de Damiris, Cacá, Isabela Ramona e Tássia, que após a medalha de bronze em 2013 agora integram a seleção adulta, mas é muito pouco, muito pouco. E sabemos o que este ciclo eterno de erros gera. Pouco investimento, poucas atletas, poucos formadores, poucos times, poucas conquistas internacionais em competições de alto nível. A roda do esporte gira de forma cruel e é preciso repensá-la caso o país realmente queira voltar a ser forte.

dumercJá cansei de citar neste blog (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) o exemplo da França, né? Pois é, mas vale repetir. Atuais vice-campeãs olímpicas, as francesas perderam ontem na final do Eurobasket para a Sérvia, mas se garantiram no Pré-Olímpico Mundial. E quem estava por lá com as azuis? Skrela, Gomis e Dumerc, remanescentes do time que foi vencido pelo Brasil no agora longínquo Mundial Sub-21 de 2003. Doze anos atrás, hein. Ou seja: houve continuidade do trabalho, investimento por parte da Federação Francesa, crescimento na Liga local e persistência por parte das meninas que não desistiram nas primeiras dificuldades que apareceram. Não tem tanto mistério assim, tem?

izabelaPor aqui, por mais inacreditável que seja devido às péssimas administrações em Confederação e Federações, a seleção brasileira ainda consegue apresentar meninas muito talentosas como foi na Copa América Sub-16. A maior delas chama-se Izabela Nicoletti (foto), ala de 1,80m, 15 anos e que recentemente passou um tempo treinando nos Estados Unidos sob o comando da excepcional técnica Anne Sabatini (que comandou o time na Copa América também) e terminou o campeonato com incríveis 21,4 pontos, 5,4 rebotes, 3,6 assistências e um punhado de atuações acima da média para alguém de sua idade. Izabela é xará da não menos talentosa Izabella Sangalli, que também brilhou em competições de base pelo Brasil recentemente e que agora tenta seu espaço na seleção brasileira adulta.

brasil3As duas e mais um punhado de sonhadoras meninas talentosas que ainda teimam em surgir sabe-se lá como em um basquete cada vez mais minguado nas divisões de base só esperam que agora a Confederação Brasileira, Federações, Liga de Basquete Feminino (LBF) e clubes lhes apóie com condições mínimas para que elas sigam crescendo e evoluindo na modalidade. Não deveria ser um pedido muito grande, né? Mas é algo imenso para uma CBB que tem R$ 13 milhões de dívida acumulada e uma gestão que liga muito pouco para o que acontece com o esporte, sim. Infelizmente.

foto1E aí a conclusão é dura, mas claríssima: a não ser que alguma coisa mude radicalmente na maneira de se fazer e pensar basquete na Confederação e Federações Estaduais, hoje, 29 de junho de 2015, é o primeiro dia do fim da carreira das meninas da Sub-16. Triste maneira de terminar um texto de uma geração talentosa e que acaba de derrotar os Estados Unidos em uma Copa América, né? Sem dúvida que sim, mas é a realidade.

Lembra da tal roda do esporte que falei lá em cima? Quem será, por aqui, capaz de mudar o seu rumo?


Seleção Feminina Sub-16 encerra jejum de 12 anos sem vitória contra os EUA
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Fábio Balassiano

brasil3Anotem este dia: 27 de junho de 2015. É, desde já, uma data histórica. Na cidade de Puebla, México, a seleção brasileira feminina Sub-16 fez uma partida esplêndida, quase perfeita, e bateu os Estados Unidos por 72-63 para se classificar para a final da Copa América neste domingo. Enfrentará o Canadá às 22h e poderá conquistar o inédito título da competição (o site da Fiba Américas exibe a partida).

brasil4A vitória de ontem foi a primeira contra os Estados Unidos, que demonstrou respeito imenso pelo feito em seu site oficial, em 12 anos nas divisões de base (e até agora a única derrota dos EUA em Copa América Sub-16, aliás). A última vez que o Brasil havia batido o fortíssimo rival foi no Mundial Sub-21 de 2003 na Croácia, quando a equipe comandada por Paulo Bassul fez 73-60 contra uma equipe que contava com Seimone Augustus, Cappie Pondexter e Lindsay Whalen, estrelas que hoje brilham na WNBA.

brasilPara chegar ao triunfo neste sábado o Brasil fez uma defesa espetacular desde o início. E foi premiado por isso. Sufocou as norte-americanas, forçou erros (16), evitou que as bolas longas caíssem (3/13) e conseguiu abrir boa vantagem (a maior foi de 22). Foi para o intervalo com confortáveis 45-27 e teve cabeça fria e inteligência para segurar os EUA no segundo tempo. Com 24 pontos, 7 rebotes, 5 assistências e 3 roubos a ala Izabela Nicoletti foi a melhor em quadra, mas também esteve muito bem a pivô Obalunanma Beatriz de Angelo, autora de 20 pontos e 12 rebotes.

anne1Quero, por fim, deixar um parabéns especial a esta excepcional treinadora chamada Anne de Freitas Sabatini (foto). Quem conhece um pouco de basquete feminino sabe o tamanho do talento dela. Uma das responsáveis pelo agora quase extinto projeto de base de Americana (que pena!), ela é uma das mais meticulosas e capacitadas formadoras deste país. Dirigindo sempre conseguiu montar bons times e desenvolver suas atletas (algumas que estão na seleção adulta hoje passaram pelas suas mãos aliás). Seu sucesso, portanto, não é obra do acaso.

anne2Ontem antes do jogo cheguei a comentar com ela da dificuldade do duelo contra as norte-americanas e ela só repetia um “vamos brigar até o final”. Repetia como um mantra. Foi premiada não “apenas” pela vontade de querer vencer, mas por preparar muito bem a equipe para um duelo que seria muito difícil (equipe que não conta com três jogadoras que se lesionaram durante a competição, diga-se). Certamente Anne comemorou rapidamente no sábado e já está focada para a decisão de logo mais.

foto1Aconteça o que acontecer logo mais contra o Canadá estas meninas e a comissão técnica do Brasil já estão de parabéns. Falemos depois sobre o futuro destas meninas nas mãos desta terrível Confederação. O momento, agora, ao menos por agora, é de se comemorar. Vencer os EUA em qualquer categoria não é comum. Ter feito da maneira como fez neste sábado (jogando melhor os 40 minutos e causando pane no rival a partida inteira), ainda mais raro. Se a campanha for coroada com título, melhor ainda.


Ufa! Seleção Feminina se classifica para o Mundial Sub-17 de 2016
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Fábio Balassiano

brasil1Ao menos no feminino a crise na base do basquete brasileiro ainda não abala os resultados continentais. Em Puebla, no México, onde joga a Copa América Sub-16 a seleção comandada pela ótima técnica Anne de Freitas Sabatine perdeu ontem do Canadá por 64-50, mas havia vencido Venezuela (84-40) e Cuba (82-50) antes pra garantir vaga na semifinal e a consequente classificação ao Mundial de 17 do próximo ano. Hoje o Brasil enfrenta os EUA na semi e deve disputar a medalha de bronze amanhã contra o perdedor de México e Canadá.

brasil2Não custa lembrar que foi esta seleção que “treinou” menos de 30 dias para a Copa América , algo comum para a Confederação Brasileira cada vez mais na lama em termos financeiros como você viu neste blog esta semana toda através da análise do balanço financeiro da entidade máximo do basquete brasileiro. Ter conseguido a classificação para o Mundial da categoria, portanto, é motivo para dar parabéns não a Carlos Nunes, o presidente, mas sim ao grupo de meninas e da técnica Anne devem mesmo ser ressaltados.

Por fim, vale a pena alertar para o seguinte:

brasil3a) No basquete feminino ainda não há concorrência para conseguir vaga em competições mundiais. Com três ou quatro posições quase sempre a disposição do continente, é quase impossível não se qualificar porque Argentina, República Dominicana ou Porto Rico, fortes no masculino, são fracos demais entre as meninas;

b) Olho no trabalho feito pela Federação do Canadá. Antes inimaginável de acontecer, agora eles vencem o Brasil com regularidade entre meninos e meninas na base. Isso chegará ao adulto já, já. Entre a adulta feminina, aliás, já chegou;

brasil4c) Nos três Mundiais Sub-17 já realizados o país chegou em nono em 2014, em décimo-primeiro em 2012 e não participou em 2010. Ou seja: se na América ainda dá pra jogar, e não fazer feio, treinando pouco como a CBB faz, quando passa da fronteira continental os resultados não aparecem nem por decreto. Se quiser ver a Sub-17 no Mundial de 2016 desempenhando um bom papel é bom que a Confederação dê a técnica Anne e às meninas uma boa condição de trabalho.

Ficaram as lições dos últimos micos das seleções brasileiras de base? Não creio, mas não custa sonhar que para o próximo ano a situação melhore um pouco.


Em noite morna, Minnesota Timberwolves sai ‘feliz’ do Draft da NBA
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Fábio Balassiano

draft1Era pra ser uma das noites de Draft mais agitadas dos últimos tempos na NBA. Eram previstas inúmeras trocas, jogadores mudando de time e tudo mais. Pouco aconteceu.

Nem tantos movimentos assim, nem tantas modificações assim, nem tanta emoção assim (pelo contrário, foi bem morno o que vimos, com exceção, talvez, da fisgada de Justise Winslow, bom ala de Duke por Miami na décima posição). E com o Minnesota Timberwolves, vejam só, como o principal vencedor da quinta-feira no Barclays Center, em Nova Iorque.

towns1A franquia tinha a primeira escolha da noite, é verdade, e foi bem ao escolher Karl-Anthony Towns (jovem pivô de Kentucky, que, aliás, teve seis jogadores entre os 60 escolhidos e tornou-se a primeira Universidade da história a ter três atletas escolhidos na primeira posição – John Wall, Antonhy Davis e agora Towns). Com o pivô de 19 anos os Wolves podem usar o veterano, talentoso e irregular Nikola Pekovic (29 anos e mais três anos de contrato) para conseguir alguma outra peça, mas não só isso.

jones1Via troca com o Cleveland o Minnesota também trouxe o armador Tyus Jones, promessa de Duke e nascido na região há 19 anos. Fico curioso para saber o que a equipe fará com Zach LaVine e Ricky Rubio, que já também são da posição (LaVine, aliás, precisa encontrar seu tempo de quadra rapidamente). De todo modo, com Karl-Anthony Towns o time de Flip Saunders já coloca um futuro animador pela frente, já que o ótimo ala Andrew Wiggins terá alguém rápido para, digamos, dialogar perto da cesta na próxima temporada. Se conseguir deixar as peças em Mineápolis por muito tempo os Wolves ficarão fortes.

russel1Também gostei da escolha do Los Angeles Lakers. Sem fazer movimentos para troca (algo que abordarei mais à frente e que não faria), a franquia escolheu D’Angelo Russell, que antes do Draft havia se declarado o melhor jogador da turma de 2015. Empolgado, o armador de Ohio State (19,5 pontos, 5 assistências e 5,7 rebotes na temporada passada) utilizou o Twitter para anunciar a sua chegada ao Lakers, que também escolheu Larry Nance Jr. (filho de Larry Nance, craque do Cleveland e Phoenix). Com Russell, Julius Randle e Jordan Clarkson a equipe tem uma espinha jovem para o futuro e muito espaço na folha salarial para investir em agentes-livres. Dá, muito bem, para tentar fisgar duas grandes estrelas no mercado, dois outros jogadores de composição de elenco e ainda assim ficar abaixo da folha salarial. Se trabalhar direitinho, Mitch Kupchak pode deixar um time bem razoável para a temporada de despedida de Kobe Bryant e uma semente animadora para os próximos anos.

frank1Ótimos movimentos do Charlotte Hornets também (parece que Michael Jordan acertou a mão no Draft enfim). Já havia mandado Gerald Henderson e Noah Vonleh para trazer Nicolas Batum para a ala. Completou o serviço ao fisgar o ala-pivô Frank Kaminsky, que liderou Wisconsin a dois Final Fours seguidos na NCAA. Jogador bem pronto, ele poderá jogar como ala aberto, dando espaço para Al Jefferson fazer seus drives no garrafão. Com Kemba Walker, Michael Kidd-Gilchrist, Batum, Kaminsky e Jefferson a franquia de Michael Jordan pode, sim, fazer uma boa temporada em 2015/2016 (se conseguir algum jogador no mercado de agentes-livres, melhor ainda). Os Hornets, aliás, poderiam ter mantido o argentino Juan Vaulet, mas preferiu trocar o ala para o Brooklyn Nets por duas escolhas futuras de segunda rodada.

letao1Há muita gente contestando as escolhas do New York Knicks. Phil Jackson não teve medo, mandou brasa no letão Kristaps Porzingis, ala-pivô de 2,16m que tem um futuro bastante promissor, e ainda conseguiu trocar Tim Hardaway Jr. por Jerian Grant, ala-armador de Notre Dame. Grant, aliás, é o segundo jogador da família a trabalhar com o Mestre Zen (ele é sobrinho de Horace Grant, que jogou com PJackson no Lakers e no Bulls). Na segunda rodada, o manda-chuva da franquia ainda fez uma troca com os Sixers para trazer o espanhol Willy Hernangomez, que fez ótima temporada pelo Sevilla. O pivô, que completará 21 anos amanhã, teve 10,6 pontos, 6,2 rebotes e 12,6 de eficiência em 2014/2015 pela equipe da Andaluzia. Os Knicks, ainda por cima, têm muita grana para investir em agentes-livres e pode terminar, tal qual o Lakers, com um elenco ao mesmo tempo recheado de ótimos jogadores já formados e com peças jovens ao redor (boa combinação).

lillardNo mais, olho no Portland Trail Blazers, que já está começando a sua reconstrução ao “notar” que LaMarcus Aldridge não mais ficará em Oregon. Aí é começar de novo mesmo. Mandou o contrato expirante de Nicolas Batum para Charlotte e trouxe o jovem Noah Vonleh em um primeiro movimento na quarta-feira. Despachou Steve Blake para o Brooklyn e ficou com Mason Plumlee ontem. Ainda conseguiu dois jogadores de segunda rodada (Dani Diez, espanhol, e Pat Connaughton) e terá que refazer seus planos a partir de Damian Lillard (foto) e das jovens peças que chegaram e que seguirão chegando.

Viu o Draft de ontem? O que achou? Comente aí!


CBB novamente ignora questionamentos sobre dívidas da entidade
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Fábio Balassiano

nunes3Como sempre faço depois das análises dos Balanços Financeiros da entidade máximo do basquete brasileiro, endereço perguntas à Confederação para esclarecimentos sobre a grave situação da CBB. Mas como acontece há três anos nenhuma resposta chegou ao meu e-mail. Nada surpreendente para uma instituição que tem como uma de suas principais bandeiras a falta de transparência e ausência de credibilidade.

Quem gosta de basquete fica sem resposta. Mais que isso: o cidadão brasileiro, que acaba sustentando (mesmo sem querer e/ou sem ser consultado) uma entidade erguida cada vez mais com dinheiro público, fica sem resposta. Se o Ministério do Esporte, que está copiado em TODOS os e-mails e não toma providência alguma em relação a fazer com que as respostas cheguem ao destinatário (pois é OBRIGAÇÃO prestar contas de algo quando o dinheiro é PÚBLICO), convive bem com isso, eu não tenho muito mais o que fazer ou dizer.

Coloco abaixo as perguntas enviadas a entidade presidida por Carlos Nunes:

cbb31) Como a CBB explica o aumento da dívida ano após ano (já estando em R$ 13 milhões o total)? O que justifica isso? Houve algum investimento esportivo que justificasse tamanho crescimento de dívida

2) A CBB tem, hoje, mais de R$ 5,2 milhões em empréstimos bancários contraídos. A entidade considera salutar ter um volume assim tão alto de empréstimo, tendo em vista os juros cobrados por instituições financeiras?

3) Não precisa ser nenhum gênio financeiro para saber que quando uma instituição tem muitos problemas financeiros o principal a se fazer é cortar custos. Ao contrário disso, as despesas da CBB aumentam ano após ano. Só da estrutura da Confederação há um custo superior a R$ 1 milhão/mês. Como explica isso? Há algum motivo para tanto custo de uma estrutura assim?

nunes24) Como a CBB pretende quitar essas dívidas?

5) A CBB apresenta uma série de dívidas tributárias, ou seja, com o governo federal. A entidade considera salutar contrair tantas dívidas assim com o principal financiador do basquete brasileiro? Em 2014 mais de 50% das receitas do basquete vieram do governo federal através de Lei de Incentivo, Convênios, etc. .

cbb86) O presidente Carlos Nunes vive dizendo que não há dinheiro nos cofres da CBB, mas em 2014 foram recebidos mais de R$ 24,5 milhões para investimento no basquete. Em que foi aplicada esta receita total?

7) Qual o motivo de o processo da Champions contra a CBB ter sumido do Balanço?

nunes18) Como está o processo movido pelo Itaú contra a CBB? A entidade está honrando seus compromissos com o banco?

9) Qual o motivo de a CBB arcar com custos do Campeonato Nacional Feminino, como consta em Balanço? A LBF não é independente da entidade?

10) O único imóvel que a CBB possui atualmente é a sua sede. Tendo em vista as dívidas crescentes, existe risco de a Confederação perder sua sede?

11) Em 2011 foi feita a compra, por parte da CBB, de um veículo cujo valor foi de R$ 40 mil. Qual o objetivo de se comprar um veículo? Quem o utiliza?

cbb712) O Balanço deste ano registra R$ 6,2 milhões de custo com competições nacionais. Que competições são estas? Onde é possível ver a abertura destes gastos?

13) O Balanço deste ano registra R$ 7,4 milhões de custo com competições internacionais. Que competições são estas? Onde é possível ver a abertura destes gastos?

financas3014) Recentemente a CBB anunciou que tentará construir o seu Centro de Treinamento. Como a entidade pretende levantar um empreendimento que, sabemos, é caríssimo?

15) O convite do Mundial masculino de 2014 já foi pago? Se não foi pago, como a entidade pretende fazê-lo, visto que está atolada em dívidas?

16) Com este volume altíssimo de dívidas, como a entidade pretende fazer a preparação das seleções brasileiras em 2016, que é um ano olímpico?


Especialista afirma: ‘Gestão financeira deixa a desejar e CBB está falida’
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Fábio Balassiano

Por Professor Jorge Eduardo Scarpin, Docente do Mestrado em Ciências Contábeis – UFPR (mais aqui). E-Mails para: jscarpin@gmail.com .

financas5Seguindo o padrão de 2013, a Confederação Brasileira de Basketball teve piora nas suas contas em todos os aspectos relevantes: endividamento, capacidade de pagamento, receitas, despesas e déficit. Para a análise ficar mais completa, vamos separá-la em grandes pontos, considerando o ano de 2014 e comparando com os anos imediatamente anteriores quando necessário.

Um ponto negativo, antes de qualquer análise é, assim como em 2013, a piora na evidenciação das informações por parte da CBB. Em 2014 e 2013, ao contrário dos anos anteriores, não há notas explicativas sobre as despesas da entidade tais como Eventos, Competições Nacionais e Competições Internacionais. Isto dificulta a análise e faz com que tenhamos que trabalhar com estimativas com base em outros dados do balanço.

financas7Outro ponto muito negativo é que novamente houve uma ênfase da auditoria quanto a situação econômica da entidade. Normalmente os pareceres de auditoria se limitam a expressar a confiabilidade ou não das demonstrações contábeis. Apenas quando o auditor constata “que há evidências de riscos na continuidade normal das atividades da entidade” (texto da NBC T11 – norma contábil que rege a auditoria no Brasil) o auditor faz este tipo de menção. No caso da CBB, em 2014 houve o seguinte parágrafo de ênfase:

cbbA entidade vem apresentando déficits sucessivos e, consequentemente, seu patrimônio líquido está negativo, passivo a descoberto (sinônimo de patrimônio líquido negativo). A administração da entidade deve planejar e/ou buscar alternativas de curto prazo para reverter esta situação

Considerando esta primeira evidência negativa vamos proceder agora à análise técnica dos principais elementos do patrimônio da CBB.

1) Envididamento

Apesar do bom nível de contabilidade da entidade, pela própria característica da CBB que é trabalhar com convênios, os balanços ficam um pouco confusos e um ajuste precisou ser feito para fins de análise. Tal procedimento é relativamente comum, pois a visão de um analista é diferente da visão interna de uma empresa.

financas1O ajuste refere-se ao recebimento antecipado de verba com convênios. É o caso de uma empresa injetar R$ 20 milhões para um projeto específico em 2014, mas o gasto será apenas em 2015. Isso faz com que a CBB tenha dinheiro, mas que não possa gastá-lo, pois o dinheiro é exclusivamente para tal projeto. E, enquanto este projeto não é executado, se considera uma dívida (passivo), visto que, se a CBB não gasta o dinheiro no projeto específico, este dinheiro precisa ser devolvido. É o que chamamos, normalmente, de dinheiro carimbado. Para efeitos de análise, é altamente recomendável que este dinheiro carimbado seja excluído da análise, pois dá uma falsa sensação de haver muito dinheiro em caixa e também uma quantia enorme de dívidas. Sendo assim, os valores passam a ser os seguintes:

cbb12

Para chegarmos ao valor total das dívidas da CBB, deve-se somar o Passivo Circulante (dívidas já vencidas ou que vencem no ano de 2015) e o Passivo não Circulante (dívidas que vencem após 31/12/2015). Considerando os valores reclassificados, observa-se um montante de dívidas no valor de R$ 13.021.593.

Esse volume de dívidas traz uma informação preocupante que é o aumento constante no seu valor. Com exceção de 2012, quando houve uma leve melhora, os números são crescentes e preocupantes. O gráfico abaixo dá uma boa dimensão do problema.

cbb3

financas6Em 6 anos, o aumento da dívida foi de inacreditáveis 1.500%, fazendo a Confederação passar de uma situação de quase inexistência de dívidas em 2009 para um volume muito grande de dívidas em 2013.

Deste volume total de dívidas, há dívidas tributárias, processos trabalhistas, fornecedores e principalmente bancos, com um volume de R$ 5,2 milhões em empréstimos bancários, aumento de 18% em relação ao ano anterior. Entretanto, isto é apenas a ponta do iceberg.

Sempre que olhamos o endividamento, temos que comparar o volume de dívidas com os bens que uma entidade possui para pagá-las. Em balanços de empresas normais, veremos um volume de dívidas muito alto, porém, como os bens que possuem são maiores ainda, tal fato passa a ser relativizado.

financas2No caso da CBB, o rombo é muito pior. Apenas de dívidas de curto prazo, com vencimento no ano de 2015, o montante é de mais de R$ 8 milhões (depois da reclassificação), um aumento de 42,5% em relação ao ano de 2013, que já foi muito ruim, além de R$ 5.000.896 que a CBB considera que terá que desembolsar no longo prazo (28% superior ao ano de 2013 e sendo crescente ao longos dos anos).

Em uma empresa saudável, o volume de dívidas (endividamento) não deve superar 66% (2/3) do seu volume de bens e direitos (ativos). Entretanto, na CBB, o volume de dívidas representa 300% do volume de ativos (em 2013 este número era de 219%). Ou seja, a CBB tem de dívidas mais do que possui de bens e direitos. Isto significa que, caso a CBB vendesse tudo o que possui, teria condições de arcar apenas com um terço de suas dívidas (em 2013 este número era de 45,5%). O gráfico abaixo mostra a piora acentuada ano a ano do endividamento da CBB ao longo dos últimos seis anos.

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financas4Além disto, se olharmos o que a CBB tem de bens e direitos de curto prazo, ou seja, que são mais fáceis de transformar em dinheiro, vemos que a situação é ainda mais catastrófica. Estes recursos, que em uma empresa normal devem superar as dívidas de curto prazo, cobrem apenas 19% (em 2013 este número era de 25%) destas dívidas. Isto faz com que a entidade seja de altíssimo risco para conseguir financiamento, fazendo com que pague juros muito altos para a rolagem da sua dívida. Com exceção de 2011, onde houve uma ligeira melhora, esse indicador tem caído drasticamente ao longo dos anos, sendo o primeiro ano cujo indicador ultrapassou a barreira dos 20%, como mostra o gráfico a seguir.

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Em relação ao prazo da dívida, a situação praticamente não se alterou em relação a 2013. Em 2012, 41% dos empréstimos eram de curto prazo e 59% de longo. Em 2013 os números passam para 45% dos empréstimos de curto prazo e 55% de longo prazo. Já em 2014 os números passam para 44% de empréstimos de curto e 56% de longo prazo. Olhando os dados na nota explicativa, temos os seguintes valores de empréstimos.

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financas12Analisando os valores, podemos observar que o empréstimo do Banco Itaú de curto prazo se manteve e houve uma redução do empréstimo de longo prazo, o que mostra que a CBB não deve estar renovando esta dívida. Já a dívida do Banco Bradesco aumentou tanto no curto, quanto no longo prazo, o que evidencia um maior relacionamento entre a confederação e o Bradesco.

Outro fato a se destacar é novamente o aumento no valor de dívidas tributárias, principalmente com o INSS e IRRF. Enquanto em 2012 as dívidas tributárias em parcelamento junto ao governo eram de 1.208.437, em 2013 saltaram para 1.978.739 e em 2014 saltaram para 2.596.284, aumento de 31%.

financas14Um fato que causou estranheza foi a não evidenciação, em nota explicativa, do processo judicial movido pela empresa Champion Products Europe Ltda contra a CBB referente a um contrato preliminar de patrocínio, firmado em 31/12/2008. Este processo estava em 2013 com um saldo de R$ 4.175.535 e não foi informado se o processo continua transitando na justiça ou se a CBB venceu a causa.

2) Prestação de Contas

financas16Pelo que se depreende das informações da CBB, um fato me causou estranheza quanto aos passivos relativos às leis de incentivo. Nestas contas é contabilizado o dinheiro recebido e ainda não gasto com projetos. Normalmente esta conta possui valores recebidos e que serão gastos em projetos no ano seguinte.

Quando esta conta fica com saldos constantes, pode-se observar ou que o projeto não caminhou no referido ano ou que está com alguma pendência de prestação de contas e por isto ainda é considerado como uma dívida potencial.

financas15No ano de 2014, um valor novamente me saltou aos olhos. Há R$ 690.778 referentes ao projeto “Campeonato Nacional Feminino de Basquete”, competição que já não é mais organizada pela CBB. E tal valor teve um leve aumento em relação aos anos anteriores que desde 2011 vinha sendo de R$ 590.791. Entretanto, como não há abertura maior sobre a razão pela qual o valor ainda permanece no balanço, não podemos fazer afirmação nenhuma neste sentido.

3) Déficit

O déficit (que é o equivalente a prejuízo se a CBB fosse uma empresa privada) depois de uma diminuição no ano de 2012 em relação a 2011 voltou a subir em 2013 e atingiu o maior nível desde que começamos as análises em 2009, como mostra o gráfico a seguir.

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financas20Como visto, pela primeira vez o déficit passa de R$ 3 milhões no ano, com aumento de extraordinários 284% em relação a 2013. O aumento no déficit poderia ter acontecido ou por redução da receita ou pelo aumento da despesa ou por uma combinação dos dois itens.

As receitas, pela primeira vez desde 2009, caíram em relação ao ano anterior, voltando a níveis inferiores do que o ano de 2011. Em 2014, as receitas foram de 24,5 milhões, contra 27,5 milhões em 2013 (queda de 12%). O gráfico a seguir mostra bem essa realidade.

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financas21Analisando os motivos da queda, vemos duas informações relevantes. A primeira de que a queda maior se deu em relação a captação de projetos por meio de lei de incentivo, de R$ 5,2 milhões em 2013 para R$ 3,7 milhões em 2014 (queda de 28,5%), enquanto as demais apresentaram oscilações entre -10% e +10%. Apenas a conta de outras receitas (sem especificação pela CBB) caiu 66%, mas o montante não é tão considerável (R$ 862 mil em 2013 e 293 mil em 2014).

Outro ponto a se destacar é que, em 2014, o único patrocínio da CBB foi com o Banco Bradesco (R$ 8,7 milhões), que também é o único banco que continua a injetar dinheiro na CBB na forma de empréstimos. Pelo visto, a dependência da CBB em relação ao Bradesco aumentou consideravelmente em 2014.

Um fato curioso é que os gastos tiveram uma leve queda, passando de R$ 28,3 milhões em 2013 para 27,7 milhões em 2014. Em princípio, isto é um fato positivo, mas a análise deve ser feita com mais cuidado. Ao analisar a composição dos gastos, me deparei com alguns fatos interessantes:

financas23a) Juros -> ACBB paga juros a bancos. E paga desde 2009. Mas o gasto com juros foi reduzido, mesmo com o nível de dívidas tendo aumentado. Como o patrocinador da CBB agora é um banco, é natural que o relacionamento entre a CBB e o banco tenha aumentado, possibilitando redução das taxas. Em 2009, a despesa com juros somou R$ 29.286, em 2010 somou R$ 833.234, em 2011 R$ 1.272.059, em 2012 recuou para R$ 717.950, em 2013 aumentou para R$ 2.524.094 e em 2014 recuou para 829.524, o mais baixo desde 2012. O gráfico a seguir exemplifica melhor essa melhora.

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b) Manutenção da estrutura da CBB -> As despesas com pessoal somadas às demais despesas administrativas da CBB somaram R$ 12.570.265 (aumento de 36% em relação a 2013), ou, em média, R$ 1.047.522 mensais. Isto tudo sem considerar os gastos com eventos propriamente ditos, só com a operação administrativa da CBB. Este número é o maior da história e pior do que 2013 (R$ 9.219.440), voltando aos patamares de 2012 e 2011. O gráfico a seguir mostra a evolução dos números.

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financas25c) Competições nacionais ->
 Enquanto os gastos com a manutenção da estrutura da CBB caíram, o gasto com competições nacionais reduziu significativamente. Em 2014, a CBB gastou R$ 6.235.127 com competições nacionais, contra R$ 12.688.615 em 2013 (queda de 51%). Achei estranho também a CBB não ter divulgado nenhuma nota sobre este gasto. As únicas pistas sobre estes gastos estão nos projetos captados pela entidade, com gastos em Campeonato Brasileiro de Seleções Sub-17 (mais de R$ 2 milhões), Ações da CBB (sem descrição do que é), aquisição de material técnico esportivo etc. .

financas28Inclusive, neste item a CBB cometeu um erro terrível ao fazer um cópia e cola da nota de despesas financeiras na nota de competições nacionais e internacionais. Olhem que pérola descrita na nota explicativa 21 – Campeonatos nacionais e internacionais (… explicando como funcionam os recursos da lei Piva …): ao explicar quais são os campeonatos, a nota diz que a “Confederação provado referem-se a Referem-se, substancialmente, de juros sobre empréstimos, impostos e tarifas bancárias, impostos sobre contratos de câmbio e impostos sobre aplicações financeiras. A prestação de contas junto a essas entidades é feira periodicamente”. Alguém entendeu alguma coisa? Infelizmente nem eu.

d) Competições Internacionais -> Em 2014 a CBB teve um gasto de R$ 7.442.610 contra R$ 3.013.353 de 2013 e R$ 5.769.772 em 2012. Este aumento é compreensível, pois em 2014 houve o Campeonato Mundial Masculino e Feminino, enquanto que em 2013 houve apenas os Jogos Sul-americanos e a Copa América, competições mais baratas para a CBB.

Conclusões

financas31Fechando esta análise, pode-se dizer: Se a CBB fosse uma empresa privada, estaria em situação falimentar, ou seja, ou já estaria de portas fechadas ou se encaminhando para isto. Não vou entrar no mérito se a gestão esportiva é boa ou não, não sou especialista na área, mas, com certeza, a gestão financeira deixa muito, mas muito a desejar.

financas30Em 2012 observamos uma leve melhora nas contas, mas em 2013 a situação voltou a piorar e em 2014 a situação se mostrou a pior de toda a série, em todas as dimensões de análise.

Ressalte-se que toda esta análise foi feita com os dados fornecidos pela própria CBB em seus balanços, sem nenhuma montagem minha quanto a números, bem como nenhum acesso a informação privilegiada.


Real Madrid é campeão espanhol na provável despedida de Huertas do Barça
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Fábio Balassiano

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huertas1Pode ter acabado há instantes a carreira de Marcelinho Huertas no Barcelona. Com 0-2 na final da Liga ACB Espanhola, os catalães só poderiam pensar na vitória para prolongar a série contra o Real Madrid no Palau Blaugrana. Mas não foi isso que aconteceu.

O armador brasileiro saiu do banco, jogou 15′, fez 1 ponto e não evitou a derrota do seu time para o Real Madrid, que fez 90-85 na partida desta quarta-feira, inapeláveis 3-0 na final e abocanhou o título da Liga ACB sem nenhuma contestação (com 19 pontos, o norte-americano Jaycee Carroll foi o cestinha da peleja). Os merengues completam, assim, uma temporada dos sonhos que teve também o título da Copa do Rei, Supercopa e da Euroliga (primeira vez que uma equipe consegue os quatro troféus direto). Sergio Llull, armador do Madrid que também pode ir à NBA (o Houston Rockets tem a preferência pois o draftou em 2009), foi eleito o MVP dos playoffs.

huertas2E como escrevi aqui antes da final todos sabem que o sonho do brasileiro agora é ir para a NBA. E é o que ele irá tentar a partir de agora. Com sondagens de várias franquias (entre elas Dallas Mavs e Toronto Raptors), Huertas agora sentará com seus agentes para analisar todas as possibilidades para enfim chegar à liga norte-americana.

Se a partida de hoje foi mesmo a sua última pelos catalães (como parece ter sido), Marcelinho completa o ciclo de quatro anos com dois títulos espanhóis, uma Supercopa espanhola e uma Copa do Rei no currículo. Sorte a ele nesta tentativa de jogar na NBA, realizando assim o seu sonho.

 


Balanço Financeiro da CBB – Gestão da entidade é o Brasil que não dá certo
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Fábio Balassiano

nunes2Desde segunda-feira você tem visto neste espaço a análise sobre o Balanço Financeiro da Confederação (mais aqui e aqui). O tema, aliás, foi abordado também por Juca Kfouri e José Cruz. Amanhã o Professor Jorge Eduardo Scarpin aparecerá no blog para falar ainda mais dos números da entidade máxima com a propriedade que lhe é peculiar. Desde canto, cabe-me analisar a terrível gestão de Carlos Nunes à frente da CBB desde que assumiu em 2009.

cbb10Não sou (insisto nisso) especialista financeiro, mas me choca ver uma entidade até certo ponto pequena (quem conhece a sede na Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro, sabe do que falo) ter um custo tão alto. Gostaria de ver, linha a linha, como esses caras estão tratando de equilibrar as contas. Mais do que matematicamente, vejo o absurdo que é a total ausência de projeto para recolocar a modalidade em lugar de destaque.

cbb8Onde está o Centro de Treinamento, sonho antigo do basqueteiro? Quantos projetos mais veremos até que a pedra-fundamental seja de fato lançada? Cadê o novo modelo para tratar as divisões de base no país? Até quando veremos o famigerado Brasileiro de Seleções Estaduais de Base em voga? E as Federações Estaduais, quando serão cobradas a trabalhar de forma mais eficiente? E os clubes, quando receberão o incentivo necessário para continuar desenvolver o basquete? E os treinadores, como estão sendo capacitados para ensinar melhor a molecada? E os garotos, como estão sendo monitorados aqui dentro e lá fora? Quando será criada a loja online da entidade máxima? Grana para investir, como se vê, não falta.

AAPBPoderia continuar elencando coisas aqui, mas não há nada que vá mudar o atual estágio do esporte. Não há nem sequer cobrança por parte da “comunidade do basquete” (odeio esse termo, mas tudo bem). Os dirigentes das Federações são tão ou mais inertes que Carlos Nunes, o presidente da Confederação Brasileira. Os clubes, por sua vez, parecem ansestesiados tentando fechar as suas contas. A imprensa, com raríssimas e ocasionais exceções, praticamente ignora os sobressaltos da CBB. Os atletas, que deveriam elevar o nível da discussão e exigir melhorias, até o momento parecem mais interessados em acompanhar o processo do que em se inserir como agentes de mudança. Quando digo que não vejo chance alguma de mudança é por tudo isso que expus acima. Não é pessimismo, mas sim realismo.

cbbNo final das contas, a CBB é justamente o microcosmo do Brasil que não queremos ver. Em um pequeno espaço há ineficiência de gestão, mau uso de verbas (públicas ou privadas), pouco apreço a transparência, violência contra a liberdade de expressão, federações completamente inertes, alto custo operacional, dívidas absurdas e nenhum planejamento para tirar a modalidade do buraco.

O pior (e isso eu repito sempre) é que o fundo do poço da CBB é sempre mais fundo do que a gente imagina. Tem sempre uma dívida nova, um vexame em competição internacional surgindo ou uma falta de pagamento aparecendo. Se está ruim hoje, certamente estará pior amanhã.

caminhoSendo muito sincero com vocês: cansa ter que ficar analisando o basquete brasileiro pelo lado de fora da quadra. Seria muito mais bacana, daria muito mais prazer pra mim, falar apenas da parte técnica e tática do jogo. Mas infelizmente não dá quando a falta de capacidade administrativa da CBB influencia diretamente na qualidade (ou na falta dela) que vemos há mais de duas décadas. Ignorar este tema para mim é ainda pior e faria com que compactuasse com a verdadeira insanidade que é esta gestão da Confederação Brasileira. Prefiro, portanto, pecar pelo excesso das indagações do que simplesmente fingir que está tudo bem (como está cheio de gente fazer por aí). É mais honesto comigo mesmo e principalmente com vocês, que sabem a (vigilante) linha que este espaço segue há tempos.

nunes1Por fim, sabem o que mais me surpreende? Que nem mesmo a modalidade na lona faz o mandatário maior do esporte no país mudar a sua forma de gestão. Trata-se tudo como se estivesse tudo bem. Como se esta ainda fosse a segunda maior modalidade do país (algo que não é faz tempo). Vive-se, portanto, em um mundo de faz de conta e onde o discurso de “estamos no caminho certo” é aplaudido por uma imensa turma de aliados, puxa-sacos e alienados.

É este o jeito Carlos Nunes de governar. Um exemplo. Um exemplo de como não se gerencia instituição/empresa alguma neste país. Um exemplo do Brasil que não queremos e que não dá certo. O basquete sangra cada vez mais com isso.