Bala na Cesta

Arquivo : maio 2015

Flamengo domina de novo, vence Bauru e conquista quarto título do NBB
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Fábio Balassiano

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fla1Foi quase uma repetição da primeira partida (mais aqui). Dominando Bauru desde o começo e jogando com autoridade, o Flamengo fez 77-67 em Marília (destaques para Olivinha, autor de 17 pontos, e Laprovittola, com 19 e MVP das finais), venceu o forte rival novamente, fez 2-0 na final, conquistou com inteira justiça o NBB pela quarta vez (a terceira consecutiva e a primeira na casa do adversário) e se tornou o maior campeão da história do maior campeonato do país (Brasília tem três).

jerome1Logo de cara foi possível ver que o segundo jogo não seria muito diferente do primeiro. Com um início avassalador, o Flamengo pressionou na defesa, rodou a bola no ataque, arremessou sem muitos problemas e fechou o primeiro período em fáceis 25-11. Nos dez minutos seguintes, Bauru equilibrou um pouco mais as ações, chegou a reduzir a diferença para 8 pontos, mas Vitor Benite, em uma sequência de um roubo e uma bola de três pontos (ele terminou com 15 pontos e foi fundamental também na defesa), recolocou a vantagem rubro-negra na casa dos dois dígitos (40-25) no final do segundo período e deixou os bauruenses, que arremessaram muito mal (2/12 de 3 e 8/23 de 2).

fla2O panorama não se alterou na segunda etapa, apesar da tentativa de reação de Bauru. O time de Guerrinha, cansado até a alma (foram assustadores 84 jogos em uma temporada fabulosa que teve os títulos do Paulista, da Liga das Américas e da Sul-Americana) até que tentou, mas não conseguiu em nenhum momento ameaçar a liderança rubro-negra. Correu, lutou, melhorou um pouco a defesa, mas a diferença do placar parecia nem se mexer. O Flamengo, jogando com muita tranquilidade, manteve o pé no acelerador, abriu ainda mais vantagem e fechou o terceiro período em 62-39 (22-14 na parcial).

fla4Nos dez minutos finais o Flamengo seguiu controlando as ações (nos 80 minutos da série foi assim, diga-se de passagem), viu o adversário ainda tentar uma breve reação, mas não abriu margem alguma para Bauru diminui a diferença para menos de 10 pontos e sacramentou a conquista ao fechar o duelo em 77-67. Foi o quarto título de NBB para o rubro-negro, o terceiro da Era José Neto (o treinador tem 100% de aproveitamento na competição nacional com o clube) e o fecho de ouro para uma temporada que começou, lá atrás, com o título Mundial Interclubes contra o Maccabi Tel-Aviv.

flamengo3Ou seja: a caminhada da turma da Gávea se iniciou e terminou com troféu na temporada 2014/2015. O carinhoso apelido da torcida, que chama o time de “Orgulho da Nação”, continua fazendo todo sentido para uma equipe que de fato enche os rubro-negros de alegria há anos. O basquete do Flamengo continua no topo graças a uma comissão técnica muito forte liderada por José Neto e por um elenco cada vez mais completo. Parabéns ao clube!

Viu o jogo? Título justíssimo para o Flamengo, né? Comente aí!


Flamengo pode se tornar maior campeão do NBB amanhã
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Fábio Balassiano

mark1Pode terminar amanhã a temporada 2014/2015 do NBB. Após ter ganho de Bauru por 91-69 no jogo 1 da decisão na terça-feira na HSBC Arena (Rio de Janeiro), o Flamengo pode se tornar o maior campeão da história da competição caso bata o forte rival novamente neste sábado às 10h (transmissão da TV Globo e Sportv) em Marília. Apenas lembrando: os bauruenses não jogarão no ginásio Panela de Pressão devido a falta de capacidade mínima exigida pela Liga Nacional.

Com três títulos do NBB (na temporada 2008/2009 e nas duas últimas, de 2012/2013 e de 2013/2014), o rubro-negro está empatado com Brasília (2009/2010, 2010/2011 e 2011/2012) como os maiores vencedores da competição. Se conseguir o troféu em Marília, os cariocas se isolam na liderança com quatro conquistas.

jerome1Para ser campeão, ao Flamengo será necessário manter a postura defensiva e o nível altíssimo de concentração que foram vistos na primeira partida da decisão. Com mais opções do banco de reservas e com o “físico em dia”, os rubro-negros levam a vantagem emocional por terem feito uma partida brilhante na terça-feira e também pelo fato de estarem mais descansados neste fim de temporada.

Ter vencido o Jogo 1, porém, não significa estar tão mais próximo do título assim. Nas três decisões de NBB sem jogo único na final o ganhador da primeira peleja foi campeão da competição em duas ocasiões (como mostra a figura). A única vez que isso não ocorreu? Na temporada 2009/2010 justamente com o Flamengo. Os rubro-negros venceram Brasília por 88-84, abriram 1-0, mas foram derrotados pelos brasilienses por 76-74, perdendo o caneco do NBB2 por 3-2.
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gui1Para Bauru, é fundamental que o Jogo 1 já seja parte do passado (ou que tenha sido apagado da memória). Foi uma partida atípica, como as duas equipes disseram, mas que deixou uma série de lições. Os bauruenses têm um ótimo time, mas um elenco reduzido, estão cansados e jogarão longe do ginásio que estão acostumados a atuar. Não é, obviamente, uma situação fácil de lidar. Por isso os comandados de Guerrinha precisarão se superar caso queiram levar a decisão do NBB para a terceira partida (também em Marília no dia 6/6). Para isso, é fundamental pressionar mais o Flamengo na defesa e acelerar mais os passes para evitar o domínio da marcação visto na terça-feira.

Será que o NBB acaba amanhã? O que acham?


Os méritos de David Blatt, técnico estreante que leva o Cavs à final da NBA
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Fábio Balassiano

blatt12O Cleveland Cavs chega a final da NBA depois de 8 anos muito por causa de LeBron James. Isso todo mundo sabe. Melhor jogador do planeta, o camisa 23 voltou a Ohio com uma missão (como ele mesmo diz) e está muito perto de concretizá-la. O que pouca gente costuma dar mérito (eu mesmo falei pouco do cara) é para o trabalho de David Blatt, técnico estreante que já vai à final na liga, ficando próximo de atingir um feito e tanto (título da Euroliga em um ano, troféu da NBA 12 meses depois).

blatt6O começo de Blatt de fato foi animador dentro de quadra e intimidador fora dela. Boa parte da imprensa norte-americana o tratava como um lunático pelo fato de o técnico ter “apenas” experiência no basquete europeu (beirava a xenofobia, mesmo o cara tendo nascido nos EUA). Na quadra, foram só elogios na pré-temporada. Mike Miller e Kyrie Irving chegaram a descrevê-lo como “gênio do basquete” devido a seu estilo de ataque sem muitas jogadas. Passaram dois meses, as derrotas vieram e um processo de fritura veio de sua principal estrela (LeBron James). As arestas, que pareciam não se acertar, ficaram ainda mais acirradas quando LeBron disse que o time precisava de um padrão de jogo melhor tendo em vista a qualidade do elenco.

blatt4O tempo passou, David Blatt não esmoreceu, o camisa 23 se machucou e o time até que tentou se virar sem ele. Não conseguiu em termos de vitórias (e acho difícil que alguém não sinta a falta do melhor jogador de basquete do mundo – vide o Miami Heat), mas foi se ajustando com a chegada dos novos reforços (JR Smith, Iman Shumpert e Timofey Mozgov) até que depois do Jogo das Estrelas LeBron decidiu jogar tudo o que sabe (e sem reclamar publicamente). Aí ficou bom para todos.

blatt10LeBron tornou-se, enfim, o armador do Cleveland (como fora em Miami e como deveria ser desde sempre), Kyrie Irving ficou mais livre para pontuar e o pivô Mozgov ganhou “poderes” e confiança para ser o cadeado defensivo que os Cavs tanto precisavam perto da cesta. Até JR Smith, irregular porém talentoso, entendeu suas funções e passou a ajudar de maneira incrível. Com o time organizado, os tombos de Kevin Love e Anderson Varejão nem foram tão sentidos assim em um playoff do Leste que nem colocou o nível de dificuldade em patamar tão alto assim. O título da conferência veio com atuações geniais de LeBron James, é verdade, mas também com ótima evolução defensiva e com um trabalho ofensivo cada vez mais coletivo (algo que o técnico “europeu” vinha tentando fazer seus jogadores entenderem desde o começo da temporada).

blatt3Costuma-se dar muito crédito a técnicos na NBA de um modo geral (e eu concordo com isso), mas no caso do Cleveland o raciocínio parece ser inverso. Com LeBron James por lá, fica a impressão que tudo de bom que acontece nos Cavs atende pelo nome do camisa 23. Não é bem assim. Duro na queda, Blatt se recuperou depois de um começo difícil e pode, sim, ser colocado como um dos principais responsáveis pelo fato de a franquia estar a apenas quatro vitórias de um título inédito.

Que ele era excelente ninguém duvidava. A questão era como, e em quanto tempo, ele iria se adaptar a um basquete tão diferente. Creio que a resposta já esteja dada. Blatt é um técnico de ótimo nível para a NBA. E ponto.


Pelas mãos de Steve Kerr, a transformação do Warriors em um timaço
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Fábio Balassiano

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kerr2“Disse ao meu time para se divertir. Simples assim. Somos todos muito jovens, estávamos a um jogo da final da NBA e atuando em frente aos nossos torcedores. Se a gente não se divertir e achar graça em um momento desses, vamos curtir quando?”. Foi assim que Steve Kerr respondeu quando perguntado sobre o que havia falado com seus atletas na preleção antes do jogo 5 em Oakland contra o Houston Rockets. Na quadra os Warriors suaram um bocado, mas venceram os texanos por 104-90 e se classificaram para a primeira final da franquia em 40 anos fechando a final do Oeste em tranquilos 4-1.

kerr1A decisão será contra o Cleveland Cavs, time que o então armador Kerr defendeu entre 1989 e 1992 (antes do período dourado com Chicago Bulls e San Antonio Spurs que o consagrou como um dos grandes arremessadores de sua geração) e que também passou por uma grande revolução para chegar a final da NBA. Sobre a turma de Ohio falarei bastante amanhã. Agora vale dar uma olhadinha no que Kerr, técnico calouro, fez para que os Warriors se transformassem em uma verdadeira máquina de jogar basquete nesta temporada (quem conseguir ler em inglês vale conferir esta estupenda e extensa reportagem da Sports Illustrated sobre o treinador, aliás).

kerr5Em primeiro lugar, vamos ao básico: não é que Steve Kerr pegou uma casa totalmente abandonada e em menos de 12 meses construiu uma mansão. Não é bem isso. Nos três anos em que comandou a equipe Mark Jackson tirou o Golden State da lama (36 vitórias no ano anterior a sua chegada e 51 no ano passado), colocou Stephen Curry e Klay Thompson de titulares e começou a lapidar Draymond Green. Era, já, um bom time. O que Kerr, que antes de fechar com o GSW recusou uma proposta do New York Knicks, do seu mentor Phil Jackson, fez foi simplesmente potencializar as habilidades de um elenco já muito bom no ataque e (principalmente) cuidar um pouco mais do setor defensivo (deixado por pouco de lado por Mark). Outro grande mérito dele (e uma das grandes críticas do antigo comandante) é que sua comissão técnica é formada por dois antigos auxiliares da liga (Alvin Gentry e Ron Adams), algo que os novos proprietários da equipe sentiam falta na gestão anterior.

kerr4Para começar os trabalhos, Steve Kerr foi conversar individualmente com cada um dos jogadores da franquia quando foi contratado (os que tinham contrato, obviamente). Pegou um avião para trocar ideia com Andrew Bogut na Austrália e voltou, algo que chamou a atenção do pivô australiano, ficou dois dias seguidos com Andre Iguodala e David Lee, e mostrou aos jovens Steph Curry e Klay Thompson como eles poderiam ser estrelas vencedoras da liga em pouco tempo. Aquilo, de cara, foi impactante para um grupo que vivia às turras com o antigo técnico. Mas não foi só isso, obviamente.

kerr3Kerr verificou as deficiências do time e conseguiu contratar Shaun Livingston e Leandrinho (com quem havia trabalhado em Phoenix) para dar um pouco de descanso a Klay Thomson e Steph Curry. Convenceu Andre Iguodala a comandar o banco de reservas, abrindo espaço para Harrison Barnes voltar a ser o titular e dando mais liberdade para Iggy arremessar liderando a segunda unidade e um pouco mais de mobilidade para um quinteto inicial que precisava de ajuda para defender no perímetro. Mas não foi tudo.

O técnico notou que precisaria de mais força no garrafão para não deixar Bogut tão exposto e optou por testar Draymond Green de titular ainda na pré-temporada. O camisa 23 foi tão bem, mas tão bem que mesmo quando David Lee, o antigo dono da posição, voltou de lesão seus minutos não diminuíram – e a relação de Lee com o técnico não parece ter ficado abalada mesmo com os módicos 18 minutos por noite na temporada e com a baixíssima utilização no playoff (no mata-mata a primeira opção do garrafão tem sido o nigeriano Festus Ezeli).  Isso, atenção, com o maior salário do elenco, não custa lembrar (US$ 15 milhões).

kerr5Na quadra, o desempenho chama a atenção. Jogando um basquete alegre, solto, altruísta (27,1 assistências/jogo, melhor índice da liga) e bem acelerado (ao contrário do que alguns analistas pediam, ele fez questão de aumentar ainda mais a velocidade), foram incríveis 67 vitórias na temporada regular, apenas três derrotas no playoff até o momento, o melhor ataque (109,1 pontos/jogo e 54% nos arremessos) e a melhor defesa da NBA (rivais converteram apenas 47% dos chutes). Isso tudo com suas três principais peças jogando menos de 32 minutos por jogo, é bom citar. Curry, Thompson e Green descansaram horrores em últimos períodos simplesmente porque as partidas já chegavam decididas a favor dos Warriors nos 12 minutos finais (a margem entre pontos feitos e sofridos ficou em +9,8, a maior da NBA).

kerr6O Golden State Warriors é, disparado, o melhor time da temporada e um dos mais encantadores dos últimos tempos (mesmo quem não torce pelo time se empolga com as atuações da turma de Steph Curry). Isso não garante que a equipe será a campeã da NBA porque do outro lado há LeBron James e um ótimo Cleveland Cavs também faminto por uma conquista, mas é muito legal notar a revolução que Steve Kerr conseguiu fazer.

Aquela equipe forte no ataque e frágil na defesa se transformou em um grupo completo, ainda jovem (Curry tem 27 anos e Thompson e Green, 25), físico quando precisa (vide o duelo contra o fortíssimo Memphis) e que pode brilhar junta ainda por muito tempo. Se esta foi a primeira mensagem que o técnico Steve Kerr deu ao mundo do basquete, dá pra dizer sem o menor medo de errar que o recado tem sido o melhor possível.


Após playoff morno, NBA vê final com Warriors, de Curry, e Cavs, de LeBron
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Fábio Balassiano

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Não está sendo um playoff maravilhoso na NBA. A verdade é essa. Alguns jogos (principalmente os do Leste) são bem medianos (para ser educado) e na real mesmo houve apenas duas séries excelentes até o momento (entre Spurs e Clippers e Rockets e Clippers – esta mais pela virada do Houston após perder por 3-1 do que pelo lado técnico da coisa). Dos 14 duelos, apenas dois 4-3 (Clippers no Spurs e Rockets no Clippers), quatro varridas (4-0), três vezes 4-1 e cinco casos de 4-2. Comparada a loucura da temporada passada quando tivemos cinco 4-3 e uma varrida, não resta dúvida que o mata-mata deste ano, ao menos no quesito emoção, tem deixado a desejar.

doisMas a final está aí com Golden State Warriors (bateu o Houston ontem por 104-90 e fechou o duelo em 4-1 em uma noite que o barba James Harden, autor de 13 erros, recorde em playoff, e 2-11 nos arremessos, não vai querer lembrar tão cedo) e Cleveland Cavs que começa na próxima quinta-feira e que pode mudar um pouco do cenário até então apresentado (calendário completo aqui).

vareja1São os dois melhores times de suas conferências, com dois craques absurdos (Steph Curry, o MVP da temporada, pelos Warriors, e LeBron James, o melhor jogador do planeta, pelos Cavs) e sedento por um título que mudará a história da franquia. Sem falar, claro, na presença de dois brasileiros na final (Leandrinho de um lado e Anderson Varejão do outro), o que fará com que o país tenha um campeão da melhor liga de basquete do planeta pelo segundo ano consecutivo (Tiago Splitter levantou o caneco com o San Antonio Spurs em 2014). Isso tudo será analisado no blog nos próximos dias, mas já dá pra antecipar muita coisa.

kerr1Pelo lado do Warriors, a euforia é muito grande. A equipe retorna a uma final de NBA depois de 40 anos (em 1975 foi campeã) com um elenco muito jovem, extremamente talentoso e versátil, com uma torcida em polvorosa e comandada por um técnico estreante. Steve Kerr pegou logo de cara um ótimo elenco, é verdade, mas transformou um time que apenas chutava muito bem (e muito) em uma equipe muito perigosa nos dois lados da quadra e com opções de pontuação também perto da cesta. Sua maior tacada foi ter colocado Draymond Green entre os titulares, deixando David Lee, o maior salário do time, no banco de reservas. Green é mais agressivo perto da cesta, defende muito bem e ainda consegue marcar atletas de todas as posições (o cara é realmente um dínamo). Não é coincidência que a turma de Oakland chegue a final da NBA tendo perdido apenas três jogos nestes playoffs (e no Oeste, é bom lembrar) e vencido três atletas do time ideal da temporada em sequência (Anthony Davis, do Pelicans, na primeira rodada, Marc Gasol, do Grizzlies, na segunda, e James Harden, do Rockets, na terceira). O último que falta do quinteto é LeBron James, rival da final.

blatt1Do outro lado está o Cleveland Cavs, que faz a sua segunda final da história da franquia (na primeira, em 2007, foi varrido pelo San Antonio Spurs) em uma campanha que pode colocar LeBron James em outro patamar. Há o mérito do também estreante David Blatt à beira da quadra (principalmente na defesa deste playoff), mas obviamente o motivo pelo qual os Cavs estão nesta final atende mesmo pelo nome de LeBron. Melhor jogador do planeta, ele estará em sua quinta final de NBA seguida (junto com, vá lá, seu escudeiro James Jones, igualando um feito conseguido apenas por cinco jogadores do Boston Celtics na década de 60) e perto de conseguir algo que disse que era seu objetivo nesta volta a Ohio – dar um título para a cidade. Caso ele consiga isso, e principalmente da maneira como tem sido (sem Kyrie Irving em boa parte dos jogos e Kevin Love e Anderson Varejão em todos do mata-mata), realmente será um feito incrível (e dá pra imaginar o tamanho do que isso representará em popularidade).

dois3Estou curioso para saber como serão os ajustes dos dois técnicos para deter Curry e Klay Thompson de um lado e LeBron James e Kyrie Irving do outro, mas há tempo para falar sobre isso tudo. No momento, vale a expectativa para que a decisão comece logo. E você, o que está esperando dessa final? Já arrisca algum palpite? Comente!


A brilhante temporada de Augusto Lima na Espanha
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Fábio Balassiano

augusto2Terminou a temporada 2014/2015 para três dos quatro brasileiros da Liga ACB espanhola. Marcelinho Huertas, que ontem completou 32 anos, ainda está disputando o caneco pelo seu Barcelona (enfrenta o DKV Joventut nas quartas-de-final), mas já há gente de férias. Rafael Luz teve 6,6 pontos e 3,6 assistências pelo Rio Natura em 22 minutos. Raulzinho, em sua primeira temporada pelo Murcia, saiu-se com 8,9 pontos e 3,9 assistências também em 22 minutos por jogo. Foram campeonatos razoáveis dos armadores. Quem jogou muito, muito bem mesmo foi Augusto Lima, ala-pivô também do Murcia.

augusto1Conversei com ele no começo da temporada (outubro de 2014 – mais aqui), e desde então passei a seguir ainda mais atentamente seus passos. Com alguns altos e baixos no começo de 2015, Augusto terminou o campeonato com excelentes 10,4 pontos, 7,2 rebotes, 1,1 toco, 1,6 roubo de bola e 54% de aproveitamento nos arremessos de quadra nos 24 minutos de média em que esteve em quadra. Números que o colocaram simplesmente como o terceiro melhor em eficiência (16,6) da segunda melhor liga de basquete do planeta, atrás apenas de Andy Panko e Marko Todorovic. Ele está, obviamente, entre os melhores da Liga ACB, ficando entre os 5 do prêmio de MVP (votado pelo público, é verdade) mesmo sem ter levado a sua equipe aos playoffs (o Murcia ficou em décimo, batendo na trave com a campanha de 17-17).

augusto3Isso tudo, é bom lembrar, depois de ter passado por alguns sustos em sua curta carreira. Aos 23 anos, Augusto era visto como uma das jóias do Málaga logo que chegou na Espanha. Foi emprestado seguidamente, evoluiu em fundamentos e monitorado por times da NBA até a boca do Draft de 2013. Com problema nas costas, sua posição foi despencando na seleção das franquias da NBA. Ele teria que recomeçar – e longe do Málaga.

Contratado pelo Murcia na temporada passada, Augusto manteve o seu estilo de força nas enterradas e fúria nos rebotes. Melhorou ainda mais nos fundamentos e pouco a pouco foi recobrando a confiança para também arremessar de média/longa distância. Passou a ser amado pelos torcedores vermelhos e figurinha fácil nas melhores jogadas da semana da Liga ACB. Ganhou respeito, tempo de quadra e novamente os olhares dos maiores times do mundo e da seleção brasileira se abriram para ele. Seus frutos já estão sendo colhidos.

augusto5Augusto foi convocado por Rubén Magnano para o Pan-Americano de Toronto (em breve uma análise maior da lista) e tem seu nome cogitado em gigantes como Olympiacos, vice-campeão da Euroliga. Que ele prossiga assim. Seus últimos passos foram muito bons. Agora é esperar que os próximos também o sejam. De seu talento ninguém duvida mais. Caso continue evoluindo, seu futuro será brilhante como já foi a temporada 2014/2015 no Murcia.


Flamengo vence Bauru com autoridade e abre 1-0 na final do NBB
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Fábio Balassiano

nico1Foi uma vitória daquelas incontestáveis. Daquelas construídas do minuto 1 ao 40 de uma partida de basquete. Foi assim na noite desta terça-feira na HSBC Arena quando o Flamengo fez 91-69 contra Bauru para abrir 1-0 na final do NBB com a maior diferença de pontos já vista em uma parte de decisão do campeonato em suas sete temporadas (superando os 21 do próprio Flamengo contra Brasília no NBB1). Terminou com 22 de margem pró-cariocas, mas chegou a estar em mais de 30, algo incrível.

O jogo 2 será sábado, em Marília, e nova vitória rubro-negra garante o tetracampeonato a equipe comandada por José Neto. Se ainda quiser conquistar o inédito troféu, os bauruenses precisam vencer para forçar a terceira partida. Alguns pontos sobre o duelo:

arena1) O público divulgado na HSBC Arena foi de mais de 5.600 pessoas. Não sou bom nisso, mas todos que estavam ao meu lado na área de imprensa também desconfiaram do número. O de pagantes (4 mil) parece algo mais plausível em relação aos torcedores do Flamengo que estiveram no ginásio. Número ruim? Não creio. Merece ser relativizado. Horário difícil, ginásio afastado, péssimas condições de transporte, entre outros fatores. Para uma final merecia lotação máxima, mas é complicado esperar que em dia de semana tivéssemos casa cheia. Inacreditavelmente o Maracanazinho, a mais central das casas, tornou-se um ginásio fantasma no Rio de Janeiro e isso não pode ser tirado da equação tampouco. Existe, mas ninguém usa. É do Estado, mas é caro para utilização e a população não pode usufruir dele. Vai entender…

foto22) Dentro de quadra o domínio do Flamengo foi muito absurdo. Mental, técnico, tático, físico, de “entusiasmo”. Tudo. Os rubro-negros sobraram do começo ao fim com uma defesa bem sufocante e um ataque letal. Marquinhos, brilhante com 15 pontos, comandou as ações de um time que teve 5 atletas com 10+ pontos (Benite, Olivinha, Marcelinho Machado, Laprovittola e o camisa 11 mesmo). Mérito total do técnico Neto, que conseguiu, na defesa, implantar uma incrível pressão no homem da bola e ótimo sistema de rotação que fez com que TODOS os arremessos de Bauru saíssem marcados, pressionados. Não foi a toa que os bauruenses terminaram com 26% nas bolas de fora e 42% de dois pontos. Com isso seu ataque fluiu de forma mais tranquila e menos pressionada a compensar problemas defensivos.

foto13) Do outro lado, Bauru jogou muito mal (isso é óbvio), mas precisamos prestar atenção para não cair no clichê de dizer que arremessou mal (apenas). Ciente que seu jogo de bolas de fora não deu certo contra Mogi e Franca (aproveitamentos baixos), Guerrinha apostou em concentrar, logo no começo, sua força ofensiva no garrafão, mas Hettsheimeir (3/10) e Murilo (2/5) foram completamente dominados por Olivinha e Meyinssee. E isso minou sua estratégia logo de cara. O erro, portanto, não foi de estratégia, mas de execução. O que foi pensado não deu certo. O problema (o maior deles) foi, no entanto, que a defesa não conseguiu segurar a onda de um ataque que estava sendo massacrado pela marcação rubro-negra. Marcação esta que impedia até mesmo uma troca maior de passes dos rivais. Com isso, a vantagem do Flamengo só aumentava. O ataque carioca jogava solto, e o setor ofensivo de Bauru não conseguia produzir. Além disso, a defesa bauruense não conseguiu em nenhum momento “achar” o tempo do ataque adversário, marcando mal os jogadores com a bola e também os que faziam deslocamentos. Combinação explosiva, né? Explica muito o fato de no primeiro tempo os bauruenses terem feito apenas 28 pontos (pior marca da temporada).

foto84) Os jogadores e técnicos das duas equipes disseram que isso não existe, que cada jogo é uma história, mas acho muito claro que o Flamengo começa o jogo 2 com um nível de confiança acima do esperado antes desta série. Não foi apenas uma vitória. Foi uma exibição de gala (provavelmente a melhor da temporada) de um time que está faminto para fechar a temporada com mais um caneco diante de outro que parece cansado e aparentemente sem tanta força assim (e é sintomática a frase de Ricardo Fischer a mim depois da peleja dizendo que “o Flamengo simplesmente parecia querer mais a vitória que a gente”). Bauru tem time, técnico e a força da torcida para reverter o revés de ontem à noite no Rio de Janeiro, mas a maneira como o Flamengo chega para o segundo duelo em Marília é bem animadora para a sua torcida. O lado psicológico pesará muito até sábado, não tenho dúvida disso.

foto65) Muita gente (inclusive eu) não entendeu quando Guerrinha manteve seu time titular no último período mesmo com a partida já decidida a favor do Flamengo. Conversei com o técnico de Bauru depois do duelo, e ele me disse que já estava pensando e preparando seus jogadores para o próximo duelo, evitando inclusive que a diferença subisse (ficando ainda mais abalada a confiança de seu grupo). Estratégia que pode render frutos lá na frente. Guerrinha tem experiência para entender não só os momentos dos jogos, mas o que uma atitude até certo ponto despretensiosa pode render adiante.

benite16) Por fim, mais um grandíssimo jogo de Vitor Benite por parte do Flamengo. Cada vez mais maduro e assumindo a responsabilidade como uma das estrelas da equipe, o camisa 8 terminou com 16 pontos (cestinha da equipe), 5 rebotes e excelente marcação tanto em Alex quanto em Ricardo Fischer. Escrevi sobre Benite recentemente (mais aqui), e seu nível técnico e de entendimento do jogo impressionam mais a cada dia.

Viu o jogo? O que achou da vitória do Flamengo? Será que Bauru se recupera pro jogo 2? Comente!


Duelo esperado, Flamengo e Bauru fazem hoje primeiro jogo da final do NBB
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Fábio Balassiano

flamengo2Era o duelo esperado desde o começo do campeonato. Os dois melhores elencos, os maiores investimentos e dois técnicos de primeira grandeza. A partir das 21h30 desta noite (Sportv), Flamengo e Bauru começarão a decidir o NBB na HSBC Arena na reedição de um formato que não acontecia desde a temporada 2010/2011, quando Brasília fez 3-1 e ganhou de Franca.

ALEX X MARQUINHOS, O DUELO QUE PODE DECIDIR O NBB

A partir de então, o maior campeonato do país foi decidido em jogo único, retornando neste ano a uma série decisiva em melhor de três jogos (e reitero a minha falta de compreensão no fato de o time de melhor campanha abrir o confronto fora de casa – em algo diferente das demais fases).

ricardo1Dentro de quadra, falei ontem sobre o ótimo duelo que deve acontecer entre Alex e Marquinhos, dois dos melhores alas em ação no país. Mas não é só isso que contará, evidentemente. Há o embate entre dois ótimos armadores (Nicolas Laprovittola pelo Flamengo e Ricardo Fischer por Bauru), Vitor Benite cada vez melhor pelos rubro-negros, Rafael Hettsheimeir podendo ser muito importante no garrafão contra Jerome Meyinsse (o MVP da final passada, diga-se) e o confronto entre Olivinha e Murilo, dois dos maiores reboteiros da história do NBB e responsáveis por trazerem não só pontos, mas também muita energia às suas equipes. Nesta temporada, duas vitórias em dois jogos para Bauru.

flamengo34Um ponto importante que deve ser verificado a partir de logo mais: como estará Bauru em termos físicos? Contra Mogi, na semifinal, o time deu claros sinais de desgaste. A diferença a favor dos bauruenses é que o jogo do Flamengo, bicampeão das últimas duas edições, é muito menos “pegado” que o mogiano (os rubro-negros são mais técnicos e usam estratégia mais cadenciado), o que pode fazer com que o cansaço não seja sentido.

Meu palpite para a decisão do NBB: Bauru 2-1. E o de vocês? Comentem aí!


Entendendo um pouco mais o fenômeno Steph Curry
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Fábio Balassiano

steph4No basquete, assim como na vida, ninguém é perfeito. Nem Michael Jordan, o melhor de todos, foi. Ninguém será. Mas o arremesso de Stephen Curry é quase isso. É quase perfeito. Neste playoff, então, beira o absurdo o que o magriça tem conseguido com a bola nas mãos (45% de conversão nas bolas de fora, vejam que loucura!).

Dá pra abrir alguns sorrisos clicando no vídeo abaixo que a NBA colocou em seu canal do YouTube com os 59 tiros longos que colocaram o camisa 30 do Warriors como o líder no quesito (tiros de 3 em uma única pós-temporada), à frente de bambas como Reggie Miller e Ray Allen. Vejam só não só as bolas caindo, mas o grau de dificuldade dos arremessos de Steph e também o deslocamento do cara para atirar a pelota.

steph1Quer mais? Porque tem muito mais a se mostrar. A figura à esquerda mostra o mapa de arremessos do armador de 27 anos nesta pós-temporada. Não sei se vocês repararam, mas o cara tá matando 90% das bolas ali do córner esquerdo, algo absurdo, algo raríssimo.

Não é só isso que a figura ao lado diz, porém. Incentivado por seu técnico, o estupendo Steve Kerr (em seu primeiro ano, hein!), Curry tem evitado cada vez mais os arremessos longos de dois pontos (como manda a cartilha do basquete “moderno”, baseado cada vez mais nas estatísticas avançadas, as analytics). Se é pra chutar de longe, que se arrisque de três pontos que vale mais e a chance de errar é parecida. E é isso que ele tem feito.

steph6São 11 tentativas de 3 por jogo neste playoff contra 10 de dois pontos neste mata-mata. Em jogadas de pick-and-roll, são 34 chutes, com 18 acertos (53% de acerto). Em deslocamentos simples (screens), 14/29 (48%). Em transição, 12/27 (44%). Onde ele se enrola? Nos arremessos parados, ou seja, sem nenhum tipo de drible (10/27, ou 37%). Como bem disse Dirk Nowitzki ao blogueiro dois anos atrás, o craque do Warriors é excepcional mesmo no chute pós-drible. Todo mundo sabe disso, mas ninguém é maluco de deixar Curry livre para chutar o tempo todo, né?

riley1Carismático ao extremo, sem estrelismos e pai de uma filha que é uma figuraça (Riley, 2 anos), Steph Curry, que tem apenas o quarto maior salário do Golden State Warriors, não custa lembrar, é um destes fenômenos do basquete que a gente vê surgir a cada 30, 40 anos. Eles aparecem não só para levar as suas equipes a vitórias, mas também para mudar um pouco da dinâmica do jogo. Seus arremessos rápidos, quase sempre saindo de dribles e deslocamentos, não são inéditos, não são uma invenção. A maneira como ele os conclui, quase que com perfeição, sim (quase que como um atirador de elite).

Steph Curry é um desses. Liderando o melhor time do campeonato, ele pode chegar a sua primeira final da NBA logo mais (22h) caso os Warriors vençam os Rockets, no Texas, pela quarta vez seguida nesta série. Vale a pena continuar assistindo o melhor e mais incrível jogador desta temporada da NBA.


Marquinhos x Alex, o confronto que pode decidir o NBB a partir de amanhã
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Fábio Balassiano

dupla

A final do NBB entre Flamengo e Bauru que começa nesta terça-feira (21h30, na HSBC Arena e transmissão do Sportv – amanhã no blog texto mais amplo a respeito do duelo) colocará frente a frente dois dos melhores alas brasileiros deste século. Alex Garcia, pelo lado bauruense, e Marqunhos, pelos rubro-negros, companheiros na seleção brasileira há tempos, têm tudo para ser fatores fundamentais no duelo entre as duas melhores equipes do Brasil.

alex1Contratado esta temporada por Bauru, Alex, para mim o melhor jogador da temporada (MVP), é um dos líderes e o “capitão defensivo” da equipe do técnico Guerrinha. Tricampeão do NBB por Brasília (média de 16,5 pontos em finais), o ala de 35 anos é um dos caras mais intensos do país dentro de quadra, não gosta de cara feia (seu apelido, Brabo, explica muito bem quem ele é) e faz uma temporada brilhante (foi o MVP da Liga das Américas e da Liga Sul-Americana). Tem experiência, comando no grupo e uma vontade descomunal de vencer (para quem já ganhou tudo isso é admirável).

mark1Do outro lado estará Marquinhos. Um dos alas mais talentosos dessa geração, ele chega a sua terceira final seguida de NBB (dois títulos com o Flamengo) ciente que mais do que nunca o rubro-negro precisa dele em ponto de bala para vencer um adversário até então não batido nesta temporada. Aos 31 anos e valorizado ao extremo depois de um ótimo Mundial com a seleção brasileira e títulos importantes com o clube (principalmente o Mundial Interclubes contra o Maccabi Tel-Aviv e a Liga das Américas passada), o camisa 11 registra incríveis 48% nas bolas de três nos playoffs, poucos desperdícios de bola (1,5 por partida, menor índice de sua carreira) e consegue ser dominante mesmo com seu menor número de arremessos por jogo em pós-temporada na sua carreira (11,6/jogo), prova de sua maturidade e também da confiança dele neste ótimo elenco do técnico José Neto.

dupla2Os dois craques brigam pelo troféu de MVP da temporada e creio que Alex e Marquinhos terão papéis essenciais para Bauru e Flamengo, respectivamente, a partir de amanhã (inclusive com um marcando o outro em alguns momentos) nesta que promete ser uma das melhores finais desde o surgimento do NBB sete temporadas atrás (final esta que fazer o primeiro campeão do Estafo de São Paulo na história da competição). Quem será que leva a melhor?