Bala na Cesta

Arquivo : abril 2015

Os méritos de Dedé, técnico que coloca Limeira entre os 4 melhores do NBB
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Fábio Balassiano

jamaal1A rodada de ontem do playoff do NBB teve dois jogos. Em Macaé, o time da casa venceu Mogi (78-69) com 18 pontos do armador norte-americano Jamaal (foto ao lado), o JaMito, 16 de Eddy e 11 de Pedrinho. Os Macaenses abrem 2-1 no confronto, fazem o quarto duelo amanhã às 19h30 novamente no ginásio Juquinha e caso vençam podem, de forma inédita, ficar entre os 4 melhores do país em sua curtíssima história na Liga Nacional (o time jogou a elite pela primeira vez na temporada passada). Caso consiga, seria um feito absolutamente incrível para a equipe do jovem técnico Léo Costa.

hayes2Na capital federal, Brasília começou bem, fechou o primeiro tempo na frente (41-39), mas não conseguiu segurar Limeira na segunda etapa, foi eliminada e ficou fora do grupo dos quatro melhores pela terceira vez seguida (a última foi em 2011/2012, quando foi a campeã inclusive). Os limeirenses, que contaram com 19 pontos do norte-americano Hayes (foto à esquerda) venceram por 89-76, fecharam o confronto das quartas-de-final em 3-1 e avançaram pela primeira vez às semifinais do NBB. Mais do que isso: a equipe tira uma marca muito ruim de nunca ter vencido uma série de playoff em toda sua história (cinco derrotas seguidas).

dede1Já havia escrito (aqui e aqui) sobre o bom trabalho do técnico Dedé à frente de Limeira, mas não custa nada reforçar os elogios. Em seu primeiro ano como comandante principal da equipe (antes fora assistente de Demétrius), o estudioso técnico, que recentemente foi a uma clínica de Gregg Popovich nos Estados Unidos (mais aqui), consegue fazer com que seu time jogue um basquete arejado, sem muitos dos defeitos do basquete brasileiro nos últimos anos (afobação no ataque, falta de combatividade na defesa, pouca intensidade nos dois cantos da quadra etc.) e com muita tranquilidade para enfrentar os momentos difíceis (não custa lembrar que seu grupo perdeu a segunda partida em casa e poderia ser eliminado em Brasília caso perdesse as duas na capital).

dede2Ontem à noite me chamou a atenção não só o controle de seu time em uma partida decisiva, mas principalmente o controle do próprio Dedé nos pedidos de tempo. Mesmo em situações complicadas durante o duelo contra Brasília ele manteve a compostura e usou os tempos técnicos apenas para orientar seus jogadores (algo raríssimo aqui). Não gritou, não usou palavrões, não apelou para clichês motivacionais. Sentou, pegou a prancheta e falou de tática, de técnica, de basquete simplesmente. Deveria ser o normal, mas foi até certo ponto surpreendente porque está longe de ser a prática por aqui.

dede1Limeira jogará a semifinal contra o vencedor de São José ou Flamengo com mando de quadra (os rubro-negros têm 2-1 e fazem o quarto duelo no Vale do Paraíba hoje) e podem, sim, chegar à final do NBB pela primeira vez com seu basquete organizado e paciente. Independente do que vai acontecer na próxima fase, é fundamental ficar de olho no que Dedé tem feito no interior de São Paulo com a sua equipe.

É o começo de um trabalho pra lá de interessante, e diferente, principalmente nos conceitos que estão sendo por ele aplicados, por aqui. Ficam os parabéns e a expectativa do que poderá acontecer por lá nos próximos passos.

 


Sem Kevin Love, como fica o Cleveland nos playoffs da NBA?
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Fábio Balassiano

love1Não durou muito a história de playoff de Kevin Love. Estreando em pós-temporadas da NBA pelo Cleveland Cavs após seis frustrantes eliminações na temporada regular com o Minnesota Timberwolves, o ala-pivô de 26 anos se machucou no jogo 4 contra o Boston na semana passada quando deslocou seu ombro em um lance de disputa de bola com o pivô do Boston (o vídeo está aqui e a imagem ao lado é chocante por si).

Ele foi examinado no próprio domingo, o resultado do exame saiu, seguiu para a mesa de operações em Nova Iorque e o diagnóstico após a intervenção cirúrgica é simples: de 4 a 6 meses de recuperação. Ou seja: nada de playoff nesta temporada e retorno às quadras apenas no começo do próximo campeonato.

love2Muita gente já especula se Kevin Love voltará a vestir a camisa do Cleveland, já que ele é agente-livre e certamente será cortejado por muitas franquias mesmo com sua lesão (Lakers principalmente), mas no momento o que importa mesmo é entender o que acontece com o Cavs sem ele para a semifinal do Leste e possíveis próximos passos até, sabe lá, uma eventual final da NBA (algo totalmente possível tendo em vista os desempenhos de Chicago e Atlanta, os principais candidatos da conferência até o final da fase regular).

love3Ninguém é maluco de dizer que Kevin Love estava jogando uma barbaridade no Cavs. Não, não estava. Embora suas médias sejam de respeitáveis 16,4 pontos, 9,7 rebotes e 43% nos tiros de quadra, ele se tornou a terceira opção ofensiva de uma equipe que é liderada por LeBron James e Kyrie Irving (quase nunca o camisa 0 criava suas jogadas, mas sim esperava as ações de seus companheiros). Jogando cada vez mais afastado do aro, seguiu insistindo nos chutes de fora, mostrou pouca agressividade perto da cesta, produziu bem pouco na defesa e não caiu nas graças de James (foi criticado publicamente duas vezes pelo astro do Cleveland inclusive).

love4Este é o lado menos bom de seu desempenho. A face boa de Love era sua inteligência na quadra, seu posicionamento para esperar as infiltrações de LeBron e Irving (já que não estava conseguindo, ou tendo liberdade para criar, o melhor mesmo era aguardar de forma paciente as chances que surgiriam), seu bom aproveitamento nas bolas de fora (37%) e seu ótimo jogo de passes.

Sendo ainda mais claro: o ala-pivô podia não estar sendo essa sumidade toda que alguns esperavam (embora parecesse óbvio que seu desempenho cairia um pouco de rendimento jogando ao lado de duas outras estrelas), mas tampouco é uma opção que pode ser desprezada em um período tão importante do ano. Em tempo: ninguém é, do nada, titular de um All-Star Game no Oeste jogando pelo Minnesota Timberwolves, certo? Algumas qualidades ele possui, né?

love5O Cleveland provavelmente efetivará Tristan Thompson na ala-pivô (aos 24 anos, o canadense também faz a sua estreia em playoff), dará um pouco mais de tempo de quadra a Shawn Marion em uma posição que já foi feita por ele nos tempos de Phoenix Suns e colocará LeBron James com seu físico cavalar na ala-pivô em algumas ocasiões, mas certamente sentirá muita falta de Love seja contra Chicago (Pau Gasol, Nikola Mirotic e Taj Gibson), Washington (Nenê  e Drew Gooden) ou Atlanta (Paul Millsap) no Leste.

Concorda comigo? O camisa 0 do Cavs fará mesmo muita falta? Ou não? Comente aí! Falo mais no vídeo abaixo também!


Por Vitor Benite na seleção que vai ao Pré-Olímpico
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Fábio Balassiano

benite1Há tempos acompanho a carreira de Vitor Benite . Desde o começo de NBB aquele jogador de leitura de jogo acima da média me chamava a atenção. Ficava imaginando como ele seria quando atingisse sua maturidade física e técnica. No Pinheiros, onde despontou, passando por Franca e Limeira, equipes em que adquiriu protagonismo, seus passos foram sempre seguidos por este blogueiro (e nem sempre com elogios, obviamente). Alguns links sobre o que escrevi sobre ele podem ser lidos aqui , aqui , aqui , aqui e aqui (no buscador há todos os itens com menção a ele – clique aqui).

benite2O tempo passou, uma lesão no final de 2013 travou a sua evolução mas agora, aos 25 anos recém-completados, Benite é titular absoluto (as médias dele começando as partidas são de 16,6 pontos e 53% nos arremessos de quadra) e peça fundamental do Flamengo que ontem bateu São José por 86-68 fora de casa para fazer 2-1 nas quartas-de-final do NBB. O camisa 8, cada vez melhor na defesa, mais consistente e confiante no ataque e inteligente desde sempre para tomar decisões rápidas em quadra, despejou 18 pontos e foi crucial para manter o rubro-negro bastante vivo no duelo contra os joseenses.

benite1Por isso fiquei pensando ontem à noite sobre uma possível convocação de Benite não pra seleção brasileira que irá ao Pan-Americano de Toronto (ainda manteria esta competição para desenvolver e dar espaço a jovens), mas sim para o grupo de Rubén Magnano que até segunda ordem jogará o Pré-Olímpico do México com a obrigação de garantir na quadra a vaga nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Pode parecer cedo, antecipado demais, mas é só dar uma olhadinha no cenário das alas da equipe nacional e verificar que, há, sim, muito espaço para o ala-armador do Flamengo no grupo final de Magnano.

benite1Da turma da ala que foi a Copa do Mundo de 2014 na Espanha, Alex Garcia, Leandrinho e Marquinhos têm feito por onde continuar no grupo de Magnano em 2015 e pela perspectiva do que ainda podem render em 2016 nas Olimpíadas. O mesmo não dá pra dizer de Marcelinho Machado e Larry Taylor (ambos com tempo reduzido de quadra e queda de rendimento em Flamengo e Bauru, respectivamente). Sobram, portanto, minimamente duas vagas para a posição mais carente do basquete brasileiro em muito tempo. E eu não vejo ninguém mais preparado em solo nacional que Vitor Benite para integrar o grupo, não. Falo isso não só pelo lado técnico da coisa.

beniteVitor Benite ainda tem muito a evoluir (e conhecendo o jogador, que se cobra bastante, não tenho dúvida que ele sabe mais disso do que eu), mas há outros aspectos além da qualidade dele que eu colocaria em perspectiva para convocá-lo. A seleção brasileira passará muito bem breve por uma imensa renovação. Trazer um jovem rodado de 25 anos para fazer a transição entre a turma de 30+ que está aí e a com menos de 20 que chega é, portanto, fundamental. Além disso, a evolução que ele tem apresentado é imensa nos últimos meses (e o futuro tende a ser bem melhor). Por fim, a capacidade de leitura de jogo que Benite tem é imensa (algo que Rubén Magnano sempre presta bastante atenção). Não custa lembrar que em competições FIBA o Brasil tem se enrolado bastante contra defesas mais apertadas e que “exigem” um pouco mais de paciência para atacar (e isso não é muito fácil de encontrar por aí).

Se tivesse que convocar a seleção brasileira para o Pré-Olímpico, chamaria Vitor Benite para fazer parte do grupo dos 12 de Rubén Magnano sem dúvida alguma.

Concorda comigo? Ou ainda não é a hora de Benite ser aproveitado na seleção principal do Brasil? Comente aí!


Sem convencer, Atlanta busca vantagem contra o Brooklyn hoje
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Fábio Balassiano

hawks4No playoff de 2014, o Atlanta Hawks terminou a fase de classificação na oitava posição com 38-44. Era um time em formação e sem seu melhor jogador (Al Horford, lesionado, nem jogaria a pós-temporada). Do outro lado, líder do Leste, estava o Indiana Pacers, dono de 56 vitórias, mas que todo mundo torcia o nariz por conta de uma eventual escorregada que o time poderia dar no playoff. A pergunta martelava a equipe de Frank Vogel e Paul George o tempo todo: “Os Pacers estão indo bem mesmo, mas como será no mata-mata?”.

hawks1Lembrei bem disse quando vi o final do jogo entre Brooklyn Nets e Atlanta Hawks na segunda-feira. Tendo avançado ao playoff na oitava posição, a turma de Brooklyn deveria ser abatida facilmente pelos Hawks. Melhor time do Leste, com o técnico do ano, com o estilo de jogo Spurs na veia, com os cinco titulares em ótima forma física e técnica. Tudo conspirava para uma primeira fase fácil para a turma da Geórgia. Certo? Errado.

hawks2Aconteceu com o Indiana em 2014 e a história se repete agora com os Hawks. O líder do Leste vê a série empatada em 2-2 após abrir 2-0 (perdeu as duas fora de casa) e tem logo mais em seu ginásio um crucial jogo 5 (20h, com transmissão do Space). A mesma dúvida que pairava nos Pacers (“Será que eles são isso tudo mesmo?”) agora bate pesado nos comandados de Mike Budenholzer. E isso, obviamente, não deve ser fácil de lidar, não.

hawks5Foram 60 vitórias na temporada regular, um basquete de altíssimo nível, dois pivôs que maltrataram as defesas rivais (Horford e Paul Millsap, um dos mais subestimados da NBA), uma rotação muito boa envolvendo um razoável banco de reservas e (vejam só) uma torcida que foi se empolgando aos poucos. Mas como o esporte é cruel a verdade é uma só: se não vencer hoje o Atlanta pode fazer o seu último jogo em casa nesta quarta-feira.

Atlanta Hawks v Brooklyn Nets - Game ThreePara evitar um desastre, é bom os Hawks jogarem como vinham fazendo até o playoff começar. A defesa, sempre tão boa, parece frágil e tem permitido até mesmo jogadores que estavam sumidos apareçam. (notadamente Deron Williams, autor de 35 pontos no jogo 4). No ataque, o jogo de passes flui muito menos, e com isso os arremessos, quase sempre livres na temporada regular, saem marcados, forçados, com menor percentual de conversão. Não foi assim que nos acostumamos a ver os caras jogar, né? E não é assim que eles realmente gostam/sabem atuar.

horfordComo boa recordação, em 2014 o Indiana sofreu um bocado com o Hawks, mas venceu a série por 4-3 mesmo sem convencer e avançou até a final da conferência (depois eliminaria o Wahsington e perderia apenas para o Miami na decisão).

O que acontece logo mais em Atlanta? Comente aí!


O fundamental jogo 5 entre Spurs e Clippers na Califórnia
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Fábio Balassiano

cp3Dia importante para a única série do Oeste que realmente está valendo a pena (a não ser que alguma coisa mude, obviamente, já que Houston e Memphis têm 3-1 contra Dallas e Portland e fazem o jogo 5 em casa). Em Los Angeles (23h30), o Clippers recebe o San Antonio Spurs no fundamental jogo 5 de um duelo que tem sido fantástico desde seu começo.

Após perder pela pior margem da franquia em playoff na sexta-feira (27 pontos), os Clippers jogaram muita bola no domingo, dominaram do começo ao fim, fizeram 114-105 (Chris Paul, na foto ao lado, saiu-se com 34 pontos e 7 assistências) no Texas, igualaram em 2-2 e colocaram o confronto em uma “melhor de três” a partir de hoje.

rivers1Para o Clippers, é essencial que a intensidade ofensiva seja mantida durante todo jogo (24 assistências e 46 pontos no garrafão) e que a marcação consiga tirar os tiros de três sem marcação do San Antonio (Spurs, bem marcados, chutaram para apenas 6/25 de longe). Se não for pedir muito, ter mais de uma arma saindo do banco de reservas como Austin Rivers (excelente no domingo com 16 pontos em 17 minutos – na foto à esquerda) e Jamal Crawford pode ajudar não só a vencer os texanos, mas a dar um pouco de descanso a Chris Paul (o camisa 3 tem jogado 38,5 minutos/jogo, muita coisa).

blake1Além disso, houve um movimento tático muito bacana por parte de Doc Rivers também com Chris Paul fazendo pick com Blake Griffin e três arremessadores no entorno (Rivers, Crawford e Redick). Por mais que o resultado não tenha sido bom (5/18 de longe), pode ser uma boa alternativa para sangrar a marcação adversária, que sempre vai preferir conter CP3 e Blake a vigiar seus companheiros. A grande qualidade dos californianos no jogo 4, porém, não foi nem técnica, mas psicológica. Eles conseguiram esquecer a bobeira que foi o jogo 2 (quando Blake Griffin foi tentar quicar a bola por baixo das pernas, errou e permitiu a prorrogação…), atuaram com muita confiança e usaram e abusaram do potencial físico do elenco (muito maior que o de seu adversário).

pop2Para o San Antonio Spurs, é imperativo, como bem disse Gregg Popovich (foto à esquerda) após o jogo 4, que sua defesa entre em quadra desde o primeiro minuto e não, como ele disse, que defensa apenas quando pense ser emergencial. Não é admissível, e nem faz parte do padrão Spurs de qualidade, levar 114 pontos em um jogo de pós-temporada. Conter os picks de Chris Paul com Blake Griffin não é a tarefa mais fácil do mundo, mas é a única forma de fazer o jogo do Clippers diminuir de eficiência (quase todas as jogadas do time de Doc Rivers começam com eles chamando bloqueios na cabeça do garrafão).

Em séries melhor de 7 empatadas em 2-2, o vencedor do jogo 5 vence o confronto em mais de 85% das vezes. O que acontece logo mais? Spurs ou Clippers? Quem ganha o jogo em Los Angeles? Comente aí!


Sobre Damiris, Antonio Carlos Vendramini e o título de Americana na LBF
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Fábio Balassiano

americana2

Terminou ontem a temporada 2014/2015 da LBF. E terminou com um jogaço de bola envolvendo Americana e América-PE. Melhor para a equipe do interior de São Paulo, que jogou em casa, contou com Ariadna (17 pontos), Damiris (16 pontos e 8 rebotes) e o apoio da torcida que encheu o Centro Cívico na noite de segunda-feira para vencer o forte rival por 79-77, sagrando-se tricampeão da competição ao fechar a série em 2-1 e conquistando o troféu pela segunda vez seguida.

damiris2A pivô Clarissa foi eleita a melhor jogadora da competição, mas gostaria de, neste texto, destacar outros importantes personagens de Americana. Em primeiro lugar a jovem Damiris (foto à direita). Quem lê este espaço viu a entrevista que ela me deu contando de seus dramas familiares e quão duro foi para ela se recuperar de seus baques recentes. Mas a camisa 12 foi forte, dura, tenaz e voltou a apresentar um ótimo basquete na competição. Foi fundamental nos playoffs e nos dois jogos mais difíceis para a equipe campeã foi ela, ao lado da não menos ótima cubana Ariadna, quem segurou a onda do time. Isso tudo com 22 anos. Isso tudo sem sobressaltos, sem jogar a bola pra cima para catar o rebote loucamente, sem necessidade de grandes malabarismos. O basquete de Damiris, com arremessos longos cada vez mais “seguros” e golpes apurados perto da cesta, ainda precisa de evoluções (é óbvio isso), mas sua temporada é a do reencontro com seus melhores momentos e com uma nova (boa) perspectiva do que poderá vir. Não colocá-la como titular da seleção brasileira ao lado de Érika no garrafão seria uma temeridade (e inclusive ajuda a pivô do América-PE, já que Damiris gosta e sabe jogar um pouco mais afastada do aro).

vendra2Em segundo lugar, uma reverência toda especial a este mito do basquete feminino chamado Antonio Carlos Vendramini. Longe das pranchetas por muitos anos (alguém consegue entender isso?), o técnico regressou ao esporte na temporada passada e recolocou Americana na rota de conquistas dos últimos anos. Foi campeão da LBF em 2014, bicampeão em 2015 e só perdeu uma única partida de playoff desde a sua volta (justamente a primeira da decisão em Recife para o América-PE). Campeão do primeiro nacional feminino com o Fluminense no agora longínquo 1998, Vendra conquistou mais três nacionais (2000, 2004 e 2005) e voltou a sentir o gosto de um troféu quase uma década depois. Tal qual Maria Helena Cardoso, Lais Elena e Paulo Bassul, ele está no grupo dos excepcionais treinadores que a modalidade das meninas já viu. Vendramini é muito bom e conhecendo o cara dá pra imaginar que sua “fome” não terminou ontem (ainda bem!).

Americana1Parabéns ao América-PE (principalmente a Roberto Dornelas, técnico e grande guerreiro da modalidade), que fez uma ótima campanha, e muitas felicitações a Americana. Que o projeto da cidade continue forte, cresça ainda mais, volte a abrigar os times da base (é quase uma súplica isso aqui…) e que siga revelando grandes jogadoras. E que Antonio Carlos Vendramini continue lá por muito tempo.

Viu o jogo? Gostou? Deixo abaixo um vídeo sobre a rodada de ontem (NBA e NBB inclusive) e uma singela homenagem a Vendramini.


Após insucesso no playoff, a hora da mudança em Toronto
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Fábio Balassiano

TorontoSun1O playoff do Leste da NBA começou com uma provocação conhecida para o Toronto Raptors, franquia que tenta chegar longe amparada muito mais no fanatismo de seus torcedores do que na qualidade do elenco. Era de Paul Pierce, do Wizards, que falou que mais uma vez o Toronto sofreria em suas mãos (eliminado pelo Brooklyn Nets, de Pierce, em 2014). O Toronto Sun, jornal local, respondeu (tal qual fez ano passado – mais na foto à direita), Amir Johnson, muito ingênuo, colocou ainda mais lenha na fogueira ao fazer uma comparação pouco feliz envolvendo o veterano do Washington e o Viagra (mais aqui). Isso foi antes de a bola quicar.

pierce1Quando os jogos começaram, parecia que só tinha um time disposto a avançar às semifinais do Leste. E não era a equipe canadense, não. O Washington Wizards passou o carro por cima do Toronto sem a menor cerimônia, fechou a série por inapeláveis e incontestáveis 4-0 com os 125-94 deste domingo na capital dos EUA e colocou uma série de dúvidas na franquia rival após ganhar todas as partidas por 7+ pontos (diferença média de 14). Foi um duelo em que tudo deu errado para os Raptors (da estratégia da comissão técnica, ao desempenho do All-Star Kyle Lowry a intensidade defensiva) e que, no final das contas, terminou com mais uma zoação de Paul Pierce (foto à esquerda), brincando com o fato de ser o Rei do Canadá em sua página no Facebook.

lowry1Dá pra, sim, citar a queda de rendimento de Kyle Lowry (sua performance despencou depois do All-Star e atingiu o fundo do poço no playoff, com as ridículas médias de 9,3 pontos, 23% de aproveitamento nos arremessos e nenhum controle psicológico para administrar as situações complicadas – para o armador e estrela da equipe…), mas colocar tudo na conta do camisa 7 seria reduzir demais a análise de (insisto) de um time que tinha como principal meta chegar na segunda rodada do Leste justamente porque sabia/sabe de suas limitações e cujo elenco está longe de ser excelente. O começo foi realmente animador, mas ninguém da diretoria (e isso incluir o gerente-geral Masai Ujiri) esperava vôos tão altos assim.

masai1Com a eliminação, porém, algumas coisas deverão mudar (e precisam mudar mesmo). Comenta-se que Dwane Casey, o técnico (na foto ao lado, de boné, conversando com Masai), pode ser trocado, mas eu sinceramente não iria nessa direção. Casey pode não ser ótimo, mas não custa lembrar que ele foi o responsável pela montagem da defesa daquele Dallas Mavericks campeão e tem experiência de sobra na liga. Trazer alguém para começar do zero um trabalho não me parece o mais adequado.

O mais importante, mesmo, para o Toronto é rever um elenco que não passa de mediano (e que só tem algum sucesso porque encontra-se no Leste – e na divisão do Atlântico, uma das mais fracas da NBA). Não é reconstruir tudo do zero, mas sim melhorar algo a partir do que já existe (muito menos traumático). A gente sabe da dificuldade que os Raptors têm em trazer reforços no mercado de agentes-livres porque pouca gente quer sair dos Estados Unidos (isso é um fato), mas algo precisa ser feito. A começar pelo próximo Draft, com uma escolha ali pelo meio da primeira rodada que pode render algum bom reforço.

duplaEm segundo lugar (ao menos pra gente aqui), é preciso saber o que fazer com Bruno Caboclo e Lucas Bebê. Eles eram apostas para o futuro quando chegaram lá em 2014, a gente sabe disso, mas ficaram no banco esta temporada inteira e, espera-se, que tenham um mínimo de tempo de quadra em 2015/2016. A dúvida, principalmente pra Caboclo, é: Terrence Ross e James Johnson, que tiveram finais de campeonato terríveis, perderão espaço para a entrada do ala brasileiro logo de cara? Os resultados, no curto prazo, talvez não sejam os melhores devido a falta de experiência de Bruno, mas se a franquia o escolheu no Draft é por acreditar no seu potencial no futuro.

rozan1Depois, é preciso encontrar alguma fórmula de ir ao mercado e rechear o elenco com bons jogadores de composição de elenco (úteis). Não será fácil, mas é fundamental que isso aconteça para que o objetivo de avançar no playoff seja possível (algo que não acontece há 15 anos). Lowry e DeMar DeRozan (foto à esquerda) são muito bons (podem não ser estrelas de primeira grandeza, mas são bons, sim!). Ladry Fields (decepção absoluta), Amir Johnson e Chuck Hayes finalizam seus acordos agora, e o Toronto tem muita grana para investir no mercado. São apenas nove jogadores sob contrato, com um total de baixos US$ 49 milhões (bem abaixo dos US$ 67 milhões projetados para o próximo campeonato). Renovar com Louis Williams, eleito o melhor sexto homem da temporada, também precisa ser pensado. Grana e espaço na folha há bons investimentos, portanto.

milos1Por fim, uma solução à moda San Antonio Spurs pode ser extremamente proveitosa. Ir à Europa e pescar duas ou três boas peças de composição de elenco no velho mundo pode ser muito vantajoso – e já deu muito certo inclusive no Toronto quando houve a contratação de Jorge Garbajosa e José Calderón.

Quem está acompanhando as fases finais da Euroliga nota que valores jovens, com potencial atlético, ótima técnica e visão de jogo diferenciada há aos montes por lá. Milos Teodosic, armador sérvio na foto à direita, é doido para jogar na NBA, por exemplo.

masaiSão muitos os deveres de casa que Masai Ujiri terá a partir de hoje. Serão dias intensos, com alguma pressão devido aos dois insucessos em pós-temporadas, mas é importante notar que há uma base formada com bons jogadores (Lowry e DeRozan principalmente). É preciso melhorar, dar o próximo passo, mas não é um cenário de terra arrasada, não. Achar que está “tudo um lixo”, como andei lendo nos fóruns do Canadá, é um erro que decididamente não pode ser cometido para quem vem fazendo um trabalho tão bonito com a franquia que conta com uma das mais apaixonadas torcidas da NBA.

Concorda comigo? O que você faria no Toronto para a próxima temporada? Manteria o técnico? Comente aí!


Podcast BNC: Os primeiros passos dos playoffs de NBA e NBB
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Fábio Balassiano

jamaalChegamos àquele momento maravilhoso do ano com os mata-mata de NBA e NBB. Vamos às análises sobre o que está rolando no melhor campeonato do país e no melhor do planeta basquete? Quais as surpresas? E as decepções? E os próximos passos? Tem alguém jogando mais que Jamaal (foto à direita), de Macaé, por aqui? E que Stephen Curry e James Harden nos EUA? Ouve aí!

Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e bom programa!


Na NBA, o playoff de apenas ‘duas séries’
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Fábio Balassiano

Era um dos playoffs mais esperados de todos os tempos, né? Pois a bola começou a quicar no mata-mata da NBA e o que temos passada uma semana? Apenas duas séries, digamos, vivas por lá.

pierceNo Leste, a única série aberta é a (surpresa!) entre Atlanta e Brooklyn. Em casa, os Nets tiveram uma sequência de 18-0 e venceram os Hawks por 91-83, diminuindo a diferença para 1-2 e mantendo o confronto totalmente aberto (ainda não houve vitória fora de casa por aqui).

Tirando o duelo Atlanta-Brooklyn, (quase) tudo definido. Washington, o Chicago e o Cleveland abriram 3-0 contra Raptors, Bucks e Celtics. E a gente sabe que NUNCA na história da NBA uma série saiu de 0-3 para 4-3. Difícil imaginar que será agora, certo? Os Wizards, do mítico Paul Pierce (média de 16 pontos na série – na foto ao lado), têm os Raptors hoje (19h30 – com Sportv) para fechar com uma varrida. Os Cavs estão em Boston e podem varrer os verdes neste domingo às 14h. Os Bulls, que perderam ontem após a falha de Derrick Rose no lance abaixo, agora têm 3-1 e a chance de fechar de vez na segunda-feira 21h (ESPN).

curryNo Oeste, o Memphis continua não tomando conhecimento do Portland. Venceu os Blazers ontem no Oregon por 115-109 e abriu 3-0, mesmo placar que o Houston tem contra o Dallas (o quarto jogo será neste domingo, às 22h30, com exibição do Space). O Golden State Warriors já passou desse estágio. Não conseguiu segurar Anthony Davis (média de 31 pontos e 11 rebotes em seu primeiro playoff), mas viu Stephen Curry explodir com 33,5 pontos e 7,6 assistências para varrer um rival em 4-0 pela segunda vez em sua história. Qual foi a outra varrida? Em 1975, justamente na final contra o Washington. Bons presságios?

A única série aberta para disputa no Oeste é a envolvendo Spurs e Clippers. Depois de estar perdendo por 1-0, o San Antonio virou o duelo, abriu 2-1 e pode ficar próximo da segunda rodada do playoff do Oeste caso vença a franquia de Los Angeles neste domingo às 16h30 em casa (Sports+ exibe).

O que será que acontece no primeiro jogo de Tim Duncan com 39 anos (ele completou aniversário ontem)? Comente aí! Falo disso no vídeo também!


Macaé, São José e Brasília vencem fora e invertem mando de quadra no NBB
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Fábio Balassiano

Lembra do que aconteceu nas oitavas-de-final do NBB, quando os times de pior campanha levaram 3 vezes a melhor contra os de melhor (mais aqui)? Pois não é que as surpresas estão acontecendo de novo nas quartas-de-final do maior campeonato de basquete do país? Vamos lá!

giovannoniNa sexta-feira, em jogo que todos estão reclamando da arbitragem (não vi, não posso falar), Brasília contou com excepcional atuação de Guilherme Giovannoni (29+11 – foto à esquerda) e venceu Limeira por 93-85 no interior de São Paulo, igualando o confronto em 1-1 e tendo os dois próximos jogos na capital federal. Caso vença as duas em seus domínios, onde aliás ainda não perdeu no playoff deste ano, chega novamente às semifinais do NBB. Para Limeira, aquele inevitável fantasma já aparece (a equipe NUNCA venceu uma série de playoff em toda sua história). Conviver com isso não será fácil para os comandados de Dedé (especialmente contra uma turma tão experiente como é a brasiliense). Os jogos 3 e 4 serão na segunda (20h30) e quarta-feira (19h30) e terão transmissão do Sportv.

dedeNo Rio de Janeiro, com grande atuação do trio formado por Caio Torres (15+7), Andre Laws (17+7) e Dedé (15+7 – ele na foto à direita), São José jogou muitíssimo bem, controlou o Flamengo desde o início com ótima e intensa defesa, e venceu por 82-76, também invertendo o mando de quadra na série e tendo os dois próximos duelos em seu ginásio (que certamente estará apinhado de gente). Elogio merecido, também, o ótimo trabalho de ajuste feito pelo técnico Zanon. Conseguiu segurar as principais peças do rival e mesmo sem contar com seu principal pontuador em noite inspirada (Jimmy Baxter teve módicos 3 pontos) saiu com o triunfo. Pelo rubro-negro, atuação ruim de Laprovittola (0/7 nos tiros) e péssima pontaria de fora (5/29). Os joseenses tampouco perderam em seu ginásio no mata-mata até então. Jogos 3 e 4 na terça (20h – Web) e quinta-feira (19h30 – Sportv).

jamaalPor fim, Macaé, que havia incomodado demais Mogi no jogo 1, liderando a partida por três períodos, ontem concretizou a inversão do mando de quadra em São Paulo. Bateu os mogianos fora de casa por 89-84 com um último período de arrepiar (29-16) e com outra atuação mítica do norte-americano Jamaal (o armador, que está na foto à direita, saiu-se com 27 pontos), muito bem coadjuvado pelo excelente Márcio Dornelles (12 pontos e 3 assistências), Atílio (14+8 rebotes), João (16 pontos) e Fernando Mineiro (15 pontos). O time do técnico Leo Costa (muito jovem, muito promissor – olho nele!) agora tem dois jogos em casa, onde tampouco foi derrotado no playoff até agora, e pode fazer com Mogi o que Mogi fez com os adversários na temporada passada (saindo em décimo-segundo, a equipe de Paco Garcia surpreendeu a todos). Os jogos 3 e 4 serão na terça (20h) e quinta-feira (19h30). Os jogos 3 e 4 serão na quarta (19h30) e sexta-feira (19h30).

hettsA única série que (ainda?) não tem inversão de mando de quadra é a envolvendo Bauru e Franca. Os bauruenses venceram o jogo 1 por confortáveis 82-55 com 16 pontos e 14 rebotes deste excelente Rafael Hettsheimeir e fazem o segundo duelo no ginásio Panela de Pressão neste domingo às 19h (transmissão pela Web).

O que vai acontecer no mata-mata dos playoffs do NBB? Mais surpresa? Ou Flamengo, Limeira e Mogi se recuperam contra São José, Brasília e Macaé? Comente aí!