Bala na Cesta

Arquivo : janeiro 2015

Na defesa, o grande mérito de Bauru na vitória contra o Flamengo
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Fábio Balassiano

bauruFoi um dos melhores jogos do NBB. No segundo capítulo do embate mais esperado da temporada 2014/2015 do NBB, Bauru e Flamengo fizeram um ótimo espetáculo no Panela de Pressão, no interior de São Paulo, nesta sexta-feira.

bauru2Consistentes, os bauruenses venceram por 92-84, bateram o forte rival pela segunda vez seguida, conquistaram o simbólico Troféu Cláudio Mortari (homenagem ao primeiro técnico brasileiro campeão mundial – ele na foto ao centro), alcançaram a 15a vitória seguida e mantiveram a liderança do campeonato com incríveis 18-2.

E o grande mérito de Bauru, coletivamente falando, foi ter mantido o fortíssimo ataque do Flamengo novamente abaixo da casa dos 85 pontos. O time de Guerrinha segue sem tomar 90 pontos no campeonato e na noite de ontem forçou o rival a 14 erros, roubou 12 bolas e conseguiu segurar três figuras centrais do esquema de José Neto (Marquinhos, este voltando de lesão, Marcelinho e Walter Herrmann) abaixo dos dez pontos (e isso é incrível!).

Muita gente fala do lado ofensivo bauruense, que de fato é fortíssimo, mas nos jogos grandes, nos jogos complicados as vitórias têm vindo mesmo é pela sanha defensiva (Franca, São José, Paulistano e duas vezes contra o Flamengo). Com isso o time tem tido tranquilidade para atacar e para, até, tentar arremessos mesmo sem estar nas melhores posições/condições para tal (o que é, obviamente, pouco recomendável). Tanta tranquilidade que no meio do quarto período, com a vantagem em 20 pontos, fez uma série de besteiras com a bola na mão que colocou o rival a nove (a diferença não baixou disso após dois pedidos de tempo seguidos de Guerrinha).

benitePelo lado do Flamengo é claro que há preocupação. O time não tem feito bons jogos depois da volta dos amistosos na NBA, perdeu duas vezes para o principal candidato ao título do torneio nacional e terá que jogar sempre com o pé no acelerador em duas competições bem distintas (NBB e Liga das Américas). Herrmann ainda não está bem, Marcelinho, que nunca foi um exímio defensor, tem ficado para trás com muita facilidade e o garrafão tem estado muito frágil defensivamente (ontem foram 13 rebotes ofensivos cedidos). Se ano passado a marcação ditava o tom do time de José Neto, nesta temporada o setor defensivo inspira cuidados. Uma boa alternativa seria dar mais e mais minutos a Vitor Benite e Olivinha, que ontem marcaram muito bem, somaram 16 e 15 pontos e foram os responsáveis por reduzir a diferença do time do interior de SP.

bauru3Antes de fechar o texto reitero meus elogios a Alex Garcia. Aos 34 anos, ele chegou a Bauru e já é o dono do time. Teve 21 pontos (suas infiltrações pareciam imarcáveis ontem), apanhou 7 rebotes e conteve, na defesa, Marquinhos e Marcelinho de forma implacável. É, disparado, o jogador brasileiro com maior intensidade e tem dado gosto vê-lo em quadra com tanta vontade para vencer jogos e títulos. É um cara especial, um grande exemplo e é sensacional saber que sua “fome” por grandes conquistas ainda está em dia mesmo com o currículo cheio de troféus e marcas importantes.

Viu o jogo de ontem? Gostou? Comente!


Hawks seguram fúria de Lillard e chegam a 18 vitórias seguidas na NBA
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Fábio Balassiano

lillardDamian Lillard não foi selecionado para o All-Star Game (para o lugar do lesionado Kobe Bryant entrou o pivô DeMarcus Cousins, do Sacramento Kings) e soltou os cachorros no Facebook (depois apagou). Criticou os torcedores, os técnicos e até o comissário-geral da NBA, Adam Silver (o conteúdo todo está aqui). Por isso ficou a expectativa para saber como seria a sua primeira partida depois do ataque de fúria. E seria contra um dos melhores times da NBA na temporada, o Atlanta Hawks.

Lillard começou bem, fez 11 pontos no primeiro período, contou com excelente atuação de LaMarcus Aldridge (37 pontos e 11 rebotes) e guiou o seu Portland a vantagem de cinco pontos no começo do último período. Poderia ser o fim da série de 17 vitórias seguidas do Atlanta. Mas os Hawks não desistiram.

millsapFizeram 36-25 nos últimos 12 minutos, fizeram 105-99, bateram o Portland, chegaram a 18 vitórias consecutivas na NBA e, contando com a derrota do Golden State para o Jazz em Utah (110-100), igualaram a melhor campanha da temporada 2014/2015 (39-8).

Nesta sexta-feira foram 26 assistências em 40 arremessos convertidos, seis jogadores com 10+ pontos, 17 erros forçados do rival (mesmo sem DeMarre Carroll, seu melhor marcador) e 38 pontos e 16 rebotes da dupla Al Horford e Paul Millsap (ambos All-Star). O Atlanta é um timaço de basquete e merece todos os créditos, isso sim! Abaixo os melhores momentos da partida.


Em casa, líder Bauru enfrenta ‘mordido’ Flamengo
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Fábio Balassiano

alex1O duelo mais esperado do basquete brasileiro nesta temporada tem hoje à noite o seu segundo capítulo (19h30, com Sportv). Em casa, o líder Bauru (17-2 e 36 pontos) recebe o Flamengo no jogo que vale o Troféu Cláudio Mortari (veja mais aqui) e que envolve não só os dois melhores elencos do país mas também os atuais campeões da Liga das Américas (Fla) e da Sul-Americana (os bauruenses).

Certamente com ginásio lotado (ingressos esgotados desde a tarde de ontem), Bauru vem de 14 vitórias seguidas (incrível!), está com elenco cada vez mais entrosado (e sem nenhuma vaidade, o que é ótimo), tem atiradores de elite na linha dos três pontos (39% de aproveitamento em 30 bolas tentadas por noite) e o melhor jogador da temporada no NBB. Sensacional defensor no perímetro e com nível de intensidade acima dos padrões brasileiros (o que é ótimo), Alex Garcia (foto à direita) vive fase exuberante, “ganhou” o jogo para seu time na semana passada em São Paulo contra o Paulistano com uma cesta nos últimos segundos e um toco na jogada seguinte e é o grande líder dos bauruenses, trazendo consistência defensiva, liderança e boas opções ofensivas com suas fortes infiltrações.

neto1Vindo da classificação da Liga das Américas o Flamengo, por sua vez, vem mordido não por resultados ruins no NBB, mas pela perda dos pontos da partida não realizada contra o Pinheiros (mais aqui). Se já não tinha muito mais margem para erro para ficar entre os quatro primeiros da fase de classificação, a situação agora é ainda mais urgente para o time de José Neto (foto à esquerda). Com 27 pontos o rubro-negro está em oitavo na classificação por pontos. Caso vença seus três jogos atrasados (contando o W.O. que AINDA pode ser revertido) subiria para 33 e ficaria exatamente entre Limeira (hoje o segundo) e Mogi (o terceiro). Vencer logo mais, portanto, é fundamental pois além de tudo ainda mantém vivo o sonho de terminar na primeira (ou o mais perto disso) na temporada regular.

Se precisasse de mais motivos para este já sensacional Bauru x Flamengo bombar esta noite creio que não falte mais. Quem será que vence? Comente aí!


Reservas do All-Star Game estão escolhidos – você concorda?
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Fábio Balassiano

lesteDepois dos titulares (aqui), hoje foi a vez de a NBA anunciar os reservas do All-Star Game que será disputado em Nova Iorque (13 a 15 de Fevereiro – e este blogueiro estará lá!). Selecionados pelos técnicos, eles foram assim colocados nos times:

Os escolhidos do Leste:
Jeff Teague, Paul Millsap, Al Horford (os três do Hawks), Jimmy Butler (Bulls), Kyrie Irving (Cavs), Chris Bosh e Dwyane Wade (Heat)

Quem eu levaria no Leste: Para mim foram ótimos os reservas. Não mexeria em nada. Um detalhe: Derrick Rose de fora…

LEIA: NO ALL-STAR GAME, A TROCA DE GUARDA NA NBA

oesteOs escolhidos do Oeste:
Kevin Durant, Russell Westbrook (Thunder), Klay Thompson (Warriors), James Harden (Rockets), LaMarcus Aldridge (Blazers), Chris Paul (Clippers) e Tim Duncan (Spurs)

Quem eu levaria no Oeste: Trocaria Chris Paul por Damian Lillard. Só isso. Tim Duncan merece ir desde o ano passado

Só lembrando: Kobe Bryant, lesionado, está fora e alguém do Oeste será convocado para seu lugar. E você, gostou das listas? Quem você teria colocado? Comente aí!

 


A arte do rebote, por Shilton dos Santos
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Fábio Balassiano

DSC_5370Na semana passada escrevi por aqui sobre a boa evolução em relação aos técnicos brasileiros. Voltados cada vez mais para a defesa, eles têm feito com que suas equipes joguem de forma mais intensa, “agredindo” o adversário com marcações pesadas e extraindo o máximo de jogadores nem tão renomados assim.

Se nas pranchetas Demétrius, Dedé e Régis Marrelli encarnam bem este tipo de nova ordem, dentro de quadra o melhor exemplo de como é possível ser muito bom na defesa atende pelo nome de Shilton. Ala-pivô contratado pelo Minas após dois títulos de NBB pelo Flamengo, o rapaz de 32 anos chegou em BH para ser o principal pilar do jovem elenco mineiro e a voz, em quadra, das mensagens do técnico Demétrius.

shilton1Aqui, aliás, cabe uma observação. Na final do NBB da temporada passada o Flamengo passou por apuros incríveis diante do batalhador time do Paulistano. Ganhou no final quando Shilton apanhou um rebote ofensivo que gerou dois lances-livres. Mas disso pouca gente lembra. O que a maioria gosta mesmo de falar é que ele destoava ofensivamente em relação aos atletas que havia por lá (só atirador de elite – Marcelinho, Laprovittola, Benite, Marquinhos etc.). Como se só disso vivesse um time vencedor.

Equipe do Minas, Shilton, Coelho, Alex e BrunoMas, bem, voltando. Passados 18 jogos e os resultados (do Minas e dele) estão lá. Com 12-6 (venceu na terça-feira o Basquete Cearense por 90-63) o time de Demétrius coloca-se entre os primeiros colocados do principal campeonato do país defendendo como poucos e tendo apenas um jogador entre os dez primeiros de pontos, rebotes e assistências nas estatísticas individuais do NBB. E adivinhem quem é?

shilton6Shilton, ele mesmo. Excelente em Joinville e ótimo no Flamengo, ele é o melhor reboteiro da competição até o momento com 8,72 por jogo e 0,36 rebotes por minuto (melhor índice do torneio). Se isso não bastasse, traz experiência a um grupo recheado de moleques em busca de espaço e uma mentalidade defensiva tão necessária aos times daqui.

Desde 30 de novembro são 5 vezes em 10 partidas com 10+ rebotes. Na história do NBB, média de 7,2 na carreira, sendo 0,28 rebotes por minutos em quadra, números de respeito (e que só não são melhores pois ainda não é possível medir em terreno nacional o comportamento dele e de seu time no lado defensivo da história).

minasO armador Henrique Coelho é promissor, os alas Leonardo Demétrio e Danilo Siqueira) também, mas eu arrisco-me a dizer que sem Shilton por lá os belíssimos resultados que o Minas têm conseguido não estariam por aí. No basquete não há arte só em pontos. Há beleza nos rebotes, nos bloqueios bem feitos e principalmente na marcação. É o que o ala-pivô traz ao time de Demétrius e a todos os times que defendeu em sua carreira

Atletas como ele (e insisto neste ponto) deveriam ser mais valorizados por aqui. Cultuar só os pontuadores é um equívoco, é enxergar o jogo pela metade, é esquecer que por trás de um Michael Jordan existiu um Dennis Rodman (para ficar em apenas um exemplo). Ampliar o olhar é a melhor maneira para se enxergar o basquete da melhor maneira possível. Basta acompanhar uma partida de Shilton para saber que o esporte é muito mais que apenas acertar arremessos.


STJD pune Flamengo por partida não disputada – clube leva W.O.
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Fábio Balassiano

lnbPara quem acompanha este espaço não é novidade (mais aqui). Mas não custa relembrar. No dia 25 de novembro do ano passado Flamengo e Pinheiros deveriam ter disputado a partida do turno do NBB. O embate estava marcado para o ginásio do Tijuca (Rio de Janeiro), mas não pôde ser realizado devido a falta de documentos para a liberação do espaço. Com isso, as duas equipes voltaram para casa e um julgamento foi marcado para discutir o caso.

nbb1Adiado na semana passada, o embate dos tribunais aconteceu ontem em São Paulo. E o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da Liga Nacional de Basquete (LNB) decidiu punir o Flamengo, mandante da partida, com multa de R$ 5 mil e a perda dos pontos da partida (o famoso W.O.). Com isso, o Flamengo somará mais uma derrota a sua campanha de 11-5 e o Pinheiros acaba ganhando mais uma vitória para se somar aos seus 8-9 do NBB7 (aqui o texto completo do STJD).

Ainda cabe recurso por parte da agremiação do Rio de Janeiro e (importante) a Liga Nacional informa que em breve enviará uma nota a respeito disso explicando se o rubro-negro deixa de somar o ponto da derrota no caso deste W.O. ou se, mesmo com o W.O., o ponto é somado. Lembrando: no basquete o vencedor ganha 2 pontos e o perdedor, 1.

Atualização às 13h30: Flamengo divulgou Nota Oficial a respeito disso (aqui).
Atualização às 17h45: Liga Nacional também divulgou Nota Oficial e confirmou o W.O. (aqui)

Em outro julgamento de ontem os técnicos Gustavo de Conti (um jogo) e Paco Garcia (dois jogos) foram suspensos devido às confusões depois do jogo entre suas equipes (Paulistano e Mogi, respectivamente) no final do ano passado.


Após tanto sacrifício, corpo de Kobe Bryant pede descanso
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Fábio Balassiano

mjNa história da NBA alguns atletas entram para a história pelo seu estoicismo, pela forma como tentaram melhorar ano após ano. O melhor exemplo talvez seja Michael Jordan, o maior dos “inconformados” da liga norte-americana. Do ano que entrou (1984) ao que saiu do basquete Jordan tentou evoluir em termos físicos, técnicos, mentais e táticos. Não existia tempo para férias, não existia tempo para outra coisa. Seus resultados falam muito bem no que ele conquistou, mas pouco no processo pelo qual ele atingiu a quase perfeição de todos os fundamentos do jogo.

kobe2Outro bom exemplo é Kobe Bryant. Em sua missão de tentar chegar o mais próximo de seu ídolo (como ele mesmo escreveu após superar seu mestre em pontos) ele se matou de treinar. Há casos de oito, nove horas seguidas dentro de um ginásio (aqui). Há história de ele ter treinado com a mão esquerda porque sua mão boa (a direita) estava quebrada (mais aqui). Há situações em que ele desafiou seus técnicos porque eles (os treinadores) duvidavam que ele poderia fazer de tudo desde o segundo grau (foto à direita – reparem na boca no melhor estilo Jordan).

kobe4Sua lenda, seu legado, seus feitos estão todos aí. Terceiro maior cestinha da história da NBA, cinco títulos, um MVP da temporada regular, sensacionais bolas decisivas para ganhar partidas para o seu Los Angeles Lakers, dois ouros olímpicos e milhares de horas treinando sozinho para tentar (repito) superar o melhor de todos os tempos neste esporte (ele não conseguiu, mas foi obcecado em chegar o mais perto possível e isso é louvável).

Só que nada é pra sempre. Com 36 anos o corpo de Kobe Bryant pede descanso, pede um tempo, começa a cobrar a conta pelo esforço repetido ano após ano. Dois anos atrás o astro do Lakers lesionou seu tendão de aquiles. Na temporada passada, o joelho. Nesta, o ombro o deixará fora até o final do campeonato. Em potenciais 246 jogos Kobe provavelmente terá jogado 119 (menos da metade, portanto). Está claro: o fim está próximo (e não será muito bonito).

kobeLonge do segundo All-Star Game seguido (ano passado em Nova Orleans e este em Nova Iorque), Kobe ainda tem um ano de contrato com o Los Angeles Lakers e muito provavelmente se despedirá do basquete ao final do campeonato de 2015-2016 (a não ser que assine novo contrato, algo que ele já disse não pensar em fazer) com sua vigésima temporada e mais de 1300 jogos disputados. A dúvida, agora, é: como ele chegará ao final da próxima temporada? Em que condições estará seu combalido corpo? Ninguém pode responder isso – nem ele.

kobeCertamente Kobe não conseguirá sair de cena de forma simples, longe dos holofotes. Sua carreira sempre esteve nas nas manchetes. Não seria agora, no meio do turbilhão de três graves lesões seguidas, e nem na despedida de um dos melhores de todos os tempos que seria diferente. Terminar de forma honrosa, com uma campanha sem tantas derrotas, depende muito mais da (pífia) administração do time que ele defende há duas décadas do que dele mesmo (e é algo que eu sinceramente duvido que vá acontecer, mas tudo bem).

kobe1No momento o máximo que ele pode fazer é concentrar esforços em se recuperar de mais essa lesão e se preparar (algo que sempre fez bem) para a dança de despedida na temporada 2015/2016 da NBA. Para os amantes de basquete, resta torcer para vê-lo no maior número de apresentações. O corpo de Kobe pede descanso – e contra isso ainda não inventaram nenhuma bola de três no último segundo para reverter o placar.


O legado de Coach K, o 1º técnico a chegar a mil vitórias no Universitário
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Fábio Balassiano

coachk3“O momento mais importante da minha carreira em Duke aconteceu em 1983. Não foi após uma vitória, mas quando perdemos um jogo de 43 pontos. Ali vi que precisava mudar muita coisa em nosso programa para atingir o grau de excelência desejado”.

Foi com esta frase que Mike Krzyzewski começou a sua concorrida entrevista coletiva no domingo. Aos 67 anos ele se tornou o primeiro técnico a conquistar mil vitórias no circuito universitário ao ver a sua Duke (dirige desde 1980) vencer St John’s por 77-68 em um Madison Square Garden apinhado de gente (Carmelo Anthony e Phil Jackson, do Knicks, estiveram lá para acompanhar o feito inclusive). Devido ao feito o treinador foi festejado por seus atletas e ex-comandados nas redes sociais (Kobe Bryant e LeBron James enviaram mensagens bem bacanas, por exemplo)

coach1Coach K, como é conhecido, não falou de suas vitórias (são 1000, com direito a quatro títulos da NCAA), não falou de suas conquistas. Para ele, o momento mais importante de sua brilhante carreira no circuito universitário norte-americano veio justamente após um duro revés.

Diz muito sobre sua maneira de pensar, de dirigir, mas principalmente sobre sua (dura) formação. Tendo estudado na Academia Militar dos Estados Unidos, ele foi treinado por ninguém menos que Bob Knight, que era mais general na quadra que muito general do próprio exército. Com a dureza de Knight o menino Mike estudou (muito) e jogou de 1966 a 1969 e depois dirigiu a equipe de 1975 a 1980, quando foi chamado para fazer o até então tímido programa de Duke rodar direitinho.

coachk4Entre 1980 e 2015 muita coisa se passou, obviamente. De jogadores talentosos que estiveram em suas mãos (Luol Deng, Kyrie Irving, Carlos Boozer, Jabari Parker são alguns dos que estão em atividade na NBA – aqui a lista completa) a títulos com a seleção norte-americana (dois ouros olímpicos – 2008 e 2012), passando por uma proposta não aceita do Lakers em 2004 (a pedido de Kobe Bryant, inclusive) e por inúmeros ex-comandados que viraram técnicos em outras faculdades (Johnny Dawkins, de Stanford, é um deles).

coachk1Em todos os momentos o que mais valeu para ele não foram as cestas, mas sim o comportamento, a forma que seus atletas pensavam e agiam. Isso, sim, valia para o professor (muitos treinadores temos por aí, mas professor são poucos, bem poucos). É clichê, eu sei, mas é assim que funciona na cabeça de Mike Krzyzewski desde sempre.

O legado de Coach K não tem fim, é realmente pra sempre. O técnico não entrará para a história “apenas” pelas mil vitórias na NCAA (e isso já seria coisa pra caramba), mas principalmente por pensar em seus atletas mais fora do que dentro de quadra. Não sei se alguém que trabalha na função de ensinar/educar seus atletas poderia querer algo além disso. É o que ele conseguiu brilhantemente.


Podcast BNC: as trocas da NBA, o incrível Atlanta e a briga final do Oeste
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Fábio Balassiano

Opa, opa! Podcast BNC no ar! No primeiro programa de 2015 Pedro Rodrigues e eu falamos sobre o começo do ano animadíssimo na NBA. O brilhante Atlanta Hawks, o ótimo Golden State Warriors, a troca de Rajon Rondo, o Detroit sem Josh Smith e a briga pelas últimas vagas do Oeste.

Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem muito e bom programa!


No All-Star Game, a consolidação da troca de guarda na NBA
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Fábio Balassiano

kobeNa sexta-feira coloquei aqui os 10 titulares escolhidos pelo público para começar o próximo All-Star Game (15 de fevereiro no Madison Square Garden, em Nova Iorque). É uma lista que, de bamba, bamba mesmo, só tem Kobe Bryant (lesionado, ele não irá pro jogo), LeBron James e, vá lá, Pau Gasol (os únicos, aliás, que têm anéis de campeão no armário de casa).

gasolOs reservas serão anunciados nesta quinta-feira e não será surpresa alguma se um punhado de rostos com muita espinha na cara (Klay Thompson, Damian Lillard, Jeff Teague etc.) aparecer na lista.

Acho que está claro para todo mundo: estamos presenciando a famosa e natural troca de guarda na NBA.

Aconteceu com Magic Johnson e Larry Bird, que pegaram uma liga de Kareem Abdul-Jabbar e a entregaram para Michael Jordan, Karl Malone e Isiah Thomas. Jordan, por sua vez, passou o bastão para Shaquille O’Neal, que soube ganhar, fazer graça e entregar para Kobe Bryant, Tim Duncan, Dirk Nowitzki, Jason Kidd e a turma do Spurs. Depois vieram Wade, Bosh e LeBron, campeões pelo Miami.

mjNa NBA é assim há muito tempo e bastante natural. Grandes jogadores surgem, brilham e acabam passando o bastão para uma nova turma que está chegando. Nem sempre essa passagem é tão clara e nem sempre essa passagem acontece com muitos grandes jogadores de uma geração saindo para a entrada de outra geração talentosa (como sempre irá acontecer neste cada vez mais globalizado campeonato).

É o que estamos vendo agora. Gênios como Steve Nash, Jason Kidd, Dirk Nowitzki, Tim Duncan, Shaq mesmo, Kobe Bryant, Tim Duncan e Manu Ginóbili ou já saíram ou estão saindo de cena, abrindo espaço para outros tomarem as rédes da liga. São caras que marcaram uma época na NBA. São caras que jogaram, ganharam e ajudaram a pavimentar um caminho de internacionalização da marca. Alguns deles, como Shaq, tinham além do talento uma dose extra de carisma, o que fez com que seus nomes superassem inclusive a fronteira do basquete (algo que toda empresa esportiva busca para fazer ainda mais dinheiro…).

lillardNão dá para saber, ainda, que “peso” terá esta fornada de James Harden, Damian Lillard (foto à direita), Stephen Curry, Paul George (lesionado), John Wall, Klay Thompson, Andrew Wiggins e outros, mas está claro que, no momento, o que devemos fazer é esperar pra ver, pagar para ver o que estes hoje meninos serão em uma década, quando suas carreiras, seus feitos e suas conquistas já estarão mais sedimentadas. Não é coincidência, tampouco, que times que até “semana passada” faziam praticamente figuração (Warriors e Hawks) estejam liderando suas conferências com times que têm jovens e nenhuma estrela consolidada (em seus elencos não há jogadores com títulos de NBA, já repararam?).

klay2Meu irmão me disse no sábado que tinha muito “pereba” indo para o All-Star Game deste ano. Não concordo com isso e obviamente lhe expus isso que acabei de escrever acima (e dobrá-lo não é fácil, saibam vocês). Respeito quem pensa o contrário (como é o caso dele), mas creio que isso seja uma grande bobeira, bobagem de quem, como é o caso dele, não assiste a boa parte dos jogos e que acaba comparando feitos de gênios de obras já prontas como Kobe Bryant, Dirk Nowitzki e Tim Duncan a “crianças” como Stephen Curry, John Wall e Anthony Davis, que estão dando os seus primeiros rabiscos na NBA há pouquíssimo tempo.

davis2Damian Lillard não é AINDA melhor que Jason Kidd. Mas ninguém pode dizer que, com a bola que ele tem jogando, ele não será (o rapaz só tem 23 anos). Klay Thompson (foto à esquerda) AINDA não está no patamar de um Clyde Drexler, mas quem pode dizer que ele não chegará? Anthony Davis (foto à direita) tem menos de 23 anos, já deixa a todos de queixo caído e nenhum ser humano deste planeta consegue dizer com segurança em que patamar ele chegará ao final de sua carreira simplesmente porque ninguém tem a capacidade de prever 10, 15 anos adiante.

wall3Está claro, para mim, que a passagem de bastão na NBA está em trânsito e vale a pena admirar e perceber o que esta nova geração estará fazendo em pouquíssimo tempo. Essa molecada boa não tem culpa de estar chegando no momento em que grandes ídolos do basquete já penduraram os tênis e não devem ser comparada a alguns caras que já escreveram suas histórias. Falta apenas alguém que irá “dirigir” esta turma (como foram Magic e Bird em uma época, Jordan em outra e Kobe, Duncan e Shaq nesta mais recente, por exemplo).

Concorda comigo? Está claro ou não está que estamos vendo uma grande passagem de bastão na NBA? Comente!