Bala na Cesta

Arquivo : novembro 2014

Na estreia da LBF, os mesmos erros de sempre
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Fábio Balassiano

lbf2Aí você acorda animado para ver a estreia da Liga de Basquete Feminino entre Americana e Barretos. No primeiro lance, a americana Chloe, de Barretos, pede o bloqueio de Barbara e chuta de fora. Bico. No contra-ataque, Americana desperdiça a bola. Chloe retorna, e com possibilidade de atacar a cesta tenta outro arremesso longo. Bico. Digamos que não foi um começo animador, mas eu dei um desconto. Primeira partida, times nervosos, tem dessas coisas. Vamos seguir, vamos tocar o jogo. Vai melhorar.

Mas não melhorou nada. O jogo foi de uma pobre técnica terrível, terrível mesmo. Americana ganhou fácil como era de esperar (97-50), mas ninguém tem nada para comemorar. Houve 52 desperdícios de bola em 135 posses de bola (ou seja, a cada três ataques havia um erro de fundamento), Barretos acertou apenas 17 arremessos de quadra e um punhado de decisões pouco recomendáveis com a bola por parte das duas equipes no ataque. Foi, em suma, uma sucessão dos erros que quem acompanha o basquete feminino cansa de ver ano após ano (escrevi disso recentemente).

lbf1Nem citei, por exemplo, que a primeira partida do atual campeão (Americana) não teve sequer 500 pessoas no ginásio. O público, aliás, foi inflado pela presença de meninas da base. Tirando elas nem 100 pessoas estariam ali. Por isso me incomoda menos o nível técnico e mais que que as meninas do basquete brasileiro não lutem por condições melhores.

A Magic Paula falou isso também pós-Mundial e nada acontece. Que as atuais e futuras jogadoras, portanto, não reclamem depois. Se elas não lutarem, exigirem, ninguém vai dar nada de mão beijada pra elas não.

No masculino ao menos há a Associação de Atletas. Não faz quase nada de relevante (pelo contrário), mas é uma entidade já estruturada e reconhecida. Falta foco, falta ação, sobram bravatas, mas ela existe. No Feminino nem isso.

Qual jogadora, ou grupo de atletas minimamente organizado, irá exigir melhores condições de trabalho, competições mais longas, investimentos na base por parte de Confederação e Federação? A resposta, ao menos por enquanto, é um traço, um espaço em branco. Nenhuma atleta quer sair de sua zona de conforto. Devem achar que está tudo bem, que está tudo ótimo. Olhando uma partida, acompanhando uma competição, vendo os salários das atletas você não precisa ser nenhum gênio para saber que, sim, está tudo errado e que ao menos em um curto espaço de tempo não há solução para este crônico problema (algo que, com os rapazes, a Liga Nacional de Basquete tem conseguido fazer em seus sete anos desde a fundação).

caminho1E se está tudo errado, por que essas meninas não fazem nada, não descruzam os braços, não vão a luta para ajudar a resgatar os dias de glória da modalidade? Há preocupações maiores fora de quadra do que as esportivas? Pode ser, mas não dá para cravar isso. O fato é que o basquete feminino pagou vexame nos 2 últimos Mundiais e Olimpíadas e NENHUM movimento foi feito por atletas. Resultado: pobreza técnica, atraso de ideias e nenhum atrativo nas partidas da LBF.

Próximo passo: voltar a ver o basquete feminino ser amador. Se continuar assim não demorará muito. É uma pena.


Liga de Basquete Feminino começa neste sábado
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Fábio Balassiano

americanaComeça neste sábado a temporada 2014/2015 da Liga de Basquete Feminino. Às 10h (transmissão do Sportv) Americana, a atual campeão, recebe o novato time de Barretos na abertura da competição que promete ser uma das mais equilibradas dos últimos tempos.

Só lembrando. São dez equipes que jogam entre si em turno e returno. As 8 melhores avançam ao playoff, onde disputam o mata-mata em melhor de três jogos. No dia 8 de março será realizado o ‘Desafio das Estrelas’ (local a definir). As dez agremiações são : Americana, Sport Recife (PE), São José (SP), Maranhão (MA), Santo André (SP), Brasília (DF), América (PE), Barretos (SP), Jaraguá do Sul (SC) e Presidente Venceslau (SP).

Dos times que estreiam amanhã, Americana (foto à esquerda) mantém a base (Babi, Karla, Ariadna, Gil, Clarissa, Damiris, Joice, Palmira etc.) que conquistou o troféu na temporada passada diante do Sport-PE com o pontual reforço de Chuca (ala, ex-Ourinhos) para deixar ainda mais experiente o elenco do não menos experiente Antonio Carlos Vendramini. A se lamentar, apenas, que aquela geração que tanto sucesso fez na base (Débora, Tássia, Leila e Fabiana) não se encontre mais por lá (as quatro tiveram que procurar outros rumos para poder jogar alguns minutos…).

barbaraDo lado de Barretos, o técnico Alexandre Escane tem um jovem elenco (a mais velha, Barbara Bazilio, tem 23 anos – ela na foto à direita) e certamente irá utilizar a competição para aprender muito e dar rodagem às meninas que, em breve, poderão brilhar em solo nacional. Vai perder muito, com certeza, e eu só espero que a diretoria e a cidade tenham paciência para colher lá na frente os frutos de um trabalho que certamente será duro, duríssimo.

Que a LBF seja realmente equilibrada, que as meninas mais jovens tenham mais espaço e que os ginásios estejam cheios para prestigiar as meninas.

Tags : LBF


Os próximos passos do timaço montado por Bauru
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Fábio Balassiano

bauruBauru foi campeão da Liga Sul-Americana na noite de ontem ao vencer Mogi facilmente por 79-53 (mais detalhes em texto meu aqui). Foi realmente uma conquista indiscutível e que já deixa uma grande pergunta no ar: quais serão os próximos passos deste (talentosíssimo) elenco comandado por Guerrinha?

Os bauruenses terão, obviamente, o NBB pela frente e, com a conquista, a Liga das Américas pela proa também. São duas competições difíceis, mas arrisco-me a dizer que, com este elenco e com a confiança lá em cima (vale lembrar que a equipe sagrou-se bicampeã paulista recentemente também), em ambas o time surge como o maior favorito a abocanhar a taça ao lado do Flamengo.

time1Ao contrário dos últimos anos, quando a disputa ficava entre o clube carioca e Brasília, desta vez no cenário nacional (e por que não dizer no continental também) está realmente polarizado entre a turma de José Neto e a de Guerrinha. Os rubro-negros têm elenco tão talentoso quanto o de Bauru, mas há algo “intrigante” nos bauruenses: o número de armas em diferentes posições. O Flamengo, por exemplo, é carente para pontuar e defender perto da cesta (principalmente contra pivôs fortes e muito altos). Na defesa de perímetro, por exemplo, sofre com Laprovittola, Marquinhos e Marcelinho. Os bauruenses, por sua vez, têm Alex (o MVP da Sul-Americana na foto abaixo à esquerda), Fischer, Gui Deodato, Robert Day e Larry no perímetro e Jefferson, Hettsheimeir e Murilo perto da cesta.

alex1É, portanto, um elenco estupendo, recheado de opções (e possibilidades de variação) que deixam Guerrinha completamente à vontade para armar seu time da melhor maneira de acordo com o adversário. Ainda não dá para saber como este grupo ficará quando todos estiverem na ponta dos cascos em termos físicos e técnicos, mas é possível imaginar quão assustador Bauru pode ficar. Se em uma final de Sul-Americana os caras amassaram o bom time de Mogi, vencendo por 26 e relegando o adversário a módicos 53 pontos em 40 minutos (1,3 ponto/minuto).

O passado foi com muitos problemas, o presente está sendo recheado de conquistas e o futuro promete ser ainda mais saboroso para os bauruenses. Que eles comemorem muito a conquista desta quinta-feira, 27 de novembro de 2014, mas que eles tenham em perspectiva que com este elenco há MUITO mais troféus por ganhar, há muito mais flâmulas para pendurar na estante. Nacional e internacionalmente.


Em atuação sublime, Bauru domina Mogi e é campeão da Liga Sul-Americana
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Fábio Balassiano

hettsSublime. Não há outra palavra para definir a atuação de Bauru contra Mogi na noite desta quinta-feira no seu ginásio, o Panela de Pressão, pela decisão da Liga Sul-Americana. O time comandado por Guerrinha marcou demais, jogou demais, pensou demais, arremessou demais e dominou os mogianos do começo ao fim para vencer a final por inapeláveis 79-53 e se sagrar campeão sul-americano pela primeira vez na história da cidade.

Com a conquista, os bauruenses jogarão a Liga das Américas desta temporada (começando em janeiro) como um dos favoritos e mantêm-se como um dos maiores candidatos a também vencer o NBB.

O jogo desta quinta-feira lembrou o de terça-feira contra o Malvin para os bauruenses. O time abriu a partida marcando muito, impediu que Shamell tivesse seu habitual volume de pontos (ele terminou com apenas 7 em 2/12 de arremessos), arremessou muito bem de fora (ao todo foram 14/38) e abriu surreais 45-22 no primeiro tempo.

fischer

Não dava pra dizer que já estava decidido porque a gente sabe como é esporte, mas era quase isso. Só que Bauru não quis a famosa sopa para o azar. Começou a segunda etapa pisando no acelerador, chegou a abrir 29 pontos e sacramentou a conquista com sublimes (repito o elogio aqui) 79-53 para coroar uma conquista irretocável comandada por um elenco incrivelmente talentoso (Day, Fischer, Hettsheimeir, Gui Deodato, Larry Taylor, Murilo, Jefferson etc.).

alexAqui, aliás, cabe um elogio merecido. Muita gente fala que Bauru arremessa de três alucinadamente, no que eu normalmente refuto porque há atiradores de elite neste elenco, mas o que tem marcado o time de Guerrinha é um verdadeiro absurdo, algo realmente notável. Contra Shamell o técnico revezou a marcação com Jefferson, Fischer, Gui Deodato, Larry Taylor e Alex, e o norte-americana ficou confuso e sem saber exatamente como ganhar ritmo para pontuar. Inteligente, o treinador, agora campeão nacional e sul-americano com a cidade, “deixou” campo aberto para os irregulares Daniel Alemão e Gustavo chutarem e colheu resultados. A dupla caiu na tentação, foi para o arremesso e terminou com 2/9, impedindo qualquer chance de reação mogiana.

Viu o jogo? Conquista muito merecida de Bauru, né? No próximo texto falarei mais dos bauruenses. Por enquanto comente aí sobre a decisão desta quinta-feira!


Podcast BNC: Raptors e Anthony Davis na NBA, Limeira e Franca no NBB
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Fábio Balassiano

Podcast de número 31 no ar! No programa desta semana Pedro Rodrigues e eu falamos do Toronto Raptors e seu começo estonteante na NBA, do genial Anthony Davis, da briga entre Detroit e Indiana de 10 anos atrás e um pouco mais da NBA. No NBB, o início sensacional de Limeira e a fase ainda sem solução de Franca.

Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem muito e bom programa!


O deprimente cancelamento do jogo entre Flamengo e Pinheiros pelo NBB
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Fábio Balassiano

vergonha1Saí correndo do trabalho rumo ao Tijuca Tênis Clube na tarde de ontem para ver um promissor Flamengo x Pinheiros. Marcado para às 20h, o jogo a princípio “só” não teria a presença do público, mas poderia contar com a imprensa. Mas aí estava chegando lá quando tocou meu telefone: “Filho, deu na rádio que a partida foi cancelada. Falaram rápido, não entendi muito bem, mas acho que é isso mesmo”. Era meu pai, me avisando sem entender muito bem o que acontecia.

Meio incrédulo parei o carro e fui ver o que estava realmente acontecendo no Tijuca. Vi alguns jogadores do Flamengo saindo rumo a seus carros e constatei o óbvio: não haveria mesmo a partida. O Ministério Público, que já havia mandado fechar o ginásio ao público na semana retrasada para Flamengo e Franca (relembre aqui), não permitiu que nova partida fosse realizada no local (nem mesmo sem torcedores) e com isso o duelo entre Fla e Pinheiros teve que ser cancelado (aqui a nota oficial da Liga Nacional de Basquete).

200470473-001Foi isso. Um espetáculo deprimente de organização por parte de todos os envolvidos (Flamengo principalmente, Tijuca e Liga Nacional em menor escala) fez com que o jogo não fosse realizado. Pontos importantes:

1) Flamengo e Franca jogaram no Tijuca com portões fechados no dia 12 de novembro. Até o jogo de ontem (25/11) houve mais de 10 dias para se pensar em algo diferente. O que o Flamengo fez? Nada. Manteve a partida marcada para o mesmo local esperando uma solução JURÍDICA para o caso. Qual o motivo disso?

tristeza22) Por que o Flamengo, sabendo que poderia não contar com o Tijuca, não foi jogar no Maracanãzinho? É caro? Ou caro sairá, por exemplo, um WO que pode acontecer caso o Pinheiros vá às últimas conseqüências? E a imagem do clube, como fica? E a imagem do produto NBB, como fica? O Flamengo só pensou no custo dele, abrindo mão de pensar em algo maior, que é o produto basquete brasileiro, é isso?

2.1) Alegam que o Maracanãzinho é caro. E jogar fora do Rio de Janeiro (em Vitória, Manaus, Cuiabá, qualquer local com muita presença de torcida rubro-negra), algo que seria viável dez dias atrás. Por que isso não foi pensado? O clube sairia ganhando grana, não? Outra coisa: será que o Flamengo (estou falando do Flamengo!) não consegue colocar 5 mil pessoas no ginásio no reencontro de seu time campeão mundial com sua fanática torcida? Será que investir em promoção do evento, com boas peças de comunicação, não faria do tal “caro” um baita investimento em um time que tem ganho tudo nos últimos anos?

tristeza2.2) Perder dinheiro não pode, mas passar uma vergonha dessas pode? É isso? Já que estamos falando em valor, quanto diminui o valor da imagem do Flamengo e do NBB depois de um fato bizarro como este?

2.3) Por que o Flamengo não foi jogar em Macaé, fazendo rodada dupla com o time local? O Macaé, que enfrentou e venceu o Palmeiras nesta terça-feira, jogará contra o Pinheiros na quinta-feira. Os quatro times poderiam muito bem se enfrentar em jogos seguidos no mesmo ginásio, não? Por que isso não foi pensado? Flamengo x Pinheiros e Macaé x Palmeiras na terça-feira e Macaé x Pinheiros e Flamengo x Palmeiras na quinta-feira. Difícil?

3) O que a Liga Nacional fará dessa vez? O que ela fará para evitar que casos como este aconteçam novamente nos próximos dias, meses, temporadas?

tristeza33.1) O que o Estatuto do Torcedor fala em relação a isso? O Ministério do Esporte tomará alguma atitude em relação a este caso? Ou nada também?

3.2) A imprensa continuará calada diante de mais um absurdo no basquete nacional? Ou chegou a hora de cair nestes assuntos que estão pipocando por aí?

4) Quando os clubes solicitam o ginásio para jogar (Flamengo pede ao Tijuca para atuar no NBB, por exemplo), eles não pedem TODOS os alvarás necessários? Engraçado, quando eu organizo eventos em minha empresa é a primeira coisa que eu solicito. Só em posse de TODOS os documentos é que a negociação é fechada e, aí sim, o evento pode ser realizado. Será tão difícil manter uma mínima organização neste sentido?

5) Em tempo: a LNB não fiscaliza em absolutamente nada esses alvarás e os documentos necessários para as liberações dos ginásios? Por que a LNB não cobrou dos clubes ANTES do campeonato começar TODOS os laudos necessários para que os respectivos locais de jogos fossem efetivamente liberados? Prevenção é sempre menos custosa (e dolorosa) que a reação.

fla6) Mais uma vez a comunicação do Flamengo falhou. O clube ficou protelando, mas confirmou que a presença do público não seria liberada às 18h03 (duas horas antes do horário marcado para o confronto portanto) no Twitter (veja aqui). Isso é o tratamento que o torcedor rubro-negro merece? Não me parece o mais adequado…

7) Só uma lembrança importante aqui. O rubro-negro ainda NÃO conseguiu rever a sua torcida depois do título mundial e dos três amistosos na NBA. Vocês têm noção de quão frustrante deve ser isso para atletas e torcedores?

fla18) Ah, psiu, detalhe final: Flamengo tem jogo marcado para quinta-feira no MESMO ginásio do Tijuca contra o Palmeiras. Alguém vai se arriscar a ir ao local para arriscar ver uma partida que por sorte divina poderá ocorrer? A resposta do blogueiro é: nem brincando.

Mais um mico retumbante neste terrível começo de temporada de NBB. Um mico que se repete, um mico que já tinha avisado que surgiria de novo. E, pasmem, surgiu sem que NENHUMA medida tivesse sido adotada. O que fez o Flamengo? Nada! O que fez a Liga Nacional? Nada. E assim vivemos no basquete brasileiro. Concorda comigo? Comente!


Bauru e Mogi vencem e fazem a final da Liga Sul-Americana
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Fábio Balassiano

shamellNoite feliz a de terça-feira para o basquete masculino brasileiro (ao menos dentro de quadra, claro). Em Bauru, os donos da casa e Mogi venceram respectivamente a Malvin (Uruguai) e Boca Juniors (Argentina) e avançaram à decisão da Liga Sul-Americana. Na quinta-feira as duas equipes medem forças às 21h30 no ginásio Panela de Pressão pelo caneco da competição. O campeão ainda ganha vaga na próxima edição da Liga das Américas.

No jogo de abertura Mogi teve muitos problemas no começo da partida, se enrolou na defesa e no jogo travado do Boca, fez apenas 31 pontos no primeiro tempo (contra 33 do rival), mas foi bem no terceiro período (26-17) e só não venceu no tempo normal porque vacilou no final e permitiu a reação dos argentinos. No final, contou com o sangue frio de Shamell (foto à direita) para vencer na prorrogação por 87-85 e garantir a vaga na final inédita. Tyrone, com 16 pontos e 15 rebotes, também esteve muito bem. Foi bonita a comemoração do time ao final da partida. Todos estavam emocionados e bem felizes. Dos atletas ao rígido Paco Garcia, entrevistado aqui ontem. A história de reconstrução de Mogi é belíssima e merece ser louvada.

jeffNa outra semifinal Bauru não deu a menor chance ao uruguaio Malvin. Fez ótimos 59-30 no primeiro tempo e liquidou a fatura ali mesmo, dando ritmo a todos do elenco (inclusive o pivô Murilo, que retornou de lesão) e segurando suas principais peças antes de fechar a peleja em 103-57. Jefferson (foto à esquerda) somou 18 pontos, Alex Garcia outros 19 e Gui Deodato, vindo do banco, teve outros 15 para o time de Guerrinha, outro que esteve no blog sendo entrevistado nesta terça-feira.

Viu os jogos? Muito feliz pela passagem das duas equipes à decisão? Comente!


Entrevista: exigente, Paco Garcia luta por título da Sul-Americana com Mogi
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Fábio Balassiano

paco2Paco Garcia está no Brasil há três temporadas. Contratado por Mogi para dar cara ao projeto de uma cidade fanática por basquete que voltava ao NBB em 2012, o espanhol então com 45 anos chegou ao país credenciado por ter sido assistente-técnico de Ary Vidal no Murcia. Desde então teve tempo para mostrar quão bom é com as pranchetas, comandando uma verdadeira revolução mogiana e também escrevendo em seu ótimo blog.

Na temporada passada levou o time, que se classificada em décimo-segundo na fase de classificação, às semifinais do NBB mesmo com um elenco pra lá de modesto. A força da torcida impulsionou investimentos. Chegaram Shamell, Tyrone, Elinho, Paulão e Gerson, e o desejado salto de qualidade também. Até agora são 3 vitórias em 5 jogos no NBB 2014/2015 e a passagem para a semifinal da Liga Sul-Americana. O adversário de hoje é o Boca Juniors (19h, com Sportv). Nada que assuste tanto a este espanhol que já provou não ter medo de grandes desafios. Confira entrevista exclusiva com ele.

paco3BALA NA CESTA: Como chega Mogi para esta semifinal de Liga Sul-Americana diante do tradicional Boca Juniors?
PACO GARCIA: Estarmos aqui é um motivo de muito orgulho. Dois anos atrás fizemos esta mesma viagem, só que em um ônibus sem ar condicionado, com janelas abertas e compartilhado com outros atletas. Estávamos indo para os Jogos Abertos. Agora, duas temporadas depois, viemos em um ônibus somente para nossa equipe e para disputar um Final Four de uma competição internacional. É um motivo de orgulho máximo ter conseguido chegar até esse patamar. Agora chegamos aqui com a máxima ambição, apesar de toda a dificuldade. Boca é um time com muita tradição, com muita experiência e com muitos bons jogadores. Contra isso tudo temos que enfrentá-los com nossa vontade de chegar à final, com nosso sonho de irmos adiante na competição. Sei que o time ainda tem problemas físicos, como o do armador Gustavo, mas o time está preparado para disputar um jogo importante. Estamos preparados para ganhar.

paco1BNC: Mogi estava disputando a sede das finais da Liga Sul-Americana, que acabou ficando mesmo com Bauru. Quão frustrante é não jogar essa decisão em casa, e, por consequência, atuar na casa de um dos favoritos a ganhar a competição?
PACO: Claro que gostaríamos de disputar as finais da Liga Sul-Americana em casa, em frente a nossa torcida. Mas a decisão da ABASU (organizadora da competição) de colocar Bauru como sede da final não cabe qualquer contestação. Temos que nos preocupar com as coisas que podemos controlar. Esta questão não podemos fazer nada. O que podemos fazer, agora, é nos preparar bem e disputar os jogos da melhor maneira possível. É o que temos.

mogi1BNC: A sua história com Mogi é uma das mais bonitas dos últimos anos no basquete brasileiro. No ano passado vocês avançaram às semifinais do NBB mesmo tendo passado na décima-segunda posição da fase de classificação. Os últimos meses em Mogi têm sido os mais intensos e surpreendentes de sua carreira como técnico?
PACO: Ah, falar dos últimos meses não é muito justo. Falar somente de um ano não é muito justo. Minha trajetória com Mogi não é somente de um ano, mas sim desde que cheguei aqui há três temporadas com um time modesto. Conseguimos, com muita luta, evitar o rebaixamento no primeiro NBB que disputamos de uma forma brilhante. Fomos melhorando a cada equipe a cada fim de temporada e aí pouco a pouco você vai conquistando metas, objetivos. Os atletas pouco a pouco vão entendendo a filosofia de um técnico estrangeiro. Eu não sou uma pessoa muito agradável no meu trabalho. Eu sou uma pessoa muito exigente. Não creio que no local de trabalho você está ali para fazer amizades. Você está ali para fazer coisas certas da melhor maneira possível. Este é o meu trabalho sim ou sim. Depois, quando temos que tomar uma cerveja ou sair para conversar, eu sou o primeiro. Mas no trabalho o nível de exigência é sempre máximo. Acho que todos os atletas entendem isso, essa busca pela excelência a cada dia, a busca da melhora contínua. Por isso conseguimos fazer um esplêndido final de NBB passado, indo até uma semifinal. Agora estamos na mesma linha, só que com muitos problemas físicos. Com Gustavo machucado e Elinho com outros problemas físicos estamos jogando quase sem armador de ofício. Mas o time sempre foi adaptando-se aos problemas para seguir crescendo e é nisso que eu confio.

tresBNC: Como é para o técnico de um time médio como era o da temporada passada passar a treinar uma equipe com jogadores como Shamell, Paulão, Tyrone e Elinho? A migração de um time mediano para um favorito, mais forte, muda muita coisa no dia a dia? Ou é a mesma coisa?
PACO: Bom. Para treinar, você pode treinar qualquer um. Qualquer um pode ir a uma quadra, fazer uns exercícios, dar uns coletivos independente do nível dos jogadores. Não muda muito. Mas no alto nível mais importante que os conceitos de basquete é saber misturar o que você tem dentro do vestiário. Tanto em questão dos egos, o que se pode ou não fazer, quanto em aceitar a filosofia do técnico e o treinador aceitar a filosofia, de vida e de basquete, de cada atleta. Isso é o mais difícil para qualquer treinador que encontra uma equipe de alto nível para dirigir. Um técnico sempre está aprendendo, e isso não é diferente para mim. Aprendo muito com os jogadores que treino. Para mim, portanto, é muito importante que cada um deles aceite o papel dentro da equipe. Nenhum dos atletas chegou aqui sem saber o que esperar tanto de mim quanto da diretoria. Sabiam como era o técnico, o nível de exigência que eu peço e precisam aceitar o que o técnico, no caso eu, está propondo para a equipe e eu devo procurar entender a mistura que existe para que a equipe funcione da melhor maneira possível. Agora estamos conseguindo chegar a essa boa mistura.

paco4BNC: Nunca vi um treino seu, mas me impressionam muito quando vejo as partidas pela televisão sua didática nos tempos técnicos e o nível de organização de sua equipe na quadra. Considera que essa parte de apego aos fundamentos e a organização foi o ponto mais trabalhado por você desde que chegou ao basquete brasileiro em 2012?
PACO: Quando se é organizado fora quadra é mais fácil que as coisas aconteçam de forma organizada dentro da quadra. Eu gosto muito de planejar meus treinos, pensar neles antes de executá-lo na quadra. Isso para mim é muito importante. Gostamos de correr com a bola, mas se não pudermos correr como devemos agir? É esse tipo de pensamento que deve estar na cabeça de um técnico e é assim que costumo pensar antes de dirigir qualquer atividade com meu time. Além disso sempre penso que quando todos marcam é muito mais fácil de a equipe ir bem e exijo isso deles. Nós buscamos a perfeição mesmo sabendo que a perfeição é impossível. Só que queremos chegar o mais perto dela possível. Esse é o objetivo. Às vezes conseguimos, às vezes não. A única coisa que eu peço a eles é que saiamos de quadra com a sensação de ter dado tudo o que tínhamos que dar na quadra, podendo olhar um ao outro com essa sensação.

mogi3BNC: Mogi é uma cidade fanática por basquete e que tem levado bom público ao ginásio em quase todas as partidas. Como é estar a dois jogos de dar o título mais importante da história do basquete da cidade? Como controlar a ansiedade do time que certamente há?
PACO: Me sinto muito animado, muito animado mesmo. Tenho quase 48 anos e ao longo da minha carreira tive a sorte de disputar competições importantes e ganhar algumas delas. Não sou uma pessoa que gosta de olhar para trás, mas sim para frente, mas agora quando você me pergunta isso eu olho um pouco para o passado e consigo ver o percurso que tive aqui. Cheguei ao Brasil há três anos sem conhecer nada e hoje estamos perto de um título Sul-Americano. Cheguei sem falar nada de português, hoje arranho um portunhol. Não conhecia muito dos jogadores brasileiros e de suas idiossincrasias. Conseguimos ir mudando muitas coisas no clube para chegar no patamar que todos queriam em termos de resultados e só posso agradecer aos dirigentes porque tenho certeza que se não fossem eles a minha história provavelmente já teria acabado. Agora, olhando o cenário, consigo ver que Mogi tem um dos mais organizados projetos de basquete do país. Se essa organização ajuda a ganhar os jogos? Sim, ajuda, mas não é tudo, claro. Por isso o jogo de hoje é de muito sonho, de uma animação incrível. Competição importante, adversário importante, momento importante. Tenho esse sonho de dar essa conquista a cidade que me acolheu tão bem, me acolheu como se fora um deles. Para mim Mogi é a minha cidade de Brasil, sem dúvida alguma. Como controlar a ansiedade do time? Com normalidade, sem fazer nada diferente do que fazemos em outras ocasiões. A experiência me fala que jogar nesse tipo de competição quanto mais natural você faz as coisas melhores são os resultados finais. Se fazemos uma reunião por dia, não dá para fazer três. Se fazemos um tipo de treinamento não dá para fazermos diferente só porque tem mais jornalistas ou pessoas acompanhando. Temos que ser aquilo que sempre fomos. É assim que lidaremos com estes jogos finais da Sul-Americana.

pacofinal1BNC: Como quase três temporadas no país, já dá para traçar uma radiografia do NBB, da modalidade por aqui? Em que estágio um espanhol como você coloca o Brasil em relação ao basquete?
PACO: Brasil tem excelentes técnicos e excelentes jogadores. Isso é um fato. Dois anos atrás, quando cheguei, disse que em pouco tempo o Brasil poderia ter uma das cinco melhores ligas do mundo. Agora, passadas quase três temporadas, você olha. Os números estão aí. Por exemplo, mais de 50 jogadores saíram de outros países para vir jogar o NBB, e isso aumenta o nível técnico sem dúvida alguma. Alguns pivôs de prestígio saíram da Europa para voltar a jogar aqui. Estou falando de Caio Torres, de Paulão Prestes, de Rafael Hettsheimeir. Isso muda a qualidade mas também a forma como o jogo é disputado aqui no Brasil. É algo natural. Com estes jogadores interiores, de força perto da cesta, é normal que os sistemas migrem de fora para dentro quase que instantaneamente. Não fica aquele chuta, chuta que muita gente fala. Para mim a Liga é um campeonato fantástico. Não há equipes fracos, qualquer time pode ganhar do outro e podemos assistir, em termos de qualidade e de equilíbrio, a um dos melhores campeonatos que já houve por aqui sem dúvida alguma. O NBB é um campeonato muito apaixonante.


Entrevista: Guerrinha pronto para conquistar Sul-Americana com Bauru
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Fábio Balassiano

guerra4A fase final da Liga Sul-Americana começa nesta terça-feira em Bauru e traz um dos protagonistas do lado de fora da quadra. Francano de formação (como atleta e como pessoa), Jorge Guerra, o Guerrinha, pode conduzir os bauruenses a maior conquista de sua história a partir de hoje. Algo que não é novidade para o técnico de 55 anos e que conquistou o bicampeonato paulista (2013 e 2014) recentemente.

Responsável pela (até então) maior glória do basquete local com o Nacional de 2002, Guerrinha sabe que vencer o Malvin e o ganhador de Boca Juniors ou Mogi não será fácil, mas com um dos melhores elencos do país ele se mostra preparado para este e demais desafios de uma temporada que tem tudo para ser histórica para Bauru. Confira a entrevista exclusiva com ele. Falamos sobre filosofia de jogo, excesso de bolas de três pontos, seu trabalho desde o começo do NBB com a equipe e muito mais.

guerraBALA NA CESTA: Como chega Bauru para essa fase final da Liga Sul-Americana? Como foi a preparação de seu time para este jogo contra o Malvin e para uma eventual final?
GUERRINHA: A equipe chega bem individualmente na parte técnica e física apesar da sequência de jogos. Disputamos três competições (Paulista, NBB e Liga Sul-Americana) quase que simultaneamente (usando três bolas diferentes). Não é o ideal ainda como equipe-coletivo. Temos que trabalhar muito o lado coletivo e conceitos do jogo. Não tivemos pré-temporada juntos e nem espaço para treinamentos. Alex, Larry e Rafael Hettsheimeir estavam no Mundial e o Murilo e o Day tiveram contusões. O Murilo ainda não jogou essa temporada. O Ricardo e o Jefferson, por necessidades da equipe, tiveram que jogar muito tempo no início da temporada em função do Paulista. Estamos construindo a equipe sem treinos, como gostaríamos, e com os jogos, sendo a maioria decisivos. Mas os jogadores são muito profissionais, talentosos e comprometidos com os objetivos da equipe e compensam com muita dedicação todas as dificuldades.

guerra3BNC: O investimento do time nesta temporada aponta que vencer competições grandes, como a Sul-Americana, fazia parte do planejamento, mas a gente sabe que na quadra nem sempre as coisas acontecem rápido. Esperava que os resultados fossem aparecer assim, de cara?
GUERRINHA: Temos uma ótima estrutura fora da quadra e as oportunidades para podermos desenvolver e conseguir os resultados buscado por todos nós, patrocinadores, torcida e pela equipe. Depende somente de nós. Sabemos que do outro lado a cada temporada as equipes melhoram e se reforçam e essa competitividade aumenta a dificuldade da conquista, mas estamos também melhorando e queremos muito marcar uma época como equipe de alta performance. Queremos mostrar que uma equipe tem que investir não só em jogadores bons, mas no todo, e hoje o Paschoalotto Bauru Basketball está trabalhando muito em tudo. Temos contratos de dois, três e até 4 anos, investimentos na formação de jogadores para futuramente repor os atuais, na comissão técnica e todo staff administrativo.

guerranacionalBNC: Você fez parte, como técnico, da conquista mais grandiosa da história do basquete de Bauru que foi o Nacional (ainda da CBB) no começo deste século (em 2002). Como se sente a exatos dois jogos de voltar a escrever uma página importante do basquete local como protagonista da maior conquista do time da cidade?
GUERRINHA: Sou muito grato à todos que participaram diretamente do nascimento e desenvolvimento da nova fase do Basketball de Bauru. Fui o gestor do início da equipe. Era roupeiro, assessor de imprensa, diretor e até o técnico, mas desde o início nunca ficamos comparando orçamentos e nem elencos das equipes que estavam na nossa frente para nos justificar. Trabalhamos muito para chegar onde estamos hoje e estabelecemos um crescimento como empresa e num ciclo de cinco anos estamos tendo o retorno. Hoje posso falar tranquilamente e respeitando as demais equipes, mas Bauru se desenvolveu profissionalmente dentro e fora da quadra. Por isso temos uma diferencial hoje no esporte brasileiro, temos credibilidade. Isso ninguém dá, isso é algo que se desenvolve com muito trabalho e capacidade. Nosso maior patrocinador, a Paschoalotto Serviços Financeiros, entrou e está no projeto pelo marketing gerado e pelos valores pessoais das pessoas envolvidas na equipe.

guerra2BNC: Nesta temporada você recebeu Alex, Day, Hettsheimeir e Jefferson, que se juntaram a Fischer, Gui Deodato, Murilo e Larry Taylor. Como foi o processo de entrosamento da equipe de um modo mais amplo, e como foi para colocar o Larry, um dos ídolos da torcida, no banco de reservas?
GUERRINHA: É algo muito simples. Foi possível pelo profissionalismo e caráter desses jogadores. Eles se respeitam entre si e respeitam a comissão técnica e administrativa. Sabem muito bem a importância de mais jogadores de nível para atingirmos nossos objetivos e assim ter uma equipe vencedora. São pessoas que têm o DNA de vencedores e sabem o que precisam para desenvolver um trabalho duro e recompensador. Aprendi na minha vida dentro do basquete que os principais jogadores de uma equipe são aqueles que terminam o jogo e não os que começam. Hoje temos nove jogadores que podem iniciar e terminar o jogo dependendo do dia deles, as necessidades táticas do jogo e características para cada situação. O Larry é um exemplo como jogador e principalmente como ser humano. Muito fácil trabalhar com uma pessoa assim que tem respeito e pensa na equipe. Quando contratamos o Alex e Day, liguei para ele (estava de férias nos EUA) para falar sobre a equipe que estávamos montando para essa temporada. Ele me disse: “Agora temos uma equipe que irá marcar época em nossas vidas e para toda a cidade”. Ele não pensa no “eu” e sim na equipe toda.

brasilBNC: Uma das grandes críticas que as pessoas fazem a seu time é que Bauru chuta muito de três pontos. No NBB, em três jogos, sua equipe arremessa igualmente de dois e de três pontos nas partidas (30 vezes). Arremessos de três fazem parte do basquete, mas há um excesso? Este tipo de crítica lhe incomoda?
GUERRINHA: Sou formado como jogador na escola francana da década de 70 e 80. Você sabe o que significa isso em questão de jogo? Quando fomos campeões Pan-Americanos em Indianápolis em 1987 me deu uma crise existencial logo após a euforia da conquista (risos). Tudo que havia aprendido de valores de equipe como defesa, trabalhar o coletivo, a posse de bola nos 30 segundo (na época eram 30), tudo foi por água abaixo naquele momento. A filosofia da Seleção do Pan era deixar o outro time fazer de 2 pontos que responderíamos com 3 pontos. E convertíamos. Aprendi que toda religião te leva a Deus. Não existe o certo ou errado e sim o que você tem em mãos para trabalhar. O Ary, com muita sabedoria, não podia desprezar um potencial que tinham Oscar e Marcel. Sendo assim, aquela geração foi vencedora do jeito dela. Sei da importância do jogo coletivo e interno. Isso está na minha formação como jogador e filosofia de jogo, mas temos jogadores hoje na equipe diferenciados tecnicamente e com potencial de fazer 40 pontos num quarto, como no jogo de Brasília na fase anterior da Liga Sul-Americana (sendo 10 bolas de 3 pontos). Não podemos tirar essa arma da nossa equipe, mas temos que achar um equilíbrio e saber fazer a leitura e ter estrutura tática e conceitos para variar o jogo quando for necessário. Treinamos, falamos, editamos as situações táticas, tiramos o jogador no jogo, mas o tempero (a arma) está na mão do jogador e no momento do jogo. Essa leitura só melhoramos com treinamentos e jogos. Quanto a se incomodar com a crítica, respeito as opiniões, mas aprendi desde os 15 anos, quando iniciei no adulto de Franca, que fazemos sempre nosso máximo e as vezes isso não corresponde às expectativas dos outros. Isso é normal, o importante é nós termos nossa consciência tranquila do que realizamos.

finalBNC: Você é o único técnico que está no mesmo time desde que o NBB começou há sete temporadas. Quando você olha pra trás e vê no que o projeto de Bauru se transformou o que você sente? E olhando para frente, o que dá para projetar?
GUERRINHA: Tenho muito orgulho das conquistas nesses anos, principalmente fora da quadra. Credibilidade, patrocinador forte, equipe competitiva, um público fiel e contagiante. Um verdadeiro filme me passa na cabeça do início. Exatamente fevereiro de 2007, a nossa primeira partida. Olhávamos para frente e tínhamos tantos sonhos a serem realizados. Sou uma pessoa muito intensa em tudo que faço, sou dedicado, comprometido e muito competitivo. Hoje estou na minha décima sétima temporada como técnico, 12 delas em Bauru, sendo 7 na nova fase de Bauru. São mais de 800 jogos como técnico pela cidade de Bauru. No NBB até o jogo de Sorocaba (20/11) foram 217 jogos e 126 vitórias, trabalhando com uma equipe em formação. Vamos continuar com a mesma humildade, trabalho, dedicação e ter o mesmo desejo de realizar o melhor nos treinos antes do jogo contra o Malvin e quem sabe na nossa primeira conquista internacional na quinta. Fazemos o nosso melhor e Deus sabe o que merecemos!