Bala na Cesta

Arquivo : setembro 2014

Brasil sofre um pouco, mas vence Japão e vai às 8as do Mundial
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Fábio Balassiano

Não foi bonito, teve uma dose de sofrimento, mas a vaga veio. O Brasil acaba de vencer o Japão por 79-56 na terceira rodada do Mundial Feminino em Ancara, na Turquia, para se classificar para as oitavas-de-final da competição com uma vitória e duas derrotas. No mata-mata desta quarta-feira (horário a definir), a seleção enfrentará o vencedor de França ou Canadá, que duelam logo mais.

O resultado faz com que pela primeira vez na história dos mundiais a seleção feminina não seja eliminada sem vencer uma partida sequer no torneio. Não que isso represente muito, pois uma eliminação nas oitavas-de-final é perfeitamente possível, mas seria muito feio para a história belíssima do basquete das meninas deste país sair com 0-3 do Mundial da Turquia (principalmente com a renovação que está em curso). A ala Patricia, com 27 pontos e afiada nos arremessos, foi a melhor em quadra.

O Brasil começou o jogo muito bem. Marcou perfeitamente os corta-luzes japoneses, roubou bolas e saiu rápido para bandejas (foram 16 roubos ao todo, que geraram 11 pontos em contra-ataque). Não demorou para a diferença abrir. Os 22-11 saíram barato para as asiáticas, que viram a margem aumentar no período seguinte. As nipônicas se recuperaram no final, diminuíram a diferença e foram para o intervalo perdendo de 41-31. Os rebotes ofensivos também fizeram a diferença a favor do Brasil, que, mais alto, aproveitava-se de sua maior estatura para converter pontos perto da cesta com enorme facilidade (foram 13 rebotes no ataque, com 20 pontos em segundas chances). Ao todo foram 40 pontos no garrafão contra 18 das japonesas.

Na volta do intervalo, o Brasil foi literalmente médico e monstro. A diferença bateu na casa dos quatro pontos, com a seleção de Zanon jogando muito mal e mostrando-se completamente afobada, com medo. Logo, porém, a calma veio e o basquete fluiu. O Brasil fechou em 60-45 o terceiro período e teve boa tranquilidade para fechar o jogo em 79-56, classificando-se às oitavas-de-final da competição.

A se lamentar, apenas, que o começo claudicante da seleção feminina imponha, praticamente, o caminho até no máximo as quartas-de-final. Depois de uma (difícil) vitória contra canadenses ou francesas, o vencedor do duelo medirá forças com os Estados Unidos nas quartas-de-final de sexta-feira.

Viu o jogo? Gostou? Será que dá para pensar em ficar entre os oito melhores?


Por vaga nas oitavas, Brasil precisa vencer Japão no Mundial – será que dá?
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Fábio Balassiano

adriDepois de duas derrotas, uma por 13 para a República Tcheca e outra por 27 pontos para a Espanha, a seleção brasileira tem um desafio imenso a partir das 8h da manhã deste terça-feira.

O time de Zanon enfrenta o Japão em partida válida pela primeira fase do Mundial da Turquia e precisa vencer de qualquer maneira se quiser avançar às oitavas-de-final, onde enfrentaria o segundo colocado do Grupo B (ao que tudo indica será o vencedor de França e Canadá). Perder significa morrer ser eliminado sem uma vitória sequer, um desastre sem precedentes na história da modalidade.

Poderia, e talvez até deveria, fazer uma análise tática sobre o duelo desta manhã de terça-feira, mas o problema do Brasil é muito, mas muito maior do que o que temos visto no Mundial da Turquia. Zanon e as 12 atletas que lá estão têm se matado, tem tentado de tudo para resolver as questões na quadra. Mas é difícil (e todos sabiam disso). O problema vai além, o problema está bem distante de Ancara, capital turca. E quem acompanha o basquete feminino brasileiro (não aqueles que só olham o Mundial e escrevem como se soubessem tudo de tudo sempre) tem noção disso.

clarissaO mais importante de tudo, e isso não deve ser tirado de perspectiva, é que o país deve repensar o seu modelo de basquete desde a base até o adulto após esses Mundiais Masculino e Feminino. O das meninas, então, nem se fala. Independente do que aconteça amanhã a partir das 8h contra o Japão, a análise e as necessidades não se modificam, não se alteram. Há, sim, material humano, matéria-prima, por aqui. O Brasil só não está sabendo como trazer isso para a modalidade da bola laranja e, quando consegue trazer, desenvolver da maneira mais satisfatória possível.

Os erros de fundamento, leitura e concepção de jogo que temos visto neste Mundial da Turquia são assustadores e a prova que meninas de 22, 23 anos estão muito longe de estarem prontas para os grandes desafios deste esporte em partidas de alto nível de competitividade.

Sorte às meninas amanhã, e que os dirigentes do país coloquem (notadamente os da Confederação), ao menos uma vez a mão na cabeça para fazerem, primeiramente, uma análise completa do cenário em que o basquete brasileiro se encontra e, em segundo lugar, que tirem do papel um plano de ação para salvar o basquete.

tainaNão notar que principalmente as meninas que ainda teimam em praticar este esporte precisam de ajuda, socorro, é um erro incrível. Elas são vítimas de um sistema ruim, de um descaso imenso por parte da CBB e isso precisa acabar urgentemente.

Creio, sim, que uma vitória venha. E acho bem merecido para as atletas e comissão técnica que na Turquia estão. Mas, repetindo, isso não muda nada no panorama em que se encontra o esporte por aqui.

E você, o que acha que vai acontecer nesta terça-feira? O Brasil vence as asiáticas para avançar às oitavas-de-final ou será eliminado ainda na primeira fase do Mundial? Comente!


Vitor Benite, o ‘herói silencioso’ do título Mundial do Flamengo
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Fábio Balassiano

benite1No primeiro jogo da decisão do Mundial contra o Maccabi Tel-Aviv, Jeremy Pargo, o norte-americano do time israelense que esteve sumido na primeira etapa, terminou com 21 pontos, sendo os dois últimos em uma bola espírita no estouro do cronômetro. Na saída da partida, conversei com Vitor Benite, que me disse o seguinte: “Precisamos pará-lo de alguma forma. Não podemos dar a liberdade que ele teve na sexta-feira no domingo para sairmos campeões daqui. Fazê-lo pensar mais, dar menos espaço. Sabemos o que precisa ser feito”.

O segundo duelo veio, e Pargo, o camisa 4 do Maccabi que foi “carinhosamente” perseguido pela torcida do Flamengo, estava imarcável no terceiro período. Parecia realmente possuído por um instinto alucinante. O armador anotou 16 dos 25 pontos do Maccabi no período, recolocou os israelenses na partida e quem estava na HSBC Arena parecia ver o filme de sexta-feira pela segunda vez. Até que Vitor Benite entrou em cena.

benite2O camisa 8 substituiu a Marcelinho Machado no começo do quarto período, quando Pargo estava literalmente pegando fogo. Olhou para o banco de reservas, e pediu para marcar o norte-americano (isso é algo bem comum no basquete, diga-se). José Neto, o técnico do Flamengo, liberou. E lá foi o ala de 24 anos tentar parar o craque do Maccabi.

Deu certo. Na primeira bola, Pargo tentou cortar, Benite fechou os espaços, a bola rodou e não caiu. Na segunda, Benite roubou e entregou para uma bandeja fácil do rubro-negro. Na terceira, Pargo foi arremessar, Benite colocou o corpo bem perto do dele e o chute não caiu. E assim foi até o final do jogo. Pargo, que tinha começado o último período com 24 pontos, anotou apenas 4 nos dez minutos finais. E Vitor Benite, um dos mais assediados pela torcida do Flamengo ao final da partida, tem TUDO a ver com isso.

Fui perguntar ao MVP Nicolas Laprovittola sobre como tinha sido a marcação de Benite em cima de Pargo. E o argentino não teve dúvida: “O Benite? Ele fechou a partida pra nós, foi o melhor em quadra. No momento mais crítico, no momento mais complicado, ele fechou tudo para o Pargo, não deu a menor chance para ele. Fico sinceramente feliz por ele, que passou por tanta coisa de um ano para cá. Ele foi o nosso herói silencioso neste jogo. Jogou demais”.

benite3Conversei com Benite, que passou por uma grande cirurgia de ligamento cruzado anterior na temporada passada, sobre como havia sido a mudança de marcação em cima do Pargo: “Eu sabia que eu teria que parar ele (o Pargo). Outras vezes em minha carreira eu já tive esse tipo de confronto individual, quase pessoal, de você ver um jogador que está desequilibrando e tentar fazer o cara parar. Tive um pouco de sorte, um pouco de qualidade de fazer com que ele pensasse em outras coisas que não simplesmente fazer o seu jogo mais confortável. Vendo do banco às vezes você sente que o jogador está tendo muita liberdade para trabalhar. E o Pargo, por ser um jogador muito técnico, ele estava psicologicamente muito confiante. Eu sabia que precisaria pará-lo neste sentido. Tinha que tirá-lo da zona de conforto, nem que precisasse trazer para um duelo pessoal comigo. Deu tudo certo”.

Um dos problemas do basquete brasileiro de 20, 30 anos pra cá é não saber valorizar aqueles caras que fazem a diferença na defesa, com o trabalho silencioso tão necessário para qualquer time vencer. Já foi assim com outros times, que tiveram grandes jogadores executando funções muito específicas em decisões.

Foi assim neste domingo com Vitor Benite, que anulou (a palavra é essa mesmo, ‘anulou’) o melhor jogador do Maccabi Tel-Aviv (Jeremy Pargo) para dar o título mais importante da história do basquete do Flamengo. O ‘herói silencioso’, como definiu Nicolas Laprovittola, eleito o MVP da competição pela FIBA, precisa ser muito valorizado.


Flamengo coroa brilhante trabalho com título Mundial
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Fábio Balassiano

fla1

O técnico José Neto não quer nem ouvir falar na palavra “coroação”. Disse-me isso na entrevista que fiz com ele na semana passada e repetiu isso quando fui conversar com ele depois do título mundial conquistado com brilhantismo pelo Flamengo contra o Maccabi Tel-Aviv (90-77) na manhã/tarde deste domingo na HSBC Arena, no Rio de Janeiro.

herrmannMas a verdade é uma só: com o título Mundial conquistado neste domingo de forma BRILHANTE o Flamengo coroa um excepcional trabalho deste núcleo magistralmente comandado por José Neto. Núcleo que se juntou há três temporadas e que só deixou de ganhar um único título (o da Liga das Américas 2012/2013).

De resto, Marcelinho, Olivinha, Marquinhos, Benite, Gegê e os recém-chegados Laprovittola (MVP do Mundial), Meyinsse, Felício e Herrmann (este que acaba de entrar no elenco) ganharam TUDO. E quanto a isso não há nem o que falar. O que se apresentou de competição o rubro-negro traçou. NBB, Liga das Américas, Estadual, agora o Mundial.

nicoNeto, pensando lá na frente, pensando em repetir a dose de Liga das Américas, NBB e também nos amistosos da NBA, pode até dizer que não, que não é bem isso, mas de fato é uma grande coroação do trabalho feito por esta comissão técnica que ele pilota e por um grupo de jogadores excepcional.

Excepcional para os padrões brasileiros e, hoje é possível ser dito, até para os europeus mesmo. O Maccabi Tel-Aviv, time com incrível história no basquete europeu, é o atual campeão da Euroliga, e, se não conta com boa parte do elenco campeão, ainda tem um grupo fortíssimo.

torcidaO jogo foi espetacular, espetacular mesmo. Muito melhor que o primeiro, muito mais intenso que o primeiro. O Maccabi abriu 7-0, mas Marquinhos partiu para o resgate e converteu oito pontos seguidos (o ala, aliás, tem proposta para sair – e é do Pelicans, da NBA). No segundo período, Gegê e Benite comandaram os 19-11 do rubro-negro, que foram para o intervalo vencendo por ótimos 46-36. Na volta do intervalo, Jeremy Pargo anotou 16 dos 25 pontos do Maccabi, que melhorou demais na defesa e colocou o Flamengo em perigo. Mas no último período Benite, um dos heróis da conquista, pediu para marcar e foi deter Pargo, que não teve espaço e não pontuou como no quarto anterior. No final, Laprovittola arrebentou com 24 pontos e seis assistências para sair como o MVP do novo campeão Mundial.

mmNa comemoração, invasão de quadra da torcida do Flamengo. Eu, deste canto, deveria dizer que isso não se faz, que isso é feio. É o politicamente correto. Mas, sejamos sinceros, foi linda a festa dos rubro-negros. Todos ali emocionados, felizes, carregando os atletas no colo, comemorando de pertinho e com eles. Não houve incidente, não houve problema. Foi, realmente, lindo, lindíssimo ver a integração jogador/torcida.

Virei, nos próximos dias, com textos especiais sobre o Flamengo e seus personagens, mas desde já deixo os parabéns à diretoria (liderada pelos competentes e corretos Alexandre Póvoa e Marcelo Vido), comissão técnica e atletas. Há três temporadas eles fazem por merecer. Há três temporadas eles literalmente têm ganho tudo o que lhes é apresentado para jogar.

netoA torcida rubro-negra costuma cantar a plenos pulmões que o basquete é o seu orgulho. Agora é um orgulho eterno. O clube tinha um título mundial. O do futebol, em 1981. Agora, 33 anos depois, há o do basquete. Apenas três clubes conseguiram a façanha de ganhar no futebol e no basquete o troféu mundial – Real Madrid, Barcelona e, em 2014, o Flamengo.

Que este grupo de 12 caras absurdamente guerreiros e talentosos seja reverenciado para sempre. O dia 28 de setembro de 2014 já entrou para a história do basquete do Flamengo e do basquete brasileiro.


Brasil leva surra da Espanha e vai decidir vaga contra o Japão no Mundial
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Fábio Balassiano

cincoVi apenas o segundo tempo do jogo da seleção feminina contra a Espanha. E, sinceramente, era melhor que nem tivesse chegado a tempo de ver o que vi. Em jogo válido pela segunda rodada do Mundial da Turquia, o Brasil levou uma surra das espanholas, perdeu por incontestáveis 83-56 e agora precisa vencer o Japão na terça-feira (8h) para não ser eliminado na primeira fase.

O Brasil até que começou bem, fez 13-12 no primeiro período, mas depois não aguentou o melhor jogo da Espanha, que fez 29-13 no segundo período, 20-14 na volta do intervalo e acabou por completar o trabalho com os 22-16 nos 10 minutos finais. Alba Torrens e Sancho Lyttle, com 15 pontos, foram as cestinhas das vencedoras. Érika, pelo time de Zanon, converteu 12.

erikaNem dá pra falar muito com o que se viu no segundo tempo (quando eu cheguei). O Brasil estava completamente perdido, errando tresloucadamente e não conseguia agredir a Espanha na defesa. Errou demais (20), teve pífio aproveitamento de fora (2/14) e viu as rivais anotarem 56% de suas cestas de quadra (18 pontos em segundas oportunidades, muita coisa). Em nível Mundial é impossível ganhar assim, desculpem dizer.

Agora a situação é simples: ou ganha do Japão na terça-feira, ou estará eliminado na primeira fase do Mundial da Turquia. Vencer significa ir às oitavas-de-final (para enfrentar França, Turquia ou Canadá).

Viu o jogo? Será que o Brasil ganha do Japão? Ou a eliminação acontece na própria terça-feira? Comente!


Brasil joga muito mal e perde da República Tcheca na estreia do Mundial
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Fábio Balassiano

zanon2Escrevi aqui na terça-feira que para as pretensões da seleção brasileira no Mundial da Turquia vencer na estreia seria fundamental. O passo ensinou que um começo ruim pavimentava trajetórias ruins das equipes femininas recentes. Mas não mudou nada. Errático, o Brasil jogou mal demais contra a República Tcheca, perdeu feio por 68-55 e iniciou o torneio com uma derrota que complicará demais a campanha na competição.

Amanhã, também às 15h15 (Sportv exibe), o time de Zanon enfrenta a Espanha, campeã europeia que venceu o Japão neste sábado por 74-50. Se perder, terá que vencer as asiáticas de qualquer maneira para não ser eliminada na primeira fase.

O Brasil até que começou bem a partida. Acionando Érika (foto à direita) o tempo todo, abriu 5-4 com dois minutos e parecia estar pronto para duelas contra as atuais vice-campeãs mundiais. Mas logo os erros apareceram, logo as deficiências que competições fortes, como são Mundial e Olimpíada, acabam por acentuar apareceram.

erikaA seleção feminina errou 16 de seus 19 arremessos no primeiro período (sim, é sério) e teve seis desperdícios de bola, perdendo a primeira parcial por 17-7 (ou seja, fez apenas dois pontos nos oito minutos restantes). No segundo quarto o panorama não se modificou. Dez equívocos nos chutes, quatro erros e 27-20 para as tchecas no intervalo. O ataque brasileiro, portanto, conseguiu anotar um ponto por minuto na primeira etapa, muito pouco.

Na volta do vestiário o panorama não se modificou muito. As tchecas mantiveram um bom aproveitamento de quadra, a seleção feminina foi ficando cada vez mais nervosa e a diferença chegou a 18 pontos a favor das europeias. O time de Zanon chegou a esboçar uma reação no final, mas não foi o suficiente.

O Brasil, de fato, jogou muito, mas muito mal. Defendeu mal, pressionando pouco quem estava com a bola do outro lado, teve um ataque estático, parado, travado e não conseguiu trocar passes no sistema ofensivo (as oito assistências são a prova fiel disso que escrevo). Na frieza dos números, eles dizem tudo: 18/69 (26% de aproveitamento) nos chutes e 17 desperdícios de bola.

tainaOu seja do ou seja: a seleção feminina teve 90 posses de bola. Em apenas 18 delas (20%, portanto) conseguiu o objetivo final do ataque (colocar a bola na cesta através de um arremesso). Tudo isso com os 24 rebotes ofensivos conquistado (apenas nove das rivais). Houve volume, mas não é possível vencer indo tão mal no ataque. Isso que vimos neste sábado, caros amigos, é muito pouco. Ninguém consegue ganhar jogo de Mundial ou Olimpíada assim, é um fato.

Viu o jogo? Não gostou do que viu, certo? Comente aí!


Flamengo jogou bem, mas não conseguiu segurar o Maccabi no fim
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Fábio Balassiano

pargoAcabo de chegar da HSBC Arena, onde o Flamengo jogou bem, mas não conseguiu deter o Maccabi Tel-Aviv, que fez 39-31 no segundo tempo e venceu os rubro-negros por 69-66 na primeira partida do Mundial de Clubes. Partida do Mundial que, é bom dizer, não contou sequer com 50% de sua capacidade total. O público não chegou a seis mil pessoas, o que é uma lástima (o assunto será explorado posteriormente, prometo).

Para ser campeão mundial, o clube carioca precisa vencer os israelenses por quatro pontos de diferença no domingo (meio-dia o duelo – Sportv exibe) ou por três pontos desde que anote mais de 70 pontos (70-67 ou 71-68 serve). Para o Maccabi, vitória simples, por dois ou menos pontos e também revés por três pontos anotando menos de 66 dá o caneco (61-58 ou 62-59).

Sobre o jogo em si, cabe destacar que o Flamengo defendeu muito bem durante todo a peleja. Conseguiu conter, na medida do possível, o jogo exterior do Maccabi, protegeu bem o aro e, com exceção dos arremessos de Jeremy Pargo (foto à direita) no terceiro e quarto períodos, se segurou bem nas investidas dos isralenses a cesta. O norte-americano, aliás, matou uma bola no estouro do cronômetro do período derradeiro para dar a vantagem de três pontos para os de Tel-Aviv.

caracterO rubro-negro contou, além disso, com ótima atuação de Derrick Caracter (foto à esquerda), reforço que chegou essa semana, mal treinou e que mesmo assim despejou 10 pontos e 11 rebotes (cinco ofensivos) em sua partida de estreia pelo rubro-negro. Olivinha, vindo do banco com sua energia habitual, saiu-se com 13 pontos e 7 rebotes. A se lamentar, individualmente, as atuações de Marcelinho Machado (0/9 nos tiros de quadra), de Nicolas Laprovittola (2/12, três desperdícios de bola e pouca paciência para armar os ataques e colocar seus companheiros em posição de chute – função primordial de um armador, é bom lembrar isso).

O jogo, aliás, pode ser dividido entre os dois tempos desta sexta-feira. No primeiro o Flamengo foi soberano. Defendeu muito bem, conseguiu atacar com calma e só não abriu mais diferença porque deu um cochilo ao final da primeira etapa. Tinha confortáveis 33-23, mas viu o rival reduzir a diferença para 30-35 ao final dos 20 minutos iniciais. Se tivesse pisado no acelerador, o time carioca poderia ter aberto confortável vantagem. Mas não o fez, abriu a guarda e viu o rival crescer. No segundo tempo o Maccabi Tel-Aviv mostrou realmente a sua força. Foi mais intenso, rodou menos o grupo e viu Jeremy Pargo aparecer. A marcação rubro-negra deu um mísero espaço, e o norte-americano tomou conta do jogo com 8 pontos seguidos no meio do quarto período, um momento crucial do confronto.

netoPelos israelenses, ficou muito claro que o panorama do Mundial de 2013, em que o Olympiacos venceu o Pinheiros, se repetiu no primeiro tempo de 2014. O Maccabi Tel-Aviv tinha visto vídeos, estudou o Flamengo, mas não sabia exatamente o que esperar do duelo contra um time que não está habituado a jogar. No primeiro tempo jogou mal, mas ajustou a defesa e atacou com força a cesta no segundo tempo, gerando pontos fáceis, criando espaços para os arremessos (Pargo anotou 14 de seus 21 nos 20 minutos finais) e furando parte do (bom) bloqueio rubro-negro. Perguntei ao técnico Guy Goodes sobre os ajustes feitos no intervalo para conter Caracter, e ele me disse que a intenção foi, mesmo, fechar o garrafão para que o norte-americano não pontuasse com tanta facilidade. E deu certo, principalmente porque as bolas do Fla de fora não caíram (4/31).

herrmannE antes que se comece a grita sobre os chutes de três pontos do Flamengo, eu concordo com o disse o técnico José Neto na coletiva depois da peleja. O Flamengo precipitou alguns arremessos, sim, mas na maioria dos chutes teve boa visão da cesta, a bola rodou bem e não havia mesmo o que fazer dentro do garrafão, já que o Maccabi fechou ali perto da cesta. Se as bolas tivessem caído os israelenses teriam que ter feito uma mudança neste sentido. Como as bolas longas não surtiram efeito para os cariocas, a tática do Maccabi se manteve até o final.

Por fim, todos comentaram sobre as declarações de Marquinhos (mais aqui). O ala criticou os companheiros recém-chegados de forma áspera e pouco cordata. Não é assim, definitivamente, que se faz. Espero que o grupo lave a roupa suja neste sábado e se resolva antes do jogo de domingo.

O Flamengo tem TODAS as condições de vencer o Maccabi por mais de três pontos de diferença. Para isso, terá que diminuir totalmente os espaços de Jeremy Pargo (qualquer centímetro para este cara é um latifúndio), converter melhor os rebotes ofensivos (foram 17, com apenas 14 pontos de segundas chances) e se concentrar ao máximo para não deixar o rival abrir vantagem, o que seria duro para o time se recuperar. Abaixo os melhores momentos desta sexta-feira.

Viu o jogo? O que achou? Acha que o Flamengo ainda tem chance? Comente!


Nas mãos de Érika, o sucesso do Brasil no Mundial da Turquia
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Fábio Balassiano

erika2Com elenco pra lá de renovado (são nove estreantes, como você viu aqui ontem e anteontem), o Brasil estreia amanhã no Mundial da Turquia contra a República Tcheca (Sportv exibe a partir das 15h15) e sabe que para ter sucesso na competição precisará contar mais do que nunca com as atuações geniais de Érika de Souza.

Melhor pivô do mundo na atualidade, a carioca de 32 anos completará 100 jogos pela seleção brasileira justamente contra as tchecas. E para o Brasil vencer as europeias na largada da competição e evitar problemas maiores contra espanholas e japonesas (veja mais aqui), é imperativo que Érika seja acionada desde o início da partida.

Cestinha geral das Olimpíadas de 2012 e entre as cinco melhores da Copa América de 2011 e do Mundial de 2010 (em todas com 16 pontos de média), Érika sabe que, ao contrário do seu time na WNBA, o Atlanta Dream, a responsabilidade por guiar a equipe nacional em quadra é praticamente toda sua a partir de amanhã. Principalmente com pontos em momentos decisivos (algo que ela acaba por dividir no Dream com Angel McCoughtry).

erika4Apenas Adrianinha tem mais de 29 anos, mas a armadora, craque de bola, está fazendo a passagem de bastão para Tainá e Débora. Érika, não. Érika está no auge técnico, físico e com a auto-estima lá em cima. O garrafão, aliás, é a grande força da seleção brasileira feminina (estarão por lá, ainda, Damiris, Nádia e Clarissa), e eu sinceramente espero que a grande orientação de Zanon é que as gigantes de seu elenco sejam acionadas desde o começo.

O Brasil está no A, com sede em Ancara, e enfrenta (pela ordem) República Tcheca (na estreia em 27/09), Espanha (28/09) e Japão (30/09) . Os três primeiros de cada chave avançam às oitavas-de-final, com os líderes dos grupos “folgando” na fase inicial do mata-mata e só jogando mesmo nas quartas-de-final. Caso fique entre segundo e terceiro na fase de classificação, o Brasil enfrentará quem vier da chave B (Canadá, Moçambique, França ou Turquia). Ou seja: adversários duríssimos. O regulamento completo você encontra aqui.

Perika3elas mãos de Érika passa uma boa campanha da seleção brasileira feminina a partir de amanhã. O que eu sinceramente espero? Que o time de Zanon jogue bem, que vença ao menos um jogo neste grupo para avançar de fase e que tenha capacidade de vencer a partida das oitavas-de-final, posicionando-se assim entre os oito melhores do torneio. Este é um cenário realista e bem palpável para o jovem elenco que foi à Turquia (e um jovem time que não teve uma preparação acima da média, é bom que se diga). Mais que isso é lucro total (e otimismo demais também).

Está confiante para o Mundial Feminino que começa amanhã na Turquia? Até que fase você acha que o Brasil irá? Comente!


Neto sobre Mundial: ‘Flamengo quer chegar onde não chegam os normais’
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Fábio Balassiano

neto1O Flamengo disputa hoje (21h30, com transmissão do Sportv) e domingo (meio-dia) o Mundial de Clubes contra o Maccabi Tel-Aviv. E o técnico José Neto não quer nem ouvir falar sobre duas coisas: que o atual elenco israelense é mais fraco que aquele que conquistou a Euroliga passada contra o poderoso Real Madrid na prorrogação e que o torneio é a coroação do trabalho feito por ele e este núcleo de atletas formado desde a temporada 2012/2013.

Para o técnico de 43 anos, que pode se tornar o segundo brasileiro a obter o título mundial de clubes (o outro é Cláudio Mortari, que conquistou a taça com o Sírio em 1979), o Mundial é o ponto de partida para um ciclo ainda mais vitorioso para o Flamengo. Confira a entrevista exclusiva que fiz com ele depois do amistoso contra o Pinheiros no último sábado na Gávea.

neto3BALA NA CESTA: Como assistente-técnico do Rubén Magnano você acaba de voltar de um Mundial com a seleção brasileira masculina adulta, mas este é o seu primeiro Mundial de Clubes como técnico principal mesmo. Qual a sua expectativa para estes dois duelos contra o Maccabi Tel-Aviv e com a possibilidade de se tornar campeão mundial com o time que detém a maior torcida do país?
JOSÉ NETO: Acho que é importante todo mundo saber de uma coisa. Eu, como técnico, me sinto muito honrado em poder dirigir um time em um Mundial de Clubes. Se a gente for olhar na história, temos o Pedroca, que dirigiu o Franca e o Mortari, que comandou o Sírio e no ano passado o Pinheiros. São poucos os que tiveram esta oportunidade que estarei tendo a partir desta sexta-feira. Sinto-me, portanto, muito honrado em dirigir um time em um campeonato mundial. Ainda mais pelo Flamengo, um clube que sempre sonhou com coisas grandes, que sempre trabalhou pensando em conquistar coisas grandes e que agora tem a chance de conquistar um título mundial. A importância é muito grande. Não importa se são dois jogos. O que vale, mesmo, é que temos a oportunidade de dar um título muito importante não só para o Flamengo, mas também para o basquete brasileiro como um todo.

ENTREVISTA MARQUINHOSENTREVISTA LAPROVITTOLAENTREVISTA HERRMANNENTREVISTA MARCELO VIDO

neto2BNC: Em caso de conquista, o título do Mundial seria uma coroação do que você e o Flamengo têm feito desde que se juntaram, no começo da temporada 2012/2013? Desde que você chegou aqui, o rubro-negro só não ganhou a Liga das Américas de 2013. Vieram troféus em todas as outras competições disputadas…
NETO: Então, vou te dizer uma impressão minha. Eu não sei como os outros enxergam isso, mas vou te dizer o que eu penso exatamente sobre isso tudo. Sobre o Mundial, sobre os três jogos que faremos na NBA e tudo mais. Quando se fala muito assim em coroação parece que é situação final. E não estamos vendo assim dessa forma. Estamos vendo como um começo. Um começo de visibilidade do Flamengo em âmbito mundial, um começo de visibilidade do nosso trabalho em âmbito internacional e também uma grande valorização dos atletas. Por isso não estamos olhando como uma coroação de nada. Não, não. Nós queremos dar continuidade ao que estamos fazendo. E há muita coisa, mas muita coisa mesmo a melhorar, a desenvolver, a evoluir. São situações históricas não só para o Flamengo, como também para o basquete brasileiro. Não temos o direito de achar que é qualquer coisa porque decididamente não é bem assim. São fatos muito importantes. E vamos jogar sabendo dessa importância, sabendo da representatividade que um título mundial traria não só para o clube, mas também para o basquete brasileiro de um modo mais amplo.

neto3BNC: O time que vocês enfrentarão, o Maccabi Tel-Aviv, tem um elenco bem diferente daquele que ganhou a Euroliga. O que esperar do adversário em quadra?
NETO: Olha, jogar contra o estilo de jogo do Maccabi foi uma das razões que a gente fez questão de trazer o Pinheiros para dois amistosos aqui na Gávea. Já vi o Maccabi jogar três partidas nessa temporada, e os sistemas de jogo se assemelham. Apesar do elenco com algumas mudanças, já estamos com todas as informações, números, vídeos deles. O engraçado é que o estilo de jogo cai muito mais para um lado norte-americano do que para o europeu. São muitos bloqueios, saída exterior forte, muitos chutes, jogo interior forte também apesar da saída do Baby Shaq. Mas eles trouxeram o Alex Maric, pivô australiano e o ritmo não cairá tanto. É um time muito perigoso. Quem acha que por ser um elenco diferente daquele que conquistou a Euroliga, e que por isso será mais fácil, está totalmente enganado. Não pode pensar assim mesmo. É um clube que investe pesado, muito forte mesmo e por isso está entre os melhores da Europa há anos. Temos que deixar as coisas mais previsíveis possíveis. Isso a gente já vem fazendo há algum tempo, passando as informações aos jogadores e treinando-os visando esses dos jogos que serão muito importantes para nós. Agora é manter o foco na missão que temos pela frente.

neto 14-42-22BNC: Pra fechar: em termos de estratégia, muda muito o fato de ser dois jogos, com essa questão do saldo de pontos podendo decidir o campeão em caso de cada time ganhar uma partida? Como é para o técnico preparar o time para uma competição tão diferente daquelas que vocês estão acostumados a jogar?
NETO: Tem razão. É fundamental estarmos preparados para esse regulamento que teremos no Mundial. Tomamos 26 pontos no último período do primeiro jogo contra o Pinheiros. Aí cria um pouco de dúvida. Será que o time é o que levou 9 pontos (no segundo período) ou o que tomou 26? Isso é uma coisa que precisamos pensar bastante. Levar 9 pontos em um período e 26 no outro é até uma coisa normal dentro de uma temporada. Só que nós não queremos chegar onde chegam os normais. Nós queremos chegar onde não chegam os normais. Quase ninguém ganha um título mundial. Sabemos que são poucos, são muito poucos aqueles que chegam a um título mundial. Temos que estar preparados para ganhar e o que aconteceu neste jogo contra o Pinheiros pode fazer uma diferença grande contra o Maccabi. Temos que pensar grande. O primeiro jogo é fundamental por isso. Se você sai com uma diferença grande, o jogo de domingo é um. Se a diferença se reduz, é outro. Temos que ter isso na cabeça.