Bala na Cesta

Arquivo : agosto 2014

Brasil sofre no começo, mas atropela o Irã e enfrenta Espanha amanhã
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Fábio Balassiano

neneO começou assustou (bastante). O Brasil começou o jogo sonolento, viu o Irã abrir 13-5 e viu Rubén Magnano pedir tempo com cara de poucos amigos (com razão). Cheguei a temer pelo pior (uma partida dura), mas o panorama mudou após a conversa na parada técnica (ainda bem).

A partir dali, com cinco minutos do primeiro período, a seleção brasileira masculina jogou como tem que ser  (marcando muito, saindo rápido para bandejas e sufocando o rival), teve ótimos momentos, como no que Nenê (foto à direita) enterrou na cabeça do pivô Hamer Haddadi (tal qual já havia feito em 2012), bateu um adversário fraquíssimo por 79-50 e se manteve invicto no Mundial da Espanha após duas rodadas.

Nesta segunda-feira, às 17h, o jogo mais difícil desta primeira fase, a Espanha (falarei disso amanhã mesmo, ok). No confronto que abriu os trabalhos do Grupo A, a França, que perdeu durante 39 dos 40 minutos do duelo, venceu a Sérvia por 74-73, e embolou a chave (prometo trazer as contas mais apuradas nesta segunda-feira, hein, fiquem de olho).

alexDepois do hesitante primeiro período, o Brasil fez exatamente o que deve ser feito contra times bem mais fracos – rodou todo o elenco, poupou suas principais peças e atuou de forma segura, sem sustos. Foram 28 dos 79 pontos em contra-ataque, 17 roubos de bola e 24 erros forçados do adversário.

Não há, portanto, análise tática alguma que se possa fazer desta partida. O adversário é muito deficiente, teve um lampejo apenas quando o Brasil dormiu no começo do jogo e depois caiu de produção (algo até natural). A se lamentar, mais uma vez, o não mais que regular aproveitamento nos lances-livres (10/15). Já disse e repito: que o Brasil aprenda a vencer mesmo sem ser bom (não disse ‘muito bom’, notem) da linha fatal.

Viu o jogo? Se assustou no começo, né? Deixo, aqui, uma provocação: é possível vencer a Espanha amanhã? Comente aí o que você achou da peleja deste domingo e da partida de amanhã contra os donos da casa!


Ótimo na defesa, Brasil vence a França e começa bem o Mundial
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Fábio Balassiano

huertasTodo mundo sabia que seria difícil. E o Brasil, jogando bem, venceu a França por 65-63 na estreia da Copa do Mundo da Espanha, em Granada, neste sábado. Neste domingo, também às 13h (com Sportv e ESPN+), o Brasil enfrenta o Irã, que em instantes mede forças com a Espanha.

Foi uma partida enrolada, bem travada e o time de Rubén Magnano conseguiu sair com a vitória defendendo MUITO bem, sendo sublime nos rebotes ofensivos (16) e com uma pontuação bem distribuída (o cestinha, Huertas, teve 16 pontos).

O começo do jogo não foi bom para a seleção brasileira masculina, que, nervosa, saiu perdendo por 12-3. Depois de um tempo de Magnano o time acabou ficando mais tranquilo e as entradas de Raulzinho (ótimo com 6 pontos e MUITA agressividade para atacar a cesta) e Leandrinho (8 pontos) melhoraram o time, que fez 17-8 no segundo período e saiu para o intervalo vencendo por 28-26 (e o placar baixo mostra que a partida não foi muito boa em termos técnicos até ali).

raul1No segundo tempo o Brasil melhorou demais na defesa, passou a ter muito domínio nos rebotes ofensivos e viu o ataque fluir mais com Raulzinho começando as ações (Huertas voltou apenas no último período e, mais descansado, também foi ótimo diga-se de passagem). A seleção passou à frente do placar e não viu mais a França liderar em momento algum. Mais que isso: demonstrou ótimo controle emocional (NENHUM apagão) e errou muito pouco (ao todo foram 11 desperdícios de bola em 70 posses de bola, ótimo índice).

No final, a vitória veio por 65-63, fazendo com que o Brasil ampliasse seu retrospecto em estreias de Mundial para 13-4 e melhorasse contra europeus nos últimos 20 anos para 4-12. O jogo não foi bonito, mas foi um ÓTIMO começo para a seleção brasileira masculina, isso é o melhor de tudo (aumenta a confiança, espanta o medo que sempre há e faz com que seja possível sonhar com resultados ainda melhores). Agora é ganhar do Irã neste domingo, jogar de forma relaxada contra a Espanha (é, sim, possível vencer) e depois decidir posicionamento contra a Sérvia. O início foi bem pavimentado.

ruben1Ah, e os lances-livres, viram só como não precisei falar deles? O Brasil teve 14/24 (58%) e mesmo assim venceu. Ah, e outra preocupação era a pontuação de alas + armadores, lembram? Então. Foram 46 dos 65 pontos de Raulzinho, Huertas, Alex, Leandrinho e Marquinhos! Bom começo, certo?

E você, o que achou do jogo? Comente!


Com núcleo pela 2ª vez, Brasil estreia amanhã contra França no Mundial
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Fábio Balassiano

cinco2Chegou a hora. A seleção brasileira masculina comandada por Rubén Magnano estreia contra a França neste sábado às 13h (de Brasília) na Copa do Mundo de basquete da Espanha (Sportv e ESPN exibem) naquela que muito provavelmente será a penúltima competição de uma das gerações mais talentosas do basquete brasileiro (a derradeira deve ser mesmo a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro). Para esquentar a peleja, amanhã, 30 de agosto farei uma Twitcam especial ao meio-dia para falar sobre o torneio (fique ligado no Twitter e Facebook do Bala na Cesta para mais informações).

OUÇA AQUI A PRIMEIRA PARTE DO PODCAST SOBRE O MUNDIAL

O que pouca gente sabe é que esta será apenas a segunda vez que o núcleo mais conhecido (mundialmente) da seleção brasileira masculina adulta atuará junto em uma competição internacional adulta. Marcelinho Huertas, Leandrinho, Anderson Varejão, Tiago Splitter e Nenê só jogaram o mesmo torneio com a camisa amarela (ou verde, ou branca) na Olimpíada de 2012, em Londres. Veja só na figura abaixo.
foto2

Como no basquete jogar junto fala muito sobre os resultados (finais) conquistados por uma geração, a pouca quantidade de jogos do quinteto junto explica bastante o porquê de os resultados internacionais não estarem vindo há algum tempo por aqui.

cinco1O mais interessante de se notar, além do que a própria tabela mostra, são três coisas: 1) Não é coincidência que quando Nenê, Splitter, Varejão, Leandrinho e Huertas jogaram juntos (na Olimpíada de 2012) o basquete brasileiro tenha conquistado seu melhor resultado em competições Classe A (Mundial ou Jogos Olímpicos); 2) Na própria Olimpíada, quando o Brasil jogou um total de seis jogos, Nenê (com dores) se ausentou de um (contra a Espanha); e 3) Ao todo, o ala-pivô do Washington Wizards jogou 110 minutos nos Jogos de Londres, e esta é a minutagem máxima que este núcleo pode ter jogado ao mesmo tempo. Ou seja: o quinteto mais talentoso da atual geração não ficou nem duas horas jogando partidas oficiais de basquete (muito pouco).

AQUI A SEGUNDA PRIMEIRA PARTE DO PODCAST SOBRE O MUNDIAL

foto3Não se trata, por favor, de uma caça às bruxas para entender os motivos que levaram a isso (já passou, não tem remédio), mas sim para mostrar mais uma vez a importância deste Mundial para esta geração (escrevi disso anteriormente aqui, lembram?).

A última chance em Mundiais dessa geração que jogou tão poucas vezes junto começa amanhã contra o talentoso time da França. Que os comandados de Rubén Magnano mostrem que a falta de entrosamento em competições internacionais não pesa tanto assim. A modalidade clama por um ótimo resultado que não vêm há mais de 30 anos (veja mais aqui).  Até 90, NENHUMA vez ABAIXO da oitava colocação. Depois de 90, NENHUMA vez ACIMA da oitava colocação. 

fotofinalfinal1Até 1990, os times masculinos conquistaram 2 títulos (59 e 63), 2 vices (54 e 70), 2 bronzes (67 e 78), 2X em 4º (50 e 86) e 1X em 5º, 6º e 8º. Após 1990, 11º, 10º, 8º, 17º e 9º. Chegar entre os oito melhores, portanto, é bom. Alcançar uma semifinal, é excelente. Uma medalha, algo histórico. Que os jogadores da seleção consigam, enfim, colocar seus nomes na história do basquete brasileiro. Sucesso a partir de amanhã na Copa do Mundo! 

E você, sem ficar em cima do muro, qual o palpite para o que acontecerá na Copa do Mundo da Espanha a partir de amanhã? O meu é: Brasil na semifinal. Comente!


Podcast BNC Especial sobre a Copa do Mundo masculina – Parte 2
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Fábio Balassiano

Na quarta-feira você ouviu a primeira parte do Podcast Bala na Cesta sobre a Copa do Mundo da Espanha, certo? Então hoje, véspera da estreia brasileira no torneio, Vagner Vargas , Fábio Aleixo, Daniel Neves (aqui do UOL), Luis Araujo, Guilherme Giavoni, Pedro Rodrigues e eu falamos sobre os principais candidatos a medalha e também palpitamos sobre quem será o campeão e qual será o resultado da seleção brasileira. Aproveitem!

Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem muito e bom programa!


Nos amistosos, lances-livres atingem pior índice do século – veja números
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Fábio Balassiano

tiagoQuem acompanhou os amistosos do time de Rubén Magnano ficou intrigado com algumas coisas (o problema dos alas e armadores no ataque, Huertas abaixo da crítica, os lapsos), mas nada foi tão assustador quanto as falhas nos lances-livres.

Nos oito jogos antes da Copa do Mundo que começa no sábado (o de terça-feira contra o México não foi contabilizado pois não há estatística disponível), o time arremessou 184 vezes da linha fatal, e acertou apenas 108 (na média, 13/23 por jogo). Um aproveitamento de 59%. Muito baixo, sem dúvida.

OUÇA A PRIMEIRA PARTE DO PODCAST ESPECIAL SOBRE O MUNDIAL

Mas será que o problema vem só de agora? Fui pesquisar TODAS as grandes competições (Copa América, Mundial e Olimpíada) deste século XXI para chegar alguma conclusão.

E a análise mostra que o aproveitamento de 59% nos amistosos desta temporada, como está na tabela abaixo, é o pior índice da seleção brasileira masculina desde o começo do século contando Copa América, Mundial e Olimpíada (apenas a Copa América de 2001, na Argentina, não tem dados disponíveis no arquivo online da FIBA, uma pena). Em competições oficiais, os 62% registrados na Olimpíada de 2012, em Londres, ainda se mantêm como o percentual de conversão mais baixo dessa geração na linha de lance-livre.
numero

O número de lances-livres variou um pouco (o máximo foi 26,6 por jogo, e o mínimo, de 16,3), mas o aproveitamento, não – SEMPRE ficou abaixo dos 80% (na média, 69%). Apenas uma vez, na Copa América de 2003, com Lula Ferreira, o percentual superou os 75% (foi de 77%). Foi esta, aliás, a única vez que o Brasil ficou entre os três melhores no quesito em uma competição (em segundo). Pelo que se vê, esse é um problema crônico (talvez o maior) do basquete nacional neste começo de século.

CONTRA EUROPEUS, BRASIL TEM 3-12 NOS ÚLTIMOS 20 ANOS EM MUNDIAIS

huertasComo se vê, desde que Magnano assumiu os índices variaram de 74% (Mundial de 2010) a 62% (Olimpíada de 2012). Se formos contar os amistosos desta temporada, o índice cai a incríveis 59% (23 lances-livres tentados por jogo), algo realmente assustador. Gostaria muito de dizer que o fato de o time jogar cada vez mais com os pivôs, cujos aproveitamentos na linha fatal nunca foram os melhores de um elenco de basquete, mas quem viu os jogos recentes sabe que não é bem isso. Até mesmo Leandrinho, Marquinhos e Huertas, arremessadores muito bons, têm errado de lá.

EM ESTREIAS DE MUNDIAL, BRASIL TEM 12-4

A não ser que as coisas mudem muito até sábado, o suplício da linha fatal vai continuar (o que é uma pena). Alguns problemas dessa geração (defesa e ataque mais organizados) foram solucionados por Rubén Magnano. O lance-livre, pelo visto, não será corrigido pelo argentino (infelizmente), e o time terá que lidar com isso nas partidas do Mundial (vejam abaixo os números dos amistosos).
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Que a seleção, portanto, aprenda a vencer mesmo com aproveitamento abaixo dos 75% da linha fatal.


Nos últimos 20 anos, Brasil tem 3-12 contra Europeus em Mundiais
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Fábio Balassiano

sele1A seleção brasileira que estreia sábado contra a França na Copa do Mundo da Espanha (13h, com transmissão do Sportv e da ESPN) entrará em quadra carregando retrospecto pouco animador do basquete masculino do país nos últimos 20 anos em Mundiais.

OUÇA AQUI A PRIMEIRA PARTE DO PODCAST SOBRE A COPA DO MUNDO

Como mostra a tabela abaixo, foram exatos 15 confrontos contra seleções europeias em Mundiais de 1994 para cá. E apenas três vitórias (contra a Alemanha em 94, diante da Turquia em 2002 naquele arremesso espírita do Marcelinho Machado no último segundo e contra a Croácia no de 2010). Ao todo foram 12 derrotas, contra Espanha, Alemanha, Lituânia, Iugoslávia, Grécia e Eslovênia nos últimos 20 anos.
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Será que o problema com os europeus começa a terminar no sábado? Só lembrando: na primeira fase o Brasil enfrenta os europeus França, Sérvia e Espanha, países do velho continente. Comente!


Podcast BNC Especial sobre a Copa do Mundo masculina – Parte 1
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Fábio Balassiano

huertasA Copa do Mundo masculina da Espanha começa no sábado, e o Podcast Bala na Cesta dessa semana é um grande especial sobre a competição. Juntei um time de especialistas para analisar a seleção brasileira, seus rivais e até que ponto o time de Rubén Magnano poderá chegar. Dividi o programa em duas partes (a outra será na sexta-feira, véspera da estreia brasileira no torneio), e estarão comigo na empreitada Vagner Vargas , Fábio Aleixo, Daniel Neves (aqui do UOL), Luis Araujo, Guilherme Giavoni e, óbvio, o Pedro Rodrigues.

Hoje falamos sobre a preparação da seleção, o que deu certo e o que ainda precisa de ajuste. Cabem duas observações: 1) Gravamos o programa antes de sabermos da morte do avô de Marcelinho Huertas (nossos sentimentos à família mais uma vez); e 2) Gravamos o programa antes de Guilherme Giovannoni ter de fato entrado em quadra (jogou no próprio sábado contra o Irã)

Aproveitem! Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem muito e bom programa!


Em estreias de Mundial, Brasil tem 12-4 – como será contra a França?
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Fábio Balassiano

De 1950, na primeira edição do Mundial (em Buenos Aires, na Argentina), até o de 2010, na Turquia, a seleção brasileira participou de todas as 16 edições do torneio. Desde aquele 40-33 contra o Peru no longínquo 25 de outubro de 1950 (10 pontos do cestinha Algodão) até a mais recente partida contra o Irã em 28 de agosto 2010 na vitória por 81-65 foram 12 vitórias e 4 derrotas em estreias na competição. Abaixo a lista completa:
estreia1

Como se vê, o jogo de sábado, na abertura da Copa do Mundo da Espanha de 2014 contra a França (13h de Brasília), será apenas o segundo jogo de estreia em Mundial contra um time europeu. Na primeira vez, no Mundial de 1990, o time comandado por Hélio Rubens atropelou a Itália por 125-109 (25 pontos de Oscar e outros 35 de Luiz Felipe) para começar com pé direito a competição.

diaw1O interessante de se notar, também, é que nas quatro vezes que abriu a competição com derrota o Brasil não conseguiu ficar entre os sete primeiros (ou seja, iniciar a caminhada com o pé direito é fundamental). Foi assim contra Austrália em 1982 (oitava colocação), contra a China em 1994 (décima-primeira), diante dos EUA em 1998 (décima) e em 2006 contra a Austrália (décima-sétima posição).

E como vem a França, primeira rival do Brasil, para este Mundial? Antes da análise, a escalação dos azuis:

Armadores: Antoine Diot e Thomas Huertel
Alas: Evan Fournier, Edwin Jackson, Nicolas Batum, Charles Kahudi e Mickael Gelabale
Alas-pivôs: Rudy Gobert, Ian Mahinmi, Boris Diaw, Florent Pietrus e Joffrey Lauvergne

Olhando assim, chamam a atenção os desfalques de Tony Parker, Joakim Noah e Nando de Colo (este último lesionado recentemente), mas está longe de ser um time ruim (como bem destacou o Luis em seu blog também).

batum1O técnico Vincent Collet tem alas muito bons (Batum principalmente, Fournier e Gelabale), um armador razoável (Huertel), dois pivôs razoáveis (Mahinmi e Gobert – ambos usados nas rotações de Indiana e Utah, na NBA) e um excelente. É Boris Diaw, este aí da foto à direita mesmo e que você conhece bem (campeão pelo Spurs recentemente).

Creio que o Brasil tenha mais time e elenco para manter a sequência vitoriosa de Magnano em estreias de Mundial, mas é bom não ficar olhando para os desfalques franceses achando que vai ser moleza (porque não vai). Para chegar ao décima-terceiro triunfo em partidas de abertura no torneio, a seleção masculina terá principalmente que neutralizar o jogo técnico de Diaw no garrafão e o estilo refinado de Batum (foto à esquerda) fora dele.

E você, o que acha que acontece na estreia do Brasil neste sábado? Comente!


A nítida evolução da seleção feminina em amistosos na Turquia
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Fábio Balassiano

tainaNa semana passada comentei aqui que enfim a seleção brasileira feminina partiria para amistosos de bom nível visando o Mundial Feminino da Turquia. E assim foi feito. O time de Zanon enfrentou, na sequência, Turquia, Austrália e Canadá. Por uma dessas maravilhas do mundo moderno, consegui ver as três pelejas (exibidas pelo site da Federação Turca – com narração e tudo mais, inclusive) e a análise é bem positiva.

Se sofreu horrores para vencer a Argentina e conquistar o Sul-Americano sem brilho algum, a seleção feminina jogou bem seus três encontros na Turquia, principalmente no setor defensivo, fazendo ótima pressão na bola e acertando a maioria das rotações. A única falha grave que eu notei foi quando houve o famoso jogo de passes entre as pivôs rivais (o conhecido high-low que Barbosa tanto usava…) e as gigantes brasileiras se enrolaram um pouco para defender essa jogada.

Em termos de resultado, o Brasil perdeu para as turcas no primeiro duelo por 66-48 em uma peleja cuja diferença não representa o que foi o jogo (fez apenas 17 pontos no 20 minutos finais, depois de ter perdido por apenas dois na primeira etapa). No dia seguinte, jogo de alto nível contra a Austrália e um revés por apenas 66-63 (Tainá, autora de 14 pontos, teve a bola para levar ao tempo-extra, mas não acertou). Neste domingo, a melhor apresentação brasileira foi coroada com a boa vitória por 65-56 contra as canadenses. Tainá (na foto à direita) teve atuação fenomenal, anotando 24 pontos (4/5 de três pontos) e dando, ainda, nove assistências (o basquete apresentado por ela foi de encher os olhos, hein).

adriMelhor do que os desempenhos individuais de Tainá e Clarissa, duas que se consolidam cada vez mais na seleção principal (principalmente a camisa 8, que está se mostrando bem preparada para assumir as rédeas da armação com Adrianinha – na foto à esquerda – e depois que a veterana sair de cena no time nacional), foi verificar a evolução do time de Zanon.

Isso é algo bem nítido para qualquer um e fica claro para mim que o time só demora a “engrenar”  porque essas jovens meninas têm pouco ou nenhum espaço em seus clubes, que, sem pensar na sustentabilidade do negócio basquete, insistem em colocá-las à margem de um processo de renovação do feminino que, mais do que necessário, é imperativo para os próximos anos da modalidade por aqui.

zanon2Essa melhora já havia acontecido ano passado, quando, depois de uma série de jogos, o renovado elenco apresentou bom nível com Tatiane, Patricia e as próprias Tainá e Clarissa citadas anteriormente, e traz uma boa dose de otimismo para o Mundial da Turquia que acontecerá no final do mês de setembro.

Ainda é cedo para traças qualquer prognóstico para a competição (pensar em medalha eu acho bastante precipitado por enquanto – e ênfase no ‘por enquanto‘, por favor), mas é bom notar que o trabalho de renovação que Zanon (foto à direita) propôs desde o ano passado já vai começando a dar alguns frutos. Tainá, a armadora que chegou sem muita confiança, se firma cada vez mais. Nas alas, Tatiane e Patrícia conseguem segurar o tranco e são bem coadjuvadas por Jaqueline, Joice, Isabela Ramona e Izabela. No pivô, onde entrarão Nádia, Damiris e Érika, Clarissa reina absoluta e vê Fabiana cada vez mais confortável com sua função na equipe.

zanon3Que este trabalho, e sua consequente evolução, continue. A CBB merece, aqui, ser aplaudida por verificar o óbvio e por apoiar as escolhas de Zanon (não havia mais espaço para a geração passada e as revelações precisavam de tempo de quadra e experiência internacional). Agora é seguir desenvolvendo as atletas, treinar pesado e jogar cada vez mais com equipes de alto nível (como foi neste final de semana na Turquia e como será nesta semana na França).

Ajustes, principalmente no ataque (em alguns momentos muito estático), ainda precisam ser feitos, mas material humano, como tem sido provado desde o ano passado, o Brasil ainda tem (sabe-se lá como, pois o trabalho no feminino não é bom, mas tem). A fórmula, tão básica quanto imperativa, é lapidar os diamantes brutos que por aqui há. O basquete feminino só tem a ganhar.


A cinco dias da estreia no Mundial, um resumo da preparação do Brasil
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Fábio Balassiano

rubenA seleção brasileira masculina estreia neste sábado contra a França na Copa do Mundo da Espanha, em Granada, depois de ter feito oito bons amistosos (ainda terá o México nesta semana, diga-se). Consegui ver todos os jogos (alguns ao vivo, outros em reprise) do time de Rubén Magnano e acho que dá para traçar um panorama do que veremos no torneio a partir de 30/08. Vamos lá.

O QUE DEU CERTO

1) Defesa – É o grande mérito de Rubén Magnano desde que assumiu o comando técnico da seleção masculina em 2010. Disso ninguém tem dúvida. O Brasil consegue encurralar seus adversários com a marcação, e tem, via de regra, levado poucos pontos devido a pressão que tem conseguido fazer na bola. Como só se ganha em nível internacional defendendo bem, a seleção masculina acaba, mesmo com um ataque hesitante, se colocando em posição (notem a expressão) de competir em igualdade de condição contra qualquer time.

hetts2) O jogo com os pivôs – No ataque, a insistência (ótima, por sinal) em se jogar com os quatro pivôs (Varejão, Splitter, Nenê e Hettsheimeir) tem se mostrado muito efetiva. O Brasil castiga seus rivais com pontos perto da cesta (alto índice de conversão e alto número de faltas dos pivôs adversários) e acaba gerando ajustes do outro time. Nos 8 amistosos, o quarteto conseguiu, quase sempre, ter mais pontos do que a soma dos outros 8 atletas do elenco (e em alguns casos mais de 60% da pontuação total também).

3) Os tiros de três de Hettsheimeir – Está aí uma grata surpresa. Rafael Libório Hettsheimeir (foto à esquerda)  matando bola de fora. Acompanho a carreira dele há algum tempo, adoro a intensidade de seu jogo, e confesso que não me lembrava de ele ter esse tipo de golpe em seu arsenal ofensivo. Se ele adicionou recentemente ou se só agora está se sentindo à vontade para arriscar, só nos resta aplaudir (ou pela persistência em treinar ou pela coragem em tentar). Ala-pivô com chute longo é algo raro no mundo e acaba gerando desequilíbrio defensivo, espaço no garrafão (pois seu marcador precisa sair) e oportunidade para formações diferentes (quem sabe até em alguns momentos com três gigantes…).

4) As rotações de Magnano – O técnico brasileiro sabe que tem um elenco fortíssimo nas mãos, com 8, 9 atletas em iguais (ou parecidas) condições técnicas. Corretamente adota bom rodízio, dando preferência à intensidade (menos minutos, mais intensidade) e forçando todos a defender muito forte no tempo em que estão na quadra. Pode ser que nas partidas do Mundial a rotação fique mais “curta” em alguns momentos, mas todos sabem que terão um mínimo espaço para entrar no jogo – o que é ótimo.

O QUE AINDA PRECISA MELHORAR

1) Lance-Livre – Voltarei ao tema ainda nessa semana, mas está claro que time que quer ganhar alguma coisa em âmbito internacional não pode acertar menos de 75% de seus tiros livres da marca fatal. Não sei o que está realmente pegando, se é psicológico ou técnico, mas é bom a turma brasileira caprichar um pouco mais, viu. Nos oito amistosos, o aproveitamento foi de 59% (108/184), muito pouco.

tiago2) Oscilações – Este aqui é outro tópico que pode fazer com que a seleção volte mais cedo pra casa. Em uma partida de mata-mata, cinco minutos de distração pode ser o suficiente para o rival tirar 12, 15 pontos, passar a frente no placar e não dar mais chance para a seleção brasileira. Isso ocorreu em quase todos os amistosos contra times bons ou ótimos (Argentina, EUA, Lituânia e Eslovênia). Frear esses momentos de pane é sem dúvida o mais recomendável para não passar sufocos desnecessários e nem “ressucitar” times que estão nas cordas. A falta de um marcador mais alto no perímetro também será sentida, mas quanto a isso não há remédio, pois a convocação já está posta e o Brasil terá que conviver com isso.

3) Ataque – Se a defesa está ótima, o ataque não apresenta a mesma intensidade ou fluidez que se espera dele. A insistência no jogo com os pivôs é ótima, mas acaba ficando um sistema muito manjado, facilmente detectado até. O Brasil se movimenta muito pouco e tem passado pouco a bola. Contra defesas europeias, que sabem fechar bem o garrafão, isso tende a ser um problema. Não matar bolas de fora, outro. A opção com Hettsheimeir por mais tempo me parece cada vez mais apropriada para a seleção brasileira – ele é ótimo na defesa e traz algo que o Brasil não tem tido nos amistosos, que é a segurança para acertar bolas do perímetro.

huertas14) Huertas – O armador da seleção é um craque de bola, mas não foi bem na preparação. Ficamos sabendo no sábado da morte de seu avô, o que é uma pena (sentimentos a família!), e isso certamente deve ter mexido com a cabeça dele. Que ele se recupere logo, pois em termos técnicos e de liderança todos sabem o que Huertas pode fazer. Como disse aqui na sexta-feira, ele é o jogador mais importante da seleção brasileira.

SALDO

O saldo da preparação brasileira, ao menos para mim, é bem positivo. Se não dá para cravar que a seleção irá bem no Mundial, ao menos para mim fica claro que tudo o que tinha que ser feito (período bom de treinos e bons amistosos) foi realizado. Ainda dá tempo de fazer alguns ajustes (principalmente sendo mais rápido na tomada de decisões no ataque e em uma maneira de coibir as oscilações dos últimos jogos) para chegar ainda melhor na Espanha. Do meu canto, a expectativa segue sendo de o time de Magnano ir muito bem, muito bem mesmo. Pode ser que esteja sendo otimista demais, mas é exatamente assim que eu penso.

E você, concorda comigo? Está confiante para o Mundial? Comente!