Bala na Cesta

Arquivo : junho 2014

Atlanta troca Lucas Bebê, que é o novo jogador do Toronto
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Fábio Balassiano

lucas1Tinha tudo para ser um domingo tranqüilo para quem acompanha basquete. Mas pelo visto esta temporada de negociações da NBA será agitada. No final da noite de ontem a imprensa norte-americana (não sei quem foi primeiro, mas aqui está um dos links) divulgou que o Atlanta e o Toronto se envolveram em uma negociação. O Hawks enviou o armador Lou Williams e o pivô brasileiro Lucas Bebê (fotos do post) para os Raptors, que despacharam o contrato expirante de John Salmons para os Hawks.

Para o Atlanta, a medida é bem simples. O time decidiu abrir espaço em sua folha salarial (sem Salmons e Williams ficará quase US$ 20 milhões abaixo do teto da NBA de US$ 64 milhões) para, quem sabe, conseguir alguma estrela entre os agentes-livres (pelo que a imprensa da Geórgia diz, Luol Deng é o alvo prioritário de Danny Ferry, gerente-geral do Hawks). Além disso, (principalmente) o armador alemão Dennis Schroder (escolhido no Draft do ano passado) e os agora novatos Adreian Payne (ala-pivô), Lamar Patterson (ala) e Walter Tavares (pivô) terão espaço na rotação.

lucas6Para o Toronto, também foi uma boa. O time, que está em vias de perder seu armador titular (Kyle Lowry é uma das peças mais cobiçadas do mercado), ganhará outro para dividir os trabalhos provavelmente com Greivis Vasquez (o time apertou o botão da renovação automática de US$ 3,2 milhões e se nenhuma outra equipe fizer proposta o venezuelano estará automaticamente no time para a temporada 2014/2015) ficando, ainda assim, bem abaixo do teto salarial. Além disso, reforça seu jogo interior com a chegada de Lucas Bebê, desejado pela franquia desde o Draft passado, é bom dizer.

Para Lucas, também foi uma boa. Em que pese o fato de o Hawks tê-lo mostrado que foi um jogador que foi trocado, no Atlanta a concorrência no pivô seria duríssima para ele (Al Horford e Paul Millsap são All-Stars da liga, Pero Antic caiu nas graças de Ferry, Gustavo Ayon jogou bem quando solicitado e agora os calouros Tavares e Payne (principalmente este) chegam para aumentar as opções de jogo interno para os georgianos. No Toronto, o titular é o excelente lituano Jonas Valanciunas no pivô, o não mais que razoável Amir Johnson na ala e no banco há as opções de DeAndre Daniels (recém-chegado), Tyler Hansbrough e Chuck Hayes. Vamos combinar que é muito mais palatável brigar por minutos no garrafão de Toronto do que em Atlanta.

lucas3A dúvida, agora, é saber o que o Toronto fará com Lucas Bebê no momento (se o puxará de cara, como fez com Bruno Caboclo, ou o deixará mais um ano na Europa). O pivô ainda tem contrato com o Estudiantes (Espanha), onde registrou 6,2 pontos, 4,1 rebotes e 1,6 toco em 17 minutos pelo time de Madri na temporada 2013/2014, sendo um dos destaques defensivos da equipe (principalmente no final do certame).

Se os Raptors o quiserem de cara mesmo, terão que pagar pela rescisão do atleta (algo que já foi feito com Caboclo, de acordo com os meios de comunicação do Canadá). Caso julguem que deixar o pivô, que completará 22 anos em julho, mais um ano na Europa seja vantajoso para as duas partes (esportivamente e financeiramente, já que diminuiria o custo da quebra de contrato com o Estudiantes), Bebê fica mais um ano na Espanha e se junta aos canadenses apenas para a temporada 2015/2016.

lucas1Não gosto de apostar, mas acho que o Toronto vai pagar para ter Lucas Bebê em suas fileiras já para a próxima temporada. Se já vai ter que treinar exaustivamente a Bruno Caboclo (que ganha uma companhia brasileira para facilitar a sua adaptação), não será o fim do mundo desenvolver Lucas também. Sendo que, isso é bom registrar, Bebê já está um pouco à frente do ala do Pinheiros – pela idade e pela experiência internacional -, podendo se tornar uma opção viável para a rotação de Dwane Casey quase que de imediato.

Acabou que foi bom para todo mundo – Toronto, Atlanta e Lucas Bebê. Concordam comigo? Comentem!


‘Caboclo estará no elenco da próxima temporada’, diz GM do Toronto
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Fábio Balassiano

caboclo3E Bruno Caboclo foi apresentado neste sábado (durante o jogo do Brasil na Copa do Mundo, hein!). Vestiu a camisa 5 (ao lado), falou com a imprensa (com a ajuda de seu empresário, Eduardo Resende, e viu seu gerente, Masai Ujiri, garantir que ele estará no elenco do Toronto Raptors para a próxima temporada (mais aqui, aqui e aqui).

Ou seja: Bruno Caboclo não será emprestado, nada. Estará no elenco do Toronto Raptors para a temporada 2014/2015 e poderá ser destinado à D-League para ganhar mais experiência e ritmo de jogo. Apenas isso.

E Caboclo, 18 anos, vai começar a treinar JÁ. Depois de ter sido escolhido na quinta-feira, viajou para o Canadá na sexta-feira, jantou com os dirigentes do Toronto e às 23h (relógio na foto à direita) estava no ginásio arremessando (foi um pedido dele, aliás). Na segunda-feira já vai para Los Angeles, onde treinará com alguns jogadores do elenco canadense (DeMar DeRozan, Amir Johnson e Terrence Ross, por exemplo). Depois, Liga de Verão. Após, mais treino.

caboclo4Brasil, apenas em agosto, e por alguns dias. De acordo com Masai, o objetivo é dar um “intensivo” para o rapaz de 2,05m. Estão previstos treinos físicos, técnicos e MUITAS aulas de inglês para que ele comece a temporada 2014/2015 na melhor condição possível.

Aqui, aliás, cabe um elogio à CBB (sim, ela merece neste sentido). Caboclo, que tinha sido chamado como convidado para treinar naquele grupo de desenvolvimento da seleção de José neto (veja mais aqui), não irá se apresentar à seleção nesta temporada em comum em uma atitude bem bacana do Diretor Vanderlei, que entende bem o momento do atleta (mais aqui). E NINGUÉM poderá criticar nem Caboclo e nem Vanderlei por isso, né. Acho mais do que natural, não?

O menino está começando a realizar seu sonho, e, pensando no longo prazo, é muito melhor para a seleção, também, que ele treine durante 3, 4 meses com a turma da NBA. Certamente ele vai ser muito mais exigido, muito mais bem acompanhado do que estando com a seleção (principalmente por estar no grupo de desenvolvimento, e não no elenco que de fato estará no Sul-Americano).

Boa sorte para Caboclo. Como disse Masai Ujiri, “agora a brincadeira vai começar”.


Campeão espanhol, Huertas ratifica seu nome entre os melhores
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Fábio Balassiano

Acabou que por conta do Draft da NBA e do turbilhão de notícias em torno do nome de Bruno Caboclo não comentei aqui (embora tenha feito no Facebook e Twitter) sobre mais um feito incrível de Marcelinho Huertas. Na quinta-feira o armador brasileiro sagrou-se campeão da Liga ACB ao ajudar o Barcelona com 9 pontos e 7 assistências na vitória do Barcelona contra o Real Madrid por 83-81. Duelo fechado em 3-1, taça na mão e consagração dos catalães e do camisa 9, que depois da partida foi literalmente para a galera (e sua emoção me lembrou aquela de seis anos atrás, quando a torcida do Bilbao pedia que ele ficasse na equipe após brilhante temporada – mais aqui). Veja só no vídeo abaixo.

Por ficarmos muito focados em NBA (o que é até natural), por vezes não temos muita noção do “tamanho” dos feitos de alguns atletas que jogam em ligas fortes, fortíssimas. É o caso de Huertas na Espanha. É a segunda liga de basquete mais forte do planeta, e o cara conseguiu conquistar simplesmente o seu terceiro título nas últimas cinco temporadas (em 2010 pelo Baskonia, e em 2012 e agora em 2014 pelos catalães). Em todas Marcelinho teve papel fundamental, especial, essencial.

MH9Nesta temporada, uma das mais difíceis para ele no Barcelona (cada vez mais com a concorrência de Victor Sada em suas costas), Huertas não foi brilhante. Teve momentos, até, que não foi genial como a gente conhece. Mas nos playoffs ele este incrível. E isso conta muito, sem dúvida alguma.

Comandou o time com correção, foi decisivo (como na cesta da vitória contra o Valencia no jogo 5 da semifinal – veja mais aqui) e foi um azougue na vida de Sergio Rodriguez, armador do Real Madrid eleito o MVP da temporada regular na Liga ACB. Acabou anotando 11 ou mais pontos em 3 das 4 partidas das finais e terminou sendo abraçado até pelo exigente técnico Xavi Pascoal, que compreendeu a importância do brasileiro na conquista.

Vocês sabem bem quão avesso às pachecadas/patriotadas, mas é bacana demais valorizar o que Marcelinho tem feito na Europa. Sei que vocês vão perguntar sobre as chances dele na NBA, mas na verdade isso importa pouco. Jogar na Europa não é demérito algum (pelo contrário). Morar em Barcelona deve ser um prazer. Ser tricampeão espanhol é um feito. E ser ídolo de uma torcida como a catalã é algo que não se conquista do dia para a noite.

huertas2Marcelinho Huertas tem isso tudo em seu currículo e já pode ser considerado um dos melhores armadores brasileiros de todos os tempos (sim, é isso mesmo que você leu). Huertas conseguiu o carinho de uma fanática e exigente torcida (duas, né, se vocês quiserem incluir também a do Baskonia junto da do Barcelona), títulos e possui talento de sobra. Se a NBA vier, ótimo. Se não vier, que ele continue trilhando seu caminho excepcional na segunda melhor liga de basquete do planeta.


O que esperar de Bruno Caboclo no Toronto Raptors?
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Fábio Balassiano

cab1Nesta altura dos acontecimentos você, atento leitor, já deve estar sabendo que Bruno Caboclo foi escolhido pelo Toronto Raptors na 20ª posição do (concorrido) Draft da NBA de quinta-feira à noite. Foi uma surpresa, um choque em todo mundo, mas está escrito, está lá e o agora ex-ala do Pinheiros torna-se um dos atletas brasileiros selecionados no Draft da melhor liga de basquete do mundo. A pergunta que fica, agora, é: é possível prever o que acontecerá com ele nas quadras norte-americanas? Para responder a esta questão, alguns pontos importantes. Vamos lá:

1) Em primeiro lugar, vale destacar o ótimo trabalho que fizeram Liga Nacional de Basquete e Esporte Club Pinheiros (além de Barueri, claro). A LNB criou a sua Liga de Desenvolvimento de Basquete (Sub-22), xodó do blog diga-se de passagem, e foi nela que Caboclo não só de destacou, evoluiu, mas como foi ali que foi notado pelo Toronto Raptors pela primeira vez. Isso foi falado por Masai Ujiri (foto à esquerda), Gerente-Geral do Toronto, ontem à noite. Viram Caboclo na LDB em dezembro passado e ficaram “intrigados, assustados com o potencial apresentado”. Ao clube de São Paulo, vale o parabéns por acreditar no menino que treinava no Barueri e por treiná-lo incessantemente para melhorá-lo. Os técnicos da base (Brenno, José Luis Marcondes, Thelma etc.) merecem ser valorizados.

A PRIMEIRA ENTREVISTA DE CABOCLO COMO ATLETA DA NBA

PJT-Raptors-4.jpg2) Muita gente afirma que Bruno sai de forma precoce do país e que teve pouco espaço na rotação do Pinheiros na temporada 2013/2014. É óbvio que quanto mais pronto um atleta estiver para alçar um vôo desta natureza é melhor. Mas a NBA viu o Caboclo, olhou, gostou e passou a monitorá-lo, seduzi-lo com a chance de ele desembarcar no melhor basquete do mundo antes mesmo de ele completa 10 anos. É fácil compreender como isso mexe com a cabeça das pessoas, não? Outra coisa: Tiago Splitter foi para a Espanha com 15 anos. Lucas Bebê, com 18. Idade nem sempre é tudo. Sobre os (poucos) minutos que ele teve no clube, vale dizer que ele, além dos treinamentos com o time adulto, vinha fazendo exercícios específicos com o ótimo técnico José Luis Marcondes TODOS os dias da semana. Jogar é sempre válido, claro. Mas ele não estava parado, esquentando o banco a toda hora. Tanto foi assim que mesmo não jogando 25, 30 minutos por jogo ele foi selecionado. O Toronto Raptors, através da sua equipe de Scouts, veio ao Brasil para vê-lo três ou quatro vezes, como disse o próprio Ujiri na coletiva. O “prospecto” Caboclo estava ali – jogando ou não.

caboclo13) Masai Ujiri foi MUITO sincero em sua entrevista coletiva pós-Draft. Ele disse que o Toronto estava muito interessado no armador Tyler Ennis, de Syracuse. Era o foco inicial dos canadenses, mas Ennis foi selecionado pelo Phoenix Suns na posição 18. Quando chegou a vez do Toronto, com a vigésima, o GM teve que fazer a sua escolha. Ele conta que ficou com medo de o próprio Suns selecionar Caboclo na posição 27 e por isso colocou o nome do brasileiro para Adam Silver “cantá-lo” em Nova Iorque. De acordo com Ujiri e também com o técnico Dwane Casey, o Phoenix teria consultado Leandrinho, que jogara pela franquia do Arizona na temporada 2013/2014, a respeito do ala do Pinheiros. O óbvio interesse aliado ao medo de perder Caboclo influenciaram bastante no imenso desejo de os canadenses em contar com ele ao invés de vê-lo partindo para outra equipe. Ao invés de selecioná-lo em uma eventual segunda rodada, o Toronto ficou temeroso de Caboclo não estar disponível até lá. Por isso a aposta com o pick 20.

MINHA ENTREVSITA COM ELE MESES ATRÁS

4) O termo ‘aposta’ utilizado acima é proposital. No melhor Draft dos últimos 10 anos segundo a imprensa americana o Toronto utilizou seu pick de primeira rodada para escolher o jogador mais jovem disponível. É arriscado, tendo tão boa oferta de mão de obra mais pronta a disposição? Sim, sem dúvida que é. Mas Casey, técnico do Toronto que também deu entrevista depois do Draft, deu uma pista no que eles enxergaram em Bruno Caboclo: “Ele é longo, aprende rápido. Tem apenas 18 anos e é um projeto para o futuro”. A comparação com Kevin Durant eu não sei de onde saiu, e não acho bacana embarcar nessa, não. De um lado temos o MVP da temporada regular de 2013/2014. Do outro, Caboclo, com 18 anos, poucos jogos no profissional e com fundamentos ainda a serem desenvolvidos. Melhor ir devagar neste caso.

caboclo25) Não vale, portanto, a comparação com Rafael Araujo, escolhido em oitavo pelo Raptors anos atrás. São situações completamente diferentes. Baby saiu da BYU credenciado por quatro anos no basquete universitário e foi escolhido para ser o “par” que Vince Carter tanto precisava para o Toronto ir longe. Já era uma figura conhecida, consolidada e com mais “golpes” para apresentar em quadra. A pressão, no caso do pivô, foi imensa e Baby não foi longe. Faz parte do esporte. Caboclo, por sua vez, chega, apesar de sua vigésima (e alta) escolha no Draft de ontem, como um projeto de futuro, um projeto de desenvolvimento. O próprio Ujiri avisou: “Ele irá jogar a Liga de Verão conosco e depois vamos avaliar. Quem sabe a D-League (Liga de Desenvolvimento da NBA)”. Ou seja: nenhum maluco espera que ele chegue na temporada 2014/2015 jogando na ala ao lado de DeMar DeRozan para levar a franquia canadense às finais do melhor campeonato de basquete do planeta.

caboclo2Dito isso, acho que está claro o cenário, não? Bruno Caboclo não é um projeto para agora, mas sim para o futuro do Toronto Raptors. Ele tem três anos (garantidos) de contrato, mas ainda é incerto se os canadenses irão utilizá-lo de cara. De longe eu não acredito que ele será enviado para jogar na Europa ou ficar no Brasil, não. Pela empolgação apresentada pelos dirigentes, pela urgência em desenvolvê-lo, acho bem provável que Masai Ujiri queira acompanhar todos os passos do menino que completará 19 anos em setembro muito de perto. Pela urgência em desenvolvê-lo (fundamentos, físico, inglês etc.), é muito mais fácil burilá-lo no Canadá com a franquia inteira à disposição do brasileiro do que monitorá-lo de longe, não?

caboclo1Agora, neste dia 27 de junho de 2014, é muito óbvio para todo mundo: Bruno Caboclo AINDA não está pronto para jogar na NBA. Mas eu creio que ele estará em breve. Em quanto tempo, porém, é impossível prever de forma exata. Dependerá dele, do Toronto e de inúmeros fatores (alguns até externos às quadras, como a adaptação à cidade). Cabeça boa, físico (o físico de albatroz que eu mencionei tempos atrás), vontade e boa técnica ele já tem. É hora de potencializar tudo à enésima potência como só a NBA sabe fazer todos os aspectos de seu jogo. A tacada do Raptors, e do próprio Caboclo (e seus agentes) só poderá ser medida mesmo nos próximos meses.

No momento, o mais recomendável é acompanhar o seu desenvolvimento, que pode ser lento, e verificar em que patamar ele vai acabar se encaixando na melhor liga de basquete do planeta.


A primeira entrevista de Bruno Caboclo como jogador da NBA
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Fábio Balassiano

bruno3Bruno Caboclo acaba de ser escolhido na vigésima posição do Draft de 2014 da NBA pelo Toronto Raptors. Tive a sorte de falar com ele ao telefone há instantes. Nos Estados Unidos, saindo do aeroporto e a caminho de um hotel, Bruno, ala de 18 anos, sequer ouviu seu nome ser “cantado” por Adam Silver, comissário-geral da liga, na cerimônia do Draft realizada nesta quinta-feira em Nova Iorque. Vamos ao bate-bola rápido como o emocionadíssimo Bruno, o mais jovem da lista final do Draft e obviamente o mais novo a ser escolhido.

BALA NA CESTA: Dá pra descrever em palavras o que você está sentindo neste momento? Você estava aonde quando soube que o Toronto te escolheu com o pick 20?
BRUNO CABOCLO: Difícil, cara, difícil. Estou feliz pra caramba, meu. Estava saindo do aeroporto aqui nos Estados Unidos. Agora estou indo para o hotel já. Não ouvi meu nome, estava no carro, vi no seu Twitter e não acreditei. Como vou acreditar? Quando começaram a ligar aqui deu um gelo na barriga. Sei lá, deu um frio na barriga. Estou muito feliz, muito emocionado.

BNC: Você achava que seria escolhido na primeira rodada assim tão cedo? Ou não imaginava isso?
CABOCLO: Não sei, cara. Eu só estava rezando pra dar tudo certo. E deu. Estava aqui calado, rezando e torcendo. Foi tudo muito rápido pra mim. Aconteceu, aconteceu. Estava confiante, mas bate um medo sempre, né. São muitos fatores. Eu só treinava, treinava e sonhava.

cabocloBNC: Alguma ideia se você vai jogar direto pelo Toronto, ou é impossível prever ainda?
CABOCLO: É muito cedo para saber o que vai se passar agora. Se vou jogar pelo Toronto, se não vou. Tá muita coisa rolando, muita coisa passando pela cabeça. Estou muito feliz, muito feliz.

BNC: E agora, como vai ser lá na coletiva com o Toronto Raptors?
CABOCLO: Não tenho ideia, viu. Não tenho terno, não tenho gravata, não tenho nada. Agora vou começar a pensar nas coisas direitinho. Agora, agora está difícil de pensar nas coisas. Nem com minha família eu consegui falar para te ser sincero.


Bruno Caboclo é selecionado pelo Toronto na primeira rodada
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Fábio Balassiano

cab1O ala brasileiro Bruno Caboclo, do Pinheiros, acaba de ser escolhido pelo Toronto Raptors na vigésima posição do Draft da NBA. Aos 18 anos e com 2,05m, o menino de Osasco foi selecionado pela franquia canadense há instantes.

E com surpresa. NINGUÉM que acompanha o Draft esperava que Caboclo fosse selecionado tão cedo (alguns supunham que houvesse uma escolha no final da segunda rodada), mas prova que o Toronto estava monitorando o rapaz, MVP do Basketball Without Borders da NBA há um ano e destaque da última Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB) da temporada passada (médias de 14,8 pontos, 6,8 rebotes, 2,4 tocos e 16,6 de eficiência), com afinco.

“Meu sonho é ir pra NBA, é chegar o mais longe possível. NBA é meu sonho desde pequeno, desde que comecei a jogar. Eu sonho, sonho mesmo. Preciso treinar muito pra chegar lá”, disse-me meses atrás em uma entrevista.

MINHA ENTREVISTA COM CABOCLO MESES ATRÁS

Nascido em Osasco e criado em Pirapora do Bom Jesus e Barueri, o tímido Caboclo começou no basquete nas escolinhas do Barueri. Jogou lá dos 13 anos 17 e no começo de 2013 foi contratado pelo Pinheiros para fazer parte do elenco que disputaria a Liga de Desenvolvimento de Basquete, a LDB, principal competição de jovens do país.

caboclo1Bruno Caboclo boa técnica, defende bem, possui um físico absurdamente privilegiado (a envergadura dele ultrapassa os 2,30m), mas obviamente ainda precisa evoluir MUITO em todos os fundamentos do jogo, o que é natural e totalmente compreensível para alguém de 18 anos e com tão pouco tempo de basquete assim.

Como foi selecionado na primeira rodada, Caboclo tem três anos de contrato garantido, nos valores de US$1,215,300, US$1,270,000 e US$1,324,700. Neste momento só cabe dar parabéns a ele, ao Pinheiros, ao Barueri e a todos que cercam o rapaz. O trabalho certamente foi bem feito. Ainda não se sabe se ele jogará no Toronto de cara ou os canadenses esperarão um pouco para lançá-lo. Vamos aguardar.


Com brasileiros, Draft da NBA acontece hoje
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Fábio Balassiano

dupla1Acontece hoje às 20h30 à noite em Nova Iorque o Draft de 2014 da NBA (aquele considerado por muitos como o melhor dos últimos anos). NÃO haverá transmissão pela TV, mas o NBA League Pass transmitirá tudo ao vivo e de graça (mais info aqui).

O Cleveland, detentor da primeira escolha, ainda não definiu se irá de Andrew Wiggins (Kansas) ou Jabari Parker (Duke) e certamente qualquer movimento que  Cavs fizer vai impactar no restante do Draft. Aqui você confere todas as posições.

Além da seleção dos novatos em si é bom ficar de olho nas negociações (algumas já em curso). Muitos times usam seus picks para começar a reformular seus elencos e/ou abrir espaço em suas folhas salariais.

Duas movimentações relevantes já aconteceram ontem inclusive. O Houston despachou o imenso contrato de Omer Asik para New Orleans, que poderá colocar Asik e Anthony Davis no garrafão (fica interessante, viu…) para entrar com força na tentativa de oferecer, além da dupla James Harden e Dwight Howard, muita grana para Carmelo Anthony e/ou LeBron James. Outra que aconteceu nesta quarta-feira foi entre Knicks e Mavs. Phil Jackson deu sua primeira tacada ao enviar Tyson Chandler + Raymond Felton para o Dallas, que passou Jose Calderon, Samuel Dalembert, Shane Larkin, Wayne Ellington e os picks 34 e 51 de amanhã (e comentei sobre ela por aqui).

lucas1Há quatro brasileiros envolvidos na concorrida seleção de logo mais. São eles Lucas Mariano (ala-pivô de Franca), Bruno Caboclo (ala do Pinheiros), Rafael Luz (armador que atua na Espanha) e Cristiano Felício (ala-pivô do Flamengo). Estes dois últimos entram pelo critério da idade mesmo. Como são de 1992, entram automaticamente na seleção (mais aqui). Os dois primeiros mantiveram suas inscrições.

Pelo que conversei com amigos dos Estados Unidos, Lucas (foto à direita) e Caboclo são os quem têm mais chance mesmo. Ambos estão cotados para o final da segunda rodada. Segunda rodada que, de acordo com os especialistas, deve estar LOTADA de escolhas de jogadores estrangeiros. As franquias escolheriam os gringos para desenvolverem (ou lá ou em seus respectivos países), mas (insisto sempre nisso) NADA é garantido. Há promessas, há pensatas, há elucubrações. Mas nada que alguém crave 100%.

Para acompanhar o Draft sabendo das novidades, recomendo os jornalistas (confiáveis, sérios, com credibilidade e com conhecimento de causa – sem, portanto, a famosa gato-mestragem tão conhecida em solo nacional) que são do ramo realmente. São eles Chad FordAdrian Wojnarowski e Jonathan Givony, os três melhores para mim.

O que será que vai acontecer logo mais? Será que os brasileiros serão escolhidos? Comente!


Tim Duncan renova, e jogará 18ª temporada pelo Spurs
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Fábio Balassiano

timE Tim Duncan decidiu. Aos 38 anos, o ala-pivô anunciou que voltará para disputar o campeonato de 2014/2015 com o San Antonio Spurs. Será a décima-oitava temporada do camisa 21 com a franquia texana, a atual campeã da NBA.

Duncan tinha três opções: a) se aposentar; b) rescindir o contrato de seu último ano e se tornar um agente-livre em julho (podendo inclusive assinar uma extensão com os Spurs); ou c) apertar o botão de sua renovação automática por mais um ano. E foi esta última que ele escolheu.

Com Duncan, o San Antonio mantém o seu trio de ouro por pelo menos mais um ano (Duncan, Manu Ginóbili e Tony Parker têm contrato até o final da temporada 2014/2015), vê boa parte do elenco de apoio já assegurado para o próximo campeonato (Tiago Splitter, Danny Green, Marco Belinelli, Kawhi Leonard, Jeff Ayres e Corey Joseph) e ainda assim estão abaixo do teto salarial de US$ 63 milhões (hoje em US$ 53mi).

Tim Duncan, Tiago SplitterCom quase US$ 10 milhões de “folga” na folha salarial os Spurs, que têm o melhor elenco da NBA (ao menos na opinião do blogueiro aqui), podem focar em duas coisinhas: 1) na renovação de Boris Diaw e Patty Mills, duas das figuras fundamentais na conquista recente contra o Miami que estarão sem contrato e certamente serão cortejados no mercado a partir do primeiro dia de julho; e 2) escolher bem no Draft de amanhã à noite como sempre fizeram. O time tem os picks 30 (primeira rodada), 58 e 60 (segunda rodada) e muita gente diz que os texanos estão mesmo de olho no mercado internacional (não duvidemos que mais gringos podem ser escolhidos amanhã…).

A melhor notícia para o Spurs já veio. Um dos melhores pivôs da história, Tim Duncan fará a temporada de número 18 com o San Antonio e lutará por um até então bicampeonato (seguido). Os texanos têm cinco títulos nos últimos 15 anos, mas nenhum de forma consecutiva (1999, 2003, 2005, 2007 e 2014).

É Certeza que o time manterá o alto nível, chegará forte para os próximos playoffs e desde já se configura como um dos maiores favoritos para a temporada 2014/2015. Mais que isso: continuará sendo um prazer ver Duncan jogar. Aproveitemos enquanto é tempo, pois a carreira deste gênio do basquete está chegando ao final.


LeBron James será agente-livre em julho – será que ele sai de Miami?
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Fábio Balassiano

lebron1A notícia caiu como uma bomba ontem. LeBron James, que tinha a possibilidade de permanecer no Miami Heat para a temporada 2014/2015 apertando o “botão” de sua renovação automática, decidiu que irá testar o mercado de agentes-livres a partir de 1º de julho. Pronto. Foi um fuzuê como não se via desde… 2010, quando o astro, então no Cleveland, também decidiu ouvir propostas (como a do Miami Heat, com quem ele assinou por quatro anos).

Em primeiro lugar (e o mais importante): tornar-se um agente-livre não faz NECESSARIAMENTE com que LeBron James seja carta fora do baralho em Miami (tal qual Carmelo Anthony, como disse aqui ontem). Ele pode muito bem assinar novamente com o Heat. Muita gente boa dos Estados Unidos, inclusive, crava que LBJ optou por não ganhar sua bolada de US$ 20,5 milhões em 2014/2015 para renovar por mais tempo e por um valor menor, que daria flexibilidade a franquia para investir de forma pesada no mercado visando os próximos campeonatos. Não acho uma possibilidade irreal, não, visto que James sempre disse que não pautaria seus próximos passos da carreira pensando em dinheiro (algo que de fato ele não está muito necessitado), mas sim nas chances reais de título que terá com um elenco forte a seu redor.

lebron1Isto posto, há, também, possibilidade que LeBron James saia de Miami. Cleveland, Lakers, Knicks, Rockets, Mavs, todo mundo está ouriçado para trazer uma estrela de primeira grandeza. E não creio que exista uma estrela melhor/maior que James neste momento na NBA. Ele será cortejado como nunca, e ouvirá milhões de propostas. Este também é um fato concreto.

Por ora, é impossível (mesmo) saber o que LeBron James tem na cabeça. Ele terminou a temporada triste com o vice-campeonato do Miami, mas sabe que o que ele conseguiu com os Heat nos últimos quatro anos (indo às finais em todos eles) é raríssimo e tem o seu valor. Voltar à casa (Cleveland) seria uma história linda, mas há um Dan Gilbert (dono da franquia) no meio disso tudo. E não sei se LBJ esqueceu as atrocidades que Gilbert disse quando LeBron anunciou que iria para Miami.

Esperar é o melhor a se fazer no momento (e o torcedor brasileiro esperará com bastante ansiedade, visto que em 11 de outubro haverá um Cleveland x Miami aqui no Rio de Janeiro). Eu, deste canto, só torço para que LeBron tenha amadurecido um pouco na hora de comunicar a sua escolha. Fazer um programa de televisão, como foi feito há quatro anos naquele horrível “The Decision”, não me parece a melhor decisão.

E você, o que acha que irá acontecer com LeBron James? Ele ficará em Miami? Ou vai para outra franquia? Comente!


Carmelo abre mão do último ano com o Knicks – e agora?
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Fábio Balassiano

melo1A notícia que agitou o noticiário da NBA nos Estados Unidos no fim de semana foi a de que Carmelo Anthony será agente-livre no próximo verão (americano). O camisa 7 enviou uma carta ao New York Knicks, que recebeu o manuscrito do atleta com tristeza. Phil Jackson, novo presidente de operações do time, esperava que Melo ficasse por lá no mínimo até 2015.

A decisão o ala não necessariamente significa que ele sairá dos Knicks. Na mesma situação que ele, Dwyane Wade abrirá mão de seu último ano com o Miami Heat para assinar um novo contrato (especula-se algo em torno de quatro anos, US$ 55 milhões). Se ficar nos Knicks, Anthony poderá receber o salário máximo de US$ 128 milhões pro cinco anos. Para qualquer outro time, teto de US$ 96mi por quatro anos. Mas a franquia agora liderada por Big Phil já arregalou os olhos pois sabe que não é só dinheiro que ele está procurando – e o mercado também sabe.

melo1Obviamente a imprensa norte-americana já começa a especular qual será o futuro de Carmelo Anthony na NBA. Aos 30 anos e já tendo abocanhado mais de US$ 130 milhões em salário na carreira (ou seja, grana não é tudo que ele precisa neste momento), Melo estaria bastante animado em franquias como Bulls, Rockets e Mavs, onde poderia ganhar uma boa grana e disputar títulos (mais no Chicago do que em qualquer outra equipe).

A ESPN chegou a reportar que o técnico do Bulls, Tom Thibodeau, chegou a ligar para ex-companheiros e ex-técnicos de Carmelo Anthony para obter informações a respeito do atleta, que, por sua vez, também teria falado com amigos sobre como seria morar em Chicago.

Ainda está muito no começo do agitado mercado de agentes-livres da NBA (e o nome de Melo é o mais decantado junto com o de Kevin Love, que disse não querer mais ficar em Minnesota pelo mesmo motivo – ambos querem disputar títulos…), mas se eu fosse apostar eu diria mesmo que o Chicago Bulls surge como principal candidato a fisgar Carmelo Anthony (no All-Star Game de Nova Orleans o pivô Joakim Noah já teria conversado com o então jogador do Knicks a respeito).

melo7O time tem espaço na folha salarial para investir (hoje os Bulls têm, comprometidos, US$ 63 milhões, o teto da liga, mas podem anistiar Carlos Boozer, que receberia assustadores US$ 16mi), elenco forte (lembremos que Derrick Rose estará de volta), ótima comissão técnica (liderada por Thibodeau) e um esquema de jogo que casa muito bem as necessidades de jogador e franquia. O time precisa de um definidor ofensivo, e Melo, de alguém que o ajude na defesa (ou de alguém que o ensine a marcar, como queiram).

Muita coisa ainda vai acontecer, mas se o Chicago Bulls precisava de uma boa notícia depois de uma temporada tão difícil como foi a passada, aí está.