Bala na Cesta

Arquivo : maio 2014

Em jogaço, Flamengo bate Paulistano e conquista tri do NBB
Comentários 10

Fábio Balassiano

flamengo1

Foi um grandíssimo jogo de basquete (daqueles que ficarão marcados na cabeça da gente por muito tempo). O Flamengo venceu o Paulistano por 78-73 diante de uma HSBC Arena lotadíssima, viu Meyinsse (foto abaixo à direita) ser coroado o MVP, conquistou o tricampeonato do NBB (igualando-se a Brasília como os maiores, e únicos, vencedores do campeonato) e fechou a temporada de forma perfeita (Carioca, Liga das Américas, NBB e, se quiserem contar, a Liga de Desenvolvimento também).

Meyinnse1Antes de falar do jogo, aviso quatro coisinhas: a) Não falarei da arbitragem, pois creio que neste sábado ela extraplou qualquler limite do aceitável em termos (marcou absurdas faltas, carregou os dois times e deixou o jogo feio, baseado praticamente em lances-livres – foram 68 ao todo); b) Sobre a final em jogo único. Todos sabem o que acho (não concordo e não gosto), e não vale ficar remoendo as lamúrias em um dia como o de hoje; c) De acordo com o jornalista Guilherme Giavoni, o jogo liderou a audiência na TV Aberta nos momentos finais (aqui); d) Foi tanta gente assistindo que no mercado, na volta pra casa, o assunto foi o basquete, e não apenas futebol. Obrigado pelo papo maravilhoso, Sr Jorge (aqui).

Sobre o jogo, dá pra dizer que foi um jogaço mesmo. O Flamengo começou a mil por hora, abriu 15-4 e cheguei a imaginar que seria uma surra daquelas. Mas o Paulistano se recuperou, contou com 11 pontos rápidos de Holloway (que depois anotaria apenas mais 4), marcou melhor (principalmente dentro do garrafão), forçou faltas, foi muito ao lance-livre e foi tirando a vantagem pouco a pouco. Os rubro-negros ainda viram Vitor Benite voltar às quadras (falarei sobre ele em texto amanhã), mas a história do segundo quarto mostrou o Paulistano bem demais, muito bem mesmo.

Tanto foi assim que o time de São Paulo foi para o intervalo vencendo (40-38), deixando a HSBC Arena completamente calada, muda mesmo. Era um clima de apreensão e medo. O Paulistano conseguira fazer exatamente o seu plano de jogo naquela altura dos acontecimentos – segurar Laprovittola, impedir o jogo de contra-ataque do rival e deixar a pontuação abaixo da casa dos 50 pontos (algo que o ótimo Gustavo de Conti – na foto à esquerda – tinha em mente, como me contou depois do jogo).

gustavo1O Flamengo voltou bem do intervalo, liderou no terceiro período, contou com duas cestas belíssimas de Benite (que filme que passou em sua cabeça, hein!), mas acabou ficando tudo mesmo para o quarto e último quarto. O NBB, vejam só que bacana, foi decidido nos dez minutos finais de seu último jogo. E foi lá que a peleja se decidiu. Com heróis inusitados, e com quase heróis.

O Flamengo sempre liderou os minutos finais, jogando com boa, porém não confortável vantagem (quase sempre maior a uma posse de bola). O Paulistano apertou, e no minuto final perdia de 73-71. Kenny Dawkins infiltrou, viu o garrafão bloqueado e soltou para Renato na linha de três.

O pivô tentou (e era pra tentar mesmo). A bola deu bico (e obviamente os paulistanos não deixaram de vencer por causa dele, que fez uma partida excelente na defesa, diga-se de passagem).

olivinha1No ataque seguinte, o Flamengo costurou bem a trama, deixou o relógio dos 24 segundos ir até o final e arremessou (creio que tenha sido Marcelinho, mas não me lembro mesmo). A bola não caiu, e quem apanhou o rebote ofensivo? Shilton. Um guerreiro incansável. O pivô reserva, que estava no lugar do pendurado (e MVP da final) Meyinsse, apanhou a bolas nas nuvens, desceu com ela e quicou para que um de seus companheiros sofresse a falta e fosse para a linha de lance-livre. Foi um momento-chave, e decidido por um jogador que não é uma das estrelas da companhia (e este lance fala muito sobre a essência coletiva do basquete e de como este time do Flamengo, apesar de suas fortíssimas individualidades, é um elenco absurdamente bom também).

Deixo um parabéns ao Paulistano, que fez uma temporada brilhante, belíssima, acima de todas as expectativas. E deixo, claro, muitos e merecidíssimos parabéns ao Flamengo, campeão de tudo nesta temporada com um time brilhante, maravilhoso, que é chamado de “Orgulho” por sua imensa e fanática torcida com toda razão.


Técnico do Flamengo, Neto analisa mudança tática de Popovich na NBA
Comentários 1

Fábio Balassiano

neto3No momento em que você ler este texto estarei na HSBC Arena para a final do NBB neste sábado, e provavelmente ficarei lá por muito tempo pegando material. Mas nesta 6a feira conversei com José Neto, técnico do Flamengo, a respeito da final do Oeste da NBA entre San Antonio Spurs e Oklahoma City Thunder. O papo foi bem legal, viu!

Perguntei a ele sobre o ajuste que Popovich fez no jogo 5 (Bonner no lugar de Splitter como titular), e quanto isso fez a diferença no resultado final do jogo (surra do Spurs e 3-2 na série) e na cabeça do técnico rival. Palavras (bacanas) dele:

“Olha, a questão da mudança que o Gregg Popovich fez pode não parecer, mas faz uma diferença danada. Se não afeta tanto a parte técnica, porque o Matt Bonner (foto à esquerda) não é um craque, embora mate muita bola, é uma configuração diferente da que os dois times estavam acostumados há algum tempo. Por mais que o efeito prático não tenha sido brilhante com o Bonner (0 ponto, 0/4 nos chutes) era algo pouco usual e com o qual o Thunder não estava acostumado. O Spurs sempre jogou com Diaw, Duncan e Splitter. Tirando o Diaw, que é um ala que sai um pouquinho do garrafão, Duncan e Tiago jogam muito perto da cesta e não têm bola de fora.

bonner1E isso o OKC já sabia como neutralizar, como jogar contra no ataque e defesa e tinha no Ibaka uma força muito grande perto da cesta. Aí você, como técnico do Spurs, vê que o seu adversário já te venceu inúmeras vezes jogando assim e treina uma outra fórmula. Isso não vem do nada, com certeza. É pensado, analisado, e aí certamente treinado antes de ser colocado em prática. O Popovich é muito estratégico, todo mundo sabe disso.

Quando o técnico do Thunder olhou, viu o Bonner do outro lado e não tinha tempo (treinamento) para fazer ajuste, não dava pra fazer muita coisa não, viu. O Bonner joga mais longe do que perto da cesta, e certamente tanto o Ibaka quanto o Perkins não ficam confortáveis com isso.

brooksFaz parte de uma série longa e de dois times que se conhecem muito. A jogada do Popovich ontem foi muito bacana, pois surpreendeu o Brooks com um jogador que mal vinha sendo utilizado (nem na rotação ele participava normalmente) e com um estilo completamente diferente daquele que ele vinha utilizando – com jogadores altos, rápidos e, com exceção do Diaw, que já vinha do banco, sem arremesso de fora.

Interessante agora é ver como o Brooks vai reagir para sábado no jogo 6″.


Flamengo e Paulistano decidem NBB neste sábado
Comentários 3

Fábio Balassiano

fla1Chegou a hora. Neste sábado, às 10h (de Brasília e com transmissão da TV Globo), Flamengo e Paulistano decidem o NBB6. Será um confronto inédito em finais da liga e com um ingrediente especial: foram os dois melhores times da primeira fase da competição (o site da Liga Nacional fez um apanhado de dados muito legal sobre o jogo de amanhã, veja só aqui).

PODCAST FALA SOBRE A DECISÃO ENTRE FLAMENGO E PAULISTANO – CLIQUE E OUÇA

No Flamengo, a novidade ficou por uma notícia que sacudiu quem ama basquete: nesta quinta-feira a NBA anunciou que o rubro-negro jogará duas partidas da pré-temporada nos Estados Unidos (time, local e data ainda a definir), tornando o clube da Gávea o primeiro a participar de uma peleja em solo norte-americano contra um time da NBA. O Vasco chegou a jogar contra o San Antonio Spurs em 1999 pelo antigo McDonalds Open (Mundial da época), mas foi em Milão. É mais um passo bacana dado por esta diretoria do Fla, que tem conseguido acertar as contas, ajustas o planejamento e ainda dar passos importantes para que a agremiação tenha realmente o tamanho que merece (como foi quando sediou a final da Liga das Américas com Maracanazinho lotado).

holloway1Do outro lado temos o Paulistano, que tem feito nesta semana algo que fez durante todo o campeonato: treinar em silêncio, em paz, na deles. Ou seja: quase ninguém fala nos caras, quase ninguém lembra dos caras, e lá estarão eles na final do NBB. São os azarões, sem dúvida alguma, mas conhecendo o técnico Gustavo de Conti dá para imaginar o que ele está armando para enfrentar o seu conhecido (e amigo) rival José Neto (Gustavo foi assistente de Neto no próprio Paulistano). Além dos ajustes táticos, certamente o lado psicológico de sua turma deve estar sendo muito bem trabalhado (não duvido que o tema NBA tenha entrado na cabeça do elenco…).

Taticamente, estou curioso para saber como o ataque do Paulistano, sempre de fora (do garrafão) convergindo para dentro (perto da cesta) vai lidar contra a defesa do Flamengo. E estou ainda mais curioso para ver como Gustavo tentará parar as inúmeras armas que os rubro-negros têm no ataque. São os ajustes que quero ver o que Neto e Gustavo farão daqui a pouquinho na HSBC Arena.

Quem será que vai ganhar a final do NBB6 neste sábado? Algum palpite? Comente!


Perto de marca histórica, Miami pode chegar hoje a 4ª final seguida da NBA
Comentários 3

Fábio Balassiano

wade1O Miami não jogou bem, mas mesmo assim teve chance de ganhar do Indiana Pacers na quarta-feira. Não conseguiu, a bola de três de Chris Bosh não caiu no final e a chance de descansar (como disse aqui) um pouco mais até a decisão ficou de lado. O que importa para o Heat hoje é fechar o duelo em casa (21h30, com ESPN), evitando um sétimo jogo e uma desagradável surpresa (tipo perder de 4-3 depois de estar vencendo de 3-1).

Caso vença a final do Leste, o Miami Heat entrará em um seleto grupo: o de times que chegaram a quatro finais seguidas de NBA que hoje só conta com os tradicionalíssimos Los Angeles Lakers e Boston Celtica. Confira a lista abaixo:

– Boston Celtics (foram 10 finais seguidas, de 1957 a 1966): 9 títulos (derrota apenas em 1958)
– Los Angeles Lakers (1982 a 1985): 2 títulos (1982 e 1985), 2 vices (1983 e 1984)
– Boston Celtics (1984 a 1987): 2 títulos (1984 a 1986), 2 vices (1985 e 1987)

E aí, será que o Miami vence o Indiana logo mais, entrando para o grupo das franquias que chegaram à final da NBA por quatro vezes seguidas?


Ministério aprova 11 projetos, e CBB poderá receber mais de R$58mi até 2016
Comentários 9

Fábio Balassiano

cbb1Em edital publicado no começo deste mês (Nº 06/2013 – CALENDÁRIO 2014 – saiba mais aqui) o Ministério do Esporte, através da Secretaria de Alto Rendimento (comandada por Ricardo Leyser – foto à direita), aprovou nada menos que ONZE (sim, 11) propostas de convênio para a Confederação Brasileira de Basketball (os projetos estão nas linhas 7 a 17 aqui), deixando a entidade máxima do basquete brasileiro como a maior “vencedora” deste Edital do ME (nenhuma outra Confederação ou Clube teve tanto projeto aprovado, vejam vocês).

leyser9O valor total do repasse do Ministério do Esporte à CBB poderá chegar a R$ 58.442.770,35 até 2016 (sim, é isso mesmo, mais de R$ 58 milhões, maior aporte de verba federal deste edital) com projetos que vão desde a preparação da seleção masculina para as Olimpíadas nas temporadas 2015 e 2016 (R$ 13,8 milhões), passando por seleção feminina de desenvolvimento (R$ 8,7 milhões) e também por Escola Nacional de Basquete (R$ 7,1 milhões). Os projetos, já habilitados e aprovados em primeira fase pela esfera federal, agora passarão por novo crivo do Ministério até o final de junho, prazo final para a publicação das propostas anteriormente habilitadas (caso das 11 da Confederação).

Desde o início de maio você tem acompanhado neste blog números e análises sobre o último Balanço Financeiro da Confederação Brasileira de Basketball e sua respectiva parte financeira (se perdeu algo clique para saber mais aqui , aqui, aqui, aqui e aqui). Os valores, tanto de receita de 2013 (R$ 27,4 milhões), quanto de despesa do mesmo ano (R$ 28,3 milhões) e de dívida acumulada (R$ 9,5 milhões), assustam tanto quanto a falta de um trabalho bem feito em termos de gestão e desenvolvimento da modalidade embora as contas do ano que passou tenham sido aprovadas tanto por Federações quanto por Associação de Atletas (mais aqui).

number1A situação é tão assustadora que o Especialista Contábil Jorge Eduardo Scarpin qualifica a situação da CBB como “falimentar” e o Tribunal de Contas da União, procurado por este blog, afirmou que pretende seguir de perto a situação da entidade, que recebeu em 2013 mais de R$ 15 milhões de verba federal mesmo devendo R$ 1,9mi ao INSS.

Mesmo com tudo isso, com este cenário de dívidas assim crescentes (saltou de R$ 800 mil em 2009, o primeiro ano da gestão Carlos Nunes, para R$ 9,6 mi em 2013) e pouca eficiência em gestão e desenvolvimento do basquete, o Ministério do Esporte resolveu, mais uma vez (relembre a outra, de R$ 14,8 milhões, aqui), despejar uma grana imensa nos cofres da Confederação Brasileira.

Ministério do Esporte que, via Ricardo Leyser (Secretário de Alto Rendimento), criticou a CBB recentemente, chamando a entidade máxima do basquete brasileiro de “ponto fraco” da modalidade (relembre aquiaqui). Nada, porém, que tenha evitado novo derramamento de dinheiro público no (reiterando com os termos de Leyser) “ponto fraco” da modalidade atualmente.

No basquete, a Liga de Basquete Feminino também foi agraciada com a habilitação prévia de um projeto (valor de R$ 4,4 milhões para a realização de sua Liga de Desenvolvimento para jovens). Antes, a Liga Nacional de Basquete já tivera três projetos habilitados (veja mais aqui – Mundial de Clubes, Liga de Desenvolvimento e Copa América Sub-21 de Clubes)

nunes11Por isso chama a atenção não só o valor altíssimo (mais de R$ 58 milhões) para uma entidade que não tem sabido como utilizar tanta verba (embora um dos dirigentes tenha reclamado, veja você, que verba federal não era uma verba, digamos, muito querida), mas também a capacidade que a CBB teve de aprovar suas propostas (para quem quiser saber mais, é só clicar aqui e procurar por Confederação Brasileira). Dos 12 projetos apresentados, apenas um não foi habilitado pelo Ministério do Esporte (“Manutenção do software de estatística de jogo Synergy e o desenvolvimento de uma ferramenta online que permita o controle da carga de treinamento dos atletas selecionáveis…“) para Carlos Nunes, o presidente, e companhia. Ou seja, a entidade máxima esteve quase perfeita nas aprovações neste edital.

Procurado por este blog, o Ministério do Esporte justificou o fortíssimo investimento no basquete desta maneira: “Mesmo depois das etapas de análise (Habilitação, Classificação, Seleção e Aprovação), o Ministério ainda leva em conta a disponibilidade orçamentária antes de oficializar qualquer convênio. Os projetos de continuidade da preparação das seleções para o Rio-2016 ou desenvolvimento de equipes de base das modalidades têm renovação assegurada, assim como os de compra de equipamentos para estruturar centros de treinamento e contratação de equipes técnicas e multidisciplinares.

leyser2Atualmente, a equipe técnica está na segunda fase de análise das propostas. Ainda conforme o edital, o cronograma de apresentação de projetos foi dividido em duas partes. Uma em 2013, já encerrada, e outra em 2014, que está na fase de classificação das propostas. O Ministério do Esporte tem interesse em continuar apoiando o basquete, não apenas por conta do bom desempenho das seleções nos Jogos Olímpicos de 2016, mas por necessidade de desenvolver as equipes de base e capacitar técnicos e árbitros“.


Zanon mantém coerência em convocação para amistosos da seleção feminina
Comentários 12

Fábio Balassiano

zanon1Foi dada a largada para a preparação da seleção brasileira feminina adulta que irá disputar o Mundial (ou Copa do Mundo, como queiram) da Turquia entre 27 de setembro e 5 de outubro. Na tarde de ontem a Confederação Brasileira anunciou em seu site as 12 meninas convocadas pelo técnico Zanon para os três amistosos no (e contra o) Canadá entre 26 e 28 de junho. Elas se apresentam no dia 19, em São José dos Campos.

A lista está aqui , e obviamente não é a definitiva para o Mundial, visto que não há os nomes da WNBA (Érika, Nádia e Damiris) e o de algumas jogadoras experientes que o treinador poderá vir a contar na competição (tal qual fez na Copa América com Karla, Chuca e Adrianinha).

zanon5O melhor de tudo na lista de Zanon é que o técnico mantém a coerência e a filosofia de tentar a todo custo renovar o selecionado nacional (pontos, pontos e mais pontos para ele por esta iniciativa).

Chamam a atenção (positivamente) a inclusão de duas novidades: Bianca, pivô de Santo André (19 anos, 1,91m) e Carina, armadora que jogou a última LBF por São José (22 anos, 1,72m). É mais uma mostra que o técnico está disposto a olhar, e a dar chance, para TODAS as jovens de potencial no país (como foi feito ano passado com Maria Carolina, por exemplo).

Pode-se contestar um ou outro nome na lista, pode-se questionar uma ou outra ausência (como a de Izabela Sangalli, por exemplo), pode-se, até, pensar em uma lista mais abrangente para um primeiro período de treinamento (de menos de uma semana), mas a idéia, a essência e o planejamento inicial decantados por Zanon estão lá. Quanto a isso, só elogios.

zanon2Vamos aguardar os próximos movimentos de Zanon, mas está claro para todo mundo que a renovação tão necessária e pedida por quem acompanha o basquete feminino vai mesmo continuar até a Olimpíada no Rio de Janeiro (independente de ter um Mundial no meio), o que, insisto, é fundamental para a volta aos melhores dias do país nas competições de primeiro nível.

É uma tacada que certamente traz pedras e problemas no caminho, mas lá na frente sem dúvida trará benefícios não só a seleção feminina, mas também à modalidade, que verá o número de atletas de bom nível aumentar, tornando o produto para as competições internas mais atrativo.

Que Zanon, portanto, continue assim.


A motivação do Miami para ganhar o Leste hoje contra o Indiana
Comentários 5

Fábio Balassiano

bron1O Miami Heat que visita hoje (21h30, com ESPN) o Indiana Pacers com um 3-1 na série final do Leste teria até motivos para perder um pouco do foco. O domínio é tão grande, os rivais estão tão perdidos, ainda há um jogo na Flórida. Tudo conspira para a quarta final seguida de Erik Spoelstra (ainda vão dizer que o cara é ruim? Não, né, chega!), mas há uma motivação grande para fechar logo o caixão de Paul George e companhia: o descanso visando à final da NBA.

Vamos a alguns dados: Em primeiro lugar, o Miami não terá mando de quadra na final da liga independente de quem vença o Oeste (tem campanha pior que Spurs ou OKC). Logo, fará possíveis quatro jogos na casa do rival (lembrando que a partir deste ano o formato da decisão volta a ser no 2-2-1-1-1 como era até 1984).

Em segundo lugar, pode haver cinco dias de diferença entre o último jogo do campeão do Leste e o do Oeste. Como? O Miami tem 3-1, joga hoje, pode fechar o confronto contra o Pacers e a final da NBA comeca em 5/6 (próxima quinta-feira). No Oeste iremos, no mínimo, até sábado (jogo 6 entre OKC e Spurs, em Oklahoma). De cara já pode se configurar uma vantagem de no mínimo de três dias para um já mais descansado Miami em relação a Spurs e Thunder (Heat fechou um duelo em 4-0 e outro em 4-1; a turma do Oeste já foi a um jogo 7 cada…). Se o duelo durar até a agônica sétima partida, na segunda-feira, Thunder ou Texanos teriam apenas três dias de folga até o começo da finalíssima da liga.

dupla2Se já é bom despachar o Indiana para evitar um problema que até agora não há (de os Pacers incomodarem o Heat com seu jogo físico e organizado que praticamente inexiste neste playoff), o fatos descanso merece muito ser considerado por LeBron James, Dwyane Wade (e seus joelhos), Chris Bosh e companhia. Quanto mais descansado chegar para uma final da NBA que tem tudo para ser dificílima, independente do rival, melhor.

Pensando nisso, lutar fortemente pelo 4-1 de logo mais faz todo sentido, não?


A força do Oklahoma e o fantasma que amedronta o Spurs
Comentários 4

Fábio Balassiano

dupla1O jogo de ontem pela final da conferência Oeste foi estranho. O San Antonio Spurs, sabia-se, faria algum ajuste para conter a sanha do polvo Serge Ibaka – aquele cujas mãos estão em todos os ataques contestando os arremessos. E assim foi feito. Ajuste 1: Tony Parker partia para a infiltração, mas antes de chegar ao congolês (ou este no francês) quicava a bola para as extremidades (foi assim que Kawhi  Leonard marcou duas bolas seguidas); Ajuste 2: Parker não chamava sempre o bloqueio de Tiago Splitter (marcado por Ibaka) na cabeça do garrafão, mas também de Tim Duncan (defendido por Kendrick Perkins), uma maneira de evitar o camisa 9 e ter espaço para as investidas em direção a cesta.

Estava dando certo até que Scott Brooks (foi bem nessa) lançou Steven Adams (26 minutos, quatro a mais que o pivô titular – na foto à direita), que é mais rápido que Kendrick Perkins para rodar pós-bloqueio. Aí o samba do San Antonio Spurs desandou, o Oklahoma passou a defender MUITO bem e a atacar com mais segurança (em que pese a ausência temporária de Reggie Jackson, que saiu lesionado mas logo voltou). Foi um bombardeio em direção a cesta texana, algo bem impressionante para o padrão Gregg Popovich de qualidade. No final, um 105-92 que não destaca a superioridade do Oklahoma (a vantagem chegou a mais de 20 novamente e no meio do terceiro período Popovich já tirou seus titulares de quadra), que agora empata a série em 2-2 e traz de volta um velho fantasma para os Spurs.

adams1Antes de falarmos do fantasma, vale citar algumas coisinhas da peleja desta terça-feira. A primeira, que fala muito sobre a boa marcação do Thunder e também sobre a qualidade (ou falta dela) do ataque e da transição defensiva do Spurs. O OKC teve 21 pontos em contra-ataque. Os texanos, NENHUM. Tony Parker teve 4 assistências nos 6 primeiros minutos de jogo. Depois que Brooks ajustou (com Adams + Ibaka), o francês não deu nenhum passe que gerou cesta (e ainda desperdiçou três bolas nos demais 20 minutos em que esteve em quadra). O duo Russell Westbrook (40) e Kevin Durant (31) teve 71 pontos. Os titulares do Spurs + Ginóbili, 44. Isso tudo, é bom dizer, sem que o fator Ibaka fosse preponderante como no triunfo de domingo (o congolês foi novamente muito bem, mas a defesa TODA do Thunder esteve sublime ontem).

Bem, mas voltemos ao fantasma. Em 2012, na mesma final de conferência Oeste, aconteceu exatamente o que vem ocorrendo agora. O Spurs venceu as 2 no Texas, voou para Oklahoma  e perdeu as duas. A confiança mudou de lado, e o Thunder venceu as duas seguidas, fechando o duelo em 4-2 e avançando às finais contra o Miami Heat. Naquela ocasião, ao ser perguntado por que seu time perdera, Manu  Ginóbili disse: “Perdemos porque eles são tão talentosos quanto nós somos. Mas eles são muito mais atléticos”. Na mosca.

spurs1O cenário, obviamente, é parecidíssimo agora. O San Antonio Spurs tinha o domínio mental, físico, técnico e tático até domingo. Vencia por 2-0 e muita gente (justamente devido a tamanha diferença nas duas primeiras pelejas) já projetava até uma varrida. Depois dos dois jogos desta perna em Oklahoma a balança está no mínimo igual – pendendo para o lado do Thunder. A confiança mudou de lado, a pulga atrás de orelha também e a declaração do argentino Manu de 2012 voltou a ser proferida ontem no vestiário: “Eles são muito atléticos. Ainda não sabemos como lidar com isso”.

A análise do hermano é perfeita mesmo. O trator que Westbrook (40 pontos, 10 assistências, 5 roubos e 5 rebotes) aplicou no ataque e na defesa (atacando a Tony Parker com ou sem a bola) mostra bem como o Oklahoma consegue ter remédios para bater o jogo fino, de classe, do Spurs. Nem tudo está perdido para o San Antonio, que ainda tem o mando de quadra, um ótimo técnico e um excelente elenco. Mas que a série, que tinha uma cara de surra texana, mudou de figura, isso mudou.

Na quinta-feira, com 2-2 no placar, saberemos se o fantasma de 2012 entrará de vez em quadra ou se o Spurs tem força para espantá-lo para outros lugares.


Sobre Balanço Financeiro da CBB, TCU responde a questionamentos do blog
Comentários 1

Fábio Balassiano

tcu1No começo do mês, seguindo a sugestão dos leitores deste espaço, enviei um e-mail para a Ouvidoria do Tribunal de Contas da União, o TCU, sobre o Balanço Financeiro da Confederação Brasileira de Basketball principalmente em relação ao ano de 2013 (que você tem lido muito bem aqui, aqui , aqui , aqui aqui). Não esperava que eles fossem me responder, para ser sincero.

Mas nesta terça-feira veio a resposta do TCU. Ela é bem completa, e fala bastante sobre o derramamento de dinheiro público que há no país em entidades esportivas cujas gestões estão longe de ser exemplo e muito mais. Confiram o texto NA ÍNTEGRA (os grifos azuis são meus, ok).

Este Tribunal, no âmbito do processo TC 006.120/2012-1, apontou problemas de liquidez financeira em 34% das confederações esportivas vinculadas ao Comitê Olímpico Brasileiro, dentre elas a Confederação Brasileira de Basquete.

No voto condutor do Acórdão 566/2014-TCU-Plenário, o Relator destacou o risco inerente às transferências de recursos públicos a entidades com problemas de gestão financeira, por não estar o COB atentando ao disposto no art. 18, inciso I, da Lei 9.615/1998, pelo qual é restringida a transferência de recursos da Lei Piva àquelas entidades que possuam viabilidade e autonomia financeira.

tcu2Nesse sentido, o Tribunal de Contas da União recomendou ao Ministério do Esporte que regulamentasse a aplicação do art. 18, inciso I, da Lei 9.615/1998, estabelecendo critérios objetivos para a análise da viabilidade e autonomia financeiras das entidades de administração do desporto vinculadas e filiadas ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), beneficiárias de recursos públicos e/ou isenções fiscais (item 9.3.1 do acórdão mencionado).

Tendo em vista que, por força do art. 56, §6º, da Lei Piva, este Tribunal realiza acompanhamento anual da aplicação dos recursos decorrentes dessa Lei, tal matéria será objeto de acompanhamento em futuras fiscalizações por esta Corte de Contas“.

Desde já agradeço ao TCU pela resposta educadíssima e espero sinceramente que o Tribunal fiscalize as contas não só da CBB, mas de todas as instituições que mexem com esporte no país. Sabemos que a má gestão está longe de ser boa.