Bala na Cesta

Arquivo : março 2014

Voando, Spurs enfrenta Indiana hoje
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Fábio Balassiano

pop1Então você olha a classificação da NBA e se assusta com o San Antonio Spurs na liderança GERAL da liga. Não pelo fato de os texanos terem a melhor campanha, não. Mas pela diferença que eles abriram para os rivais nas últimas semanas. Abriram devido a sua absurda sequência de 17 vitórias seguidas. Sequência que será posta a prova nesta segunda-feira contra o Indiana Pacers fora de casa (20h de Brasília).

Os Spurs têm 57-16, ganharam as últimas 17 (e 20 das 21 mais recentes), podem fechar o famoso mês perfeito caso vençam os Pacers esta noite (não perderam uma em março…), abriram três jogos de diferença para o Oklahoma City Thunder e seis em relação a Miami, Indiana e Clippers, times que fecham os cinco melhores da temporada 2013/2014 da NBA. Isso tudo, é bom lembrar, com os famosos “idosos” Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginóbili, que, embora com os problemas físicos da idade, continuam jogando muita bola.

marco1Mas não só eles que brilham, não. O italiano Marco Belinelli (foto à direita) se adaptou perfeitamente ao modus Spurs de ser. Virou titular, já tem 12 pontos de média e está sempre pronto para matar as famosas bolas de três pontos no córner (são 45,2% de aproveitamento nas bolas de fora). Recuperado, Kawhi Leonard parece um veterano. E lembremos que ele tem apenas 22 anos de idade. Registra os mesmos 12 pontos de Belinelli, mas traz uma incrível força defensiva para auxiliar o italiano e também a Tony Parker na defesa. Todos brilham em um basquete altamente coletivo (são 25 assistências/jogo, melhor marca da NBA), recheado de bolas de três pontos convertidas (40,1% de acerto, melhor índice da liga) e com um ataque muito, muito fluído (105,6 pontos/jogo, com 9 atletas registrando 8,5 ou mais pontos por noite).

É surreal dizer isso, mas os Spurs conseguiram, desde que Gregg Popovich assumiu, 50 ou mais vitórias em TODAS as temporadas desde 1997-1998. É muito surreal, muito surreal isso, mas dá a total noção do tamanho da franquia Spurs no atual cenário do basquete. Com os Lakers em baixa, o trabalho de Pop, Duncan, Parker e Manu merece ser ainda mais valorizado. Com a cultura da evolução constante, do trabalho meticuloso e da adaptação a uma modalidade que pede mudanças drásticas em um período curto de tempo (é só lembrar que o jogo travado texano deu lugar a um mais fluído, mais solto), o San Antonio dá uma aula de basquete a cada noite nesta temporada (na última sexta-feira, contra o Denver, foi sensacional…).

trioPode perder hoje (é até bem possível que isso aconteça), mas os Spurs, ao menos para mim, são os maiores favoritos ao título da NBA nesta temporada. Ninguém joga um basquete tão lindo, tão coletivo, tão… basquete como os caras. Conseguir o anel de campeão, ainda mais com o que aconteceu na final do campeonato passado (todos lembram de Ray Allen por aí, certo?), seria um fecho de ouro, e com um enredo belíssimo, para esta geração tão vitoriosa do San Antonio.


Podcast: a Assembleia da CBB e o futuro do basquete
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Fábio Balassiano

nunes2O Podcast Bala na Cesta dessa semana é quente, crítico, reflexivo e analisa a Assembleia Geral Ordinária da Confederação Brasileira que aconteceu na semana passada. Nela, as contas de 2013 do presidente Carlos Nunes (foto à direita) foram aprovadas por unanimidade (para saber mais, clique aqui).

Pedro Rodrigues e eu recebemos Daniel Neves, jornalista aqui do UOL, para falarmos sobre o que se passou no Rio de Janeiro, Federações e também da Associação de Atletas, que participou do pleito e também votou pela aprovação das contas do presidente Carlos Nunes.

Se preferir, o link direto está aqui. Caso queira, o episódio também está disponível no iTunes! Críticas, sugestões ou qualquer tipo de mensagem é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado e bom programa!

Tags : CBB Podcast


G4 do NBB está definido; Goiânia está rebaixado
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Fábio Balassiano

demetrius1A rodada deste sábado no NBB definiu muita coisa. Os quatro primeiros colocados da fase de classificação e o último rebaixado para a Liga Ouro (a segunda divisão). Vamos lá.

O Flamengo ganhou, em um ginásio do Tijuca vazio (ok, tinha transmissão de TV, jogo não valia muito, 21h de sábado…), de Franca por 92-89 na prorrogação em jogo emocionante, porém fraco em termos técnicos. Mas não valia muita coisa, pois já havia garantido a primeira colocação da fase de classificação. O Paulistano venceu o já rebaixado Espírito Santo por 99-84 e fincou pé na segunda posição. Limeira, do técnico Demétrius (foto à esquerda), passou por Brasília por 74-70, mas não foi suficiente para mudar de posição com o time da capital. Brasilienses em terceiro, limeirenses em quarto. São os quatro que folgam na primeira rodada do playoff, portanto.

Ainda há times que farão um, dois ou até três jogos (caso este do Flamengo), mas agora o que falta é apenas a definição do chaveamento para os playoffs. O Minas, por exemplo, ainda fará dois jogos, mas não consegue mais alcançar Mogi das Cruzes, o décimo-segundo. A ordem atual está: São José (o sexto), Pinheiros, Uberlândia, Bauru, Basquete Cearense, Franca, Palmeiras e Mogi.

rinaldoNa parte baixa da tabela, dá pra imaginar como o figuraça Rinaldo Rodrigues, técnico da Liga Sorocabana sofreu ontem. Seu time foi a Belo Horizonte, ganhou do Minas por 77-75 com cesta salvadora de Schneider, viu Goiânia perder de Bauru por 85-78 (Larry Taylor fez mais um triplo-duplo, com 18 pontos, 11 assistências e 10 rebotes) e evitou o rebaixamento. Os goianos, que é sempre bom lembrar, entraram no NBB através de convite (aqui), não pagaram por ele (aqui), tiveram problema no ginásio no começo da competição (aqui), com salários atrasados (aqui) e foram rebaixados. Caso permaneçam com suas atividades) jogarão a segunda divisão na temporada 2014/2015 (com o Espírito Santo, que já havia caído). Não deixa de ser irônico.

Então é isso. O G4 está definido (estes times folgarão na primeira rodada da pós-temporada), os rebaixados também. Agora é aguardar para saber como ficará o mata-mata.


Semifinais da LBF começam neste sábado
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Fábio Balassiano

izikaComeça neste sábado a fase semifinal da Liga de Basquete Feminino. E começa com o clássico do Nordeste. Às 16h, com promessa de transmissão do Sportv, o Maranhão Basquete recebe o Sport-PE em promessa de uma grande e disputada série.

As pernambucanas são as atuais campeãs da competição, mas é bom lembrar (e se não lembra clica aqui) que foi em uma partida magnífica de Iziane (ela na foto ao lado) que o Maranhão tirou a invencibilidade de 16 jogos do Sport-PE na fase de classificação. A camisa 8 anotou 27 pontos, deu 4 assistências e ainda apanhou 6 rebotes para liderar o seu time a uma incrível vitória por 68-66 (a ala tem 14,9 pontos de média e é a quarta maior cestinha da competição). No returno, na Ilha do Retiro, a equipe de Recife deu o troco por 67-61 (como se vê, equilíbrio grande). As leoas, como são conhecidas, têm um ataque balanceado (cinco atletas com 9 ou mais pontos) e um elenco fortíssimo.

Haverá grandes e interessantes duelos individuais na série (disputada em melhor de três jogos – o Sport-PE tem o mando de quadra). Iziane travará boa batalha contra Tiffany Hayes (12,5 pontos, a maior cestinha do time) na ala. No pivô, a experiente Kelly, do Maranhão (ela faz grande campeonato, registrando 15,5 de eficiência, segunda mais eficiente do torneio) medirá forças com Érika e Nádia. Na armação, a norte-americana do Maranhão, Briann January terá pela frente a experiente Adrianinha, que se recuperou de lesão e estará a disposição do técnico Roberto Dornelas.

Será um grande e imprevisível duelo, sem dúvida alguma. Vale a pena acompanhar, também, a outra semifinal, que começa neste domingo quando São José recebe Americana (18h30 no Vale do Paraíba, com transmissão do Sportv). Foram os quatro times que mais investiram, que fizeram a melhor competição e que chegam com inteira justiça às semifinais.


Uruguaio Garcia-Morales exalta campanha do Aguada na Liga das Américas
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Fábio Balassiano

leandro1Leandro Garcia-Morales era um dos mais procurados jogadores que vieram ao Final Four da Liga das Américas. Cestinha do Aguada, com 28,3 pontos por partida, o ala-armador de 33 anos conseguiu o feito de levar o modesto time do Uruguai ao terceiro lugar da principal competição internacional das Américas. Tentei contato com ele na sexta-feira, depois que seu time perdeu do Flamengo em uma partida com arbitragem muito controversa. Morales me deu uma resposta atravessada (natural, pois estava de cabeça quente), mas voltou tranquilo no dia seguinte, quando seu time bateu o Halcones, de Xalapa, para conseguir o inédito bronze. Confira o papo com ele.

BALA NA CESTA: Para um time modesto, como é o de vocês, qual é a sensação que fica com essa medalha de bronze?
LEANDRO GARCIA-MORALES: Bom, depois da má sensação que tivemos ontem (sexta-feira), quando perdemos do Flamengo em uma partida muito confusa neste sábado nos encontramos melhor no jogo e conseguimos conquistar a medalha de bronze, um feito importante para a história do clube e também para o basquete uruguaio. É um feito que merece ser valorizado.

leandro2BNC: Olha, é a primeira vez que eu vejo a torcida do Aguada ao vivo, e achei uma loucura o que eles fizeram no Maracanazinho. Eram 800, mil torcedores, não sei, mas a festa que eles proporcionaram foi absurdamente linda…
LGM: Sim, eles são loucos, não? É maravilhoso ver o que eles fazem na arquibancada, nos apoiando, nos seguindo onde quer que formos jogar. Muita gente veio para nos apoiar, isso é incrível. O Aguada é um time muito popular, muito tradicional. E agora temos conseguido somar títulos, campanhas positivas, o que para o torcedor é excelente. Conseguimos somar um vice-campeonato da Liga Sul-Americana e agora o terceiro na Liga das Américas. É uma temporada muito boa pra gente.

BNC: Falando sobre o Aguada, o que poderia nos dizer da história do clube? Li que não vencia há muitos anos…
LGM: Sim, é verdade. O Aguada é um clube muito tradicional em Montevideo, capital do Uruguai, mas que não vencia um campeonato uruguaio havia quase 30 anos. O interessante foi que entraram novos dirigentes, colocaram muito dinheiro, mudaram a filosofia interna e conseguimos ganhar o título da temporada 2012-2013 contra o Defensor Sporting por 4 a 3 na final. Você deve imaginar a festa que os torcedores fizeram quando conquistamos o troféu…

leandro3BNC: E sobre o campeonato do Uruguai, como ele é?
LGM: Olha, temos uma Liga nacional forte, bem organizada, com três divisões, com mais de 60 times jogando na capital. Mas o nosso problema é que somos muito fortes apenas em Montevideo. A Liga, na verdade, chama-se nacional, mas é praticamente uma Liga da capital. É tudo muito centralizado na capital. Ainda é muito difícil fazer algo em âmbito nacional. Já foi tentado, mas ainda não foi conseguido.

BNC: Você é um dos jogadores que sempre quando os torcedores brasileiros te assistem se perguntam: “Por que os times daqui (do Brasil) não contratam o Morales?”. Já passou pela sua cabeça jogar no país?
LGM: Já tive duas ou três propostas, mas nunca se concretizou. Seria uma honra, um prazer, há duas temporadas inclusive tive uma negociação bem forte com um time brasileiro. Não se concretizou porque, devido a problemas pessoais, eu não poderia ficar muito tempo longe do Uruguai.

BNC: Você fala do Brasil, mas está de saída do Aguada para ir ao Capitanes, de Arecibo (Porto Rico), certo?
LGM: Sim, certo. Fechei com o Capitanes pela próxima temporada. Quando terminar a Liga do Uruguai eu viajo para Porto Rico e me apresento ao clube. Foi uma boa proposta e decidi aceitar.

morales1BNC: Duas perguntas finais, que têm relação com o Brasil. A primeira é que aqui, em 2007, você fazia parte de um grupo uruguaio que conquistou a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos. Eu estava aquele dia na HSBC Arena e vi a festa que vocês, em quadra, fizeram…
LGM: Olha, pode parecer pouco, pode parecer uma coisa menor mas para a gente, do Uruguai, aquele foi um momento muito especial. Não temos a tradição da Argentina, a força do Brasil, o investimento e a força política de Porto Rico. Aquele foi um momento de êxtase, de alcance de uma série de objetivos bacanas que nós, quando crianças, colocamos em perspectiva. Não sei se você sabe, mas naquele Pan-Americano meu país só conseguiu três medalhas, sendo duas de bronze e uma de prata. Uma delas foi meu time que conquistou. Somos uma nação de pouco mais de 3 milhões de habitantes, e posso lhe garantir que foi bem especial estarmos naquele pódio. É algo que jamais me esquecerei.

BNC: Pra fechar: pensa em vir a Copa do Mundo de futebol no Brasil? O que será que o Uruguai nos apronta dessa vez?
LGM: (Risos) Sim, virei ao Mundial no Brasil. Tenho um primo que mora no Rio de Janeiro há muito tempo, e acompanharei de perto os jogos e o clima da Copa. Não tenho ideia do que vai passar com a seleção, mas torço muito para que eles tenham êxito. É uma geração muito especial, com jogadores e um técnico fantásticos.


O batismo de fogo de Humberto, armador do Pinheiros
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Fábio Balassiano

humbertoA história é quase sempre contada com, para e pela ótica dos vencedores. E por isso o blog falou bastante do lado do Flamengo, justíssimo e invicto campeão da Liga das Américas. Mas ignorar o feito do Pinheiros, finalista pelo segundo ano seguido de um modo particular (diretoria, atletas e comissão técnica estão de parabéns), e, em especial, o que o menino Humberto, com 18 anos, fizeram no Final Four da principal competição de basquete do continente seria uma insanidade.

Em sua primeira temporada efetiva no time adulto, o paulistano de Diadema completará 19 anos apenas em julho e ganhou espaço com a lesão de Paulinho (armador titular). Foi chamado para seu batismo de fogo em um dos quadrangulares da Liga das Américas, fez bonito e passou a ser peça-chave nas rotações do veterano Cláudio Mortari.

Não só peça-chave, mas peça decisiva no Final Four aqui no Rio de Janeiro. Na sexta-feira, Humberto entrou e trouxe mais velocidade e dinamismo ao Pinheiros contra o Halcones, de Xalapa (México). Terminou com 10 pontos, 2 assistências e 2 rebotes em 22 minutos de uma atuação bem intensa. Deixou todos ali na área de imprensa bem impressionados, mas ainda salvaria o melhor para o final. Ou para a final.

humberto3Contra o Flamengo, o armador de 1,94m (sua semelhança com o jogo agressivo de Leandrinho é inevitável, e ele mesmo sabe disso) entrou em quadra em um momento crítico. O rubro-negro vencia por boa diferença, a torcida estava inflamada e a marcação havia “encaixado”. Caberia ao jovem de 18 anos (é bom ressaltar isso) trazer uma nova cara ao jogo. E ele trouxe.

Rápido ao extremo e inteligente para costurar a marcação rival, abrindo espaço para seus companheiros, ele terminou com 11 pontos e 5 rebotes em 25 minutos de quadra. Mas não foi só isso. Foi ótimo na marcação em Marcelinho Machado, irritando o veterano em algumas ocasiões e trazendo dificuldade ao rival.

O Pinheiros perdeu a decisão da Liga das Américas, a dor vai ser grande por algum tempo e o sofrimento é inevitável. Isso é verdade, mas é bom colocar as coisas em perspectiva também. O, clube, que tem na sua veia a formação de atletas, viu desabrochar uma de suas maiores jóias. E o basquete brasileiro pode ter visto o surgimento de uma de um grande jogador. Humberto é jovem, tem muito a aprender, tem que desenvolver TODOS os aspectos de seu jogo, mas tem um potencial incrível.

humbertofinalLembro que o vi pela primeira vez na Liga de Desenvolvimento passada e me impressionei com seu potencial físico (incrível para um armador), com sua personalidade, com sua boa defesa (um dos melhores aspectos de seu jogo!) e em como ele fazia todos os movimentos/fundamentos do jogo com naturalidade e boa mecânica, prova de que o trabalho de Zé Luís e Brenno, técnicos da base do Pinheiros, têm sido bem feito.

Não me lembro exatamente da partida, mas naquele dia seus arremessos não caíram. Conversei rápido com ele (nem me apresentei), e fiquei impressionado com sua força mental (excelente para quem tem – de novo – 18 anos). Em seguida, um especialista em analisar essas revelações me disse: “Bala, não se preocupe com isso. Ele está fazendo tudo certo. Mecânica de mãos, impulsão, pés, tudo. As bolas só não caíram hoje. Mas o menino vai voar em breve”.

O guru estava certo. Humberto voou alto nesta Liga das Américas. Agora é manter a rota para seguir encantando com sua humildade, personalidade e talento. Seu futuro é brilhante.


Em Assembleia, contas da endividada CBB são aprovadas por UNANIMIDADE
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Fábio Balassiano

nunes4Aconteceu ontem (quarta-feira, 25 de março), em um hotel no bairro de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, a Assembleia Geral Ordinária para conhecimento e (posterior) avaliação das contas do ano de 2013 da Confederação Brasileira de Basketball (ver mais aqui). E o resultado foi pra lá de favorável ao presidente Carlos Nunes (foto): mais uma vez as contas foram APROVADAS pelos presidentes de Federação.

Ah, e teve um detalhe: Nunes teve seus números chancelados/avalizados/validados por UNANIMIDADE . O único dos 27 Estados que, embora não tenha reprovado, ao menos se absteve de aprovar as contas foi o Paraná, presidido por Amarildo Rosa, que rompeu com o modelo de gestão da entidade máxima do basquete brasileiro em julho de 2013. Amarildo, portanto, se mantém fiel ao que disse no blog há meses (aqui e aqui).

Alguns pontos interessantes que consegui apurar:

nunes21) Pela primeira vez na história os atletas compareceram a uma Assembleia Geral. Em nome da Associação dos Atletas de Basquete (AAPB), Douglas Viegas (Diretor-Executivo) também APROVOU as contas de Carlos Nunes.

2) Por mais inacreditável que possa parecer, Gerasime Nicolas Bozikis, o Grego, ex-presidente da Confederação, candidato da oposição na eleição passada e atual mandatário da ABASU (Associação de Basquete da América do Sul), representou o Estado do Maranhão, que também APROVOU as contas de Nunes. Apenas lembrando: foi o Maranhão que lançou uma liminar antes da última eleição para impedir a realização do pleito alegando “falta de tempo hábil para as federações analisarem as contas da atual gestão de Carlos Nunes” (veja aqui). Um detalhe importante: vocês sabem onde estava o presidente Nunes no último sábado, data da final da Liga das Américas de Basquete entre dois times brasileiros no Rio de Janeiro? Eu lhes respondo: no Maranhão. Só uma perguntinha: houve tempo “hábil” para avaliação PROFUNDA dos números desta vez?

3) De acordo com as fontes (no plural mesmo) que conversei, houve um déficit grande no exercício de 2013. Não houve, também, diminuição da dívida passada (obviamente). Mesmo assim, ressalto, as contas foram APROVADAS POR UNANIMIDADE.

4) Alberto Garcia, Secretário-Geral da FIBA Américas, esteve presente na Assembleia. Fez questão de acompanhar TODA a Assembleia e falou, mais uma vez, a importância de um desenvolvimento maior do basquete no país.

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Links deste blog para refrescar a memória dos leitores:

a) Confederação reconhece dívida e terá que pagar R$ 4 milhões ao Banco Itaú por falta de pagamento de empréstimo (aqui);
b) Sobre Balanço Financeiro (de 2012), Especialista Contábil diz: “Se fosse uma empresa privada, CBB estaria em situação falimentar” (aqui);
c) CBB fecha o ano de 2012 com R$ 8,8 milhões em dívidas (aqui e aqui);
d) Ministério do Esporte premia falta de competência da CBB doando quase R$ 15 milhões a entidade (aqui);
e) Alberto Garcia e Secretário Ricardo Leyser, do Ministério do Esporte, criticam abertamente a gestão da Confederação (aqui e aqui);
f) Para mais informações sobre o que foi publicado a respeito dos balanços financeiros recentes da CBB clique aqui .

Agora é esperar o balanço que será divulgado (por lei) até o final de abril (não sei exatamente em que dia e nem em que veículo isso será feito) para, daqui deste canto, analisarmos o que se passou na Confederação em 2013, atestando, ou não, o pode de análise dos Presidentes de Federação nesta quarta-feira.

nunes3Pra fechar, cinco notícias divulgadas recentemente para reflexão geral:

1) Presidente do Conselho de Administração da Petrobras à época, Dilma aprovou compra de refinaria em Pasadena no ano de 2006 (aqui);
2) A indignação dos irmãos Murilo e Gustavo Endres contras os escândalos da CBV (aqui);
3) Falcão protesta contra dirigentes e se aposenta da seleção (aqui);
4) Após protestos, Bom-Senso propõe mudança de calendário no Futebol (aqui);
5) Família de Laís Souza faz campanha para arrecadar fundos para tratamento após acidente (aqui).

Comentem aí caso queiram. Confesso que me falta um pouco de estômago.


Podcast: Edição especial com entrevista de Oscar Schmidt
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Fábio Balassiano

oscar1No último fim de semana aconteceu no Rio de Janeiro a final da Liga das Américas, o Flamengo foi campeão e vocês sabem bem porque acompanham este blog e uma pessoa saiu especialmente feliz do Macanazinho.

Já ouviu o Podcast especial sobre o título do Flamengo na Liga das Américas? Clique aqui e escute!

Foi Oscar Schmidt, que voltou a um ginásio de basquete depois de muito tempo (mais de cinco anos, segundo o próprio) e foi homenageado pela torcida rubro-negra (na sexta-feira) e pela organização da FIBA Américas no sábado (quando, na quadra, recebeu uma placa). Foi um momento bem bacana do evento!

Em um dos intervalos Oscar concedeu uma pequena entrevista coletiva para os jornalistas que lá estavam. Gravei o material e reproduzo abaixo em uma edição curta, porém muito especial do nosso Podcast. Se preferir, clique aqui. Ah, e já está no iTunes.

Espero que vocês gostem! Divirtam-se!


A consolidação do técnico José Neto, campeão da América com o Flamengo
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Fábio Balassiano

netoVocês leram (aqui), viram (aqui) e ouviram (aqui) um pouco sobre como foi a conquista da Liga das Américas por parte do Flamengo no Maracanzinho. Foi um espetáculo o que proporcionou a torcida rubro-negra, mas é impossível não falar do entrevistado desta segunda-feira, 24 de março, também (aqui). José Neto, técnico do time, merece todo destaque.

Sabemos que no esporte os jogadores acabam levando os louros da vitória, sendo mais reconhecidos, mais lembrados, e isso é até natural pela natureza do tema. Mas é impossível não valorizar o trabalho que Neto tem feito no Flamengo desde que no clube chegou na temporada 2012/2013. Não falo apenas dos títulos que ele e seu elenco conquistaram (NBB5 e Liga das Américas com maior destaque), mas por alguns fatores que por vezes passam despercebidos.

Em primeiro lugar é importante falar da parte tática aplicada por ele neste time do Flamengo. Neto foi contratado para mudar um panorama (sombrio) que era aplicado no rubro-negro em temporadas anteriores. Tiros de três em profusão, defesas frouxas e dificuldade em entender o senso coletivo do jogo. Não sei se o estágio como auxiliar-técnico do ótimo Rubén Magnano (sim, Magnano é um grande treinador e não podemos negar isso) lhe ajudou tanto assim neste sentido, mas é visível a sua preocupação, tal qual a do cordobês, com a marcação, seu zelo para que as jogadas de ataque sejam as mais em conjunto que puderem ser e a intenção em ver a bola rodando com facilidade. Tudo isso transformou o Flamengo de um time previsível para uma das forças do continente. Hoje, devido também a qualidade do elenco (isso é óbvio), é impossível marcar os rubro-negros com facilidade pois há muitas armas e o trabalho ofensivo não é focado em um ou dois atletas. Estrelas atuando de forma coletiva sempre brilharão mais do que grandes jogadores atuando individualmente. É a lei do jogo. Por isso brilham Marcelinho Machado, Marquinhos, Olivinha, Laprovittola etc.

neto3Em segundo é fundamental lembrar um aspecto de fora de quadra. Dois, mas que acabam sendo um só. O primeiro foi a administração de elenco perfeita que tem sido feita por parte de Neto desde que ao Flamengo chegou. Conseguiu colocar veteranos e jovens “na mesma página”, alinhou expectativas, tirou os egos do vestiário e construiu uma sólida identidade para a equipe. Não houve um só momento em que o treinador tenha perdido o respeito e a confiança do grupo – e isso é bem visível.

Outro ponto essencial foi a parte da crise financeira que o clube passou até pouco tempo atrás. Mesmo sendo campeão do NBB, a agremiação da Gávea não via a cor do dinheiro. E não parava de treinar, de lutar, de tentar ganhar tudo o que viesse pela frente. Se não era o melhor dos mundos (e não era mesmo), o foco jamais saiu dos aspectos esportivos. Fazer com que seus jogadores pensassem apenas em basquete, e não no bolso vazio, não é das coisas mais fáceis para um gestor (não sei se muita gente conseguiria…), mas Neto foi hábil o suficiente para manter o foco de seus atletas apenas nas partidas, nas competições.

neto2Sinto José Neto bem maduro, bem preparado para alçar voos ainda maiores em sua carreira (que estava estagnada e voltou a decolar – lembre aqui e aqui). Sua capacidade de administrar elencos está consolidada, sua experiência em grandes competições começa a ser posta a prova (e ele tem se saído muito bem) e sua bagagem tática é boa para os padrões brasileiros.

É óbvio que pode evoluir (principalmente no aspecto de ficar reclamando com a arbitragem o tempo inteiro, algo chatíssimo), até o próprio treinador reconhece isso, mas José Neto é, hoje, o melhor treinador de basquete do país. E ninguém pode ousar contestar isso. Pelos resultados, pela gestão de crise (financeira) que passou o clube e pela administração de egos em um elenco recheado de estrelas. O título é do clube, o mérito é dos jogadores, mas o comandante não pode ser esquecido de modo algum.


A vitória do novo modelo de gestão do Flamengo
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Fábio Balassiano

povoa2Acabou que falei muito sobre a vitória (de quadra) do Flamengo, mas há outro aspecto fundamental que merece ser levado em consideração quando falamos da conquista da Liga das Américas por parte do clube carioca. Ela é consequência, ou parte fundamental, de um novo modelo de gestão implantado no clube desde 2013, com Eduardo Bandeira de Mello como presidente, Alexandre Póvoa (foto ao lado) como Vice-Presidente de Esportes Olímpicos e com Marcelo Vido (entrevistado aqui ontem) como seu Diretor-Executivo.

OUÇA AQUI O PODCAST ESPECIAL DA LIGA DAS AMÉRICAS

Pode parecer bobo dizer isso, e falo isso com total isenção, pois, POR FAVOR, estou longe de ser torcedor do Flamengo (POR FAVOR, me incluam BEM fora dessa), mas essa diretoria além de muitíssimo séria e comprometida entende o tamanho do clube, a grandeza do clube, a posição que o clube deve estar inserido no contexto esportivo do Brasil. Como bem disse Marcelo Vido para mim, “não é uma questão só de vencer, mas sim de COMO vencer e de como deixar um legado importante para a agremiação”. É isso.

O Flamengo mudou seu modelo de gestão, tem tentado transformar o clube, quase um feudo das diretorias anteriores, em algo sério, moderno, arejado e razoavelmente parecido com o que o mercado exige em termos de profissionalismo, performance (e se o esporte não for tratado como uma empresa ele NUNCA irá adiante) e transparência. Tão transparente que no domingo, menos de 24h após a decisão o agitado Póvoa já havia me enviado e-mail com os resultados (de público e renda – média de 8.300 pessoas e total arrecadado de R$ 442 mil) de todos os jogos (confira números totais aqui) em mais uma prova de quão séria é esta gente que assumiu a diretoria da Gávea.

povoa22O mais legal disso tudo é que apesar de sangrar bastante no começo as vitórias têm vido com boa e saborosa frequência para os rubro-negros. Atuais campeões do NBB e da Liga das Américas, o clube agora tem um Mundial batendo na porta. E Póvoa, mostrando todo o seu grau de exigência e pensando grande, me disse ao final da partida de sábado: “Pode anotar aí, Bala. Não iremos só jogar o Mundial, não. Vamos trazer a competição pra cá e disputaremos pra ganhar, pra vencer. Vamos montar um time na grandeza do Flamengo para ganhar essa competição. E não vamos parar por aí, não. Estamos nos aproximando das instituições e coisas boas estão por vir”. Ele não diz, mas o sonho da diretoria é, tal qual já acontece na Europa, fazer um jogo contra um time da NBA.

Não gosto da expressão “Isso é Flamengo”, até porque eu não saberia lhes dizer o que é o ‘isso’, mas pensar grande, sonhar alto é o mínimo que se espera do Flamengo, clube com a maior torcida do país e que estava jogado às traças em termos de gestão esportiva nos últimos mandatos.

Que bom que isso mudou, que bom que pessoas sérias e competentes como Póvoa e Vido assumiram os esportes olímpicos do clube. Flamengo forte e com um modelo de gestão diferente são ótimos sinais e enchem a quem gosta de esporte de esperança. Que assim continuem.