Bala na Cesta

Arquivo : outubro 2013

Com 2 patrocinadores e Jogo das Estrelas, LBF é lançada oficialmente
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Fábio Balassiano

lbf1Foi lançada ontem, em São Paulo, a quarta edição da Liga de Basquete Feminino. E foi lançadas com grandíssimas e ótimas novidades. Vamos a alguns pontos interessantes:

– O campeonato terá oito times (Rio Claro, Brasília, Americana, Maranhão, Sport/PE, Ourinhos, Santo André e São José. Os clubes jogam em turno e returno (edição passada não teve returno). Os seis primeiros se classificam para os playoffs. Lá, primeiro e segundo descansam, e do terceiro ao sexto haverá uma fase de mata-mata. Início programado para 30 de novembro, com finais até abril.

– A LBF já conta com dois patrocinadores oficiais. O Grupo Petrópolis, que comprou placas de publicidade nos ginásios para promover seu isotônico (Ironage), e a Bombril, gigante do mercado brasileiro (não preciso fazer grandes apresentações aqui). É um avanço grande aqui.

– Tal qual já acontece com o basquete masculino, o Feminino está buscando criar a sua Liga de Desenvolvimento. Com o apoio do Ministério do Esporte, a competição deve sair do papel em 2014, e terá 16 times (mais uma grande notícia).

hort1– Pela primeira vez em muitos anos haverá um Jogo das Estrelas. Programado para 8 de março, o evento ainda não tem local definido, mas mostra claramente que há um interesse em se vender o produto de forma mais digna. O tema será Câncer de mama (outra grande sacada).

– Outra novidade promovida pela LBF: um jogo no horário letivo, com objetivo de levar crianças aos ginásios.

Acho que não escrevi um post sobre basquete feminino com tanto gosto assim há tanto tempo. Parabéns a Liga de Basquete Feminino (da diretora-executiva Hortência – na foto – ao presidente Marcio Cataruzzi). Não é muita coisa, não é nada de outro mundo, mas para quem não tinha absolutamente nada, como foi na edição passada, é um ótimo indicativo (o campeonato só poderia ser um pouco mais longo, mas tudo bem). Que assim continue, e que a Liga de Desenvolvimento saia realmente logo do papel.


A impressionante estreia do novato Michael Carter-Williams na NBA
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Fábio Balassiano

michael1Antes da estreia do Philadelphia 76ers na temporada 2013/2014 o Wells Fargo Center, lotado com mais de 19.500 pessoas, viveu momentos de muita emoção com a aposentadoria da camisa número 3 de Allen Iverson, ídolo da franquia e um dos melhores jogadores da história da NBA. Não sei se emocionados com a homenagem a AI ou algo do gênero, mas os Sixers começaram voando diante do atual bicampeão Miami Heat, que não teve Dwyane Wade (poupado para não sentir dores no joelho). Abriu 26-4 logo de cara e parecia que daria uma surra em LeBron James e companhia.

Mas depois dos 33-14 no primeiro período o Miami se recuperou, fez 35-18 e 45-34 nos quartos seguintes e deu a impressão que venceria a partida. Mas aí apareceu Michael Carter-Williams, 22 anos. Novato escolhido pelos Sixers na décima-primeira posição no Draft deste ano, o ex-armador de Syracuse chamou a responsabilidade, botou a bola em baixo do braço e teve uma atuação espetacular. Terminou com surreais (pessoal, primeiro jogo dele na VIDA na NBA) 22 pontos (4/6 de fora), 12 assistências (sete de seus 12 passes foram para pontos embaixo da cesta ou bolas de três pontos de seus companheiros), 9 roubos (o último deles contra LeBron James no minuto final do jogo, bem decisivo) e 7 rebotes (apenas um desperdício de bola) em 36 minutos de uma atuação de tirar o fôlego. O garoto guiou seu time a uma improvável vitória por 114-110 (29-16 nos 12 minutos finais) e foi elogiado por todo mundo.

michael2“Se existe uma maneira boa de começar a sua carreira na NBA, é esta como este menino jogou hoje. Realmente foi impressionante o que ele fez em quadra”, disse LeBron James, ainda atônito com a atuação do calouro (LBJ estrou em 2003 com um incrível jogo de 25 pontos, 9 assistências, 6 rebotes e 4 roubos em derrota para o Sacramento Kings, à época vice-campeão do Oeste).

É óbvio que ainda é o começo de uma jornada imensa para Carter-Williams, mas o primeiro passo de sua carreira foi empolgante e absurdamente incrível. Foi uma atuação dominante contra o melhor time e atua bicampeão da liga. E com um time muito, muito jovem (os Sixers têm média de 23,5 anos, a menor da HISTÓRIA da NBA) para ser comandado (aqui a entrevista dele no final do jogo – meio sem palavras o rapaz, naturalmente). É impossível saber o que acontecerá com Michael em seus próximos momentos, mas que ontem a atuação dele deixou todo mundo bem surpreso, isso é fato.

Ah, e como na NBA não há moleza, quais serão os próximos rivais dos Sixers? Wizards duas vezes (John Wall), Bulls (Derrick Rose), Warriors (Stephen Curry), Cavs (Kyrie Irving) e Spurs (Tony Parker). Bons testes para o menino que deixou todo mundo de boca aberta na noite de ontem, não?

Viu o jogo? Impressionado com Michael Carter-Williams também? Abaixo vídeo com os melhores momentos do rapaz!


Técnico do Chicago Bulls, Tom Thibodeau abre o jogo em entrevista exclusiva
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Fábio Balassiano

tom1Como vocês devem saber, o Chicago Bulls, que perdeu na estreia da NBA para o Miami Heat e hoje enfrenta o Knicks às 22h (Space exibe), esteve no Rio de Janeiro para enfrentar o Washington Wizards na primeira partida da história da liga norte-americana no Brasil. Para muita gente, era a oportunidade de conversar e ouvir Derrick Rose, que voltava de uma grave lesão no joelho. Mas quando percebi que Rose não falava muita coisa de diferente decidi mudar o foco. Entrevistei, por quatro dias seguidos, a Tom Thibodeau, verborrágico, agitado e explosivo técnico do Chicago. Ficou um papo longo, extenso, mas acredito que todos gostarão. Extremamente simpático, bem diferente do treinador que nos acostumamos a ver gritando e berrando na beira da quadra durante os jogos do Bulls, Thibs, como é chamado, me atendeu com paciência e abordou uma série de assuntos: Rose, seus tempos em Boston, Leste mais forte, método de trabalho, basquete brasileiro, seus tempos em Harvard e uma passagem com Kobe Bryant. Tentei fazer perguntas ao técnico de 55 anos menos sobre os jogos em si, e mais sobre sua carreira, sobre sua forma de ver basquete. Confiram o papo (embora em alguns momentos não estivesse sozinho, separei apenas as perguntas que eu fiz a ele). Espero sinceramente que gostem.

tom2BALA NA CESTA: Primeira vez que você vem ao Brasil, imagino. Algo te chamou a atenção em especial?
TOM THIBODEAU: Sim, sim. Primeira vez no Brasil. Muito animado com tudo o que vi por aqui. Desde os lugares, praias, tudo muito bonito. Chamou-me a atenção a comida também. Tudo com muito tempero, tudo muito gostoso. Comi alguns peixes que nunca tinha ouvido falar na vida. Não me pergunte os nomes porque não vou saber dizer, mas jantei peixe todos os dias e estou me sentindo muito mais saudável. O ginásio que treinamos (o do Flamengo, na Gávea), me lembra também aqueles mais antigos (Old-School, foi o termo utilizado), aqueles que anos atrás alguns de nós começamos.

BNC: Desculpe te dizer isso, mas aqui no Rio de Janeiro você não parece o Tom Thibodeau que estamos acostumados a ver pela televisão durantes as partidas. Você está sorridente, aparentemente calmo…
THIBODEAU: (me cortando) Mas eu sou sempre muito calmo, você não acha? (Risos)

tom3BNC: (Risos) Na verdade acho que ninguém pensa que você é calmo, né…
THIBODEAU: Claro, foi uma brincadeira. A verdade é que você tem que ser na quadra o que você é fora dela. Eu sou assim, é meu jeito. Sou explosivo, sou agitado mesmo. Sempre fui assim, sempre foi minha maneira de enxergar as coisas. Sou inquieto, sou realmente assim e quem convive comigo há tempos sabe que é assim no basquete ou não. Não poderia ser técnico da maneira como qualquer outro treinador dirige a sua equipe. Treino minha equipe da maneira como eu sou. Não é muito bonito para quem vê de fora, eu sei. Ver um cara como eu se esgoelando na beira da quadra não é bacana, mas é a maneira que tenho de participar do jogo, de sentir o jogo, de auxiliar meus atletas. É a minha personalidade, e meu trabalho eu vejo como o de um professor, o de desenvolvedor de talentos.

BNC: Inevitável falar em Derrick Rose nessa volta ao Chicago, né. Como você tem sentido todo esse processo de retorno dele?
THIBODEAU: Tento não pressioná-lo. Em momentos você pode reparar que não falo com ele, deixo-o mais solto, na dele. Foi tanta coisa que ele passou que prefiro manejar a situação assim. Ele é um grande jogador, seu talento fala por si, e sua capacidade de colocar os companheiros em boa posição de ataque também é incrível. É o nosso jogador mais importante, entende o seu papel e vamos, obviamente, ganhar muito com ele dentro de quadra. Seus companheiros também gostam muito dele, entendem tudo o que ele passou. Somos um time forte e iremos brigar forte nesta temporada inteira, podem esperar.

tom4BNC: Como foi para você, o técnico do time, comandar todo o furor que tinha sobre a volta ou não volta do Rose? Como foi controlar os outros jogadores?
THIBODEAU: Olha, essa foi a parte mais simples. Todos no elenco sabiam que ele não jogaria a temporada passada. Esta foi a mensagem dada a eles desde o começo do campeonato. Se, por uma acaso, ele tivesse bem, em condições, e voltasse seria melhor, lucro, mas não era isso que todos esperávamos, não. Que isso fique claro. O que acabou sendo bom, vendo pelo lado positivo, é que o time cresceu muito com esta situação toda. Mentalmente foi um grande aprendizado para todos nós. Fomos longe, tivemos ótimas vitórias e saímos orgulhosos do que conquistamos na temporada passada. Isso é o mais importante e o que ficou do campeonato.

king1BNC: É possível bater o Miami nesta temporada? (Perguntei isso antes do jogo de estreia…)
THIBODEAU: Olha, temos que dar todo crédito aos caras. São os atuais bicampeões da NBA, e isso já é muita coisa. Mas até que alguém os vença sempre parecerá impossível. A questão é que todos estarão com o Miami na alça de mira, procurando vencê-lo noite após noite. Não é uma situação confortável. Tem uma coisa importante também: a conferência Leste ficou muito, muito mais forte, o que tornará o trabalho do próprio Miami muito mais complicado desde o começo do campeonato. Nessa liga, no atual estágio em que estamos, não se pode dar mole, descansar uma noite sequer. Indiana, Knicks, Nets são franquias incrivelmente fortes, mas há o Detroit, que se reforçou, o Washington, time talentoso, Bucks, Atlanta. Vai ser um dos campeonatos mais duros dos últimos anos. É isso que passo aos meus atletas dia após dia. O que estamos tentando fazer é, neste começo de jornada, criarmos a nossa identidade, nossa força mental, nossa fortaleza para, lá no final, estarmos aptos a brigar por algo grande. Para ser campeão é preciso ir passo a passo, e sem pular nenhuma etapa. A grande armadilha é querer esquecer uma etapa, e isso não faremos. Não é da noite para o dia que se monta um time campeão, todos aqui estão conscientes disso. Temos um ótimo grupo de jogadores, força coletiva e cabeça boa, e vamos nos doar ao máximo para atingir o objetivo máximo do campeonato.

tomkg1BNC: Você falou sobre a Conferência Leste, que de fato ficou muito mais forte. Nets se reforçou muito, Knicks manteve uma base forte, o Indiana trouxe Scola e terá o Granger de volta. Já é a melhor conferência da NBA?
THIBODEAU: Quanto a isso, não sei, mas será muito mais disputada. Isso sem dúvida alguma. O Miami é o atual campeão. Nets, Knicks, Indiana, todos melhoraram. Temos que estar preparados para todos. Poucos citam o Cleveland, mas eles têm um grupo incrivelmente talentoso também.

BNC: Sobre o Nets, como será pra você, que foi assistente-técnico do Boston campeão da NBA de cinco anos atrás, ver Paul Pierce e Kevin Garnett em um uniforme que não aquele verde? Além disso, Doc Rivers não estará mais com os Celtics, mas sim com os Clippers.
THIBODEAU: Tem uma coisa importante: quando você ganha um título a sua vida fica conectada para sempre com todos que participaram do feito. Independente do que aconteça, sendo técnico ou jogador, essa é uma verdade absoluta. Então, aconteça o que acontecer, faremos sempre parte do time do Boston que foi campeão da NBA depois de duas décadas e isso nos encherá de orgulho para o resto de nossas vidas. E isso é especial. Mas, bem, preciso responder o que você me perguntou. Para ser sincero, eu jamais imaginei que este dia de vê-los sem vestir o verde de Boston ia chegar – principalmente o Paul Pierce, que sempre jogou na franquia e tem uma biografia linda por lá. Mas essa é a NBA, profissional ao extremo. Sobre o Doc Rivers, ele é um grande técnico, um grande amigo com quem mantenho contato até hoje e com quem conversei muito durante as negociações todas que culminaram com a saída dele de Boston.

doc1BNC: Algum deles falou com você antes, durante ou depois das negociações?
THIBODEAU: Sim, com Doc sim. Não foi um momento simples e tranquilo para ele decidir sair de Boston, que isso fique claro. Disse a ele, no curso daquele turbilhão de emoções, que eu o apoiaria em qualquer decisão que ele tomasse. E foi o que fiz, ficando ao lado do meu amigo na sua ida para o Clippers. Com os atletas falei depois, e tampouco foi fácil pra eles. Foram anos muito bons com Doc, Paul e Garnett em Boston, e estou feliz que eles terão grandes times para treinar e jogar. Que eles sejam felizes. É o mais importante.

BNC: Não sei se você chegou a ouvir, mas Doc Rivers disse que não seria fácil treinar o Clippers pois o time fica na mesma cidade da melhor equipe da história de TODOS os esportes americanos, o Lakers, grande rival do Boston. Você chegou a ouvir isso? Concorda?
THIBODEAU: (Neste momento Tom ri e suspira) Ouvi, claro que ouvi. Mandei algumas mensagens “carinhosas” para ele a respeito destas declarações dele. Bem, cada um tem sua opinião, externa da maneira que convém… Enfim, ele falou, é a opinião dele e preciso respeitar. Boston é uma grande franquia, o Lakers também. Tem espaço pra todo mundo. Prefiro sair da sua pergunta desta maneira (risos).

Paul Pierce, Doc RiversBNC: Pra fechar o assunto Boston. Você é chamado de mentor daquela defesa espetacular dos Celtics. Defesa que levou a franquia a um título e a uma final dois anos depois. Como foi montar aquela marcação sufocante e como você tenta trazer aquela mentalidade vencedora para este time do Chicago?
THIBODEAU: Você tenta sempre montar um time que possa vencer um campeonato. E você monta um time campeão sendo muito forte nos dois extremos da quadra. É preciso equilíbrio. Mas, para ser sincero, aquela não era a minha defesa. Era a defesa do Boston Celtics. Era a defesa de todos nós. E só conseguimos fazer aquela marcação realmente maravilhosa porque tínhamos elementos para isso – Kevin Garnett, Paul Pierce, Ray Allen, Rajon Rondo, Kendrick Perkins, Leon Powe, PJ Brown, James Posey, Tony Allen. O que eles entenderam de cara é que precisariam jogar como um time na defesa também, jogar uns pelos outros. Isso foi o mais maravilhoso daquele grupo, que se matava em quadra para se ajudar. E esta talvez seja a característica marcante de todos os times campeões da NBA: são todos balanceados nos dois extremos da quadra e sempre com espírito coletivo no ataque e na defesa. Alguns jogadores daquele time se sacrificaram, sacrificaram principalmente seus corpos em jogadas muito físicas, para o bem comum, o crescimento da equipe. Isso é muito bonito, não?

bulls1BNC: Para um técnico brasileiro, para um jornalista brasileiro, como é seu dia a dia como treinador de uma franquia da NBA? Te pergunto isso porque já li em livros do Phil Jackson que ele dividia seu time de assistentes para que cada um deles analisasse a temporada inteira de cinco, seis times. Como é a sua rotina de trabalho?
THIBODEAU: Essa é uma boa pergunta, e é algo que realmente gosto de falar. O que mais gosto de fazer é estudar, estudar basquete. Tanto quanto treinar minha equipe, eu amo analisar vídeos, rodar estatísticas, comparar dados que chegam até mim. Fico horas e mais horas no Centro de Treinamento do Chicago. Algumas vezes perco a noção e fico lá a noite toda. Faz parte do trabalho de um técnico da NBA, e não me culpo por isso. É algo que amo, mas ser treinador de uma equipe de ponta faz com que você tenha que estudar um tempo absurdo do seu dia. Por algumas vezes eu fico lá no ginásio em que treinamos para estudar, almoço, janto quase sempre alguma porcaria e vou ficando. Meu físico nada esbelto me denuncia sobre a falta de cuidado com a alimentação, você pode notar. Com meus assistentes eu faço o seguinte: não os separo entre um de defesa, outro de ataque, outro de fundamentos como alguns treinadores fazem. Não. Para mim, eles têm que estar preparados para saber sobre todos os aspectos do jogo. É algo que me cobro e cobro muito deles também. Sobre as análises dos jogos, é mais ou menos assim. Nós sempre trabalhamos dois jogos na frente do nosso calendário de jogos. Ou seja: imagine, em um calendário hipotético, que hoje é terça-feira e jogaremos contra o Miami na quinta-feira e o Lakers no domingo. Pode ter certeza que meus assistentes me enviarão o material do Lakers na terça-feira para que eu possa estudar. O do Miami eles já me enviaram tudo no sábado ou domingo anterior. Tudo é tudo mesmo: estatística do time, dos atletas, jogadas principais, notícias, jogos anteriores do time, nossos jogos anteriores contra aquele adversário. É uma pancada de apostilas, DVD’s. Fico empolgadíssimo. Aí formulamos a estratégia de jogo para, no dia anterior à partida, preparar o time para enfrentar aquele adversário. Ou seja: no dia, ou dias anteriores às partidas eu já sei exatamente o que preciso fazer para vencer o meu rival e tento preparar meu time com os dados que recebi da minha equipe de trabalho. É uma rotina dura, mas que rende frutos quando conseguimos encaixar tudo o que planejamos.

BNC: Você tem alguma memória sobre o basquete brasileiro em si? Sobre o Oscar Schmidt talvez?
THIBODEAU: Sim, sim. Todo mundo que ama basquete conhece a história do Oscar, um fenômeno. Estive há meses na cerimônia de entrada dele no Hall da Fama e foi um momento maravilhoso. Ele é uma pessoa muito carismática, realmente foi fantástico aquele discurso dele. Estava lá e me diverti muito. Todos que estudam o jogo sabem quão brilhante foi a sua carreira. Ele é parte integrante do crescimento global do basquete nos últimos 20, 25 anos mesmo sem ter jogado na NBA.

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BNC: Tem uma história boa, que não sei se todos conhecem: você foi assistente-técnico do John Lucas no Sixers no meio da década de 90 quando um jovem muito bom do Estado da Filadélfia foi chamado para treinar com o time. Este jovem é hoje conhecido. Ele se chama Kobe Bryant. Como foram aquelas semanas em que ele esteve com o time?
THIBODEAU: (Risos) Você está fazendo com que eu me sinta mais velho (Risos). Esta é realmente uma história incrível. Kobe era muito falado em todo estado, por causa de seu talento, e John, que jogou com o pai do Kobe, decidiu chamá-lo para treinar conosco por uns dois, três dias. Acabou sendo uma situação até engraçada, porque o Kobe é tão alucinado por treinamento que ele não saiu do ginásio em que treinávamos nem por decreto. Ficava lá horas e horas arremessando, treinando fundamentos. Ficou conosco mais de um mês e queria mais. Óbvio que por ter morado na Europa a sua bagagem cultural e sua formação de fundamentos já era um pouco mais consolidada que a de meninos de sua idade, mas sua habilidade era muito incrível. Competia, com seus 16 anos, de igual para igual com alguns dos veteranos da NBA. Houve situações engraçadíssimas, de disputas entre eles, e Kobe, mesmo muito novo, não diminuía o ritmo, não fazia nada diferente do que fazia nos seus jogos de colégio daquela época. Sua vontade, sua determinação e sua vontade de querer evoluir a cada dia nunca mudaram. Olhando lá para aquela época, não é surpresa ver, hoje, que ele conquistou cinco títulos e tem uma carreira memorável, uma das melhores da história do basquete.

BNC: Alguma dúvida que ele voltará dessa lesão no tendão com a mesma gana, com a mesma força de vontade para tentar ganhar seu sexto anel de campeão?
THIBODEAU: Nenhuma dúvida. Uma das grandes vantagens do Kobe sempre foi se adaptar muito rápido, conseguir visualizar e entender as diferentes situações de forma rápida. Nenhuma dúvida que ele voltará ainda melhor, mais preparado fisicamente e mentalmente. Eu, deste canto, jamais vou questionar qualquer coisa que este rapaz pode fazer em uma quadra de basquete. Não é bom desafiá-lo, duvidar de sua capacidade. Isso está provado.

harvard1BNC: Minha última pergunta: você foi assistente-técnico de Harvard entre 1985 e 1989, uma faculdade mais conhecida por seus gênios da economia, por exemplo, do que pelos jogadores de basquete (talvez a exceção seja o Jeremy Lin). Como foi esta época?
THIBODEAU: De novo você me chamando de velho (risos). Foi um momento incrível, incrível da minha carreira. Pouca gente sabe, mas existem grandes jogadores por lá e foi maravilhoso fazer parte da Universidade por quatro anos. Fazíamos parte de uma conferência muito dura, com jogos muito difíceis e me fizeram crescer muito como pessoa e profissional. O melhor de tudo, no circuito universitário, é que você enfrenta tantos técnicos de diferentes culturas de basquete que você acaba estudando e aprendendo demais. Sobre ataque, defesa, pressão quadra toda, tudo. Foi um momento decisivo em minha carreira.


A volta de Vendramini, 15 anos depois do primeiro título Nacional feminino
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Fábio Balassiano

vendra3No dia 21 de abril de 1998, Fluminense e BCN/Osasco fizeram a quinta partida do Nacional de 1998, o primeiro Feminino organizado pela CBB. Foi o quinto jogo de uma série excepcional, disputada palmo a palmo. Naquele dia (uma quinta-feira, se não me engano), o tricolor das Laranjeiras, jogando diante de um apinhado ginásio do Tijuca, venceu as paulistas por 101-92 com 32 pontos de Silvinha e outros 26 de Vedrana (minha musa) não só para conquistar a taça, mas também para dar uma alegria a uma torcida que sofria tanto com seu time de futebol.

O técnico daquele timaço (Cintia, Jaqueline, Fabianna, Silvinha, Vedrana, Marta, Vicky Bullett) era Antonio Carlos Vendramini, e aprendi a admirá-lo silenciosamente nos jogos nas Laranjeiras e no Tijuca. Foi aquele time que me fez passar a acompanhar o basquete feminino com mais força, mais entusiasmo. Tinha 15 anos, não entendia quase nada, mas gostava de ver a calma dele no banco, a sobriedade e a alegria quando tudo parecia sair corretamente.

O time do Flu acabou no dia seguinte a conquista do título, Vendramini foi pra Ourinhos, conquistou mais dois Nacionais da CBB e depois deu uma sumida do mapa. Tentou emplacar um projeto em Marília, mas não vingou muito (se não me engano lá foi o primeiro time da cubana Ariadna no país). Encontrei com ele no Mundial de Clubes em Barueri e ele me disse que estava com bons pressentimentos que coisas boas surgiriam.

vendra1E surgiu mesmo. Ontem ele foi anunciado como novo treinador de Americana, certamente um dos melhores times do país. Aos 63 anos, ele volta a comandar a equipe do interior de São Paulo (a dirigiu na década de 90, entre 1995 e 1998) e uma agremiação de ponta exatos 15 anos depois de uma de suas conquistas mais emblemáticas. Terá a missão de transformar um time forte em uma equipe de sucesso, capaz de bater o ótimo Sport, de Recife, e os rivais de São Paulo na LBF e também no Paulista (aí sem as pernambucanas, obviamente).

Independente do resultado, é ótimo tê-lo de volta, é ótimo ver Antonio Carlos Vendramini de volta ao cenário de um basquete feminino que teima em esconder quem tanto fez pela modalidade. Vendramini é um dos mitos do esporte desse país e merecia uma nova chance – nem que esta seja para fechar a sua carreira com a dignidade que merece. Sorte para ele em Americana.


De volta, Varejão estreia hoje na NBA querendo ficar longe de lesões
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Fábio Balassiano

O Cleveland Cavaliers estreia nesta quarta-feira contra o Brooklyn Nets repleto de muita expectativa. O time terá a volta de Mike Brown ao comando técnico, mais uma temporada do excelente Kyrie Irving, os reforços de Earl Clark, Andrew Bynum (ainda sem previsão de estreia), Jarrett Jack, a chegada de três calouros talentosos (entre eles o número 1 do Draft, Anthony Bennett) e o retorno de Anderson Varejão, que se machucou na temporada passada, teve uma embolia pulmonar e no final da tormenta casou-se com Marcelle e começa o campeonato com a expectativa de jogar mais do que nos últimos anos, quando se machucou (entre 2010 e 2013 ele não conseguiu atuar em mais que 31 partidas). Mais experiente de um renovado grupo, Varejão conversou com o blog sobre seu papel na franquia, expectativa para voltar ao playoff e, claro, seleção brasileira. Confira!

BALA NA CESTA: Você está de volta ao Cleveland para esta temporada depois de uma grave embolia pulmonar. Qual é a sua expectativa individual para o campeonato?
ANDERSON VAREJÃO: Individual é estar bem, estar saudável e ficar longe do Departamento Médico. O mais longe que eu puder (risos). Tive lesões sérias e uma doença grave nos últimos três anos, quero passar essa temporada sem problemas.

BNC: Exato. Há três temporadas você tem tido lesões seguidas que acabam por terminar com campeonatos muito bons (no passado você quase foi selecionado pro All-Star Game). Não é algo que você consiga controlar, obviamente, mas há alguma meta de minutos e/ou jogos que você ou o time tenham pensado para a temporada 2013/2014?
VAREJÃO: Não. Quero estar bem, entrar em quadra para jogar o meu melhor. Espero ser útil, ser produtivo, jogar bastante, mas sem essa pressão por minutos ou número de jogos. Farei meu máximo para ajudar o Cleveland a ter um bom ano e alcançar os objetivos.

BNC: Fazer sua primeira temporada como homem casado muda algo pra você? Traz mais responsabilidade? Alguém do time chegou a brincar em relação a isso?
VAREJÃO: Não muda nada. Eu e a Marcelle já levávamos uma vida de casados, só oficializamos a nossa união. A responsabilidade já existe, tanto como marido, quanto como jogador do Cleveland. Algumas fãs que não gostaram muito da ideia, mas isso faz parte. Sei que elas torcem por mim, gostam de mim e vão ficar felizes me vendo feliz.

BNC: Falando especificamente do Cleveland, você chegou ai há quase uma década e agora é o jogador mais velho do elenco (é a sua décima temporada). A responsabilidade por guiar um elenco tão jovem aumenta muito?
VAREJÃO: Acho que tenho, sim, uma responsabilidade, assim como todos possuem uma parcela de responsabilidade na equipe. Dentro do grupo, todos sabem o tamanho da expectativa da torcida, dos fãs, e estamos confiantes de que vamos corresponder bem. Acho que tenho uma função um pouco diferente, que é de tentar aconselhar mais os novatos, passar um pouco de experiência, porque já fui novato na equipe e recebi essa ‘ajuda’ dos mais veteranos. Tento fazer isso, mas de forma natural. Temos um objetivo em comum, que é fazer do Cavs um time forte, então tudo é válido. Eu não ensino apenas a eles. Aprendo também. Essa troca é muito saudável.

BNC: Apesar de jovem, o Cleveland se reforçou com boas peças (Clark, Bynum, Jack e Miles), trouxe três calouros muito bons e conta com a evolução de Irving e Waiters. Chegou a hora de voltar aos playoffs? Ou ainda é cedo?
VAREJÃO: Voltar aos playoffs é o nosso objetivo. Claro, a temporada ainda nem começou, mas estamos muito confiantes. A equipe vem mostrando evolução nos últimos anos, estamos construindo uma base sólida e espero que possamos contar com todos bem para esse campeonato. Nossa meta, nosso primeiro objetivo, é voltar aos playoffs, e temos condições para isso.

BNC: Como está sendo este retorno do Mike Brown a Cleveland? Ele mudou muito, mudou alguma coisa em termos de sistema de jogo ou comportamento?
VAREJÃO: Aos poucos, ele vai passando a filosofia dele, implantando sua forma de trabalhar. Aos poucos, vai colocando em prática o que quer para o nosso time, ajustando, enfim, dando a cara dele à equipe. Ele me conhece bem e eu o conheço bem também. Os fãs também sabem da sua capacidade e ele quer muito fazer um bom trabalho novamente com a equipe.

BNC: Sobre o Andrew Bynum, pivô que foi contratado, todo mundo sabe que ele precisa se recuperar fisicamente primeiro. Sair do banco, como foi quase sempre pra você aí em Cleveland, seria um problema ou vale tudo pelo time?
VAREJÃO: Estou à disposição do Mike Brown e da equipe para o que precisarem, como precisarem de mim. Não existe rivalidade. Acho que temos o mesmo objetivo: eu, Bynum, Brown e Cleveland, que é fazer uma boa temporada. Bynum é um jogador que está com vontade, com fome de bola, está vindo de lesões e todos sabem do seu potencial. Foi uma grande contratação e espero que ele, assim como eu, fique longe das contusões e possa nos ajudar bastante.

BNC: Ano passado seu nome foi envolvido em uma série de possíveis trocas, e neste campeonato a concorrência no garrafão do Cavs é imensa. Além disso, seu contrato pode chegar ao fim caso o Cleveland não exerça a opção de renovação. Como fica a cabeça do atleta sabendo que ele pode ser negociado a qualquer momento ou que os minutos podem cair drasticamente quando todos estiverem a disposição (Thompson, Zeller, Bynum, você)?
VAREJÃO: Sinceramente, não penso nisso. Nunca pensei. Penso em ser útil, em me doar ao máximo ao Cleveland, em ajudar a equipe, como sempre fiz. Já falei algumas vezes que a minha vontade é e sempre foi permanecer aqui. Não me envolvo quando surgem notícias ou boatos sobre trocas, deixo isso para o Cleveland e para os meus agentes. Temos um bom garrafão hoje e isso é fundamental para aguentar a temporada, para manter o nível e a equipe forte. Isso é muito bom.

BNC: Queria que você falasse sobre as três peças jovens do time, o número 1 Anthony Bennett (foto à esquerda), o russo Sergey Karasev, carrasco do Brasil em um Mundial sub19 recente, e o australiano Dellavedova. O que tem a dizer sobre eles?
VAREJÃO: São jogadores de muito potencial, jovens ainda, mas que podem e vão ajudar muito o Cleveland. Acho que conseguimos nos reforçar com bons garotos, que chegam cercados de muita expectativa e que podem corresponder, que vão ser importantes para a equipe. Mike Brown sabe trabalhar com jogadores novos também, isso conta muito. Eles vão ter espaço e confiança para se desenvolverem.

BNC: Há menos de um mês ocorreu a primeira partida da NBA aqui no Brasil. Como foi a repercussão aí nos EUA? Muita gente já comenta que o próximo que rolar aqui no país será com o seu Cleveland. Já pensou em como seria a recepção?
VAREJÃO: Ouvi muitos elogios. Não apenas sobre o evento, mas sobre o país, sobre os fãs, sobre as belezas do Rio de Janeiro. Sobre jogar com o Cleveland no Brasil, não pensei sobre isso. Vai, na verdade pensei, porque fiquei feliz de saber que haveria esse jogo no Brasil, fiquei feliz por isso estar acontecendo, porque é um sonho antigo dos brasileiros. E espero que esse comentário sobre o Cavs vire verdade. Ia ser maravilhoso. Todos aqui sempre perguntam sobre o Brasil, ainda mais com Copa do Mundo e Olimpíadas, sabem que é um lugar especial e seria uma boa oportunidade deles conhecerem o nosso país.

BNC: As vaias que o Nenê levou te assustam? Chegou a falar com o Nenê depois do ocorrido? O que você, mesmo de longe, achou da manifestação do público e de todo clima que acabou se criando?
VAREJÃO: Não falei com ele. Acho que não foi legal. Entendo que parte do público esteja sentido pela ausência dele de algumas convocações, mas se ele fez isso teve suas razões. Não estou aqui para julgar ninguém, defender ninguém, nem o Nenê, nem os fãs, acho que as vaias foram pesadas, ainda mais num momento tão importante, do primeiro oficial da NBA no Brasil. Torço para que tenha ficado apenas ali. É claro que ele ficou triste. Sem falar com ele depois do que houve, tenho certeza disso. Qualquer um ficaria. Mas espero que isso tenha passado. Temos competições importantes pela frente, Nenê é um jogador importante nessa caminhada para o Mundial, para as Olimpíadas e a torcida é fundamental para que a Seleção Brasileira possa fazer um bom papel principalmente nesses campeonatos. Temos um grupo forte e o apoio do torcedor brasileiro torna nossa seleção ainda mais forte.

BNC: Pra fechar, um assunto que não poderia faltar – seleção. Como você viu a eliminação do Brasil na Copa América? Foi um choque pra você? A CBB disse que irá procurar os atletas que atuam no exterior para gravar um vídeo em que eles (no caso vocês, atletas) se comprometem a jogar o Mundial de 2014. Isso chegou até você? É mesmo possível se comprometer com isso sem saber o que acontecerá até lá?
VAREJÃO: Fiquei chateado, como todos que estavam lá, como todos que fazem parte do grupo e que torcem pela Seleção Brasileira ficaram. Me procuraram, sim, e vou dar esse depoimento, sem problemas. Acho que esse não é um pedido meu, é um pedido do basquete brasileiro e eu estou entre os que querem ver o Brasil no Mundial. Se posso dar a minha parte de contribuição para que esse convite venha para o Brasil, vou fazer. Não pude estar na Venezuela, mas fiquei chateado e triste também. Não foram apenas os 12 que viajaram que perderam, todos que fazem parte do grupo, que gostam e que torcem pela Seleção Brasileira também perderam. Vou manifestar minha vontade de ir ao Mundial, como sempre estive à disposição da Seleção Brasileira. Sofri com as lesões ultimamente e espero não ter mais problemas nesta temporada. Nem quero pensar em lesões, quero pensar na temporada, em ter um bom ano e ver o Brasil na Espanha em 2014.


O que esperar dos quatro brasileiros nesta temporada da NBA?
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Fábio Balassiano

Começa hoje a temporada 2013/2014 da NBA, você sabe muito bem disso. E serão quatro brasileiros garantidos no melhor campeonato do mundo: Anderson Varejão, Nenê, Tiago Splitter e Vitor Faverani. Vamos às análises sobre o que eles poderão produzir no certame.

NENÊ – Iniciando a sua décima-segunda temporada na NBA (não sei se as pessoas têm noção do que isso representa), o pivô (ou agora ala-pivô, já que Marcin Gortat pode acabar deslocando o camisa 42 para a posição 4) é uma das principais esperanças de fazer com que o Washington Wizards volte aos playoffs. Será titular, terá tempo de quadra e uma das figuras centrais da defesa da franquia da capital dos Estados Unidos. Não dá pra esperar médias exuberantes de pontos e rebotes, mas certamente sua importância de liderança será notada em um elenco jovem e com fome de voltar ao mata-mata.

ANDERSON VAREJÃO – Há uma década na liga, Varejão (entrevista com ele aqui amanhã) começa esta temporada com um objetivo claro: ficar fora do departamento médico. Sem ter conseguido jogar mais do que 31 partidas nos últimos três campeonatos, o pivô será titular do renovado time do Cleveland até que Andrew Bynum se recupere. Quando o ex-jogador do Lakers estiver bem, o brasileiro deve voltar a sua função de sair do banco para incendiar o time (e não há demérito algum nisso). É homem de confiança do técnico Mike Brown, muito querido pela torcida e contribuirá como sempre contribuiu – defesa, energia e enterradas ferozes. A grande meta, independente de metas de pontuação ou rebotes, é conseguir se manter saudável por todo o campeonato. Tem boas chances de conseguir com o Cavs uma vaga na pós-temporada.

TIAGO SPLITTER – Único brasileiro que com certeza estará no playoff, Tiago começa a sua quarta temporada na NBA como pivô titular do San Antonio Spurs e com contrato renovado. Não fez uma grande pré-temporada, e certamente será cobrado por Gregg Popovich para evoluir em relação aos últimos campeonatos. Todo mundo sabe de seu talento, mas Tiago precisará ser muito mais agressivo no ataque e na defesa para corresponder às expectativas imensas que todos têm em cima dele. Sua evolução pode significar grandes avanços para ele e principalmente para seu time.

VITOR FAVERANI – Terceiro brasileiro a jogar no tradicional Boston Celtics (o primeiro foi Leandrinho), Vitor terá tempo de quadra para desenvolver seu jogo em um time que está claramente em reconstrução. Terá que aproveitar cada segundo para provar que pode ficar no time para os próximos anos. A julgar pela pré-temporada, está mais do que preparado para isso. Foi muito bem na defesa, no ataque e até arriscou alguns chutes de três pontos. Elogiado por seu técnico (Brad Stevens) e companheiros, Faverani tem tudo pra surpreender e ir muitíssimo bem em sua temporada de estreia.

Três outros brasileiros podem entrar na liga nos próximos dias ou meses (Leandrinho, Fab Melo e Scott Machado, dispensado do Utah no último sábado), mas ainda não é certo. O país começa com quatro e estará bem representado.

Concorda com minhas análises? O que esperar dos brasileiros? Comente!


Os meus palpites para a temporada 2013-2014 da NBA – comente você também!
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Fábio Balassiano

Você já leu aqui as análises que fiz sobre alguns times da NBA, certo? Falei do Lakers, Miami, Chicago, Detroit, Boston, Wizards, Memphis, Spurs, Warriors, Cavs, Clippers, Houston, Indiana, Pelicans  e muito mais. Mas sei que vocês gostam mesmo quando eu quebro a cara com meus palpites mais errados que bolas de três do Steve Blake. Então vamos lá.

Como fiz aqui ano passado, vamos aos palpites para a temporada da NBA que começa nesta terça-feira. Deve ser uma das melhores dos últimos anos (são muitos times bons, com chance de ir longe) e a expectativa de os brasileiros irem bem também. Vamos lá aos meus chutes:

FINAL DO LESTE: Miami Heat x Chicago Bulls
OS 8 DO LESTE (não está na ordem): Miami, Chicago, Knicks, Nets, Indiana, Detroit, Washington e Cleveland
TIME QUE PODE ENTRAR NO PLAYOFF DO LESTE: Toronto Raptors
FINAL DO OESTE: Oklahoma City Thunder x San Antonio Spurs
OS 8 DO OESTE (não está na ordem): Spurs, Oklahoma, Memphis, Houston, Clippers, Warriors, Lakers e Dallas.
TIME QUE PODE ENTRAR NO PLAYOFF DO OESTE: Portland Trail Blazers
FINAL DA NBA: Heat x Spurs (Heat campeão)
MVP: LeBron James (foto)
MELHOR DEFENSOR: Dwight Howard
RESERVA DO ANO: Danny Granger (Indiana Pacers)
MELHOR TÉCNICO: Tom Thibodeau
TIME SURPRESA: Cleveland e Portland (ok, foram dois)
TIME DECEPÇÃO: Sacramento Kings (repetido da temporada passada)
JOGADOR SURPRESA: Bradley Beal (do Washington Wizards)
JOGADOR DECEPÇÃO: Ron Artest (New York Knicks)
CALOURO DO ANO: Victor Oladipo (Orlando Magic)
PIOR TÉCNICO: Mike D’Antoni
JOGO DO ANO: Celtics x Nets em Boston com o retorno de Paul Pierce e Kevin Garnett (26 de janeiro de 2014)
MALA DO ANO: Mark Cuban (voto nele todo ano…)
PRIMEIRA CONFUSÃO DE RON ARTEST: 30/10/2013 (abertura da temporada)
MELHOR BRASILEIRO DA TEMPORADA: Nenê

E pra você, quais serão os destaques? Comente!


Titular, Tiago Splitter quer curar ‘ressaca’ do vice com título da NBA
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Fábio Balassiano

A temporada da NBA que começa hoje com três jogos (Pacers x Orlando, Heat x Bulls às 22h no Space e Clippers x Lakers às 00:30 já de quarta-feira) tem um brasileiro com reais chances de chegar à final da liga. É o mesmo que disputou, e bem, a temporada passada até o sétimo e decisivo jogo. Tiago Splitter, que completará 29 anos no primeiro dia de 2014, inicia seu quarto ano no melhor basquete do mundo ainda com o sabor amargo de ter perdido o título para o Miami Heat naquele tiro de Ray Allen no jogo 6 da Flórida (relembre aqui), mas ao mesmo tempo com confiança de sobra por ser o pivô titular do poderoso San Antonio Spurs, um dos favoritos a voltar a ganhar o Oeste. Conversei com ele ontem à tarde sobre a expectativa para a temporada que começa, para os texanos, na quarta-feira contra o Memphis, curiosamente o rival batido na decisão de Conferência passada por inapeláveis 4-0. Vamos ao papo completo (seleção, Popovich, toco do LeBron e tudo mais).

BALA NA CESTA: Como está a expectativa do time depois de tudo o que aconteceu no final da temporada passada? O título esteve muito, muito próximo e acabou não vindo.
TIAGO SPLITTER: A expectativa é grande, bem grande. Sabemos que temos que fazer exatamente o que fizemos no ano passado para conseguir o nosso objetivo, que é o título. Vamos trabalhar duro pra chegar lá. Mudamos muito pouco, em relação a elenco, e estamos prontos para o desafio. Mais um título para a franquia. É só nisso que pensamos.

BNC: Imagino que essas férias não foram comuns para vocês, atletas do San Antonio. O título esteve muito perto, né, todos sabemos. Você chegou a rever aquele jogo 6, aquele tiro do Ray Allen? Chegaram a se falar, os jogadores, durante as férias a respeito disso?
SPLITTER: Não, se falar especificamente sobre isso, não. Sobre o arremesso do Ray Allen, já vi, vi umas mil vezes e não aguento mais (risos). Está na cabeça de todo mundo, não tem motivo pra esconder. Nunca nos esqueceremos disso, mas não ficamos comentando, não. É do esporte, é da vida. Esse tipo de coisa machuca, dói, mas acontece. Era uma final de NBA, os melhores jogadores do mundo, não tem muito jeito. O que posso dizer é que estamos com fome, estamos famintos para que a temporada comece logo. A perda do título na temporada passada nos motiva a tentar, nesta, trazer o troféu para San Antonio. Estamos muito focados em conseguir isso nesta temporada. Todos nós que passamos pelo que passamos temos o mesmíssimo pensamento. O que passou no campeonato passado já passou. Não temos razão para ficarmos de cabeça baixa, hoje, com o que vivemos meses atrás. Temos fome de vitória.

BNC: E sobre você, como você individualmente está para esse campeonato? O que podemos esperar do agora titular absoluto da posição cinco do Spurs?
SPLITTER: Meu foco é sempre seguir melhorando para fazer parte desse time. A mentalidade aqui é sempre pensar coletivamente, pensar no grupo e eu acredito muito nisso também. Temos três jogadores excepcionais aqui (Manu Ginóbili, Tim Duncan e Tony Parker), e são eles que vão decidir mesmo. Não tem como fugir disso. Tenho minhas funções, meu jogo de pick and roll com Parker e Manu é uma das armas da equipe e sei muito bem do meu papel por aqui. Todos os jogadores que não os três que são os mais veteranos da franquia são coadjuvantes, fazem parte da rotação, possuem suas funções muito bem definidas e determinadas por toda comissão técnica.

BNC: Muita gente diz que você poderia ser mais ativo no ataque. Você concorda com isso?
SPLITTER: Olha, não existe limite para evoluir no basquete. Quanto mais você treina, quanto mais você joga, mais você melhora. Isso é óbvio e é uma regra que levo pra mim a vida toda. Mas aqui o Gregg Popovich (técnico) pede algumas coisas e temos que cumprir. É assim que a banda toca aqui. É óbvio que é bem diferente do que estava acostumado quando jogava na Europa, mas eu respeito, respeito a hierarquia. Tenho muito a melhorar, muito a evoluir e sei que até chegar ao ponto de decidir partidas preciso contribuir de outras formas. Somos um time, e sou uma engrenagem importante. É óbvio que gostaria de ter 25, 30 arremessos por jogo a minha disposição, mas não é assim que funcionam as coisas aqui. Na temporada passada já recebi mais bolas de costas pra cesta, já tive mais jogadas de um-contra-um, e aos poucos vou crescendo. Posso melhorar muito ainda na questão de rebotes e até mesmo nas assistências, assim como já evoluí nos lances-livres. Com os lances-livres, aliás, foi interessante. Eles mudaram toda a minha mecânica de arremesso. No começo sofri um pouco, mas no campeonato passado já estava bem melhor (Tiago saltou de 54% em 2011 para 71% em 2013). Aos poucos eu vou crescendo, melhorando no meu ataque e as oportunidades vão aparecendo. Manu, Tim e Tony têm uma história aqui e é natural que eles sejam as estrelas da equipe. Quanto a isso estou muito tranquilo.

BNC: O Leste se reforçou bastante, mas o Oeste continua sendo fortíssimo. O que você está esperando dessa temporada em relação aos rivais? Alguma coisa especial por enfrentar o Dwight Howard aí do lado, em Houston?
SPLITTER: Não, não. Howard é um grande jogador, físico pra caramba, mas não tem nada de diferente em enfrenta-lo. É mais um dos grandes pivôs que há nessa liga. Vai ajudar demais o Houston junto com o James Harden e o Chandler Parson, dois grandes jogadores. Acredito que os Rockets podem surpreender. No Oeste, pra mim, o grande favorito segue sendo o Oklahoma City Thunder, que só não foi muito longe na temporada passada por causa da lesão do Russell Westbrook. Eles mantiveram a base e são realmente uma grande equipe, favoritos ao meu ver.

BNC: E o Spurs, onde entra nisso?
SPLITTER: Eu nunca me coloco entre os favoritos (risos). Deixo isso para a imprensa e para os outros. O Oklahoma vem bem, o Clippers contratou o Doc Rivers, um dos melhores técnicos da NBA, o próprio Houston mesmo está empolgado. No Leste acho que o Miami segue como o time a ser batido, mas tem Indiana, Nets, Chicago e Knicks. Vai ser realmente uma temporada empolgante. Todos aqui estão bastante empolgados com o campeonato deste ano. Do treinador aos jogadores, todos estamos animados.

BNC: Falando no Popovich, você tem noção que muita gente, inclusive eu, perde horas e horas rindo das suas (dele) entrevistas no YouTube, né…
SPLITTER: (Risos) Sei, sei bem. A gente ri bastante também. Chega a ser engraçada a maneira que ele trata a vocês da imprensa. É totalmente distinta da forma que ele lida com os atletas. Aqui ele é um paizão, um avô, sei lá. Briga quando tem que brigar, mas nos protege muito também. Já são quase 20 anos como técnico, quase sempre chegando longe nos playoffs, você deve imaginar que as perguntas se repetem demais também. Quando chegamos no playoff, principalmente semifinal, final de conferência, é um absurdo o volume de perguntas, volume de gente querendo saber das coisas. Ele deve ficar um pouco cansado disso. O divertido é que ele chega no vestiário, pra gente, e diz: “Não falem besteira lá fora. Deixem comigo que eu falo com a imprensa” (Risos).

BNC: Você falou do Miami, certamente o maior dos favoritos ao título dessa temporada. Muita gente também não tira da cabeça o toco que o LeBron James te deu nas finais da temporada passada…
SPLITTER: Pois é. Faz parte, né. A NBA adora esses momentos, sabe promover o evento, sabe se promover também. A liga se vende muito bem, e é preciso respeitar. É o basquete. Aconteceu e é algo que a internet ama repetir inúmeras vezes.

BNC: Houve o primeiro jogo da NBA no Brasil por aqui, você chegou a ver? Alguma expectativa em jogar por aqui no próximo ano? O que achou das vaias ao Nenê?
SPLITTER: Sobre um possível jogo do Spurs, eu só li, mas não tem nada oficial. É óbvio que eu gostaria, adoraria sair um pouco dessa rotina aqui. Seria espetacular, mas não dá pra prever nada por enquanto. Sobre o jogo entre Washington e Chicago, sim eu vi daqui dos Estados Unidos mesmo. Foi uma vergonha o que aconteceu com o Nenê. Uma vergonha mesmo. A NBA preparou tudo com tanto carinho, o pessoal da NBA no Brasil se mobilizou tanto, se dedicou tanto para acontecer aquilo. O público misturou as coisas,  misturou as bolas entre clube e seleção. Aquele era um momento de celebração do basquete, celebração de um momento importante do basquete brasileiro perante a NBA. E tudo isso acabou ficando em segundo plano, infelizmente. Não conversei com o Nenê depois disso, mas obviamente ele ficou triste. Ninguém gosta de ser vaiado, ainda mais em seu próprio país. Ele teve todos os motivos do mundo para não jogar, e em 2012, na Olimpíada, quem esteve lá viu o que ele sofreu para defender o Brasil. O cara tomou injeção direto, quase todos os dias, e a temporada passada dele foi cheia de problemas físicos. Até hoje ele não se recuperou direito, é só ver que ele ainda não está bem. Na vida você precisa tomar algumas decisões, e ele agora está jogando pelo time que lhe paga. O povo não entende, vai criticar, paciência. Mas achei uma vergonha o que aconteceu. Misturaram as estações entre clube e seleção e ficou um clima muito chato. Ficou claro, pra mim, que faltou uma comunicação maior entre todas as partes para evitar o que acabou acontecendo.

BNC: Pra fechar, uma pergunta que se não quiser responder não precisa: você acabou não jogando pela seleção brasileira este ano, teve até uma situação chata de você e Anderson terem que se justificar nas redes sociais e o Rubén Magnano (técnico) criticando vocês publicamente. Como fica isso pra 2014? A CBB já te procurou para enviar um vídeo, carta, sei lá, pedindo o convite para o Mundial de 2014?
SPLITTER: Sim, a Confederação já chegou a me contatar e farei o que estiver ao meu alcance para ajudar na questão dos convites para o Mundial. Para ser sincero, já estou cansado de falar sobre essa situação toda. O grupo não encaixou, o time não encaixou e não conseguiu a vaga na Copa América. Vi tudo e fiquei bem triste. Agora é esperar o futuro para ser convidado. Temos que limpar nossa imagem, limpar a barra do basquete de todo Brasil. Melhoramos nos últimos anos e precisamos seguir nessa linha. Quanto ao Magnano, acho que ele foi infeliz em relação ao que disse no calor daquele momento, mas não há nada contra ele. Foi infeliz, mas sou jogador e não tenho problema algum em trabalhar com ele novamente no próximo ano. Vamos conversar para melhorar e pronto. Agora é esperar pelo convite no Mundial, só isso.


Para o Lakers, mais uma temporada de Mike D’Antoni e consequente sofrimento
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Fábio Balassiano

Sei que a torcida do Los Angeles Lakers no Brasil é imensa, e gostaria muito de, para ela, começar o post dizendo que esta temporada o time vai sair do buraco. Mas não, não seria verdade. Não acho que será um mico retumbante como muita gente está pintando (a ESPN colocou os angelinos na posição 12 do Oeste), creio até que a vaga no playoff venha, mas qualquer coisa além de um sétimo ou oitavo lugar no mata-mata é um devaneio.

Kobe Bryant ainda está machucado e não sabe exatamente quando volta (acredito que pouco antes do Natal seja um bom chute – mas é só um chute mesmo), o elenco segue totalmente desbalanceado, os reforços que vieram não empolgam nem a Jack Nicholson (Xavier Henry, Jordan Farmar, Chris Kaman, Wes Johnson, Shawne Williams e Nick Young) e o técnico segue sendo Mike D’Antoni – esta é, sem dúvida, a pior notícia para os angelinos.

Sem mudar absolutamente seu estilo de jogo acelerado no ataque mesmo com um elenco lento (o armador titular tem 40 anos…) e tenebroso na defesa (média de 99,9 pontos tomados na pré-temporada), D’Antoni, que estava dando mais foco ao setor defensivo nos treinamentos, disse recentemente em coletiva em Los Angeles: “Continuaremos correndo. Menos, mas continuaremos correndo”. Não foi surpresa, porque nas três franquias recentes que dirigiu (Suns, Knicks e Lakers) ele usou o mesmo expediente – sem olhar para o elenco e descobrir se poderia, ou não, manter a sua filosofia preferida. Sobre a marcação, não é preciso falar muito além do que se nota aqui: os adversários conseguiram chutar 43,5% e conseguiram 25 assistências por jogo contra a peneira que é o setor defensivo dos Lakers desde que por lá chegou o atual treinador (e pensar que a diretoria preferiu Mike a Phil Jackson no começo do campeonato passado…).

Para piorar, as bolas de três pontos seguem sem cair (Nick Young, Wes Johnson e Jodie Meeks, que deveriam ser os especialistas na função, não conseguiram passar dos 36% de aproveitamento nos amistosos – Xavier Henry foi a grata surpresa no quesito, com ótimos 54,5% de longe), Steve Blake, que inacreditavelmente recebeu mais tempo de quadra que Jordan Farmar nos amistosos, continua em sua constante-fase-terrível (30% nos arremessos de quadra) e Chris Kaman parece bem pesado.

Não dá pra dizer que um time que conta com Kobe Bryant, Pau Gasol (mais rápido e com mais “fome”) e Steve Nash possui boas chances de ser um fracasso retumbante na temporada que começa amanhã (embora Mike D’Antoni faça de tudo para parecer que sim). Não acho que será, de verdade mesmo, mas que esse time do Lakers é bem fraco, isso é.

Será mais um campeonato de sofrimento intenso, na minha opinião. Concorda comigo? Comente!