Bala na Cesta

Arquivo : setembro 2013

Aos 22 anos, Tati Pacheco se firma como titular da ala na seleção
Comentários 6

Fábio Balassiano

No primeiro dia de agosto de 2009, a seleção feminina Sub-19 venceria a República Tcheca por 75-70 na prorrogação para terminar o Mundial da categoria, disputado na Tailândia, na nona colocação. Com uma boa geração, foi um resultado decepcionante, e muita gente se perguntou o que aconteceria com aquele grupo. Haveria continuidade na categoria adulta? Elas seriam aproveitadas também na seleção principal?

O tempo passou, e das 12 meninas que estiveram em Bangkok em 2009 seis ganharam o bronze com a seleção brasileira feminina na Copa América de Xalapa, no México, no sábado passado (Débora, Damiris, Fabiana, Tainá, Patricia e Tatiane). E foi justamente ela, Tatiane, a que mais se destacou na competição de 2009, tendo terminado o campeonato com 12,8 pontos (cestinha brasileira) e 3,9 rebotes, a que mais me chamou a atenção na Copa América (12,2 pontos, 2,5 rebotes, 1,8 assistência, 58,6% nos tiros de quadra e soberbos 50% nas bolas de fora).

Depois daquela competição na Tailândia eu conversei com uma menina sorridente, porém tímida pra caramba (veja aqui), e falamos sobre o problema que seria a transição juvenil-adulto para ela, que não disputaria o Nacional daquele ano. E assim foi feito. Seu time, o Jundiaí, não jogou a competição, Tati ainda por cima operou o joelho (parou oito meses), ficou um pouco estagnada e algumas das meninas de sua geração caminharam mais rápido (principalmente Patricia e Damiris, eleita a melhor do Mundial Sub-19 dois anos mais tarde, em 2011, no Chile).

O tempo passou, e Tati só foi jogar uma competição nacional na temporada 2011-2012 com São José (ou seja, dois anos depois daquele Mudnial Sub-19). Por ser uma caloura, impressionou-me demais vê-la em quadra, por sua volúpia, por sua intensidade, por sua força em direção a cesta e principalmente por seu jogo solto, fluído, parecendo aquelas meninas que jogam basquete de rua em uma quadra de basquete (tal qual acontece nos Estados Unidos com algumas das que dominam o jogo atualmente – sem comparar os talentos, por favor, mas é o TIPO de basquete que apresentam Maya Moore, Seimone Augustus e Diana Taurasi, por exemplo). Ela tinha 21 anos, e seus 8,3 pontos de média em ano de novata pareciam preceder algo ainda melhor (foram 26,3 minutos de média).

No ano seguinte, ainda em São José, Tati foi reserva de novo (desta vez de Ariadna), suas pontuação cresceu muito pouco (9,3 pontos), seu tempo de quadra diminuiu (22,3) na temporada regular e eu fiquei com medo de aquela menina de 1,80m ter caído na vala comum do basquete feminino brasileiro. Vieram as finais, seu time foi eliminado pelo Sport, que acabaria campeão, mas nas semifinais, mas com a contusão da cubana Ariadna ela deu sinais de que, sim, aquela menina das infiltrações insinuantes, dos dribles rápidos em direção a cesta e da defesa forte e rápida poderia vingar (fez 19 pontos no jogo 1 e 10 no jogo 2, sem se importar muito com a marcação da norte-americana Alex, solenemente ignorada pela ala em cada uma de suas investidas a cesta).

Tatiane terminou a temporada valorizada, foi contratada pelo próprio Sport (onde jogará ao lado de Tiffany Hayes, que se destaca atualmente no Atlanta Dream, da WNBA) e convocada por Zanon para preencher uma lacuna importante na seleção adulta – a ala. Era uma aposta, e ninguém (nem ela, nem o técnico e nem quem via de fora) sabia o que aconteceria com a jovem que vestiria a camisa 10 da seleção adulta pela primeira vez com tanta importância. Ela jogou bem o Sul-Americano, até (8 pontos de média), mas todo mundo sabia que poderia ir além, jogar mais, ser mais incisiva, mais “folgada”, mais agitada em relação a sua conhecida intensidade (faltava um pouco de “fogo”, sobrava a timidez que citei acima).

A Copa América veio, e Tati, titular mesmo com as experientes Karla e Chuca no retrovisor pedindo passagem, começou muito bem (fez 12 e 15 pontos nos dois primeiros jogos). Sentiu um pouco o jogo contra a Argentina, não foi tão bem contra Cuba, mas no jogo decisivo, no jogo mais importante contra Porto Rico, pela vaga no Mundial e pelo bronze na competição, ela desencantou. Deu cinco assistências (o máximo entre todas as da seleção na partida), apanhou cinco rebotes e saiu-se com 18 pontos para liderar a equipe (acertou suas cinco tentativas de bolas de fora para terminar o torneio de forma consagradora).

Formada pela ótima Kátia de Araújo no Círculo Militar, de São Paulo, Tatiane ainda tem muito o que melhorar em termos técnicos (seu arremesso pode sair mais “de cima”, sua defesa pode ser ainda mais agressiva pelo porte físico que possui, seu passe pode ser mais rápido, seu arsenal ofensivo precisa de ajustes e muito mais), mas está muito claro que o Brasil ganhou uma ala com jogo fluído, plástico e bonito de se ver depois dessa Copa América em Xalapa. O principal de tudo, agora, é ela ser mais ativa, entender que o talento que ela tem é ótimo, e que assumir o jogo em momentos críticos será fundamental para sua continuidade não só no alto nível dos clubes mas principalmente na seleção (jogue a timidez e a inibição pra lá, menina!). Habilidade e potencial atlético ela já provou que possui, agora é tentar atuar em alto nível por um período mais longo em todas as partidas (sua inconstância é natural das jovens, e de quem não atua muitas vezes em competições de nível alto – ela vai sentir isso na pele no Mundial de 2014, podem ter certeza).

A tal espinha dorsal que Zanon tanto buscava depois de seu primeiro ato como técnico começa a se desenhar. Adrianinha será a armadora titular. Érika e Damiris, a dupla do garrafão. E agora aparece Tati, 22 anos, para assumir um pouco da pontuação de fora do garrafão. Deu gosto vê-la jogando contra Porto Rico. Dá gosto ver que uma menina tão determinada e focada está chegando lá.

Que ela continue assim. O basquete feminino e ela só têm a ganhar.


Bate-bola com Guilherme Giovannoni, presidente da Associação de Atletas
Comentários 9

Fábio Balassiano

Na semana passada você leu aqui no UOL, em reportagem do amigo Daniel Neves, o primeiro ato da Associação de Atletas Profissionais de Basquete no Brasil. A AAPB entrou com uma denúncia no Ministério do Trabalho contra o Clube Espéria e o projeto Bola na Cesta, que devem quatro meses de salários aos atletas.

Por isso, fui conversar com Guilherme Giovannoni, presidente da Associação, não só sobre este caso, mas principalmente sobre o que a AAPB, realmente deseja e vai se intrometer (deste canto eu fico surpreso quando vejo em que tipo de caso a entidade vai se meter – falo disso logo mais no post). Vamos lá:

BALA NA CESTA: Campeão do último NBB, o Flamengo encontra-se com problemas de salários atrasados. Que medidas a Associação de Atletas tomará a respeito disso?
GIOVANNONI: A AAPB entrou em contato com os atletas do Flamengo, e eles nos disseram que estão resolvendo o problema internamente. Então pediram para não intervirmos.

BALA NA CESTA: Qual a medida que será adotada pela Associação para cobrar dos dirigentes dos clubes sobre esta situação
GIOVANNONI: A primeira atitude será sempre um contato com a diretoria do clube para entender e tentar resolver a situação, sempre da maneira que for melhor para todos. Claro que se o problema persistir, a AAPB vai conversar com os jogadores envolvidos para tomar uma decisão sobre os passos seguintes. Tudo dentro da lei.

BALA NA CESTA: O NBB ainda não começou, mas alguns times já se encontram com problemas financeiros. Isso preocupa a Associação? Qual a saída para os atletas, a mão-de-obra do basquete, não serem tão lesados?
GIOVANNONI: Claro que preocupa a AAPB. Estaremos sempre atentos a dar todo respaldo possível para os jogadores nessas situações. A saída será sempre tentar resolver os problemas de forma interna, para que ninguém seja prejudicado. Se ainda assim não for possível, buscaremos sempre as formas legais para defender os atletas.

BALA NA CESTA: Sobre o NBB, até semana passada não havia formato para a final. A Associação se posicionará em relação a algum formato preferencial, ou não?
GIOVANNONI: A AAPB em breve deve ter algumas reuniões com a LNB, para tratar de diversos assuntos. Entre eles estará também o formato da competição.

Minha opinião: não acho salutar e nem coerente a AAPB escolher em que caso deve se meter. Se há um problema (como o de salário, gravíssimo por si só), ela deve intervir de cara. Não sei se o fato de Guilherme, um cara bem político e inteligente, ainda ser jogador do NBB fez com que a Associação não entrasse mais a fundo na questão do Flamengo, mas pega muito mal para uma entidade que está começando agora apontar o dedo apenas para a questão do Espéria, um clube pequeno, que não disputa o NBB (brigar com os grandes, pelo visto, ninguém quer).

O problema do Espéria e do Flamengo (para ficar apenas nos dois que tenho conhecimento do atraso de salários – em Uberlândia não há confirmação) são IDÊNTICOS, iguais mesmo. Por que a Associação decide agir em apenas um? Sinceramente não entendo e esperava um pouco mais de coerência e atuação da AAPB neste começo de vida.


Minha análise sobre o primeiro ato de Zanon como técnico da seleção
Comentários 12

Fábio Balassiano

Como você leu aqui neste blog, terminou no sábado a Copa América de basquete feminino em Xalapa. O Brasil ficou em terceiro (Cuba campeã, Canadá medalha de prata e as três primeiras colocadas no Mundial de 2014), jogará a competição do próximo ano e certamente terá muito o que corrigir pra chegar minimamente preparado para o torneio, que terá nível técnico, físico e tático centenas de vezes maior do que este no México. Por isso vale analisar o início de trabalho de Zanon, que comandou a equipe nacional no Sul-Americano e na Copa América.

Em primeiro lugar, é importante dizer o seguinte: a ideia de Zanon e da Confederação (ponto pra Vanderlei), de renovar a seleção brasileira, é corretíssima (e compartilhada aqui por este blogueiro há anos). Fazia-se necessária uma quebra de paradigma na seleção, com a entrada de meninas com potencial imenso mas com poucas oportunidades até mesmo em seus clubes, que preferem apostar nos produtos prontos e que ainda dão resultado no basquete interno. Foi uma nova filosofia de trabalho, um desafio, um risco grande até. Treinador e CBB embarcaram juntos sabendo de todos os obstáculos e estão de parabéns por seguirem nesta linha.

E como também foi dito aqui, derrotas viriam, oscilações viriam, irregularidades viriam. E vieram (não precisava ser nenhum gênio pra saber que viriam…). O Brasil jogou um torneio continental com 9 das 12 meninas tendo menos de 25 anos, e obviamente pagou por isso em quase todas as partidas (contra Cuba, recheada de jogadoras experientes e no primeiro match-point pro Mundial-2014, ainda mais e sem surpresa alguma). Este é um fato, e obviamente é o começo de um processo com muitas derrotas no caminho até (no mínimo) os Jogos Olímpicos de 2016, quando este grupo que está nas mãos do treinador já terá rodado um bocado não só em jogos, mas também em treinos e amistosos.

Além disso, duas coisinhas merecem ser ditas antes de passarmos ponto a ponto sobre o que vimos recentemente na seleção brasileira. Acho mais do que fundamental que a Confederação Brasileira dê a Zanon e às meninas um período de treinamentos e amistosos fortíssimo em cada um dos anos que virão de agora pra frente. É ficar uma semana nos Estados Unidos, três fazendo jogo-treino na Europa e por aí vai. Neste primeiro momento não deu, calendário já estava feito, sei disso tudo, mas é essencial para a melhora das meninas que o intercâmbio com os grandes centros esteja na ordem do dia (jogar contra Chile, Argentina e Porto Rico não vai ajudar em absolutamente nada). Outro fator importante que merece ser dito: como é ruim o trabalho de base do basquete brasileiro de um modo geral, e no feminino em particular. Vimos uma seleção brasileira ADULTA com atletas com problemas gravíssimos de fundamento (gravíssimos mesmo, algo que chegou a me assustar pois não imaginava que fosse tão triste assim), de leitura de jogo e de controle psicológico. É algo que precisa ser visto, revisto, pensado e repensado. Não é admissível que uma menina de 19, 20, 21 anos, independente de jogar em seleção, não consiga fazer drible com duas mãos, tenha dificuldade em acertar passes e por aí vai (por aí explica-se, também, o nível técnico abaixo do razoável da LBF).

Some estes dois pontos acima e veja o tamanho do trabalho que Zanon, técnico da seleção adulta que faz parte de uma engrenagem muito maior (a do basquete brasileiro feminino como um todo, que deveria ser muito mais bem tratado por uma Confederação Brasileira que não liga pras meninas e muito menos para a base, para a formação de atletas, o que é lamentável), terá que fazer para tentar colocar o Brasil de novo entre, sei lá, os cinco melhores países do mundo (se é que conseguirá, já que o material humano não é dos melhores). Por isso, até para deixar a análise bem completa, dividi em tópicos positivos e negativos dos primeiros atos do técnico da seleção brasileira. Vamos lá:

PONTOS POSITIVOS:

– A parte defensiva melhorou muito (quem não enxerga isso é maluco). Como o ataque é ruim, Zanon poderia arriscar até mais com a marcação, tornando-a mais agressiva, “esvaziando” o ataque e abusando do potencial físico de suas atletas (Nádia, Tatiane, Clarissa, Damiris, Joice etc.), mas este é um outro papo.
– O próprio processo de renovação merece ser destacado por aqui também
– A evolução de algumas jogadoras em pouquísismo tempo (cito Débora Costa, Tatiane Pacheco, Damiris e Patricia)
– A parte física está muito bem entregue nas mãos de Vita Haddad (o cara é muito bom e as atletas estavam sempre muito bem em todas as partidas)
– A confiança de Zanon nas meninas mais jovens (Tatiane e Patricia, por exemplo, jogaram de titular na frente das experientes Karla e Chuca, e isso merece ser destacado).

PONTOS NEGATIVOS:

– A insistência nas veteranas Karla e Chuca (esta última mal jogou na Copa América; e a primeira, de quem gosto muito e sei que ela pode render muito mais do que na competição, só entrou em quadra para arremessar de três pontos – e com mira torta, 28% de fora). Ainda não consigo entender por que diabos Isabela Ramona ficou no Brasil.
– Como chutou de três a seleção feminina na Copa América. Isso é uma lástima e algo que não se via em seleção feminina há anos. Não dá, sinceramente não dá aceitar – e com meninas que não são especialistas em bolas longas.
– A falta de um padrão ofensivo claro. Contra defesas por zona, então, foi uma tragédia, tragédia absoluta. Se a saída do Brasil será sempre arremessar de fora contra marcações por zona temos um problema seríssimo de concepção de jogo e opções táticas (abordei o assunto na semana passada).
– Não há jogo com as pivôs. As gigantes do Brasil só recebem bola quando há rebote ofensivo ou em finais de corta-luzes. As jogadas NUNCA começam com as meninas do garrafão, que tocam muito pouco na bola durante a partida. Ano que vem ele terá Érika de Souza, uma das melhores jogadora do planeta, e eu espero sinceramente que ela seja “alimentada” como merece.
– Intensidade no ataque (as meninas ficavam muito tempo paradas, a bola não rodou e a armadora quase sempre terminava com a bola nas mãos por 10, 12 segundos)
– A convocação poderia ser melhor feita em algumas posições (não levaria Tainá e Chuca, por exemplo).
– Fundamentos, fundamentos e fundamentos. Não vale citar as atletas por aqui, mas menina de seleção adulta que não consegue dar um passe ou que tem dificuldade pra dar drible pros dois lados não traz um bom sinal.

Está claro que o saldo de Zanon é positivo, bem positivo por aqui. Mas também está muito claro que, em decorrência de anos de trabalhos ruins (na base e na própria seleção adulta), há um trabalho imenso para ser realizado pelo técnico da seleção brasileira e pela entidade máxima do basquete nacional (CBB). Estou certo que ele, Zanon, inconformado e procurando sempre a melhora de suas atletas, também sabe disso. O Sul-Americano e a Copa América foram pontos de partida de uma longa, árdua e difícil jornada, que é a de repaginar o basquete feminino nacional.

O começo foi bom, satisfatório, pavimentou muita coisa, mas ano que vem o desafio é maior e o time precisará evoluir. Que Zanon, as atletas e a CBB estejam preparados.


Em Indiana, Atlanta Dream pode chegar a 3ª final da WNBA em 4 anos
Comentários 2

Fábio Balassiano

Dia importante na WNBA hoje. Melhor time da liga (na minha opinião), o Minnesota Lynx vai ao Arizona e pode chegar a terceira final seguida caso vença o Phoenix Mercury (18h de Brasília), de quem venceu no jogo 1 por fáceis 85-62. Quem também pode atingir um feito imenso é o Atlanta Dream, da brasileira Érika de Souza (foto).

Com 1-0 na final do Leste após os 84-79 na quinta-feira na Philips Arena (Geórgia), o Atlanta Dream visita o Indiana Fever neste domingo (16h de Brasília) e pode se classificar pela terceira vez em quatro anos para as finais da WNBA. Para isso, precisa repetir o bom desempenho da primeira partida, quando manteve ótimo controle emocional (11 trocas de liderança e 15 empates no placar), errou pouco (11 no jogo 1, ótimo índice para um time que costuma correr muito) e contou com uma noite de altruísmo de Angel McCoughtry (ela “só” chutou 14 vezes e deu cinco assistências).

Do outro lado estará o Indiana Fever, que certamente não dará tanta liberdade a Tiffany Hayes (23 pontos no jogo 1 para a ala que jogará a LBF pelo Sport/PE, atual campeão da competição) e tentará errar menos (foram 16). Lin Dunn é experiente, sabe que Érika não esteve em suas melhores noites na partida inicial da final do Leste (10 pontos, 6 rebotes e uma falta técnica) e terá que tirar algum coelho de sua cartola para deter o Atlanta logo mais.

Será que o Atlanta e Érika conseguem chegar a final da WNBA mais uma vez?


Brasil sofre no começo, mas bate Porto Rico e vai ao Mundial de 2014
Comentários 15

Fábio Balassiano

Tinha que ter sofrimento, né. O começo do jogo deste sábado, válido pelo terceiro lugar na Copa América e pela disputa da última vaga no Mundial Feminino de 2014, foi horrível, horripilante. Sem concentração, displicente e deixando Porto Rico jogar, a seleção brasileira viu a rival abrir vantagem e teve que apertar o botão de emergência rapidamente.

Aí deu tudo certo. O time de Zanon contou com ótima atuação de Tatiane Pacheco (falarei sobre ela na próxima semana – marcando, na foto), que teve magistrais 18 pontos (cinco bolas de três em cinco tentativas, 5 rebotes e 5 assistências em 38 minutos de uma atuação animadora, viu Clarissa pontuar bem apesar de sua imensa dificuldade em ler o que está acontecendo em quadra (15 pontos e 12 rebotes) e foi comandado mais uma vez por Adrianinha para vencer Porto Rico por 66-56 para ficar com o terceiro lugar com a vaga no Mundial da Turquia em 2014.

A conclusão básica, bem óbvia até (e que será complementada em um artigo longo sobre o trabalho de Zanon na segunda-feira), é: o trabalho de Zanon e deste grupo de jogadoras está apenas começando, e o objetivo deste projeto passava necessariamente por uma vaga no Mundial da Turquia. Ela (a vaga) veio. Não do jeito que esperava-se (com título ou no mínimo uma final contra o Canadá), mas no final das contas o passaporte para a competição de 2014 foi carimbado.

Viu o jogo? Gostou? Comente!


Após péssimo 1o tempo, Brasil perde de Cuba na Copa América
Comentários 16

Fábio Balassiano

Foi um péssimo primeiro tempo, péssimo mesmo. O Brasil perdeu de Cuba por 40-21, viu as rivais abrirem 19 pontos e teve que correr absurdamente para tirar a diferença na segunda etapa. E até que conseguiu. Chegou a empatar o jogo nos minutos finais (restando dois, estava 68-68), mas não teve força para consumar a virada. Perdeu de 72-68 a semifinal da Copa América (primeira derrota de Zanon em jogos oficiais desde que assumiu a seleção feminina) e disputa neste sábado contra Porto Rico, que perdeu do Canadá por inapeláveis 73-48, o terceiro lugar da competição e a última vaga no Mundial da Turquia (a partida começa às 19h45).

Antes de falar das coisas ruins, vale destacar mais uma atuação magistral de Adrianinha (foto à esquerda). Mal no primeiro tempo como todas as meninas do Brasil, a experiente armadora de 34 anos somou 15 pontos e 7 assistências, sendo a grande responsável pela reação na segunda etapa (pena que errou o arremesso que daria a liderança nos segundos finais para consumar uma performance sensacional). Damiris também foi bem com 10 pontos e cinco rebotes.

Bem, já podemos começar com as críticas (e serei leve, porque não caberia aqui o mundo de críticas que o time brasileiro merecia). Em primeiro lugar, é inadmissível fazer 21 pontos em 20 minutos de jogo no primeiro tempo para qualquer seleção adulta. Depois, foram 9 erros em 20 minutos, que geraram 12 pontos fáceis para as cubanas, que nem fizeram muita força para pontuar na peneira que foi a defesa brasileira na primeira etapa. Além disso, fiquei chocado com a facilidade com que as adversárias pegaram rebotes ofensivos (foram, ao todo, 17, mais do que o dobro do Brasil – Clarissa e Nádia conseguiram perder esta batalha para Cepeda e Noblet, reflitam sobre isso imediatamente, por favor…), com a insistência de Karla nos chutes longos e no jogo de correr-sem-pensar-a-qualquer-custo (6 erros em 8 arremessos tentados e 2 desperdícios de bola em 19 minutos) e com a falta de fogo de Tatiane para assumir o jogo (ela estava bem, batia a marcação cubana facilmente e poderia ter chamado mais a responsabilidade pra si). O técnico Zanon foi mal no primeiro tempo, ousado no segundo para marcar por pressão, mas manteve o sistema de trocas, trocas e mais trocas na bola mesmo quando Alberto Zabala (ótimo técnico cubano) colocou duas meninas abertas para conter a pressão brasileira, liberando seu time para sair bem com a bola e cruzar o garrafão em bandejas fáceis (foram seis pontos assim, tranquilos, em um momento crucial do jogo).

É hora de Zanon colocar a cabeça das meninas no lugar pra fechar a Copa América com o terceiro lugar e com a vaga no bolso (depois da competição vale um balanço sobre o que deu certo – sua defesa, principalmente – e o que precisa ser melhorado – fundamentos, fundamentos, fundamentos). Todo mundo sabia que as oscilações viriam, todo mundo sabia que esse time, novo, saindo do forno, passaria por este tipo de problema (perder para um rival experiente e físico, como disse ontem).

O momento, neste sábado, é de esfriar a cuca e bater Poro Rico, adversário facilmente abatido na primeira fase. É uma vaga no Mundial, a última vaga, e a seleção não pode vacilar.

Viu o jogo nesta sexta-feira? Está preocupado para este sábado? Comente!


Seleção feminina disputa hoje semifinal e vaga no Mundial contra Cuba
Comentários 10

Fábio Balassiano

Pode sair hoje a vaga no Mundial de 2014 para a seleção brasileira. Ainda invicto no certame, o time de Zanon entra em quadra às 22h (de Brasília) para enfrentar Cuba pela semifinal da Copa América (Sportv e ESPN têm os direitos de transmissão e se não tiver nenhum jogo de futebol ou de palitinho eles passam o basquete das meninas…). Caso vença, carimba o passaporte para a Turquia. Caso não tenha sucesso, há a derradeira chance no sábado, com a disputa do terceiro lugar contra o perdedor da outra semi entre Canadá e Porto Rico.

Não será um jogo fácil, não. Cuba tem um ótimo técnico (Alberto Zabala), as ótimas Yamara Amargo (a ala de 1,78m é a cestinha do time com 20,3 pontos de média), Oyanaisy Gelis (ala que tem 9,8 pontos e 4,2 assistências) e Leidys Oquendo (9,8 pontos) e um grupo pra lá de experiente para enfrentar uma seleção brasileira ainda em formação (para vocês terem uma ideia, 7 das 12 meninas cubanas têm 27 ou mais anos de idade, algo bem diferente do que acontece com o Brasil, que tem 9 das 12 do elenco com 25 ou menos anos – e isso é algo que pode pesar em um jogo tão importante).

Pelo lado brasileiro, o desempenho defensivo até que tem sido bom, mas reitero algo que já havia comentado aqui depois do jogo contra a República Dominicana. Não é possível insistir tanto assim em bolas de três pontos. Contra o México foram absurdas 25 tentativas, com 16 erros e apenas 9 conversões. Isso tudo, é sempre bom lembrar, com um time que NÃO possui atiradoras de elite quando o assunto é três pontos e com potencial para explorar o jogo de garrafão com as ótimas Damiris e Clarissa (com Érika isso precisará mudar rapidamente…).

Na competição, a seleção feminina tem números não muito bons. O time de Zanon chuta 54,2% de suas bolas de dois pontos (com conversão de 56,7%, ótimo índice). Nas bolas de fora, que respondem por 25,5% das posses de bola do Brasil (número já alto), o aproveitamento cai para 37,5%, número que, é bom dizer, está longe de ser baixo. Se as bolas de dois pontos estão com ótimo aproveitamento, por que insistir tanto em arremessos longos? E o mais agravante: em situações ruins (contra-ataques em vantagem numérica, por exemplo), sem trocar tantos passes e sem buscar as pivôs para um jogo mais seguro perto da cesta.

Pelo que vimos na Copa América até aqui o time de Zanon tem ótimas condições de avançar para a final da competição e garantir vaga no Mundial (e acredito que aconteça isso mesmo logo mais). Mas, para isso, precisará jogar pensando mais e sabendo que do outro lado terá um time que joga muito baseado em seu físico (está aí algo que Damiris, Clarissa, Nádia e Fabiana precisam estar preparadas) e que certamente tentará ganhar pontos no jogo mental que é tão bem jogado pelas cubanas.

Será que a vaga no Mundial da Turquia vem hoje? Comente!

 


FIBA divulga critérios para convite do Mundial Masculino de 2014
Comentários 10

Fábio Balassiano

A FIBA divulgou ontem, de forma oficial em seu site, quais critérios serão levados em consideração por ela, Federação Internacional, na hora de dar cada um dos quatro convites para o Mundial de 2014 que será disputado na Espanha. Antes dos aspectos vale a pena ficar ligado nas datas e em um trecho que diz o seguinte: “as Confederações Nacionais que desejem os convites poderão fazer doações financeiras”. Ou seja, se quiser jogar na Espanha vai ter que pagar (ou, como diz aquele personagem do Tropa de Elite, “se quer rir, tem que fazer rir”).

A entidade máxima do basquete mundial poderá encolher a lista dos candidatos aos convites no encontro que acontecerá na Argentina entre 23 e 24 de novembro, deixando o grupo dos países que poderão sonhar com o Mundial menor. A decisão final sairá entre 1 e 2 de fevereiro de 2014, dias antes do sorteio das chaves da competição em 3 de fevereiro em Barcelona. Agora vamos aos critérios:

Aspectos esportivos e de Promoção
Popularidade do basquete no país; Qualidade e os resultados esportivos da seleção do país; O fato de ter sediado ou tentado sediar eventos da FIBA; O impacto da participação no Mundial no desenvolvimento do basquete no país; e O compromisso de que os principais jogadores do país disputem o Mundial.

Minha Análise: o Brasil não organiza um campeonato da FIBA em âmbito mundial desde 2006, quando o Mundial Feminino em São Paulo foi um fiasco (Olimpíada de 2016 não é um evento de basquete, logo…). A popularidade da modalidade do país está baixíssima há anos. Já o compromisso dos principais joguem o Mundial eu não sei se é possível garantir. Aqui o Brasil está mal.

Aspectos econômicos
O envolvimento da televisão local e do setor corporativo em competições de basquete locais e internacionais; A importância do país no mercado das parceiras comerciais da FIBA; e A importância do país para os organizadores do Mundial.

Minha análise: Aqui o Brasil leva grandíssima vantagem. É um mercado de 200 milhões de pessoas em potencial, com economia forte e possibilidade de transmissão em TV a Cabo por diferentes canais. Aqui o Brasil passa com louvor.

Aspectos governamentais
Comprometimento com o Regimento Interno e o Estatuto Geral da FIBA; Qualidade do trabalho da Federação Nacional; Suporte governamental à Federação Nacional; e Participação na FIBA.

 Minha análise: O Governo banca a CBB há anos, mas se a qualidade do trabalho da CBB contasse pra alguma coisa o Brasil não poderia jogar nem campeonato de bairro.

Análise final: está muito claro que se trata muito mais de algo político, e financeiro, do que qualquer outra coisa. É chegar no dia da apresentação em Buenos Aires com um PPT bacana (tem gente aí no mercado do basquete que entende de apresentações bacanas pra ganhar convite), conseguir alguma declaração dos atletas da NBA se comprometendo pra jogar e dizer que pode bancar o valor que a FIBA considera como doação (o problema, com o volume de dívidas que a CBB possui hoje, será pagar, né…).

Sigo com meu palpite: o Brasil será convidado pro Mundial de 2014. E você? Concorda?


Reforçado e com novo técnico, Brasília apresenta equipe pra temporada
Comentários 3

Fábio Balassiano

Por Jackson Alves, direto de Brasília

Após uma temporada que contou com um vice-campeonato na Liga Sul-Americana, um Final Four de Liga das Américas e uma eliminação precoce no NBB5 (ainda nas quartas-de-final), a equipe de Brasília apresentou a equipe para temporada 2013/2014. E com muitas novidades. Reforços como o pivô norte-americano Marcus Goree, o armador uruguaio Martín Osimani, além do próprio técnico argentino Sergio Hernandez (fotos de Sergio Alberto/UniCEUB) demostram um pouco da renovação que se espera da equipe. Além destes, a equipe do planalto central ainda contratou os jovens Maxwell (Ex-Joinville) e Bruno Felipe (Ex-Paulistano).

Para o Brasília a temporada oficialmente começa na próxima semana (01 a 03 de outubro), enfrentando as equipes do Comunikt (Equador), Nacional (Bolívia) e Boca Juniors (Argentina) no Ginásio da ASCEB pela primeira fase da Liga Sul-Americana.  Como preparação, o time fará dois amistosos (hoje e amanhã contra o Universo/Goiânia, no Ginásio da Asceb, 904 Sul). Tanto estes amistosos como a primeira fase da sul-americana terão portões abertos à torcida.

Durante a apresentação, Hernandez ficou à vontade e demonstrou alto nível de confiança na equipe e no que pode ser alcançado. Quando perguntado sobre a sua motivação para a Liga Sul-americana: “Estou motivado desde que acordo. Independente de que ganhar o torneio dará uma vaga na Liga das Américas, quero jogar bem para ganhar – e a motivação permanece”.

Para Alex, capitão do time, “a comissão técnica e os jogadores que chegaram só aumentam o respeito pelo time. Nessa temporada temos que jogar e ganhar”. Giovannoni confirmou as palavras do capitão, complementando que “a cobrança pela vitória parte de nós mesmos, cobrando sempre um do outro e tentando obter o melhor, isso sempre deu certo em nossa equipe”.

Do ponto de vista técnico e tático espera-se um Brasília ainda mais evoluído em quadra. Resta esperar algumas questões importantes como o desempenho dos novatos, principalmente os que farão sombra em Nezinho (Osimani e Bruno). Na posição 5 há a esperança de que o norte-americano Marcos Goree seja a peça que faltava para compor o quinteto, algo que se esperava do Paulão Prestes na última temporada, mas que não funcionou como devia. Ao menos Goree chegou mais em forma.

Vamos aguardar e ver o que vem por aí!

Guilherme comenta atrasos de salários

Ainda na entrevista coletiva, Guilherme Giovannoni, presidente da Associação de Atletas Profissionais de Basquetebol (AAPB) comentou os casos de atrasos de salário do Espéria (equipe paulista) e no Flamengo, informando que no primeiro caso o Ministério Público do Trabalho foi acionado (após várias tentativas para resolver a questão). Já no caso do rubro-negro carioca, os próprios atletas pediram para a AAPB não se envolver pois a questão estava sendo resolvida internamente.


Em casa, Atlanta Dream abre final do Leste contra Indiana Fever
Comentários 2

Fábio Balassiano

Na segunda-feira o Atlanta Dream fez o dever de casa diante das 4 mil pessoas que foram a Philips Arena, despachou o Washington Mystics com 18 pontos, 14 rebotes e um toco de Érika de Souza (foto à direita), se classificando para a terceira final do Leste em quatro anos na WNBA (um feito e tanto, sem dúvida alguma). E quem será o rival na decisão de Conferência?

O Indiana Fever, que eliminou o Chicago Sky, cabeça-de-chave número 1 (surpresa pero no mucho, como havia dito aqui). Em três anos, será o terceiro encontro seguido das duas franquias nos playoffs da Conferência (nos dois anteriores, uma vitória pra cada lado por 2-1) e outra oportunidade de vermos o duelo entre Tamika Catchings e Angel McCoughtry, duas excelentes alas.

E quem pode acabar desequilibrando mesmo é Erika, que certamente será vigiada de perto pela experiente técnica Lin Dunn. Em ótima fase e com dois duplos-duplos nos playoffs, ela não terá a titular do Indiana do outro lado. Jessica Davenport se machucou e está fora da temporada. Em seu lugar, entra Erlana Larkins, que tem até jogado bem, mas não é pivô de origem e possui 10cm a menos que a brasileira de 1,96m.

O primeiro jogo será hoje, quinta-feira, às 20h (infelizmente na programação do site da ESPN não aparece a partida – se ela, dona dos direitos, de fato não exibir será MUITO lamentável), na Geórgia. Para evitar sustos, como foi na semifinal contra o Mystics, é bom o Atlanta fazer o que deve ser feito – vencer diante de sua torcida e jogar a pressão na série melhor de três jogos pro outro lado. Na outra final de Conferência, a do Oeste, Phoenix Mercury, que eliminou o Los Angeles Sparks com arremessode Brittney Griner no últimos segundo, mede forças com o fortíssimo (e pra mim favorito) Minnesota Lynx.

Será que o Atlanta volta às finais da WNBA depois de dois anos? Acredito que sim, hein…