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Bala na Cesta

Presidente da Federação do Paraná esclarece saída do Conselho da CBB e rechaça reconciliação

Fábio Balassiano

23/07/2013 13h25

Na semana passada divulguei aqui que o presidente da Federação do Paraná, Amarildo Rosa, enviou e-mail aos demais presidentes de Federações de Basquete do país anunciando a sua saída do Conselho Consultivo da Confederação Brasileira de Basketball e conclamando a todos a uma reflexão sobre a gestão do recém reeleito presidente Carlos Nunes, que comandará a entidade máxima até o final do próximo ciclo olímpico. Por isso fui conversar com Amarildo pra tentar entender melhor como um dos maiores aliados de Nunes mudou de direção, em termos políticos, tão rápido assim depois do pleito realizado no começo de março (ele foi um dos mais influentes apoiadores do gaúcho para esta eleição). Abaixo o papo, realizado por e-mail, completo com Amarildo Rosa.

BALA NA CESTA: Do que, efetivamente, o senhor reclama no e-mail que eu publiquei aqui? O que foi pedido e não cumprido pela entidade? Que medidas foram solicitadas pelo Conselho Consultivo e não cumpridas pela CBB?
AMARILDO ROSA: Em se tratando de uma entidade como a CBB, que logicamente deve ter sua administração pautada em princípios administrativos aplicáveis em qualquer Empresa que busque sucesso em seu meio de atuação, sempre clamamos, juntamente com outros membros do Conselho, por ações no meio administrativo, como por exemplo, pelo "enxugamento" da entidade com a extinção de cargos improdutivos e também por substituições nos setores que não apresentaram bons resultados nesses últimos 4 anos. No entanto, o que houve foi justamente o contrário, com manutenção no cargo de pessoas que notoriamente não desenvolveram suas funções adequadamente em mandatos anteriores, além um maior número de contratações e remanejamento de setores daqueles que lá permaneciam. Em uma empresa existem ações simples de serem realizadas, é matemático, e isso não foi feito. Outro tipo de cobrança realizada pelo conselho e não atendida pelo Senhor Carlos Nunes é relativa a informações que deveriam ser repassadas e, no entanto eram omitidas. Muitos dos assuntos relevantes da administração, como por exemplo a dívida com o banco Itaú, ou até mesmo a dívida com o condomínio da Entidade, que chega a R$ 200 mil, somente eram levadas a nosso conhecimento através dos meios de comunicação como jornais e seu próprio blog. Considero isso um desrespeito. Isso sem falar em várias outras ações que eram reivindicadas e que haviam promessas de serem ouvidas pelo Conselho e que simplesmente foram ignoradas.

BNC: O senhor, Amarildo, foi um dos grandes incentivadores da campanha de Carlos Nunes para a reeleição, não? Por que a situação mudou agora? As contas de 2011, apresentadas por mim no blog em 2012, já eram ruins, não?
AR: Fábio, foi uma questão de "Mais um voto de Confiança". É claro que é uma decisão vista por alguns como uma atitude de protesto, mas não é. Se for pesquisado a fundo, todos podem ver que minha atitude foi a mesma no mandato do presidente que  antecedeu Carlos Nunes, e o Paraná pagou um preço por isso. Isso pode ser visto por qualquer pessoa se observado quantos atletas Paranaenses foram convocados para as seleções de Base, ou quantos Árbitros do Paraná atuavam em nível Nacional. Fui cobrado pelos clubes filiados pela atitude da época e nem por isso mudei de decisão. Segui meus princípios e isso me deu maturidade. Sei muito bem o que estou fazendo. Se aguardasse calado diriam que sou omisso. Se eu aguardasse e só depois de um tempo me manifestasse diriam que foi uma atitude política. Preferi aguardar alguns meses e acreditar em uma mudança, até mesmo porque não votaria no outro candidato e também não considero uma atitude correta me omitir na eleição. Estou me retirando agora, por acreditar que é o momento correto. Antes da última eleição tivemos uma reunião em Brasília, onde estiveram presentes não só os presidentes do Conselho como também os 21 presidentes que apoiavam Carlos Nunes.

Tivemos a oportunidade de afirmar que votaríamos nele, mas que estávamos esperando as mudanças nas questões já explanadas e principalmente os repasses  mensais às Federações. Era a expectativas de todos e que foi promessa clara do presidente  Carlos Nunes – e não aconteceu. Nenhuma Federação recebeu nenhum repasse nesses cinco meses. O conselho sempre questionou  sobre os atrasos da CBB nos repasses mensais às Federações, que infelizmente fica em atraso por meses.(R$ 2 mil mensais) E o motivo apresentado pelo presidente era que a Eletrobrás não estava em dia com a CBB. Foi prometido por Carlos Nunes que a partir deste ano independente dos valores depositados ou não pela Eletrobrás as Federações teriam este apoio mensal, o que não aconteceu até agora, e as Federações de todo o Brasil não receberam nada de repasse depois da reeleição (março de 2013). Sobre a situação financeira da CBB, não tínhamos uma visão clara da situação, e posso te afirmar que ninguém tem, pois as respostas que recebemos é que "TUDO ESTAVA PERFEITO E NORMAL. Ficamos sem ação nas reuniões, não temos como saber na verdade onde estão sendo feitos os gastos que levam aumentar esta dívida se nos são negadas as informações. E isso é mais que um bom motivo para explicar minha atitude. Nós somos um grupo de 21 presidentes que estava cobrando e exigindo de Carlos Nunes uma gestão com responsabilidade, e também que a Confederação  ajude as Federações que estão vivendo com quase nada de ajuda da entidade principal da modalidade. Todos estávamos esperando até o final deste ano de 2013 para serem resolvidas essas questões. Mas o rumo que o país está tomando, em meio a tantas manifestações reivindicando o uso correto do dinheiro público, sendo uma pessoa pública na cidade onde moro não quero ser conivente com uma situação que vem sendo desenhada e todos sabemos no que vai dar. Foi então que decidi não mais ficar no Conselho e aumentou minha certeza quando li a matéria que fala do título protestado pelo Banco Itaú contra o presidente Carlos Nunes e ainda quando percebo que a dívida de R$ 9mi apresentada em março, na Assembleia depois de cinco meses não foi paga em nenhum centavo e ainda existe a suspeita de que esta dívida seja maior. Aí eu me pergunto, quanto a CBB vai estar devendo até o final deste ano?

BNC: Há possibilidade de reconciliação entre o senhor e Nunes?
AR: Dificilmente. Porque na verdade quem rompeu comigo foi Carlos Nunes. Tudo começou quando logo após a eleição ele tomou algumas decisões sem o conselho ter sequer conhecimento, sendo que tinha prometido reunir o conselho para ouvir nossa opinião a respeito e não o fez. Enviei e-mail aos presidentes do Conselho com cópia para o presidente Carlos Nunes, cobrando que deveríamos nos reunir e que precisávamos  decidir juntos algumas situações, algumas ações da CBB. Foi aí que o presidente Carlos Nunes não gostou, me isolou, não entrando mais em contato comigo, nem por telefone e nem respondendo meus e-mails. Percebi que por não concordar com ele estava sendo, de certa forma, colocado de lado como presidente, amigo e membro do Conselho. Foi aí que não acreditava mais que ele cumprisse  as promessas de Campanha e que esse segundo mandato apesar de poucos meses, para mim deu claramente a ideia de que iria continuar da mesma forma e que não iríamos ver as mudanças que tanto esperávamos. Quando finalmente aconteceu a reunião com o conselho neste dia 9 de julho próximo passado, então questionei vários assuntos e principalmente a parte financeira. Como recebemos as mesmas respostas de sempre, resolvi definitivamente sair do conselho por todos os motivos já expostos. E sei que por conta da minha decisão vai haver retaliação, mas tenho a plena certeza que não devo recuar, pois alguém tinha que iniciar este processo e creio que não vai demorar muito tempo pra maioria dos presidentes de Federações igualmente se manifestarem. Afirmo que quase todos os presidente de Federação de Basketaball estão insatisfeitos com a situação das últimas notícias sobre a CBB.

BNC: O processo do Banco Itaú contra a CBB foi descoberto por vocês através do meu blog, certo? Qual foi a sua reação quando soube? O processo foi o estopim para que você rachasse definitivamente com Nunes?
AR: Cheguei então no fim da rua , não tenho como seguir por ela.  Ocupo um cargo público na minha cidade e sinceramente não posso colocar o meu nome, minha vida profissional, em risco por estar ligado a um escândalo futuro dessa natureza ou estar ligado a algo que nem mesmo sei ao certo, porque nunca sabemos de fato o que está acontecendo, quais são os gastos ou dívida da CBB.

BNC: Tendo em vista todas as denúncias amplamente veiculadas pelos mais diversos meios de comunicação, por que os Presidentes aprovaram as contas da CBB antes desta eleição? Por que aprovam anualmente mesmo com as dívidas e o custo administrativo aumentando gradativamente há anos?
AR: Aprovamos porque foi apresentado um valor a ser pago pela a Eletrobrás que seria em torno de R$ 5 milhões. Mas não sei se podemos mais acreditar que isso vai ser pago ou até mesmo se isto é real.

BNC: Os balanços financeiros apresentados aos Presidentes não traduzem a real situação? Os Presidentes examinam as contas? Quando examinam, por que não tomam atitudes no ato?
AR: As prestações de contas são apresentadas apenas no dia da Assembleia sem muitas condições de serem analisadas. São números técnicos que têm que ser analisados por um contador com experiência e conhecimento para saber verificar na íntegra esses números. O que questionamos foram os valores das dívidas que, mesmo aprovando, fizemos a solicitação dessas mudanças para diminuir (a dívida). Queríamos era resolver a situação e não criar uma confusão no dia da eleição.

BNC: Tendo em vista a ampla eleição de Nunes, com quase todos os votos, e agora o seu e-mail, é possível pensar que Nunes foi eleito não por méritos, mas sim para impedir a volta do Grego? Em seu e-mail isso parece bem claro.
AR: Sabíamos que não foi uma ótima gestão do Carlos Nunes, mas acreditávamos que poderíamos ter as mudanças, pois o Carlos Nunes, nas reuniões, reconhecia as falhas da sua gestão e com isso acreditamos no seu segundo mandato e não gostaríamos de maneira nenhuma a volta do ex-presidente Grego. Como falei anteriormente, foi mais um voto de confiança.

BNC: O que mudou quatro meses após a eleição?
AR: Na  minha visão nada mudou. Creio que só piorou. Agravou-se ainda mais a situação da CBB com a diminuição do valor patrocinado  pela  Eletrobrás e a falta de outro patrocinador.

BNC: Tendo sido um dos principais articuladores das duas campanhas do Sr. Carlos Nunes e membro do Conselho Consultivo em todo este período, o Sr. não se sente também responsável pela situação financeira da CBB?
AR: Não, de maneira nenhuma, até porque como presidente de Federação ajudei e muito a Confederação através das sedes de Campeonatos de Base no Paraná (dois por ano) quando a CBB ainda não tinha o projeto incentivado pelo Ministério do Esporte e à cidade sede da competição era atribuída a responsabilidade de custear TUDO. Por várias vezes consegui trazer os Campeonatos para o Paraná. (2009 e 2010). Posso citar ainda os dois eventos para a seleção Brasileira Adulta (2010 e 2012 ), que vinha a Foz do Iguaçu treinar com a despesa toda  paga (hotel, alimentação e transporte interno).

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