Bala na Cesta

Arquivo : março 2013

Louisville supera lesão assustadora, bate Duke e vai ao Final Four da NCAA – veja lance!
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Fábio Balassiano

Foi um dos jogos mais emocionantes que eu vi nos últimos tempos. Não pelos chutes decisivos nos segundos finais, não, mas sim por tudo o que aconteceu no Elite 8 do jogo entre Lousiville e Duke válido pelo March Madness do torneio Universitário nacional americano neste domingo em Indianápolis.

Para começar a história, um dos cestinhas do time de Louisville, Russ Smith, estava com febre mas decidiu atuar. O armador titular, o espevitado Peyton Siva (não SiLva), estava com inflamação na garganta e tomou remédios para entrar em quadra. E do outro lado estava a poderosa Duke, de Coach K e de Mason Plumlee, uma das feras do torneio deste ano.

Para piorar as coisas, Kevin Ware (na foto à direita sendo amparado por Luke Hancock), reserva que tinha 17 minutos por jogo nesta temporada, foi tentar impedir um arremesso do rival Tyler Thornton (que depois que viu o lance ficou chocado), de Duke, saltou e na queda fraturou a perna. Sim, fraturou a perna (veja o vídeo abaixo – mas, por favor, se tiver um pingo de medo NÃO clique porque as imagens são assustadoras) e teve que ser retirado imediatamente da quadra para iniciar seus tratamentos.

O relógio marcava 06:33 por jogar ainda na primeira etapa, Louisville vencia por 21-20 mas a tristeza pela lesão do companheiro tomou conta dos jogadores. O técnico Rick Pitino, experiente toda vida, tentou impedir que os atletas olhassem a cena, rezou no meio da quadra, mas ali eu enviei mensagens a amigos dizendo: “Difícil retornar pro segundo tempo com força pra vencer”.

E aí o que aconteceu, depois de terminar com 35-32 Louisville a primeira etapa? Os comandados de Rick Pitino (foto à esquerda) fizeram incríveis 50-31, venceram Duke por 85-63 (Russ, aquele da febre, teve 18 pontos e Siva, aquele da inflamação na garganta, outros 16), se classificaram ao Final Four pela segunda vez consecutiva (apenas para esclarecimento do tamanho de Pitino no basquete universitário norte-americano: ele é o único técnico a levar três faculdades distintas ao Final Four – Kentucky, com quem foi campeão em 1996, Providence e Louisville) e vestiram camisas com o nome de Ware no final em homenagem ao companheiro.

No final, quando perguntado sobre o que de fato havia sido fundamental para seus atletas vencerem o duelo depois de uma lesão tão assustadora quanto a de Ware, Pitino foi claro: “Esta vitória é totalmente para Kevin Ware. Ele é de Atlanta, onde jogaremos o Final Four, e chegamos ao vestiário no intervalo sem saber o que dizer uns aos outros. Lá no fundo, vimos Ware com 15cm de osso saindo de sua perna gritando ‘Ganhem este jogo, ganhem este jogo’. O cara estava com a perna fraturada e gritava para que ganhássemos a partida. Nunca vi isso em minha vida, mas não podíamos desapontá-lo de forma alguma”, disse.

No Final Four, Louisville mede forças com a Cinderela do torneio, Wichita State, que passou pela favorita Ohio State. Na outra semifinal, Michigan, que volta ao Final Four depois do Fab 5 (leia mais aqui), enfrenta Syracuse.


Kobe faz 19, passa Wilt e já está em quarto entre os maiores cestinhas da NBA – veja o lance!
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Fábio Balassiano

31.434 – São os pontos de Kobe Bryant em sua carreira na NBA. O ala do Los Angeles Lakers anotou 19 ontem à noite contra o Sacramento na vitória do time angelino, que ainda briga pela oitava colocação do Oeste (tem 38-36 e está empatado com o Utah Jazz), por 103-98 e ultrapassou outro mito da modalidade, Wilt Chamberlain (31.419) para se tornar o quarto maior cestinha da história da NBA (neste sábado ele, que jogou 47 minutos, ainda teve  14 assistências e nove rebotes e viu Dwight Howard, com 24 pontos, 15 rebotes e cinco tocos, brilhar também).

Aos 34 anos, Kobe, agora, está atrás apenas de Michael Jordan (32.292), Karl Malone (36.928) e Kareem Abdul-Jabbar (38.387). Como o camisa 24 dos Lakers faz, em média, dois mil pontos por temporada, é muito possível que ele ultrapasse Jordan já no começo do próximo campeonato, mas não sei se será possível que Bryant alcance Malone ou Jabbar (este me parece muito, muito difícil).

Será que Kobe tem forças para levar os Lakers aos playoffs (provavelmente sem Steve Nash, que se machucou ontem na perna de novo – que zica, hein, Nash!)? Será que o gênio da camisa 24 ultrapassa Malone? Veja o lance que colocou Bryant na frente de Wilt abaixo e comente!


Com atuação abaixo do esperado, Franca vence Mogi e continua mirando G4 do NBB
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Fábio Balassiano

Por Marcella Murari, direto de Franca (SP)

Para a torcida do Franca Basquete, aparentemente houve diferença em ter um jogo no tradicional Pedrocão ou em ginásio de cidade vizinha. A partida de ontem contra Mogi das Cruzes – que marcou o reencontro de Bábby com a torcida francana – comprovou isto. Por conta de um evento religioso no ginásio local, ficou decidido que o time de Lula Ferreira jogaria na Arena Olímpica de São Sebastião do Paraíso (MG). Mas o que realmente importa nisso tudo é que o time francano conseguiu uma vitória relevante em cima do Mogi por 79-71.

Lula e companhia ocupam a sexta posição da tabela com 21-10 e sua próxima partida será em casa, na próxima quinta-feira, contra o Uberlândia, equipe de Hélio Rubens e Helinho (eles estão na terceira posição com 22-9). Este confronto é fundamental para que o time alcance o G-4 e se descole do Pinheiros (21-10), que faz uma campanha semelhante à do time da capital do basquete.

No começo do duelo, o time da “casa” conseguiu abrir nove pontos de diferença e fechou o primeiro quarto vencendo com 19-11.  O segundo quarto foi marcado pelo tédio, pois, aos poucos, os times diminuíram o ritmo de jogo e o Franca Basquete passou a errar seus ataques, mas não o suficiente para fechar o período perdendo (encerrou 37-29), já que sua defesa permaneceu bem postada e dificultava a chegada do oponente.

O terceiro quarto teve início e nos trouxe a ilusão de que o Vivo/Franca passaria com tranquilidade pelo adversário, já que a vantagem permanecia na casa dos dez pontos e o time continuava atacando (ainda que sem êxito), até que o pivô Bábby resolveu jogar de verdade (terminou com duplo-duplo, marcando 14 pontos e 11 rebotes) e ajudou a reduzir a diferença para nove pontos (60 a 51) no final do período. Já no último quarto o Mogi esboçou uma reação baseada nos erros de Franca, mas não conseguiu diminuir a diferença.  O embate terminou com vitória francana por 79 a 71.

Ficou exposto que, nos dois últimos jogos fora de casa, o Franca Basquete teve um maior controle emocional e técnico e também maior concentração do que teve contra o Mogi das Cruzes. Não por falta de qualidade, mas por dispersão de quase todos os jogadores em quadra. Parece que, quando o adversário é menos perigoso, a equipe relaxa e deixa com que os jogadores ataquem e apareçam mais em cima da defesa francana.

O destaque francano foi o armador Figueroa (foto à direita), com 14 pontos, quatro rebotes e seis assistências. Do lado oposto, o ala Caio Ranches se sobressaiu ao marcar 22 pontos.


Liderado por R. Fischer e Pilar, Bauru bate Paulistano em outro jogo com cara de playoff
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Fábio Balassiano

Por Rafael Placce, direto de Bauru (SP)

Diante da Panela de Pressão lotada (parabéns à diretoria, que fez promoção e baixou os preços dos ingressos), o Paschoalotto/Bauru conseguiu mais uma importante vitória na busca do G-4 ao vencer o Paulistano por 66-64, nos últimos segundos. O clube da capital, com a derrota, dá adeus às chances de buscar a sétima colocação que garante mando de quadra na primeira fase do mata-mata.

O início do jogo dava toda a pinta de que, finalmente, Bauru conseguiria uma vitória mais tranquila. Com um começo arrasador na defesa e Pilar em noite inspiradíssima (12 pontos em 12 tentados no 1º quarto, além de duas assistências por trás das costas), o time do interior fechou a primeira parcial em 24-10. No segundo quarto, Pilar saiu com problemas de faltas enquanto pelo Paulistano, Alex, ex-Bauru, entrou muito bem na partida e equilibrou o jogo anotando 13 pontos na parcial. O Paulistano que perdia por 16 pontos na metade do período conseguiu voltar para o jogo e fechar o primeiro tempo com apenas seis de desvantagem (40-34).

Na volta do intervalo, o jogo seguiu acirrado e tenso. Pilar fez mais dois pontos e deu mais uma assistência à La Magic Johnson, mas não conseguiu manter o mesmo ritmo do começo de jogo após muito tempo no banco. Então foi a vez de Ricardo Fischer comandar o Dragão, que mais uma vez abriu boa vantagem (14 pontos), mas Manteiguinha e Toyloy recolocaram o Paulistano no jogo, 55-49 para o time da casa.

O último período foi feio, com muitos erros dos dois lados, porém emocionante. Larry Taylor levou uma cotovelada de Pedro (os árbitros não marcaram nada) e ficou boa parte do período decisivo no banco, com um corte no supercílio. O time de Gustavo De Conti aproveitou e diminuiu a vantagem para apenas dois pontos. Com a bola nas mãos de Alex, a 40 segundos do final, o paulistano teve a chance de ficar na frente do placar pela primeira vez na partida, mas a bola de três rodou caprichosamente no aro e não caiu. Na sequência, Larry converteu dois lances livres, mas Toyloy respondeu com uma cesta e falta (o lance de bonificação não caiu). Ainda com 30 segundos no cronometro, o Paulistano resolveu apostar em sua defesa e não fez falta. A estratégia funcionou e Larry errou o arremesso de três e o Paulistano ainda teria tempo de mais um ataque perdendo por dois, mas Alex teve um “apagão” e não percebeu que o tempo estava se esgotando, quanto se atentou, teve que arremessar de muito longe. A bola bateu no aro, na tabela e no aro de novo e só aí a grande plateia na Panela de Pressão pode respirar aliviada.

Com o elenco reduzido, o time bauruense tem saído de seu padrão de jogo coletivo e vem dependendo de atuações acima da média de determinados jogadores (o time tem jogado bem defensivamente, mas tem faltado fôlego no ataque), o que voltou a ocorrer hoje. Gui não esteve em boa jornada (oito pontos). Larry não jogou mal, mas não produziu como de costume (dez pontos e cinco rebotes). Coleman que vinha muito bem, fez uma partida para se esquecer (quatro pontos e seis rebotes).Quem deu sinais de recuperação foi Jeff Agba que apanhou 11 rebotes, mas continuou mal no ataque (quatro pontos). Sendo assim, Ricardo Fischer (21 pontos, cinco rebotes e quatro assistências) e Pilar (14 pontos, quatro rebotes e cinco assistências) foram os responsáveis diretos pela vitória. Pelo lado Paulistano, Alex (16 pontos e cinco rebotes), Manteiguinha (11 pontos e quatro rebotes) e Toyloy (13 pontos e dez rebotes) foram os principais nomes.

O Paulistano, que deve terminar na oitava colocação na fase de classificação, vai ao Rio na próxima semana enfrentar Flamengo e Tijuca. Bauru, que além de vencer seus compromissos, torce por uma derrota de Franca para se manter no G-4, vai ao Espírito Santo e Minas Gerais enfrentar o Vila Velha e o Minas Tênis Clube.


Em jogo fraco, Sport-PE bate Americana em São Paulo e se aproxima do titulo da LBF
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Fábio Balassiano

Não foi um um bom jogo de basquete o que vi no Centro Cívico ontem (acho que ninguém em sã consciência dirá isso). Mas mesmo assim o invicto Sport/PE bateu Americana fora de casa por 54-44 em um jogo de 98 pontos para abrir 1-0 na final da LBF e se aproximar do título.

Acho que só os “98 pontos” ali já falam por si só, não? Foi uma partida bem disputada, física até (ótimo), mas mal jogada e serviu como um espécie de síntese do basquete brasileiro (masculino ou feminino) que tem sido jogado aqui nos últimos 15 anos: muita vontade, nervosismo, excesso de tiros tortos de três pontos (foram 28 tentativas e apenas três acertos), erros de fundamento em profusão (28 em 40 minutos contra 24 assistências – ou seja, mais desperdício de bola do que passe pra cesta) e uma correria alucinante, desenfreada (já falei isso aqui, mas a impressão que me passam é que quando passa do meio da quadra não pode mais respirar).

No primeiro tempo, Zanon levou vantagem quando colocou Karen e Ronneka para frear Adrianinha e sua fúria ao cesto. Deu certo, e o potente ataque do Sport fez apenas 20 pontos no mesmo número de minutos.

Na segunda etapa, quando Americana ameaçou abrir o momento crucial do jogo. A norte-americana Alex (cestinha ao lado de Clarissa com 17) voltou na mesma hora que as donas da casa começaram a marcar por zona. Não deu certo para Americana, que viu Alex anotar 8 pontos seguidos (duas bolas de três pontos) para iniciar a virada do Sport, que passou a comandar o placar com tranqüilidade (nos 20 minutos finais fez 34-18) para vencer por 54-44.

Sobre Americana, duas coisinhas: Clarissa foi brilhante com 13 pontos no primeiro tempo (não fosse ela e seu time não teria feito 25…), mas na segunda etapa teve quatro desperdícios de bola (um deles quando tentou quicá-la por quase 20 metros). Karla, cestinha e melhor jogadora do time na competição, teve 0/8 e terminou com apenas 1 ponto (não é normal isso, obviamente).

Ganhou o Sport-PE, que deve acabar ficando mesmo com o título da LBF, mas o que vi hoje em Americana esteve longe de agradar. Em termos técnicos, Zanon viu o que o aguarda na seleção brasileira. E o basquete feminino brasileiro viu o que tantos anos de descaso acabam gerando – pobreza técnica, fundamentos esquecidos e vícios adquiridos.

Foi lindo ver o ginásio do Centro Cívico cheio, mas para o basquete feminino voltar a ser grande o trabalho precisa ser muito, muito forte – e pra já. Parabéns ao Sport e a Americana, que lutaram bravamente, mas esperávamos mais de uma decisão de campeonato com cinco jogadas que foram às Olimpíadas de Londres.

Viu o jogo? Gostou?


Com cinco olímpicas, Americana e Sport/PE começam decisão da LBF neste sábado
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Fábio Balassiano

Começa neste sábado às 13h (com transmissão do Sportv) a decisão da terceira edição da Liga de Basquete Feminino entre Americana e Sport-PE no interior de São Paulo. E o mais bacana de tudo (ao menos pra mim, claro): estarei no Centro Cívico para acompanhar tudo de pertinho (fique de olho em Twitter e Facebook para ter notícias em tempo real).

E começa com atrativos de todo lado. Serão cinco atletas que estiveram nas Olimpíadas de Londres em quadra (Karla e Clarissa, de Americana, e Érika, Adrianinha e Franciele pelo Sport-PE – Tássia, das paulistas, também esteve lá, mas não jogará a decisão devido a lesão no joelho). Isso, claro, sem falar em Alessandra, das pernambucanas, campeã mundial em 1994 e medalhista em 1996 e 2000. Currículo, como se vê, não faltará logo mais!

Se isso não bastasse, será a primeira aparição de uma equipe do Nordeste em uma final nacional do basquete feminino. E o até então invicto Sport-PE, com um elenco caro e recheado de estrelas, entra com vantagem de ter o mando de quadra na série final melhor de três (a se lamentar, apenas, que este mando tenha sido conseguido contra Americana em apenas um jogo – lembremos que não houve returno nesta edição da LBF). Além disso, há Zanon, técnico que renovou com Americana por mais uma temporada e que foi anunciado como novo técnico da seleção feminina na quinta-feira. É mais um atrativo da decisão que começa logo mais.

O campeonato foi curto, começou atrasado, sem returno, com apenas sete times, tudo errado, mas chegam ao final os dois melhores times e elencos. Vale a pena ficar de olho, pois a promessa é que sejam dois (ou três) jogos.

Quem quiser que vence o jogo 1 logo mais? E o campeonato? Comente!


A escolha de Zanon para a seleção feminina e o urgente trabalho de renovação que deve ser feito
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Fábio Balassiano

Como você já deve saber, Zanon (foto) é o novo técnico da seleção brasileira feminina de basquete. A notícia foi o primeiro ato de Vanderlei como Diretor Técnico também das meninas e merece elogios. Mas este post precisa ser dividido em duas partes.

Em primeiro lugar, Zanon é de fato o melhor nome para assumir a seleção feminina. Tem experiência em time adulto, convive em uma equipe que tem uma divisão de base forte, é vencedor  (são inúmeros títulos em Americana, time que dirige há três anos com maestria), é um indignado (no sentido de quer sempre inovação, evolução e mudanças) e o cara que foi capaz de mexer na deteriorada estrutura tática e de treinamentos do basquete feminino brasileiro.

Foi ele que introduziu sistemas novos de treinamento para sua equipe (é só conversar com as meninas de Americana e ouvir o que elas têm a dizer – no sábado, na decisão da LBF, eu farei isso ao vivo), foi com ele que o basquete brasileiro voltou a ver defesas fortíssimas, foi com ele que evoluções técnicas foram vistas em pouquíssimo tempo (o melhor exemplo é o de Karla, ala que arremessava compulsivamente antes e que agora tem um punhado de jogadas e leitura de jogo acima da média). Ponto para Vanderlei, portanto.

A questão do basquete feminino, porém, não pode parar por aí, não. O esporte precisa ser ampliado, precisa de uma reformulação urgente – de ideias, de nomes, de times, de tudo. Sei que Vanderlei está chegando agora, é o responsável “apenas” pela parte técnica (e isso já é coisa pra cacete, por isso as aspas), mas obviamente seu trabalho vai “resvalar” na pouca “capilaridade” de equipes (seja na base, seja no adulto), na pouquíssima quantidade de boas meninas praticando a modalidade, na reinante pequenez de pensamento sobre o esporte que há entre dirigentes, técnicos e até jogadoras.

É um trabalho, portanto, que não termina com a contratação de Zanon (mas sim começa). E aí acho que Vanderlei precisará de ajuda, precisará de alguém com quem possa dialogar diariamente para sua tomada de decisões. É claro que ele não tem conhecimento sobre o universo do basquete feminino (e isso não é uma crítica, mas uma constatação de alguém que jogou e dirige o masculino há anos) e neste começo ele precisará de ajuda. Zanon será o comandante à beira da quadra e terá que começar uma urgente e necessária renovação com atletas, mas é necessário um nome para organizar todas as categorias, alguém com conhecimento de causa e com quem ele (Vanderlei) terá que dialogar diariamente.

Miguel Ângelo da Luz (campeão mundial e prata em Atlanta-96) é um bom nome, sem dúvida alguma, mas eu pensaria um pouco diferente. Maria Helena Cardoso (na foto à direita) seria a minha escolhida. Adoro ela, mas não é por isso que digo que ela é o nome mais indicado para a função, não. Maria Helena ajudou a formar (essa é A palavra que precisa ser dita na Confederação neste momento) a melhor geração do basquete feminino brasileiro em BCN e Piracicaba, conviveu com estrelas como Paula, Hortência e Janeth, não tem medo de lidar com estrelas (lembro até hoje da bronca que ela deu em Iziane, lá em Madri, quando a ala se negou a entrar em quadra no Pré-Olímpico de 2008) e entende como poucas dos fundamentos do jogo. Daria suporte a Zanon, reporte a Vanderlei e traria consigo um enorme respeito das mais jovens (base) e das mais experientes (adulta). É o nome perfeito, ao meu ver.

Se começar com um técnico de bom nível como Zanon na seleção feminina é uma ótima notícia, eu só espero que as mudanças no basquete feminino não parem no técnico, não terminem com a aquisição dele. É importante colocar em perspectiva e ter em mente: o basquete feminino do Brasil agoniza há 10, 15 anos, e não será um treinador na beira de uma quadra adulta que fará com que a situação da modalidade mude (e nem é pra ser isso mesmo).

Que a CBB arregace as mangas, dê subsídios para Zanon trabalhar (acho que fará isso), que enfim apresente um plano para estruturas/planejar/organizar o basquete e que renove as ideias e os conceitos da modalidade por aqui. Já são 10, 15 anos ignorando as meninas. Outro ciclo olímpico assim e o futuro reservará outro fiasco em Mundiais, Olimpíadas e Nacionais às moscas.


Após mudança de cargo, Hortência diz: ‘Não quero comentar porque não aceitei o cargo’
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Fábio Balassiano

Prometi aqui falar sobre a gestão de Hortência a frente do departamento feminino da Confederação Brasileira. Mas essa análise pode esperar um pouco (até porque vocês já conhecem bem o que penso a respeito, né). O que chama a atenção, na verdade, é a declaração da Rainha ao site do Sportv. Vamos a ela:

“Não quero comentar muito sobre esse assunto porque não aceitei o cargo. Tive uma reunião com o presidente Carlos Nunes há duas semanas e ele me ofereceu esse cargo de relações institucionais, e eu lhe disse que ia pensar. Alguns dias depois, mandei um e-mail e liguei dizendo que não ia aceitar o cargo, que não tem nada a ver comigo. Quero trabalhar e usar toda a minha experiência no basquete para algo prático, não para uma coisa que não faça ideia do que seja. Não fizemos acordo, ele (Carlos Nunes) me ofereceu (o novo cargo), eu disse que ia pensar, e não aceitei. Aí, uma semana depois, aparece essa nota oficial. Também estou surpresa. Não sou mais diretora da seleção, agora é o Vanderlei. E eu não quero esse cargo (diretoria de relações institucionais). Não quero um cargo que não sei direito o que é. Quero ser útil na prática”.

Bem, acho que está muito claro o que aconteceu na Confederação Brasileira, não? A CBB, através de sua assessoria, diz que tudo estava acertado com Hortência e tal, mas a questão que fica pra mim é: por que diabos isso não pode ser alinhado antes de sair uma nota oficial? Não é possível que Carlos Nunes, o presidente, e sua ex-diretora de seleções femininas falem a mesma língua – juro que me nego a acreditar nisso. É necessária esta exposição toda?

Aqui, aliás, há outro problema que é um mal absurdo no esporte brasileiro como um todo: a falta de preparo para assumir cargos importantes. Na própria CBB isso acontece agora com André Alves, ex-Diretor Técnico e agora Diretor de Eventos (!), aconteceu com a própria Hortência, que provou na prática não ter capacidade de dirigir uma modalidade que pedia (e ainda pede) socorro. E isso segue acontecendo com ela quando lhe oferecem uma diretoria de um assunto que ela mesma diz desconhecer por completo. John Wooden já dizia: “A falha na preparação é o começo da preparação para falhar”. A entidade máxima pelo visto ainda não percebeu que contratar por contratar não é a melhor solução (experiência na função, currículo, cursos e planos deveriam contar mais do que atuações em outros campos).

Mas, bem, voltando. Sendo bem sincero e justo, vocês sabem bem das minhas críticas ao trabalho de Hortência no Departamento Feminino da CBB, mas acho que falta um pouco de consideração a Rainha neste momento. Se houve problema de competência (e houve mesmo), que se discutisse isso tudo em uma sala (e não por e-mail ou telefone, como pelo visto foi feito) para uma tomada de decisão conjunta e acertada formalmente entre as duas partes (para que não houvesse dúvida!).

Por pior que tenha sido (e foi mesmo, faço questão de frisar para não haver dúvida) o trabalho dela como Diretora de Seleções Femininas, Hortência é e sempre será um patrimônio do basquete brasileiro, um patrimônio do basquete mundial (ela está no Hall da Fama, é sempre bom lembrar…). Foi com ela que o Brasil ganhou um Mundial, uma medalha olímpica, um Pan-Americano (quando um Pan ainda valia muito).

Tratá-la como ela foi tratada não desce bem pra mim, não. Demitir ou trocar Hortência de função poderia até ocorrer, mas da maneira como foi feita denota um amadorismo e uma falta de consideração que chegam a ser constrangedores. Se ela não merecia elogios pelo seu trabalho na CBB, tampouco merecia uma apunhalada deste nível – embora, é sempre bom dizer, trabalhar na CBB é estar preparado para que isso ocorra a qualquer momento.

Concorda comigo?


Dallas cresce, vence três seguidas e ameaça oitava posição do Lakers no Oeste
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Fábio Balassiano

Na semana passada escrevi aqui que a briga final pelas últimas colocações do Oeste ficaria entre Houston, Lakers e Utah, né. E muita gente contestou: “Bala, mas e o Dallas?”. Achei que os caras não conseguiriam chegar, não teriam forças para buscar uma oitava colocação de conferência. E aí o que aconteceu? Os texanos começaram a vencer, óbvio (e se começarem a perder a partir de hoje vocês vão me zoar, eu sei, mas é mais forte do que eu).

Já são três vitórias seguidas (a última, na prorrogação por 109-102, contra o Clippers na terça-feira) e 9-3 nos últimos 12 jogos. O time, que tinha 25-32 no começo de março, tem agora 35-36, está mais vivo do que nunca na briga pela última vaga do Oeste (já colou no Utah Jazz e está a apenas dois jogos do Lakers, o oitavo colocado e que agora tem que lidar também com a ausência de Ron Artest/Metta World Peace, lesionado no joelho) e pronto para ficar com campanha positiva pela primeira vez na temporada desde 21 de novembro de 2012.

A receita do time, que hoje enfrenta o Indiana Pacers em casa no confronto do técnico Rick Carlisle contra sua ex-equipe, passa pelo sucesso recente de Dirk Nowitzki (20 pontos, 8,3 rebotes e 54% nos chutes nos últimos dez jogos) e pelo crescimento surpreendente do veterano armador Mike James (10,4 pontos, 5,1 assistências e boa condução do ritmo do time – foto à direita), além das subidas de produção de Shawn Marion na defesa e em OJ Mayo no ataque.

Os Mavs têm time bem razoável, provavelmente fariam menos feio que os Lakers contra Spurs ou Thunder nos playoffs, jogam justamente contra os angelinos na próxima terça-feira fora de casa e estão bem preparados para este fim de temporada.

Dirk Nowitzki disse que só faria a barba novamente quando seu time chegasse aos 50% de aproveitamento. Acho que ele já pode preparando o barbeador para sonhos um pouco mais altos. Os Mavs chegarão no primeiro objetivo do alemão, gênio de bola. A questão maior que fica é será que a vaga nos playoffs também vem? Comente!


Sob nova direção: Luiz Augusto Zanon é o novo técnico da seleção brasileira feminina
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Fábio Balassiano

Não demorou muito a começar a mudança no departamento feminino do basquete brasileiro (agora comandado por Vanderlei, que, diga-se de passagem, já começa bem em sua função com as meninas). A notícia, confirmada esta manhã pelo site oficial da CBB, é que Luiz Augusto Zanon, que tem feito grandíssimo trabalho por Americana (campeão da LBF e Liga Sul-Americana na temporada passada), é o novo técnico da seleção feminina adulta (Luiz Claudio Tarallo não teve seu contrato renovado).

“Confesso que não esperava esse convite agora. Posso garantir que é uma satisfação e um privilégio ser o técnico da seleção brasileira. Temos um trabalho árduo pela frente e todas as condições para colocar novamente o Brasil entre os quatro melhores do mundo. É um desafio que vamos conseguir vencer”, afirmou o técnico, que já havia recusado uma proposta de Hortência para assumir a seleção, ao site da CBB.

Grande, grande notícia para o basquete feminino brasileiro. Zanon não fez apenas um trabalho técnico em Americana, mas sim modificou as estruturas de treinamento e de jogo de uma grande equipe. Tem acompanhado a modalidade de perto há três anos, sabe bem como mexer com as meninas e certamente fará um grande trabalho (ainda que o material humano não lhe seja excelente para âmbito internacional). A dúvida que eu tenho, até agora, é se ele continuará a exercer seu cargo de treinador em clube ao mesmo tempo (a entrevista coletiva será concedida após a LBF).

Gostou da notícia? Comente!

Tags : CBB Zanon