Bala na Cesta

Arquivo : janeiro 2013

No sufoco, Maranhão vence Guarulhos fora de casa e conquista primeira vitória na LBF
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Fábio Balassiano

Por Gustavo Belofardi, direto de Americana (SP)

No sufoco. Foi assim que o Maranhão Basquete conquistou a sua primeira vitória na Liga de Basquete Feminino. Jogando de forma muito apática, a equipe sofreu para derrotar a  jovem equipe do Guarulhos por 62-55 (25-30) jogando no Ginásio Municipal Milton Fenley Azenha, o Centro Cívico, em Americana-SP (sim, mesmo com Guarulhos como mandante o jogo foi disputado no interior de São Paulo mesmo).

“Não iniciamos bem a partida, mas conseguimos reagir e vencer. Não podemos começar jogando de forma apática, vamos corrigir os erros e buscar mais uma vitória no próximo jogo”, afirmou Iziane, cestinha do time com 20 pontos.

No 1ª quarto, Guarulhos impôs ritmo forte pra cima das maranhenses. Apostando na marcação por pressão e nos contra ataques, a equipe paulista chegou a abrir 9-2, fato que fez o técnico Betinho pedir tempo. Maranhão ainda conseguiu equilibrar as ações, mas o placar final do quarto foi de 15 a 14 a favor dos paulistas. No 2º quarto, o cenário foi o mesmo: Guarulhos apostava nos erros da equipe maranhense (e foram muitos, para desespero de Barbosa, manager da equipe). Com ótimo participação de Joice Coelho (11 pontos, 5 rebotes e 2 assistências), Guarulhos terminou o 1º tempo vencendo por 30-25.

No 3º quarto, Maranhão voltou com postura diferente. O técnico Betinho, juntamente com o manager Barbosa (ambos na foto à esquerda), apostou na mesma arma da equipe paulista, a velocidade. E deu certo. Maranhão conseguiu equilibrar a partida e aproveitou os vários contra ataques deixados por Guarulhos. No final, empate por 46-46. No último quarto, prevaleceu a experiência da equipe maranhense. Maiss tranqüila, a equipe soube aproveitar a qualidade de Iziane (20 pontos, 8 rebotes e 5 assistências) para passar no placar e apenas manter a vantagem conquistada. No final vitória por 62-55.

A cestinha da partida foi a ala Iziane (20 pontos, 8 rebotes e 5 assistências). Outras que se destacaram foram Damiris (12 pontos e 12 rebotes – double-double) e Kelly (10 pontos, 15 rebotes e 2 assistências – double-double). Pelo lado da equipe paulista, o grande destaque foi a cubana Yulli(15 pontos e 8 rebotes).

Após a partida, o técnico Betinho fez uma análise sobre o jogo. “A equipe começou o jogo cometendo muitos erros e deixando a equipe de Guarulhos jogar. O time foi apático por alguns momentos, mas o importante é que conseguimos virar e vencer o jogo” disse.

Já o técnico de Guarulhos, Alexandre Cato, lamentou a derrota. “A equipe deixou de querer ganhar no último quarto, na minha visão a nossa equipe tinha condições de sair com uma boa vitória” disse.

Na próxima rodada, Maranhão encara a atual campeã da LBF, Americana, em duelo marcado para Ginásio Municipal Milton Fenley Azenha, o Centro Cívico, em Americana-SP, sábado (02 de fevereiro) às 11:00. Já Guarulhos mede forças com Ourinhos, no dia 14 de fevereiro, às 20:00, no Ginásio Monstrinho, em Ourinhos.


Por recorde de vitórias consecutivas no NBB, Flamengo recebe Vila Velha nesta 5ª no Tijuca
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Fábio Balassiano

Depois de fechar o primeiro turno invicto (17-0), o Flamengo tem nova missão: bater a marca que pertence ao próprio clube de vitórias consecutivas no NBB.

Na temporada 2008-2009, o rubro-negro, então comandado por Paulo Chupeta, conseguiu 17 vitórias seguidas (nos 17 últimos jogos da fase de classificação, aliás), estabelecendo a melhor marca da competição nacional na temporada regular (nos playoffs, foram mais sete vitórias até a derrota para o Brasília por 81-71 no segundo jogo da decisão em 13 de junho – foram quase três meses sem conhecer o gosto da derrota).

Para superar essa sequência, basta ao Flamengo vencer o Vila Velha nesta quinta-feira às 21h30 no ginásio do Tijuca. O time do Espírito Santo não é galinha morta, tem até jogado muito bem em alguns momentos (bateu Brasília na competição deste ano e tem 5-12) mas está longe de ser um timaço e jamais venceu o rubro-negro em nove jogos na história do NBB. Se isso não bastasse, o time de José Neto tem o melhor ataque (92,88), a terceira melhor defesa (74 pontos sofridos por partida), o segundo melhor rebote (34,2) e o melhor índice de eficiência da temporada (111,1).

Daquele time de 2008-2008, estão no Flamengo apenas Duda e Marcelinho (sendo que este está lesionado e não entrará em quadra logo mais – sua lesão, aliás, foi justamente contra o Vila Velha, no primeiro jogo do campeonato). Será que o Flamengo bate o próprio recorde de vitórias consecutivas na temporada regular do NBB? Tudo indica que sim, né. Comente!


Memphis, Detroit e Toronto acertam primeira grande troca na NBA – veja as mudanças!
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Fábio Balassiano

Aconteceu a primeira grande troca dessa temporada da NBA. Muita gente já esperava que Rudy Gay (foto) fosse mesmo sair do Memphis Grizzlies (com donos novos, a franquia decidiu apertas as finanças e está preocupada em economizar neste primeiro momento), e foi o que realmente aconteceu.

Gay, ótimo ala mas cujo salário é imenso até 2014-2015 – mais de US$ 54 milhões até lá), vai junto com o pivô reserva Hamed Haddadi para o Toronto Raptors, que, por sua vez, cede Ed Davis e o espanhol Jose Calderón ao Grizzlies. Mas o Memphis não quer Calderón, e despachou o armador para o Detroit em troca de Tayshuan Prince (o último remanescente do título dos Pistons de 2004 deu adeus ao time, portanto) e Austin Daye. Ficamos assim, então:

MEMPHIS RECEBE: Tayshuan Prince, Ed Davis, e Austin Daye
TORONTO RECEBE: Rudy Gay
DETROIT RECEBE: Jose Calderón

Minha análise: Partindo do pressuposto que foi uma troca por causa estritamente financeira, o Memphis até que não se deu tão mal assim. Trocou um excelente jogador por um veterano razoável, um jovem razoável (Davis) e um contrato expirante (Daye). Perde no quinteto titular, mas ganha em espaço para investimentos futuros (mais de US$ 10 milhões/ano liberados a partir da próxima temporada) e em elenco de apoio. Não deve ganhar o Oeste mesmo, mas não sei se perde a quarta colocação de Conferência.

Por outro lado, quem se deu muito bem foi o Toronto Raptors. Com espaço para investir, despachou Calderon, com quem a torcida já pegava no pé há tempos, abriu espaço para Kyle Lowry, trouxe um grandíssimo jogador (Gay) e agora terá Lowry, DeRozan, Gay, Bargnani e Valanciunas no quinteto inicial. nada mal, não?

Ao Detroit, fico triste com a saída de Prince, um dos melhores jogadores de defesa que vi atuar, mas Joe Dumars decidiu que era hora de renovar o elenco. Poderá colocar Brandon Knight na ala, Calderon como titular na armação, Kyle Singler na ala e Greg Monroe no pivô, com Andre Drummond vindo do banco. Time novo, forte e talentoso. Bom pra pensar em futuro, sem dúvida alguma, concordam?

Acabou, portanto, ficando de ótimo tamanho para os três times. E aí, gostou dessa troca na NBA? Quem se deu bem? Quem se deu mal? Comente na caixinha!


O crônico problema nas arbitragens brasileiras no NBB – tem solução em curto prazo?
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Fábio Balassiano

No começo do terceiro período do jogo entre Flamengo e Pinheiros, disputado no sábado aqui no Rio de Janeiro, Rafael Mineiro, do time paulista, argumentou com a arbitragem sobre uma marcação duvidosa. Não levantou a voz, não falou alto (estava na minha frente), não xingou, nada. Só pediu para que a jogada fosse repensada. Natural, não? Não para o trio de árbitros (Fernando Serpa, Diego Chiconato, Vinicius Simões), que aplicou uma falta técnica no ala-pivô. No ataque seguinte, Mineiro cometeu uma falta, reclamou de forma veemente e outra falta técnica foi aplicada. Exclusão automática, certo? Hummm, não. A arbitragem voltou atrás, meio que com medo do que havia feito em uma sequência de um minuto, e aplicou apenas uma falta no jogador do Pinheiros. A revolta do Flamengo, claro, foi geral e por pouco uma confusão não começou ali.

Na segunda-feira, na capital federal, Bauru tentava uma reação contra Brasília quando a arbitragem (Marcos Benito, Guilherme Locatelli e Andreza Souza) apitou faltas seguidas contra os Bauruenses. Marcaram uma falta anti-desportiva em Pilar, uma falta técnica em Guerrinha e outra em Ricardo Fischer, acabando com qualquer chance do time do interior paulista. No final do jogo, o técnico Guerrinha vociferou para quem quisesse ouvir (e o Correspondente BNC Jackson Alves tem o áudio): “Enquanto não trouxerem seis árbitros de nível internacional, vai ser sempre essa merda (de arbitragem). E a gente fala isso pra Liga Nacional todos os dias”.

Esse preâmbulo todo para fazer um post necessário e pedido por vocês a cada rodada do NBB – sobre o péssimo nível das arbitragens na principal competição do país (e as fotos que ilustram o post não são crítica a qualquer árbitro, mas apenas para ilustrar a matéria). Já houve um problema gravíssimo em um jogo que deveria ser de festa (o jogo 1.000 da história do torneio terminou de forma ridícula – relembre aqui), mas o pior de tudo mesmo está na escolha dos critérios e na arrogância dos árbitros (isso sem falar nos juízes caseiros, aqueles que só apitam faltas contra os times que não jogam em casa – os atletas têm até uma nomenclatura para isso, chamando os homens de preto de “Coluna 1”, numa alusão a Loteria Esportiva, que “ganha” para o time da casa na primeira coluna). Exemplos, para quem acompanha o campeonato (nos ginásios, pela televisão ou pelas crônicas dos Correspondentes BNC), não faltam.

A situação não é boa mesmo – e em todos os sentidos. Os jogos, que quase já não têm contato físico por aqui devido a leseira defensiva da maioria das equipes, ficam ainda piores (não parece basquete!) quando os árbitros apitam qualquer contato físico, qualquer “encostão”. O jogo fica chato, arrastado, travado, decidido em lances-livres e não é incomum ver jogadores dos dois times quase sempre enrolados em faltas desde o começo do segundo tempo. O clima, que quase nunca é calmo em uma quadra de basquete (vocês devem imaginar quando dez gigantes de 2m de altura se encontram, certo?) fica ainda pior, ainda mais quente.

No próprio sábado, uma pessoa bem influente no basquete nacional me disse algo bem interessante: “Não é que eles sejam tendenciosos, não. Eles só são arrogantes, ruins demais e acabam compensando suas besteiras nas jogadas seguintes às bobagens que fizeram. Ou seja, se enrolam em torno de suas próprias sandices. Aí o jogo fica completamente louco, sem que ninguém saiba quais são os critérios que eles vão adotar. Pense nisso durante toda a temporada e imagine o humor do jogador em quadra com isso tudo”. É mais ou menos por aí mesmo.

De verdade eu não sei se tem solução no curto prazo. Sei que a Liga Nacional tem se esforçado absurdamente para melhorar isso desde que começou a organizar o campeonato. Organiza clínicas, palestras, reciclagens, mas o problema parece não ter fim. Os jogos, que já não são bons em termos técnicos (insisto neste ponto também), ficam ainda piores com a interferência dos árbitros a todo instante (e a colocação dos microfones nos juízes ainda piorou isso tudo, pois eles se acham os donos do espetáculo – até onde se sabe, o jogador é que deve ser a estrela), deixando um produto que não passa de mediano ainda pior, ainda mais feio para o público (consumidores mesmo no final das contas).

Concorda comigo? Ou o nível das arbitragens do NBB é bom? Comente!


‘Armador’, Kobe se transforma outra vez e Lakers vencem 3 seguidas – dá pra pensar em playoff?
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Fábio Balassiano

Depois da derrota para o Memphis Grizzlies fora de casa no dia 23, os jogadores do Lakers se reuniram (sem a presença dos técnicos). Steve Nash, o mais experiente e aparentemente sem medo da estrela da equipe, puxou a conversa: “Precisamos jogar como um time. Do jeito que está, não vai ser bom pra ninguém. Vamos parar de correr, porque não somos mais garotos, e vamos dividir a bola. Só tem um chutando, e o resultado está na cara de todo mundo”. Recado mais claro a Kobe Bryant, o tal “só tem um chutando”, não poderia existir, certo?

(Gostou da ilustração deste post? É de Neto78, ou Antonio de Padua Carvalho Neto, que enviou gentilmente pro blog. O cara é fera, e você pode olhar todo o seu trabalho clicando aqui)

Bem, Kobe Bryant entendeu a mensagem e os Lakers parecem querer se acertar. Depois do papo entre os jogadores, a resposta tem sido dada em quadra – e com cada vez menos chutes do astro (relembre aqui seus números no estudo que fiz sobre o camisa 24). Foram três vitórias seguidas (Utah, Oklahoma e ontem contra o New Orleans Hornets/Pelicans por 111-106), e em todas com Kobe com 11 ou mais assistências (39 em uma sequência de três jogos é o maior índice que ele já atingiu nos seus 17 anos de NBA, para vocês terem uma noção). Para ser mais exato, o ala teve mais PASSES do que CHUTES TENTADOS nesse período, algo inimaginável há duas, três semanas atrás. Para ser ainda mais exato: os angelinos têm 13-3 quando o astro chuta menos de 20 vezes no jogo – sintomática a estatística, não?).

Com média de quase 22 chutes por jogo nessa temporada, Kobe decidiu assumir a função de facilitador, de real comandante da equipe. Diminuiu seus arremessos (foram 11,3 nestes três últimos jogos, conversão assustadora de 58,8% e média de 16,3 pontos), confiou mais em seus companheiros (cinco ou mais atletas pontuam em dígitos duplos em todas as partidas desde a conversa pós-jogo do Memphis – ontem, quando o New Orleans tentava uma reação no final, Bryant passou para Earl Clark decidir no minuto final e na posse de bola seguinte rodou a bola para encontrar Steve Nash na linha de três pontos) e tem visto a média de pontos do time subir (106 nos últimos três jogos) junto com as vitórias que estão chegando (agora os Lakers têm 20-25).

Ainda é cedo para dizer se o espírito altruísta de Kobe Bryant vai realmente durar (ótima atitude, mesmo que tardia, de liderança, não?), mas está muito claro que os resultados parecem fluir mais facilmente assim (e é bom deixar claro, isso não tem nada a ver com o técnico Mike D’Antoni, como atestou Pau Gasol: “Não sei se estamos jogando muito o sistema de D’Antoni neste momento. Estamos fazendo o nosso próprio esquema, que passa por desacelerar o jogo, colocar muito a bola nas mãos de Kobe Bryant e a distribuir bem a bola”).

Os Lakers estão em décimo no Oeste, atrás de Portland (23-22) e Houston Rockets (25-22), e agora terão uma dura série de sete jogos fora de casa (hoje contra o Phoenix, depois Minnesota, Detroit, Brooklyn, Boston, Charlotte e Miami em 10 de fevereiro). Se conseguir sair bem desta viagem, ou seja, com cinco vitórias (algo bem possível), os angelinos passam a lutar diretamente pelos playoffs. A missão é dura, é árdua, o time ainda não defende muito bem (principalmente na transição e nos pick-and-rolls), mas parece ter encontrado uma maneira de jogar: colocando as bolas na mão de Kobe Bryant e rezando para ele não chutar na primeira oportunidade que aparece.

Será que os angelinos ainda conseguem pegar uma vaga nos playoffs?


Depois do primeiro turno do NBB, meus prêmios para os melhores do campeonato até aqui
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Fábio Balassiano

Assim como fiz com a primeira metade da NBA, vale a pena citar os melhores do NBB até aqui. Terminou, oficialmente, o primeiro turno na segunda-feira, com os jogos de Flamengo e Brasília contra Uberlândia e Bauru, respectivamente, e acho que chegou a hora de fazer a mesma coisa com o campeonato mais importante do país. Coloquei as categorias ortodoxas, e outras que vieram da minha cuca-maluca, ok?

MVP: Marquinhos (Flamengo – na foto à direita)
REVELAÇÃO: Lucas Mariano (Franca)
MELHOR TÉCNICO: José Neto (Flamengo)
MELHOR TIME: Flamengo
JOGADOR QUE MAIS EVOLUIU: Guilherme Deodato (Bauru)
MELHOR DEFENSOR: Alex Garcia (essa é barbada por aqui)
MELHOR JOGADOR QUE NINGUÉM NOTA: Olivinha (Flamengo) 
QUINTETO IDEAL: Fúlvio, Marquinhos, Robert Day, Giovannoni e Lucas Mariano.
QUINTETO IDEAL SUB22: Benite (alterei aqui), Ricardo Fischer, Leonardo Meindl, Gui Deodato e Lucas Mariano.
TIME SURPRESA: Basquete Cearense (estreante, tem 9-8 e está em oitavo)
JOGADOR SURPRESA: Desmond Holloway, da Liga Sorocabana (20,4 pontos e 4,5 rebotes por jogo – a torcida de Sorocaba tem até música pra ele, cantando o sobrenome do ala no ritmo de Holiday, de Madonna – deve ser sensacional isso)
MELHOR REFORÇO DA TEMPORADA: Marquinhos (Flameng0)
MELHOR REFORÇO DA TEMPORADA QUE NINGUÉM NOTOU: Kojo (Flamengo) e Joe Smith (Pinheiros)
TIME DECEPÇÃO: Tijuca e Palmeiras (2-15 e lanterna)
JOGADOR DECEPÇÃO: Estevam (cadê o basquete deste pivô, alguém viu por aí?)
MELHOR ESTRANGEIRO: Robert Day (Uberlândia)
TÉCNICO SURPRESA: Daniel Wattfy (Vila Velha, com menção honrosa a Rinaldo Rodrigues, da Liga Sorocabana)
MALA DO ANO: Os juízes (haverá post sobre isso logo mais)
PIOR MOMENTO DA TEMPORADA: O jogo 1.000 do NBB entre Flamengo e Brasília
MELHOR JOGO QUE EU VI: Flamengo x Pinheiros, no último sábado
TIME MAIS DIVERTIDO DE VER JOGAR: São José e Franca
TIME QUE DÁ MAIS RAIVA DE VER JOGAR: Brasília (com o time que tem, joga o basquete mais feio do país – e ainda assim ganha por causa da reserva técnica que possui)
JOGADOR PARA FICAR DE OLHO NO SEGUNDO TURNO: Paulão Prestes (Brasília)
TIME PARA FICAR DE OLHO NO SEGUNDO TURNO: Pinheiros (ainda não jogaram completos a temporada toda!)
MELHOR TIME QUE NINGUÉM NOTA: Bauru (11-6)

E aí, concordam comigo? Comentários na caixinha!


Ex-jogador de Ary Vidal, Cruxen relembra lições do treinador, falecido há dois dias
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Fábio Balassiano

Você leu ontem uma história que contei sobre o já saudoso Ary Vidal e o jogador Cruxen, ala de Corinthians, de Santa Cruz do Sul (RS), certo? Se não, relembre aqui . Pois foi com enorme surpresa que recebi uma mensagem do próprio Cruxen, que fez um depoimento emocionado a mim sobre a morte de Ary, seu grande mestre. Vamos lá:

“Estava jogando basquete no Torneio de Masters de Caiobá (PR) quando ao voltar para o hotel nos chegou a triste notícia da tragédia de Santa Maria. Foi um domingo triste, com a inclusão de um garoto de 20 anos, basqueteiro de Santa Cruz, entre a vida e a morte em um hospital de Porto Alegre devido à intoxicação respiratória. Na segunda-feira, a notícia foi da perda do mestre Ary Vidal.

Minha vida no basquete se mescla com a presença do Ary Vidal. Conheci o mestre em meados de 1978, em uma clínica de basquete no Recreio da Juventude, onde, como técnico, ele veio passar sua experiência aos técnicos, alunos, atletas de Caxias do Sul. Lembro-me que, em determinada situação, Ary necessitava um atleta “sofrer” uma falta de ataque e ele me escolheu. Ao cair de costas e encenando a penalidade, escutei do mestre que poderia ser “ator”. Meu segundo contato com o Ary foi em uma Seleção Brasileira de Novos (1985), onde a “nata” do basquete de nossa categoria (1961-62 e 63) estava reunida. Depois foram 5 anos seguidos como meu técnico e uma temporada como Diretor Técnico na equipe de Uberlândia, meu último ano como atleta profissional.

No decorrer dos anos, fomos notando que sua aptidão em comandar as equipes em jogos era completamente diferente dos treinos. Como “bon vivant”, Ary sabia muito bem distinguir treinos de TREINOS. Quando ele entrava de camisa preta, calça preta e sapato preto no ginásio às 09h30 da manhã, sabíamos (os mais experientes) que teríamos no treino somente arremessos. Em compensação quando entrava de abrigo e tênis com o treino desenhado em um papel, o bicho comia.

Ary sempre foi um gentleman, inteligentíssimo, boas “conexões” e sempre se relacionando com quem deveria, multiplicando, assim, sua forma de pensar e de agir. Não foi diferente em Santa Cruz, quando dirigiu o Corinthians local, em um dos episódios que bateu de frente com um atleta (um ídolo da torcida). Ary acabou se desligando do projeto em “prol” da equipe para não prejudicar o basquete em nossa comunidade. Na mesma noite, Prefeito, Deputados, Vereadores e Diretoria (acredito que até a hierarquia eclesiástica foi convocada) pediram e Ary voltou ao comando da equipe – e o atleta foi desligado. Ali, ele comprovava sua força como líder. Mas havia momentos engraçados também. Em uma época, resolvemos levar para as viagens um jogo chamado Masters (de perguntas e respostas). O grande lance é que tínhamos que jogar e fazer as perguntas baixinhos, pois se o Ary jogasse, respondia a todas perguntas e ganhava fácil.

Certa vez, na 2ª temporada sendo comandado pelo Ary, ouvia meu nome direto nas suas correções. Ele me comparava a uma vaca holandesa, que tirava todo o leite e quando estava quase lotada batia com o rabo e derrubava o conteúdo. Isto me incomodava até o dia que, estando por último no vestiário, o mestre entrou e novamente se dirigiu a minha pessoa. Imediatamente retruquei e disse que ele só tinha o nome Cruxen em sua boca. Ele respirou, me olhou e em tom tranqüilo me respondeu: “Quando eu começar a deixar de falar seu nome, Cruxen, você pode começar a se preocupar, isso sim”.

Mesmo nas diferenças, e como elas existem entre técnicos e atletas, Ary sempre foi um estrategista. Em determinado momento de um Brasileiro, estava tomando “chá de pinho” (40 min no banco). Mas em um jogo contra o Flamengo no Rio de Janeiro o Ary me colocou e em 20 min de partida anotei 25 pts. O problema foi que acabei tomando falta técnica e sendo punido com 5 faltas (nossa equipe já estava minimizada por lesões). Foi uma explosão do Ary, que partiu em minha direção num ataque de fúria, sendo contido pelo colega norte-americano Marvin – tudo isto ao vivo pela SpotTv. Foi uma semana difícil de trabalho, muitas pessoas tomaram partidos diferentes e precisávamos jogar a última partida do turno contra Joinville na casa dele. Ary, por ter perdido alguns jogadores por lesão, acabou me escalando como titular.

Nunca tive tanta diarreia e nervosismo antes de uma partida, mas acabamos ganhando lá dentro, terminando o 1º turno em 1º lugar e Ary, numa das cruzadas dentro do vestiário, me disse que “existem jogadores que na hora do funil acabam caindo para fora, outros fazem questão de entrar e demonstram quem são”. Jamais irei esquecer estas palavras do mestre.

Na histórica final do título nacional do nosso Corinthians em 94, uma falta técnica foi marcada para nossa equipe e um dos diretores imediatamente indagou o Ary: “Quem vai bater?”. E Ary respondeu: “Bate você, que é o diretor do time”. Era engraçado, também, quando, em entrevistas, chamavam-no de treinador. Ele dizia que treinador era de cavalo. Que ele, Ary Vidal, era técnico.

Ary ressuscitou o exército brancaleone, fazendo com que cada atleta encarnasse um dos 12 condenados para a absolvição. Ary era psicólogo, Ary era estrategista, Ary era cômico, Ary era o próprio basquete. Depois de 3 dias que atingimos a maior façanha do basquete brasileiro (vencer aquele Nacional de 1994), conversando com ele, comparei as condições do jeito que fomos para a final, jogadores machucados, cansados, revertendo um plalyoff de 0-2 e tudo mais. Ele respirou, me olhou e disse: “Cruxen, a história não conta como foi, mas sim quem foi”.

Que Ary descanse em paz, que sua estrela continue a brilhar sempre forte e que, de onde ele estiver, tenha certeza que ele influenciou a vida de muitos atletas – inclusive a minha. Obrigado, Ary!”.


Em jogo com muitos erros, Brasília leva a melhor e assume a segunda colocação do NBB5
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Fábio Balassiano

Por Jackson Alves, direto de Brasília (DF)

Nesta segunda-feira o Brasília e o Bauru fizeram um duelo direto na tabela de classificação no Ginásio da ASCEB. O time da casa venceu o com facilidade por 80-60 e, com a derrota do Uberlândia, encerra o primeiro turno na segunda colocação com 13-4, enquanto a equipe do Bauru possui 11-6 na quarta colocação, empatados com Pinheiros e Franca.

No primeiro quarto as duas equipes erraram muito no ataque. O jogo estava bastante disputado, mas isso não era convertido em pontos. Além disso as equipes tentavam muito da linha de três pontos sem eficiência. O resultado não poderia ser outro – o período terminou empatado em 12 pontos. No segundo quarto a equipe de Brasília voltou melhor, convertendo algumas bolas de três e passando a jogar um pouco mais dentro do garrafão, algo que Bauru não fez (continuou insistindo em bolas de três). Resultado: 35 a 19 para os brasilienses.

Na volta do intervalo o Bauru esboçou uma reação, onde chegou a uma diferença no placar de seis pontos, mas após tempo pedido pelo técnico José Carlos Vidal Brasília se acertou e, ao fim do período, ganhava por 52-41. O último quarto, o que teve maior emoção no jogo, mesmo com baixo nível técnico, reservou muita reclamações por parte dos dois times em relação a arbitragem, gerando uma série de faltas técnicas e antidesportivas (5 ao todo), dessa forma o Brasília mais tranquilo em quadra administrou bem e venceu por 80-60.

Os cestinhas da partida foram Alex e Nezinho com 17 pontos cada. Pelo lado do Bauru, o maior pontuador foi David Coleman, que anotou 16 pontos. Para Ronald, que anotou duplo-duplo (11 pontos e 11 rebotes) “foi um excelente jogo, apertamos muito na defesa e soubemos aproveitar as oportunidades no ataque, o Vidal tem cobrado muito uma defesa forte e estamos melhorando nisso”. Já sobre a arbitragem “não acho que existiu as faltas, mas eles também erram, o importante é que ganhamos”. Para Vidal, “não jogamos tão bem ofensivamente, mas apertamos muito na defesa, e mesmo com a reação deles no terceiro quarto soubemos aguentar essa pressão e acabou sendo aparentemente uma vitória fácil, mas não foi”.

Para Guerrinha, técnico do Bauru, “não jogamos bem o primeiro tempo, mas iniciamos uma reação no segundo tempo e infelizmente, por diferença de critérios da arbitragem não conseguimos empatar no placar. O Brasília é merecedor da vitória, mas não por essa diferença. Pode creditar 15 pontos dessa diferença a arbitragem”.

Na próxima quinta-feira, já em confrontos válidos pelo returno, os candangos recebem a renovada equipe de Franca e o time do interior paulista recebe a equipe de São José.


Em casa, Americana derrota Santo André e se reabilita na Liga de Basquete Feminino
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Fábio Balassiano

Por Gustavo Belofardi, direto de Americana (SP)

A equipe de Americana se reabilitou na Liga de Basquete Feminino nesta segunda-feira. Com o apoio de mais de mais de 1200 torcedores, as donas da casa derrotou a equipe de Santo André pelo placar de 82-74 (42-29) em duelo realizado no Ginásio Municipal do Centro Cívico, em Americana. Antes do jogo, foi feito um minuto de silêncio em virtude da morte do ex-técnico da seleção brasileira masculina, Ary Ventura Vida, falecido na tarde de segunda-feira (28) no Rio de Janeiro e também das 231 vítimas do incêndio da boate Kiss, em Santa Maria-RS. As atletas de Americana, inclusive. jogaram com munhequeiras pretas.

O jogo começou com Americana imprimindo um ritmo forte, abrindo logo 12-0 com apenas 2:30 de jogo, fato que fez a técnica Laís Elena pedir tempo. Santo André chegou a esboçar reação, mas as americanense fecharam o período em 25-16. No segundo quarto, Americana diminuiu o ritmo, mas conseguiu manter a boa vantagem conquistada no início do jogo. Com a tranqüilidade de Karla (17 pontos e 6 rebotes ao todo), a equipe da casa venceu por 42-29.

Na volta do intervalo, Santo André voltou com força em busca de diminuir a vantagem. O jogo ficou aberto, com Jaqueline (18 pontos e 4 rebotes) convertendo os pontos de Santo André e Sandora (12 pontos e 6 rebotes) anotando os de Americana para manter a diferença em 65-52 a favor das donas da casa. No último quarto o jogo esquentou. As pivôs Êga, de Santo André, e Mamá, de Americana, se estranharam em quadra, fato que fez o juiz da partida paralisar o jogo (tudo foi normalizado e nenhuma jogadora foi punida, nem com falta técnica). Santo André voltou com mais força e até venceu o quarto (22-17), mas não foi suficiente para tirar a vantagem conquistada por Americana durante o jogo. Placar final 82-74.

A cestinha de Americana e do jogo foi a ala norte americana Rooneka (24 pontos e 3 assistências – foto à direita). Pelo lado de Santo André, a ala Jaqueline foi a destaque Jaqueline (18 pontos e 4 rebotes). Destaque para a equipe andreense, que utilizou algumas meninas da base durante a partida, como a pivô Sassá (14 pontos e 7 rebotes) e a armadora Fernanda (10 pontos e 5 assistências).

Após a partida, o técnico Luiz Augusto Zanon comentou. “Fizemos um bom jogo, com momentos fortes e agudos. Poderíamos ter chegado na casa dos 100 pontos. Aos poucos vamos corrigindo alguns erros individuais e logo o time estará jogando mais solto e sempre com muita intensidade” disse.

Já a técnica Laís Elena, de Santo André, lamentou o início do jogo: “O 1º quarto foi crucial. A nossa equipe aceitou o jogo de Americana. Nos outros quartos, a equipe conseguiu equilibrar o jogo, porém não conseguiu buscar o resultado” disse

Na próxima rodada, Americana joga novamente em casa, diante do Maranhão Basquete, sábado (02 de fevereiro), às 11 horas (de Brasília). Já Santo André tentará se recuperar enfrentado o próprio Maranhão, só que na segunda-feira (04 de fevereiro) às 20 horas, em Santo André.

Mudanças
A diretoria da LBF anunciou duas alterações na tabela do campeonato. O jogo Guarulhos x Maranhão, marcado para Guarulhos, foi transferido para o Centro Cívico, em Americana, na quinta-feira (31), às 21 horas e Guarulhos x Americana, que também seria em Guarulhos, agora acontece no Centro Cívico, no dia 17 de fevereiro, às 10 horas.


Uma justa homenagem a um gênio do esporte brasileiro chamado Ary Ventura Vidal
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Fábio Balassiano

Como você deve saber, Ary Ventura Vidal faleceu na madrugada desta segunda-feira (por uma dessas coincidências da vida, ele nos deixou no dia em que duas de suas ex-equipes, Flamengo e Uberlândia, se enfrentariam pelo NBB). Aos 77 anos, um dos maiores técnicos brasileiros de todos os tempos deixa um legado, uma história, um currículo não só de resultados (ele foi o técnico das duas grandes últimas conquistas da modalidade masculina – o ouro no Pan-1987 e o bronze no Mundial das Filipinas em 1978), mas de sabedoria e de valores que não se vê muito por aí hoje em dia.

Não vou escrever sobre basquete, sobre o jogo que Ary tanto defendia (releia um pouco aqui), simplesmente porque acredito ser desnecessário falar sobre uma biografia tão rica, tão linda de maneira tão ruim, em frangalhos, como estou agora (não sei se escrevi um texto tão triste quanto este, sinceramente), então vou aproveitar para contar algumas histórias que eu vi ou ouvi Vidal me contar em uma de nossas voltas dos ginásios aqui do Rio de Janeiro (como disse no twitter ontem, quando voltava com ele de carro torcia para os sinais estarem fechados, para estar trânsito no RJ, para que as aulas durassem mais tempo). Posso garantir que o lado humano, o do cara cuja integridadade era inabalável, era tão bom ou melhor que o Ary técnico – se é que isso é possível.

O ESPORRO EM CRUXEN
Ary Vidal dirigiu o Corinthians, de Santa Cruz do Sul (RS), por muitas temporadas, sagrando-se campeão Nacional em 1994. Em um jogo aqui no Rio de Janeiro, no ginásio do Grajaú, se não me engano contra o Flamengo, Ary se irritou bizarramente com o ala Cruxen. Em um tempo, não se dirigiu aos seus 11 atletas, mas apenas a Cruxen. Gritou, esperneou, literalmente sacudiu o rapaz, que, impassível, só abaixou a cabeça e sentou no banco. Depois do banho, vi Cruxen voltando abraçado a Ary. Sem entender nada, alguém gritou da arquibancada: “Tá maluco, rapaz, esse cara te deu uma bronca daquelas e você sai abraçado a ele?”. Antes de Cruxen, Ary soltou: “Eu amo ele e posso gritar. Se eu não amasse, teria mandado embora pra casa. Mas, ao contrário, tentei ensinar como realmente queria que tivesse feito”, afirmou, dando um beijo em Cruxen na frente de todo mundo. Foi aplaudido por quem ainda estava no ginásio.

MINHA REPORTAGEM NA REVISTA DA ESPN
Em junho do ano passado, publiquei uma reportagem sobre a pífia situação financeira da Confederação Brasileira (relembre aqui). Na época de recolher depoimentos, liguei pra um, pra outro e acabei lembrando do Ary. Quando tocou o telefone em sua casa, percebi que havia cometido um engano. Já falando com dificuldade, ele não se negou a falar (pelo contrário, foi sincero pacas, soltando algumas verdades que eu, você e meio mundo sabemos mas não podemos escrever por aí), mas vi que ele não estava em suas perfeitas condições. Decidi, obviamente, não publicar suas palavras. Quando o encontrei em um jogo depois de a matéria ser divulgada, ele me puxou e disse: “Comprei a Revista por sua causa, rapaz”, disse-me, e antes de eu poder pensar que levaria uma bronca digna de Cruxen por não tê-lo colocado no material ele emendou: “Ficou excelente, excelente. Se você colocasse qualquer palavra minha, estragava o material”, afirmou gargalhando.

O PIVÔ QUE CHUTAVA DE TRÊS SEM PARAR
Ary Vidal voltou ao Flamengo no NBB1 não como técnico, mas sim como Coordenador (função que seu amigo João Henrique Areias o colocou). Em um dos jogos no Maracanãzinho, sentei ao seu lado. Vimos o jogo, conversamos muito, bebemos um ótimo matte gelado (ele era dos meus) e assistíamos a tudo – reclamando, claro. No meio do segundo tempo, com o Flamengo vencendo facilmente, o pivô do time (em atividade, por isso prefiro ocultar o nome) arrisca uma de três. Bico. Um minuto depois, outra vez de longe – nem aro deu. Terceiro ataque seguido, e o cincão perde a linha: atira de longe, e erra de novo. Seu técnico não fez nada, mas Ary, visivelmente incomodado, só balançava a cabeça. Provoquei o mestre perguntando: “O que você faria se fosse jogador seu, hein?”. Ele virou, enfurecido, e berrou: “EU MATAVA ELE”. E rimos muito.

O LIVRO DE ARY VIDAL
Fino, inteligente, dono de cultura invejável (apreciava música brasileira e conhecia pacas do assunto), Ary Vidal escreveu um livro chamado “Basquetebol para Vencedores”. Um dia levei a obra (procure e compre em um Sebo, vai valer a pena, eu garanto) para um autógrafo. Disse, claro, que gostei muito do livro, pois não tinha visto, ao vivo, a conquista do Pan-Americano de 1987 e nem sabia de toda a sua históri. Ary me olhou, e disse rindo: “Quem lê isso tudo até acredita que fui bom técnico, né”, disse-me dando uma de suas conhecidas piscadas de olho.

O SUMIÇO DO MASCOTE NO PERU
Pouca gente sabe, mas Ary Ventura Vidal é ídolo no Peru. Foi lá que em 1977 ele aceitou dirigir a seleção feminina no Sul-Americano que seria realizado em Lima, capital do país. Treinou as meninas por quatro, cinco meses, realizou excursões ao interior de São Paulo para ganhar experiência e garantiu ao dirigente da Confederação Peruana que chegaria no mínimo à final da competição. Para isso, teria que vencer a Argentina na semifinal em um duelo bem difícil. Mas não eram as hermanas que preocupavam suas atletas, mas sim o mascote argentino que ficava atrás da cesta. Era um coelho gordo, azul, que incomodava suas atletas. Antes do jogo, Ary viu que suas atletas suavam frio. Ele não teve dúvidas: pegou o mascote, trancou no vestiário e ordenou às suas atletas: “Agora me vençam o jogo, porque posso ser preso”. Elas ganharam a semifinal da Argentina, a final do Brasil (86-81), Ary Vidal não foi preso e virou ídolo no Peru.

Ao lado de Ary eu via felicidade, alegria, intensidade, prazer ao falar, ver e sentir o basquete. Vai deixar saudade, muita saudade. Grande Mestre. De ensinamentos imensos, de palavras duras e carinhosas, dos mais belos sorrisos de reprovação que o basquete já viu. Descanse, Mestre. Sua missão foi cumprida.

Não era nada de Ary (parente, amigo, nada). Só gostava pra cacete dele. Sentiremos sua falta.

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