Bala na Cesta

Arquivo : junho 2012

Foto do Leitor – Hugo Gomes vai a amistosos da seleção masculina e volta otimista
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Fábio Balassiano

O leitor Hugo Gomes, de Ribeirão Preto, foi ver os amistosos da seleção brasileira em São Carlos e ficou empolgadíssimo. Enviou fotos, mas não só isso. Mandou fotos e um texto explicando o que viu. É quase um “Foto do Leitor” com “Fala, Leitor”. Mandou bem, Hugo! Diga lá.

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Não falamos mais Grego!
Por Hugo Gomes

Há tempos não via um jogo de basquete ao vivo – desde que a equipe de Ribeirão Preto foi extinta em 2006. Para minha felicidade o meu retorno foi em grande estilo no Brasil x Grécia. Brasil completo! Todas as estrelas da NBA, da Europa e das equipes brasileiras lá. Grécia com Zissis, Bourousis, Spanoulis, Printezis e o recém “draftado” pelos Knicks de Nova York, Papanikolaou.

O que vi do jogo me agradou muito. Houve momentos de hesitação, falhas defensivas e no ataque, mas jogamos muito bem, sobretudo como time, com linguagem única e comprometimento tático. Vencemos 78 x 71, uma partida onde a chave para vitória foi ditada e os papéis cumpridos a risca. Defesa forte, isso vale contra qualquer adversário, e encaixamos vários bons momentos defensivos. No ataque o time foi muito consciente. Contra pivôs altos e fortes, a chave estava nas mãos dos alas (Marquinhos e Marcelinho). Com auxílio (sincronismo e doação) dos nossos pivôs, que trombaram e fizeram os corta luzes necessários, dominamos o garrafão no ataque e na defesa (rebotes de defesa, 20 a 15; no ataque 9 a 5). Na armação o burocrático foi suficiente desta vez, mas tenho confiança que vai melhorar.

O que falar da nossa rotação? Grande! Maiúscula! Foram 54% dos pontos feitos pelos reservas. Tá na cara que estamos muito equilibrados e a meu ver ganhamos por isso. Quando a rotação da Grécia começou não segurou por muito tempo a rotação do Brasil. Neste ponto temos um mestre e um diferencial. Rubén Magnano joga xadrez com seus atletas. É absurda a postura detalhista do nosso técnico ao jogo.

Ao vivo pude conferir porque é tão aclamado mundialmente, e é obvio que seus resultados falam muito sobre eles, mas lá na quadra vi um técnico comandar um time como nunca vi na vida. Pela TV, e até então esta era minha única referência visual do trabalho do Rubén, não se tem a dimensão do trabalho fino que ele faz com os atletas e comissão técnica. Lá, segundo a segundo (no basquete é assim, minuto é eternidade), ele sabe exatamente o que vai ganhar e o que vai perder com cada troca de jogador. Olha as partes, mas pensa o todo, do time e do jogo. Brilhante.

Ao logo dos anos vi nossa seleção falar outra linguagem, diferente da necessária para se vencer, e por isso o basquete masculino amargou por muitos anos o exílio dos Jogos Olímpicos e vexames internacionais. Ontem, em quadra, ouvi várias línguas: português, inglês e espanhol, mas percebi a linguagem essencial deste esporte: BASQUETE! Puro. Em sua essência e de qualidade.

Apesar de estar confiante que nossa seleção fará um belo papel em Londres, na boa, vou entender se a medalha não vier que houve méritos dos rivais pois o trabalho está sendo feito – e com qualidade por parte da comissão e dos atletas. Estes caras resgataram muita coisa do nosso basquete em termos de qualidade, e isso é fantástico.

Estamos forte, confiantes e disciplinados. E por que não falamos mais Grego (a leitura o substantivo é ampla), vou me emocionar ao ver aqueles caras de ontem em Londres.


Fala, Leitor: Bruno Viegas faz análise das finais da NBA e de LeBron James
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Fábio Balassiano

As finais da NBA já acabaram, mas o título do Miami Heat não sai da cabeça de ninguém, né. O leitor Bruno Viegas, aqui do Rio de Janeiro, enviou um baita texto para a seção “Fala, Leitor” do Bala na Cesta. Ele analisa o caneco da turma da Flórida, o desempenho de LeBron James e a participação dos coadjuvantes do Heat. Imperdível! Fala aí, Bruno.

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Desvendando as finais da NBA
Por Bruno Viegas

Adoro números, basquete e fui brincar com as estatísticas da NBA, que são maravilhosas. Olha o resultado:

1. LeBron James
É um excelente jogador, mas ainda falta para ser “o cara” como foram tantos outros. E, sem dúvida, vai amarelando a medida que a coisa aperta. No último quarto, quando todos os outros mitos decidem os jogos, ele tem queda de rendimento. Concordo que não é uma grande queda, mas de quem se esperava que decidisse, qualquer queda é queda. Veja:

LeBron

Jogo 1

Jogo 2

Jogo 3

Jogo 4

Jogo 5

Média

 

Outros 3Q´s

23

26

21

20

19

7,3

 

Q4

7

6

8

6

7

6,8

-6%

 

2. A Dupla de Estrelas do OKC venceu a do Miami Heat
Combinados, Kevin Durant & Russell Westbrook venceram LeBron James & Dwyane Wade em 4 das 5 partidas das Finais. Veja nos totais em cinza quem venceu em cada jogo. Na média, foram mais de 10% superiores.

Miami

Jogo 1

Jogo 2

Jogo 3

Jogo 4

Jogo 5

Média Final

LeBron

30

32

29

26

26

28,6

Wade

19

24

25

25

20

22,6

Total

49

56

54

51

46

51,2

       

OKC

Jogo 1

Jogo 2

Jogo 3

Jogo 4

Jogo 5

Média Final

Durant

36

32

25

28

32

30,6

Westbrook

27

27

19

43

19

27,0

Total

63

59

44

71

51

57,6

 

3. O Big Three de OKC venceu o do Miami Heat
Combinados, Durant/Westbrook/Harden venceram LeBron/Wade/Bosh em 3 das 5 partidas. Veja nos totais em cinza quem venceu em cada jogo. A vantagem pró-OKC cai de 10,5% para 3,3%… Ou seja, Bosh e Harden, cada um a sua maneira, pesaram na balança.

Miami

Jogo 1

Jogo 2

Jogo 3

Jogo 4

Jogo 5

Média

LeBron

30

32

29

26

26

28,6

Wade

19

24

25

25

20

22,6

Bosh

10

16

10

13

24

14,6

3# Miami

59

72

64

64

70

65,8

 

 

 

 

 

 

 

OKC

Jogo 1

Jogo 2

Jogo 3

Jogo 4

Jogo 5

Média

Durant

36

32

25

28

32

30,6

Westbrook

27

27

19

43

19

27,0

Harden

5

21

9

8

9

10,4

3# OKC

68

80

53

79

60

68,0

 

4. Por que o OKC não foi campeão?
Comparando os playoffs das Conferências com os 5 Jogos, vemos o seguinte:
a) Wade parece um relógio de tão regular, inclusive se comparado à temporada regular.
b) Como já sabemos, o LeBron encolheu nas Finais.
c) Bosh cresceu um pouco, mas não a ponto de compensar a redução do LeBron.
d) Durant e Westbrook como se esperava cresceram.
e) James Harden amarelou. E aí isto explica o motivo pelo qual o Miami conseguiu superar o OKC. Pode ser coincidência, mas tirando o último jogo, o OKC perdeu os outros 3 por 6 pontos ou menos.

Miami Heat

Temp.

Playoff´s

5 Jogos

 

Regular

(exceto final)

Finais

 

Big Three

LeBron

27,1

30,8

28,6

-7%

Wade

22,1

22,9

22,6

-1%

Bosh

18,0

13,7

14,6

7%

Total

67,2

67,4

65,8

 

Oklahoma City Thunder

Temp.

Playoff´s

5 Jogos

 

Regular

(exceto final)

Finais

 

Big Three

Durant

28,0

27,8

30,6

10%

Westbrook

23,6

21,7

27,0

24%

Harden

16,8

18,3

10,4

-43%

Total

68,4

67,8

68,0

 

 

5. O título do Miami foi ganho pelos coadjuvantes
Os coadjuvantes do Miami venceram os do OKC em 3 dos 5 confrontos. Veja nos totais em cinza, quem venceu em cada jogo. Shane Battier, Mario Chalmers e Mike Miller foram destaques nos jogos 2, 4 e 5, respectivamente. Comparando-se apenas às 2 estrelas de cada lado, o OKC fez 3×0. Comparando os Trios, de novo OKC, 2×1. Na comparação entre os coadjuvantes, aí a coisa se inverte, 3×0 para Miami.

Resumo da Ópera: O LeBron tem que beijar os pés, ou melhor, as mãos de Battier, Chalmers e Miller!

Miami

Jogo 1

Jogo 2

Jogo 3

Jogo 4

Jogo 5

Média

LeBron

30

32

29

26

26

28,6

Wade

19

24

25

25

20

22,6

Bosh

10

16

10

13

24

14,6

3# Miami

59

72

64

64

70

65,8

Outros

35

28

27

40

51

36,2

Total

94

100

91

104

121

102

Obs.:

 

Battier(17)

 

Chalmers(25)

Miller(23)

 
       

OKC

Jogo 1

Jogo 2

Jogo 3

Jogo 4

Jogo 5

Média

Durant

36

32

25

28

32

30,6

Westbrook

27

27

19

43

19

27,0

Harden

5

21

9

8

9

10,4

3# OKC

68

80

53

79

60

68,0

Outros

37

16

32

19

46

30,0

Total

105

96

85

98

106

98,0

 

Comentários, sugestões e críticas, serão bem vindos.

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Tem algum texto pra publicar aqui? Envia para fabio.balassiano@gmail.com que eu publico!


Brasil volta a jogar bem, vence a Grécia e conquista Torneio de São Carlos
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Fábio Balassiano

Mais uma apresentação boa da seleção brasileira. O time de Rubén Magnano fez 78-71 na Grécia e conquistou o Torneio de São Carlos nesta quinta-feira. Mais importante que o caneco foi a maneira como a equipe se portou em quadra, ao meu ver.

Moeu os três rivais na defesa, fez ataques tranquilos (ainda pode evoluir nos dois quesitos obviamente – e ninguém poderia esperar o contrário) e nesta quinta-feira viu a dupla de alas (Marcelinho Machado e Marquinhos) converter 39 dos 78 pontos da seleção. Foi um roteiro bacana: Nenê (foto) voltou a jogar no país, o Brasil jogou bem demais e o caminho para uma boa campanha em Londres está pavimentado.

É cedo, eu sei, mas vou confessar uma coisa aqui pra vocês: algo me diz que a seleção magnaniana volta de Londres com uma medalha no peito. É um sonho alto, é algo difícil, bem difícil, mas eu de verdade tenho gostado horrores do que tenho visto em quadra.

Devaneio do Bala? Viu o jogo? Comentários na caixinha!


Fab Melo é escolhido pelo Boston Celtics; Scott Machado não é escolhido
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Fábio Balassiano

Dia bem bacana para os brasileiros Fab Melo e Scott Machado. O primeiro (na foto) foi escolhido na 22ª colocação do Draft e jogará pelo lendário Boston Celtics (os verdes buscam renovar com Kevin Garnett e trouxeram também um homem de garrafão, Jared Sullinger, com a 21ª).

Já o armador Scott Machado não foi escolhido. Ele deve estar triste, claro, mas não é o fim do mundo. Agora é tentar mostrar o seu talento nas Ligas de Verão (baita teste de fogo pro rapaz). É lá que os técnicos da NBA verão se Machado pode, ou não, ser aproveitado na melhor liga do mundo. Nada de desânimo, portanto.

Sobre as outras posições, recomendo a leitura do ExtraTime. Chamo a atenção para o time bacana que o New Orleans Hornets está montando. Com a primeira posição, os Hornets escolheram Anthony Davis. Com a décima, Austin Rivers. Caso consigam mesmo renovar com Eric Gordon, é uma baita equipe para o futuro (é bom ficar de olho!).

E você, acompanhou o Draft da NBA? Gostou das escolhas do seu time? Comente na caixinha!

 


Com surra e Adrianinha em quadra, seleção feminina volta da Austrália com três derrotas
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Fábio Balassiano

Não poderia terminar de forma pior a excursão da seleção feminina a Austrália. Contra as donas da casa, o time de Luiz Cláudio Tarallo teve a volta da experiente armadora Adrianinha, fez um primeiro período razoável (18-21), mas depois a superioriade australiana apareceu de forma avassaladora. O resultado final de 102-58 não deixa dúvidas e coloca um sinal de alerta no time que estreia nas Olimpíadas em menos de 40 dias. Foram três derrotas contra um time forte, é verdade, mas perder por 44 pontos é absurdamente desanimador.

Não há muito o que se comentar sobre a partida desta quinta-feira. A Austrália anotou 28 pontos no garrafão (23 com a ótima Liz Cambage – na foto -, que não errou nenhum de seus oito arremessos), teve 13 em segundas oportunidades de arremesso (foram 15 rebotes ofensivos) e viu o Brasil chutar 32% de quadra (Iziane e Karla combinaram para 8/27 nos arremessos e 2/10 nos chutes de três).

De verdade não quero entrar, agora, nas preparações das seleções de base porque voltarei ao tema posteriormente (a Sub17 feminina foi convocada e não terá 45 dias completos de preparação para um Mundial e a Sub18 foi chamada para a Copa América – alguém me explica por que o time, que tem 14 das 16 listadas atuando em São Paulo irá treinar em Uberlândia?) e muito menos fazer análises precipitadas sobre o time feminino adulto cujo ponto alto será as Olimpíadas neste ano, mas eu espero, sinceramente, que tudo isso esteja sendo visto e pensado (embora desconfie, claro) pela Confederação Brasileira para uma mudança radical no rumo das coisas por aqui.

O Brasil levou 44 da Austrália na cabeça a menos de 40 dias das Olimpíadas, uma seleção de base vai treinar menos de dois meses para um Mundial e não há movimento algum sendo feito nas divisões de base para revitalizar o basquete feminino do país.

Vamos pagar pra ver em Londres, no Rio em 2016, em 2020 e em 2024?


Manu Ginóbili: ‘Será a minha despedida da seleção argentina. Sentirei muita falta dela’
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Fábio Balassiano

“Por mais que não seja, vou com a mentalidade que este é meu último com a seleção da Argentina. Sei que oportunidades como jogar em uma Olimpíada são raras, e sei também que quando não mais estiver com a seleção sentirei uma saudade tremenda. Tenho que ir a Londres e aproveitar todos os minutos”

“Depois que parar quem sabe ser assistente-técnico da NBA seja uma coisa que me agrade. Outro tema que eu gostaria é de ajudar no desenvolvimento da Liga Nacional ou da Confederação. Não como um emprego fixo, repleto de horários, mas com algo que possa agregar de forma esporádica e sincera. Não farei nada por dinheiro, apenas pelo prazer de ajudar ao basquete da Argentina”

As declarações são de Manu Ginóbili, que deu sincera e ótima entrevista ao Olé. O ala, que completa 35 anos no dia 28 de julho (a abertura dos jogos Olímpicos é no dia anterior), é a principal arma da Argentina para conquistar um feito incrível: três medalhas olímpicas seguidas (2004, ouro, e 2008, bronze). Manu é gênio do esporte, e sua declaração, de que sentirá saudade, é belíssima. Prova que profissionalismo e amor ainda podem caminhar juntos.

Bacana demias, não?


Draft da NBA acontece hoje – brasileiros Fab Melo e Scott Machado podem ser selecionados
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Fábio Balassiano

Quem precisa de férias quando o assunto é basquete, amigos? Uma semana depois de ter consagrado LeBron James como campeão da temporada 2011/2012, a NBA abre as portas do Prudential Center (New Jersey) para o Draft de 2012 (20h30 no ESPN Watch), a seleção dos melhores jovens do basquete universitário e mundial.

Anthony Davis deve ser o número 1 (New Orleans Hornets) e Bradley Beal, o segundo (isso se Michael Jordan, presidente do Charlotte Bobcats não decidir trocar meio mundo para terminar com a sua reputação – leia sobre o que ele fez em relação a Ben Gordon), mas para nós, brasileiros, vale a pena mesmo é ficar de olho em Scott Machado e Fab Melo.

Comecemos por Scott (foto à esquerda). Ele foi um dos melhores armadores da NCAA na temporada (terminou como líder em assistências), mas jogou em IONA e, consequentemente, em uma conferência mais fraca (com jogos menos complicados). Foi muito bem em seus 18 treinamentos para os olheiros da NBA (o que ouvi dele de duas das minhas fontes foi sensacional), e deve ser escolhido. Não será fácil, pois como você leu aqui há muitos armadores disponíveis no mercado e as franquias podem não querer arriscar em alguém de ótimo talento (inquestionável), mas pouco acostumado a jogar grandes partidas (outro fato).

Meu palpite: Scott será escolhido no começo da segunda rodada.
Cenário bom: o Portland tem a 40ª e a 41ª escolhas de segunda rodada. Se não conseguir usar as de primeira ronda (sexta e 11ª) para trazer um armador, seria um lugar bacana para Machado.
Cenário ruim: Logo no começo da segunda rodada estão Cleveland, Charlotte e Golden State, times com armadores jovens (Irving, Walker e Curry) que terão tempo de quadra.

O outro brazuca é Fabricio Melo, o Fab Melo (foto à direita). Ele jogou muito bem por Syracuse nesta temporada, cresceu horrores em termos técnicos e físicos, mas vacilou demais na sala de aula. Isso, creiam, também conta ponto na seleção dos times, e pode pesar contra o pivô. Fab tem talento, pode ser ótima arma defensiva para os times da NBA, mas seu jogo ofensivo é muito, muito pobre ainda.

Meu palpite: Fab será escolhido no final da primeira rodada
Cenário bom: O Boston Celtics tem a 21ª e a 22ª escolhas. Se Kevin Garnett renovar, seria bacana demais para Fab dividir o garrafão com um craque deste nível. Caso KG não renove, o Memphis (25º) ou o Indiana (26º) seriam boas opções.
Cenário ruim: Ser escolhido por um time que precise de pontos no garrafão seria uma tragédia para Fab Melo. Fugir do Oklahoma, o 28º, é mais do que uma torcida.

E aí, animado para o Draft desta noite? O que acontecerá com os brasileiros? Tem algum palpite? É hora de comentar na caixinha! Vai lá!


Via defesa, Brasil bate a Nigéria e decide Torneio de São Carlos hoje contra a Grécia
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Fábio Balassiano

Confesso a você, estimado leitor, que não vi o jogo completo. Sou blogueiro de basquete, mas sou um ser razoavelmente humano. Colei na final da Libertadores, e só quando havia um lance sem perigo eu trocava para a vitória fácil da seleção brasileira de Rubén Magnano contra a Nigéria por 104-65. Nesta quinta-feira, às 21h, o Brasil mede forças com a Grécia, time mais difícil do quadrangular, para decidir quem fica com o troféu do Torneio de São Carlos.

No jogo desta quarta-feira, Marcelinho Huertas fez a sua estreia (sete passes em quase 19 minutos de ação), Alex foi bem com 17 pontos e Anderson Varejão (foto) esteve quase perfeito com 18, mas mais uma vez a defesa parece ter ditado o ritmo. Forçou 14 erros da Nigéria, novamente colocou o rival abaixo dos 40% nos chutes de quadra (39%) e roubou muitas bolas (foram nove).

Insisto: o rival era fraco, fraco demais, mas os elementos para a formação de um grande time estão todos lá: rotação de jogadores sem deixar o nível cair, defesa bem agressiva, ataque razoavelmente calibrado (pode evoluir, claro), um baita armador e ótimos pivôs. Engraçado, estou bem confiante pra Londres (e não, repito, pelos amistosos, mas pelo que este time pode fazer nos grandes jogos).

Viu o jogo, ou ficou concentrado no futebol? De todo modo, as estatísticas estão aí e os comentários são livres.


Coluna ExtraTime: Hakeem Olajuwon, o grande irmão de LeBron James
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Fábio Balassiano

Antes do jogo 5 das finais de 2011, Dwyane Wade e LeBron James (relembre aqui) chegaram ao ginásio e brincaram com a gripe de Dirk Nowitzki. Simularam uma tosse, e sacanearam o alemão, que jogou fora de suas condições ideais no duelo anterior. Foi uma atitude deselegante, pouco educada, infantil e idiota. E quem diz isso não sou eu, mas o próprio Dirk Nowitzki, que calou a boca, com ou sem tosse, da dupla do Miami com o título do Dallas.

Um ano se passou e muita coisa mudou. Pat Riley gastou horas de sua gomalina e saliva convencendo LeBron James a deixar de tentar ser Michael Jordan nas férias. Indignado, telefonou para Magic Johnson, seu comandado em Los Angeles, e pediu para o melhor armador de todos os tempos falar com LeBron para dar umas dicas. Mas James tinha outros planos. Queria falar com uma figura tão enigmática quanto ele.

Então LeBron ligou para Hakeem Olajuwon e marcaram de se encontrar. Hakeem, que já havia treinado com Kobe Bryant no ano anterior, foi para a quadra “armado” de bola, short, camisa e, conta ele, alguns energéticos para aguentar a força física do ala do Miami. Mas não era só no jogo de post-up (costas para a cesta) que James estava interessado, não.

Morando atualmente na Jordânia com seus sete filhos, LeBron James perguntou a Olajuwon como um muçulmano se adaptou a um país tão diferente em termos de costume e tradições, e quis saber se ele, Hakeem, não se sentira sempre um estranho no ninho, uma pessoa vista e tratada de forma diferente. Bingo!

LeBron não é mulçumano (nem sei qual é a religião dele), mas se a parte técnica dele evoluiu horrores (o que ele fez no jogo de costas para a cesta contra James Harden foi sensacional nas finais), estava claro que era a parte psicológica dele é que precisava mudar, evoluir. Se ele se via como um diferente, que tratasse de se transformar, de chegar perto do que ele realmente acreditasse ser o correto.

E LeBron entendeu tudo direitinho. Depois de ganhar o seu primeiro anel de campeão, puxou o telefone e ouviu de Olajuwon que se ele jogou isso tudo no primeiro ano de aulas, no segundo ele estaria ainda melhor. James agradeceu, marcou novo período de treinamento com o inesquecível pivô do Houston Rockets e agradeceu.

Chorou como um menino, joga como gente grande, poderá se tornar um mito do basquete.

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Coluna originalmente publicada em 26.06.2012 no ExtraTime, site hospedado no UOL.