Bala na Cesta

Arquivo : abril 2012

Na Liga das Américas, mais um exemplo do abismo tático que impera no basquete brasileiro
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Fábio Balassiano

Terminou ontem a fase final da Ligas das Américas. E terminou com um campeão surpreendente. O Pioneros, do México, bateu o Obras Sanitárias por 87-79 e torcia para o Formosa, dono da casa, vencer Brasília no jogo de fundo. Os brasilienses, que tinham chance caso ganhassem dos argentinos, vacilaram, perderam por 100-85 e viram o título parar na mão do clube mexicano (troféu inédito, diga-se). Formosa em segundo (primeira competição do clube fundado em 2004), Obras em terceiro e Brasília em quarto foi a classificação final.

Independente do resultado, e Brasília merece os parabéns por ter participado, e lutado, até o final, o importante foi verificar, uma vez mais, o abismo tático que há no basquete brasileiro. O campeão, Pioneros, conta com um técnico espanhol (Jose Pep Claro foi assistente do DKV Joventut, de Badalona) e jogou muito bem dentro de um sistema que combinava defesa agressiva, contra-ataque (quando possível, claro) e jogadas com os pivôs (nem sempre em finalizações, mas sim com bolas passando pelos homens de garrafão). O Obras foi uma decepção, jogou com uma preguiça danada, mas tinha um conceito de jogo lá (transição cadenciada e marcação no homem da bola bem formada). O Formosa, grande surpresa, mostrou um trabalho brilhante de Gabriel Piccato. Com um elenco limitadíssimo (bem limitado mesmo!), venceu um dos melhores times de seu país (o Obras) e deu uma aula de basquete em Brasília. Teve jogo de garrafão com Gregory Lewis, tiros de três pontos livres (Ariel Pau fez o diabo de fora) e excelente marcação no perímetro, coibindo, assim, a principal arma dos brasileiros.

E o que a gente viu em Brasília? Nada, absolutamente nada em termos táticos, coletivos. Nezinho e Arthur guiaram o time contra o Pioneros (a partida foi vencida com 46 dos 74 pontos da dupla), mas diante do Obras e do Formosa o que se viu foi uma passividade inadmissível. Não é plausível que, com um elenco infinitamente superior, o bicampeão brasileiro perca duas vezes (e de lavada!) para um clube argentino que nem se classificou aos playoffs da liga local – como é o caso do Formosa (93-71 e 100-85). Isso, claro, sem falar no quase crônico problema brasileiro em vencer times argentinos (se não me engano, desde o Flamengo em 2009 ninguém bate um hermano numa decisão continental).

Tampouco é  admissível que, vendo o adversário anotar uma bola de três atrás da outra, que o técnico mande seu time marcar por zona (e as defesas por zona no Brasil, todos sabemos, são uma “defesa de descanso”, e não uma defesa de combate como deve ser qualquer tipo de marcação – inclusive a por zona). O que se viu, então? No jogo 1, 8/18 do perímetro para o Formosa. No jogo 2, 9/15. Bastante coisa, não (51,5% de acerto)? Também não é aceitável que um time brasileiro pense que é possível jogar basquete sem passar a bola para os pivôs. O que Brasília faz com Lucas, Marcio, Alírio e Ronald chega a ser triste, triste mesmo. Os gigantes ficam lá parados, como cones, fazem bloqueios para arremessos longos de Arthur/Alex/Nezinho/Giovannoni e em nenhum momento são envolvidos na partida. Jogo de periferia? Isso não dá resultado em nível internacional há quase 25 anos, gente.

O basquete mudou, mudou bastante, e me espanta que times (e técnicos principalmente) brasileiros não percebam que não se vence mais pelo ataque – a chave, a responsável pela vitória, está do outro lado, e só não enxerga quem não acompanha a modalidade com profundidade. As defesas por aqui estão em um nível terrível em termos de combatividade (as arbitragens atrapalham muito também, não permitindo um jogo de mais contato físico!) e em termos de conceito (há técnicos que insistem em dizer que “marcar é ter vontade” quando sabe-se que é, obviamente, parte do treinamento adequado), e a gente constata isso a cada competição internacional entre os clubes (três dos cinco títulos da Liga das Américas e 11 dos 15 da Liga Sul-Americana ficaram com os hermanos).

O maior exemplo dessa falta de força na marcação é justamente nos picks dos argentinos. Brasília, como quase nenhum time daqui, conseguiu marcar os corta-luzes dos hermanos, as rotações chegaram atrasadas, e Marín e Lewis se refestelaram de tanto anotar ponto fácil embaixo da cesta. No ataque, há uma falta de capacidade de se enfrentar defesas por zona que chega a ser chocante (voltarei ao tema amanhã) e o final acaba sendo quase sempre o mesmo (arremesso desequilibrado, forçado, dos três pontos).

Brasília tem um dos melhores elencos da América Latina, um núcleo que ganha quase todos os campeonatos internos há quase uma década (Alex, Nezinho, Arthur e Giovannoni estão em quase todas as conquistas de clubes no Brasil desde o Ribeirão Preto) e perdeu simplesmente porque não conseguiu extrair as capacidades completas de seus atletas. Soa familiar, não? Perder quando se tem um time inferior é justo, aceitável e natural. Revés quando se tem um grupo de atletas melhor é reflexo da falta de treinamento adequado, de formação ruim nos fundamentos e falta de estudo/acompanhamento das comissões técnicas (não usar 100% da capacidade de um grupo ÓTIMO de atletas é triste demais).

O Final Four que Brasília fez é o retrato do basquete brasileiro há quase duas décadas. Precisou um técnico de fora vir pra cá mudar a cara da nossa seleção. Vai ser necessário importar 30, 50 técnicos gringos para mudar a cara dos nossos clubes?


Sorteio define grupos do basquete nas Olimpíadas – confira duelos, análises e palpites
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Fábio Balassiano

Terminou agora há pouco no Rio de Janeiro o sorteio dos grupos para as Olimpíadas de Londres. Veja como ficou o caminho para a medalha olímpica.

Masculino
Grupo A: EUA, França, Argentina, Tunísia e dois do Pré-Mundial (SORTEIO)
Grupo B: Espanha, Grã-Bretanha, Austrália, Brasil, China e um do Pré-Olímpico Mundial (SORTEIO)

Estão no Pré-Olímpico Mundial, que será disputado na Venezuela (três vagas): Grécia, Lituânia, Macedônia, Rússia, República Dominicana, Venezuela, Porto Rico, Nova Zelândia, Jordânia, Coreia do Sul, Angola e Nigéria.

MINHA ANÁLISE: É óbvio que depende muito do Pré-Olímpico Mundial, mas suponhamos que saiam da Venezuela as seleções da Rússia, Lituânia e Grécia (bem provável). Avançar para ficar entre os oito me parece que irá acontecer (ainda bem!), mas para o Brasil, é quase imperativo sair em primeiro ou segundo lugar da chave para tentar uma medalha. Do contrário, há a chance de enfrentar os EUA ou França/Argentina de cara. O sorteio não foi dos piores para uma seleção que volta para as Olimpíadas depois de 16 anos (a primeira fase será ótima para “quebrar o gelo”), mas é preciso ficar atento e não cometer deslizes bobos na primeira etapa para evitar cruzamentos duros da próxima fase. Foi ótimo para começar, mas não tão excelente para o decorrer da competição. De todo modo, como bem lembrou Fernando Nardini, dos canais ESPN, não há moleza nas Olimpíadas.

MEU PALPITE: No grupo, o Brasil passa em segundo lugar (perde apenas para a Espanha) e enfrenta a Argentina nas quartas-de-final (e vocês não me peçam para apostar nisso agora…).

FEMININO
Grupo A: EUA, China, Angola e três do Pré-Olimpico Mundial (SORTEIO)
Grupo B: Austrália, Brasil, Grã-Bretanha, Rússia e dois do Pré-Olímpico Mundial (SORTEIO)

Estão no Pré-Olímpico Mundial, que será disputado na Turquia (cinco vagas): Croácia, República Tcheca, França, Turquia, Argentina, Canadá, Porto Rico, Japão, Coreia do Sul, Mali, Moçambique e Nova Zelândia.

MINHA ANÁLISE: Assim como no masculino, é impossível fazer uma análise completa porque virão cinco seleções ainda (muita coisa, não?). Há duas formas de se avaliar o grupo das meninas: uma, pelo lado difícil do começo; a outra, pela possibilidade boa de ficar entre os quatro primeiros das Olimpíadas. Pelo lado ruim: se o Brasil passar em quarto, pega os Estados Unidos e um vôo para casa no dia seguinte (e em um grupo com Austrália, Rússia e potencialmente um europeu isso não é impossível). Pelo lado bom: caso avance em até terceiro (Penny Taylor e Stepanova estão fora de Austrália e Rússia), a seleção de Tarallo pode enfrentar um adversário nem tão difícil nas quartas-de-final, ficando, assim, próximo das semifinais. Prefiro sonhar com o lado bom, de verdade.

MEU PALPITE: O Brasil avança em terceiro e pega um europeu nas quartas-de-final (Croácia, França ou Rep. Tcheca).

Lembrando o regulamento das Olimpíadas: seleções do mesmo grupo jogam entre si. As quatro primeiras avançam e formam o mata-mata direto. Ou seja: o Brasil, no masculino e no feminini, pode cruzar direto com os Estados Unidos nas quartas-de-final.

E você, o que achou dos sorteios? Concorda com a minha análise? Comente na caixinha!


Isso também é playoff: Clippers tiram 27 de diferença e ganham jogo 1 em Memphis
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Fábio Balassiano

Bem, se você estava meio desavisado sobre o começo dos playoffs, acho que não precisa de mais nada. Andew Bynum começou com dez tocos no triunfo dos Lakers, o Spurs deu uma surra no Utah (Splitter saiu com o pulso machucado – torçamos para não ser nada grave), Rajon Rondo foi expulso na derrota do Boston para o Atlanta e no último jogo da noite o Memphis aplicava uma surra histórica no Los Angeles Clippers.

Mas a parte do ‘histórica’ mudou de lado. Com uma parcial de 26-1, os Clippers tiraram uma desvantagem que chegou a ser de 27 pontos, conseguiram a maior virada da história dos playoffs da NBA (entraram perdendo por 21 no último período), fizeram 35-13 no quarto derradeiro e venceram por 99-98 (na boa, isso é incrível, surreal!). Se isso não é histórico, meus amigos, de verdade eu não sei o que é mais. Foi inacreditável, e eu separei o vídeo dos cinco minutos finais pra vocês. Olhem só!

A comemoração, obviamente, se justifica, e se pensarmos que Caron Butler quebrou a mão (não sei se volta para o restante dos playoffs), a virada é ainda maior. Algumas coisinhas importantes:

– Os Clippers chutaram 13/17 no último período. Os Grizzlies, 5/19.
– Esta é a 15ª vez na temporada que os Clippers tiram dez ou mais pontos de diferença no último período.
– O Memphis errou 12 arremessos seguidos entre o terceiro e o décimo-segundo minuto do período derradeiro.
– Clique aqui e veja outras viradas históricas em playoffs da NBA.
– Esta foi a quarta derrota nos cinco últimos jogos de playoffs para os Grizzlies. Será que eles têm força para reagir?

E aí, amigos, algo a dizer depois dessa virada histórica do Los Angeles Clippers? Comentários na caixinha!


A pergunta do dia na NBA é: Tom Thibodeau errou ao manter Rose em quadra no sábado?
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Fábio Balassiano

Três das quatro séries do Oeste começam hoje (às 14h já tem um interessante Spurs x Jazz) e provavelmente a mais disputada do Leste também (às 20h os Celtics recebem os Hawks), mas o assunto do dia ainda é a lesão de Derrick Rose.

O armador se machucou quando restavam menos de 90 segudos para acabar (se você não viu o vídeo, clique aqui), a vantagem do Chicago era de 12 pontos e tem muita gente criticando o técnico Tom Thibodeau por ter mantido a sua principal estrela, que voltava de lesão após perder 27 jogos na temporada regular, por 37 minutos em quadra e por não tê-lo sacado quando a peleja estaria, teoricamente, decidida (os Bulls venciam por 99-87 quando Rose foi ao chão).

Será que é pra isso tudo mesmo? Em primeiro lugar, acho que é impossível não associar as lesões que alguns atletas da NBA têm sofrido com este calendário maluco que a liga promoveu para este campeonato (Rubio, Billups, Aldridge, Manu, Wade, Kobe etc.). Foram 66 jogos em menos de cinco meses, e era muito óbvio que o corpo dos jogadores (que não são máquinas e que estavam sem preparação adequada) não iria aguentar. Aconteceu com alguns na fase regular, pode acontecer na pós-temporada também. Depois, acredito, de verdade, que, em uma franquia da NBA, a trupe médica seja imensa, e em algum momento devam ter falado a Tom sobre as reais condições de Rose.

O técnico, obviamente, não seria maluco de colocar um jogador com problemas de tornozelo, costas e coxa para jogar uma partida sem as reais condições de jogo. Como bem disse Doug Collins, técnico do Philadelphia, no final do jogo: “Se Tom colocou Derrick pra jogar, é porque ele estava liberado pra jogar. Não foi uma lesão na prorrogação, com os dois times cansados, foi uma lesão que poderia ter acontecido no primeiro ou no último minuto da partida”.

E eu concordo com ele, embora, é bom falar, tenha dito no podcast com o Vitor Sergio (aqui), que eu dosaria o tempo de quadra de Rose nestes primeiros quatro jogos. De todo modo, eu não sou técnico (ainda bem), Tom convive com o seu armador diariamente e tem uma comissão médica que provavelmente lhe deu informações suficientes para que ele tomasse a sua decisão. Acho (aí é uma opinião pessoal minha) que culpá-lo por uma grave lesão de seu jogador é exagerado, exagerado demais.

Além disso, duas coisas merecem ser ditas: a) e óbvio que o campeonato do Chicago está comprometido. O time é bom pacas, saberá jogar sem Rose (18-9 na fase regular), mas talvez falte a genialidade do armador na semifinal ou na final de conferência. De todo modo, eu não descartaria os caras agora, não; b) torço, sinceramente, para que a lesão de Rose não o limite quando ele voltar as quadras. Os exemplos de atletas da NBA que não retornam ao que eram antes da lesão existem (Baron Davis, Steve Francis, Gilbert Arenas, Shaun Livingston), e eu espero que ele consiga jogar, em janeiro ou fevereiro de 2013, o que ele vinha apresentando em seus primeiros três anos de NBA.

E pra você, Tom Thibodeau, o técnico do Chicago, errou ao tê-lo colocado em quadra com a fatura decidida? Comentários na caixinha!


Brasília e Formosa vencem e deixam tudo indefinido no último dia da Liga das Américas
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Fábio Balassiano

Comentei ontem pelo FoxSports o segundo dia de jogos da Liga das Américas. Brasília abriu os trabalhos contra a surpresa do Final Four, o Pioneros, do México. Chegou a estar perdendo por 14 pontos e viu suas principais peças estarem penduradas com faltas (Giovannoni jogou 14 minutos até ser eliminado com cinco), mas no segundo tempo a marcação melhorou (31-17 na volta do intervalo), Nezinho e Arthur (brilhantes com 23 pontos cada) jogaram muita bola e tudo ficou para o último minuto.

Nezinho matou duas bolas de três seguidas, em seguida se enrolou em uma saída de bola boba e o Pioneros teve a chance de vencer. Mas também se enrolaram, não conseguiram arremessar, e a vitória ficou com os brasilienses por 74-73 (o excelente Alex, em noite pra esquecer, teve 1/7 e sete desperdícios de bola).

A chance de título permaneceria intacta para Brasília caso o Formosa ganhasse do favorito Obras, que havia batido Brasília na sexta-feira. O time de Julio Lamas abriu dez de diferença logo no começo, mas aí foi a vez de o ótimo Gabriel Piccato pedir tempo e mudar o rumo das coisas. Ordenou uma defesa por zona (leia aqui o texto do genial Marcel de Souza sobre este tipo de marcação) e simplesmente bagunçou tudo na cabeça dos jogadores e da comissão técnica do Obras (Lamas, em dois tempos técnicos, não soube o que pedir a seus atletas – foi bizarro). A diferença caiu, o Formosa fez dez pontos seguidos, Ariel Pau e Gregory Lewis jogaram demais (33 pontos e dez rebotes somados para a dupla), a confiança aumentou e o time da casa comandou o placar. Venceu por 79-73 com inteira justiça e deixou tudo empatado para o último dia da Liga das Américas (voltarei ao tema sobre defesas depois da competição, prometo).

Então ficamos assim para este domingo final da Liga das Américas em que nenhum time depende de si (estão todos com uma vitória e derrota). O FoxSports transmite (comento as duas pelejas) Obras x Pioneros (20h) e depois Brasília x Formosa (22h). A situação da competição é a seguinte (saldo de cestas, portanto, não valem de absolutamente nada):

1) Vitória do Obras e do Formosa = Formosa campeão.
2) Vitória do Obras e de Brasília = Obras campeão.
3) Vitória do Pioneros e do Formosa = Pioneros campeão.
4) Vitória do Pioneros e de Brasília = Brasília campeão.

Dá pra apostar em alguma coisa? Comentários na caixinha!


Kevin Durant abre os playoffs como a gente gosta – com arremesso decisivo
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Fábio Balassiano

Você já deve saber dos resultados de ontem pelos playoffs da NBA, né (surra do Miami no Knicks, vitória doída do Chicago no Phila e triunfo surpreendente do Orlando no Indiana fora de casa), mas o grande jogo do dia (acabei de revê-lo todo) foi entre Oklahoma e Dallas. Partida disputada, com ótima defesa (por zona) dos texanos e virada dos Thunder no final.

Faltavam três minutos e o Oklahoma perdia por sete. Mas aí Serge Ibaka (um trator!) apareceu, converteu duas cestas seguidas, reduziu a diferença (o congolês teve 22 pontos, seis rebotes e cinco tocos animais) e viu tudo se decidir na última bola depois de Dirk Nowitzki acertar dois lances-livres. A bola foi parar na mão de Kevin Durant, que naquela altura errara 17 de seus 26 arremessos. O placar marcava 98-97 pros Mavs, uma derrota significaria a mudança do mando de quadra e a confiança do Oklahoma ficaria abalada. Marion marcava o número 35. Dá só uma olhada no que aconteceu.

Vitória do Oklahoma por 99-98, Kevin Durant (10-27) como herói da noite (o arremesso, chorado, lembrou o de Allan Houston pelos Knicks contra o Miami – veja aqui). Playoff puro, não? Para nossa alegria!


Chicago vence fácil na abertura do playoff da NBA, mas pode ter perdido Derrick Rose de vez
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Fábio Balassiano

Era pra ser uma tarde tranquila em Chicago. Os Bulls venciam por 12 pontos o Philadelphia 76ers quando, no minuto final, Derrick Rose, que volta e vinha fazendo ótima partida (23 pontos, nove rebotes e nove assistências) depois de quase um mês parado por lesão, sentiu dor no joelho esquerdo na volta de um salto (não houve contato, nada).

O camisa 1, MVP da temporada passada e jogador em quem a torcida do Chicago deposita grande esperança para voltar a ganhar títulos depois de mais de uma década, saiu carregado, gerando pânico em torcida, comissão técnica e jogadores, que olhavam incrédulos para o telão do ginásio procurando respostas ou notícias do armador.

O Chicago fez 103-91, abriu 1-0 na série e não deve ter muita dificuldade para bater os Sixers, mas pode ter perdido seu principal jogador para a sequência dos playoffs. Sem ele os Bulls foram os melhores da temporada regular, mas fica a pergunta: nos playoffs, há vida sem Derrick Rose para a franquia de Illinois?

Viu a lesão do Rose? Será que ele volta? Viu o jogo? Comente na caixinha!


Ecos de 6ª-feira: vitórias de Joinville e S. José no NBB, e revés do Brasília na Liga das Américas
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Fábio Balassiano

Ontem teve jogo bacana no basquete, né. Quatro partidas excelentes. Vamos lá:

– Em casa, Joinville fez 96-80 (29-13 no primeiro período) no Pinheiros e abriu 1-0 na série de quartas-de-final do NBB. Ainda tem muita água para passar no confronto, mas é impossível não elogiar o trabalho de José Neto, de quem, vocês sabem, eu não morro de amores. Mas é preciso ser justo. Seu elenco é limitado, seu trabalho não tem um ano e o time está jogando um basquete bem bacana. Destaques de ontem para Kojo (foto), que teve incríveis 23 pontos, dez assistências, oito rebotes e ótimos 36 de eficiência (acho esse jogador fantástico!), Bishop (23+7), Tiagão (13+8) e Shilton (15+10). O jogo 2, fundamental, é terça-feira, em São Paulo.

– Também pelo NBB, Franca abriu o Pedrocão, recebeu São José, mas não conseguiu a vitória. Perdeu o primeiro tempo por 20 pontos, tentou recuperar, mas perdeu por 92-77 para um rival que teve cinco jogadores com 11 ou mais pontos e um aproveitamento de 46% dos três pontos (12/27). São José agora volta para casa, e com o apoio de sua torcida pode varrer um importante rival (terá duas partidas em seu ginásio). Próximo jogo será na terça-feira também.

– Pela Liga das Américas, ontem comentei as duas partidas que abriram os trabalhos no quadrangular final no Foxsports. No jogo de fundo, o Pioneros, do México, deu uma aula, aplicou uma surra no Formosa e venceu por 88-70. Aula do técnico espanhol Pep Claros, de verdade. Foi bonito ver a defesa dos mexicanos, a postura consciente no ataque e como os argentinos não conseguiram reagir. Surpreendente e incontestável.

Agora, o que não foi bonito de ver foi Brasília. O time começou bem, abriu oito pontos, fechou o primeiro quarto na liderança e só foi ver o rival acordar no meio do terceiro período. Mas quando Julio Lamas despertou o Obras e os brasilienses não conseguiram entender, ler, fazer o jogo que devia ser feito (Nezinho teve uma atuação terrível, pra esquecer). Os brasileiros caíram no vício de chutar tresloucadamente de três (no segundo tempo foram 16 tentativas e apenas quatro acertos), “pagaram” para Osimani arremessar (e ele assim o fez, acertou três seguidas e virou o jogo para os argentinos) e foram totalmente envolvidos pela marcação do Obras, que fez 45-34 na etapa final, 73-63 no placar geral e venceu a partida.

Aqui vai um dado interessante: contra times argentinos, Brasília perdeu três vezes na temporada e venceu duas diante do Obras ontem e na Liga Sul-Americana por 73-51, e contra o Formosa na Liga das Américas por 93-71 – vencendo o Atenas, na disputa do terceiro lugar na Sul-Americana por 76-74, e o Quimsa, na primeira fase da Liga das Américas).

Mas nada está perdido, e a luta do bicampeonato continua.  Hoje tem mais. Brasília x Pioneros às 20h. Obras x Formosa às 22h. Comento as duas partidas no Foxsports. Aguardo você. Para Brasília, vencer e torcer pelo Formosa é o melhor negócio.


Playoffs da NBA: palpites e análises dos confrontos do Oeste
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Fábio Balassiano

Chegou a ver do Oeste, pessoal. Conferência mais equilibrada, quatro bons duelos, muitos craques. Sem mais delongas, vamos nessa.

SAN ANTONIO SPURS 4 x 2 UTAH JAZZ – Algumas coisas precisam ser ditas aqui: a) O San Antonio Spurs não vai pagar dois micos seguidos ao ser eliminado na primeira rodada pelo oitavo colocado; b) O Utah Jazz não é essa carne assada como muitos colocam; c) Tony Parker (foto) vai destruir na série. Dito isso, vamos lá. Os Spurs têm o melhor banco da NBA (quase 42 pontos em média por partida), mas enfrentarão um garrafão muito, muito forte (Al Jefferson, Paul Millsap e Derrick Favors respondem por 65,3 dos dos 99,6 pontos da equipe) e que abusa das jogadas de post-up (em 17,2% das vezes o ataque do Utah utiliza este recurso).

O que isso quer dizer então? Tal qual Duncan e companhia sofreram contra Randolph e Gasol ano passado, eles sofrerão um bocado este ano. A grande diferença é que Devin Harris não é Mike Conley, a defesa do Utah não é tão boa assim (é a 22ª da liga em pontos por posse de bola do adversário – 0,89), Raja Bell (olha ele aí de novo contra os texanos) já não é mais aquele Raja Bell, falta alguém que pontue com segurança de fora do garrafão (o time tem o quarto pior aproveitamento dos três pontos da liga) e Tiago Splitter (provavelmente titular contra Al Jefferson) está bem melhor em relação a temporada passada. Por isso os Spurs, time que procura sempre um jogador livre para o arremesso (22,8% dos arremessos do San Antonio vêm assim e até por isso o time tem o melhor aproveitamento de três pontos da liga com 39,3%), avançam – mas sofrerão um pouco.

PARTICIPEI DE UM PODCAST COM VITOR SERGIO RODRIGUES – CLICA AQUI E OUVE SÓ

OKLAHOMA CITY THUNDER 4 x 2 DALLAS MAVERICKS – É a reedição da final do Oeste do ano passado, mas as condições mudaram bastante. O Dallas parece realmente um time em fim de ciclo (Jason Kidd, quase quarentão, fez a pior temporada de sua carreira – natural, claro) e a defesa que era uma das fortalezas virou uma peneira (de primeira da NBA passou para a décima, levando 0,86 pontos por posse de bola, e sofrendo bizarramente para deter jogadas de isolamento e picks – grande qualidade de um elenco que conta com Tyson Chandler).

Do outro lado estará um time que quer conseguir o que Dirk Nowitzki e companhia já conseguiram, que já joga junto há uma temporada com este esquema de Ibaka-Perkins no garrafão e que conta com um trio de ferro formado por Kevin Durant, Russell Westbrook e James Harden (somaram quase 60 pontos dos 103 do time na fase regular). Além do estado atlético (os Thunder estão voando, e os Mavs parecem cansados), o Oklahoma tem o segundo melhor ataque da liga (0,96 pontos por posse de bola), o que melhor faz picks na NBA (0,89 pontos por posse de bola utilizando esta jogada) e o segundo melhor em jogadas de isolamento (0,87 pontos por posse e quase 42% de aproveitamento em uma jogada que os texanos não conseguem marcar muito bem). Por isso tudo acho que Scott Brooks leva seu time para a segunda rodada.

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LOS ANGELES LAKERS 4 x 3 DENVER NUGGETS – O Denver tem o melhor ataque da NBA (104,1 pontos e seis jogadores que marcam dez ou mais pontos – um deles o calouro Kenneth Faried, o cabeluro que empolgou os Nuggets a tal ponto de trocar Nenê). O lado coletivo é realmente empolgante (são 24 assistências por jogo – melhor índice da liga), mas o que sobra no Lakers talvez ainda falte na franquia do Colorado.

O Denver defende muito mal as jogadas de isolamento (0,81 pontos por posse de bola – 9º pior da NBA), e é aí que Kobe Bryant (o cidadão aí da foto) pode levar vantagem. O segundo maior cestinha da temporada terá um pouco de dificuldade contra Wilson Chandler (lesionado) ou Afflalo, mas não acho que seja suficiente para deter os Lakers na primeira rodada, não. Os angelinos seguirão usando suas jogadas de post-up (de costas para a cesta saem 20,5% das posses de bola do time e 46% de acerto – maior índice da NBA) e não serão parados agora.

LOS ANGELES CLIPPERS 4 x 3 MEMPHIS GRIZZLIES – É o confronto mais difícil para palpitar, sem dúvida alguma. É o único duelo sem título da NBA/ABA envolvido, e cujos confrontos diretos parecem sensacionais (Chris Paul x Mike Conley, Caron Butler x Rudy Gay, Blake Griffin x Zach Randolph e DeAndre Jordan x Marc Gasol). O fator casa poderia ajudar os Grizzlies, mas eu sinceramente creio que Chris Paul tenha alguns coelhos guardados para os playoffs. O começo da temporada dos Clippers foi ótimo, depois o time caiu um pouco e acho que chegou a hora de vermos qual o real estágio dos californianos.

Em minha análise, Griffin crescerá, Chris Paul jogará em alto nível e os coadjuvantes ajudarão os Clippers a avançar em sete jogos.

E você, concorda com as minhas análises? Qual o seu palpite? Caixinha aberta pra você!


Playoffs da NBA: palpites e análises dos confrontos do Leste
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Fábio Balassiano

Os playoffs da NBA começam hoje, você já sabe (e se não sabe, confira aqui o calendário completo), e o blog, com sua tradicional bola de cristal devidamente no ponto faz a análise e palpita nos confrontos do Leste. Dá só uma olhada (leia também o guia do Leste do Extra Time).

CHICAGO BULLS 4 x 1 PHILADELPHIA 76ERS – O Phila começou bem a temporada, encantou a muita gente, mas terminou mal demais a temporada regular (ameaçou, até, ficar fora do mata-mata). Entre 14 de março e 17 de abril, venceu seis e perdeu 11. E do outro lado estará “apenas” o time de melhor campanha na liga. E o time de melhor campanha na liga que quase não contou com seu MVP. Derrick Rose (foto) não atuou em 27 jogos da temporada regular (nos três anos anteriores, ele só havia “faltado” em cinco) mas garante estar em ótimas condições para o playoff. Com ele em quadra, o Chicago, que tem a segunda melhor defesa (rivais acertam apenas 42,1% dos chutes e têm 0,81 pontos por posse de bola – líder no quesito), passa até fácil por um adversário que marca bem (0,86 pontos por posse de bola do adversário – terceiro melhor índice), mas cujas deficiências no ataque têm ficado cada vez mais aparentes. Bulls avançam sem sustos.

PARTICIPEI DE UM PODCAST COM VITOR SERGIO RODRIGUES – CLICA AQUI E OUVE SÓ

INDIANA PACERS 4 x 2 ORLANDO MAGIC – O Orlando Magic já não é um grande time com Dwight Howard. Sem o pivô, torna-se um esquadrão limitado. É este time que enfrentará um Indiana, um elenco recheado de ótimos arremessadores (em situações de arremesso pós passe ou infiltração, 0,98 pontos por posse de bola – ótimo índice),  em ascensão, empolgado por voltar aos playoffs com chance de ir longe e com ótimas opções para acabar com a turma da Flórida rápido, rápido. Pode pesar contra a turma de Leandrinho só a inexperiência de atuar no mata-mata como favorito, mas nada que mude o rumo da série, não. Os Pacers de Danny Granger, David West, Leandrinho e Roy Hibbert passam para a segunda rodada.

BOSTON CELTICS 4 x 3 ATLANTA HAWKS – A ausência de Al Horford será muito sentida pelo Atlanta Hawks, que pode ficar ainda sem Zaza Pachulia, que não é nenhuma maravilha, mas era o reserva da posição. Do outro lado, o Boston Celtics parece ter se encontrado no final da temporada, colocou Ray Allen vindo do banco (Doc Rivers repetirá a ação nos playoffs?), venceu 14 das últimas 19 e terão Rajon Rondo como fator principal para dominar a série (de novo Kirk Hinrich vai sofrer um pouco). Não será fácil para os verdes, mas no final eu acredito que eles avancem.

MIAMI HEAT 4 x 3 NEW YORK KNICKS – É disparado o confronto mais aguardado do Leste. O New York Knicks terá a volta de Jeremy Lin (ele deve estrear em pós-temporadas), a melhor defesa da NBA desde que Mike Woodson assumiu, a empolgação da torcida com a possibilidade de vencer uma partida de playoff depois de quase uma década e um Carmelo Anthony em estado de graça.

O problema é que do outro lado estarão LeBron James, Dwyane Wade, Chris Bosh e a boa defesa do Miami, que sabe muito bem como deter as armas do rival (venceu os três duelos da fase regular) para produzir contra-ataques (14,1% dos ataques do Miami são em transição – e a metade resulta em ponto).

Se isso fosse pouco, Shane Battier, um dos dez melhores marcadores da NBA, colará em Carmelo Anthony, dificultando ainda mais o trabalho do camisa 7 dos Knicks que adora jogar em ações de isolamento (34,7% de suas ações ofensivas são em um-contra-um e a eficiência é de 0,83 pontos por posse). O mando de quadra também é fundamental, e acho, de verdade, que ainda não será dessa vez que os Knicks chegam à semifinal de conferência.

E você, o que acha dos confrontos da primeira rodada do Leste? Comente na caixinha!