Bala na Cesta

Arquivo : novembro 2011

Com o fim do locaute da NBA, Real Madrid busca reforços pro elenco
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Fábio Balassiano

Como era de se esperar, os times europeus que contrataram reforços durante o locaute da NBA estão em fase de reconstrução. E o time que vem com mais força é o Real Madrid, que perde, de uma tacada, Rudy Fernandéz e Serge Ibaka.

Para o lugar do ala espanhol já foi contratado Kyle Singler, que estava jogando (e bem) pelo Alicante (time de Rafael Luz). Dono das médias de 15 pontos, 3,6 rebotes e 39% nos três pontos, o ex-jogador de Duke, draftado pelos Pistons na NBA, se despede da torcida de Alicante no domingo, contra o Zaragoza, para, aí sim, jogar no time da capital. Para substituir Ibaka alguns nomes estão sendo cogitados, inclusive o do brasileiro Rafael Hettsheimeir.

Ontem comentei no Twitter que a Liga ACB/Endesa precisa prestar atenção ao que está está acontecendo em seu campeonato. Singler conseguiu transformar o Alicante de um time que brigaria na parte de baixo da tabela em um com chance de ir aos playoffs (6-3). E aí o que acontece? Vem um grande e “pega” dos pequenos.

Não é uma questão de defender o mais fraco, não é uma questão de não entender a lei do mercado (é grana, né), mas sim de tentar entender o que poderá acontecer. É só olhar o futebol e verificar que a disputa apenas entre Barcelona e Real Madrid nos gramados não beneficia a ninguém.

O exemplo da Liga ACB mora ao lado, como se vê.


A temporada de jogos da NBA ainda não começou – a de rumor, sim
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Fábio Balassiano

Como você deve saber, ainda não começou a temporada da NBA (o calendário deve ser anunciado até amanhã, e com apenas dois amistosos antes de a bola subir pra valer), mas a de rumor está a todo vapor (para quem gosta é um prato cheio). Mas de verdade eu não curto muito. É tanta “notícia”, tanta possibilidade que eu fico até perdido.

Nomes como Dwight Howard e Chris Paul (foto) são constantemente ligados. O pivô já foi “contratado” por Clippers, Lakers, Celtics, Knicks, Miami, Houston e Denver. O armador, pelo Knicks, Lakers e até mesmo pelo Miami Heat. Se isso não fosse pouco, sites agora dizem que Pau Gasol e Andrew Bynum seriam moedas de troca nos Lakers, que estariam, vejam só, em busca de Howard, Paul e David West (prefiro não imaginar um time com Cp3, Kobe, Artest, West e D12). Por fim, o já ótimo Miami Heat estaria interessado em Nenê, que também interessa ao Houston, Caron Butler e Samuel Dalembert.

A verdade, porém, é uma só: não há nada concretizado, e se não há nada concretizado não vale a pena ficar queimando a mufa pensando em como os times serão armados. Por mais que seja saboroso imaginar Chris Paul distribuindo o jogo para Carmelo Anthony e Amare Stoudemire, não faz o menor sentido ficar brincando de análises combinatórias. A chance de não acontecer absolutamente nada antes dessa temporada que será estranhíssima é muito, muito grande.

Tags : NBA


Liga de Basquete Feminino começa no sábado – olho em São José
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Fábio Balassiano

Não parece, né, mas no próximo sábado (dia 10 de dezembro) começa a Liga de Basquete Feminino (Americana e Ourinhos jogam às 15h com transmissão do Sportv). E se digo que não parece é porque o site faz questão de me dar razão (isso, claro, sem falar na divulgação da emissora oficial e dos clubes, que obviamente inexiste – sem surpresa alguma). Clicando aqui você pode ver que a última notícia do site oficial é de 18 de novembro (12 dias atrás, portanto). Mas, para ser justo, há coisas bem boas na competição.

A começar pela renovação dos times (muito, claro, em função de orçamentos cada vez mais reduzidos). Embora Catanduva, Americana, Ourinhos (fechou recentemente com a colombiana Narlyn Mosquera, de 21 anos) e Santo André tenham mantido as bases vencedoras e experientes, salta os olhos ver que São Caetano fechou com Júlia, Camila Jackson, Bárbara Bazilio, Camila Costa, Cibele, Mônica e Thaissa. O Maranhão, por sua vez, optou pelas “bem-formadas” Aruzha, Milena (ambas de Americana), Dominique e Renata Oliveira para completar o elenco que já conta com Iziane, Cintia Tuiú e as estrangeiras Crystal Kelly e Brisa Rodrigues.

Mas quem chama realmente a atenção é São José dos Campos, cidade que parece realmente ter abraçado o basquete (de acordo com a assessoria, pode ser que rodadas duplas com jogos do masculino, no NBB, e do feminino, na LBF, sejam marcadas – o que seria excepcional!). O time, comandado por Carlos Lima, vem fazendo um trabalho brilhante nas divisões de base (está na final do infanto-juvenil e do juvenil), foi campeão do Paulista da A2, trouxe a veterana Alessandra e ainda foi buscar Tatiane Pacheco, Leidelaina, Izabela e Tainá (as quatro estão na foto, com Alessandra ao centro). A se lamentar, apenas, a tabela da competição, que coloca três jogos seguidos e de cara fora de casa (para um time estreante e novo, pode ser bem traumático e problemático!)

A média de idade fica em 20,6 anos, e há alguns nomes para olharmos com carinho: além de Tatiane Pacheco, que sempre foi muito bem no circuito de base, frequentando todas as seleções brasileiras (foi convocada por Ênio Vecchi para a adulta também), Patricia Ribeiro foi um dos destaques da A2 (21 pontos por jogo), Cristiane (a Kika) tem potencial para se estabelecer como uma boa pivô no país e as jovens Carolina Ribeiro (olho nesta ótima armadora de 1,80m, 17 anos e dona de uma visão de jogo acima da média), Maila e Érika Leite merecem destaque.

No sábado a estreia de São José é justamente contra São Caetano (18h, no ABC), e é bom ficar de olho no time, já tratado como o xodó de quem sempre cobramos renovação.


Peneiras pelo Brasil
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Fábio Balassiano

A partir de hoje o Bala na Cesta divulga as peneiras que acontecem pelo Brasil. Vamos a algumas:

1) No Vasco da Gama, aqui no Rio de Janeiro, a seleção dos rapazes acontece no dia 10 de dezembro.
Nascidos entre 1999 e 2002 – 9h00 – Professor David
Nascidos entre 1997 e 1998 – 10h20- Professor Brasília
Nascidos entre 1994 e 1996 – 11h30 – Prof. Carlos

Endereço: Rua General Almerio 131 – Bairro Vasco da Gama (na quadra Forninho)

2) A APABAF/SÃO BERNARDO realizará neste sábado (03/12) a seletiva feminina nas categorias Sub-13 (meninas nascidas em 2000 e 1999 devem chegar às 9h) e Sub-15 (nascidas em 1998 e 1997, às 10h30). As interessadas devem comparecer com roupa apropriada e com RG.

Local: Crec Baetinha – Rua Bauru, 20 – Baeta Neves – São Bernardo do Campo
Para informações: Sonia 11 9123-1486, Regis 11 6150-6865 ou Bruno 11 9260-0091

3) O Sesi de Guarulhos realizará no dia 5/12 (próxima segunda-feira) seletiva também para o feminino nas categorias Sub-15 ( meninas nascidas em 1998 e 1997 devem chegar às 14h) e Sub-17 (nascidas em 1996 e 1995, às 15h30)

As interessadas devem comparecer munidas do RG, acompanhadas do responsável e vestimenta apropriada. O SESI lembra que não dispõe de alojamento, alimentação e transporte para a seletiva.

Sesi Guarulhos : Rua Benedito Caetano da Cruz, 566 Jardim Adriana – Guarulhos.
Mais Informações : 11- 2404-3133 R. 207 e 208, Renato (11) 7828-9707 ou Pedro (11) 9117-7578

4) Americana também está realizando testes nos dias 5 e 6 de dezembro para as categorias Sub17 e Sub19 femininas. No site (aqui) da equipe há as informações.

Tem alguma aí no seu clube? Manda para fabio.balassiano@gmail.com que eu publico!

Tags : Peneiras


Após jogo tumultuado no sábado, Tijuca explica quadra ‘escorregadia’
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Fábio Balassiano

Depois do jogo de sábado entre Flamengo e Brasília, o Tijuca, clube em que a partida foi disputada, divulgou uma nota a respeito do estado da quadra que acabou, segundo José Carlos Vidal, técnico do time da capital federal, tirando os titulares do importante duelo.

“Nossa quadra está apresentando problemas naturais de um piso novo, que ficou escorregadio por causa da umidade. Nós entramos em contato com a Playpiso (responsável pela fabricação do piso) e nos foi passado um manual sobre o que fazer. Teremos de passar um sabão especial para aumentar a aderência, e vamos seguir em contato com a empresa para solucionar estes problemas o quanto antes”, explicou o diretor de basquete Gustavo Adolpho, descartando uma medida mais “rígida” para solucionar a questão da umidade. “A possibilidade de climatização do ginásio está, por ora, descartada, por conta dos elevados custos de implantação e manutenção”.

Outros problemas do ginásio do Tijuca, o dos placares eletrônicos e de 24 segundos, também foram abordados na nota do clube da Zona Norte do Rio de Janeiro. O cronômetro das posses de bola apresentou falhas nas primeiras rodadas do NBB e novo equipamento foi comprado, com previsão para chegar no dia 30 de novembro.

“Trabalharemos ao máximo para instalar os novos equipamentos no mesmo dia, de forma que, contra a Liga Sorocabana, no dia 1º de dezembro, não tenhamos mais problemas. De qualquer forma, caso não seja possível utilizar o novo placar dia 1, no dia 3, contra Bauru, ele estará instalado. É importante ressaltar que os placares foram testados antes da primeira rodada, dia 18 de novembro, não apresentaram problemas, e só não foram substituídos ainda porque ainda não estão no clube”, completou o diretor Gustavo Adolpho.

Duas coisinhas básicas:

1) Na quinta-feira há um dos jogos mais importantes do NBB no Tijuca – Flamengo e Bauru. Vão “pagar” pra ver de novo, é isso?
2) Todos os problemas apresentados (placar, quadra e relógio dos 24 segundos) não poderiam (deveriam?) ter sido vistos (e solucionados) antes de o NBB4 começar pela Liga Nacional de Basquete (há um área da entidade que vistoria ginásios, certo?) e pelo próprio clube?


Pós-locaute, fica a questão: como estará o veterano Derek Fisher para a NBA?
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Fábio Balassiano

A temporada da NBA está prestes a começar (a não ser que nada de absurdo aconteça na assinatura do novo acordo trabalhista, claro), e o calendário está praticamente pronto: serão 48 jogos entre os times de conferência, 18 contra os da outra (ou seja, nem todos os times passarão por todas as cidades) e, em alguns casos, absurdos três jogos em três dias seguidos.

Quem sofre mais? Os veteranos, claro. Quem sofre muito, muito mais? Derek Fisher, armador de 37 anos do Los Angeles Lakers e principal porta-voz dos jogadores nas intermináveis reuniões com David Stern durante o locaute.

Cinco vezes campeão da liga, Fisher está, obviamente, em uma fase de declínio em sua carreira (e nem poderia ser diferente, claro). São duas temporadas caindo em pontos, minutos e assistências, e sem o descanso necessário durante as férias a tendência é que a situação piore. Com mais de 150 dias de locaute, é muito óbvio que o armador não teve de treinar, se preparar e nem tampouco trocar ideias com seu novo treinador (Mike Brown). Se isso não fosse o bastante, nem mesmo contar com o reserva os Lakers podem. Steve Blake, mesmo novo, é pouco confiável e possui um arremesso terrível (quatro pontos de média em 2010-2011).

Quem é torcedor do Los Angeles Lakers sabe que Fisher teve participação fundamental nos cinco títulos mais recentes da franquia, e reclamar com ele chega a ser até cruel (o cara é muito ídolo na cidade). Amigo íntimo de Kobe Bryant, líder da equipe e responsável por chutes decisivos nos playoffs, ele virou um símbolo da retomada angelina no final da última década e no fim desta também. Meu único medo é que tudo isso fique de lado devido a um possível (provável?) desempenho ruim na temporada 2011-2012.

Para piorar, a estreia deve ser no Natal contra Derrick Rose (Chicago Bulls), o atual MVP da NBA e dono de uma velocidade absurda. O corpo já não ajuda. Meu medo é que a mente também.


Paulistano vence mais uma, cresce no NBB4 e vê Franca no caminho oposto
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Fábio Balassiano

Ontem publiquei aqui uma entrevista com Gustavo de Conti. À noite, seu time, o Paulistano, teria uma prova de fogo: jogar contra o experiente time de Franca para comprovar a boa fase após vitórias contra Tijuca e Uberlândia, e uma atuação bem boa na estreia contra o Flamengo. E os jovens da capital não se intimidaram, fizeram até fáceis 82-71 contra Franca, venceram a terceira seguida e comprovaram a boa fase.

Com uma incrível parcial de 14-0 para abrir o segundo período, o Paulistano viu Betinho (foto de Fábio Silva) comandar as ações (11 de seus 19 pontos vieram no primeiro tempo), e os não menos jovens Elinho e Pedro produzirem muito bem na armação (dez pontos cada). Agora o clube da capital tem uma sequência de três jogos fora de casa: Limeira, Araraquara e Vila Velha. Se conseguir duas vitórias, passa a brigar por muito mais do que apenas vagas em playoffs.

Do outro, nem tudo vai bem. Sem poder contar com os norte-americanos, Hélio Rubens teve uma rotação ainda mais reduzida, viu Felipe Taddei se machucar (torçamos para que não seja nada grave) e contou com atuações abaixo da crítica de Baby, principal reforço do time para a temporada (1/6). Com duas derrotas gigantes na capital (no sábado, contra o Pinheiros, o revés foi por 102-69), os francanos esperam que os reforços dos EUA sejam realmente ótimos. Do contrário, o clima, que já não é de extrema leveza por lá, ficará pior.

Um dos mais jovens elencos do país trilha o caminho das vitórias (e grandes vitórias), e um dos mais experientes tem problemas neste começo de NBB4. É só o começo, eu sei, mas pode ser o sinal de uma geração muito boa surgindo no Paulistano.


Revelação, armador Davi Rossetto busca espaço no concorrido Pinheiros
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Fábio Balassiano

Ontem falei aqui sobre Cristiano Felício, ala-pivô do Minas que foi um dos destaques do Brasil no Mundial Sub19. Mas a mesma competição revelou outro jovem bastante promissor: o armador Davi Rossetto, do Pinheiros, agremiação que defende desde 2005 (lá ele é comandado, na base, pela ótima Thelma Tavernari). Reserva de Raulzinho, uma das estrelas da companhia, ele saiu do banco para anotar 10,8 pontos (melhor índice entre os que não começavam as partidas), 2,5 assistências e 2,1 rebotes em menos de 20 minutos por partida. Foi um dos destaques do time e acabou ganhando mais chance em seu clube, além da convocação para a seleção adulta que foi ao Pan-Americano. O Bala na Cesta conversou com o jogador, maduro ao extremo aos 19 anos e atualmente o reserva de Juan Pablo Figueroa no NBB4, sobre os planos de sua carreira. Dono de uma leitura de jogo acima da média, Davi está na seção Muito Prazer por aqui, destinada às revelações do basquete.

BALA NA CESTA: Como foi o começo da sua carreira até chegar ao Pinheiros?
DAVI ROSSETTO: Comecei através do (técnico) Julio Malfi (hoje em Barueri). Ele é pai do Rafael (atualmente disputando o NBB pela Liga Sorocabana), estudei desde os cincos anos de idade e temos muito este relacionamento. Como a Hebraica estava montando o time de pré-mini na época o Julio me chamou para fazer um teste no clube quando tinha dez anos (2003). O técnico era o Cleiton Ferreira, que é fantástico como professor e como pessoa. Passei também pelo Círculo Militar antes de chegar ao Pinheiros, lugar que cresci muito desde 2005 e onde fui lapidado pela Thelma (Tavernari).

BNC: Como foi o Mundial Sub19 pra você? Imagino que tenha sido além de uma experiência fantástica em termos coletivos, uma baita lembrança, já que você foi bem na Letônia.
DR: Muita gente não esperava que eu fosse ter o desempenho que eu tive, mas eu corri atrás do que aconteceu comigo nos treinamentos. Antes do Mundial o time tinha muito a característica de o Raulzinho armar o time. E isso acabou concentrando demais a marcação adversária em cima dele. Quando entrei no lugar dele eu acabei aproveitando muito disso, já que a marcação ficava menos concentrada em uma pessoa só. Não posso te dizer que eu esperava o que aconteceu na Letônia, mas te garanto que foi algo que eu treinei para acontecer (Nota do editor: no Pinheiros, Davi é sempre o primeiro a chegar em quadra e faz trabalhos específicos sozinho).

BNC: Conversei bastante com o Betinho sobre o tema, e ele me disse que uma das maiores dificuldades que um atleta da base tem é na transição juvenil-adulto – e você está passando por isso agora. O que você pensa sobre isso, principalmente na questão do tempo de quadra?
DR: A questão do tempo de quadra é realmente importante, mas eu acabo pensando mais na minha evolução como atleta. Na parte física, na parte mental, de entender o jogo e na parte de fundamentos. O Pinheiros me proporciona além da excelente estrutura de trabalho, o contato com os jogadores mais experientes, e isso eu preciso usar também para o meu desenvolvimento. Mas também sei que quando tiver a oportunidade de estar jogando eu preciso aproveitar a chance. Não são muitas ainda, e tenho que estar focado para aproveitá-las da melhor maneira possível. O NBB é um campeonato longo, difícil, e haverá contusões, suspensões, problema com falta. Preciso estar pronto.

BNC: Como é seu relacionamento com o Figueroa, titular da armação do Pinheiros? Imagino que você deva aprender muito com ele e com os outros mais experientes do clube.
DR: O Figueroa é uma excelente pessoal, aprendo muito com ele, mas não muito com as palavras (talvez até pela barreira da língua). O mais forte dele é o exemplo que ele dá com a atitude, com a maneira de se portar nos jogos, nos treinamentos e fora de quadra.

BNC: Com 1,80m, você não é um armador alto, mas parece suprir bem esse “limite físico” com muita visão de jogo e fundamentos (passe e drible) bem sólidos. É algo que você sempre trabalhou para diminuir este impacto?
DR: Como não sou o mais alto, tento usar algumas, digamos, ferramentas para me sobressair. Tento ser mais rápido, mas acho que o mais importante é você trabalhar a sua inteligência, a sua leitura de jogo. Assim você acaba tendo mais facilidade para encontrar os espaços dentro da quadra. Como eu trabalho isso? É muita observação e no Pinheiros eu tenho um cara que me dá toque o tempo inteiro. É o (ala) Renato, que sempre mostra o melhor caminho, o melhor posicionamento, dá dicas, orienta. Além disso, adoro assistir jogo e sou viciado em vídeo de armadores. Vou na internet e fuço tudo, tudinho mesmo. Gosto muito de olhar o Deron Williams (Utah Jazz), o Chris Paul (New Orleans Hornets) e também o Huertas, que é fantástico. Aqui no Brasil eu gosto muito da visão de jogo do Fúlvio e da raça do Nezinho.

BNC: Em pouco tempo de quadra contra o Flamengo eu vi você falando uma barbaridade. Orientou, conversou, posicionou a equipe. Liderança parece ser uma característica sua, certo? Como é para um jovem ser líder de um time recheado de atletas tão experientes?
DR: A liderança no Pinheiros é bastante dividida, e acho isso ótimo. Cada um tem a sua parcela, e eu procuro, mesmo que timidamente, colocar o meu modo de ser também. Como armador você tem uma leitura de jogo importante, e acho que é fundamental que eu transmita isso para meus companheiros. Sobre o lance de ser líder, é algo que eu gosto muito. Sempre foi assim, desde a época do colégio. Tinha festa pra organizar, viagem pra fazer, coisas desse tipo? Eu acabava chamando a responsabilidade e meio que capitaneava tudo.

BNC: Rapaz, eu vou te dizer uma coisa. Você tem apenas 19 anos, mas tem o perfil muito claro de um técnico. Pensa nisso no futuro?
DR: (risos) Cara, todo mundo me fala isso, sabia? Mas é algo que ainda não penso, não. Sou novo ainda, né? Admiro demais a profissão, o trabalho que eu vejo os técnicos do Pinheiros fazendo, mas ainda não parei para analisar isso.


Entrevista: Prodígio, jovem Gustavo de Conti comanda surpreendente o Paulistano no NBB
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Fábio Balassiano

Na semana passada, antes do começo do NBB4, perguntei a uma confiável pessoa sobre as qualidades de Gustavo de Conti (31 anos – do elenco, apenas Felipe é mais velho que ele), técnico reconhecido pelo seu ótimo trabalho na base do Paulistano e cuja “fama” em São Paulo é muito forte. Ouvi o seguinte: “Sem medo de errar te digo que é o segundo melhor técnico no país, atrás apenas do Rubén Magnano. Treinamento igual ao dele eu só vi com o Rubén. O cara é fera, muito fera”. Foi bom ouvir aquilo e depois olhar o Paulistano, um time de meninos, quase vencer o Flamengo naquele sábado. Na segunda-feira, contra o Tijuca, a primeira vitória (81-63), e há dois dias, um grande triunfo, que quebrou a invencibilidade do Uberlândia (94-81). O blog foi bater um papo com Gustavo, o Gustavinho, tão educado quanto estudioso e idealista. Ele está em sua segunda temporada como técnico principal do Paulistano no NBB e coleciona de títulos nas divisões de base.

BALA NA CESTA: Pelo que vi de vocês, me surpreendeu muito não a técnica, que sei que seus jovens valores têm, mas sim a maneira como atuaram contra o Flamengo. Um time muito organizado e disciplinado em quadra. É por aí? O que falta pra vocês conseguirem ser um time de ponta?
GUSTAVO DE CONTI: Acho que em um time jovem fica mais fácil de aparecer o trabalho, de verdade, e tenho que exaltar os jogadores, que conseguiram entender exatamente o que tínhamos que fazer neste começo do NBB. O que ainda falta um pouco é a tranquilidade na hora de fechar os jogos. Contra o Flamengo, por exemplo, quando nos vimos atrás do placar pela primeira vez faltavam dois minutos e saímos do sistema. É uma coisa que eu tenho que aprender, talvez parando o jogo na hora certa, e eles também. Era só continuar a fazer o que estava dando certo ou nos adaptarmos rápido ao que o adversário passou a nos proporcionar. O mais fácil seria eu estar aqui te falando que isso vem com o tempo, né, mas não gosto muito disso, não. Sabemos que temos que corrigir muita coisa.

BNC: Eu ouvi aqui antes do jogo (contra o Flamengo) que você é o melhor técnico do Brasil depois do Magnano. O cara é campeão olímpico, você não tem 40 anos e o reconhecimento parece que já veio (ou está vindo). Todo mundo te olha como um cara muito qualificado na nova geração, e como está seu planejamento de carreira?
GDC: É natural que quando surge um técnico novo as pessoas levantem um pouco, exaltem desta maneira. Mas na realidade eu sei que não é assim. E não falo como falso humilde, mas do fundo do coração. No Brasil nos empolgamos e nos desiludimos rápido demais com as coisas. É preciso ter equilíbrio. Estou atrás de muitos técnicos do NBB, lá em São Paulo em categorias de base há muitos ótimos treinadores e só penso em fazer o meu trabalho. Gosto muito de trabalhar com jovens jogadores, e estou aprendendo a lidar com alguns mais experientes também. Fui assistente de grandes times lá no Paulistano, com os quais eu aprendi muito e acho que assumi o adulto na hora certa (no NBB3).

BNC: Você falou sobre treinar um time jovem, mas queria saber como faz para o técnico dar o próximo passo, ou seja, ser o comandante de uma equipe que brigará por títulos, cheio de estrelas?
GDC: Há as coisas fáceis e as difíceis de você dirigir um time cheio de jovens. Fechar um jogo contra grandes times, mesmo estando melhor, é complicado. Mas lidar com um time mais experiente, cheio de estrelas, também não é fácil. Tem o lado bom, que é a parte do talento, das opções, da chance de vencer muitos jogos, mas é bom lembrar que é preciso lidar com alguns egos. Já vi os dois lados da moeda lá no Paulistano, e aprendi muito que não é o jeito do técnico que vai imperar sempre. É preciso se moldar de acordo com o que você tem nas mãos. É como a parte tática. Não dá pra ser sempre igual com grupos e pessoas completamente distintas – e em momentos diferentes de suas vidas e carreiras.

BNC: Sei que você é um cara muito estudioso, e queria que você falasse sobre o seu método de atualização. Imagino que sua esposa deva adorar…
GDC: (Risos). Minha esposa e minha filha, né (Gustavo é pai de Julia, de um ano). Mas vamos lá. Procuro pelo menos uma vez por ano fazer uma viagem para estudar. A última foi pra Las Vegas e Los Angeles, e na época do Draft deste ano eu vi alguns treinamentos. Acho importante falar que isso é algo que o Paulistano me proporciona. Além disso, eu tenho o Neto (agora técnico de Joinville) e o Diego Jeleilate (preparador físico da seleção e do Paulistano), que sempre me trazem muita informação (vídeo, revista, apostilas). Isso sem falar do meu bom relacionamento com o Magnano, que sempre me traz bastante aprendizado. Não leio muito, cara. Lia mais quando era técnico das categorias de base apenas. Hoje você tem vídeo de tudo, e acabo preferindo ver, toda noite, um jogo, um treinamento, algo assim. Procuro sempre anotar o que estou vendo, ver de novo, trocar idéia. Acho que assim a gente cresce.

BNC: Pra fechar: você foi assistente-técnico do Walter Roese na Copa América Sub18, trabalhou com o Neto, tem um bom trânsito com o Magnano. Queria saber o que você puxa de bom de cada um?
GDC: Do Magnano é ser detalhista e criterioso no treinamento. Eu sou um cara meio chato neste sentido. Tenho consciência que por vezes passo do ponto, que posso dar um pouco mais de liberdade, mas uma coisa é certa: quero que meu time faça no jogo exatamente o que a gente treina. O Walter Roese é um cara quase que 100% relacionamento e moral. Ele fez os jogadores daquela seleção (vice-campeã, perdendo dos EUA por apenas três pontos) acreditar que podiam ganhar lá dentro dos Estados Unidos. Foi um trabalho incrível de convencimento como eu nunca havia visto, de entrar na mente dos caras mesmo. Foi fantástico. E com ele (Roese) aprendi também a saber delegar. Fiquei responsável pela parte tática, e ele me ouvia muito sobre isso. Aprendi muito sobre defesa com o João Marcelo e com o Neto em como lidar com os jogadores.

BNC: No que mais você precisa melhorar? Você fica muito nerovoso…
GDC: Cara, eu cobro muito, muito mesmo em treinamento. E sei que isso às vezes passa dos limites. Preciso conversar mais com os jogadores. Cobro muito, falo muito na hora dos treinamentos e em viagem, mas fora de quadra eu preciso chegar e explicar o que realmente estou querendo, o que estou pedindo.


Com o fim do locaute, qual será o futuro de Nenê na NBA?
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Fábio Balassiano

Parece mesmo que o locaute está perto do fim na NBA. Os proprietários e os atletas ainda precisam votar, mas ao que parece o acordo deve mesmo acontecer nas próximas horas. Agora, então, é se preparar para o que está por vir: pré-temporada, jogos no Natal e… negociações envolvendo os agentes-livres. É nesta situação que, por exemplo, o brasileiro Nenê (foto) está.

Com a opção feita em junho de testar o mercado de agentes-livres (ele poderia ficar em Denver até o fim de 2011-2012), Nenê acabou “atrapalhado” pelo locaute, e terá poucos dias para decidir o seu futuro. De acordo com os sites norte-americanos, as negociações começarão entre os dias 5 e 9 de dezembro, sendo que a abertura dos treinamentos das franquias seria no dia 9. Ou seja: pode ser que a temporada comece e o pivô ainda esteja buscando equipe. Por isso enviei um e-mail para Aylton Tesch, (gentil) agente do pivô para saber qual será a estratégia adotada:

“Pelos e-mails que tenho recebido, o mercado para agentes-livres começará no dia 5 de dezembro, mas te adianto que as informações ainda estão um pouco desencontradas. Assim que a NBA liberar os contatos nós iniciaremos os trabalhos para o Nenê. Os agentes que conseguirem interpretar o novo CBA mais rápido sairão na frente! Nós estamos em alerta a partir de agora”, disse Aylton por email.

Pelo que conversei com amigos e jornalistas dos EUA, uma boa saída para Nenê não perder tempo e ritmo e evitar problemas de adaptação em uma nova equipe seria renovar com o Denver por uma temporada mais para, após esta temporada, procurar um contrato longo. O lado ruim disso tudo é que ele vem de uma campanha fabulosa com os Nuggets (14,6 pontos, 7,6 rebotes e 61,5% nos chutes), e fechar uma negociação boa agora seria melhor em termos financeiros e esportivos  (principalmente porque ninguém sabe como será este campeonato com menos jogos e com os atletas sem a devida preparação).

Vale lembrar que Nenê será um dos jogadores mais cobiçados mais cobiçados nessa janela de negociações, e times como o poderoso Miami Heat já demonstraram interesse em seu basquete. O tempo, porém, parece ser o maior inimigo do brasileiro antes dessa temporada maluca que deve mesmo começar no Natal.

Qual será o destino de Nenê na NBA? A caixinha está aberta para o debate!