Bala na Cesta

Arquivo : setembro 2011

Falta uma vitória: Brasil vence Cuba e se aproxima de Londres
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Fábio Balassiano

Foi a melhor atuação da seleção feminina sob o comando de Ênio Vecchi. Com 66-53, o Brasil venceu Cuba no Pré-Olímpico feminino de Neiva e decide a vaga olímpica neste sábado (22h) contra a Argentina, que bateu o Canadá de forma heróica por 61-59.

Érika foi a cestinha com 20 pontos (teve ainda seis rebotes), mas Adrianinha (foto) deu show na armação. Foram 12 assistências, além de 13 rebotes e nove pontos (e a jogadora disse que quer parar de jogar na seleção depois de Londres, hein…). Mas, para ser justo, o grande destaque mesmo ficou por conta da defesa, que fez com que o Brasil comandasse as ações desde o começo, e não tivesse problemas para comandar o placar durante toda a partida.

A marcação individual, como venho dizendo há algum tempo, é um dos pontos fortes do time de Ênio Vecchi, que hoje também “mexeu” bem a bola no ataque e explorou muito o jogo de garrafão com Érika, Damiris (11 pontos e seis rebotes) e Clarissa (9 + 3). Foi, taticamente, uma partida impecável da equipe, que oscilou muito pouco e não deu chance alguma de reação para Cuba – e é lindo escrever isso, de verdade. Tudo bem que o rival não era excelente, mas o Brasil “fechou” todas as portas para uma reviravolta no placar com maestria.

Viu o jogo? Gostou? Está confiante para o duelo contra as hermanas? Eu fiquei ainda mais animado!


Confederação Brasileira assina carta de intenção para CT em Campinas
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Fábio Balassiano

Está no site da Confederação Brasileira: “Nesta segunda-feira (dia 3), a CBB, Federação Paulista de Basketball e a Prefeitura Municipal de Campinas irão assinar a carta de intenção para a instalação de uma unidade do Centro de Treinamento do basquete, no Centro Esportivo de Alto Rendimento de Campinas (CEAR)”.

Não deixa de ser uma boa notícia, mas fiquei encucado com algumas coisinhas (e nem menciono o fato de que Marcelo Dória, da Brunoro Sports Business, irá ao evento – juro que não consigo entender o motivo). Há quase um ano, a mesma Confederação Brasileira anunciou que Jundiaí doou o terreno para a CBB: “Já temos a área, que foi doada pela prefeitura, e a aprovação do Ministério do Esporte. Temos somente que concluir o projeto arquitetônico, o que deve ser feito nos próximos 20 dias. Vamos iniciar as obras, pois queremos no prazo máximo de um ano estar com o CT em condições”, disse ao UOL o presidente Carlos Nunes (foto) em 10 de novembro de 2010. Além disso, há o Centro de Treinamento em São Sebastião do Paraíso, que tem abrigado as seleções masculinas de base há duas temporadas.

Como você sabe, amigo leitor, o Centro de Treinamento em Jundiaí não saiu do papel (com ou sem “projeto arquitetônico”), e agora mais uma vez surge a notícia de intenção da Confederação Brasileira possuir o seu CT – desta vez em Campinas. A iniciativa é bacana, sem dúvida (foi promessa de campanha de Carlos Nunes diga-se de passagem), mas precisa sair do papel. Nunes está na presidência da Confederação há quase dois anos, e nenhum projeto nesta área saiu do papel.

De acordo com a entidade, “ter o CT em Campinas não inviabiliza que a CBB continue tendo parcerias como São Sebastião do Paraíso. O Centro em Campinas seria para todas as equipes. O custo de manutenção, segundo estudos comparativos feitos no mercado, calculamos entre 1.200.000,00 a 1.500.000,00/ano”, disse o email CBB.

Ao contrário do vôlei, que Nunes coloca como paradigma em termos de Centro de Treinamento, o que se vê são unidades em que as seleções brasileiras treinam espalhadas pelo país (os times adultos treinaram em São Paulo e Americana, e os da base em Paraíso, Santos e Jundiaí). E a grande sacada (perdão pelo trocadilho) do vôlei em Saquarema foi integrar tudo em um único local. Elementar, não?


Em clássico, o primeiro grande teste de Huertas no Barcelona
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Fábio Balassiano

Marcelinho Huertas tem um baita desafio nesta sexta-feira: a partir das 16h30, ele começa a escrever a sua história no Barcelona diante de um rival forte e bem conhecido, o Real Madrid. O duelo, que será transmitido pela BandSports, é válido pela Supercopa Espanhola, que também conta com o jogo entre Baskonia e Bilbao Basket (o clássico local da outra semifinal também terá exibição da emissora).

Principal reforço do Real Madrid, Rudy Fernandéz não viajou ontem com a equipe e está praticamente fora, mas mesmo assim todo mundo sabe o que se passa em quadra (ou em campo) quando os dois rivais se encontram. E se já fez a sua estreia com a camisa do Barcelona na semana passada, desta vez será o primeiro grande teste do armador brasileiro. Guiar o Barcelona não será das tarefas mais fáceis, mas Huertas tem mostrado que está preparado.

Ao seu lado estarão quatro jogadores que estiveram no Eurobasket, Fran Vazquez e Pete Mickeal – um timaço portanto – e vale a pena ficar ligado na telinha para o jogo desta tarde. Estou curioso para saber como será o “relacionamento” de Huertas com Navarro e principalmente qual será o estilo de armação que ele adotará neste começo de trajetória no clube catalão. Mistérios que começarão a ser revelados hoje à tarde.

Tags : Huertas


Agora é pra valer: Brasil enfrenta Cuba no Pré-Olímpico feminino
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Fábio Balassiano

Acabou oficialmente a fase de preparação da seleção feminina no Pré-Olímpico de Neiva, na Colômbia. Hoje, as meninas de Ênio Vecchi medem forças com Cuba às 22h15 (Esporte Interativo, Sportv, ESPN e BandSports exibem) em partida que vale vaga na final do torneio. No outro duelo da noite, Argentina e Canadá se enfrentam (jogo às 20h). Só lembrando que apenas uma seleção (a campeã) tem classificação direta para as Olimpíadas de Londres. Vice-campeã, terceira e quarta colocadas vão ao Pré-Olímpico Mundial.

Brasil e Cuba se enfrentaram quatro vezes antes do Pré-Olímpico, e as brasileiras venceram todas (duas em Americana e duas na Copa Pitalito, na Colômbia), mas jogo valendo é outra história, todo mundo sabe. As armas rivais são bem conhecidas, e por isso mesmo devem ser absurdamente vigiadas: Noblet, Gelis e Martinez respondem por 58,5% dos pontos da equipe cubana.

Nos jogos-treinos aqui no país,o Brasil teve muita dificuldade quando Cuba passou bem a bola no ataque (a bola ficou menos nas mãos de Gelis) e quando optou por uma defesa por zona ineficiente. E apesar de as rivais não estarem chutando bem na competição (25,4% de fora), não é recomendável aplicar justamente a marcação que a seleção brasileira não tem tido sucesso (a individual tem ido muitíssimo bem). Outro ponto de preocupação são os rebotes ofensivos: as adversárias são as líderes no quesito na competição (14,2 por jogo), e mais do que nunca a presença de Érika de Souza (foto) no garrafão será necessária.

A verdade é que o Brasil ainda não foi muito testado na competição, mas tem mostrado evolução e possui um time mais talentoso que o cubano (principalmente no garrafão). Se continuar errando pouco (12,5 de média) e atuando sem sobressaltos no ataque, é muito pouco provável que a vaga na decisão não venha.

E aí, amigo leitor, o que será que acontece nesta noite? Acho que o Brasil vence, mas não será fácil, não. E você?


Por físico, Tiago Splitter decide treinar durante locaute da NBA
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Fábio Balassiano

Acabou o mistério. Tiago Splitter anunciou, há poucos minutos, que não jogará por clube algum durante o locaute da NBA. De acordo com a nota, ele decidiu “permanecer nos Estados Unidos, cumprindo um intenso programa individual de treinamentos físicos, técnicos e de fisioterapia”. Ele também está fora dos Jogos Pan-Americanos.

Tiago recebera algumas sondagens de clubes brasileiros e da Europa, mas acabou optando por cuidar de sua forma física, que, também de acordo com a nota, esteve “longe das melhores condições” no Pré-Olímpico de Mar del Plata.

A decisão me parece bem sensata. Todo mundo sabe que no Pré-Olímpico Tiago jogou bem abaixo do que pode apresentar. Sem a pressão por resultados em um clube, ele poderá se dedicar a cuidar de seus problemas físicos.

O que vocês acham?


O que eu realmente penso sobre convocar ou não Iziane
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Fábio Balassiano

A seleção brasileira disputa amanhã a semifinal do Pré-Olímpico contra Cuba, mas a verdade é uma só: a semana é de Iziane Castro Marques, que, alçada ao time titular novamente, roubou a cena e guiou o Atlanta Dream às finais da WNBA pelo segundo ano seguido. E como a jogadora tem uma história controversa, sempre que se fala dela o assunto rende pacas. E como acabei não emitindo opinião de cara, vamos lá.

Sobre a sua não ida ao Pré-Olímpico de Neiva, vão me desculpar, mas ela não teve a menor culpa: com contrato em vigor e com a temporada em andamento, é muito complicado alguém tomar a atitude que Érika tomou (sair para defender a seleção). Se pensarmos que ela estava em momento de baixa e que se tornará uma agente-livre ao final desta temporada, não há mesmo razão para crucificá-la por não ir a Colômbia (e, pelo que Hortênica me garantiu, ela já confirmou presença no Pan-Americano).

Em termos técnicos, não acho Iziane uma sumidade. Ótima definidora de contra-ataque, ela sempre baseou o seu jogo em infiltrações e em tiros longos. Poderia ter um arsenal maior, claro, mas até que se vira bem com o que tem – e acho que ninguém pode questionar o sucesso (em números) de sua carreira. Na defesa, ela falha pacas (tanto na de mano-a-mano como nas rotações/coberturas – e foi justamente por conta disso que ela saiu do quinteto titular do Atlanta Dream). Seus outros fundamentos (drible, leitura de jogo, passe, rebote etc.) não são mais do que regulares (isso sem falar em “fundamentos intangíveis” como liderança e equilíbrio). Resumindo: é uma jogadora nota 7, 7,5 em âmbito internacional, o que é muito, muito bom em um mercado que possui uma concorrência absurda. Assim, não custa lembrar que ela atua na WNBA desde 2002 – e sempre com bons desempenhos.

Mas o que mais “pega” mesmo quando se fala de Iziane é a sua personalidade forte. Conversei algumas vezes com Marisa Markunas e Macau, psicóloga e técnica da ala no Osasco, clube em que jogou no começo de sua carreira. Ambas me garantiram que houve, sim, problemas, mas nada acima do normal. Com Paulo Bassul, no entanto, todo mundo sabe que a história é bem diferente – e que acabou, por decisão de Hortência, com a saída dele do cargo de técnico da seleção por desavenças com a atleta (o pior é que, nos bastidores, tudo se encaminhava para uma reconciliação lenta).

E se muita gente lembra da recusa em voltar às quadras no Pré-Olímpico de 2008, pouca gente sabe dos embates anteriores com o treinador. No Mundial Sub-21 de 2001, Iziane deliberadamente não participava dos ataques por estar “revoltada” com Bassul. Seis anos depois, em Ourinhos, o técnico teve que sacá-la do time titular para conquistar o Nacional contra Catanduva (vale lembrar que este foi o único título da carreira da jogadora em clubes).

E o que diabos isso tudo quer dizer, vocês devem estar se perguntando. Acho que o caso de Iziane me lembra muito o de Marquinhos, agora uma das principais peças de Rubén Magnano na seleção masculina. Bem treinado e colocado na linha, ele vai lá e rende – e rende muito. O mesmo pode acontecer com Iziane. Se não é uma atleta excepcional, ao menos no atual cenário do basquete brasileiro feminino (de pobreza técnica e pouca revelação de talentos nas alas) ela sobra, e sobra muito. O que ela precisa, portanto, é de comando, pulso firme.

Há motivos, claro, para não convocá-la (disciplina é um motivo mais do que razoável – principalmente porque ela jamais se desculpou pelo que houve), mas acho que fica muito claro que seu problema era muito direcionado a um profissional (e a um profissional que admiro e respeito bastante, diga-se de passagem). Quer ver uma coisa? Ninguém em Atlanta reclama da postura de Iziane, que foi barrada do time titular sem reclamar, levantar a voz ou recusar-se a jogar seus dez, doze minutos a que foi solicitada. Calou-se, trabalhou mais, recuperou a posição com a ausência de Érika, liderou o Dream para a final e está sendo elogiada (nas coletivas, não consegue esconder o sorriso).

Acho que é muito mais fácil puxar o telefone e conversar com Marynell Meadors, técnica do Atlanta, do que perder uma atleta que daria uma consistência absurda ao time brasileiro em Londres (caso se classifique, claro). Vale lembrar que a última colocação da seleção feminina em Olimpíadas foi a 11ª, e novo vexame pode colocar o basquete das meninas ainda mais para baixo em termos de investimento. Eu, portanto, conversaria e incluiria Iziane na próxima lista de convocadas.

E aí, concorda comigo? Discorda? Comente na caixinha!


CET-Rio adia amistoso do Flamengo – alguém explica?
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Fábio Balassiano

O repórter Fábio Aleixo publicou ontem no Lance! uma matéria sobre o cancelamento do jogo do Flamengo contra o Boca Juniors, que aconteceria no próximo sábado (marcaria a estreia oficial de Leandrinho com a camisa rubro-negra). A responsável pelo cancelamento foi a CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro). A alegação?

“CET-Rio informa que, infelizmente, não foi possível aprovar a realizacão do amistoso no Maracanãzinho, devido ao megaevento que está sendo realizado na Cidade do Rock. Com o grande efetivo que está sendo empregado no Rock in Rio (340 agentes), a operação de trânsito no entorno do estádio seria prejudicada e por isso não foi autorizada”, diz a nota da entidade divulgada no Lance! de quarta-feira.

Assim, sem querer ser chato, mas algumas coisinhas cabem aqui:

1- Será que a CET-Rio tem ideia que um jogo de basquete não leva mais do que dez, quinze mil pessoas ao ginásio?
2- Será que a CET-Rio vai cancelar, também, o jogo do Vasco, que acontece no domingo, dia também programado para o “megaevento” na Cidade do Rock?
3- Não sei se todos vocês têm ideia disso, mas a Cidade do Rock fica de um lado da cidade, e o Maracanãzinho de outro. Um evento aconteceria no começo da tarde (meio-dia o jogo do Flamengo), e outro no final da tarde (o “mega evento na Cidade do Rock”).
4- Como será que a CET-Rio atuará em 2014 e em 2016, com Copa do Mundo e Jogos Olímpicos? A cidade não poderá ter nenhum evento que não os dois “megaeventos” esportivos? Será que eles têm noção que em um dia de finais olímpicas gera mais público do que em um dia de “megaevento na Cidade do Rock”?

Sinceramente, eu não consigo entender o cancelamento da partida que marcaria a estreia oficial de Leandrinho (com isso, o Flamengo não terá outra data para jogar no Rio de Janeiro, e verá seu maior reforço iniciando sua história com a camisa rubro-negra em Brasília – longe de casa portanto). Não tenho nada contra o Rock in Rio (não sou louco), mas o adiamento do jogo do Flamengo é inconcebível e inexplicável. Acho que a questão, aqui apresentada, ultrapassa um pouco a barreira esportiva. Fala um pouco sobre construção de cidade e de como o Brasil não está preparado para receber (repetindo um termo da nota da CET-Rio) “megaeventos”.


Foto do leitor: Patricia Arbulo encontra Raulzinho na Espanha
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Fábio Balassiano

Fiel leitora, Patricia Arbulo encontrou Raulzinho na tarde de ontem em Vitória, no País Basco. Torcedora fanática do Baskonia, ela foi ver o seu time enfrentar o Lagun Aro, de Raulzinho.

No final da partida vencida pelo Baskonia por 83-81, Patricia, conhecida do twitter de toda a galera do blog (@Patri_br) tirou uma foto com o armador brasileiro, que, de acordo com relato dela, “jogou muito bem, nem parecia um novo na Europa e teve oito pontos”.

E você, tem foto com personalidades do basquete? Envia para fabio.balassiano@gmail.com que eu publico!


Certeira, Iziane lidera Atlanta, e Érika poderá jogar as finais da WNBA
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Fábio Balassiano

“Como parar Iziane Castro Marques?”. Foi assim, durante todo o jogo, que os narradores de Indiana tentavam entender o que se passava dentro de quadra. A maranhense simplesmente estava implacável na noite de ontem, mais uma gloriosa para o Atlanta Dream, que venceu o jogo 3 em Indianápolis por 83-67 contra o Indiana Fever para fechar a final do Leste por 2-1 e se classificar para a decisão da WNBA pela segunda vez seguida. Iziane teve 23 pontos (7-15 nos tiros de quadra e 5-7 nos chutes de três pontos) e só não foi a cestinha porque Angel McCoughtry anotou 24.

E se a notícia é boa para Iziane e para o Atlanta (acho muito difícil que agora não renovem o contrato da ala brasileira…), que enfrenta o Minnesota (um timaço comandado pela jovem Maya Moore – craque de bola – e por Seimone Augustus) na busca de um título inédito para as duas franquias, é melhor ainda para a pivô Érika de Souza, que pegou o avião para defender a seleção brasileira na Colômbia durante os playoffs da WNBA e obviamente não deixou a turma da Geórgia muito satisfeita. Com a classificação da sua equipe, a jogadora poderá jogar até o final do Pré-Olímpico, no sábado, e depois viajar para os EUA para atuar na decisão da liga.

Como a finalíssima começa no domingo (melhor de cinco jogos), Érika estaria pronta para atuar a partir do segundo duelo, na quarta-feira, também em Minnesota. Não sei bem como ela será recepcionada pelos torcedores, mas acho que é uma bela história de temporada tanto para a pivô como para Iziane, que apareceu para liderar o Atlanta Dream na final de conferência contra o Indiana Fever. O título da WNBA seria um final perfeito, não?


Entrevista: Leandrinho fala sobre NBA, locaute e, claro, seleção brasileira
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Fábio Balassiano

Não imaginei que seria fácil entrevistar Leandrinho (de verdade). Acho o cara bem simpático, educadíssimo, mas como ainda não tinha falado com ele depois de todo o imbróglio envolvendo a sua dispensa da seleção, precisava voltar ao tema (e foi o que fiz na segunda-feira, na Gávea). Mas é óbvio que não ficamos só nisso. Confira o papo com o agora ala do Flamengo, cuja estreia será mesmo no dia 9 de outubro, fora de casa, contra o Brasília.

BALA NA CESTA: Já está treinando normalmente com o grupo do Flamengo?
LEANDRINHO: Estou bem, esperando apenas o dia da estreia. Estou participando normalmente dos treinamentos, e estou bem feliz de poder bater bola normalmente. Fiquei quatro, cinco meses parado e já estava agoniado em casa. Nunca fiquei tanto tempo sem encostar na bola. Geralmente quando eu chego no Brasil eu sempre bato uma bolinha e desta vez eu não pude devido ao problema no pulso.

BNC: Como está sendo treinar com o Gonzalo Garcia? É bem diferente de treinar com outro argentino que você conheceu ano passado, o Rubén Magnano? Você consegue comparar os treinamentos da NBA e do Brasil?
LB: Não, não é diferente, não. É a mesma cabeça, o mesmo espírito e a mesma cobrança nos treinamentos, que são muito bons, muito fortes mesmo. Em relação a comparação, talvez o que exista mais nos Estados Unidos seja a intensidade. Meu time lá, o Toronto, é muito novo, e recheado de jogadores atléticos. Mas aqui não fica muito atrás, não.

BNC: E em relação ao locaute? Como você tem obtido as informações e o que vocês, jogadores, têm conversado sobre o tema?
LB: Fico sabendo de tudo pelo Raja Bell, que foi meu companheiro do time e está mais envolvido com todas essas questões. Pelo que ele me conta, uma das coisas que atrapalha mesmo é o fato de os dirigentes quererem reduzir a mid-level (nota do editor: uma das faixas salariais). Chega a ser engraçado que um dos atletas que estão negociando, o Derek Fisher, do Lakers, está justamente nesta faixa, assim como eu. Os jogos da pré-temporada já foram cancelados, e acho que até dezembro é muito difícil de as coisas se resolverem. Se passar do dia 7 de janeiro de 2012, arrisca até não ter temporada.

BNC: Vocês esperavam isso tudo? E como fica a relação com os donos de franquias quando acabar isso?
LB: A gente não esperava, mas acho que os dirigentes tampouco esperavam o que está acontecendo. Quanto mais demora para começar a temporada, mais dinheiro eles também vão perdendo. Não é uma situação fácil, não. Sobre a relação com os donos, de verdade eu acho que eles e nós saberemos separar as coisas. É o que espero.

BNC: Agora um assunto inevitável: seleção brasileira. Muita gente acabou falando sobre o tema, e queria ouvir de você, ao vivo pela primeira vez.
LB: A minha cabeça continua sempre como foi em relação ao Brasil. Sempre quis e continuo querendo defender a camisa da seleção brasileira, mas desta vez infelizmente não deu. Aconteceu. Respeito a opinião de todo mundo, mas queria estar, sim, com o time e infelizmente não pude. Recebi ordens de lá (NBA) e não pude ir.

BNC: Pois é, Leandrinho, mas aí é que não entendo. Como assim “ordens” da NBA? A liga não pode impedir jogador algum de atuar pela seleção. E, além do mais, ninguém da NBA pode falar com você durante o locaute. Tanto é assim que alguns jogadores que têm resistência das franquias para jogar (Manu Ginóbili é o maior exemplo) atuaram nos Pré-Olímpicos sem maiores problemas.
LB: Mas eles podem rescindir meu contrato. Aí eu jogo com a seleção e não volto mais, é isso?

BNC: Leandrinho, mas seu contrato acabou de ser renovado pela equipe.
LB: Não interessa. Eles podem rescindir o contrato. O dono do time pode fazer o que ele quiser. Se eu não chegar lá em boas condições ele pode me mandar embora.

BNC: Você acha que falhou em termos de comunicação em algum momento?
LB: Meu querido (neste momento, Leandrinho coloca a mão em meus ombros), eu não vou ficar repetindo aqui as coisas que já falei na mídia. Não vou ficar aqui batendo papo com você sobre isso. Não falhei em termos de comunicação com o público. Todos sabiam da minha situação. O time já tinha falado com Magnano. É simples.

BNC: Sim, estou te entrevistando pela primeira vez, não estou batendo papo. Tenho que te perguntar isso.
LB: (Leandrinho olha)

BNC: Você tem falado com o Nenê? Ele também quer jogar?
LB: Sim, quer sim. Nós dois queremos. Visto a camisa, ele também veste. Sempre quisemos jogar pela seleção brasileira. Algo mais?