Bala na Cesta

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O segundo teste para a seleção brasileira de Zanon – desta vez contra o Washington
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Fábio Balassiano

Daqui a pouquinho, às 12h30 (horário de Brasília), o técnico Luiz Augusto Zanon faz o seu segundo jogo dele no comando da seleção brasileira. Será contra o Washington Mystics, da WNBA, contra o qual, aliás, o time nacional joga um jogo-treino de seis períodos amanhã na mesma capital norte-americana que será disputado hoje conforme antecipado pelo treinador por aqui há algumas semanas.

No primeiro jogo, contra o forte Atlanta Dream na segunda-feira (o time chegou a duas finais da WNBA nas últimas três temporadas), a dificuldade esperada para um time jovem, em formação, sem entrosamento e inexperiente. O Brasil perdeu de 97-47, mas isso não pode (e não deve!) ser motivo para desespero e nem para mudanças de rumo (vídeo com os melhores momentos aqui, e fotos aqui).

Na partida, Clarissa (foto à direita) foi bem com 14 pontos e 7 rebotes (seis erros, e isso é uma constante em seu jogo, infelizmente – na Olimpíada ela teve média de três por jogo), Damiris (foto à esquerda) sofreu um bocado no começo mas saiu-se com 11 pontos e cinco rebotes. No todo, chama a atenção o baixo aproveitamento nos arremessos de quadra (20/60, ou 33,3%), o péssimo de longe (1/11) e o alto número de erros (23). Tudo isso é explicável pelos motivos que abrem este parágrafo, obviamente.

“Enfrentamos uma equipe que tem uma forma de jogar bastante intensa e agressiva, e que é bem diferente do que as meninas praticam. Elas se mantiveram bem no primeiro tempo, mas na etapa final caíram de intensidade e o Atlanta veio forte. Estamos com um elenco bastante jovem e que precisa evoluir ainda nos fundamentos e nas tomadas de decisões. Nosso objetivo é formar um time que cresça como um grupo coeso. Tenho certeza que no próximo jogo elas já estarão com um comportamento diferente. Estamos ainda avaliando o comportamento das jogadoras e não o resultado. Queremos desenvolver o perfil das meninas. E nesse sentido, a participação foi bastante positiva. Como qualquer técnico eu queria ganhar, mas tive que me controlar porque esse não era o principal objetivo. Cheguei a ficar sensível, pois é um grupo que precisa de muito carinho e cuidado”, disse Zanon em ótima declaração disponível no site da CBB.

Como diria aquele personagem de TV, “não criemos pânico” neste momento. Zanon e a Confederação precisam de tranquilidade e serenidade para dar tempo de quadra e experiência para estas meninas evoluírem (tenho certeza que se elas jogassem dez amistosos seguidos contra times da WNBA ou Europa se desenvolveriam absurdamente rápido). É um processo demorado, difícil, requer paciência e uma linha de ação bem definida. Que hoje as meninas que jogaram menos (Ariani, Cacá e Tainá) tenham mais chance de entrar e que a seleção brasileira jogue bem como foi em boa parte do primeiro tempo de segunda-feira. O resultado é o menos importante (que TODOS tenham isso em mente), mas o adversário de hoje é menos forte que o de dois dias atrás.


Contra Atlanta Dream, Zanon faz hoje primeiro jogo como técnico da seleção brasileira feminina
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Fábio Balassiano

Começa oficialmente hoje, às 20h (de Brasília e ainda não tenho ideia se haverá transmissão de algum site, rádio ou televisão de lá), a Era Zanon na seleção brasileira feminina adulta de basquete. Jogando contra o Atlanta Dream, da WNBA (ainda não sei se a pivô Érika atuará pelo time dela na liga norte-americana), o técnico fará sua estreia como técnico da equipe nacional com um elenco jovem e em busca de desenvolvimento e espaço.

Nas duas primeiras semanas de trabalho em Americana, Zanon perdeu a pivô Nádia (contusão) e decidiu não levar para os Estados Unidos a ala Joice Coelho (a atleta foi muito bem em Guarulhos na LBF) para esta viagem (e acho que quase ninguém consegue julgar se é certo ou errado visto que pouquíssimos acompanharam os treinos no interior de São Paulo). Abaixo o elenco que ele terá a disposição para a partida de hoje.

ARMADORAS: Ariani, Debora Costa e Tainá Paixão
ALAS: Carina (Cacá), Izabela, Jaqueline, Patricia Teixeira e Tatiane Pacheco
PIVÔS: Clarissa, Damris, Fabiana Caetano e Franciele

Acho que está claro que o resultado é o menos importante logo mais (e contra um time da WNBA o mais provável é que uma derrota venha), e eu sinceramente torço para que Zanon tenha sorte, coragem e força nesta nova fase da seleção feminina. Que jovens como Ariani, Tainá, Débora, Fabiana, Patricia, Cacá e Tatiane Pacheco aproveitem esta chance na equipe adulta para aprender, se desenvolver e mostrar ao treinador que elas são realmente o futuro do esporte no Brasil.

O que dá pra esperar do jogo de logo mais? E do trabalho de Zanon, será que mais novidades virão? Comente!


Novo técnico, Zanon abre o jogo sobre futuro da seleção feminina que começa a treinar hoje
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Fábio Balassiano

Na tarde de ontem, Luiz Augusto Zanon, de 49 anos (completa 50 em 17 de junho), uniu na apresentação da seleção feminina da qual é o novo treinador aquilo que mais ama: basquete e família. Ao lado de sua mãe (Magali) e esposa (Erica), o pai de Carolina, Caio e Camila inicia hoje os treinamentos com a equipe nacional visando os dois amistosos contra o Atlanta Dream e Washington Mystics (times da WNBA), o Sul-Americano (Argentina) e a Copa América (no México). Em conversa longa com o blog, o comandante falou sobre as expectativas do trabalho, da renovada equipe (média de 22,6 anos) que começa a suar a camisa hoje em Americana (cidade em que se sente em casa, afinal treina o time local, vice-campeão da LBF) e de como pretende recolocar o basquete feminino brasileiro nos primeiros lugares em competições de alto nível. Confira o papo com Zanon.

BALA NA CESTA: Antes de começar com a entrevista propriamente dita, queria que você falasse sobre o planejamento de treinos e jogos da seleção feminina visando Sul-Americano e Copa América.
ZANON: Bem, vamos lá. O time se apresentou nesta quarta-feira, e hoje (quinta-feira) começa a treinar. Vamos até o dia 11 e embarcamos para os Estados Unidos. No dia 13 enfrentaremos o Atlanta Dream, dois dias depois o Washington Mystics e no dia 16 faremos um amistoso contra o mesmo Washington. Voltamos ao Brasil, faço uma nova convocação, treinamos até o final de junho e no começo de julho viajamos para a China, onde faremos três torneios contra as anfitriãs e outras duas seleções.  Retornamos direto para a Argentina, onde jogaremos duas vezes contra elas antes do Sul-Americano lá mesmo na Argentina (23 a 27 de julho). Pra fechar a preparação para a Copa América (21 a 28 de setembro, no México), teremos um amistoso no Brasil contra Canadá, Argentina e Porto Rico. Serão mais de três meses com as meninas, e cerca de 25, 30 amistosos. Quero apenas esclarecer, desde já, que os amistosos e torneios já estavam marcados quando eu cheguei, não podendo, até por ser verba do Ministério do Esporte via Lei de Incentivo, mexer muito. Apenas adequei algumas situações que achei pertinente, e posso garantir que ano que vem, nas vésperas do Mundial da Turquia, já estamos trabalhando para atuar contra as seleções europeias.

BNC: Queria que você contasse como foi o contato do Vanderlei, novo diretor de seleções da Confederação, e qual a sua expectativa para comandar a seleção feminina de basquete.
ZANON: Olha, eu não esperava o convite, pra te ser sincero. O Vanderlei ligou primeiro para o Ricardo Molina (presidente do time de Americana) e depois marcou um encontro comigo aqui em Americana. Nos falamos, ele entendeu o que eu queria e acertamos tudo. Não demorou muito, não. Olha, cara, sonho, sonho mesmo eu tenho de fazer o meu melhor trabalho, de evoluir como técnico e pessoa e de fazer as atletas evoluírem também. A palavra-chave para mim vai ser essa: evolução. Se essa evolução nos fizer campeões mundiais ou olímpicos, ótimo. Se a evolução, a máxima possível, não permitir isso, paciência e ficarei feliz. O lance é: evoluirmos o máximo que pudermos no período em que estivermos juntos. O que me motiva, além dessa evolução, é a chance de dirigir a seleção em uma Olimpíada no Brasil. Poxa, quantos técnicos têm essa honra, essa oportunidade? Poucos. Caso consiga completar esse ciclo, será uma honra e tanto dirigir o Brasil diante do nosso torcedor e da minha família. Por isso tudo aceitei o cargo. Pela chance de evoluir como técnico e como pessoa e pela chance de permanecer perto da minha família aqui em Limeira (a cidade em que vive fica perto de Americana, onde treina o clube vice-campeão da LBF).

BNC: Perfeito. Agora falando sobre a seleção em si. Sua primeira convocação causou surpresa e alegria em quem pedia renovação, já que se trata de um grupo de 22,6 anos de média. É uma filosofia que você pretende seguir, ou foi apenas para testar as meninas no primeiro momento?
ZANON: Na minha cabeça eu preciso dar chance para as mais novas para saber o potencial delas. Isso é bem claro. Por isso, nesse primeiro momento eu quero colocar as meninas na quadra e conhecê-las melhor. Vai ser treino, treino e treino. É o que mais gosto de fazer, e assim elas vão melhorar. Parte técnica, tática, personalidade, tudo. Todas as que convoquei precisam de experiência internacional, rodagem, e só vamos conseguir isso dando espaço a elas. Algumas nem tinham passaporte pra viajar, você sabia? Pra te ser sincero, queria até convocar meninas da Sub-19, mas elas estão treinando com o time que irá ao Mundial e não foi possível no momento. Quis dar uma chacoalhada, uma animada, nas mais novas, conhecer de perto e depois vamos ver o que precisamos. Dividi o trabalho em etapas. Nesta primeira, é a chance das mais novas mostrarem serviço. Depois, pro Sul-Americano e Copa América, que preciso de resultado, vou trazer as mais experientes nas posições que mais precisarem. Nesse primeiro momento quero que essas meninas de 20, 21, 22 anos joguem contra as melhores, as lá da WNBA, e se entreguem em quadra. É a chance delas, e meu perfil é muito de fazer as jogadoras evoluírem, né. Mas posso te garantir: vai jogar quem estiver melhor, independente de idade. As mais experientes eu já sei o que podem me dar, o que fazem. As mais novas têm potencial e agora podem mostrar.

BNC: Três nomes me chamam a atenção nessa convocação. Patricia Ribeiro, que foi muito bem por São José, Joice Coelho, destaque da Sub-19 dois anos atrás e uma das revelações da LBF jogando por Guarulhos, e Ariani (foto à direita), armadora que estava jogando nos Estados Unidos.
ZANON: A Ariani já vinha olhando pra ela há algum tempo e recebi ótimas informações de dentro da CBB sobre seu jogo. Para a posição de armadora, será testada e ganhará chances. A Joice fez ótimas partidas em Guarulhos, e quero muito ver como se comporta em um jogo mais coletivo, mais de sistema, que é como gosto de jogar. A Patricia é a menina que mais joguei contra ela. Conheço suas qualidades e pontos de melhoria, e agora é ver como se encaixa na seleção. Além dessas, tem a Tatiane Pacheco, que foi muito bem na fase final por São José e que agora tem chance na seleção. São todas da mesma faixa de idade, e isso também foi proposital. Não podia testar meninas muito jovens com veteranas no meio. A química dessa meninada é importante demais também.

BNC: Sobre as mais experientes, você já chegou a conversar com a Adrianinha, que me disse, aí em Americana, estar a disposição pra voltar, com a Érika ou com a Iziane (foto à esquerda), cujo estoque de polêmicas é inesgotável?
ZANON: Olha, ainda não falei. Não falei porque ainda não é momento. Quando for, pode ter certeza que eu mesmo vou puxar o telefone e ligar uma a uma para explicar minha filosofia e o que estou pretendendo. Quem quiser vir pra se enquadrar e participar será muito bem-vinda. A única que conversei, mas informalmente, foi a Érika – e porque encontrei em um programa de televisão. Ela me disse só um “tamos juntos, Zanon” e nada mais. Vou falar com todas elas e sei que cada uma tem uma situação diferente. Sobre a Iziane, e isso quero deixar claro, comigo não existe nada do passado. Eu, como técnico da seleção, entro zerado, entro sem querer saber do histórico de nada, de absolutamente nada. E nem quero saber pra te ser sincero. Eu planejo o futuro e só, nada mais. Nunca houve nada comigo, certo? Então é sentar, conversar, alinhar expectativa e tocar o barco. Vou ligar pra ela e vou falar. Sou muito direto e você sabe disso. Não posso pré-julgar uma menina por conta de assuntos anteriores a minha gestão. Não tenho nada contra e nem a favor de nenhuma delas. A palavra-chave, Bala, é ‘produção’. Quem produzir, joga. Quem jogar bem vai estar no grupo. Isso é bem simples.

BNC: Pra fechar a parte de quadra, você foi o responsável por fazer Americana marcar como eu há muito tempo não via em solo nacional. É o que você espera na seleção também, não?
ZANON: Sim, e muito. Preciso estar sempre com defesa forte, e farei isso desde o começo. Pode ter certeza que mesmo nesses amistosos contra a WNBA eu vou marcar forte, pressionar a bola, fazer o diabo lá. Não sou maluco de marcar pressão a quadra toda, mas quero meu time marcando forte, abusado, sem medo de absolutamente nada. Vamos lá pra aprender, mas vamos jogar também. Vou usar sempre o que de melhor meu grupo tiver pra defender. Nesse primeiro momento, é a vitalidade, a força física, a juventude das meninas para rodá-las. Tudo isso aliado a um jogo coletivo muito forte no ataque. Para te citar um exemplo, meu time (Americana) ficou muito individualizado nas finais da LBF contra o Sport/Recife. Isso eu não gosto, não é assim que curto, não. Só vamos melhorar o nível da seleção se jogarmos coletivamente e de forma elaborada, escolhendo a melhor jogada, no ataque. Isso tudo com muito poder de decisão, coragem para escolher a melhor jogada. Posso fazer variações de pick’n’roll, qualquer coisa com as meninas, mas vamos precisar de paciência no ataque e muita disposição e entrega na defesa desde o primeiro dia de trabalho. É assim que sempre trabalhei em Limeira (masculino) e Americana (feminino) e não sei fazer diferente, não. O basquete, cada vez mais, caminha pra isso, né. Marcação apertadíssima e controle da posse de bola.

BNC: Por fim, uma pergunta: como você tem feito pra se atualizar, estudar e olhar os rivais que enfrentará no Mundial?
ZANON: Cara, eu vejo tudo. Tudo é tudo mesmo. Passa NBB, Euroliga masculina, Euroliga feminina, NBA, eu vejo tudo. Outro dia estava assistindo na internet a Euroliga Feminina. Leio muito também e acho que aprendo muito. Os últimos livros que li foram do Bernardinho e do John Wooden, dois caras que admiro demais. Falo muito com os técnicos, e peço para eles me avaliarem também. Já fiz isso com a Maria Helena Cardoso e com o Edvar Simões, por exemplo. Tem vezes que vejo jogo também e fico me imaginando como tomaria determinadas decisões em ocasiões como as que se apresentam nas partidas. Tem outra coisa que faço com constância e que me ajuda bastante: eu jogo muito xadrez sozinho. Isso é basquete, cara. Você faz um movimento e precisa imaginar como o adversário vai reagir. O basquete é xadrez, entende? O segredo é manter a cabeça no lugar, manter o controle emocional e tomar as decisões corretas nos momentos mais complicados. Minha grande paixão, no esporte e na vida, é crescer, é evoluir, é sempre melhorar.


Zanon começa bem e sinaliza renovação em sua primeira convocação na seleção feminina
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Fábio Balassiano

Zanon (foto) convocou ontem a seleção brasileira feminina pela primeira vez. E convocou muitíssimo bem (meus sinceros parabéns a ele!). Foi para dois amistosos contra o Atlanta Dream e o Washington Mystics, da WNBA (em 13 e 15 de maio), e o treinador optou por começar seu trabalho (até por se tratar de dois amistosos) com uma renovação tão pedida, tão necessária, tão urgente na modalidade. São 14 meninas com média de idade de 22,6 anos e boa estatura (1,80m de média).

Os treinamentos para estes dois jogos serão em Americana entre os dias 1 e 11 de maio. Depois, a seleção (obviamente com um time mais experiente, com atletas mais rodadas) jogará o Sul-Americano na Argentina, 23 a 27 de julho, e a Copa América no México, de 23 a 29 de setembro (absurdo a CBB não conseguir trazer um torneio de nível pro país, mas isso é tema para outro post). Antes da minha análise vamos aos nomes:

ARMADORAS: Ariani, Debora Costa e Tainá Paixão
ALAS: Carina (Cacá), Izabela, Jaqueline, Patricia Teixeira, Joice Coelho (foto à direita), Tatiane Pacheco
PIVÔS: Clarissa, Damris, Fabiana Caetano, Franciele e Nádia Colhado

Podemos discutir um ou outro nome (não sei se teria levado Jaqueline ou Izabela, já tão testadas em outras seleções e sem grandes aparições assim), mas o conteúdo, a filosofia não tem como não aprovar. Só um maluco, um alienado ou alguém mais chato que eu (não sei se existe isso) criticaria a convocação feita por Zanon (e é bom lembrar que outras jovens, como Izabella Sangalli e Isabela Ramona, estão com a seleção Sub-19 e não puderam ser chamadas dessa vez).

Fico feliz de ver que algo que peço aqui (relembre o que escrevi no final do ano passado, inclusive com nomes que estão na convocação de ontem) esteja sendo colocado em prática agora. Não por fazerem o que acho, mas porque era algo muito urgente, muito necessário. Que Zanon siga com esta filosofia de renovação, dando espaço às mais jovens e treinando alucinadamente como tem feito em Americana há três anos. Só assim a modalidade vai sair da draga em que se encontra (com meninas experientes absolutamente acomodadas em sua zona de conforto e com as mais jovens sem esperança de ter espaço para jogar – seja em clube ou em seleção).

O basquete feminino precisa de novas caras – e que essas novas caras tenham oportunidade de mostrar o talento que elas certamente têm. E que a CBB dê a seu treinador (e a estas jovens meninas também) o respaldo necessário para jogar, evoluir, perder o quanto for neste ciclo olímpico até o Rio-2016. Se for para evoluir, se for pra perder, que seja agora. Sem pressão por resultados, mas sim pensando na evolução, no desenvolvimento de uma geração talentosa e que pode, caso seja bem trabalhada e investida, dar resultados em pouco tempo.

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Sport vence Americana, conquista LBF e é o 1° primeiro time do Nordeste a conquistar Nacional
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Fábio Balassiano

De novo não foi um grande jogo (a média de pontos da final ficou em 108,5 pontos, muito pouco), mas isso pouco importa para os torcedores do Sport-PE. Jogando no ginásio lotado da Ilha do Retiro, as pernambucanas venceram Americana por 62-57 e conquistaram, de forma invicta (tal qual Ourinhos em 2005) a terceira edição da Liga Feminina de Basquete (foram dez jogos e dez vitórias).

Foi a primeira vez que, em 15 anos de Nacionais Femininos, uma equipe do Nordeste sagrou-se campeã da competição. Parabéns ao Sport-PE, time que mais investiu, a Roberto Dornelas, o abnegado e guerreiro técnico da equipe que sempre buscou retomar o projeto que estava adormecido há anos, ao torcedor de Recife, que lotou o ginásio da Ilha do Retiro sempre, e também a Americana, que tem o melhor projeto de basquete feminino do país há alguns anos.

Que o basquete feminino brasileiro utilize o Sport-PE e o Maranhão Basquete como motivo para crescer através e pelo Nordeste, pois as duas equipes mostraram que há, sim, caminho para o desenvolvimento da modalidade por lá. E que os projetos bons que há no país (Americana, Santo André, Sport, Maranhão, Ourinhos etc.) sejam espalhados e replicados para que o esporte enfim saia do momento crítico em que se encontra agora.

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Em jogo fraco, Sport-PE bate Americana em São Paulo e se aproxima do titulo da LBF
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Fábio Balassiano

Não foi um um bom jogo de basquete o que vi no Centro Cívico ontem (acho que ninguém em sã consciência dirá isso). Mas mesmo assim o invicto Sport/PE bateu Americana fora de casa por 54-44 em um jogo de 98 pontos para abrir 1-0 na final da LBF e se aproximar do título.

Acho que só os “98 pontos” ali já falam por si só, não? Foi uma partida bem disputada, física até (ótimo), mas mal jogada e serviu como um espécie de síntese do basquete brasileiro (masculino ou feminino) que tem sido jogado aqui nos últimos 15 anos: muita vontade, nervosismo, excesso de tiros tortos de três pontos (foram 28 tentativas e apenas três acertos), erros de fundamento em profusão (28 em 40 minutos contra 24 assistências – ou seja, mais desperdício de bola do que passe pra cesta) e uma correria alucinante, desenfreada (já falei isso aqui, mas a impressão que me passam é que quando passa do meio da quadra não pode mais respirar).

No primeiro tempo, Zanon levou vantagem quando colocou Karen e Ronneka para frear Adrianinha e sua fúria ao cesto. Deu certo, e o potente ataque do Sport fez apenas 20 pontos no mesmo número de minutos.

Na segunda etapa, quando Americana ameaçou abrir o momento crucial do jogo. A norte-americana Alex (cestinha ao lado de Clarissa com 17) voltou na mesma hora que as donas da casa começaram a marcar por zona. Não deu certo para Americana, que viu Alex anotar 8 pontos seguidos (duas bolas de três pontos) para iniciar a virada do Sport, que passou a comandar o placar com tranqüilidade (nos 20 minutos finais fez 34-18) para vencer por 54-44.

Sobre Americana, duas coisinhas: Clarissa foi brilhante com 13 pontos no primeiro tempo (não fosse ela e seu time não teria feito 25…), mas na segunda etapa teve quatro desperdícios de bola (um deles quando tentou quicá-la por quase 20 metros). Karla, cestinha e melhor jogadora do time na competição, teve 0/8 e terminou com apenas 1 ponto (não é normal isso, obviamente).

Ganhou o Sport-PE, que deve acabar ficando mesmo com o título da LBF, mas o que vi hoje em Americana esteve longe de agradar. Em termos técnicos, Zanon viu o que o aguarda na seleção brasileira. E o basquete feminino brasileiro viu o que tantos anos de descaso acabam gerando – pobreza técnica, fundamentos esquecidos e vícios adquiridos.

Foi lindo ver o ginásio do Centro Cívico cheio, mas para o basquete feminino voltar a ser grande o trabalho precisa ser muito, muito forte – e pra já. Parabéns ao Sport e a Americana, que lutaram bravamente, mas esperávamos mais de uma decisão de campeonato com cinco jogadas que foram às Olimpíadas de Londres.

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Com cinco olímpicas, Americana e Sport/PE começam decisão da LBF neste sábado
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Fábio Balassiano

Começa neste sábado às 13h (com transmissão do Sportv) a decisão da terceira edição da Liga de Basquete Feminino entre Americana e Sport-PE no interior de São Paulo. E o mais bacana de tudo (ao menos pra mim, claro): estarei no Centro Cívico para acompanhar tudo de pertinho (fique de olho em Twitter e Facebook para ter notícias em tempo real).

E começa com atrativos de todo lado. Serão cinco atletas que estiveram nas Olimpíadas de Londres em quadra (Karla e Clarissa, de Americana, e Érika, Adrianinha e Franciele pelo Sport-PE – Tássia, das paulistas, também esteve lá, mas não jogará a decisão devido a lesão no joelho). Isso, claro, sem falar em Alessandra, das pernambucanas, campeã mundial em 1994 e medalhista em 1996 e 2000. Currículo, como se vê, não faltará logo mais!

Se isso não bastasse, será a primeira aparição de uma equipe do Nordeste em uma final nacional do basquete feminino. E o até então invicto Sport-PE, com um elenco caro e recheado de estrelas, entra com vantagem de ter o mando de quadra na série final melhor de três (a se lamentar, apenas, que este mando tenha sido conseguido contra Americana em apenas um jogo – lembremos que não houve returno nesta edição da LBF). Além disso, há Zanon, técnico que renovou com Americana por mais uma temporada e que foi anunciado como novo técnico da seleção feminina na quinta-feira. É mais um atrativo da decisão que começa logo mais.

O campeonato foi curto, começou atrasado, sem returno, com apenas sete times, tudo errado, mas chegam ao final os dois melhores times e elencos. Vale a pena ficar de olho, pois a promessa é que sejam dois (ou três) jogos.

Quem quiser que vence o jogo 1 logo mais? E o campeonato? Comente!


Sob nova direção: Luiz Augusto Zanon é o novo técnico da seleção brasileira feminina
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Fábio Balassiano

Não demorou muito a começar a mudança no departamento feminino do basquete brasileiro (agora comandado por Vanderlei, que, diga-se de passagem, já começa bem em sua função com as meninas). A notícia, confirmada esta manhã pelo site oficial da CBB, é que Luiz Augusto Zanon, que tem feito grandíssimo trabalho por Americana (campeão da LBF e Liga Sul-Americana na temporada passada), é o novo técnico da seleção feminina adulta (Luiz Claudio Tarallo não teve seu contrato renovado).

“Confesso que não esperava esse convite agora. Posso garantir que é uma satisfação e um privilégio ser o técnico da seleção brasileira. Temos um trabalho árduo pela frente e todas as condições para colocar novamente o Brasil entre os quatro melhores do mundo. É um desafio que vamos conseguir vencer”, afirmou o técnico, que já havia recusado uma proposta de Hortência para assumir a seleção, ao site da CBB.

Grande, grande notícia para o basquete feminino brasileiro. Zanon não fez apenas um trabalho técnico em Americana, mas sim modificou as estruturas de treinamento e de jogo de uma grande equipe. Tem acompanhado a modalidade de perto há três anos, sabe bem como mexer com as meninas e certamente fará um grande trabalho (ainda que o material humano não lhe seja excelente para âmbito internacional). A dúvida que eu tenho, até agora, é se ele continuará a exercer seu cargo de treinador em clube ao mesmo tempo (a entrevista coletiva será concedida após a LBF).

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Tags : CBB Zanon


Um elogio justo a excelente defesa de Americana neste começo da Liga Feminina de Basquete
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Fábio Balassiano

Por conta de duas transmissões de TV, consegui ver o time de Americana com atenção neste começo de LBF (o único que não vi foi diante do Santo André – mas o Gustavo contou como foi por aqui). Diante do Sport-PE, na estreia (aqui), e no sábado contra o Maranhão Basquete (leia mais aqui), por coincidência justamente contra os dois melhores elencos do país (junto com o de Americana, claro).

E posso dizer uma coisa sem medo de errar principalmente pelo duelo contra as maranhenses: não via uma defesa tão forte, apertada, dura por aqui há muito tempo (que eu me lembre, desde que Maria Helena Cardoso ainda comandava o BNC – saudades dela e do time de Osasco em competições adultas, hein).

Não é que Zanon (foto à direita) seja o maior especialista em defesa dos últimos tempos, mas para um cenário de leseira tática dos nossos treinadores, o que o técnico de Americana conseguiu fazer em três anos de trabalho com a equipe (são 12 campeonatos jogados e dez títulos conquistados) é sensacional, sensacional mesmo (incluo nisso tudo a seleção brasileira feminina, hein).

No sábado, contra Iziane, a ordem foi muito clara e bem executada: toda vez que ela encostar na bola, dobrem a marcação nela. No primeiro combate a camisa 8 do Maranhão, a norte-americana Roneeka dava as cartas. Mas, ato contínuo, Karla (na foto) abandonava Bethânia para fazer a dobra. Aqui vai um ponto interessante também: a estratégia só deu certo porque Zanon tem um elenco de primeira. O técnico conseguiu colocar a armadora Babi (com 1,78m, ela é alta e pode fazer isso) para vigiar a ala Chuca sem maiores problemas, fazendo com que Karla, mais rápida e forte, conseguisse correr para fazer a marcação dupla na melhor jogadora do time adversário. Com isso, Iziane teve cinco erros, menos volume de arremessos do que gosta (chutou 14 “apenas”) e foi praticamente obrigada a quicar a bola para suas companheiras, que não arremessavam livres (a rotação, esplêndida, chegava rapidamente e impedia chutes sem marcação) e não estavam em uma boa jornada (0/9 nos três pontos e 18/44 nos tiros de dois).

O Sport/PE é o líder invicto da LBF (venceu ontem o Ourinhos facilmente por 81-51 e chegou ao quarto jogo sem derrota), não deve perder jogo algum até o final da fase de classificação (ficará de folga na primeira rodada do mata-mata, portanto), mas eu fiquei absurdamente impressionado e empolgado com a defesa que vi de Americana no último sábado. Em um cenário de terra arrasada em termos técnicos e táticos, o que Zanon conseguiu fazer com sua equipe é de encher os olhos, de verdade mesmo.

Que ele continue assim, e que a Liga de Basquete Feminino aproveite a onda de três times fortíssimos (Americana, Sport/PE e Maranhão) para popularizar o basquete feminino.


Com 2-0, Americana pode conquistar título Paulista feminino hoje se vencer Ourinhos
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Fábio Balassiano

Pode terminar logo mais o campeonato Paulista Feminino de basquete mais insosso dos últimos anos. Com 2-0 na final após ter vencido os duelos iniciais em casa, Americana viaja a Ourinhos para medir forças com o forte time de Edson Ferreto (20h, com ESPN Brasil) precisando apenas de uma vitória para conquistar o tetracampeonato estadual de sua história (2001, 2002 e 2010 foram as outras conquistas).

“O equilíbrio emocional é muito importante. Temos que estar equilibrados para levar o jogo em igualdade até surgir o momento para dar o bote”, disse, através da assessoria de imprensa de seu time, o técnico Zanon, de Americana.

Aqui cabe um parêntesis: se o post não está completo, com números e detalhes, como deveria, é porque o site da Federação Paulista está fora do ar desde ontem, uma maravilha.

Para Ourinhos, vale, mais do que nunca, contar com a força de sua torcida, Damiris, Chuca e Silvia Gustavo se quiser realmente evitar o título do rival.

Será que sai hoje o campeão Paulista Feminino?