Bala na Cesta

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Warriors? Cavs? Saiba como ‘velocista’ coloca o Wizards como o melhor da NBA em 2017
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Fábio Balassiano

A temporada da NBA está polarizada em Golden State Warriors e Cleveland Cavs, times que fizeram as duas últimas finais e que surgem como grandíssimos favoritos para repetir a dose na decisão deste ano. O que pouca gente nota é que em 2017 a melhor campanha da liga não é nem do time de Steph Curry e nem do de LeBron James. O Washington Wizards, do velocista John Wall, armador considerado um dos jogadores de basquete mais rápidos do mundo, possui 25 vitórias em 33 jogos e lidera não só em número de triunfos, mas também em aproveitamento (76%). Desde janeiro o Cavs é apenas o nono (18-14) e o Warriors, o terceiro (23-9). O San Antonio Spurs é o segundo melhor com 24-8.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

No total o Washington, que hoje enfrenta fora de casa o Minnesota, tem 41 vitórias em 65 jogos e em grande fase ganhou 7 dos últimos 10 duelos, 11 dos 14 mais recentes e está em segundo lugar na conferência Leste, atrás apenas do Cleveland, que tem 43-21. Para quem começou a temporada perdendo os três primeiros duelos, ainda com o gosto de não ter se classificado ao playoff em 2015/2016 em um campeonato pra lá de frustrante e com um técnico que em 2015 havia sido demitido de Oklahoma (Scott Brooks) no comando, dá pra dizer que atingir este patamar é, sim, uma agradável surpresa. E o sucesso da franquia da capital norte-americana passa totalmente por Wall, que consegue cruzar a quadra inteira em menos de cinco segundos.

Um dos mais prestigiados armadores da atualidade, o camisa 2 tem as médias de 23,1 pontos, 45% nos arremessos e 10,8 assistências (todas as melhores de uma carreira de sete anos na NBA). Se seu arremesso de três pontos continua errático (31,7% em 2016/2017, índice idêntico ao de sua trajetória profissional), Wall melhorou em liderança, em capacidade de envolver seus companheiros. A segunda melhor média de assistências fala um pouco sobre isso, mas não tudo. A forma como ele passou também a defender estimula seus companheiros a pressionar a bola e a levar o Washington adiante. Mas não foi assim fácil que a transformação chegou.

Após a primeira partida da temporada (derrota fora de casa contra o Atlanta Hawks por 114-99), Brooks não poupou a sua maior estrela e disse que nunca havia visto uma marcação tão ruim quanto a que tinha visto de John Wall. A velocidade que Wall usava para correr para o ataque com a bola era inversamente proporcional a que ele voltava para marcar na defesa. Crítico, o camisa 2 não bateu boca com seu novo treinador, mas sim procurou-o para analisar os problemas. Brooks o recebeu com um vídeo de 10 minutos contendo suas maiores deficiências defensivas. Não era uma questão grave, mas basicamente de retorno rápido à marcação e impedir que seu rival cortasse facilmente rumo a cesta. O jogador decidiu implementar o que o novo chefe indicou. Deu certo. A transição ataque-defesa melhorou muito, Wall se tornou um atleta mais completo, o Wizards passou a não levar mais tantos pontos em contra-ataque e os resultados apareceram.

Se foi duro com Wall no começo, Brooks, adepto ao jogo fluído e leve da NBA atual, também soube elogiar o seu comandado quando ele foi escolhido para o All-Star Game de Nova Orleans: “Ele não é só um jogador muito rápido. Acho incrível quando ele vai de um extremo ao outro da quadra em menos de cinco segundos, mas John tem sido fundamental também no vestiário, estimulando e elevando o nível de seus companheiros. Treinei jogadores excepcionais em Oklahoma, joguei com outros tantos em Houston, e o que ele tem feito por aqui é realmente acima da média. Excepcional mesmo”, afirmou o treinador que comandou Russell Westbrook, um dos melhores armadores da liga, no Thunder, e que, quando atleta, foi campeão com o Houston Rockets de Hakeem Olajuwon.

É óbvio que John Wall é o nome que mais chama atenção neste Washington, mas o que deixa uma pulga em todas as orelhas é tentar entender como um time que não se classificou ao playoff em 2016 se candidata, em 2017 e basicamente com o mesmo núcleo, a ir longe no mata-mata da conferência Leste. É uma questão que ainda não encontra uma resposta nos números, mas sim nos fatos. Se a base tática e técnica é praticamente a mesma de quando o técnico Randy Wittman estava por lá, se ataque e defesa estão hoje entre os dez primeiros da liga, mas não entre os cinco (ou seja, são bons mas não excelentes), aparentemente a química do vestiário mudou com a chegada do técnico Scott Brooks, considerado um “player’s coach“, o que, em uma tradução livre, seria como um treinador que fala a língua dos atletas. Um punhado de jovens talentosos (o mais velho do elenco tem 33 anos) que jogava de forma praticamente individualizada até a temporada passada se tornou um time coeso e talentoso. Uma grande história, não há dúvida.

É óbvio que as recentes aquisições de Bojan Bogdanovic (o ala croata trazido do Nets adiciona 16 pontos de média) e do armador Brandon Jennings aumentam a profundidade do banco de reservas e que o crescimento de Bradley Beal (23,2 pontos), Otto Porter Jr. (14,2) e Markieff Morris (14,3) contam muito, mas o sucesso do Washington, que também tem o polonês Marcin Gortat (11,5 pontos) como peça importante da rotação curta de Brooks, passa mesmo pelo crescimento em ataque e defesa de Wall, um dos melhores jogadores da NBA na atualidade.

O Wizards, eliminado em 2016 ainda na fase regular, se permite sonhar com voos maiores graças a John Wall.


Os 30 da NBA: Sob nova direção, Wizards buscam mudar de patamar
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Fábio Balassiano

brooks2O final da temporada passada foi um fiasco para o Washington Wizards. Jogadores lesionados, derrotas em sequência e eliminação na fase regular. Era hora de mudar, e a primeira coisa que a diretoria fez foi mandar o técnico Randy Wittman embora. Wittman fez bom trabalho ao tirar a franquia de 29 vitórias em 2012/2013 para 46 em 2014/2015, mas ficou claro que ele não conseguiria dar o próximo passo. Trocá-lo foi uma boa medida. Contratar Scott Brooks, ex-treinador do Oklahoma City Thunder, não sei.

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brooks1Scott Brooks é bom, levou o OKC à decisão da NBA em 2012, tinha ótimo relacionamento com as duas estrelas da equipe (Kevin Durant e Russell Westbrook), mas foi demitido pelo mesmo motivo que Wittman foi rifado do Wizards – o de não conseguir elevar o nível da franquia e também por não apresentar nada, em termos táticos, diferente em relação aos anos anteriores.

E não nos enganemos: pesou demais para o Washington fechar com Brooks o fato de sua relação com Durant, até então agente-livre, ser excepcional. Os manda-chuvas da organização acreditavam que, com um comandante conhecido e gente boa, Durantula poderia jogar em sua cidade-natal. Nada feito. O camisa 35 foi pro Golden State Warriors, como todo mundo sabe, e o técnico terá que guiar o time basicamente com as mesmas peças que seu antecessor. O que não é tão ruim assim.

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wizardsO elenco do Washington é bom para os padrões Leste da NBA. Tem um armador de elite de NBA em John Wall. Um ala que quando está em condições físicas confiáveis joga muita bola (Bradley Beal). Outro, Otto Porter Jr., que cresceu muito em 2015/2016 e que deverá seguir se desenvolvendo com mais tempo de quadra e espaço no próximo certame. E um garrafão que mistura o bom arremesso de Markieff Morris a força de Marcin Gortat e Ian Mahinmi, recém-contratado pela BIZARRA bagatela de US$ 64 milhões até 2020 (o francês marca bem e tal, mas não é NADA além disso). O banco é que é pouco animador, mas de lá sairão o tcheco Tomas Satoransky, ex-Barcelona emdono de muito talento, Trey Burke, trocado pelo Utah para ser o reserva de Wall, o chutador Marcus Thornton e os alas Andrew Nicholson e Jason Smith.

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wizards2Não é a oitava maravilha do mundo, mas o Wizards sabe que no Leste dá, sim, para brigar por alguma coisa. O que não se sabe, ainda, é em que patamar Scott Brooks conseguirá colocar este grupo que já dá sinais de começar a se desentender.

Houve rumores de que John Wall, agora o terceiro maior salário da equipe, ficou assustado com o volume de dinheiro despejado pela franquia para Bradley Beal (5 anos, US$ 128 milhões!). Estreitar a relação de suas principais estrelas definitivamente é o mais importante para o novo chefe saber exatamente as reais necessidades da equipe que se dá muito bem no jogo de transição mas que tem seríssimas dificuldades quando o ritmo diminui (Wall mesmo não é arremessador confiável no meia quadra).

brooks10O Washington sabe que tem em John Wall e Bradley Beal a base da franquia para os próximos anos. A franquia conta com Scott Brooks para elevar o nível deles, colocando a equipe em condição de brigar na elite do Leste com constância e por um longo período. Possível, é.

Só não sei sinceramente se Brooks é realmente O melhor técnico possível para um elenco que nunca teve um virtuoso técnico a comandá-lo. Wittman era médio (pra baixo). O novo comandante está longe de ser excepcional, algo que sobretudo o talento de Wall merecia ter.

Campanha em 2015/2016: 41-41
Projeção para 2016/2017: Briga por Playoff (entre 40 e 45 vitórias).
Olho em: John Wall


Contra Wizards, de Nenê, Bauru faz 2º e último amistoso na NBA
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Fábio Balassiano

alex1Depois de ter feito bom papel contra o New York Knicks na quarta-feira em Nova Iorque, chegou a ver de Bauru medir forças com o Washington Wizards. Os comandados de Guerrinha entram em quadra hoje às 18h30 para enfrentar o bom time do brasileiro Nenê às 19h (Sportv2) no segundo e último amistoso na pré-temporada da NBA.

Falando especificamente da parte técnica, vale dizer o seguinte: se as dificuldades foram grandes contra os Knicks, devem ser ainda maiores contra o Washington. O Wizards é um time muito melhor que o New York, joga junto há mais tempo, foi bem no playoff da temporada passada (perdendo na semifinal para o Atlanta Hawks) e, apesar da perda de Paul Pierce, conseguiu se reforçar visando a próxima temporada com os úteis Jarde Dudley, Alan Anderson e Gary Neal. Não bastasse isso tudo, já terá jogado dois amistosos (Sixers e Knicks) e treinado por mais de uma semana – o que faz a diferença.

trio1Outro ponto importante: sei que a estratégia de Bauru é quase sempre espaçar a quadra para procurar os arremessos de fora. Se houver exagero e o percentual for baixo (como contra os Knicks com os 11/43 de longe e apenas 38 bolas dentro de dois pontos), o perigo é grande de levar pontos em contra-ataque. Do outro lado estará John Wall, um dos mais rápidos armadores da NBA, além da dupla de pivôs formada por Nenê e Marcin Gortat – ou seja, haverá gigantes para pegar as sobras um baixinho louco para correr com a bola antes de a defesa se armar. Não é pedir para os bauruenses não chutarem, pois esta é a sua característica maior, mas sim para dosar esta estratégia e usá-la da melhor maneira contra uma franquia muito boa. Perder bolas (21 no Garden) também será loucura e o resultado será ver Wall correndo loucamente para bandejas ou enterradas sem marcação.

bauru1Dos dois testes que Bauru fará nos Estados Unidos este contra o Wizards será certamente o mais difícil. É um estilo de jogo que pode causar danos aos bauruenses, o adversário é fortíssimo e tem, claro, o fator cansaço de uma partida absurdamente física, intensa e de 48 minutos como são as da NBA. O que menos vale, insisto, são as vitórias, mas para o time de Guerrinha fazer um papel tão bonito quanto o de quarta-feira neste domingo será necessário subir o nível em relação a partida contra os Knicks.


Washington x Atlanta e Golden State x Memphis, quem vence hoje na NBA?
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Fábio Balassiano

Em vídeo, uma breve análise sobre os jogos de hoje na NBA (Washington x Atlanta e Golden State x Memphis) e os duelos de ontem na liga americana (Cleveland x Chicago, com show de LeBron James e vitória do Cavs e Houston x Clippers, com boa atuação do barba James Harden e triunfo do Rockets) e também no NBB (vitória de Bauru contra Mogi no último segundo). Ouça aí!


Após insucesso no playoff, a hora da mudança em Toronto
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Fábio Balassiano

TorontoSun1O playoff do Leste da NBA começou com uma provocação conhecida para o Toronto Raptors, franquia que tenta chegar longe amparada muito mais no fanatismo de seus torcedores do que na qualidade do elenco. Era de Paul Pierce, do Wizards, que falou que mais uma vez o Toronto sofreria em suas mãos (eliminado pelo Brooklyn Nets, de Pierce, em 2014). O Toronto Sun, jornal local, respondeu (tal qual fez ano passado – mais na foto à direita), Amir Johnson, muito ingênuo, colocou ainda mais lenha na fogueira ao fazer uma comparação pouco feliz envolvendo o veterano do Washington e o Viagra (mais aqui). Isso foi antes de a bola quicar.

pierce1Quando os jogos começaram, parecia que só tinha um time disposto a avançar às semifinais do Leste. E não era a equipe canadense, não. O Washington Wizards passou o carro por cima do Toronto sem a menor cerimônia, fechou a série por inapeláveis e incontestáveis 4-0 com os 125-94 deste domingo na capital dos EUA e colocou uma série de dúvidas na franquia rival após ganhar todas as partidas por 7+ pontos (diferença média de 14). Foi um duelo em que tudo deu errado para os Raptors (da estratégia da comissão técnica, ao desempenho do All-Star Kyle Lowry a intensidade defensiva) e que, no final das contas, terminou com mais uma zoação de Paul Pierce (foto à esquerda), brincando com o fato de ser o Rei do Canadá em sua página no Facebook.

lowry1Dá pra, sim, citar a queda de rendimento de Kyle Lowry (sua performance despencou depois do All-Star e atingiu o fundo do poço no playoff, com as ridículas médias de 9,3 pontos, 23% de aproveitamento nos arremessos e nenhum controle psicológico para administrar as situações complicadas – para o armador e estrela da equipe…), mas colocar tudo na conta do camisa 7 seria reduzir demais a análise de (insisto) de um time que tinha como principal meta chegar na segunda rodada do Leste justamente porque sabia/sabe de suas limitações e cujo elenco está longe de ser excelente. O começo foi realmente animador, mas ninguém da diretoria (e isso incluir o gerente-geral Masai Ujiri) esperava vôos tão altos assim.

masai1Com a eliminação, porém, algumas coisas deverão mudar (e precisam mudar mesmo). Comenta-se que Dwane Casey, o técnico (na foto ao lado, de boné, conversando com Masai), pode ser trocado, mas eu sinceramente não iria nessa direção. Casey pode não ser ótimo, mas não custa lembrar que ele foi o responsável pela montagem da defesa daquele Dallas Mavericks campeão e tem experiência de sobra na liga. Trazer alguém para começar do zero um trabalho não me parece o mais adequado.

O mais importante, mesmo, para o Toronto é rever um elenco que não passa de mediano (e que só tem algum sucesso porque encontra-se no Leste – e na divisão do Atlântico, uma das mais fracas da NBA). Não é reconstruir tudo do zero, mas sim melhorar algo a partir do que já existe (muito menos traumático). A gente sabe da dificuldade que os Raptors têm em trazer reforços no mercado de agentes-livres porque pouca gente quer sair dos Estados Unidos (isso é um fato), mas algo precisa ser feito. A começar pelo próximo Draft, com uma escolha ali pelo meio da primeira rodada que pode render algum bom reforço.

duplaEm segundo lugar (ao menos pra gente aqui), é preciso saber o que fazer com Bruno Caboclo e Lucas Bebê. Eles eram apostas para o futuro quando chegaram lá em 2014, a gente sabe disso, mas ficaram no banco esta temporada inteira e, espera-se, que tenham um mínimo de tempo de quadra em 2015/2016. A dúvida, principalmente pra Caboclo, é: Terrence Ross e James Johnson, que tiveram finais de campeonato terríveis, perderão espaço para a entrada do ala brasileiro logo de cara? Os resultados, no curto prazo, talvez não sejam os melhores devido a falta de experiência de Bruno, mas se a franquia o escolheu no Draft é por acreditar no seu potencial no futuro.

rozan1Depois, é preciso encontrar alguma fórmula de ir ao mercado e rechear o elenco com bons jogadores de composição de elenco (úteis). Não será fácil, mas é fundamental que isso aconteça para que o objetivo de avançar no playoff seja possível (algo que não acontece há 15 anos). Lowry e DeMar DeRozan (foto à esquerda) são muito bons (podem não ser estrelas de primeira grandeza, mas são bons, sim!). Ladry Fields (decepção absoluta), Amir Johnson e Chuck Hayes finalizam seus acordos agora, e o Toronto tem muita grana para investir no mercado. São apenas nove jogadores sob contrato, com um total de baixos US$ 49 milhões (bem abaixo dos US$ 67 milhões projetados para o próximo campeonato). Renovar com Louis Williams, eleito o melhor sexto homem da temporada, também precisa ser pensado. Grana e espaço na folha há bons investimentos, portanto.

milos1Por fim, uma solução à moda San Antonio Spurs pode ser extremamente proveitosa. Ir à Europa e pescar duas ou três boas peças de composição de elenco no velho mundo pode ser muito vantajoso – e já deu muito certo inclusive no Toronto quando houve a contratação de Jorge Garbajosa e José Calderón.

Quem está acompanhando as fases finais da Euroliga nota que valores jovens, com potencial atlético, ótima técnica e visão de jogo diferenciada há aos montes por lá. Milos Teodosic, armador sérvio na foto à direita, é doido para jogar na NBA, por exemplo.

masaiSão muitos os deveres de casa que Masai Ujiri terá a partir de hoje. Serão dias intensos, com alguma pressão devido aos dois insucessos em pós-temporadas, mas é importante notar que há uma base formada com bons jogadores (Lowry e DeRozan principalmente). É preciso melhorar, dar o próximo passo, mas não é um cenário de terra arrasada, não. Achar que está “tudo um lixo”, como andei lendo nos fóruns do Canadá, é um erro que decididamente não pode ser cometido para quem vem fazendo um trabalho tão bonito com a franquia que conta com uma das mais apaixonadas torcidas da NBA.

Concorda comigo? O que você faria no Toronto para a próxima temporada? Manteria o técnico? Comente aí!


No ritmo de John Wall, Wizards prometem brigar pelo título do Leste
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Fábio Balassiano

wallConfesso a vocês que sempre tive muita dificuldade ao ver John Wall em quadra. Sua velocidade assustadora contrasta com um terrível aproveitamento de três pontos em sua carreira de cinco anos na NBA (30,8%) e uma marra nem sempre condizente com suas performances individuais (não é a toa que sempre quando o jogo aperta os adversários “pagam” para seus chutes de fora e via de regra se dão bem com isso). Mas o que o camisa 2 tem feito pelo Washington Wizards nesta temporada é realmente impressionante e não deixa muita dúvida.

wall2Aos 24 anos e rápido como nunca, Wall tem 17,1 pontos e 10 assistências de média (primeira vez na carreira que ele tem dígitos-duplos em passes) para guiar o bom time do Washington a 28-13 (vice-líder da conferência) exatamente na metade da temporada. São seis vitórias nos últimos oito jogos, o duelo contra o Philadelphia hoje na capital (17h de Brasília) e a óbvia constatação que os Wizards, que venceram o Bulls na primeira rodada do playoff passado, irão brigar muito fortes pelo título do Leste no mata-mata deste ano.

wall3A força do Washington não vem só de Wall, obviamente. O quinteto titular formado por ele, Bradley Beal (14,9 pontos), Paul Pierce (12,6), Nenê (10,6) e Marcin Gortat (12,1) é um dos mais fortes da NBA e consegue dominar os adversários com força no garrafão e também com arremessos de média e longa distância. É uma mescla que normalmente dá certo e neste time de Randy Wittman, com o amadurecimento de Wall e a chegada do experiente Pierce, a sensação que dá é que a combinação realmente se ajustou muito rápido.

wall4O time ainda pode defender melhor (principalmente no perímetro), o banco ainda pode produzir mais, mas na toada de John Wall os Wizards têm tudo para brigar pelo título do Leste (algo que eles não conseguem desde 1979). O ligeirinho continua marrento, mas dessa vez seu basquete enche os olhos, compensa quase tudo.

Torçamos para que ele e os Wizards mantenham o rendimento nos playoffs, porque até agora está belíssimo de ver a equipe.


Vale a pena continuar ‘odiando’ Nenê?
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Fábio Balassiano

Nene1O Washington Wizards começa a disputar hoje (20h, de Brasília) a semifinal da Conferência Leste contra o Indiana Pacers. Não possui o mando de quadra, mas está com muita confiança e tem uma arma fortíssima para chegar à decisão do Leste: Nenê. E é sobre o brasileiro que quero falar por aqui.

Por conta de tudo que envolve seleção brasileira, e seus ídolos do passado, quase toda a análise que se faz de um atleta brasileiro que joga/jogou na NBA enviesa para um lado patriótico terrível, alienante até. É algo tão tosco, tão chucro, que eu me choco, embora não me surpreenda. Infelizmente é uma linha (por vezes editorial até) que convencionou-se fazer por aqui e que é difícil de sair. Mas será que (outro termo convencionado) “os NBA” são os culpados de tudo de ruim que há no basquete brasileiro?

Na semana que o Washington esteve no Brasil, e Nenê levou aquela vaia monstruosa na HSBC Arena no final dela (relembre aqui e aqui o que escrevi a respeito), me impressionou demais a forma como os jogadores, técnicos e profissionais do Wizards trataram o brasileiro nos treinos na Gávea (estive lá três, quatro dias e pude ver tudo com muita calma). Era uma mistura de reverência, respeito e admiração que era muito bacana de ver. Os atletas, quase todos jovens, tinham em Nenê um exemplo de liderança, um exemplo de alguém que há uma década joga na melhor liga de basquete do planeta. Seus técnicos sabiam que o sucesso da turma da capital passava pela experiência dele. E os profissionais da franquia estavam bobos de ver as origens de alguém tão importante (para eles) assim.

nene2Aí veio a temporada e Nenê nunca jogou tão bem. Quando machucou o joelho o Washington viveu um colapso até descobrir que ele voltaria nos playoffs. Na pós-temporada, média de 17 pontos e DOMINAÇÃO completa em Joakim Noah. O melhor termo é este mesmo: Nenê foi DOMINANTE ofensiva, defensiva e psicologicamente em cima do melhor defensor da temporada. Se isso não é coisa pra cacete, eu sinceramente não sei o que é.

Há questões táticas fundamentais, como o fato de o Washington chamar jogadas para ele como NUNCA houve na seleção brasileira para seu melhor jogador há uma década (chega a ser inacreditável dizer isso, mas o melhor atleta do país nunca teve a valorização que merece nem nas estratégias de jogo da seleção, o que é bizarro), mas eu fico me perguntando: será que é normal ver o país inteiro ODIANDO (porque o termo é este mesmo) Nenê do jeito que é feito por aqui, enquanto que lá ele é idolatrado, reverenciado, amado, acarinhado o tempo inteiro? É óbvio que os motivos (de “ódio” e idolatria) são distintos, mas vale a reflexão do mesmo jeito.

nene1Nenê tem falhas, Nenê tem erros, Nenê (sempre insisto nisso) deve/deveria se comunicar melhor com seus fãs/torcedores aqui do Brasil (como foi quando ele deixou de jogar na seleção devido à gestão Grego embora ninguém soubesse do motivo exatamente). E se digo isso não é para que ele seja reverenciado como o grande jogador que é, mas sim para evitar que as interpretações dos fãs/torcedores fiquem baseadas apenas em informações/Notas Oficiais de uma Confederação Brasileira de Basketball que é uma vergonha (uma vergonha, não há outro termo!) e de um técnico que faz questão de convocar atletas que estão sabidamente lesionados (como foi no ano passado com Anderson Varejão e Leandrinho) para depois de um insucesso ainda por cima criticá-los, expondo-os ao ridículo, à pressão popular, invertendo o foco.

O que espanta é Nenê ser tratado como demônio, como um capeta em terras brasileiras. Não há um fórum de discussão de basquete que não termine com xingamentos pouco ortodoxos a um jogador que (só lembrando) já passou por um grave câncer e uma lesão seríssima no joelho. Por que precisamos odiar tanto a alguém a invés de tentar entendê-lo de uma forma mais ampla? Talvez a forma como os atletas são tratados no Brasil (sempre jogados às feras, sempre jogados no olho do furacão sem a menor cerimônia pelos dirigentes/técnicos) explique muita coisa, mas não tudo.

nene1O mundo ideal seria que a CBB desse carinho a Nenê neste tempo todo em que ele tem brilhado nos Estados Unidos. Mas isso deveria ter sido feito desde o começo do século, quando ele foi pra NBA e brilha como nenhum outro brasileiro brilhou. Como isso não aconteceu, era hora do medicamento, dos remédios nos últimos anos.

No mundo real, porém não menos idealizado tendo em vista a entidade máxima que conhecemos, a Confederação deveria TRABALHAR TODOS OS DIAS para tentar reaproximar o público do melhor jogador brasileiro dos últimos 10 anos. Como não o faz, é difícil crer que o quadro de ódio declarado que há por parte da torcida em relação ao cara vá mudar, o que é uma lástima.

Só um alerta desde já: a convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo da Espanha vai sair em breve, e o nome de Nenê certamente estará nela. Há, já anunciado, um amistoso contra a Argentina no Maracanazinho no mês de julho. Vocês já conseguem imaginar como será o clima da torcida para com ele se nada for feito para melhorar a relação, certo?

Um pouco mais de cabeça no lugar, um pouco mais de olhar todos os pontos fariam com que analisássemos a situação inteira com a complexidade que ela merece. Nenê (insisto) poderia se comunicar muito melhor com todos por aqui para expressar o que pensa sobre seleção, CBB, tudo. Mas o basquete brasileiro jogar no lixo, como tem feito há uma década, o seu ativo mais importante fala muito sobre como pensa e age a modalidade (como um todo) por aqui. A seleção e o basquete brasileiros podem mesmo descartar Nenê como se ele fosse um jogador comum? Não valeria a pena uma conversa franca, aberta, envolvendo presidente, técnico, dirigentes, atleta e seus representantes? E conversa não é pegar um avião, ver um jogo em Washington, jantar, tirar uma foto, colocar um #hashtag e achar que está tudo resolvido.

nene1Será que estamos certos em SÓ (porque o tratamento ruim é exclusivo há 10 anos) tratarmos mal a alguém tão importante? Nego-me a crer que a resposta seja positiva. Concorda comigo? Comente!


A expulsão de Nenê e o Chicago renascido – vídeo!
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Fábio Balassiano

Peça fundamental no Washington Wizards, Nenê recebeu passe longo no começo do último período, fez uma bandeja, reduziu a diferença do Chicago para dois pontos e sem querer se enrolou nos pés de Jimmy Butler. Aí, veja o vídeo…

 

nene1Bem, é isso aí mesmo que vocês viram. Nenê se irritou com algo que Butler disse, puxou a cabeça do adversário e foi expulso. Sim, só o pivô do Washington foi expulso com duas técnicas seguidas, com o ala do Chicago recebendo apenas uma falta técnica e permanecendo no jogo.

Vi o lance algumas vezes, e sinceramente achei um exagero absoluto a expulsão de Nenê. Não houve agressão, não houve nada de mais grave, mas sem o brasileiro em quadra acabou que no final das contas o Chicago Bulls venceu o Washington por 100-97, com oito bolas de três (recorde da franquia em playoff) e 35 pontos de Mike Dunleavy, reduziu a diferença na série para 2-1 e renasceu nos playoffs da NBA.

Um detalhe: o jogo estava 91-91 nos segundos finais quando Butler, que acabou ficando em quadra, matou uma bola de três decisiva. No ataque seguinte, Trevor Ariza acabou errando um arremesso de fora que empataria a peleja e o Chicago acabou levando o jogo 3.

A dúvida, agora, é saber se a NBA será rigorosa com o brasileiro, suspendendo-o para o crucial jogo 4 de domingo. Se o fizer, os Bulls têm grandíssimas chances de voltar para Chicago com 2-2 e o mando de quadra intacto.

Achou justa a expulsão de Nenê? Ou houve muito rigor por parte da arbitragem? Comente!


Encurralado, Chicago precisa vencer Wizards hoje
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Fábio Balassiano

nene1A partir das 21h (de Brasília) desta sexta-feira a capital dos Estados Unidos receberá um jogo de playoff pela primeira vez desde aquele 2 de maio de 2008, quando os Wizards perdiam por 3-2 do Cleveland, de LeBron James, perderam em casa por 105-88 e foram eliminados do playoff. Faz tanto tempo que Wally Szczerbiak ainda jogava (e matava bola, como comprovam seus 26 pontos).

Com o Verizon Center entupido apesar da baixa média de público na temporada (foi apenas a 18ª com 17 mil pessoas e 84% de ocupação nos 41 jogos da temporada regular), o Wizards abre seu ginásio com um sonoro 2-0 para receber o Chicago e tentar encaminhar a sua classificação para a semifinal de conferência pela primeira vez desde 2005 quando, coincidentemente, o Washington virou contra o mesmo Chicago e fez 4-2.

O cenário, para os Wizards, é bem melhor neste 2014, evidentemente. O time foi a Illinois, “roubou” as duas vitórias do Chicago com grandes atuações de Nenê (voltarei a falar dele no começo da próxima semana, ok, podem me cobrar) e deixou o forte rival encurralado. A defesa fluiu muito bem, de fato, principalmente com o time inibindo os chutes de fora (10/37 pro Bulls de longe, aproveitamento ridículo de 27%) e principalmente Nenê anulando os passes de Joakim Noah (escrevi disso aqui esta semana) devido a seu potencial físico imenso e sua agilidade incrível, mas a principal qualidade do Washington nos dois primeiros duelos, e quanto a isso os Bulls ainda não tiveram antídoto, foi fazer o ataque “andar” mesmo diante de uma marcação reconhecidamente sufocante.

noah1O Chicago, que permitia apenas 92 pontos na fase regular, viu a média crescer nos dois primeiros jogos do playoff (quando normalmente o aro “diminui” e o ritmo também). O Wizards anotou 102 e 101 pontos (no segundo jogo com prorrogação, é verdade), e conseguiu fazer o jogo de passes que aconteceu tão bem no campeonato se repetir no playoff (o que é sempre mais complexo). Foram 21 e 23 assistências, no coeficiente de 0,59 assistência por arremesso convertido, mesmíssimo índice alcançado na temporada regular.

O Chicago, sétimo melhor em evitar os passes dos adversários com 0,55 passe/chute feito, ainda não teve “resposta” para os passes dos rivais – e eu acho muito incrível se isso continuar a acontecer, porque Tom Thibodeau normalmente faz ajustes muito bons durante as séries de playoff.

É o cenário que temos pra hoje. Encurralado, o Chicago não pode nem pensar em perder se quiser seguir vivo no playoff (lembrando que NUNCA um time perdendo de 3-0 conseguiu virar um confronto). O Washington sabe que pode colocar o rival a beira do precipício caso continue a ataque com fluidez e defender muito bem com Ariza e Nenê.

O que será que acontece logo mais? Comente!


O tamanho do buraco em que o Chicago se meteu
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Fábio Balassiano

wizards1A foto ao lado diz tudo, né. John Wall vibrando com Bradley Beal, Kirk Hinrich cabisbaixo e Tom Thibodeau (ao fundo, de terno) caminhando de cabeça mais baixa ainda em direção ao banco de reservas. Sim, é isso mesmo que você está pensando.

O Washington Wizards esteve em Chicago ontem e bateu DE NOVO os Bulls por 101-99 na prorrogação com outra brilhante atuação de Nenê (17 pontos, sendo seis dos 10 do seu time no tempo-extra, 7 rebotes e 3 assistências), abrindo 2-0 na série mesmo tendo jogado as duas partidas longe do lar. O time chegou a estar vencendo por 17, viu a diferença reduzir, levou um baile nos rebotes ofensivos (os Bulls pegaram 17…), mas manteve a cabeça no lugar e conseguiu sair com a vitória.

Outro grande mérito do brasileiro, e isso as estatísticas talvez não digam mas talvez ajude a desvendar o que está acontecendo em quadra: como é muito rápido e tem braços longos, Nenê consegue impedir o jogo de passes de Joakim Noah, pivô e principal arma do Chicago para começar as ações ofensivas. Em 2014, desde que o Chicago mandou Luol Deng pra longe, Noah distribuiu mais de seis passes/jogo, tornando-se tão importante quanto os armadores no início das tramas ofensivas.

Contra o Wizards, Noah tem 7 ao todo (3,5 nos dois primeiros jogos da série). Nenê cola no francês, impede não só seu jogo de passes, mas tem conseguido se “enfiar” dentro dos corta-luzes do Bulls, travando os picks que por vezes começam as jogadas da turma de Illinois e evitando bandejas. Ontem mesmo ele foi “pegar” o armador do pick algumas vezes, impedindo investidas para a cesta ou desequilíbrios defensivos maiores.

chiAgora os Wizards voltam para a capital com 2-0 na bagagem, terão dois jogos na capital dos Estados Unidos e podem, sim, varrer os Bulls nesta primeira rodada do playoff (algo que pouquíssima gente esperava). O buraco do Chicago está na foto ao lado. Apenas três times conseguiram, em uma série de melhor de 7, vencer o duelo depois de perderem os dois primeiros jogos em casa. Se serve de incentivo ao Chicago, o Lakers chegou à final. O Rockets foi campeão. E o Dallas morreu logo na semifinal de conferência.

Será que os Bulls arrumam forças para virar esta série?