Bala na Cesta

Arquivo : Vasco

Em Manaus, Flamengo e Vasco se enfrentam em sexto ginásio diferente na temporada
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Fábio Balassiano

Acontece hoje a partir das 14h o primeiro jogo da história do NBB na Região Norte. E não será um jogo qualquer. Com mais de cinco mil ingressos vendidos (já é o maior número do campeonato até agora), Flamengo e Vasco se enfrentam na Arena Amadeu Teixeira em Manaus em partida válida pelo returno da principal competição do basquete brasileiro (Band e Sportv exibem). O mais interessante de tudo é: os dois grandes rivais do Rio de Janeiro estarão medindo forças no sexto ginásio diferente nesta temporada. Este será o sétimo embate entre eles.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Na primeira vez que se encontraram, Flamengo e Vasco duelaram no Torneio de Fortaleza, ainda na pré-temporada. Depois houve jogos do Estadual do Rio de Janeiro em Tijuca (duas vezes), Gávea, São Januário, Arena Rio (antiga HSBC Arena) e agora em Manaus. Com disponibilidade reduzida de casa na ex-capital olímpica, os dois times têm se acostumado a mudar de casa.

Em quadra veremos mais um duelo interessante de estilos envolvendo dois técnicos muito bons. O Flamengo lidera o NBB com 16-6 e quer deixar Mogi, Brasília e Bauru bem longe da primeira posição. Os três fortes rivais perseguem o rubro-negro, que vem de derrota por 103-96 para o Paulistano.

Do outro lado está o Vasco, que tem 12-11 e busca uma regularidade maior na competição. Os cruzmaltinos venceram no primeiro turno por 78-77 e querem manter o bom retrospecto contra o rival nesta temporada (quatro vitórias e duas derrotas até agora).

Promessa de bom jogo logo mais em Manaus. Vale a pena ficar ligado.


Podcast BNC: Furacão no Bulls, rumores sobre Carmelo e o Vasco x Flamengo
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Fábio Balassiano

SuperIngressos

melo3No programa desta semana falamos sobre a grande crise que envolve o Chicago Bulls, os rumores envolvendo Carmelo Anthony e sua provável saída do New York Knicks, os reservas do All-Star Game e, claro, o clássico envolvendo Vasco x Flamengo que enfim aconteceu pelo NBB.

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Com vitória diante do Flamengo, Vasco consolida bom momento sob comando do técnico Dedé
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Fábio Balassiano

nezo1Aconteceu no sábado o primeiro Vasco x Flamengo da história do NBB. Sem torcida, uma tristeza absoluta, mas na quadra vimos uma vitória vascaína por 78-77 em um duelo que, se não foi brilhante em termos técnicos, foi emocionante pra caramba. O experiente Nezinho terminou com 22 pontos e foi o cestinha do time vencedor. Melhor que do o triunfo contra o maior rival, vale notar o crescimento do time cruzmaltino na temporada 2016/2017 do NBB, a primeira do clube, desde que o técnico Dedé estreou.

Contratado na virada do ano e quando o Vasco tinha a campanha de 4-5, Dedé chegou ao Vasco sob desconfiança depois de um incidente grave em Rio Claro. Sua missão era mostrar que estava mais, digamos, calmo e mudar absurdamente a postura defensiva do time e organizar melhor o ataque (quase sempre pouco espaçado e baseando suas finalizações em jogadas de um-contra-um, a de pior conversão no basquete atual). No final do primeiro mês de seu trabalho já dá pra dizer: ele está conseguindo isso tudo e muito mais. Sob seu comando os vascaínos têm 5-2, saltaram para 9-7 na competição, já estão entre os oito melhores da fase regular e olham bem pra cima vislumbrando até um lugar no G-4 que garante uma rodada de folga nos playoffs. A questão é: como o cruzmaltino evoluiu tanto em pouco tempo?

dede21Em que pese a surpreendente derrota para o Minas em casa na última semana, desde que Dedé, técnico com ótima bagagem tática, chegou ao Vasco o time ainda não levou 90 pontos. É o estilo de trabalho dele desde sempre: defesa sufocante, rodízio forte de jogadores para aumentar a intensidade em quadra e um ataque menos acelerado (menos desperdícios de bola, menos chance de contra-ataque para o adversário). Outro ponto importante é que os vascaínos têm marcado muitíssimo bem o perímetro. Na semana passada em vitória contra o (agora) líder Brasília por 85-76, a equipe da capital federal acertou apenas 3 bolas em 17 tentativas de fora. No sábado contra o Flamengo, os rubro-negros acertaram 8/26.

dede1No ataque a melhora coletiva atende individualmente pelo nome de Nezinho. Até então tímido, o armador cresceu demais na competição desde que voltou a trabalhar com Dedé (foi seu técnico em Limeira). Sua média antes do novo treinador chegar era de menos de 10 pontos por jogo. Desde que o novo comandante assumiu, 15,7 pontos e 5 assistências por jogo. A melhora é evidente e sua atuação decisiva no sábado foi a certeza de que o camisa 23 está de novo nos trilhos.

murilo1Outro que está bem é Murilo. O ala-pivô teve 14 pontos e 8 rebotes contra o Flamengo, foi fundamental no ataque e bem no duelo contra Olivinha. Desde que Dedé assumiu ele tem 5 (de 7) partidas com 10+ pontos e 4+ rebotes.

Perto do G4, o Vasco agora quer se consolidar entre os grandes times do campeonato. Para isso, terá que vencer no próximo sábado o ótimo time de Mogi fora de casa (14h na Bandeirantes). Caso triunfe, ganhará ainda mais confiança para o restante do returno e solidificará o excelente começo do técnico Dedé na equipe. É bom ficar de olho nos vascaínos.


‘Vigiado’, Dedé estreia hoje como técnico do Vasco no NBB
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Fábio Balassiano

dede3Recomeça hoje o NBB. E com direito a estreia. Às 19h30 (Sportv transmite) o Paulistano recebe o Vasco da Gama, que verá a primeira partida de Dedé como treinador principal da equipe. Ele entrou no lugar de Christiano Pereira, que venceu a Liga Ouro com a equipe recentemente e que segue no cruzmaltino como assistente. A decisão foi tomada pela diretoria vascaína no final de 2016, dando ao novo comandante o final do ano (agora passado) para conhecer e treinar um pouco os seus novos atletas.

dede1Antes de falar sobre o aspecto comportamental do novo treinador, vale dizer que considero a mexida feita pelo Vasco muito salutar. Christiano fez um trabalho bem bom para colocar o clube na elite do basquete do país, mas não estava conseguindo levar um grupo mais qualificado aos primeiros lugares do campeonato e nem dar padrão a equipe. O ataque era muito previsível, a defesa “pegava” pouco e a campanha de 4 vitórias em 9 jogos fala por si. Dedé, por sua vez, traz uma visão mais arejada do esporte, conceitos bem modernos e uma bagagem de estudo que me parece mais condizente com o que a turma de São Januário busca para os próximos momentos. Na foto ao lado ele está simplesmente com dois dos melhores técnicos do mundo (Ettore Messina e Zeljko Obradovic) e foi tirada quando o brasileiro participou de uma clínica recentemente na Europa. Melhor técnico do NBB por Limeira duas temporadas atrás (elogiei ele aqui em 2015) e um dos mais promissores desta geração, ele tem boas ferramentas técnicas e táticas para elevar a campanha da equipe carioca.

dede2O problema de Dedé, e por isso eu usei o termo “vigiado” no título do texto, é o seu temperamento (desde os tempos de atleta, diga-se de passagem). Todos (Liga, jogadores, imprensa, torcida vascaína e torcida rival, árbitros etc.) ficarão de olho no cara. E todos são todos mesmo (e a todo momento). Para quem não lembra de sua última situação polêmica, em outubro de 2016 após a derrota do seu Rio Claro contra Franca ele simplesmente agrediu um torcedor com um soco e jogou uma cadeira em direção a uma mulher no Pedrocão (mais aqui). Isso tudo tem três meses. No dia seguinte ele enviou uma carta ao blog (aqui), nada lhe aconteceu, porque aqui no Brasil quase nada ocorre mesmo em termos de punições pesadas, e sua vida seguiu. Dias depois Rio Claro informou que não jogaria o NBB devido a problemas financeiros, Dedé ficou um pouco de molho e agora retorna ao Vasco.

dede4Me parece claro que, se por um lado a sua bagagem tática é bem boa, a sua parte psicológica (de controle emocional) inspira cuidados – dele para ele mesmo. O ser humano é por natureza imperfeito, eu sei disso, mas para um técnico, um educador, uma figura que deve ser inspiradora e exemplar, não pega bem os excessos, certo? Quem garante que Dedé não terá outros acessos “fora da casinha” como o que aconteceu em Franca? Essa é a grande pergunta que fica neste momento em que ele começa a escrever a sua história com um Vasco que lhe acena com um contrato de um ano e meio (até o final do próximo NBB) e que lhe abre as portas para uma oportunidade de ouro após um momento turbulento.

dede6Sinceramente falando, torço para que ele coloque definitivamente a cabeça no lugar e que seja, como sempre foi, um baita treinador para o basquete vascaíno. Que os erros e os arrependimentos de outrora fiquem realmente no passado, não havendo nenhum caso triste para falarmos de Dedé a partir de 2017.

A sua história com o Vasco e a sua grande chance como técnico profissional começam nesta terça-feira contra o Paulistano em São Paulo. Sorte pra ele. Sorte e todo juízo do mundo pra ele.


Falha na gestão e pouca visão de negócios – o adiamento de Vasco x Flamengo pelo NBB
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Fábio Balassiano

basquete10E lá vamos nós de novo para um tema chatíssimo. Não é quadra, não é cesta, não é vitória no último segundo. É fora de quadra, é falha na gestão, é amadorismo, é ausência de visão de negócios no esporte. É o adiamento do Vasco x Flamengo, marcado previamente para este domingo (18/12) e válido pelo turno do NBB.

Antes da análise, vale explicar o que aconteceu (com histórico completo). Desde que o Vasco subiu à divisão de elite do basquete (NBB) há uma preocupação imensa, e justificável, em relação aos duelos contra o Flamengo em uma das maiores rivalidades do país. E aí o que aconteceu? Deu ruim. A saber:

basquete200a) No primeiro jogo oficial entre eles, válido pelo turno do Carioca, com mando do Flamengo no Tijuca e torcida única, confusão (mais aqui).
b) No returno, mando do Vasco e também torcida única no mesmo local, tudo certinho.
c) Fla foi suspenso por dois jogos. Primeiro jogo da decisão na Gávea: sem torcida, mas com confusão entre atletas e técnicos no final.
d) Segunda partida seria no Tijuca. Foi em São Januário sem torcida (não havia segurança, de acordo com a polícia).
basquete2e) O rubro-negro conseguiu efeito suspensivo, sua torcida pôde comparecer ao Tijuca, mas o Vasco informou que não se sentia seguro para jogar o terceiro duelo. O que rolou? O famoso W.O., e o Flamengo foi campeão. Escrevi no Facebook sobre isso na semana passada e levei algumas cacetadas inclusive.
f) No sexto duelo entre as equipes em menos de três meses, confronto adiado. A Liga Nacional emitiu inclusive Nota Oficial forte a respeito do tema.

Ou seja: no saldo até o momento tivemos dois duelos com torcida única, dois sem torcida, um W.O. e um adiamento. Ao invés de rendas grandes para os clubes, festa do esporte, ídolos sendo formados, crianças felizes, torcedores apaixonados de volta ao ginásio, o que vemos? TUDO ao contrário. Que maravilha, não? Não.

Agora vamos lá a alguns pontos interessantes:

lnb11) Há quanto tempo Liga Nacional, Vasco e Flamengo sabiam deste jogo? No mínimo três meses, certo? Será que não havia como se planejar melhor, não? Será que os envolvidos não percebem os prejuízos diretos e indiretos que causam com isso? Noves fora a não realização do jogo, será que não enxergam que alucinações como esta evitam a venda de carnês para toda a temporada, impedem que torcedores (e também a imprensa) se programem com antecedência para acompanhar as partidas e afastam cada vez mais os amantes do esporte? A falta de visão de negócios me espanta de uma maneira que vocês não têm ideia. Quantos milhões poderiam ter sido arrecadados neste duelo com renda, venda de produtos, patrocínios pontuais (os dois times estão sem patrocinadores máster na camisa…) e muito mais? Ah, e vem cá: o jogo é adiado e fica por isso mesmo? Ninguém é punido, fica tudo na tranquilidade? Admiro demais o trabalho da Liga Nacional, mas ela tem, sim, muita culpa neste cartório. O tom minimalista e reducionista que ela adota quando este tipo de mico acontece deveria dar lugar a posturas mais arrojadas para evitar que problemas assim se repitam.

basqueteacbf11.1) Ademais: até quando clubes rivais vão se tratar como inimigos, como crianças de cinco anos que não podem dividir o mesmo teto? Vão ficar até quando dizendo “a culpa é dele, eu não fiz nada”? Qual é a dificuldade destes cidadãos em se sentar para dialogar, trocar ideia e organizar as duas partidas da fase regular do NBB que já estão na mesa? Pelo visto há muita (dificuldade), né. Para quem trabalha no mundo corporativo, juro que gostaria de ver como estes caras lidariam com o fato de TER QUE resolver as questões em um prazo pequeno e nem sempre com as melhores peças do tabuleiro. No basquete é o contrário: destroem o tabuleiro e jogam as peças pela janela com o objetivo único do “quanto pior, melhor”. No mercado empresarial, onde a alta performance vale mais do que qualquer coisa, garanto a vocês que no mínimo 90% dos dirigentes brasileiros seriam DEFENESTRADOS de grandes empresas bem rapidinho. Como um chefe costumava dizer: pra gerar dinheiro, ou você rende rápido ou você roda rápido (rodar no sentido de ser mandado embora). A falta de pressão (por métodos mais modernos) acomoda essa galera, que pensa poder fazer esporte como se fazia na década de 60, 70 – só no gogó e batendo na mesa.

basquete12) Ponto fundamental nessa história: não é que o Rio de Janeiro não tenha ginásio de alto nível para um jogo complexo como este. Sim, o RJ tem. São 3 (os do Parque Olímpico, o Maracanazinho e a HSBC Arena). Ao contrário do que alguns alegam, não há total indisponibilidade, não. A HSBC Arena custa R$ 150 mil (aqui). É caro? Sim, é caro. Mas ou investe-se no esporte e se pensa nele como negócio ou sempre se olhará valores como custo, despesa, e não como potencial de receita. Esta diferença de pensamento também define quem é amador e de quem enxerga o esporte profissionalmente. Os dirigentes brasileiros ainda estão na primeira parte. Os dirigentes brasileiros, via de regra, ainda estão na pré-história da administração esportiva em TODOS os aspectos (marketing, finanças, nível intelectual, parte técnica etc.).

basqueteab2.1) Sobre o ponto acima, sei que hoje prefeitura, governo estadual e federal estão preocupados com coisas maiores, mas não é possível que uma cidade olímpica não consiga disponibilizar as estruturas para a população. Vão ficar fechados até quando Maracanazinho, Parque Olímpico e HSBC Arena? Será que o Ministério do Esporte não poderia dar uma ajudinha nessa questão?

2.2) E a parte de segurança, o que dizer? Quem se responsabiliza em liberar o jogo? O GEPE, a PM, a Força Nacional? Ou ninguém? Se ninguém, quer dizer então que não conseguimos realizar um evento com 15, 20 mil pessoas de torcidas diferentes? Há um outro lado nisso tudo também que precisa ser dito: será que cidadãos não conseguem conviver em paz, como se fossem da mesma espécie? Pelo visto a resposta é não, o que dificulta tudo. Torcidas organizadas (TODAS!) são o calcanhar de aquiles do esporte brasileiro há séculos. Ou acabam com elas, ou elas acabam com o esporte. Simples assim.

basquete3) A Liga Nacional de Basquete colocou este Vasco x Flamengo em 18/12 de forma estratégica em seu calendário. Seria o primeiro domingo sem futebol após o final do Brasileirão. O clássico movimentaria as torcidas, a imprensa e as televisões. O duelo seria transmitido para todo Brasil por Band e Sportv. E agora? A partida foi adiada. O potencial de “arrastão” de trazer novos torcedores se perdeu. E os dois canais não exibirão basquete no próximo domingo. Sabe o tal planejamento? Foi jogado no ralo.

basquete1004) Pensando nos próximos passos, como ficaremos? A LNB promete divulgar dias, locais e horários dos dois duelos válidos pela fase de classificação entre Vasco e Flamengo, algo que duvido, mas fico pensando: a) onde serão as partidas?; b) Com torcida única?; c) Que torcedores malucos se arriscarão a sair de casa neste clima de absoluta guerra entre os dois clubes?; e d) Será que a saída é jogar fora do Estado do Rio de Janeiro?

Até quando, gente? Como sempre eu termino com aquela frase já conhecida: o fundo do poço do basquete é sempre mais fundo do que a gente imagina, né? Domingo, 18 de dezembro, era para ser um dia feliz. Será, na verdade, outro dia triste. Triste porque não teremos um clássico deste tamanho em TV aberta e fechada para todo Brasil pelo simples fato de que os dois clubes e também a Liga Nacional de Basquete não conseguem dialogar e chegar a uma solução razoável.

É bizarro isso tudo ou não é? Comente!


Feliz no Vasco, Nezinho projeta NBB após primeira vitória do time em casa
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Fábio Balassiano

nezinho1Na tarde deste sábado estive em São Januário para ver Vasco x Mogi, jogo válido pelo NBB. Após duas derrotas consecutivas (Brasília e Campo Mourão), o time cruzmaltino jogou muito bem, dominou do início ao fim e bateu os mogianos por 94-70 (primeiro triunfo da equipe no Rio de Janeiro no campeonato), ganhando a sua segunda partida em quatro encontros. No final conversei com Nezinho, armador de 35 anos, um dos principais reforços do elenco para a temporada e autor de 22 pontos e 7 assistências de uma ótima atuação.

nezinho23BALA NA CESTA: Queria que você falasse do jogo, da importância da vitória. Hoje o Vasco se soltou, né?
NEZINHO: É, cara, a gente começou o NBB muito mal. Mesmo lá em Minas, onde vencemos na prorrogação, não fizemos uma partida legal. Depois em Brasília, acho que nunca havia perdido daquela maneira. E na quinta-feira contra Campo Mourão nós tivemos uma postura defensiva boa, mas corremos totalmente errada. No treino de sexta-feira o técnico Christiano ajustou tudo e hoje (sábado), sim, fizemos uma grande partida. Mogi fez 34 pontos no primeiro tempo, 36 no segundo e acho que é daí pra cima. A equipe ainda tem muito a melhorar.

nezinho13BNC: Como está sendo a sua chegada ao Rio de Janeiro? Sua adaptação, a família, essas coisas…
NEZINHO: Estou adorando a cidade. Antes vinha pra cá, jogava e ia embora. Agora minha mulher está amando tudo e falou: “Daqui a gente não sai nunca mais”. Espero que fique aqui muito tempo. Eu moro ali na Lagoa Rodrigo de Freitas (Zona Sul do Rio de Janeiro), em frente às quadras de basquete, minhas filhas vão sempre pra lá brincar. Estou conhecendo o Rio de Janeiro agora e estou curtindo muito. Tinha outra imagem, mas agora vivendo você aprende a gostar e a amar essa cidade. Se minha família está feliz eu estou feliz.

nezinho80BNC: Você nunca tinha jogado em um time, digamos, de camisa, né? Diferente mesmo ou balela?
NEZINHO: Não, não. É bastante diferente. Você joga no interior de São Paulo, você conhece todo mundo, mas é o time da cidade. Aqui, não. A pessoa escolhe o time que ela quer torcer e segue isso. O Vasco é muito grande, e aqui do lado tem o Flamengo. Então a rivalidade cresce, a pressão existe. Eu sempre via as finais de Vasco x Flamengo, e eu disse isso ao nosso diretor Fernando Lima, com Maracanazinho lotado, e agora espero poder jogar lá com os torcedores vendo a partida. Estou muito feliz e poder realizar esse sonho, quem sabe no jogo 3 da final do Estadual, para o grande público.

nezinho78BNC: Você jogou aqui no Rio de Janeiro para um grande público. No Maracanazinho, pelo Ribeirão Preto, né? Você lembra, claro…
NEZINHO: Lembro, claro! Tinha 18, 19 anos. Era muito novo, jogamos contra o Vasco mas infelizmente pra mim não vencemos. Era jovem, não entendia bem o que representava aquilo tudo, aquelas emoções. Agora podendo estar aqui, quero aproveitar e desfrutar ao máximo essa experiência. Não quero ficar jogando com portão fechado, com torcida única. Isso é chato. Quero jogar lá pra torcedor do Flamengo, pra torcedor do Vasco. O basquete não pode perder essa oportunidade, não. Flamengo venceu muita coisa recentemente. Vasco está chegando agora com força. Não podemos perder isso porque ano que vem a gente não sabe o que pode acontecer.

nezinho100BNC: Essa semana foi agitada fora de quadra. O que você, atleta sentiu com a suspensão da FIBA à CBB e por consequência ao basquete brasileiro?
NEZINHO: Cara, quando eu vi a notícia eu estava com a minha esposa. Vi o celular, meio que não acreditei e mostrei a ela. Fiquei muito triste, porque eu vi acontecer no México, em outras ligas muito abaixo do que o Brasil é no âmbito mundial. Isso é um desrespeito, é uma vergonha pra gente que vive de basquete. Já que aconteceu, e era pra ter acontecido antes porque está uma bagunça há muito tempo, já que você sabe bem e viveu naquela época que o Campeonato Nacional da CBB não terminou. Muitos times, e eu joguei em um deles, o COC/Ribeirão Preto, fecharam as portas. Se não tivesse acontecido aquele absurdo provavelmente a equipe estaria lá até hoje. Já vem coisas de muito tempo. Teve que vir pessoa de outro país para intervir aqui na nossa situação e eu espero que seja pra melhor o que está por vir. Mas que seja rápido, porque não pode atingir clubes como Flamengo, Bauru e quem sabe Mogi, que se ganhar a Liga Sul-Americana não poderá atuar na Liga das Américas. Isso tudo pode desanimar ainda mais os patrocinadores, como aconteceu com o COC, que era uma potência. É muito ruim pro esporte. Espero que venham decisões rápidas e que sejam para o melhor do basquete. A gente merece respeito.


Podcast BNC: O que esperar dos brasileiros na NBA? Falar o quê das confusões pelo Brasil?
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Fábio Balassiano

SuperIngressos

LB1No programa dessa semana falamos da pré-temporada da NBA e fazemos uma análise de TODOS os brasileiros que jogarão o certame que se inicia no dia 25 de outubro. Abordamos também os Estaduais pelo Brasil e as confusões recentes no Flamengo x Vasco, no Rio de Janeiro, e também no duelo entre Franca x Rio Claro, no ginásio Pedrocão, em Franca.

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No reencontro de Flamengo e Vasco, a vergonha que o basquete não poderia mais passar
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Fábio Balassiano

vasco1Era pra ter sido uma noite de festa ontem no Tijuca, afinal Flamengo e Vasco voltariam a se encontrar de forma oficial depois de mais de uma década em partida válida pelo Campeonato Estadual. O ginásio com torcida única (pedido da Polícia do Rio de Janeiro), a do Fla, estaria lotado, já que os 1.500 ingressos foram vendidos de forma antecipada. Seria, também, a volta às quadras de Ricardo Fischer, armador rubro-negro contratado como maior reforço para a temporada, e a primeira vez de muitos deles disputando um clássico desse vulto. No final do dia, vitória vascaína por 82-77 em uma virada incrível no segundo tempo, provocações (sadias) nas redes sociais e paradoxalmente ABSOLUTAMENTE NADA para se comemorar.

nezo1Deveria, hoje, estar falando das ótimas atuações de Nezinho (19 pontos), David Jackson (14) e Fiorotto (19), atletas de um Vasco guerreiro e cerebral que teve paciência e brilhantismo para tirar 18 pontos de vantagem de um timaço como o Flamengo, mas seria tapar o sol com a peneira, algo que este blog nunca fez e nunca fará. E é impossível falar do jogo simplesmente porque houve uma confusão BIZARRA nas arquibancadas por parte da torcida rubro-negra, a única que pôde entrar no Tijuca, reitero este trágico ponto. Confusão, não. Confusões. Coloquei um dos vídeos no Facebook Bala na Cesta e você pode ver clicando aqui.

bruno1Não sei exatamente o motivo da confusão, e pra ser sincero nem interessa, mas o fato é que duas bagunças na arquibancada do ginásio do Tijuca paralisaram o jogo. A primeira, inclusive, prejudicou o Flamengo, que estava melhor e perdeu ritmo/concentração com o ocorrido. A terceira, depois do duelo terminar e com invasão de quadra de alguns “torcedores”, poderia ter ocasionado algo BEM grave (ainda bem que não aconteceu). Isso, insisto, com uma torcida única. E houve gente que reclamou da determinação da Polícia do Rio de Janeiro, alegando ser, sim, possível colocar em um espaço esportivo rubro-negros e vascaínos. Infelizmente, e digo isso com uma dor danada, isso hoje não é viável.

pre1Alguns tentarão minimizar, outros farão o que sempre fazem (fingir que não aconteceu), mas a verdade nua e crua é que estamos na pré-história da convivência social no esporte (só no esporte?). PRÉ-HISTÓRIA! Qual o próximo passo no Brasil? Jogos sem torcida? Pode ser, hein. Acho que vamos chegar lá. Insisto em outro ponto: o problema não é ter torcida única. O problema é ter qualquer torcida organizada no ginásio/campo. Qualquer uma delas. Hoje foi a do Flamengo. Amanhã será outra. São animais selvagens que não conseguem concatenar uma ideia mas que são brutos o suficiente para acabar com qualquer ambiente pacífico. Aqui, aliás, um detalhe: cubro o NBB há 8 anos e NUNCA havia visto um problema com a torcida rubro-negra em ginásio. Sempre houve festa, gritos de apoio e, óbvio, pressão no adversário (pressão aceitável). O que aconteceu ontem? Por quê voltaram ao ginásio os marginais de sempre? Onde eles estavam escondidos? Só reapareceram porque havia um adversário do futebol do outro lado?

pre2Por mais inacreditável que possa parecer, ainda há uma espécie de glamourização das Organizadas por parte inclusive de órgãos de imprensa por aqui. Como se elas fossem de alguma maneira benéfica para o espetáculo esportivo. Não, não são. Bem ao contrário. “Torcedores” dito organizados AFUGENTAM as pessoas de bem do esporte, seja ele qual for. A culpa, nisso tudo, não é só dos clubes, quase sempre cúmplices, mas também de Polícia, Ministérios, jogadores que fazem uniões espúrias e organizadores dos campeonatos que podem até tentar, mas não chegam a solução alguma para acabar com um problema crônico como este. Pergunta básica depois de ontem para quem tem filho/filha: alguma chance de você levar seu/sua pequeno/pequena a um ginásio de basquete depois das imagens desta segunda-feira?

fim1No momento atual do basquete, com CBB destroçada, seleções eliminadas na primeira fase de uma Olimpíada em casa e divisões de base sucateadas, esperava-se que os campeonatos dos clubes dessem uma levantada nos ânimos, e nos apelos, da modalidade. Infelizmente no primeiro clássico entre Flamengo e Vasco fomos trazidos à realidade novamente. O esporte que a gente tanto ama tem uma capacidade de se matar, de se afogar, de se destruir, de enforcar, invejável e como nenhum outro aqui no país. Não sei o que irá acontecer no próximo duelo entre os dois times (no returno e provavelmente nas finais do Estadual, e também na fase regular do NBB), mas estamos diante de um cenário preocupante, sem solução e pouco animador. Outra pergunta importante: o que a Liga Nacional de Basquete (LNB) está pensando a respeito para os dois duelos já marcados? Continuará com sua ideia (pouco recomendável) de jogo com duas torcidas? Como será a segurança? Igual a de ontem? É importante que a diretoria da entidade sente desde já em uma mesa para planejar dois eventos complexos – eventos de risco, diga-se.

O basquete não pode mais passar por tantos problemas se quiser realmente crescer organicamente no Brasil. Do jeito que está, e de novo fazendo a analogia com o jogo de tabuleiro, nem os passos pra frente serão vistos caso as confusões continuem. Que pena.


Encontro marcado: Flamengo e Vasco se enfrentarão em Setembro pelo Estadual
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Fábio Balassiano

machado2Pouca gente notou, mas a temporada 2015/2016 do basquete masculino brasileiro adulto fez, nas suas duas principais competições de clubes, algo raríssimo: dois campeões do mesmo Estado, o Rio de Janeiro.

Melhor time do país há anos, o Flamengo sagrou-se pentacampeão do NBB ao vencer Bauru no sábado. Um dia antes em Campo Mourão (PR) o Vasco, que retomou as atividades de seu time profissional no final de 2015, ganhou a Liga Ouro, garantindo na quadra (como deve ser sempre!) o acesso ao NBB na temporada 2016/2017.

vasco1E o primeiro encontro oficial entre os rivais já está agendado. Será no Estadual do Rio de Janeiro, que promete ser um dos mais agitados dos últimos anos. Com cinco equipes já confirmadas (jogarão Flamengo, Vasco e Macaé, que disputarão o próximo NBB, além de Botafogo, que estará disputando a próxima fase da Supercopa Brasil, competição que dá acesso a Liga Ouro, e Angra dos Reis, tradicional time que retoma suas atividades), rubro-negros e cruzmaltinos medirão forças em setembro, mês seguinte às Olimpíadas. No mês seguinte, em outubro, às duas equipes voltam a se enfrentar no returno da competição. O clube da Gávea, aliás, venceu as 12 últimas edições e busca o 13º título regional consecutivo.

oscar1A dúvida maior, neste momento, é o local da partida. Conversei ontem com Álvaro Almeida, presidente da Federação Carioca que está animado com a retomada de um bom produto no cenário regional (há inclusive interesse da TV exibir a competição) e de uma rivalidade que lotava ginásios no final da década de 90 e começo dos anos 2000, e o Tijuca já está oficialmente descartado (não oferece condições de segurança para um jogo deste tamanho e com duas torcidas cujas relações não são nada amistosas).

Na cidade pós-olímpica não faltarão ginásios para abrigar o clássico (HSBC Arena, Arena Carioca I, a do basquete na Olimpíada, ou Maracanãzinho, o preferido devido a acesso fácil e tradição na modalidade), mas até o momento não há certeza sobre o local do jogo. A decisão deve ser tomada em conjunto entre Federação e clubes até o final de julho.

nene1O único fato concreto que temos é que o Estadual do Rio de Janeiro contará com três times de camisa, três representantes no próximo NBB, os dois campeões de torneios nacionais do Brasil e que o Flamengo x Vasco desta nova Era já está agendado para o mês de setembro.

Para quem até pouco tempo atrás via a competição murcha, com três times apenas e quase nenhum atrativo, não deixa de ser uma notícia pra lá de animadora.


Exemplar, Márcio Dornelles quer ajudar Vasco a empatar final da Liga Ouro
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Fábio Balassiano

marcio4Márcio Dornelles é um atleta profissional de basquete acima de qualquer suspeita. Gaúcho de nascimento, fez grande parte de sua carreira em Franca, onde conquistou títulos estaduais, nacionais e continentais. Com passagens por Pinheiros e Macaé no NBB, sempre teve comprometimento com a profissão e deu provas claras da diferença entre o que é ser um atleta profissional na acepção da palavra (o que ele é) e apenas um jogador. Em todas as temporadas desde a criação do campeonato da Liga Nacional de Basquete o camisa 15 sempre teve média superior a 10 pontos e 20 minutos/jogo.

vasco1O que ele plantou ao longo de 20 anos de carreira pode ser visto em 2016, quando aos 40 anos ele é um dos líderes do Vasco que tenta empatar hoje a série final da Liga Ouro contra Campo Mourão a partir das 19h30 em São Januário (o site da Liga Nacional e o Facebook do NBB exibem a partida). Conversei com Márcio no domingo após o time vascaíno ter vencido a primeira partida do confronto, diminuindo o déficit para 1-2 contra os paranenses. No papo o ala se emocionou ao falar sobre a sua carreira e sobre como é cada vez mais difícil se manter em atividade em um esporte pra lá de físico.

marcio2BALA NA CESTA: Qual foi a grande diferença entre o Vasco dos jogos 1 e 2, que saiu derrotado para o bom time do Campo Mourão fora de casa, e o que jogou tão bem neste domingo e venceu por 79-64 em São Januário?
MÁRCIO DORNELLES: Entramos muito mais concentrados, sem dúvida alguma. Principalmente em relação ao jogo 1 (derrota por 89-74), quando estivemos muito aquém daqulo que podemos render. No segundo jogo foi mais próximo do que é mesmo uma final, independente se é de Liga Ouro, NBB ou qualquer competição. Não levamos (77-72 Campo Mourão), mas lutamos, brigamos. Final é sempre cheia de energia, vibração e neste domingo tentamos evoluir neste sentido. Do lado da nossa torcida a gente tinha que ter toda essa vibração, toda essa entrega, porque pra gente é tudo ou nada, né. Defensivamente fomos perfeitos em três períodos. No último relaxamos um pouco, a diferença caiu, mas conseguimos nos recuperar para vencer bem.

vasco2BNC: O que esperar do jogo 4 agora? Vocês continuam precisando vencer todos os jogos para subir para o NBB…
MÁRCIO: Acho que uma das chaves para a gente é colocar a torcida ainda mais pra dentro do jogo. Você viu aí o barulho que eles fazem, o apoio que eles nos dão, a energia que eles nos transmitem. Isso é fundamental neste momento. Tomara que a gente consiga fazer outra festa, como foi a de domingo. Pra nós é isso mesmo que você falou: subindo degrau a degrau. A verdade mesmo é que o nosso primeiro objetivo, agora, é levar essa série ao quinto jogo. Antes de pensar em outra coisa precisamos colocar esse duelo no quinto jogo. Depois, aí sim, é tentar conquistar o título e o acesso para o NBB.

BNC: Individualmente, como está sendo pra você, um cara de 40 anos e com tanta coisa já vivida na quadra, passar por essa experiência de Liga Ouro? Coloquei nas redes sociais antes do jogo 3 que me impressionou muito que antes de começar a partida você era o cara que mais pulava, que mais tentava passar energia para seus companheiros. Este teu comprometimento é, pra mim, o que mais chama a atenção mesmo…
marcio1MÁRCIO: (Nota do Editor: Neste momento Márcio começa a chorar) A gente vai chegando a uma certa idade e aí vendo alguns filmes na cabeça com tudo o que passou. É difícil. Essa dedicação do dia a dia que você cita é o que me permite estar em quadra até hoje com essa molecada, com essa garotada. Cada jogo, agora, cada ano que passa, cada momento de decisão como este que estou vivendo, pode ser o último, né? A verdade é essa. Você não sabe quando vai acabar, mas sabe que está próximo do fim. E tem uma coisa também. Às vezes eu vejo algumas pessoas falando de idade. Mas isso importa muito pouco. O que importa é a sua dedicação, a maneira como você encara o esporte, a forma como você se dedica nos treinamentos, se cuidar, estar bem fisicamente e mentalmente. Algumas pessoas vêem isso, mas não todas. Esse desabafo assim é mais por saber que cada ano que passa eu preciso me cuidar mais, me alimentando melhor, descansando o corpo ainda melhor e treinando cada vez mais, porque o basquete é um esporte que se reinventa muito rápido. Nosso jogo agora está muito físico e se não treinar muito fica pra trás. Ainda bem que, independente de idade, eu estou conseguindo fazer o meu basquete e consigo ajudar a minha equipe.

marcio5BNC: Ainda está longe de parar, né?
MÁRCIO: Ah, cara. Eu acho que ainda dá pra ir além. Se cuidando, se dedicando, treinando e colocando a carreira sempre em primeiro plano como sempre fiz, dá pra jogar um pouco mais, sim. Lógico que a cada ano que passa a intensidade diminui um pouquinho, mas a gente acaba compensando com a experiência de outras formas. Acredito que ainda possa contribuir com o basquete brasileiro de alguma maneira. Espero poder fazer muita coisa. Esse choro aí, esse desabafo, é também por amor. Basquete é o que eu sei fazer, é o que eu mais amo nesse mundo e que faz 22 anos a que me dedico dia e noite. Vou jogar até onde me quiserem.