Bala na Cesta

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Após treino na madrugada Westbrook chega a histórico 42° triplo-duplo e decide jogo na NBA
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Fábio Balassiano

Russell Westbrook ficou chateado com sua atuação de 6a feira na derrota do Oklahoma City Thunder contra o Suns (errou 19 de 25 arremessos tentados). Entrou no vestiário, tomou banho, fez a entrevista e chamou um funcionário do Phoenix. Pediu para treinar arremessos. Depois do jogo. Com seus companheiros já indo pro hotel. Ele queria mais.

Não seria possível, pois o ginásio seria fechado em uma hora. Russ olhou para Mo Cheeks, assistente técnico, e pediu uma solução. Mo conversou com o pessoal do Suns, e seria possível arremessar na quadra de treinamentos do Phoenix. Do outro lado da cidade. Nenhum problema. Westbrook e Mo pegaram um táxi (ou Uber) junto com um funcionário do Suns, abriram o Centro de Treinamento às 23h e ficaram treinando até 01h30. Comeram algo e voltaram pro hotel. Chegando lá, Cheeks desejou um “boa noite” para Russ e ia se encaminhando ao seu quarto quando viu o camisa 0 do Thunder parado, meio que esperando algo. Westbrook disse: “Pedi o vídeo dos dois últimos jogos para ver. Não joguei bem. Vou ver no quarto antes da viagem de volta pra Oklahoma. Deve estar na recepção e vou pegar pra assistir”.

O resultado disso? Russell Westbrook anotou, neste domingo, mais um triplo-duplo. O 42° em 80 jogos. A partida contra o Nuggets, em Denver acabou de terminar e o craque do Thunder teve 50 pontos, 16 rebotes e 10 assistências, tornando-se o jogador com o maior número de triplos-duplos da história da NBA, superando Oscar Robertson, que teve 41 em 1961/1962. É um feito absurdamente especial, de alguém que já tinha assegurado a média de triplos-duplos, como disse aqui esta semana. E não foi só isso. Russ ainda teve forças para matar a bola final que deu a vitória a sua equipe, que se garantiu na sexta colocação do Oeste. Veja abaixo.

Com o que acabou de fazer Russ também ultrapassou Wilt Chamberlain na lista de triplos-duplos na carreira. Agora o camisa 0 do OKC tem 79 contra 78 de um dos melhores pivôs de todos os tempos. Na frente dele agora estão Jason Kidd (107), Magic Johnson (138) e Oscar Robertson (181).

Westbrook é um fenômeno do basquete. E a prova que muito treino sempre resulta em coisas boas.


Por que o feito de Russell Westbrook na NBA é tão histórico assim?
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Fábio Balassiano

A noite de 4 de abril de 2017 foi, como eu avisei na manhã de ontem, histórica. Diante de seus fãs Russell Westbrook precisou de apenas 27 minutos para escrever mais um capítulo em sua incrível temporada 2016/2017 da NBA.

O armador do Oklahoma City Thunder anotou 12 pontos, 13 assistências e 13 rebotes para chegar a 41 triplos-duplos e igualar a marca o recorde de Oscar Robertson em 1961/1962. Vocês já pararam para pensar nos motivos que fazem este feito ser tão especial assim?

Desde que me conheço por gente ouço das pessoas que alguns recordes nunca seriam batidos na NBA. Os 41 triplos-duplos e a média de TD em uma única temporada de Oscar Robertson, por exemplo. Em seus mais 60 anos de história, apenas um rapaz tinha conseguido isso. Desde então passaram pelas quadras da melhor liga de basquete do mundo gênios como Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Isiah Thomas, Kobe Bryant, LeBron James, entre outros. Nenhum deles chegou perto do que Russell Westbrook acabou de fazer.

Pensa que é só? Já são 41 triplos-duplos para o camisa 0 do Thunder e faltam 5 jogos para acabar a fase regular. A chance de Russell Westbrook terminar o campeonato sem SUPERAR a marca de Robertson é mínima. Ou seja: se ontem ele igualou algo quase inimaginável, é muitíssimo provável que nos próximos dias ele supere o que Big O fez há 50 anos. E o que dizer de quem pode terminar a temporada com MÉDIA de dois dígitos em três fundamentos? Russ tem 31,9 pontos, 10,6 rebotes e 10,4 assistências. Chances imensas de isso ocorrer também. Vale lembrar que o armador tem sete triplos-duplos consecutivos, a segunda maior série da história da liga. Apenas Wilt Chamberlain, em 1967-1968, conseguiu mais (9 seguidos).

Por fim: com o triplo-duplo de ontem Russell Westbrook igualou Wilt Chamberlain, que em sua carreira conseguiu 78 triplos-duplos. Jason Kidd está em terceiro na lista com 107. Magic Johnson é o vice-líder com 138 e Oscar Robertson o primeiro com 181. Seguindo nesse ritmo Russ supera todos eles em menos de cinco anos.

O placar final do jogo de ontem? Foi 110-79 a favor do Thunder contra o Bucks. Mas quem liga pra isso quando a história é escrita por Russell Westbrook?

O camisa 0 do Thunder é o meu MVP da temporada. Respeito quem discorda, mas quem escreve a história, ainda mais jogando nesse OKC que está longe de ser um esquadrão merece o troféu de melhor jogador da NBA. James Harden é craque. Kawhi Leonard é fenomenal. LeBron James é gênio.

Westbrook é histórico em 2016/2017. E isso faz dele o MVP.


Russell Westbrook pode igualar recorde histórico da NBA nesta noite
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Fábio Balassiano

Este 4 de abril de 2017 tem tudo para ser uma data histórica para o basquete mundial. A partir das 21h o Oklahoma City Thunder enfrenta o Milwaukee Bucks tentando se recuperar de duas derrotas consecutivas (Spurs e Hornets, ambas em casa), mas sobretudo ver o maior ídolo da franquia alcançar algo que a liga jamais imaginou acontecer.

Com 40 triplos-duplos na temporada, Russell Westbrook pode igualar nesta noite a marca de Oscar Robertson, que em 1961/1962 obteve 41 triplos-duplos, recorde da NBA até os dias de hoje.

E a julgar pelo que tem feito na temporada a terça-feira terminará mesmo com a história sendo escrita. Em 75 jogos Westbrook já tem 40 triplos-duplos e as médias de 31,8 pontos, 10,4 assistências e 10,6 rebotes. Nas últimas seis partidas, seis triplos-duplos. Nas 12 mais recentes, em dez ele obteve dígitos duplos em três fundamentos. Ou seja: o cara é uma verdadeira máquina.

Do outro lado estará um Bucks desesperado por sacramentar a vaga nos playoffs e com o grego Giannis Antetokounmpo sendo cada vez mais dominante nos dois lados da quadra (é bem provável até que Giannis vá marcar Westbrook em alguns momentos).

Com ou sem Antetokounmpo em seu encalço, acho muito improvável que Russell Westbrook não termine a noite de 4 de abril de 2017 comemorando o triplo-duplo de número 41, igualando-se a Oscar Robertson e colocando-se em posição de superar a marca de Big O caso consiga novo TD nos cinco jogos que faltarem depois deste contra o Bucks.


Westbrook consegue triplo-duplo com maior número de pontos da história da NBA
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Fábio Balassiano

Em mais um movimento de sua temporada histórica Russell Westbrook adicionou um capítulo “surreal” na noite desta quarta-feira na Flórida. Com o Oklahoma City Thunder perdendo por 21 pontos o armador comandou a histórica reação de sua equipe (a maior da franquia desde que se mudou de Seattle para Oklahoma) e levou o seu time a vitória por 114-106 (32-20 no último período). De quebra, anotou uma bola de três quase do meio da quadra nos últimos dez segundos para levar o duelo para o tempo extra. Com o triunfo o OKC chegou a 43 vitórias em 74 jogos, se garantiu no playoff e sacramentou mais uma temporada com mais vitórias que derrotas.

Mas não foi só isso, não. Russ fechou o jogo com inacreditáveis 57 pontos, 13 rebotes e 11 assistências, cravando o seu trigésimo-oitavo triplo-duplo na temporada (está a apenas 3 de igualar o recorde histórico de 41 de Oscar Robertson em 1961/1962) e obtendo o triplo-duplo com maior número de pontos nos mais de 60 anos desde a criação da NBA (antes o recorde pertencia a James Harden, rival de Westbrook na luta pelo troféu de MVP da temporada 2016/2017, que obteve 53 pontos, 16 rebotes e 17 assistências em 31/12/2016).

Russell Westbrook mantém os inacreditáveis números de 31,4 pontos, 10,4 assistências e 10,5 rebotes. Vale lembrar que apenas Oscar Robertson, na mesma temporada 1961/1962 citada anteriormente, conseguiu finalizar a fase regular da NBA com MÉDIA de triplo-duplo (30,8 pontos, 11,4 assistências e 12,5 rebotes). Como curiosidade, naquele ano o melhor jogador da temporada (MVP) foi Bill Russell, do Boston Celtics. Naquele ano, Robertson ficou na terceira posição da votação (Wilt Chamberlain terminou em segundo).

Abaixo a bola de Westbrook “do meio da rua” que levou a partida para a prorrogação.


Reis do triplo-duplo, ex-companheiros Harden e Westbrook se candidatam a MVP na NBA
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Fábio Balassiano

brogdonA NBA não para em fim de ano. No Natal foram cinco confrontos. Ontem, no primeiro dia do ano, 6 jogos. No dia 31 de dezembro, 5 partidas.

E no derradeiro dia de 2016, três triplos-duplos. O primeiro ocorreu em Chicago, quando o novato do Bucks Malcolm Brogdon (foto), jogando de titular no lugar do lesionado Matthew Dellavedova, registrou o primeiro da sua vida com 15 pontos, 12 assistências e 11 rebotes na vitória do seu time por 116-96 contra um Bulls cada vez mais em crise (veja mais aqui sobre a briga entre Rajon Rondo o técnico Fred Hoiberg).

westbrook1Agora, show, show mesmo, deram Russell Westbrook e James Harden no dia 31 de dezembro. Em Oklahoma, Westbrook precisou de apenas 19 minutos para conseguir um triplo-duplo. No final do jogo terminou com 17 pontos, 14 assistências (apenas um desperdício de bola) e 12 rebotes em 29′ na vitória do seu Thunder contra um desfalcado Los Angeles Clippers (Chris Paul e Blake Griffin fora por lesão) por 114-88. Foi o quarto dele em cinco jogos e o décimo-sexto triplo-duplo do cara no campeonato. Campeonato em que Russ tem “só” as médias de 30,9 pontos, 10,7 assistências e 10,5 rebotes, se aproximando do feito de Oscar Robertson em 1961/1962. Big-O é o único ser humano do planeta até o momento a conseguir terminar uma temporada da NBA com MÉDIA de triplo-duplo. Mais do que bons números, Westbrook carrega o OKC em seus ombros com a campanha de 21-13 que coloca o time na surpreendente e honrosa quinta colocação do Oeste.

harden10E o que dizer de James Harden pra fechar 2016? Senhores, muita atenção ao que escreverei agora. No jogo contra o Knicks (vitória do Rockets por 129-122) o Barba saiu-se simplesmente com 53 pontos, 17 assistências e 16 rebotes, uma performance assustadora, surreal, incrível, sublime. Foi a primeira vez na história da NBA que um atleta terminou com triplo-duplo com mais de 50 pontos, 15 assistências e 15 rebotes. “Só” este é o tamanho do feito do camisa 13 do Houston, que chegou ao seu oitavo triplo-duplo na temporada obtendo recordes pessoais em assistências, bolas de três convertidas (9) e pontos no sábado – ficou a um rebote de igualar a melhor marca. Pelas mãos de Harden, cujas médias também são espetaculares (28,5 pontos, 12 assistências e 8,1 rebotes), o Rockets também vai escalando o Oeste. Já está em terceiro com 26-9 e tenta encostar no Spurs (27-6) e Warriors (29-5).

harden100Não são só pelos triplos-duplos, mas principalmente por levarem seus times tão pro alto assim que Russell Westbrook e James Harden, que jogaram juntos em Oklahoma por três temporadas entre 2009 e 2012 (dá pra imaginar o que seria do OKC se tivesse conseguido manter os dois e mais Kevin Durant por mais tempo?), são os maiores candidatos a MVP neste campeonato de 2016/2017 da NBA. Nenhum dos dois é o famoso “armador de ofício”, como se convencionou chamar por aqui sabe-se lá o motivo, mas lideram a liga em assistências e têm conseguido mais do que nunca envolver seus companheiros. Ambos têm dado shows em sequência e estão conseguindo resultados coletivos não menos sublimes.

westbrook1000Abaixo coloco os números de Russell Westbrook e James Harden na temporada até o momento. É óbvio que não é possível descartar nomes como LeBron James, do líder Cavs no Leste, Kevin Durant, do Warriors que tem a melhor campanha da NBA até agora, Kawhi Leonard, craque do Spurs, e até mesmo DeMar DeRozan, que tem jogado demais pelo Toronto, mas me parece claro que a disputa está polarizada mesmo entre Russ e o Barba. Difícil escolher, muito difícil, mas pelo fato de ter a MÉDIA de triplo-duplo e levar a zona de playoff um time com elenco de apoio muito pior do que aquele que Harden tem a seu lado eu ficaria com o camisa 0 do Thunder como o melhor do campeonato. Isso tudo, claro, falo com menos da metade da fase regular percorrida.

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Diga lá: até o momento, quem seria seu MVP da temporada regular da NBA?


O sublime começo de temporada de Russell Westbrook, o rei do triplo-duplo na NBA
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Fábio Balassiano

russ3Seis triplos-duplos seguidos (o último veio ontem na vitória contra o Atlanta Hawks fora de casa por 102-99 com 32 pontos, 12 assistências e 13 rebotes). Na temporada já são 11 em 22 duelos (a soma de TODOS os demais atletas é de 12). Com exceção de Oscar Robertson, o jogador mais rápido a chegar a dez triplos-duplos em uma temporada (fez em 21 partidas; Big O em 12). Média de triplo-duplo. Superou LeBron James na lista dos atletas com o maior número de triplos-duplos (48), já está em sexto e tem tudo para passar Larry Bird, o quinto com 59, ainda em 2016/2017. Dezenove deles foram conseguidos em três períodos ou menos, uma insanidade. Oklahoma City Thunder na zona do playoff no Oeste (e em quinto lugar com 14-8 e seis vitórias seguidas). Se quisesse poderia continuar a enumerar a série de feitos do, até agora, melhor jogador da temporada da NBA. Vocês sabem de quem eu estou falando, certo?

russ4Logo que Kevin Durant assinou com o Golden State Warriors eu cravei aqui e também no Podcast BNC que Russell Westbrook teria, ou tangenciaria, uma média de triplos-duplos na temporada 2016/2017 da NBA, feito alcançado apenas uma vez na história da liga. Foi com Oscar Robertson, um dos gênios supremos do basquete, em 1961/1962. O que eu sinceramente não imaginava é que Russ teria tantos triplos-duplos “gordos” com mais de 25, 30 pontos (dez de seus onze TD’s foram assim), e que o Oklahoma fosse se adaptar tão bem a sua nova (e difícil) realidade. Ninguém perde um dos dez (cinco?) melhores atletas de basquete desse planeta e passa a ter uma nova vida normal, né?

russ1000É muito claro o que acontece em Oklahoma. A bola é de Russell Westbrook e ele toma as redes ofensivas – se isso já acontecia com Kevin Durant, dava pra crer que isso ocorreria agora sem KD por lá. Dois anos atrás, quando Durant teve uma série de lesões, foi uma espécie de preâmbulo do que aconteceria em 2016/2017. Ninguém que acompanha a NBA com afinco e há algum tempo pode dizer que está surpreso. Os números dele e o quinto lugar do Oeste estão aí pra provar que o resultado é extremamente positivo. São 31 pontos (atrás apenas de Anthony Davis), 11,3 assistências (o segundo, logo atrás de James Harden) e 10,9 rebotes (o único entre os quinze primeiros que não é ala ou pivô). Minimamente o rapaz produz 53 dos 107 pontos do Oklahoma por noite (a metade portanto). Isso sem falar nos passes indiretos e no que seus rebotes produzem. É um verdadeiro absurdo o que ele vem fazendo. Westbrook domina as ações de ataque, força lances-livres (10,4 por jogo) e tenta envolver seus companheiros na medida do possível. Quando não dá, ele decide sozinho e acaba se dando bem.

russ100Isso tudo explica, claro, o número excessivo de desperdícios de bola (5,7) que ele registra por noite (o maior índice da NBA atual). Não considero, sinceramente, isso um problema. Para quem fica muito tempo com a pelota na mão, a chance de desperdiçá-la é maior mesmo. Não admirá-lo por isso é um erro e uma perseguição que beira a loucura. Na temporada 1988/1989 o armador que seria eleito MVP teve 4,1 erros por noite. Em 2016/2017, Russ tem 5,7. O nome do MVP em 1989? Magic Johnson. Errar não é o problema. Não tentar, como ensinou Michael Jordan, sim. O equilíbrio é sempre o melhor dos remédios, mas quem tem o camisa 0 no elenco deve saber conviver com suas vantagens competitivas (seu físico descomunal ENGOLE o dos armadores rivais), com sua intensidade (o time fica incendiado com seu espírito) e também com seus problemas.

russ5Também dava pra supor que seu volume de arremessos subiria. Mas não é nada de tão assustador assim. Em 2014/2015 foram 22 chutes por noites. Em 2015/2016, 18,1. Em 2016/2017, são 24,2. É claro que seu percentual de conversão diminuiria (caiu de 45 para 42%), porque as defesas dobram, triplicam e se amontoam em cima do cara para evitar uma catástrofe maior do que a já aplicada pelo armador (sim, armador…) do OKC, mas a queda do percentual de arremessos corretos do camisa 0 acaba sendo também um dos motivos pelos quais seus companheiros têm brilhado. E explico.

west2Com exceção de Russ, no elenco do Thunder não há nenhum craque, mas todos estão se saindo muito bem e se aproveitando do fato de que a marcação fica concentrada em Westbrook em 99% dos casos. Se isso não é melhorar os companheiros, algo que muita gente usa como argumento para criticar o rapaz, eu não sei mais o que é. Victor Oladipo foi contratado em uma troca pra lá de polêmica envolvendo Serge Ibaka, o ala vai se acomodando e registrando 17,1 pontos por jogo. Andre Roberson é o melhor marcador do time desde a temporada retrasada, e agora tem se arriscado mais no ataque (6,4 arremessos por noite contra 3,9 em 2015/2016). O calouro Domantas Sabonis em vários momentos lembra a habilidade do pai (Arvydas) nos passes e tem se esforçado loucamente para marcar bem no garrafão, algo difícil para quem chega e tem que trombar contra Blake Griffin, Draymond Green e afins. Steven Adams está cada vez mais seguro como pivô titular do time e já tem 10,7 pontos e 7,8 rebotes de média. No banco, Enes Kanter está se saindo bem com 13 pontos e Anthony Morrow, Jerami Grant, Alex Abrines e Joffrey Lauverne completam bem a rotação.

russ6Vale destacar o técnico Billy Donovan, que em seu segundo ano na NBA deu carta branca para Russell Westbrook (quem não daria?). Ao mesmo tempo Donovan encorajou seus atletas a subir o nível para manter o Thunder na zona de playoff mesmo sem Kevin Durant. No ano passado o Thunder tinha três no elenco com dígitos-duplos em pontos. Nesta temporada, quatro. Em 2015/2016, 5 jogadores arremessavam 6+ bolas por partida. Em 2016/2017, 7 chutam ao menos 7 vezes. Isso não é coincidência.

Está muito claro que o Thunder vai tão longe quanto o físico e a habilidade de Russell Westbrook aguentarem. Muita gente tem falado que nos playoffs ambos (time e Russ) chegarão mortos de cansados, mas a verdade é que para uma franquia que perdeu Kevin Durant abruptamente chegar à pós-temporada já é um baita mérito.

russ2Por incrível que pareça, registrar a média de triplo-duplo, ou ficar muito perto dela, é exatamente o que o OKC precisa para jogar o mata-mata da NBA. Quer ver exatamente isso aí na prática? Simples: quando Russ chegou a dígitos duplos nos três fundamentos o Thunder venceu 9 vezes e perdeu apenas duas. Com a benção de Michael Jordan, que recentemente foi a Oklahoma para a cerimônia que colocou o armador de 28 anos no Hall da Fama local e encheu o rapaz de elogios pela sua coragem e audácia, o camisa 0 vestiu o uniforme de líder genial e promete não tirar mais.

Toda franquia da NBA queria ter um craque assim para chamar de seu. Sorte do Thunder.


Os 30 da NBA: Sem Durant, Thunder depositam todas as fichas em Westbrook
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Fábio Balassiano

russ1Nesta altura dos acontecimentos você já sabe que Kevin Durant se foi de Oklahoma, né? A franquia perdeu uma de suas principais estrelas, mas ficou com a outra no mínimo até 2017/2018.

Trata-se de Russell Westbrook, armador da equipe que renovou o seu contrato por mais um ano e que tem a opção de também ficar em 2018/2019. Não há a menor dúvida: o Thunder, agora, é o time do camisa 0 e não se fala mais nisso.

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oladipoSe na temporada passada faltaram cinco minutos para o Thunder eliminar o Golden State Warriors na final do Oeste, para 2016/2017 a perspectiva é outra: tentar ir ao playoff. E tentar é um termo bem apropriado porque ninguém tem a menor ideia do que poderá ocorrer com a franquia. É muita gente nova ao mesmo tempo, um único líder pra lá de exigente (Russell Westbrook) e alguns jogadores sem nenhuma experiência de NBA pelas costas. Se o quinteto titular pode ser formado por Russ, Victor Oladipo (foto), que chegou em troca por Serge Ibaka, Andre Roberson, Enes Kanter e Steven Adams é bem razoável, no banco as opções se resumem a Cameron Payne, Ronnie Price, Domantas Sabonis e Alex Abrines vindo para seus anos de estreia na liga, Joffrey Lauvergne e Ersan Ilyasova. Não é o fim do mundo, mas tampouco é o melhor dos cenários, né?

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donovan1Outro bom nome para ficarmos atentos é o do ótimo Billy Donovan. O técnico fez um excepcional trabalho principalmente no playoff da temporada passada, deu maior variação a uma franquia que vivia sendo criticada pelo arsenal pouco animador dos tempos de Scott Brooks e ficou a pouquíssimo de ir à final em seu ano de estreia (e sabe lá o que isso impactaria na decisão de Kevin Durant). Agora a figura é diferente. Donovan sabe que terá que dar ainda mais carta-branca para Westbrook e deverá criar um outro modelo de jogo para suas novas peças. Como fazer com que tudo gire em torno do camisa 0 sem ao mesmo tempo o sistema ofensivo não ficar muito previsível? Como manter o garrafão pontuando como foi com Kanter e Adams em boa parte da pós-temporada por toda fase regular? Como dar protagonismo a Oladipo? São questões que todos em Oklahoma buscam respostas.

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russ10Consigo apostar em uma média perto de triplo-duplo para Russell Westbrook e jogadas absurdas entrando no Top-10 da semana por parte do líder do Thunder. Mais do que isso é impossível prever agora. Não falo nem por causa das dificuldades enfrentadas nos dois amistosos contra times de fora da NBA (derrota pro Real Madrid e vitória apertada contra o Barcelona), mas sim pelo número imenso de novos atletas no elenco e pela perda de Kevin Durant. Há várias lacunas por lá (técnica, tática, de carisma, de liderança etc.) que só saberemos como serão preenchidas ao longo do campeonato. No final das contas acho que o OKC vai ao playoff. Mais do que isso, agora, é exercício de adivinhação.

Campanha em 2015/2016: 55-27
Projeção para 2016/2017: Briga por playoff (entre 42 e 48 vitórias).
Olho em: Russell Westbrook


A corajosa renovação de contrato de Russell Westbrook com o Thunder na NBA
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Fábio Balassiano

west3Acabou que durante as Olimpíadas rolou uma das notícias mais surpreendentes e também legais na NBA: Russell Westbrook renegociou o seu contrato com o Oklahoma City Thunder, que terminaria ao final de 2016/2017, renovou com a franquia até 2018/2019 por US$ 85 milhões até lá (nesta última temporada aparentemente o jogador tem a opção de pedir rescisão – o famoso player-option) e deixou a torcida local totalmente enlouquecida.

Foi um recado rápido, da equipe e do atleta, à saída de Kevin Durant, que pouco antes anunciara a sua ida para o Golden State Warriors.

westA atitude de Westbrook foi elogiada por gente como Michael Jordan, que viu no camisa 0 do Oklahoma um cara tão faminto, tão obstinado, tão “cabeça-dura” quanto ele, Jordan, foi em sua carreira. Mais do que isso, mostra bastante como pensa, age e joga o mais do que nunca dono da franquia Thunder.

Westbrook tem um jeito meio intempestivo, explosivo, meio fora dos padrões dos armadores que a galera da década de 80/90 viu e que ainda gostaria de ver (embora, perdão que eu diga isso, não verá mais com tanta frequência…), mas é admirável a sua coragem e parece muito claro que ele deseja ganhar do seu jeito, da sua maneira, nos seus termos. Ele tem uma rota, uma maneira de ver as coisas e aparentemente não irá mudar assim tão rápido.

westbrookNão foi a intenção dele, e na verdade nem é mesmo pois na prática ele pode se tornar agente-livre ao final da temporada 2017/2018, ficando em Oklahoma apenas por um ano a mais do que o seu contrato anterior previa, mas a sua renovação e o voto de confiança para a direção do Thunder acabaram mostrando bem as diferenças de pensamento dele e de Kevin Durant (notem que não há crítica aqui, mas sim uma óbvia forma diferente de encarar as suas carreiras).

west11É muito improvável que Westbrook, o rei dos triplos-duplos da NBA nas últimas temporadas (ao lado o crescimento de suas médias na carreira), ganhe um anel de campeão rapidamente (algo que pode, sim, acontecer com Durant em junho de 2017), mas ele aceitou aceitou jogar em um elenco claramente menos forte com a saída de Durant. A propósito: se muita gente achava que seus 18 arremessos/jogo eram muita coisa em 2015/2016, podem ficar tranquilos que este índice deverá subir horrores em 2016/2017, pois as decisões serão quase todas com ele mesmo. Russ aceitou colocar o seu prestígio em jogo para atuar em um time que pode ser que nem playoff pegue no final da fase regular de 2016/2017. Aceitou, aos 27 anos, dar no mínimo mais dois campeonatos para a diretoria voltar a colocar um time forte a seu redor. Aceitou, no final das contas, ser a única face de uma franquia que parecia perder a sua identidade.

O Oklahoma City Thundwest10er não ganhou o sonhado troféu de campeão da NBA em 2016. Ficou, logo depois, sem Kevin Durant, estrela da equipe por uma década. Parecia ver o mundo desmoronar. Não é que o cenário agora seja maravilhoso, lindo, perfeito. Não é. Mas ao menos existe uma pedra fundamental chamada Russell Westbrook para a franquia planejar os seus próximos passos.

Ao seu lado estarão na missão de colocar o Thunder nos trilhos Victor Oladipo, Enes Kanter, Steven Adams, Domantas Sabonis, Andre Roberson, Ersan Ilyasova, Alex Abrines, Kyle Singler, Anthony Morrow e Nick Collison. Que eles saibam, desde já, que a liderança de Russ é beeeeem diferente da de Kevin Durant, mais amistosa, mais tranquila, menos “cobradora”.

west8Russell Westbrook está mais para Kobe Bryant que LeBron James ou Kevin Durant neste sentido de liderança. Se antes ele já demandava trabalho pesado de seus companheiros, não aceitando menos horas de ginásio do que a que ele aplica a si mesmo (totalmente “Kobe Bryant” isso), agora mais do que nunca isso estará na ordem do dia. É algo, aliás, que Sam Presti, gerente-geral do Thunder, disse que conta desde o início da pré-temporada.

O camisa 0 do Oklahoma não será apenas o melhor jogador e a cara da franquia nas ações de marketing pela cidade. Todos na diretoria esperam, mesmo, que ele dite o ritmo, em termos de comportamento e atitudes, dentro e fora do vestiário. Sem o menor medo, Russ aceitou a missão. Em tempos cada vez mais politicamente corretos, é legal ver a coragem de Westbrook para nadar contra a corrente de aceitar o mais fácil (que seria pegar a sua mala em 2017 e ir para um time mais perto de ser campeão).


Kevin Durant, Warriors, Thunder, atalhos e o século XXI
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Fábio Balassiano

durant2Faltavam, naquele sábado, 28 de maio de 2016, cinco minutos para o Oklahoma retornar à final da NBA. Kevin Durant acertara um arremesso, o placar apontava 96-89 para o Thunder, a torcida delirava com a possibilidade de eliminar o time de melhor campanha da história e o champanhe da comemoração do título do Oeste já estava no gelo. Cinco voltas no ponteiro e a celebração começaria.

O relógio andou, o Thunder parou e o Warriors voou. Klay Thompson acertou bolas improváveis e seu time terminou a partida com uma sequência de 19-5, fechando a peleja em 108-101. O Golden State Warriors levou a decisão do Oeste para o sétimo jogo em Oakland e aí vocês já sabem do restante da história.

durant1Faço esse preâmbulo todo para tentar entender o que se passou na cabeça de Kevin Durant para ter escolhido (e anunciado) o Golden State como o seu novo time. O ala informou ao mundo todo ontem no Players Tribune que depois de nove temporadas sairia do Oklahoma City Thunder justamente para jogar no time que acabara de eliminá-lo na final do Oeste. Seu contrato será de dois anos e US$ 54 milhões, com a possibilidade de renegociação após o primeiro ano, quando o teto salarial da NBA deverá aumentar ainda mais.

durantula1Antes de falar do Golden State Warriors e de Durant, vamos entender as coisas pelo lado do Thunder. Não há outra palavra para este momento que não reconstrução. Havia dito aqui na semana passada que a troca que levou Serge Ibaka ao Orlando Magic só poderia ser avaliada depois da decisão do (agora ex-)camisa 35. KD se foi, Ibaka também, é impossível pensar que Russell Westbrook ficará após o final do seu contrato em 2016/2017 (muita gente aposta que Russ será trocado o quanto antes e pelo que vier pela franquia de OKC) e temos o famoso rebuild em curso.

west1As coisas na NBA mudam rápido, né? Há quatro anos o Oklahoma chegara a uma final da NBA com Durant, Westbrook, James Harden e Ibaka. Trocou o barba para ficar com o congolês porque na época o teto salarial não permitia três salários máximos (algo que Harden desejava). O tempo passou, e na semana passada Ibaka foi trocado por um calouro (Domantas Sabonis) e por um jogador promissor só que não mais do que mediano até o momento (Victor Oladipo). Ontem Durant se foi e em menos de 12 meses sairá Westbrook. Ou seja: após construir muito bem o elenco em quase uma década, o Thunder terá que reconstruir sem as suas principais estrelas.

gsw1Para o Golden State Warriors, foi o melhor dos mundos. Em que pese a engenharia que deve ser feita agora (perder Harrison Barnes, Andrew Bogut e Festus Ezeli a preço de banana), a franquia literalmente conseguiu o prêmio máximo do mercado da NBA. Vai formar um quarteto fantástico com Steph Curry, Klay Thompson, Kevin Durant e Draymond Green, tornando-se assim o maior favorito ao título na próxima temporada (estão aí seguramente quatro dos 30 melhores atletas de basquete do planeta no mesmo latifúndio, caras que tiveram a média de 94 pontos/jogo em 2015/2016). Isso, claro, sem falar em Andre Iguodala e no elenco de apoio que estará por aí a cercá-los. A não ser que aconteça uma grande catástrofe (tipo os caras não se darem bem no vestiário) eu acho muito impossível não vermos de novo o GSW na decisão em junho de 2017.

paul1Muita gente está fazendo beiço e relembrando o veto que a liga fez à troca que levaria Chris Paul, na época no New Orleans, ao Lakers em 2011. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Cinco anos atrás a NBA era a DONA do Hornets. Foi, sim, pressionada pelos demais 29 times porque estávamos em uma época de discussão sobre tetos salariais, mas a sua decisão foi tomada porque ela, enquanto proprietária do New Orleans, acreditou que não seria a melhor negociação. Tão simples quanto isso. Em 2016, além de não ter sido uma troca, Kevin Durant simplesmente escolheu o melhor lugar pra jogar basquete – e quanto a isso a NBA não tem o menor dos poderes.

gsw2Bem, vocês já leram demais e agora querem saber a minha opinião sobre a ida de Kevin Durant para o Golden State, certo? Então vamos lá. Respeito totalmente a decisão do ala, um dos melhores atletas do mundo. Está claro, também, que o fato de ele ir para o Golden State não teve nenhum peso financeiro. Se fosse pela quantidade de dólares que receberia ele aceitaria uma bolada do Thunder que chegaria certamente perto dos US$ 40 milhões anuais por cinco anos (algo em torno dos US$ 200 milhões – sim, é isso mesmo!!!).

durant3Se a questão não é grana, vamos só falar de basquete então. Em primeiro lugar, vamos ao óbvio. É muito difícil você dizer não para um time que tem os caras aí da foto ao lado, que chegou a duas finais seguidas (no Oeste) e que bateu o recorde de vitórias em uma temporada (73). É muito duro você ouvir de Jerry West, hoje consultor do Warriors, como Durant ouviu, quão complicado foi digerir derrotas seguidas para o Boston na década de 60. É impactante você ouvir de Bob Myers, Gerente-Geral do GSW, a frase: “Sem você podemos ganhar mais um ou dois títulos. Sem a gente você pode levar um ou dois anéis de campeão. Nós juntos podemos ganhar aos montes“.

okc1E aí (e isso NÃO é errado) Kevin Durant pegou o atalho para tentar ser campeão rapidamente. Ele não quer mais esperar por um título que, a bem da verdade, poderia nunca chegar se ele ficasse em Oklahoma ou se mudasse para Boston ou Nova Iorque. Mas este é um atalho BEM maior (ou pior) do que aquele que LeBron James pegou lá atrás quando decidiu sair de Cleveland para montar um time em Miami. Bem pior porque querendo ou não LeBron chegou ao Heat com um elenco que NUNCA tinha jogado junto. Lá, ao lado de Dwyane Wade e Chris Bosh, eles criaram uma identidade nova para a franquia. Durant, agora, ENTRA não para ser o piloto principal de um navio que já está em percurso, mas sim para co-dirigir (notem o “co”) uma embarcação que há menos de dois meses o derrotou na final da Conferência Oeste.

durant20Poderia fazer uma série de tratados, lembrar que Michael Jordan, Isiah Thomas e David Robinson apanharam loucamente sem nunca virar as coisas para suas franquias para ganhar um título de campeão a qualquer preço, mas acho que a questão é um pouco maior que isso. Estamos falando de uma geração, esta do século XXI, de garotos muito mimados desde sempre. De garotos que, como diz o genial Larry Bird, não estão acostumados a ir ao supermercado e a falar com pessoas que discordam de suas atitudes (normalmente há um séquito de puxa-sacos a aplaudir por todas as coisas). De garotos que não gostam de sofrer, que não entendem que só há valor na glória quando há muita derrota por trás. De garotos que miram no objetivo final, mas que dificilmente compreendem que a beleza desse negócio todo chamado vida está justamente na jornada, no percurso, no meio para se chegar ao final. Entenderia, portanto, se ele tivesse não só optado por ficar em Oklahoma, mas também se fosse para Nova Iorque ou para Boston, onde seria o piloto chefe das franquias onde teria que CONSTRUIR algo praticamente do zero.

durantulaNão custa lembrar, como disse lá em cima, que Kevin Durant, os seus agora ex-companheiros de Thunder e a cidade de Oklahoma estavam a cinco minutos de voltar à final da NBA. Por causa de cinco minutos mal jogados em uma série em que o Thunder dominou amplamente o Warriors KD decidiu levar os seus imensos talentos justamente para o lado do time que o derrotou. Kevin Durant que, aos 27 anos, ainda está no auge técnico, físico, tático e mental. Ou seja: poderia, sim, tentar mais um, dois, três anos com o Thunder antes de, aí sim, partir de cabeça para o “projeto título de qualquer maneira”. Seria, digamos, compreendido caso fizesse isso com 31, 33, 33 anos. Aos 27, não muito. Por isso é difícil não ficar desapontado com uma atitude assim, vocês vão me desculpar. Não porque ele acabou “se traindo”, como a gente vê agora nos milhões de tuítes antigos do cara, mas porque a história de Durant se encaminhava para ser uma das mais bonitas do esporte (recheada de dificuldades, superações, sua mãe figuraça que passou um perrengue danado para criá-lo e, quem sabe lá na frente, uma épica conquista).

durant3535Agora tudo mudou. Kevin Durant provavelmente colocará um anel de campeão em sua mão em junho de 2017. A lógica diz isso agora e negá-la é uma loucura que eu não farei. Não estou criticando a sua decisão, mas sim analisando-a. De todo modo, dá pra dizer que no dia 4 de julho ele sai como um cara muito menor, em termos de perspectiva histórica, do que era no dia 3 de julho (como LeBron também saiu após aquele programa “The Decision” na ESPN aliás).

Sinceramente não esperava isso dele, e se este texto está um pouco mais pesado que a maioria poderia supor é justamente por carregar a decepção de ver alguém que estava construindo tão bem a sua carreira se deixar levar (na minha opinião) pela opção mais fácil.

Concorda comigo? Gostou da decisão de Kevin Durant? Comente aí!


Warriors vence Thunder, faz história de novo e repetirá final contra o Cavs
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Fábio Balassiano

nba6Foi um dos melhores jogos da temporada 2015/2016 da NBA. Nervoso, como toda partida 7 foi, é e sempre será. No final das contas, o Golden State Warriors, impulsionado por um terceiro período fabuloso (29-12), fez 96-88, tornou-se o décimo time da história da liga a sair de 1-3 para vencer o confronto em 4-3, se classificou para a decisão pelo segundo ano seguido e na finalíssima repetirá o duelo de 2015 contra o Cleveland Cavs (a diferença é que a franquia de Ohio desta vez estará completa). O jogo 1 da finalíssima será na quinta-feira, 22h, em Oakland.

As últimas finais que se repetiram em anos seguidos foram em 1988 e 1989 com Lakers e Pistons (Los Angeles ganhou em 88 e Detroit no ano seguinte), 1997 e 1998 com Bulls x Jazz (dois títulos para Chicago), em 2013 e 2014 com Heat x Spurs (Miami em 2013 e San Antonio em 2014) e 2015 e 2016 com Warriors e Cavs (ano passado deu Golden State).

nba7Brilhante, o ala-armador Klay Thompson (foto) saiu-se com 21 pontos e 6 bolas de três em mais uma atuação feroz (que mão a deste rapaz, hein!). Mas o grande nome do Warriors foi mesmo Steph Curry. O unânime MVP da temporada regular teve 36 pontos e 7 de fora, o máximo em um jogo 7 de playoff (em alguns momentos ele parecia estar em transe, em outro planeta, tão confiante que estava para chutar). O domínio dos Splash Brothers foi tão imenso que NENHUM outro atleta do Golden State chegou a 11+ pontos (incrível). Do outro lado, Russell Westbrook, pelo Thunder, obteve 19 pontos e 13 assistências e Kevin Durant, gênio do basquete, 27. Vale dizer, desde já, que Anderson Varejão torna-se o primeiro brasileiro a disputar três finais (2X pelo Cleveland e esta agora pelo Warriors) e a ganhar as duas conferências, e Leandrinho tem a chance de se tornar o primeiro do país a conseguir dois anéis de campeão da NBA.

nba1O jogo começou e parecia a repetição dos primeiros duelos da série (com exceção dos seis minutos finais do jogo 6 em Oklahoma). O Thunder forçou o ataque com Steven Adams e Serge Ibaka no garrafão, dominou os primeiros minutos e fez 24-19. Seguiu bem a cartilha para vencer um jogo 7 fora de casa (marcando bem, evitando cestas fáceis dos rivais e envolvendo os cinco atletas em quadra no ataque), venceu o período seguinte por 24-23 e foi para o vestiário com 48-42. A vantagem só não foi maior porque, nos instantes derradeiros, Steph Curry fez seis pontos (improváveis) de forma consecutiva e diminuiu o déficit para seu time.

nba5A volta do intervalo mostrou a força do Warriors. O Golden State começou a matar bola loucamente (foram sete ataques SEGUIDOS acertando), teve quatro bolas de três CONSECUTIVAS, virou o jogo, incendiou o ginásio, deixou o OKC nas cordas (mentalmente o Thunder apresentou os mesmos problemas dos últimos anos, quando ruía terrivelmente a toda dificuldade), fez 29-12 (23-6 da metade pro final do período) e levou margem de 11 pontos para os 12 minutos finais (71-6). No período final, Kevin Durant tentou comandar a reação do Thunder, a diferença chegou a cair para quatro pontos, mas ali no minuto final Steph Curry cobrou, e acertou, três lances-livres seguidos e fez uma bola de três pontos improvável para selar a vitória por 96-88.

O Oklahoma lutou muito, mas ficou pelo caminho. O Warriors está de novo em uma final da NBA. Gostou do jogo? Ficou em ótimas mãos o título do Oeste, né?