Bala na Cesta

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Titular, Ginóbili decide, Spurs vencem, abrem 3-2 e ficam a uma vitória do título da NBA
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Fábio Balassiano

Gregg Popovich costuma dizer uma frase simbólica mas muito verdadeira sobre seu time: “No Manu, No Ring”. Em uma tradução livre, seria “Sem Manu, Sem Anel (de campeão). Pop fala, obviamente, da centelha de genialidade, do improviso, que só o argentino pode trazer neste elenco do San Antonio Spurs. E o hermano, como vocês sabem, não vinha jogando absolutamente nada nestas finais (7,5 pontos e 35% nos chutes). Aí o que o treinador mais rabugento da NBA fez?

Aproveitando-se da formação baixa trazida pelo Miami Heat no jogo 4, Pop tirou Tiago Splitter, mas não veio com Gary Neal, como na partida anterior. Formou o quinteto titular com Manu Ginóbili (foto à esquerda), em uma clara demonstração de confiança e de querer recuperar a auto-estima de sua estrela. E o argentino respondeu à altura em quadra.

Fez sete pontos só no primeiro período, incendiou time e torcida, manteve o ritmo até o final, terminou com 24 pontos (sua melhor pontuação da TEMPORADA) e dez assistências (seu recorde em playoff), viu Danny Green (foto à direita), com suas seis cestas de três pontos, entrar no livro dos recordes da NBA com o maior número de bolas de fora em uma série final da liga (25 até então),  e liderou sua equipe a uma confortável vitória por 114-104 (por incrível que pareça, mais uma vez tivemos uma peleja não tão disputada assim nesta final – com exceção do jogo 1, nenhum duelo foi equilibrado até o fim). Com o resultado, os Spurs, que tiveram todos os titulares com 16 ou mais pontos, abrem 3-2 na finalíssima e estão a apenas uma vitória do quinto título da franquia. Aqui cabe um detalhe: na pós-temporadas, os texanos ainda não perderam duas seguidas, e se mantiverem isso serão campeões.

Pelo lado do Miami, o time defendeu muito mal (não sei se estavam preparados para uma versão tão Manu do Manu assim), e no ataque foi completamente dependente do seu trio – Bosh+Wade+LeBron marcaram 66 dos 104 (63%) do time nesta noite. E o que é incrível: mais uma vez Mike Miller, que vinha tão bem do banco e foi o responsável pela mudança das formações táticas dos dois times (que passaram a adotar o small-ball sem o menor pudor), não fez nenhum ponto (nos 17 minutos em que esteve em quadra, errou seu único arremesso e saiu zerado – prova que no basquete o treinador tem influência com uma mexida independente de o atleta que entra, ou sai, ter ótimo desempenho).

Os dois próximos jogos (terça-feira e quinta-feira às 22h), porém, serão na Flórida, e mesmo não tendo jogado nada neste domingo o Miami ainda tem o mando de quadra e ótimas chances de conquistar o bicampeonato (de todo modo, é bom lembrar que o Miami Heat estará na mesmíssima situação de dois anos atrás, quando foi para South Beach com 2-3 do Texas, perdeu o jogo 6 em casa e viu o Dallas Mavericks conquistar o título na American Airlines Arena). A grande notícia para o San Antonio, porém, é que o time não ganhou “só” o jogo desta noite – o time recuperou o cara mais criativo da equipe. E isso pode render frutos nos dois jogos que restam na decisão da NBA.

Viu o jogo? Curtiu? Que atuação do Ginóbili, hein! Comente!


No último jogo das finais da NBA em San Antonio, Spurs e Miami duelam por vantagem hoje
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Fábio Balassiano

A partir das 21h deste domingo (ESPN exibe no Rádio e na TV) San Antonio Spurs e Miami Heat disputam o último jogo da temporada no Texas. Com 2-2 na ótima decisão da NBA, quem vencer logo mais sai com vantagem para os dois jogos (ou um jogo só, caso a série termine no sexto duelo) que fecham o campeonato na Flórida.

A grande questão, ao menos pra mim, é saber como será a reação de Gregg Popovich em relação ao ajuste feito por Erik Spoelstra na última quinta-feira. O treinador do Miami abriu mão de um pivô (Udonis Haslem foi pro banco e Chris Andersen nem entrou), jogou com baixinhos, abriu a defesa do Spurs e fez o trabalho de LeBron James e Dwyane Wade (craque de bola!) ficar mais fácil.

Escrevi aqui ontem que Pop escolheu um lado da moeda para o jogo 4 (tirar, tal qual fez Spo, um pivô – Splitter – para atuar com outro baixinho, Gary Neal), e não sei exatamente o que passa na cabeça dele para logo mais. Danny Green, em entrevista coletiva no final do treinamento deste sábado disse que não via seu treinador fazendo grandes mudanças para a partida. Pode ser um blefe, mas se Popovich não fizer nada, absolutamente nada, o Miami Heat ficará muito bem na fita para repetir o triunfo de dois dias atrás.

Há alternativas para o Spurs. Jogar com os dois altos de sempre (Duncan, Bonner, Diaw, Splitter e até Blair) é a maior delas, e eu certamente não a abandonaria neste momento (tentaria, como disse ontem, castigar, punir, mostrar ao Miami que nem sempre é efetivo isso). O San Antonio levaria vantagem na altura, e bastaria pontuar um pouquinho perto da cesta para Spoelstra no mínimo repensar sua estratégia. Outra ideia é, mesmo querendo repetir o estratagema do técnico rival, Pop manter a postura defensiva de seu time. Ou seja: deixa o Miami chutar de longe. Paciência, essa é a única alternativa para seu time conseguir vencer esta final. Abrindo o garrafão, ele já viu que é derrota quase certa. LeBron e Wade tiveram espaço para as investidas (os famosos drives da dupla tiveram mais de 67% de eficiência em cestas ou lances-livres na partida passada), as rotações não chegaram e o ataque não compensou a marcação errática. Manter, repito, é suicídio.

Lá pelas 23h30 a gente vai saber quem vai pegar o avião com destino a South Beach em vantagem nesta final da NBA. Sem pestanejar, você, querido leitor, aposta em quem? Comente aí!


Com 2-2 na série, Gregg Popovich poderia copiar Phil Jackson e Frank Vogel para o jogo 5
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Fábio Balassiano

Em seu livro “Last Season”, em que conta detalhes sobre a turbulenta temporada 2003-2004 do Los Angeles Lakers, Phil Jackson (foto à esquerda) fala sobre como era enfrentar Don Nelson, técnico que fez escola em Dallas e Golden State com um plano de jogo que valorizava os contra-ataques e as formações sem dois pivôs fixos o tempo todo: “Em todos os anos que enfrentei Don Nelson ele sempre tentou colocar um duelo (mismatch) com os jogadores baixos dele para enfrentar meus times quase sempre altos. Sempre se tem a ideia de que, quando um treinador faz isso, ou seja, retira seus pivôs para jogar com rapazes mais baixinhos, o certo é que você, técnico adversário, também faça o mesmo – e eu vejo muitos caindo na estratégia de Don. Não é raro você ver times atuando contra ele só com alas e armadores – e nenhum pivô.

Quase sempre resisti a isso, e tem dado resultado. Tenho mostrado a ele que vou manter meu estilo de jogo e que meus gigantes vão maltratar o estilo dele. O resultado é que os times de Nelson quase sempre fracassam contra os meus. O grande erro é você mudar completamente seu estilo para se igualar a algo que o cara do outro lado faz. Isso eu nunca fiz. Houve uma vez, em 1994, quando era técnico do Chicago e ele estava em sua primeira passagem pelo Warriors, que um armador dele (Keith Jennings) de 1,80m esteva marcando Scottie Pippen (2,06m) por quase 20 minutos. No final, ganhamos com uma exibição incrível de Scottie, que maltratou Jennings no low-post (perto da cesta) com jogadas de costas que acentuavam ainda mais essa diferença de altura. No final, me perguntaram o que tinha achado do matchup, e eu disse: ‘Adorei. Podem fazer sempre isso que Pip será MVP da temporada’ (observação minha: o jogo que Phil Jackson se refere aconteceu em 4 de fevereiro de 1994, em Oakland, Jennings jogou 18 minutos e de fato Pippen acabou com o cara, tendo feito 30 pontos e dado a vitória ao Chicago por 101-99)”, conta o treinador, que teve 15-5 quando Nelson esteve com os Mavs e uma série de 12 vitórias seguidas quando o técnico esteve com os Warriors.

Além de Phil Jackson, quem também “puniu” muito bem o Small-Ball foi Frank Vogel (foto à direita), técnico do Indiana Pacers. Na série final do Leste contra o Heat, Vogel fez questão de deixar a sua dupla de pivôs (David West e Roy Hibbert) junta em quadra a maior parte do tempo para castigar as formações mais baixas do Miami. Deu muito, muito certo e por pouco os Pacers não avançam às finais da NBA.

Hibbert maltratou Bosh, Haslem e Andersen, West brilhou como se ainda jogasse com os picks de Chris Paul e o Indiana mostrou que nem sempre é necessário jogar “baixinho” para enfrentar um time sem pivôs. O time dominou o garrafão, fez muitos pontos por lá e foi soberano também nos rebotes. Se a diferença técnica era grande, a estatura talvez tenha levado um confronto que tinha tudo para não ser tão caótico para os atuais campeões a sete jogos de tirar o fôlego.

Toda essa introdução é pra falar um pouco sobre o jogo 5 da final da NBA que acontece amanhã no Texas. Tal qual ensinou Phil Jackson nos duelos contra Don Nelson e Frank Vogel na final do Leste, nem sempre é necessário aderir ao plano de jogo do adversário. Na quinta-feira, Gregg Popovich (foto à esquerda com cara raivosa – pra variar) mordeu a isca lançada por Erik Spoelstra, que colocou Mike Miller no quinteto titular, e sacou o pivô Tiago Splitter para colocar o armador Gary Neal com menos de um minuto de jogo.

O resultado foi que não só na defesa o San Antonio foi um fiasco pelas razões que expliquei aqui ontem (LeBron James e Dwyane Wade tiveram espaço pra infiltrar, liberdade para chutar de longe e nenhuma cobertura do único pivô do Spurs por perto), mas também que o ataque não conseguia castigar a opção do Miami por jogar só com baixinhos. Foi um ajuste de Spo que deu certo, muito certo, e algo deverá ser feito por Popovich para amanhã.

Não sei se necessariamente passa por jogar com Tiago Splitter a maior parte do tempo (o brasileiro não está bem nas finais, decididamente). Talvez colocar alguém mais móvel como Boris Diaw por mais tempo (o francês, por sua vez, cansa mais rápido devido a seu físico não muito animador) seja uma solução. Arriscar mais tempo com jogadas de isolação ou high-low de Tim Duncan para Splitter ou vice-versa, também. Ficar do jeito que esteve na quinta-feira, ou seja, aceitando uma estratégia (brilhante, diga-se de passagem) de Spoelstra é que acho que não vale a pena para o San Antonio Spurs. A sua defesa contra o Heat, a que vinha dando certo pra caramba, era aquela que pedir para o Miami chutar sem parar e fechava o garrafão para as infiltrações – e não fazia sentido algum mudar, abrir espaço para os caras da Flórida brilharem da maneira que mais gostam e sabem (perto da cesta e sem chance de ajuda defensiva).

Que Popovich lembre de Phil Jackson, que sempre mantinha Shaquille O’Neal e outro ala de força para enfrentar a correria de Don Nelson, e de Frank Vogel, que fez o mundo acreditar que Hibbert era um cracaço quando o jovem pivô maltratava a baixa defesa do Miami com seus ganchos e enterradas ferozes. Não sei se é A solução para vencer o jogo 5, mas creio que está óbvio que aceitar o small-ball do Miami não é lá muito recomendável.

Concorda comigo? Comente!


Com atuação de gala de Dwyane Wade, Miami vence Spurs no Texas e empata decisão da NBA
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Fábio Balassiano

Na terça-feira, depois do jogo 3 vencido facilmente pelo San Antonio Spurs por 36 pontos, muita gente criticava insistentemente LeBron James. Eu, neste canto, disse e repeti que para o Heat vencer no Texas nesta quinta-feira seria necessária ajuda de Dwyane Wade e Chris Bosh. E assim foi feito.

Intenso, Wade teve uma atuação de gala (jogando como o bom e velho Dwyane Wade, ele liderou o time com 32 pontos, 6 rebotes, 4 assistências e 6 roubos – nenhum erro, hein!), Bosh foi muitíssimo bem (20+13 rebotes) e LeBron James não ficou tão sobrecarregado assim, saindo-se com 33 pontos, 11 rebotes e 4 assistências. Com isso, a vitória no melhor jogo da decisão da NBA veio (109-93), o empate na série final está cravado em 2-2 e o jogo 5 de domingo será ainda mais sensacional.

Vamos a alguns pontos interessantes:

1) Tão criticado (injustamente ao meu ver) por essas bandas, Erik Spoelstra deu um verdadeiro banho tático para esta noite. Tirou Udonis Haslem do time titular, colocou Mike Miller e conseguiu o que queria – abrir o garrafão do San Antonio. Gregg Popovich sacou Tiago Splitter com 50 segundos, o jogo foi quase todo realizado com o famoso “quatro abertos” e assim o Miami deitou e rolou com seu jogo rápido e fluído. Outra coisa: Dwyane Wade comandou TODAS as ações ofensivas, como havia pedido aqui diga-se de passagem, deixando LeBron como finalizador e pronto para receber a bola no low-post (perto da cesta). Lá, James recebia e apenas girava em cima de seu marcador, sem tempo de a ajuda chegar (no caso a ajuda de apenas um homem alto, já que o outro, Splitter ou Duncan, estava no banco). O resultado não foi que o Miami, com quatro abertos e chutadores excelentes, passou a chutar de fora (foram apenas 12 tentativas), mas sim que o espaço para infiltrações e arremessos mais de perto enfim apareceu. Foram 50 pontos dentro do garrafão e 14 em contra-ataques. Se queriam ajuste de Spo, pois muito bem, o ajuste veio – e Pop não encontrou resposta durante o jogo. Parabéns ao treinador do Miami!

2) Dos quatro jogos da série, e por mais excepcionais que tenham sido todos os quatro (e foram mesmo), decidido até o final apenas o primeiro, aquele da cesta espírita de Tony Parker. O Big 3, dessa vez, foi surreal de bom, aliás. Wade+Bosh+LeBron tiveram 85 dos 109 pontos do Miami (78%).

3) O que acontece com Manu Ginóbili? Quase sempre genial, o argentino anda tenebroso na final da NBA (errou quatro de seus cinco arremessos nesta quinta-feira e tem, ao todo, 10/29 nos arremessos nesta série). A idade parece pesar para o hermano.

4) Como desperdiçou bolas o San Antonio esta noite (foram 19). Errando assim, não vai ganhar do Miami, time cuja defesa sempre foi muito, muito boa e cujo jogo de transição funciona muito bem quando a marcação consegue forçar estes erros (hoje foram 23 pontos através de desperdícios do Spurs).

5) O jogo 5 será no domingo, mas a série já terá no mínimo um jogo em Miami. A dúvida é: em que condição – se com o Heat ou com o Spurs na frente.

6) LeBron arremessou 25 bolas no jogo 4. No anterior, 21. Vamos parar com essa bobagem de dizer que o cara “apareceu” pra jogar. A diferença entre quinta-feira e terça é muito simples: havia um time a ajudá-lo e seus arremessos caíram. Simples assim. Falar em atitude não cola, sinceramente.

7) Um dado interessante sobre erros: quem errou menos ganhou a partida. Hoje, Miami teve 9. Spurs, mais que o dobro (19). Dar posse de bola de graça decididamente não é uma boa coisa.

Viu o jogo? Curtiu? Que atuação soberba de Dwyane Wade, não?


No Dia de Santo Antônio, Spurs pode abrir 3-1 contra Miami e ficar a uma vitória do título da NBA
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Fábio Balassiano

Quinta-feira muito importante na final da NBA. No dia de Santo Antônio, o Spurs, com ginásio lotado certamente, pode abrir 3-1 contra o Miami Heat e ficar a apenas um triunfo do quinto título da história da franquia a partir das 22h (com transmissão da ESPN na TV e no Rádio). Com 2-1 na série e uma atuação magnífica na terça-feira, o que a torcida texana espera é que o rendimento seja parecido e que a vitória venha no final.

Para o Spurs, a grande dúvida é saber em que condições o armador Tony Parker estará. Com dores na coxa, ele passou por exames na tarde de ontem e é considerado dúvida para a partida. Caso entre, obviamente não estará em perfeito estado. Por isso, os coadjuvantes (coadjuvantes que mais parecem atores principais neste confronto final, aliás) mais do que nunca são fundamentais. Com Manu Ginóbili cada vez menos decisivo (ao menos por aqui), Danny Green, Gary Neal e Kawhi Leonard é que deverão decidir a parada a favor – ou contra – do San Antonio. Com eles jogando o que jogaram na terça-feira, é quase certo que a vitória venha.

Do outro lado, a questão é saber como o Miami irá reagir à surra de 36 pontos que levou há dois dias e principalmente quais ajustes táticos (principalmente os ofensivos) serão feitos por Erik Spoelstra para fazer com que LeBron James (foto) não pareça um jogador apenas mediano – algo que sabemos que ele não é. Ontem coloquei aqui algumas sugestões, mas obviamente Spo é muito mais sábio que eu e saberá o que fazer para melhorar a situação. O óbvio é: o Heat não pode mais ficar jogando só baseado em arremessos. Já que as infiltrações estão fechadas, devido ao garrafão do Spurs, que o time encontre uma maneira de abrir o cadeado e/ou outra forma de atuar. Ficar do jeito que está é suicídio, e deixar o rival abrir 3-1 é meio caminho andado para perder a decisão da NBA.

Quem será que vence hoje? Comente!


Após derrota do Miami, o clichê de sempre: LeBron James amarelou – amarelou mesmo?
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Fábio Balassiano

É o Miami Heat perder qualquer jogo de basquete para começar a pipocar nas redes sociais: ‘LeBron James amarelou’ (ou alguma variação menos educada e/ou mais criativa que isso). E isso aconteceu ontem, obviamente, quando o Miami levou 36 pontos em uma surra incrível aplicada pelo San Antonio Spurs (a terceira maior das finais da NBA, diga-se de passagem).

LeBron jogou mal demais, ninguém é maluco de dizer o contrário. Errou 14 de seus 21 arremessos, praticamente aceitou a marcação que Popovich o apresentou (Splitter, Green, Duncan e Leonard vigiaram o MVP nos 39 minutos em que esteve em quadra), baseou seu jogo apenas em arremessos longos (algo que decididamente o Spurs tem o forçado desde o começo da série – e seu aproveitamento em chutes de fora do garrafão tem sido de 23,8% na série, menos que os 35% dos três rounds anteriores e os 36,5% da temporada regular), foi pouco agressivo (pela primeira vez desde que chegou a South Beach não cobrou NENHUM lance-livre) e nem na defesa conseguiu deter seus rivais. Ele jogou mal, é um fato, insisto. No final da partida, LBJ mesmo admitiu que está em fase não muito boa nas finais, onde tem 16,3 pontos e 38,8% de aproveitamento nos chutes: “Posso jogar mais, tenho certeza disso. Ofensiva e defensivamente eu posso render mais. Não estou culpando ninguém. É tudo comigo mesmo. Isso é muito claro pra mim. Vou melhorar”, afirmou com sinceridade.

Taticamente, o Spurs dá um banho muito grande na marcação ao rapaz – e é óbvio que o resultado final conta aqui também. A ideia de Gregg Popovich é fazer com que LeBron jogue o maior número das vezes em jogadas de isolação (um-contra-um), variando o defensor (às vezes mais baixo, às vezes mais alto, às vezes mais forte – Leonard, Green, Splitter, Duncan e até Manu foram tentar deter o cara na série) e dobrando quando tem que dobrar (o treinador do San Antonio prefere, com razão, dificultar as coisas para o MVP mesmo deixando os outros do Heat livres em alguns momentos). E nas ISO James, que teve aproveitamento de 38% nos arremessos e 1,02 pontos por posse neste tipo de jogada (foram 16,8% de suas ações nas três primeiras séries de playoff este ano), tem 28,6% (0-6 assim no jogo de ontem) e 0,57 pontos por jogada assim nas finais (22,2% de suas ações ofensivas têm vindo no mano-a-mano. Ou seja, os texanos meio que obrigam o ala do Miami a direcionar seu ataque assim, e ele não tem feito muita coisa pra mudar, não. Outro ponto interessante aos que pedem que ele infiltre mais no garrafão (algo que é bobagem total e absoluta, visto que a área pintada do Spurs está completamente fechada e cercada por até quatro homens em todos os momentos): nas finais do Leste, o camisa 6 foi em direção à cesta 10,3 vezes por jogo, com 53,8% de aproveitamento nos arremessos e 1,9 faltas sofridas no meio disso tudo. Nas finais da NBA, o número cai para 6,7 investidas, 30% nos chutes assim (0/4 ontem) e 0,7 faltas apitadas a seu favor neste tipo de jogada. Dá pra entender o tamanho do mérito do gênio Pop nisso tudo, não?

Que LeBron James está mal, é meio óbvio. Que ele precisa fazer ajustes em seu jogo para essa final, certamente o ponto mais difícil desta temporada em que o Miami atropelou quase todo mundo, é mais óbvio ainda. Uma boa saída pode ser chamar mais picks, mais bloqueios lá em cima do garrafão, a fim de tirar um pouco os grandões do San Antonio Spurs lá de dentro (LeBron não tem o costume de fazer isso porque geralmente, devido a sua descomunal força física, consegue bater seu adversário na corrida – com o famoso primeiro passo, first step, dele). Outra, deixar que Dwyane Wade comece as ações ofensivas e ele seja acionado apenas em um segundo momento, invertendo a ordem das jogadas ofensivas por alguns instantes para ver como será a reação da defesa do Spurs. Wade é habilidoso, e certamente poderia encontrar LeBron em uma posição menos marcada após um drible, após um corta-luz que mexesse com a defesa texana (os cuts – cortes em direção à cesta - que dão muito certo com Wade em passe de LeBron poderiam dar igualmente certo invertendo os papéis dos atores). Algo precisa ser feito, e até o MVP já concordou com isso.

Daí a dizer que ele se esconde, que ele amarela ou coisas do gênero vai uma diferença e uma distância terrível – cruel até. LeBron ontem procurou o jogo o tempo todo – tanto procurou que foi o cara que mais arremessou bolas em seu time. O problema, pro Miami, claro, é que as bolas não caíram, oras. Tão simples quanto isso. Discuta a parte técnica, mas não a sua postura. Ninguém joga bem todas as noites (nem James, nem Jordan, nem Kobe, nem ninguém). Ele é um ser-humano, jogos assim aconteceram e vão acontecer muito em sua carreira e ninguém ganha jogo de basquete sozinho (ainda mais em final de NBA).

O que fico me perguntando é: LeBron joga sozinho no Miami Heat? Onde estavam principalmente Chris Bosh e Dwyane Wade, que formam o Big 3 com LeBron, para ajudá-lo em uma noite ruim da principal estrela da companhia? Mestres no caras-de-bocas e na animação da torcida na Flórida, Wade, o cara que foi sensacional no título da franquia em 2006 dominando a série final com menos de 25 anos na cara, e Bosh têm potencial para serem muito mais do que coadjuvantes de luxo em um time top da NBA – algo que parecem conformados em ser há três temporadas.

Ontem os dois preferiram manter suas médias (terminaram com 16 e 12 pontos, respectivamente) a tentar algo diferente para salvar um companheiro que estava mal. Na frieza final dos números, Wade + Bosh fecharam com 28 pontos e James, errático toda noite, com 15. Nem é tanta diferença assim. Quem sofreu com isso? O Miami, que levou uma surra daquelas.

Esqueçamos os clichês, por favor. LeBron James jogou mal e foi completamente anulado por Danny Green e Kawhi Leonard, algo que vem acontecendo na série inteira, aliás (por favor, só não peçam para LBJ jogar dentro do garrafão porque, se ainda não perceberam, ali está fechadinho…). Daí a dizer que ele se escondeu vai uma diferença imensa. Ele só não tem conseguido, contra uma defesa monstruosamente bem armada, fazer o que fez em toda a temporada – principalmente porque o nível é mais alto com os Spurs. Que Wade e Bosh o ajudem, que Erik Spoelstra lhe mostre os caminhos e principalmente que os zumbidos das redes sociais façam novos sons na quinta-feira.

LeBron não é santo (é marrento toda vida e tem comportamento que nem sempre agrada). LeBron é falível. LeBron não precisa de um post para defendê-lo. LeBron precisa, no final das contas, de novas críticas. Podem começar por trocar o adjetivo ‘amarelão’.


Spurs domina do começo ao fim, surra Miami por 36 pontos e abre 2-1 na final da NBA
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Fábio Balassiano

Domínio completo no Texas na noite desta terça-feira. E para a alegria dos torcedores que lotaram a AT&T Center a festa foi do San Antonio Spurs, que surrou o Miami Heat por 113-77 (36 pontos de diferença, gente!) com o recorde de bolas de três pontos em partidas finais da NBA (ao todo foram 16, em 32 tentativas – um aproveitamento sensacional de 50% de fora) e abriu 2-1 na série. Alguns pontos interessantes:

1) Danny Green (foto à direita) teve mais uma atuação histórica. Em seu quarto ano na NBA, o rapaz simplesmente anotou sete bolas de três em nove tentativas, terminou com 27 e ainda apanhou quatro rebotes. Na decisão da NBA, ele tem 18,5 pontos, o líder em pontos. Em três jogos, ele tem 16 bolas de três convertidas em 23 tentativas (69,6%). Tá bom ou quer mais?

2) Quem também foi muitíssimo bem, inclusive quando Tony Parker, machucado, esteve fora de quadra, foi Gary Neal (foto à esquerda). Vindo do banco de reservas, o baixinho cravou seis bolas de três pontos em 25 minutos, terminou com 24 pontos e foi fundamental para a vitória.

3) Quem também merece destaque é Kawhi Leonard. O cara terminou com 14 pontos e 12 rebotes (seu terceiro jogo com 10 ou mais rebotes na série) e anulou LeBron James, que foi muito mal nesta noite com 7/21. Amanhã faço um post completo sobre LBJ, ok.

4) Nenhum jogador do Spurs esteve em quadra por mais de 32 minutos. Se estava preocupado com o físico de seus atletas, Popovich deve ter sorrido agora.

5) Dwyane Wade e Chris Bosh, que tanto sorriem e fazem caras e bocas, não poderiam ajudar um pouco mais a LeBron James quando o companheiro está (algo raro) mal? A dupla que forma o Big 3 com LBJ somou 28 pontos. James, péssimo, teve 15 pontos, 11 rebotes e cinco assistências. Até o MVP precisa de ajuda…

6) O segundo tempo terminou em 63-33.

7) Os titulares do Miami somaram 43 pontos. Green + Neal = 51. O trio do Spurs (Duncan, Manu e Parker) teve apenas 25.

Viu o jogo? Curtiu? Então comente!


Miami Heat e San Antonio Spurs jogam para abrir vantagem na decisão da NBA esta noite no Texas
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Fábio Balassiano

A partir das 22h desta terça-feira, com transmissão da ESPN (TV e Rádio), acontece o terceiro jogo da final da NBA entre San Antonio Spurs e Miami Heat no Texas. Mais do que a vitória em uma série empatada em 1-1, vale um tira-teima do que foi visto no jogo 2 no domingo, na Flórida.

A série caminhava bem, equilibrada, após seis períodos (os quatro primeiros, no jogo 1, e os dois primeiros do jogo 2), quando o Miami ligou o turbo e jogou um basquete de outro planeta. Rápido, certeiro nos arremessos, físico, intenso. Quando isso acontece, pode colocar qualquer time do outro lado da quadra que não adianta nem rezar – é derrota certa.

A dúvida é saber se o Heat mantém a força para logo mais, a mesma força, ou se o San Antonio Spurs, que vinha jogando muito bem e colocava uma pressão danada no Miami para voltar ao Texas com 2-0, fará algum ajuste para tentar conter LeBron James (é possível?) ou concentrará suas forças nas peças de apoio que foram muito bem no domingo (a bola de três caiu, Mario Chalmers, Mike Miller e Ray Allen apareceram e Dwyane Wade e Chris Bosh parecem bem confortáveis na decisão neste momento).

Sobre o Spurs, estou curioso demais para saber o que fará Manu Ginóbili (foto à esquerda) a partir de agora. O desempenho do argentino é tenebroso até então (6/17 nos arremessos e 4 erros na final), mas sabemos quão talentoso ele é – e o que ele pode fazer quando está contra a parede. Só não sei, sinceramente, se o físico de Manu aguenta o tranco contra uma marcação tão forte como é a do Miami. Para o San Antonio ser campeão, porém, será necessário que ele apareça para jogar seu melhor basquete.

Dois fatos interessantes sobre finais da NBA:

1) Dois times de pior campanha venceram os três jogos da final da NBA em casa (Detroit, em 2004, e o Miami, ano passado);
2) Três times de melhor campanha venceram os três jogos da final da NBA fora de casa (Pistons em 90, Bulls em 91 e Lakers em 2001).

Tudo leva a crer, portanto, que a série final da NBA retorne a Flórida para os jogos 6 e/ou 7. A grande questão é saber como o confronto entre Spurs e Heat volta para South Beach. Abrir 2-1, seja de que lado for, é fundamental para saber quem tomará não só as rédeas do placar, mas as rédeas psicológicas nessa decisão.

Quem vence logo mais? Comente!


Miami tem sequência incrível no segundo tempo, vence jogo 2 e empata decisão da NBA
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Fábio Balassiano

O jogo estava equilibrado (em alguns momentos os Spurs pareciam ter o controle tático e emocional do duelo deste domingo, inclusive), disputadíssimo desde o começo até que o Miami Heat apertou o botão do turbo no meio do terceiro período e jogou com uma intensidade incrível, assustadora – daquelas que, quando o Miami consegue jogar, é quase impossível detê-los.

LeBron James, até então errático nos arremessos (2/12), começou a acertar tudo (5/5 direto e um toco espetacular em Tiago Splitter – veja no vídeo abaixo do post), o Heat foi no embalo de sua estrela, fez uma sequência de 30-5 e viu o San Antonio Spurs apenas pelo retrovisor. Vitória final por 103-84, 1-1 na série e os três próximos jogos da decisão da NBA no Texas (o terceiro será na terça-feira, às 21h).

No jogo deste domingo, atuações bem incríveis de Danny Green (17 pontos e 5-5 de três pontos) pelo Spurs e uma bem sólida de todo o elenco do Miami: Mike Miller acertou suas três tentativas de três pontos, Dwyane Wade teve dez pontos e seis assistências, Mario Chalmers saiu-se com 19 e LeBron, mal até o terceiro período, terminou simplesmente com 17 pontos, 8 rebotes, 7 assistências, 3 tocos e 3 roubos.

Para a vitória do Miami, alguns fatores foram fundamentais:
1) O time acertou a mão de fora. Após 8/25 no jogo 1, 10/19 nesta noite
2) O Miami conseguiu forçar muitos erros do Spurs (4 no jogo 1; 16 no jogo 2)
3) Tony Parker jogou como um ser-humano. Errou nove de seus 14 arremessos e teve cinco erros (no jogo 1, nenhum desperdício de bola). Quem poderia ajudá-lo, Manu Ginóbili, não tem ido bem nas finais até agora (6/17 nos arremessos e 4 erros).

Viu o jogo? Curtiu? Comente!


O jogo 2 das finais da NBA esta noite na Flórida, mas o Miami pode chamar de ‘O Jogo do ano’
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Fábio Balassiano

Chega a ser engraçado, confesso. Toda e qualquer derrota do Miami Heat em um jogo de playoff gera um absurdo de críticas, de palavras pesadas. Depois da derrota por 92-88 no jogo 1 da final da NBA para o San Antonio Spurs na quinta-feira, a turma da Flórida ouviu de tudo um pouco: “LeBron James precisa chutar mais”, “Chris Bosh deve ser mais agressivo no garrafão”, “Dwyane Wade se acomodou como parceiro de LeBron e não é mais o mesmo”, etc.

Chega a ser engraçado, repito. É um time de basquete que, desde a formação do Big 3, chegou a todas as finais da NBA possíveis e só perdeu o jogo 1 de uma série final (em que pese, claro, a perda do mando de quadra e o fato de os vencedores do jogo 1 vencerem 72% das vezes uma final da liga – e, claro, os Spurs têm 5-0 em aberturas de decisão). Mesmo assim, o sinal de alerta soou na Flórida, como disse Dwyane Wade em entrevista ao repórter Michael Willbon, da ESPN na tarde de sábado.

“É o jogo do ano pra nós amanhã (no caso, este domingo). Não jogamos mal no jogo 1. A gente tem a impressão que eles nos tiraram a vitória, mas o fato é que não queremos, e não podemos, ir pro Texas com um 0-2 na bagagem. É o nosso jogo do ano, isso está bem claro pra nós”.

Bingo, é isso mesmo. O jogo de hoje (21h de Brasília, na ESPN) é, sem dúvida, bem chave para os destinos da série. Se o Spurs conseguir vencer, abrindo 2-0, acho bem improvável que o Miami consiga trazer a final de novo para South Beach. Caso os donos da casa derrotem o Spurs (lembrando que o Heat tinha vantagem até o período final, vencido pelo rival de forma magistral por 23-16), grandes chances de esse confronto ir bem longe (seis ou sete jogos)

Para o Spurs, é jogar para colocar uma pressão imensa no rival e mantendo a postura do jogo 1, quando não deixou o rival fazer bandejas e nem cestas em contra-ataque (apenas 9 pontos assim), algo que o Indiana já havia conseguido fazer (os Pacers mostraram que é possível, sim, domar a fúria ofensiva do Heat – só faltou um pouco mais de talento para ir longe…). Para o Miami, caprichar um pouco mais nas bolas de três (8/25 no jogo 1), forçar mais erros (apenas quatro do SAS na quinta-feira) e segurar Tony Parker (cracaço de bola!) deve estar na ordem do dia.

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