Bala na Cesta

Arquivo : Oscar Schmidt

‘Oscar seria um dos 50 melhores jogadores da história da NBA’, afirma Kobe Bryant
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Fábio Balassiano

Oscar Schmidt seria um dos 50 melhores jogadores da história da NBA. Não acho que há dúvida sobre isso. A NBA celebrou em 1997 os seus 50 melhores jogadores. Oscar estaria lá. Sem dúvida. Acho que perdemos a oportunidade de ter Oscar na NBA. Perdemos a oportunidade de ver um jogador que poderia ter sido um dos melhores de todos os tempos. Queria que o mundo pudesse tê-lo visto jogar porque ele seria sensacional

Ele era uma máquina de fazer pontos e sempre foi muito simpático comigo. Eu estava sempre na quadra brincando e Oscar poderia não ligar muito, mas era o contrário. Sempre muito divertido, amoroso, carinhoso comigo e com as outras crianças. Ele teve um grande impacto em minha vida. Pela sua personalidade, estilo de jogo e pela sua natureza agregadora. Estava sempre aberto e jogava com muita paixão. Você podia sentir essa paixão dele pelo jogo, então imagina o que isso faz pra uma criança assistindo o cara jogar. A melhor maneira para as crianças dos Estados Unidos entenderem como o Oscar jogava é olhar para o Magic Johnson. O entusiasmo, a intensidade e as emoções ficavam à flor da pele

Esta são apenas duas das incríveis declarações de Kobe Bryant no especial “Oscar por Kobe”, que será exibido hoje às 22h30 pela ESPN logo após o segundo jogo entre Cleveland Cavs x Indiana Pacers pelos playoffs da NBA, que começa às 20h.

O blog teve acesso ao material em primeiríssima mão e pode afirmar com toda certeza: o conteúdo da reportagem exclusiva do repórter José Renato Ambrósio é sensacional mesmo para quem já viu e leu muita coisa a respeito da reverência de um dos melhores jogadores da NBA de todos os tempos para com Oscar Schmidt, Hall da Fama (2013) e ídolo de infância de Kobe.

Se há coisa a dizer a vocês, é o seguinte: o especial desta segunda-feira à noite é emocionante e lindíssimo. Não percam.


Oscar deixa recado ao novo presidente da Confederação: ‘Estou contando com você’
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Fábio Balassiano

No Jogo das Estrelas do NBB, a maior delas estava sentada à beira da quadra. Oscar Schmidt, recém-chegado dos Estados Unidos, onde foi homenageado pelo Brooklyn Nets, franquia que o selecionou no Draft de 1984, e atuou no Desafio das Celebridades do All-Star Game da liga norte-americana, foi aplaudido efusivamente pelo público que lotou o Ibirapuera. Visivelmente emocionado de ver o palco em que foi campeão mundial em 1979 pelo Sírio, ele conversou com o blog sobre seus últimos dias recheados de emoção e também sobre o futuro do basquete brasileiro, que será comandado por Guy Peixoto na Confederação Brasileira.

BALA NA CESTA: Quando você entra aqui no Ibirapuera lotado, um ginásio em que você conquistou o título mundial em 1979, e volta mais de 30 anos depois sendo aplaudido efusivamente por mais de 10 mil pessoas, qual o sentimento?
OSCAR SCHMIDT: É algo indescritível o que estou sentindo neste momento. É muito emocionante voltar, é muito lindo ser lembrado por um público que em sua maioria não me viu jogar e mais ainda estar ao lado de meus companheiros de tantas batalhas. O carinho dos torcedores comigo é maravilhoso. Essa festa da Liga Nacional de Basquete já é histórica e eles estão de parabéns.

BNC: O país está vivendo um novo momento com a chegada do Guy Peixoto na Confederação Brasileira. O que você espera dele como presidente da CBB?
OSCAR: É importante dizer que pela primeira vez temos um presidente que jogou basquete, que fez parte do nosso meio como atleta. Ou seja: já está melhor em relação ao que tínhamos antes. Já está bem melhor. Isso é uma honra pro basquete, ter um cara que jogou como presidente de Confederação. O povo do basquete está colocando uma pressão invisível e imensa nele. Mas o Guy sabe o que precisa fazer. E é muito fácil. É só fazer tudo ao contrário do que as últimas gestões fizeram no basquete. Só isso e vai dar certo. Os últimos momentos do basquete brasileiro, com ele suspenso pela Federação Internacional, me deixaram com vergonha. Temos que elevar o nível da modalidade urgentemente e um bom trabalho também na CBB é fundamental para isso.

BNC: Você espera contribuir de alguma forma? Indicando o técnico, não sei…
OSCAR: Já falei com ele e botei uma pressão nele. Falei pra ele: “Cara, estou contando com você para melhorar a nossa situação e espero que você cuide bem as coisas. Você sabe o que precisa fazer, sabe como proceder”. Ele agradeceu, disse que irá me ligar para trocar ideias, me consultar, essas coisas. Sobre treinador, eu não quero me meter muito nisso, mas nomes como Claudio Mortari, Marcel e Guerrinha precisam estar inseridos no processo. Como eu não sei, mas precisam estar nessa nova fase.

BNC: E sua passagem pela NBA, já conseguiu processar o tamanho dos acontecimentos que você viveu em Nova Orleans, no Jogo das Estrelas, e no Brooklyn, com o Nets?
OSCAR: Ah, cara, foi uma festa linda tudo o que aconteceu lá. Nunca pensei na minha vida que fosse acontecer o que ocorreu e como ocorreu. Fizeram uma camiseta com meu nome no Brooklyn Nets, me colocaram para jogar no Desafio das Celebridades, foi um momento de ouro. Parece que fizeram o bolo e colocaram a cereja por último. Esta foi a cereja.

BNC: Depois de tantas coisas maravilhosas, que falta na sua vida?
OSCAR: Falta muita coisa. Ainda tenho muita coisa para fazer e viver. Pode anotar.


Foi curto e emocionante, mas totalmente Oscar Schmidt – vitória e mão certeira na NBA
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Fábio Balassiano

Terminou há instantes o Jogo das Celebridades do All-Star Game. Em Nova Orleans, o time do Leste venceu o Oeste por 90-57 na partida festiva do final de semana. Para nós, brasileiros, valeu mesmo para ver Oscar Schmidt em uma quadra da NBA pela primeira vez.

E ele não decepcionou, não. Muito pelo contrário. Foi sensacional, emocionante e fez todos daqui aplaudirmos o feito. Em menos de 15 minutos de quadra, quatro pontos nos dois arremessos de dois que tentou, 2 rebotes e 1 assistência. Segundo Oscar, em entrevista a ESPN Brasil só não foram mais pontos porque não jogou mais tempo.

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A gente queria, claro, ver mais do cracaço de bola na quadra, mas valeu a pena demais ter tido a oportunidade de presenciar o cara pisando uma quadra da NBA aos 59 anos e realizando uma das poucas coisas que faltavam em sua carreira. Realizando um sonho e matando bola como nos velhos tempos. Emocionante é pouco para descrever o que se passou em Nova Orleans há instantes.

No final das contas, Oscar Schmidt terminou a partida com uma síntese daquilo que sempre foi em sua brilhante carreira: certeiro nos arremessos e vitorioso com seu time. Mito total. Abaixo você vê o primeiro arremesso e os melhores momentos do brasileiro no Jogo das Celebridades desta sexta-feira.


Com jogo na NBA, mais uma consagração de Oscar Schmidt
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Fábio Balassiano

O ano de homenagens a Oscar Schmidt, que ontem completou 59 anos, chega ao ápice nesta sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017. Depois de ser ovacionado na Itália, onde brilhou no Caserta, e pelo Brooklyn Nets, que o selecionou no Draft de 1984 (não pode jogar devido às regras da Federação Internacional na época que impedia atletas de jogar na NBA e nas seleções nacionais – ele optou por seguir defendendo o Brasil), o Mão-Santa entra em quadra logo mais para disputar a sua primeira partida na liga profissional norte-americana.

Será no Jogo das Celebridades que começa às 22h (ESPN exibe), e Oscar estará no time Leste ao lado de, entre outros, Jason Williams, um dos armadores mais inventivos da NBA recente, Lindsay Whalen, do Minnesota Lynx (WNBA), e Nick Cannon (cantor norte-americano). Jemele Hill, jornalista da ESPN americana, Fat Joe (cantor) e Kyle Lowry (Raptors) serão os técnicos. Do outro lado estarão nomes como Baron Davis (ex-jogador), Candace Parker, atual campeã da WNBA com o Los Angeles Sparks, e o figuraça Mark Cuban, dono do Dallas Mavs.

Para quem imagina que será apenas um jogo de brincadeira para Oscar Schmidt, é só dar uma lidinha na frase da foto acima. Ele tem dito para todo mundo que tentará ser o melhor em quadra e que arremessará sempre que a bola estiver em suas mãos. Quem conhece Oscar, seu espírito competitivo e sua veia obsessiva por treinamento sabe que ele se preparou incrivelmente para deixar uma grande impressão nesta sua estreia em solo americano.

Por uma dessas coincidências da vida, o último jogo de Oscar pela seleção brasileira foi também nos Estados Unidos, em Atlanta-1996. Vinte e um anos depois ele volta a jogar no país para jogar no solo que não pode atuar 33 anos atrás.

Aconteça o que acontecer, será mais um momento mágico para Oscar Schmidt viver intensamente em sua vida. Seus fãs já estão aplaudindo


Camisa de Oscar Schmidt na NBA é vendida com nome errado
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Fábio Balassiano

No sábado divulguei aqui que a camisa 14 com o nome de Oscar Schmidt começou a ser vendida. Como toda idolatria ao Mão Santa é pouca, em menos de 24h todos os uniformes do Brooklyn Nets com o nome do brasileiro se esgotaram no site da Netshoes, que comercializa os produtos oficiais da NBA no Brasil.

Só que os consumidores que desembolsaram R$ 159 pela camiseta começaram a receber ontem o seu presente com um erro pra lá de grave. Nas costas da camisa, acima do número 14, a grafia do sobrenome Oscar aparece escrita de forma errada. Está “Schimidt”, e não Schmidt como deve ser (as imagens que ilustram o texto são de camisas recebidas por dois leitores diferentes do blog).

Em nota enviada ao blog, a assessoria da Netshoes comentou o ocorrido e enviou os próximos passos que a empresa irá adotar para os que compraram a camisa de Oscar Schmidt:

A Netshoes esclarece que houve um erro de personalização ao estampar o nome de Oscar Schmidt nas Camisetas Regata Brooklyn Nets, apesar da grafia correta na loja virtual.

Aos consumidores que adquiriram o artigo, a Netshoes pede sinceras desculpas e já está em contato com cada um deles para reparar o problema com a devolução do valor referente ao produto ou o envio de uma nova camisa com a personalização correta, conforme prazo de disponibilidade do fabricante do produto. Os consumidores que já receberam a “Camiseta Regata Brooklyn Nets – Oscar Schmidt” com a personalização errada não precisarão devolvê-la, independente da opção pela devolução do valor ou recebimento do produto com a personalização corrigida“.


Fala, Leitor: O impacto do Oscar Schmidt na NBA de hoje
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Fábio Balassiano

* Por Vinicius Bezerra da Silva

Como sabemos, um dos maiores jogadores da história do basquete mundial e talvez o maior jogador que passou pela seleção brasileira está sendo homenageado pela NBA essa semana. Oscar Schmidt recebeu ontem uma camisa com seu nome da equipe do Brooklyn Nets (antigo New Jersey Nets), que o selecionou no Draft em 1984 e no dia 17 jogará o Jogo das Celebridades do All-Star Game.

Resolvi, então, ao invés de fazer uma estatística do impacto dele naquela época (o que seria mais comum) tentar imaginar Oscar jogando no basquete de hoje. Ele seria aquele ala mortal, com seus chutes de três, mas acredito também que ele seria até mais jogador que foi, pois no basquete americano está a nata de treinadores, assistentes e até o seu jogo poderia evoluir mais.

Quando vejo comentários de pessoas que dizem que ele “não marcava ninguém”, e por isso não daria certo na liga, basta mostrar o que faz o James Harden no Houston. O Barba tem liberdade em marcar menos para ter mais energia para pontuar. Acredito que Oscar seria um jogador que fácil, fácil teria uma média 25-30 pontos por jogo, 5-6 rebotes e seria um All-Star da NBA.

Acompanhando a liga de hoje com tantos alas-pivôs (Anderson, Illyasova, Davis por exemplo) que arremessam de três com facilidade dá pra dizer que seria muito legal ver o nosso Mão Santa jogando principalmente pelo fato de nós brasileiros não termos um All-Star (Nenê foi o que mais chegou próximo).

Vendo o basquete atual, vejo que o Dirk Nowitzki é o jogador que mais se assemelha ao nosso brazuca na forma de atuar, com sua facilidade em pontuar, seus tiros de três precisos e até a sua evolução ao jogo na área pintada (que poderia ser trabalhada em nosso Mão Santa).

Por fim, digo que um cara que foi ídolo do Kobe Bryant não poderia ter sido pouca coisa. Se não conseguimos acompanhá-lo na NBA na década de 80, segue sendo gratificante ver as homenagens dos norte-americanos e o quanto ele é admirado.

Valeu mão santa #14 e ansioso pelo dia 17.


Podcast BNC: A especial semana de Oscar Schmidt e a volta de Kevin Durant a Oklahoma
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Fábio Balassiano

SuperIngressos

oscar2No programa desta semana falamos da mágica semana de Oscar Schmidt na NBA. Homenageado pelo Nets, jogando no Jogo das Celebridades do All-Star Game e recebendo carinhos e honrarias de todos os cantos. Abordamos também, claro, a volta de Kevin Durant a Oklahoma, o comportamento “mulher traída” de Russell Westbrook e muito mais. Programa quente como sempre. Ouça aí!

Caso prefira, o link direto está aqui. Caso queira, também estamos no iTunes ! O código RSS está aqui. Críticas, perguntas ou sugestões ou é só enviar para podcastbalanacesta@gmail.com . Obrigado, aproveitem e divirtam-se!


Relembre 14 momentos inesquecíveis de Oscar Schmidt, que jogará na NBA nesta semana
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Fábio Balassiano

oscar1Depois de ter sido homenageado pelo Brooklyn Nets nesta segunda-feira, Oscar Schmidt, que completa 59 anos nesta quinta-feira, viverá um momento mágico nesta sexta-feira.

Na abertura dos festejos do All-Star Game, o brasileiro participará do Jogo das Celebridades e poderá atuar pela primeira vez na NBA. Pensando nisso o blog coloca abaixo os 14 momentos inesquecíveis e marcantes da carreira de um dos maiores cestinhas de todos os tempos. Vamos lá!

1) FINAL DO PAN-1987 -> 46 pontos de Oscar Schmidt (30 na segunda etapa!)

2) SÍRIO CAMPEÃO MUNDIAL EM 1979

3) MEDALHA DE BRONZE NO MUNDIAL DE 1978 (Última medalha do basquete brasileiro adulto em Mundiais ou Olimpíadas)

4) ENTRADA NO HALL DA FAMA EM 2013 (Discurso legendado)

5) RECORDE NO TORNEIO DE TRÊS PONTOS NA ITÁLIA EM 1987 -> Vejam aí quantas cestas o cara erra…

6) RECORDE DE PONTOS EM UM JOGO DE OLIMPÍADA (55). EM SEUL-1988 CONTRA A ESPANHA

7) JOGANDO COM O FILHO NO FLAMENGO EM 2002

8) DUELO ÉPICO CONTRA DRAZEN PETROVIC NA FINAL DA COPA EUROPEIA DE 1989 (OSCAR FEZ 44 PONTOS; DRAZEN, 63). O REAL MADRID, DE DRAZEN, VENCEU O CASERTA NA PRORROGAÇÃO

9) A EMOCIONADA DESPEDIDA DA SELEÇÃO EM 1996, APÓS OS JOGOS OLÍMPICOS DE ATLANTA

10) A HOMENAGEM EM CASERTA, ONDE JOGOU E BRILHOU NA DÉCADA DE 1980

11) O ÚLTIMO TÍTULO NO BASQUETE PROFISSIONAL – PELO FLAMENGO EM 2002 NO ESTADUAL CONTRA CAMPOS

12) SEU INESQUECÍVEL JOGO CONTRA MAGIC JOHNSON EM 1997 EM SÃO PAULO

13) OITO BOLAS DE TRÊS PONTOS E 61 PONTOS NA ITÁLIA EM 1993

14) ENTRANDO NO HALL DA FAMA DA FIBA EM 2010


‘Sabíamos da importância de um para o outro’, diz Cláudio Mortari, técnico preferido de Oscar
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Fábio Balassiano

mortari1“A gente sabia da importância de um para o outro. Para mim, dele como jogador. Para ele, da minha pessoa como técnico”. É assim que Claudio Mortari começa falando sobre Oscar Schmidt, que será homenageado hoje à noite pelo Brooklyn Nets, franquia que o selecionou no Draft de 1984, no intervalo do jogo contra o Memphis Grizzlies.

Técnico venerado pelo cestinha, reconhecido por Oscar nos grandes momentos de sua carreira (discurso de entrada no Hall da Fama, por exemplo), Mortari conheceu Oscar aos 15 anos quando era técnico do Palmeiras. Colocou o menino para jogar nos profissionais e não se arrependeu: “Ele sempre foi especial. Treinava como um maluco”.

Conversei com o treinador, um dos maiores vencedores da história do basquete brasileiro e paradoxalmente fora do NBB desde a sua saída do Pinheiros na temporada passada, sobre Oscar Schmidt e muito mais.

oscar9BALA NA CESTA: Essa semana toda de homenagens ao Oscar, primeiro no Nets e depois no Jogo das Celebridades, no All-Star Game, será bem especial para ele e para as pessoas mais próximas. O que você tem sentido nestes últimos dias com tantos momentos legais acontecendo para um de seus mais reconhecidos atletas?
CLÁUDIO MORTARI: Olha, é uma grande oportunidade, um reconhecimento imenso vindo de onde vem, da NBA, então é um motivo de orgulho pra ele. Vai ser importante, vai ser lindo, disso não tenho dúvida. Sobre o Jogo das Celebridades, se eu bem conheço ele, se jogar bem ele falará que fui seu técnico. Se não meter bola, dirá que não treinou o suficiente (risos).

BNC: Nem sempre a relação de técnico-jogador é lembrada quando o atleta se aposenta. O Oscar, a todo momento, no entanto, fala em seu nome, te coloca no topo dos treinadores que teve. É bacana ter esse reconhecimento dele, não?
IMG_5420MORTARI: Eu ser lembrado sempre por ele é lindo. E tem muito disso que você disse mesmo. É muito difícil você ter técnico reconhecido por parte do atleta. Normalmente quando as vidas separam técnico e atleta cada um vai para o seu lado e a trajetória segue. Não é que seja errado, mas é assim que acontece no meio do basquete. O Oscar, de fato, sempre faz questão de sempre me ressaltar. Falou em meu nome no discurso do Hall da Fama, o momento mais importante da carreira dele. Pra você ver a grandeza do cara. Esta semana nos Estados Unidos é o coroamento de uma trajetória linda da vida profissional dele. É o ápice daquela carreira que ele traçou lá atrás. Ele é merecedor. É clichê dizer isso, mas Oscar trabalhou pra isso todos os dias da vida dele. Nunca vi alguém tão obstinado treinando. Quando soube da notícia, mandamos mensagens, nos falamos, brincamos bastante.

oscar8BNC: Há alguma passagem inesquecível que você tenha com o Oscar que consiga contar?
MORTARI: Ah, são várias. Mas eu tenho minha ética profissional e essas coisas de vestiário eu não gosto de abrir muito. Essas particularidades eu deixo pros grupos que passamos. O que marca é o reconhecimento, essa progressão dele, de acreditar aquilo que sempre trocamos de conceitos, de ideias. Conheci o Oscar quando ele tinha 15 anos lá no Palmeiras. E ele já jogava no adulto, no profissional. Tive uma calma muito grande de saber que entrariam outras pessoas na história. Amigos, empresários, imprensa, todo mundo. Tive esse entendimento muito cedo e mesmo com tudo isso não nos distanciamos. Pelo contrário. Uma vez falamos sobre isso inclusive. No nosso relacionamento sempre houve um respeito de um para com o outro. Eu sabia da história e da importância dele para meus times e ele sabia da minha importância para o desenvolvimento da carreira dele. Nunca ultrapassamos essa linha. Sempre houve um respeito mútuo muito grande.

FullSizeRender (3)BNC: Mudando um pouco de assunto. Você é um dos técnicos mais vitoriosos do país e desde a temporada passada está fora do NBB após sair do Pinheiros, clube pelo qual conquistou os títulos mais importantes do clube (Liga das Américas, Paulistas etc.). Sente falta da quadra?
MORTARI: Claro que sinto. Vejo basquete todos os dias da minha vida. Estou nisso desde os 11 anos, sou técnico desde os anos 70. Não estou dentro da quadra como técnico, mas sou professor da cadeira de basquete da Faculdade FMU. Dou aulas diariamente. Isso me mantém ativo, atualizado das coisas e na expectativa de voltar ao basquete. Estou com 67 ainda e me considero capaz para retornar. Adoro dar treino, preparar o time, desenvolver os atletas. Tenho essa vontade de voltar, sim. Não vou fugir do meio agora, né? Não sei como seria a minha vida sem o basquete. Basquete foi e é importante pra minha vida. Devo tudo a ele.

mortari1BNC: Essa questão da idade citada. Acha que pode ter saído do Pinheiros devido a isso? Ainda existe muito preconceito contra treinadores mais veteranos por aqui, né?
MORTARI: Bala, não me sinto colocado de lado. Estou bem, trabalhando, vendo jogos, estudando. Faz falta o dia a dia na quadra? Clar que faz. Para quem não vivencia o dia a dia, gosto de dizer que no esporte não há dia igual ao outro e que isso é maravilhoso. Não estar trabalhando hoje em dia é muito mais circunstancial do que outra coisa. São situações até engraçadas que acontecem no basquete. No Sírio eu tive 28 títulos com a equipe. Fui mandado embora. No Pinheiros, Liga das Américas, vice-campeonato mundial, paulistas. O clube, em mais de 100 anos, nunca havia ganho tanto. Fui mandado embora. Isso é inerente a nossa profissão. Só acho que somando prós e contras, tenho mais coisas boas a meu favor. Mas pode escrever aí: tenho lenha pra queimar ainda. Em toda a minha carreira só passei por um clube que não conquistei título. Foi na Telesp.

dois1BNC: A palavra preconceito usada na pergunta anterior talvez seja forte, mas não te causa estranheza que grandes nomes como o seu, Hélio Rubens, Edvar Simões e tantos outros estejam alijados não só do NBB, mas sobretudo do basquete brasileiro?
MORTARI: Isso sem dúvida alguma. Não sei se a palavra correta é respeito, mas falta que as entidades nos usem mais neste sentido. Você quer ver uma coisa? Você é meio doido por número, deve saber. Sabe há quanto tempo o Brasil, no masculino, não conquista uma medalha em Mundial ou Olimpíada, seja no adulto ou no profissional?

claudio1BNC: Desde os Mundiais juvenis na década de 80, né?
MORTARI: Exatamente. Eu era o técnico. Fui treinador da seleção principal, saí e depois voltei para a seleção juvenil. Não foi uma queda em minha carreira, pelo contrário. Foi um prazer danado preparar uma geração para o basquete brasileiro. O Brasil foi vice-campeão mundial juvenil em 1979. Fomos o único time que perdeu de menos de 20 pontos dos EUA em toda a competição. Quatro anos mais tarde, medalha de bronze no Mundial Juvenil da Espanha. Vencemos os espanhóis no jogo do bronze na casa deles. Foi bem emocionante. Não ser consultado é muito ruim. Temos argumentos suficientes pra contribuir. Eu, Hélio, Edvar, tantos outros. Nós tínhamos que ser mais usados.

BNC: Te preocupa a fase atual da Confederação Brasileira? Sendo suspensa de competições internacionais, impactando os clubes do NBB, dificultando a formação de novos atletas…
MORTARI: A gente lamenta que não tenha havido um acerto entre CBB e FIBA. As coisas precisam fluir normalmente, algo que não está ocorrendo. Essa paralisação é ruim pra todo mundo. Para novos investimentos, divisões menores, brasileiros de base, tudo. Está absolutamente tudo parado. É algo muito grave, mas não surpreendente para quem acompanha isso com afinco. A gente lê as notícias e fica meio chocado. O Brasil não participa de um torneio de base porque não se inscreveu. Depois só vai porque um clube serve de base e empresta metade do time e comissão técnico. Aí você para e pensa. Planejamento, cadê? Se isso ocorre com na divisão de base, que é sustentáculo de tudo, é muito grave. Nunca estivemos em uma situação tão complicada. Felizmente pra nós o surgimento da liga foi um alento total para quem trabalha com o basquete por aqui. Se não fosse o NBB, sabe lá como estaríamos. Como seria hoje se a CBB fosse a única opção? Está aí o basquete feminino pra falar. É um momento preocupante. Na minha opinião o maior problema é a falta de expectativa. Tudo isso tende a aumentar caso não melhore a gestão.

magnano1BNC: Para fechar: você sempre foi um grande crítico da maneira como a seleção brasileira estava jogando sob o comando do técnico Rubén Magnano. Não te surpreendeu, então, o resultado pífio da seleção brasileira, eliminada na primeira fase da Olimpíada, certo?
MORTARI: Não quero falar que sou contra o Magnano pessoa física. Não é isso e que quero deixar isso bem claro. O que eu acho é que o resultado da Olimpíada foi esperado. Sim, esperado. O Brasil só se classificou porque era sede. Disputou o Mundial de 2014 porque pagou pra disputar. A verdade é que o treinador não ganhou nada esportivamente a não ser o pré-olímpico de 2011. É só pegar aí. Foram participações horríveis em Copa América, por exemplo. Perdemos até da Jamaica, lembra? Nós não estaríamos na Olimpíada se não fosse o país-sede. Então, se você olhar com calma, é um retrospecto bastante ruim. O problema maior na minha concepção sobre o que aconteceu com o Magnano é que reunimos hoje três escolhas em um grupo de 12 jogadores – NBA, Europa e NBB. Nunca aconteceu isso na história do basquete brasileiro. Caras que ficam 12 meses ou jogando em metodologias completamente diferentes. Aí o que fizeram? Tentaram reunir três escolas diferentes com uma coordenação de trabalho que se diferenciava daquilo que sempre fizemos. Aquilo causava uma interrogação de como deveríamos atuar. Faltou o ponto comum de contato entre as três escolas e o que sempre praticamos. Nossos melhores momentos na Olimpíada foram quando Nenê, Leandrinho e outros foram pro jogo criativo, ativo, diferente. Sempre tivemos a nossa maneira. Desde Wlamir, Paula, Oscar, essa sempre foi a nossa tônica sempre. Faltou um entendimento maior neste sentido em minha concepção. E não falo nem da quadra apenas, mas sim que o trabalho dele deveria ser um pouco mais amplo do que só dirigir seleção brasileira. Ele deveria ter percorrido o país, visto competições, ter um trabalho mais extenso, alongado, mesmo porque fica-se muito tempo ocioso quando só se dirige a seleção brasileira.


NBA lança camisa de time que homenageará Oscar Schmidt – veja!
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Fábio Balassiano

Dentro de dois dias Oscar Schmidt começará a viver uma das semanas mais especiais de sua vida.

IMG_5405Para começar, o Nets, franquia que o selecionou no Draft de 1984, fará uma homenagem a ele no jogo de segunda-feira contra o Grizzlies no Brooklyn. E não só isso. A camisa dele será vendida na loja do ginásio e já está disponível para compra aqui no Brasil inclusive (no site da Netshoes é possível encontrar e na loja da NBA no Barra Shopping, Rio de Janeiro, customizar).

Para quem não sabe, Oscar Schmidt, um dos maiores cestinhas da história do basquete e membro do Hall da Fama, foi selecionado pelo Nets, na década de 80 ainda jogando em New Jersey, mas não pode jogar na NBA devido às regras esportivas da FIBA (Federação Internacional) da época. Quem atuasse na liga norte-americana estaria automaticamente proibido de defender a seleção brasileira – e Oscar optou por jogar pelo seu país.

As homenagens a ele não param. Na sexta-feira, na abertura do All-Star Game em Nova Orleans, outra atividade bem legal. Oscar joga o Jogo das Celebridades, primeira vez que ele atuará na NBA em sua carreira.

O blog acompanhará, mesmo de longe, cada passo da semana especial deste mito do esporte chamado Oscar Schmidt.