Bala na Cesta

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Sem surpresa, EUA batem França e conquistam ouro no feminino; Austrália fica com o bronze
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Fábio Balassiano

Terminou há pouco o torneio de basquete feminino da Olimpíada de Londres. Os Estados Unidos não tiveram muito trabalho, bateram a França por 86-50, conquistando o quinto ouro consecutivo (1996, 2000, 2004, 2008 e 2012) e a vitória de número 41 de forma seguida.

No começo, até que as francesas tentaram equilibrar a peleja (20-15), mas no segundo tempo não tiveram forças para segurar a onda. Perdiam por 43-32, mas ficaram seis minutos sem pontuar e levaram 19 pontos seguidos. A desvantagem que era de 11 saltou para 30 (62-32) rápido, e depois foi só ver a comemoração das norte-americanas. Candace Parker, em noite inspiradíssima (sua filha e marido estavam na plateia), anotou 21 pontos e 11 rebotes, e além dela, apenas Sue Bird (11) teve dígitos duplos.

Prêmio máximo para as americanas, mas a França merece um parabéns especial também. Não “só” pela prata conquistada neste sábado, mas sim pela continuidade de seu trabalho com uma geração muito boa. Para se ter uma ideia, em 2003 as francesas foram medalha de bronze no Mundial Sub-21 da Croácia. Daquele time, cinco estiveram em Londres, na Olimpíada (Godin, Gomis, Dumerc, Ndongue e Lepron). Ou seja, houve sequência de trabalho. Ah, sabe quem ficou com a medalha de prata naquele Mundial de 2003? O Brasil. Sabe quantas meninas de nove anos atrás estavam nos Jogos de 2012? Apenas Érika e Silvia de um elenco com muitas atletas que, com menos de 30 anos, já PARARAM de jogar. Explica muita coisa, não?

No jogo do bronze, a veterana Kristi Harrower queria que sua despedida da seleção australiana fosse em grande estilo. E ela conseguiu. Teve 21 pontos, quatro assistências e três rebotes na vitória de sua equipe por 83-74 contra a Rússia. Além dela, outras duas veteranas foram muitíssimo bem. Lauren Jackson teve 25+11, e Suzy Batkovic saiu-se com 17-8.

Foi a quinta medalha consecutiva para a Austrália (1996 e 2012 de bronze, e 2000, 2004 e 2008 de prata), e uma despedida de gala para Harrower, craque de 37 anos que foi carregada por suas companheiras ao final da partida (foto à esquerda).

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Julio Lamas explica: ‘Nossa intenção era fazer Huertas não passar a bola. Deu certo’
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Fábio Balassiano

“Nossa execução tática foi muito boa. Tratava simplesmente de fazer com que Huertas não passasse a bola, não fizesse seus companheiros jogar. O objetivo era claro: queria que o Brasil não usasse os pivôs de NBA que tinham para poder fazer um interior (de garrafão) mais igual, menos traumático para nós. Fomos impecáveis nisso. Ainda que tivéssemos levado 17 pontos dele no primeiro tempo, insisti para que a estratégia fosse mantida. Confiamos, deu certo e vencemos”, Julio Lamas na entrevista coletiva depois do jogo contra o Brasil (obrigado, Fábio Aleixo!).

“A Argentina teve uma excelente postura tática, centrada na idéia de que Marcelinho fosse o protagonista sem que envolvesse a todos. A função básica de um armador é alimentar seu time, mas para Huertas custa pouco assumir o protagonismo e pensar apenas em pontuar, esquecendo do básico para sua equipe. Grave erro da equipe de Magnano, que custou o jogo. Além disso, o Brasil apostou, na minha opinião de maneira equivocada, no jogo interior e na individualidade de Marcelinho e Leandrinho. Este tipo de ataque quebrou a equipe em duas. Ou bola para dentro, ou um contra um dos dois citados. Assim, a equipe brasileira perdeu a fluidez. E eu digo que foi errado porque o interior do Brasil é composto de grandes jogadores, mas grandes jogadores defensivos. Nenê Hilário, Anderson Varejão e Tiago Splitter são marcadores excelentes, mas falta a eles capacidade de liderar um jogo dessa magnitude ofensivamente. Algumas vezes eles conseguem, mas em curtos períodos apenas. Com constância e por muito tempo, não. Por fim, eles foram péssimos nos momentos decisivos. Nota-se uma falta de liderança e de convicção absurdas na hora de decidir, na hora de buscar uma medalha. Se ficaram a dois pontos da vitória em um momento, foi porque tinham mais pernas, mais rotação e muito talento individual. Mas aí vem o lado psicológico, que destrói o Brasil”, Pepe Sanchez, armador titular da Argentina campeã olímpica, em sua coluna no site da ESPN (leia aqui)

“Contra o Brasil os jogadores defenderam muito bem, acreditando e respeitando o plano, embora no início tenhamos levado algumas cestas que não estavam no roteiro. A idéia era Huertas não permitir que os pivôs grandes deles entrassem no jogo. Não conseguiríamos marcar, todo mundo sabe. Os jogadores foram muito inteligentes, embora Marcelinho tenha marcado 17 pontos na primeira metade e nos assustado um pouco”, Julio Lamas a ESPN da Argentina.

Coloquei acima declarações de Julio Lamas, técnico da seleção argentina, e de Pepe Sanchez, armador campeão olímpico com os hermanos em 2004 (análise bem dura, mas impossível discordar do cara). Não gosto muito de ficar remoendo jogo, revendo partidas, mas ainda estou chocado com a leseira tática do Brasil nas quartas-de-final da Olimpíada. Falei aqui sobre a estratégia de Lamas de literalmente deixar Marcelinho Huertas jogar, pontuar, ser o protagonista das ações com arremessos, e muita gente acabou duvidando. Pois bem, está ai o que aconteceu. Huertas sem acionar os pivôs, pontuando como se não houvesse amanhã e sua principal função esquecida.

É óbvio que a responsabilidade da derrota é dividida, mas é inadmissível que um técnico da categoria de Rubén Magnano tenha caído duas vezes na rudimentar estratégia de Lamas (coisa boba, gente). Em 2010, Huertas teve 16 arremessos de quadra, 32 pontos e nenhum erro (marcação de longe). Os pivôs, naquele 7 de setembro, 14 arremessos e 20 pontos. Em 2012, 17 arremessos, um erro e 22 pontos. Os gigantes (Nenê não estava no Mundial da Turquia), 13 arremessos e 17 pontos. Será que ninguém percebia o que se passava ali? Magnano, Demétrius, Neto, Duró, atletas, ninguém?

E aí entra o segundo fator importante. Via de regra, falta leitura de jogo a atleta brasileiro, e talvez seja por isso que os argentinos, com um elenco envelhecido, sem o mesmo potencial físico e vivendo de uma tática simples, bobinha, tenham vencido o Brasil mais uma vez (com mais talento, é verdade, mas com, insisto, uma tática ridícula). Magnano errou ao não informar aos seus atletas o que estava acontecendo em quadra, mas os jogadores também deveriam ter o discernimento de entender o que rolava em quadra. É o mínimo que se esperar de atletas de alto nível.

Por fim, o mais trágico, ao menos pra mim, é saber que esta geração, cantada em verso e prosa como a melhor do país em muitos anos, provavelmente nunca terá atingido, junta, o máximo, em termos técnicos e táticos, que poderia atingir. É uma pena.


Brasil repete erros de 2010, perde da Argentina e está fora da Olimpíada de Londres
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Fábio Balassiano

No dia 7 de setembro de 2010, Pablo Prigioni foi perguntado sobre a altíssima pontuação de Marcelinho Huertas (32 pontos e 10/16 nos arremessos) na partida em que os hermanos venceram o Brasil por 93-89 no Mundial da Turquia: “Essa era a tática mesmo. Deixá-lo pontuar, para que os outros atletas não ficassem muito envolvidos nao jogo”.

Pois bem. Isso foi há quase dois anos, e a tática de Julio Lamas se repetiu nesta quarta-feira (confesso que quando vi isso com um minuto de jogo mandei um SMS para o companheiro Gian, que também se surpreendeu). Pablo Prigioni “pagou” para os chutes de Marcelinho Huertas no começo, o brasileiro “caiu” na armadilha e começou a pontuar sem parar (sem, céus, envolver seus companheiros na partida). Anotou 13 pontos no primeiro período, mas a chave da vitória argentina estava lá. Nem Rubén Magnano nem o armador repararam, e Lamas viu sua velha estratégia dar certo (de novo).

Cercado na segunda etapa, Huertas começou a passar, mas as bolas não caíram. Com isso a vantagem argentina chegou a 15 pontos, e embora reduzida no final (caiu para dois a quatro do fim), os hermanos não foram superados em momento algum (e aí entra não o a experiência, mas também a capacidade que os platenses têm de assimilar os golpes e encontrar soluções dentro de situações complicadas). Tiveram cinco jogadores com 11 ou mais pontos (e Luis Scola, quase sempre genial, teve “apenas” 17), venceram por 82-77 (números aqui), eliminaram o Brasil e se classificaram para a terceira semifinal olímpica seguida.

Talvez seja difícil admitir, mas o Brasil perdeu para um time melhor, para um time que vem chegando e conquistando tudo há uma década. Cabe a tristeza, mas não a revolta, portanto. Se houve/havia chance de bater a Argentina, e a frustração se explique por isso, é importante ressaltar que os mesmos erros de outrora se repetiram (muito básico, não?).

Viu o jogo? Muito triste com a eliminação? Comente!


Os outros três jogos do dia no mata-mata da Olimpíada de Londres – confira duelos!
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Fábio Balassiano

Engraçado, né. O foco para nós que estamos aqui está tão “viciado” neste Brasil x Argentina que nem todo mundo se lembra que há outros três jogos pelas quartas-de-final da Olimpíada de Londres nesta quarta-feira. Vamos aos duelos:

Rússia x Lituânia (10h) – A Rússia jogou muito bem a primeira fase (perdeu da Austrália apenas, na última rodada, e poupando suas feras), e enfrenta esta “bipolar” Lituânia, que levou uma surra da Argentina, fez jogo duro contra os EUA e sofreu, pasmem, para derrotar a Tunísia no último jogo do Grupo A. Ao que tudo indica, Andrei Kirilenko levará vantagem, mas são escolas com identidade de basquete bem parecida, o que torna o jogo de daqui a pouco bem equilibrado (e travado também).
Quem avança: Rússia

França x Espanha (12h15) – Será, sem dúvida, o jogo mais nervoso do dia junto com Brasil x Argentina, principalmente pelo que cercou a partida desde segunda-feira, quando os franceses entraram com uma representação no COI alegando que os espanhóis teriam amolecido contra o Brasil. Não deu em nada, mas está obviamente todo mundo mordido. Tony Parker x José Calderón (foto) promete ser um baita confronto individual, mas acho que o garrafão espanhol pode ser determinante (os Gasol e Ibaka são muito superiores aos franceses).
Quem avança: Espanha (gostaria de escrever o contrário…)

Estados Unidos x Austrália (18h15) – Acho que aqui não há nem muito o que comentar, né. Patrick Mills é um bom armador, os alas australianos são bem razoáveis, mas do outro lado estará um time que tem Kevin Durant, LeBron James, Kobe Bryant, Carmelo Anthony etc. . É mata-mata, os nervos normalmente se acirram um pouco, mas não creio haver problemas para os Estados Unidos por aqui.
Quem avança: EUA (aqui não tem nenhuma dúvida, certo?)

Concorda comigo? Tem palpites pra hoje? Comente na caixinha!


Nada mais importa: Brasil faz hoje o jogo mais importante da década contra a Argentina
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Fábio Balassiano

São os dois times que menos erram na Olimpíada (os EUA não contam), são dois brilhantes treinadores (e do lado argentino ainda há um Sergio Hernandez como assistente) e um punhado de jogadores espetaculares.

Sobre os duelos individuais, acabei me antecipando lá atrás, quando imaginava um Brasil x Argentina em Londres e já escrevi bastante (leia aqui), mas a partida de hoje é muito mais um “simples” jogo olímpico (se é que existe jogo simples neste tipo de torneio).

Vale bastante para a Argentina, claro, que deseja dar um fim belíssimo a um dos mais vitoriosos e sensacionais times de basquete de todos os tempos. Conquistar uma terceira medalha olímpica de forma seguida colocaria Manu Ginóbili, Luis Scola, Andres Nocioni, Carlos Delfino e Pablo Prigioni em um patamar de idolatria ainda maior no país vizinho. Motivação para os platenses, como se vê, não falta. Pode, é bom ficar esperto quanto a isso, ser o último jogo de Manu com a camisa da seleção.

Mas do lado brasileiro há muita coisa em jogo também. Assim como os hermanos, muita gente que entrará em quadra hoje pode começar a se despedir da seleção nacional (Giovannoni, Alex, Marcelinho e Larry Taylor não são mais garotos) e a impressão que eles vão querer deixar não é, evidentemente, a de ter ido a uma Olimpíada apenas e ter ficado entre os oito. Além disso,

Não é só isso, no entanto. Vale, para o basquete brasileiro, a oportunidade de voltar a ficar entre os quatro melhores times de uma Olimpíada (fato que não acontece desde 1968), a oportunidade de recomeçar a febre por um esporte que estava adormecido há quase 20 anos e a chance de o país começar a plantar coisas muito boas para uma modalidade que, vamos combinar, é pra lá de emocionante e belíssima.

Um pouco disso tudo já pôde ser visto desde segunda-feira, quando muita gente que nunca falou da bola laranja se interessou, comparou Magnano a Mano Menezes, traçou paralelo entre Oscar (o meia) e Huertas e trocou ideias sobre BASQUETE em bares de todo país.

Que o Brasil tenha muita cabeça no lugar para um jogo que pode mudar o rumo do basquete neste país a partir de hoje. Não serei louco de dizer que é a partida mais importante da história de uma nação que já tem campeonato mundial, medalha olímpica e muito mais. Mas seguramente Huertas, Splitter, Varejão, Nenê, Alex, Machado, Caio, Raulzinho, Larry, Giovannoni, Leandrinho e Marquinhos não estarão sozinhos em quadra logo mais.

Quarenta minutos, 12 jogadores, uma grande chance de fazer do basquete um esporte de respeito novamente. Será?


Brasil e Argentina se enfrentaram uma vez em Olimpíadas – relembre aqui
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Fábio Balassiano

A história de duelos entre Brasil e Argentina tem uma série quase infinita de capítulos, você deve saber bem (o Gian escreveu sobre alguns deles, veja aqui), mas por incrível que pareça, apenas um na história olímpica. Aconteceu há 60 anos, em 27 de julho de 1952, nos Jogos de Helsinque (Finlândia) e a vitória ficou com os hermanos por 72-56.

Naqueles Jogos, o Uruguai conquistou a sua única medalha olímpica, e brasileiros e argentinos duelaram ainda na fase de grupos. Com 13 pontos de Juan Carlos Uder e nove de Juan Gazso, os platenses, que ainda tinham Oscar Furlong (campeão mundial no Mundial de 1950e maior ídolo do basquete local até o surgimento da geração dourada – na foto), venceram o primeiro tempo por 31-21 e não deram muita chance ao Brasil na segunda etapa.

Do lado brasileiro, que terminou as Olimpíadas de 1952 na sexta colocação, faziam parte do elenco comandado por Manoel Pitanga os seguintes jogadores: Alfredo Motta, Almir de Almeida, Angelim, Godinho, João Francisco Bráz, Zé Luiz, Mayr Facci, Mário Jorge da Fonseca Hermes, Raymundo Carvalho dos Santos, Ruy de Freitas, “Tião”, Thales Monteiro e “Algodão”. Naquele jogo, Zé Luiz teve 13 pontos e Alfredo Motta, nove, mas não conseguiram deter os hermanos.

Será que a história será diferente nesta quarta-feira? Comente na caixinha!


Antes de Brasil x Argentina, a pergunta: vale a pena torcer contra a seleção da CBB amanhã?
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Fábio Balassiano

Liguei para um amigo ontem e ele perguntou na lata: “Bala, você vai torcer contra o Brasil, não vai?”. Meio hesitante, não entendendo o porquê da pergunta, balancei a cabeça, mas ele emendou: “Você é o um dos maiores críticos da Confederação, e se vier uma medalha tudo de ruim que está aí tende a continuar”, disse-me com alguma sabedoria. Batemos um longo papo, sobre basquete e principalmente sobre jornalismo (ai minha conta de celular…), e concluí dizendo acho isso tudo uma bobagem.

Primeiro porque jornalista não torce, e acho este o principal ponto de todos. Desde que passei a acompanhar basquete como blogueiro, minha paixão pelo jogo só aumentou (acho que vocês devem imaginar que consumo tudo sobre a modalidade de uma maneira até doentia), mas passei a não ter, digamos, contato emocional algum com qualquer time que seja. Clube no Brasil, seleção nacional, franquia da NBA, nada (nesses anos todos, eu só comemorei uma vitória, confesso a vocês). Se isso não bastasse, eu cito o exemplo do futebol para mostrar que resultados esportivos quase nunca mudam os rumos estruturais do esporte (talvez o que o Guga fez com a CBT seja mais exceção do que regra).

Entrou ano, saiu ano, e o comando do esporte mais popular do Brasil não mudou por causa dos resultados obtidos no campo. Muito jornalista afirmava que, vencendo, o regime de Ricardo Teixeira tendia a continuar, mas eu nunca enxerguei assim. Teixeira saiu quando as denúncias o sufocaram, e não porque o futebol praticado pelo time nacional piorou terrivelmente nos últimos cinco, dez anos. A mesma analogia é possível fazer com o basquete.

Sou muito cético (já deu pra perceber, né) em relação a qualquer melhora profunda no basquete brasileiro (ficaremos nesta draga técnica e estrutural por um bom tempo, não tenho dúvida disso), e vocês que acompanham este espaço sabem bem o que sinto por esta desastrosa gestão do basquete brasileiro. Carlos Nunes é um péssimo presidente da Confederação, mas no final das contas Rubén Magnano e seus atletas têm muito pouco a ver com o estado em que a modalidade encontra-se aqui no país (na verdade, os atletas, como agentes políticos de qualquer mudança, poderiam ser mais críticos, atuantes, menos passivos, mas deixemos esta discussão para outro momento).

Em 2007, um então amigo viu a semifinal do Pré-Olímpico de Las Vegas na minha casa. Assistiu ao show de Luis Scola e no final parecia feliz com a não classificação da equipe de Lula Ferreira aos Jogos de Pequim. No final, entendi a mensagem que ele quis passar. Enquanto Grego estivesse no comando, ele torceria contra. Quem sou eu pra ficar julgando as pessoas, mas não consigo ser assim.

Jornalista não torce (quem torce, distorce), jornalista não usa a primeira pessoa do plural (os jogadores ganharam/perderam, e não ganhamos/perdemos) e sinceramente não creio que alguma coisa mude no basquete deste país por causa de um resultado olímpico (seja por causa de um começo de mudança por causa de derrota ou por começo de ciclo virtuoso de planejamento e gestão em caso de triunfo).

Nesta quarta-feira, serei mais um espectador. Sem torcer contra ou a favor, eu só espero que seja um grande jogo de basquete. Nada mais do que isso.


Para o Brasil, a chave da vitória contra a Argentina passa pela defesa a Luis Scola
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Fábio Balassiano

Gastei uma fortuna em ligações ontem, podem ter certeza. Liguei pra um técnico, troquei ideia com amigos, confabulei táticas com um guru.

Tudo para tentar “descobrir” a melhor tática para vencer a Argentina nas quartas-de-final da Olimpíada de Londres nesta quarta-feira (16h de Brasília). A conclusão foi clara: Manu Ginóbili é o jogador mais espetacular que estará em quadra, mas a vitória brasileira passa pela defesa que tentará deter Luis Scola (foto)

Há incontáveis atuações excepcionais de Luis Scola contra o Brasil (a do Pré-Olímpico de 2007, quando teve 27 pontos e nove rebotes nos 91-80 que garantiram aos hermanos a vaga olímpica em 2008, e a sublime do Mundial de 2010, com 37 pontos e nove rebotes nos 93-89 são as que mais me vêm a cabeça), e tenho certeza absoluta que Rubén Magnano está treinando, falando, mostrando vídeos sobre a melhor forma de marcar a jogada que tem maltratado o Brasil nos últimos anos.

Ela se chama pick’n'roll, mas em português podemos chamar de corta-luz que todo mundo vai entender. É jogadas em “dupla” e até a sua avó desavisada vai entender se você explicar que é aquela “paredinha” que o gigante faz para gerar um desequilíbrio na defesa em uma jogada com o armador. Não é a explicação mais técnica do mundo, claro, mas em Olimpíada é bom tentar “traduzir”.

É assim, com a tal “paredinha” que a Argentina começa quase todas as suas jogadas há quase uma década, e é assim que ela ganha – e perde – com e por causa dela. Na primeira fase, venceu da Lituânia quando o corta-luz encaixou bem. Perdeu feio da França quando Tony Parker e seus pivôs marcaram estupendamente.

Há formas, claro, de o Brasil defender a estratégia argentina também, claro (e não vou falar aqui sobre prender Scola na Vila Olímpica, sem dúvida a melhor delas). Impedir que Pablo Prigioni (ou até mesmo Manu Ginóbili) não inicie a ação de corta-luz (chamemos de CL a partir de agora) é a principal delas. Colocar um jogador mais alto ou mais forte pode ser uma ótima alternativa, e Larry Taylor e Alex surgem como alternativas.

Outra boa ideia para deter o CL argentino é “exigir”que Pablo Prigioni chute. Ou seja: “congelar”o pivô e até mesmo o armador em Scola e meio que esquecer do armador platense. É arriscado, mas o aproveitamento de Prigioni seguramente será menor que o de Scola. Caso o camisa 8 decida passar (provável), as rotações brasileiras precisarão estar afiadas. Outra alternativa viável, e aí não necessariamente defensiva, é forçar o jogo ofensivo de garrafão em cima de Scola. Em todos os jogos contra o Brasil, o camisa 4 praticamente descansou na marcação, e carregá-lo em faltas e desgastá-lo fisicamente pode ser fundamental principalmente para o final da partida.

Ouvi gente falando em dobrar a marcação em Scola a qualquer custo, mas eu sinceramente não recomendo. Se fosse em outra ocasião, com a Argentina desfalcada, eu até entenderia. Com Manu Ginóbili ou Carlos Delfino podendo decidir sem marcação, essa ideia não faz sentido (ao menos pra mim, claro).

Será um jogo mental, psicológico, de muita cabeça, sem dúvida alguma. Os argentinos, vocês sabem bem, cansaram de vencer os brasileiros e esfregar na cara deles como se faz um basquete bonito, eficiente e vencedor nos últimos anos. Mas pensar que a partida de amanhã se decidirá “apenas” neste aspecto é um engano. Que Magnano treine sua defesa a exaustão para conter Luis Scola.

Reduzindo o percentual de acerto nos arremessos (na Olimpíada, onde tem a média de 20,2 pontos, está em altíssimos 56,7%) é o primeiro passo para derrubar os hermanos. Será que o Brasil consegue?


Personagem central, como estará a cabeça de Rubén Magnano na véspera do jogo?
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Fábio Balassiano

Logo que saiu o sorteio das chaves olímpicas eu coloquei aqui e no Twitter (@balanacesta) que acreditava fortemente em um duelo entre Brasil e Argentina nas quartas-de-final. Sorte ou não, acabei acertando, e lá estarão os eternos rivais frente e frente brigando por uma vagas nas semifinais da Olimpíada de Londres. Há personagens bacanas na peleja desta quarta-feira, mas não creio que exista alguém melhor que Rubén Magnano para ilustrar qualquer matéria.

Manu Ginóbili é um gênio, Luis Scola é cracaço de bola, Huertas tem jogado muitíssimo bem e Alex Garcia tem uma biografia de tenacidade que impressiona. Mas a gente sabe bem o que Magnano representa para os dois países, não? Responsável pelo vice-campeonato mundial em 2002 e pela medalha de ouro olímpica com os hermanos em 2002 e 2004, respectivamente, Magnano foi contratado no começo de 2010 pela Confederação Brasileira (bola dentro, é sempre bom dizer!) e ajudou a levar o Brasil de voltar às Olimpíadas depois de 16 anos de ausência.

O cara é tão bom, mas tão bom, que consegue ser ídolo, e querido, em dois dos maiores rivais do continente, tendo sido reverenciado pela (belíssima) torcida argentina no Pré-Olímpico das Américas de 2011 (confesso que quando vejo a cena fico emocionado e pensando se o inverso aconteceria aqui se, por exemplo, Luiz Felipe Scolari dirigisse os hermanos – não creio). Magnano tem métodos pra lá de controversos (vocês devem ter visto que nem na Olimpíada ele permite câmera nos tempos técnicos – uma mala internacional, portanto) e por que não dizer reprováveis, mas de seu talento ninguém duvida, ninguém pode falar nada – nem aqui, nem na Argentina.

Rubén Pablo Magnano transformou a geração mais talentosa do basquete argentino em campeã olímpica em 2004, levando Manu Ginóbili, Luis Scola, Andres Nocioni e companhia a tocar o céu em Atenas. Foi um momento glorioso, um momento inesquecível. Oito anos depois, pode caber a ele, Magnano, colocar um ponto final na história de um dos mais fantásticos times que o mundo já viu. O esporte é belíssimo, mas também é cruel, e duvido muito que ele não se emocione quando tocar o hino argentino antes de partida ou quando seus ex-comandados lhe cumprimentem.

Como estará a cabeça de Rubén Magnano faltando pouco mais de 45 horas para começar este que sem dúvida é um dos jogos mais importantes da história do basquete brasileiro? Dá uma olhada no vídeo abaixo pra ter uma ideia.


Quartas-de-final do Torneio Masculino de Londres estão definidas – veja duelos e horários
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Fábio Balassiano

Estão definidas as quartas-de-final do torneio masculino da Olimpíada de Londres. Confira os duelos do mata-mata:

1) EUA x Austrália (18h15)
2) Brasil x Argentina (16h)
3) Rússia x Lituânia (10h)
4) França x Espanha (12h15)

Na semifinal, vencedores de 1 e 2, e 3 e 4 se enfrentam. Algum palpite pros duelos das quartas-de-final de quarta-feira? Manda bala na caixinha!