Bala na Cesta

Arquivo : Luis Scola

A difícil situação do craque Luis Scola no Phoenix Suns – vale a pena pedir pra sair?
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Fábio Balassiano

No dia 16 de novembro, Luis Scola (foto à direita) anotou 18 pontos e apanhou quatro rebotes na derrota do seu time, o Phoenix Suns, para o Los Angeles Lakers na Califórnia. Ele não sabia, mas ali seria seu último jogo como titular. Naquela noite, Alvin Gentry, o técnico do time, decidiu que Markieff Morris seria o ala-pivô da franquia a iniciar as partidas.

E aí obviamente os números de Scola, craque de bola e reconhecido pelo mundo todo como um dos melhores dos últimos cinco, dez anos, despencaram. Nos seis jogos vindo do banco, o campeão olímpico em 2004 tem 9,5 pontos e 4,2 rebotes em 22,2 minutos. Pouco, não?

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No total da temporada, 12,7 pontos e 6,7 rebotes, estatísticas que são maiores apenas que as da temporada de estreia dele na liga há cinco anos pelo Houston Rockets. Os texanos, é sempre bom lembrar, que no campeonato passado tentaram trocá-lo naquela transferência frustrada de Chris Paul aos Lakers e que neste ano o anistiou para (em vão) tentar contratar Dwight Howard (coincidência ou não, foi justamente depois de marcar D12 que o argentino foi pro banco).

Aos 32 anos, Scola sabe que não tem muito tempo a perder. Jogando, ele até tinha a desculpa de se desenvolver ainda mais, tentar ser um All-Star na liga como quase foi há duas temporadas, quando teve 18,3 pontos e 8,2 rebotes pelo Houston, ganhar reconhecimento nos Estados Unidos. Mas ser reserva de um time que não chegará muito longe e está em fase de reestruturação como é este Phoenix Suns? Não acredito que seja uma boa ideia – e nem creio que ele, tão lúcido e inteligente, creia.

O argentino tem mais dois anos de contrato, e nem ganha tanto assim (faz US$ 4,5 milhões por temporada). Poderia muito bem ser envolvido em uma troca e parar em um time que precise de um pivô com técnica e com ótimo chute (nos Lakers ou no Cleveland, formando garrafão com Varejão, ele cairia muito bem, por sinal). Caso queira mudar realmente de ares, voltar à Europa não seria uma má ideia.

Resta saber se ele terá paciência para esperar, como tem Carlos Delfino nos últimos anos rodando de time em time, ou se chutará o balde e rumará para algum lugar que o queira em quadra, jogando, mostrando o talento que todos sabemos que ele tem – tal qual fez seu compatriota Andres Nocioni.

Alguém se arrisca a dizer qual será o futuro deste craque chamado Luis Scola? Comentários na caixinha!


Estrelas da Argentina não confirmam aposentadoria da seleção – mistério continua!
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Fábio Balassiano

“Quando fomos para o vestiário depois de perder da Rússia, o Julio Lamas falou primeiro, depois o Luis Scola e todos choramos muito porque a medalha de bronze era o nosso sonho. Ninguém disse que estava se retirando da equipe, e acho que ainda não é o momento para definir isso. A boa notícia é que ninguém tem claro que quer sair. Estamos todos em bom estado físico e técnico”, Pablo Prigioni

“Eu não sei se vou continuar ou não. É muito cedo, faltam dois anos para o Mundial, estarei com 37 anos… Quem sabe? O tempo dirá. Quando chega a hora, preciso ver como estarei em termos físicos, mentais, ver com minha família. É muito cedo ainda”, Manu Ginóbili (foto)

“Eu não posso saber exatamente o que vai acontecer. Mais cedo ou mais tarde todos aqueles que jogaram em Atenas, Turquia e Pequim não atuarão mais. Atletas não jogam pra sempre, e um dia isso acontecerá. Mas não é hora de falar sobre isso. Até hoje eu não sei quem vai seguir ou não na seleção. Sei que alguns deverão parar, outros devem vir e jogar bem como aconteceu no passado e será no futuro”, Luis Scola

As declarações acima são de três feras da seleção argentina que chegou em quarto lugar na Olimpíada de Londres. O trio não confirma e nem descarta a aposentadoria do time platense. Pelo visto, a decisão só será conhecida mesmo antes do Mundial da Espanha de 2014.

Será que ainda veremos a geração dourada outra vez em quadra? Tomara que sim!


Brasil repete erros de 2010, perde da Argentina e está fora da Olimpíada de Londres
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Fábio Balassiano

No dia 7 de setembro de 2010, Pablo Prigioni foi perguntado sobre a altíssima pontuação de Marcelinho Huertas (32 pontos e 10/16 nos arremessos) na partida em que os hermanos venceram o Brasil por 93-89 no Mundial da Turquia: “Essa era a tática mesmo. Deixá-lo pontuar, para que os outros atletas não ficassem muito envolvidos nao jogo”.

Pois bem. Isso foi há quase dois anos, e a tática de Julio Lamas se repetiu nesta quarta-feira (confesso que quando vi isso com um minuto de jogo mandei um SMS para o companheiro Gian, que também se surpreendeu). Pablo Prigioni “pagou” para os chutes de Marcelinho Huertas no começo, o brasileiro “caiu” na armadilha e começou a pontuar sem parar (sem, céus, envolver seus companheiros na partida). Anotou 13 pontos no primeiro período, mas a chave da vitória argentina estava lá. Nem Rubén Magnano nem o armador repararam, e Lamas viu sua velha estratégia dar certo (de novo).

Cercado na segunda etapa, Huertas começou a passar, mas as bolas não caíram. Com isso a vantagem argentina chegou a 15 pontos, e embora reduzida no final (caiu para dois a quatro do fim), os hermanos não foram superados em momento algum (e aí entra não o a experiência, mas também a capacidade que os platenses têm de assimilar os golpes e encontrar soluções dentro de situações complicadas). Tiveram cinco jogadores com 11 ou mais pontos (e Luis Scola, quase sempre genial, teve “apenas” 17), venceram por 82-77 (números aqui), eliminaram o Brasil e se classificaram para a terceira semifinal olímpica seguida.

Talvez seja difícil admitir, mas o Brasil perdeu para um time melhor, para um time que vem chegando e conquistando tudo há uma década. Cabe a tristeza, mas não a revolta, portanto. Se houve/havia chance de bater a Argentina, e a frustração se explique por isso, é importante ressaltar que os mesmos erros de outrora se repetiram (muito básico, não?).

Viu o jogo? Muito triste com a eliminação? Comente!


Nada mais importa: Brasil faz hoje o jogo mais importante da década contra a Argentina
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Fábio Balassiano

São os dois times que menos erram na Olimpíada (os EUA não contam), são dois brilhantes treinadores (e do lado argentino ainda há um Sergio Hernandez como assistente) e um punhado de jogadores espetaculares.

Sobre os duelos individuais, acabei me antecipando lá atrás, quando imaginava um Brasil x Argentina em Londres e já escrevi bastante (leia aqui), mas a partida de hoje é muito mais um “simples” jogo olímpico (se é que existe jogo simples neste tipo de torneio).

Vale bastante para a Argentina, claro, que deseja dar um fim belíssimo a um dos mais vitoriosos e sensacionais times de basquete de todos os tempos. Conquistar uma terceira medalha olímpica de forma seguida colocaria Manu Ginóbili, Luis Scola, Andres Nocioni, Carlos Delfino e Pablo Prigioni em um patamar de idolatria ainda maior no país vizinho. Motivação para os platenses, como se vê, não falta. Pode, é bom ficar esperto quanto a isso, ser o último jogo de Manu com a camisa da seleção.

Mas do lado brasileiro há muita coisa em jogo também. Assim como os hermanos, muita gente que entrará em quadra hoje pode começar a se despedir da seleção nacional (Giovannoni, Alex, Marcelinho e Larry Taylor não são mais garotos) e a impressão que eles vão querer deixar não é, evidentemente, a de ter ido a uma Olimpíada apenas e ter ficado entre os oito. Além disso,

Não é só isso, no entanto. Vale, para o basquete brasileiro, a oportunidade de voltar a ficar entre os quatro melhores times de uma Olimpíada (fato que não acontece desde 1968), a oportunidade de recomeçar a febre por um esporte que estava adormecido há quase 20 anos e a chance de o país começar a plantar coisas muito boas para uma modalidade que, vamos combinar, é pra lá de emocionante e belíssima.

Um pouco disso tudo já pôde ser visto desde segunda-feira, quando muita gente que nunca falou da bola laranja se interessou, comparou Magnano a Mano Menezes, traçou paralelo entre Oscar (o meia) e Huertas e trocou ideias sobre BASQUETE em bares de todo país.

Que o Brasil tenha muita cabeça no lugar para um jogo que pode mudar o rumo do basquete neste país a partir de hoje. Não serei louco de dizer que é a partida mais importante da história de uma nação que já tem campeonato mundial, medalha olímpica e muito mais. Mas seguramente Huertas, Splitter, Varejão, Nenê, Alex, Machado, Caio, Raulzinho, Larry, Giovannoni, Leandrinho e Marquinhos não estarão sozinhos em quadra logo mais.

Quarenta minutos, 12 jogadores, uma grande chance de fazer do basquete um esporte de respeito novamente. Será?


Para o Brasil, a chave da vitória contra a Argentina passa pela defesa a Luis Scola
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Fábio Balassiano

Gastei uma fortuna em ligações ontem, podem ter certeza. Liguei pra um técnico, troquei ideia com amigos, confabulei táticas com um guru.

Tudo para tentar “descobrir” a melhor tática para vencer a Argentina nas quartas-de-final da Olimpíada de Londres nesta quarta-feira (16h de Brasília). A conclusão foi clara: Manu Ginóbili é o jogador mais espetacular que estará em quadra, mas a vitória brasileira passa pela defesa que tentará deter Luis Scola (foto)

Há incontáveis atuações excepcionais de Luis Scola contra o Brasil (a do Pré-Olímpico de 2007, quando teve 27 pontos e nove rebotes nos 91-80 que garantiram aos hermanos a vaga olímpica em 2008, e a sublime do Mundial de 2010, com 37 pontos e nove rebotes nos 93-89 são as que mais me vêm a cabeça), e tenho certeza absoluta que Rubén Magnano está treinando, falando, mostrando vídeos sobre a melhor forma de marcar a jogada que tem maltratado o Brasil nos últimos anos.

Ela se chama pick’n'roll, mas em português podemos chamar de corta-luz que todo mundo vai entender. É jogadas em “dupla” e até a sua avó desavisada vai entender se você explicar que é aquela “paredinha” que o gigante faz para gerar um desequilíbrio na defesa em uma jogada com o armador. Não é a explicação mais técnica do mundo, claro, mas em Olimpíada é bom tentar “traduzir”.

É assim, com a tal “paredinha” que a Argentina começa quase todas as suas jogadas há quase uma década, e é assim que ela ganha – e perde – com e por causa dela. Na primeira fase, venceu da Lituânia quando o corta-luz encaixou bem. Perdeu feio da França quando Tony Parker e seus pivôs marcaram estupendamente.

Há formas, claro, de o Brasil defender a estratégia argentina também, claro (e não vou falar aqui sobre prender Scola na Vila Olímpica, sem dúvida a melhor delas). Impedir que Pablo Prigioni (ou até mesmo Manu Ginóbili) não inicie a ação de corta-luz (chamemos de CL a partir de agora) é a principal delas. Colocar um jogador mais alto ou mais forte pode ser uma ótima alternativa, e Larry Taylor e Alex surgem como alternativas.

Outra boa ideia para deter o CL argentino é “exigir”que Pablo Prigioni chute. Ou seja: “congelar”o pivô e até mesmo o armador em Scola e meio que esquecer do armador platense. É arriscado, mas o aproveitamento de Prigioni seguramente será menor que o de Scola. Caso o camisa 8 decida passar (provável), as rotações brasileiras precisarão estar afiadas. Outra alternativa viável, e aí não necessariamente defensiva, é forçar o jogo ofensivo de garrafão em cima de Scola. Em todos os jogos contra o Brasil, o camisa 4 praticamente descansou na marcação, e carregá-lo em faltas e desgastá-lo fisicamente pode ser fundamental principalmente para o final da partida.

Ouvi gente falando em dobrar a marcação em Scola a qualquer custo, mas eu sinceramente não recomendo. Se fosse em outra ocasião, com a Argentina desfalcada, eu até entenderia. Com Manu Ginóbili ou Carlos Delfino podendo decidir sem marcação, essa ideia não faz sentido (ao menos pra mim, claro).

Será um jogo mental, psicológico, de muita cabeça, sem dúvida alguma. Os argentinos, vocês sabem bem, cansaram de vencer os brasileiros e esfregar na cara deles como se faz um basquete bonito, eficiente e vencedor nos últimos anos. Mas pensar que a partida de amanhã se decidirá “apenas” neste aspecto é um engano. Que Magnano treine sua defesa a exaustão para conter Luis Scola.

Reduzindo o percentual de acerto nos arremessos (na Olimpíada, onde tem a média de 20,2 pontos, está em altíssimos 56,7%) é o primeiro passo para derrubar os hermanos. Será que o Brasil consegue?


Em jogo chave, Argentina tenta vencer a França para se consolidar como 2ª força do Grupo A
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Fábio Balassiano

Antes de começar as Olimpíadas, havia dito aqui que, no grupo A, França, Lituânia e Argentina disputariam do segundo ao quarto lugares já que os Estados Unidos deverão vencer todas as partidas. Pois muito bem. No domingo, os franceses tentaram, mas não resistiram aos EUA. No jogo de fundo, uma aula platense. Os hermanos fizeram 102-79 na Lituânia, empolgaram pacas e se colocaram muito bem para a partida chave desta terça-feira contra a França, às 16h (de Brasília).

E qual a razão para o jogo de hoje ser tão chave assim, você pode estar se perguntando. Caso os hermanos vençam a França no primeiro duelo entre Manu Ginóbili e Tony Parker (companheiros de San Antonio Spurs), restariam aos vizinhos sul-americanos apenas as partidas contra Tunísia e Nigéria antes do duelo final contra os norte-americanos (derrota previsível). Triunfo contra os franceses e os argentinos se colocam como virtuais segundos colocados na chave, olhando para o grupo B para esperar Brasil, Rússia ou Espanha (mais para os dois primeiros, claro).

E eu não sei você, amigo leitor, mas eu fiquei absurdamente impressionado com a exibição da Argentina no domingo contra a Lituânia. Não que eu não esperasse (disse aqui que os hermanos incomodariam pacas nestas Olimpíadas), mas o comprometimento, a força e a intensidade platense me chamaram a atenção. E nem falo sobre os 21 pontos, dez rebotes, quatro roubos e seis assistências de Manu Ginóbili, muito menos sobre os 32 pontos, cinco rebotes e cinco assistências de Luis Scola, mas sim pelo lance que coloco no vídeo abaixo.

Sobre este vôo de Andres Nocioni, líder emocional da equipe, Manu Ginóbili escreveu em sua brilhante coluna no jornal La Nación (leia completa aqui): “Quando Chapu (Andres Nocioni) mergulhou para tentar buscar aquela bola que não era tão importante, Luifa (Scola) e eu saímos correndo para buscá-lo. Primeiro, porque é um colega que está deixando a vida pelo grupo. Mas principalmente porque tais ações são vistas pelos rivais. Isso também conta. Os caras sabem que somos uma equipe e que não será fácil nos bater. E são por jogadas como as do Chapu que eu voltei a ver em quadra o time que conquistou a medalha de bronze em 2008. Eu tive que ver de fora aquele jogo por causa de uma lesão no tornozelo, mas agora eu sinto que joguei. Foi lindo. Nós fizemos a coisa certa”.

E ele continuou: “Me emociona muito fazer parte disso tudo. É difícil explicar o desempenho que teve a equipe contra a Lituânia. (…) Foi uma partida impressionante. Para ser sincero, nunca sonhei com tudo isso. (…). Senti-me bárbaro em quadra, com uma energia incrível para buscar cada rebote. Acho que a adrenalina para começar de novo uma Olimpíada te dá forças. Além disso, vimos um grupo de argentinos durante o hino e isso ajudou muito também”.

Vale a pena ficar de olho nos hermanos nesta terça-feira (16h). É a despedida olímpica de uma geração espetacular, de um gênio do esporte e de um time que marcou/marca época no basquete. Será que a Argentina vence a França? Comente na caixinha!