Bala na Cesta

Arquivo : Lucas Bebê

O difícil fevereiro dos brasileiros na NBA – o resumo do mês no melhor basquete do mundo
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Desde o início da temporada 2016/2017 estou colocando no blog o desempenho dos brasileiros na NBA. Os números, uma leve pincelada, os destaques, essas coisas. Vamos lá a fevereiro de 2017? Teve muita coisa, hein!

O FEVEREIRO DE 2017 DOS BRASILEIROS

ACUMULADO DA TEMPORADA 2016/2017

NOVEMBRO/2016 , DEZEMBRO/2016 JANEIRO/2017

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

a) Anderson Varejão -> Anderson Varejão foi dispensado em 4 de fevereiro pelo Golden State Warriors. Desde então está procurando time na NBA, mas até o momento nenhuma proposta oficial surgiu. Seu nome foi especulado em Cleveland, em uma volta ao time pelo qual jogou por mais de uma década, mas os Cavs fecharam com o australiano Andrew Bogut e praticamente fecharam as portas para o brasileiro.

b) Bruno Caboclo -> Caboclo não entrou em quadra nenhuma vez por um cada vez mais reformulado Toronto Raptors, que foi um dos times mais ativos na janela de negociações da NBA trazendo o ala PJ Tucker e o pivô Serge Ibaka, mas o ala jogou muitas vezes e bem na D-League pelo Toronto 905. Foram 8 partidas e 27,5 minutos de média com 11,8 pontos, 40% nos arremessos e 5,8 rebotes. Entre 9 e 23 de fevereiro o brasileiro teve 4 partidas seguidas com 10+ pontos. Nos vídeos abaixo é possível ver a desenvoltura dele em quadra.

c) Cristiano Felício -> O pivô do Bulls ficou mais conhecido por isso aqui em fevereiro do que qualquer outra coisa:

Felício acabou correndo atrás de um rebote no último segundo de jogo contra o Cleveland, “tirou” o triplo-duplo de Dwyane Wade e foi motivo de brincadeira por parte do companheiro (Felício mesmo colocou em seu Twitter uma frase dizendo “Eu não sabia”). Ele estava certíssimo de ir atrás da bola porque pra ele qualquer rebote conta (seu contrato termina em junho), mas vale dizer que em fevereiro ele continuou a sua evolução na NBA. Foram 3 partidas com 10+ pontos, 5 com 20+ minutos e 5 com 5+ rebotes. Ele se consolida como pivô reserva da franquia de Illinois mesmo com a recente chegada do francês Joffrey Lauverne.

d) Leandrinho -> Foi um mês mais estável para Leandrinho na NBA. Se não jogou mais de 20 minutos nenhuma vez, em todas as partidas esteve em quadra por no mínimo dez minutos. Sempre bom ressaltar que função é dar experiência ao jovem Devin Booker, que tem jogado cada vez melhor, e entrar para “comer” os minutos quando o garoto descansa. Leandrinho teve uma partida muito boa contra o Pelicans em 06/02 ao anotar 14 pontos em 20 minutos e outra cinco dias depois contra o Houston quando cravou 12 nos mesmos 20 minutos. Nas duas oportunidades o brasileiro conseguiu 10+ pontos jogando fora de casa.

e) Lucas Bebê -> Lucas começou o mês muito bem com 10 pontos e 5 rebotes na partida contra o Boston. Atuou por 28 minutos e logo depois emplacou uma sequência de 7 partidas jogando 20 ou mais minutos em todas elas. Nesta série de jogos ele conseguiu 5+ rebotes por quatro vezes, mostrando presença perto da cesta e a força física de sempre. O problema para o brasileiro é que depois do All-Star Game o seu time, o Toronto Raptors, contratou Serge Ibaka e PJ Tucker, jogadores que atuam no garrafão. Com isso seu tempo de quadra caiu sensivelmente. Em fevereiro após o All-Star foram 3 jogos, com Lucas jogando 11, 10 e 0 minutos. Nas três saiu zerado em pontos e teve apenas 3 rebotes (somados). Se janeiro foi o mês de sua consolidação na NBA, fevereiro terminou com um ponto de interrogação imenso sobre seu futuro na franquia. Se Jonas Valanciunas é o pivô titular, aparentemente a rotação do técnico Dwane Casey para o garrafão agora contempla apenas Tucker, Ibaka e Patrick Patterson, outro ala. Bebê não tem sido utilizado e isso não é bom.

f) Marcelinho Huertas -> Huertas seguiu a sua sina de só jogar os minutos de partidas já decididas, mas no dia 23 de fevereiro de 2017 uma troca envolveu o seu nome. O brasileiro foi trocado pelo Lakers para o Houston, que logo em seguida o dispensou. Tal qual Anderson Varejão, ele procura novo time na NBA. Caso não consiga ficar na liga norte-americana, ele possui amplo mercado na Europa e é bem possível que ele retorne para o Velho Mundo caso nenhum time da NBA demonstre interesse por ele.

g) Nenê -> Aos 34 anos, Nenê mostra forma física invejável e uma arma fortíssima vindo do banco de reservas do Houston Rockets, o terceiro melhor time da conferência Oeste. Foram 3 jogos com 10+ pontos, inclusive os 15 pontos pontos e 7 rebotes contra o Indiana Pacers no dia 27 de fevereiro. Ele é disparada a melhor opção ofensiva entre os brasileiros na temporada 2016/2017 da NBA e tem conseguido produzir muitos pontos nos minutos em que está em quadra (a média de fevereiro ficou quase em 1 ponto a cada 2 minutos em quadra, algo excelente). Gosto sempre de ressaltar que o pivô está no basquete mais difícil do mundo há 15 campeonatos, e sempre com relevância, importância. É bem relevante.

h) Raulzinho -> Raulzinho não vive situação boa na NBA. É o terceiro reserva de um time muito bom (o Utah Jazz) ele só tem jogado realmente quando a partida está decidida (mesmo cenário que Huertas vivia no Lakers). Isso não é bom, e Raulzinho, mega jovem (completará 25 anos em maio), precisa de quadra, precisa jogar, precisa estar em atividade. A fase de sua carreira é de crescimento, e sinceramente vejo com bons olhos algum movimento de troca de ares para ele no próximo campeonato.

i) Tiago Splitter -> Tiago Splitter segue em sua recuperação do quadril, mas no dia 23 de fevereiro a sua vida mudou um pouco quando ele foi trocado pelo Hawks para o Philadelphia 76ers. Lá ele poderá fechar a temporada jogando um pouco e mostrando ao mercado que está bem em termos físicos. Seu contrato vence no final do campeonato e quanto mais ele conseguir atuar ainda nesta temporada regular pelo Sixers, melhor.

E você, o que achou do mês de fevereiro dos brasileiros? Comente aí você também.


O janeiro de 2017 dos brasileiros na NBA – Como eles foram?
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Desde o início da temporada 2016/2017 estou colocando no blog o desempenho dos brasileiros na NBA. Os números, uma leve pincelada, os destaques, essas coisas. Vamos lá ao primeiro mês de 2017?

RELEMBRANDO NOVEMBRO/2016 & RELEMBRANDO DEZEMBRO/2016

O JANEIRO DE 2017 DOS BRASILEIROS

Janeiro

ACUMULADO DA TEMPORADA 2016/2017

Acumulado

a) Anderson Varejão -> Acho quase irrelevante falar do mês de janeiro de Anderson Varejão sabendo que no começo deste fevereiro o pivô foi dispensado do Golden State Warriors, né? Não dá pra dizer que é surpresa, porque o seu desempenho de fato não foi bom com a franquia de Oakland, mas é triste do mesmo jeito. Agora fica a pergunta: ele conseguirá outro time na NBA? Ou sua história na melhor liga de basquete do mundo terminou? Vamos esperar um pouco!

caboclo1b) Bruno Caboclo -> Caboclo praticamente não jogou na NBA, mas voltou a disputar muitos jogos na D-League pelo Toronto 905, onde é treinado por Jerry Stackhouse, um ótimo ala na NBA na década de 90. Foram 9 partidas pela filial do Raptors com 10,1 pontos de média, sendo em três oportunidades com o ala alcançando 14+ pontos e 7+ rebotes. Ainda é muito cedo pra projetar qualquer coisa sobre o jogador que completará 22 anos apenas em setembro de 2017. Bruno está sendo preparado pela franquia, que tem muita paciência com ele. Não é certeza que irá vingar, mas é um trabalho de longo prazo e convém esperar no mínimo até 2017/2018. Este é mais um ano de aprendizado para ele no Canadá.

felicio1c) Cristiano Felício -> Mais um mês de evolução para Felício no Bulls. É realmente o pivô reserva na caótica rotação do técnico Fred Hoiberg e tem uma qualidade que o seu titular, Robin Lopez, não possui – ele tem arremesso de média e longa distância, conseguindo espaçar muito bem a quadra e permitindo situações de infiltração de seus companheiros como Lopez não consegue fazer. Em janeiro, em três oportunidades, Felício passou dos 10 pontos e em duas conseguiu duplo-duplo (11+11 contra o Thunder e 12+10 contra o Magic. Em 7 jogos passou dos 20 minutos em quadra. Aos 24 anos e em seu último ano de contrato, o pivô vai mostrando que, sim, merece estar na liga. Ótimas chances de ele conseguir um novo, e gordo, contrato na próxima temporada.

d) Leandrinho -> O ano de Leandrinho começou com uma partida de 10 pontos em 13 minutos contra o Miami em casa. Poderia-se esperar que fosse dali pra melhor, mas não foi além, não. Ele mais uma vez jogou pouco, e apenas em 26 de janeiro, com 9 pontos em 16 minutos contra o Denver, teve algum destaque. Como Eric Bledsoe e Devin Booker, armadores titulares, têm ido muitíssimo bem, fica cada vez mais restrita a presença do brasileiro em quadra por muitos minutos.

lucas1e) Lucas Bebê -> Janeiro só não foi melhor para Lucas porque no jogo contra o Nets, no Brooklyn, em 17 de janeiro, ele teve uma concussão na cabeça. Estava sendo titular junto com Jonas Valanciunas, mas perdeu os dois jogos seguintes, fazendo com que sua performance não fosse ainda melhor (Patrick Patterson voltou para a posição quatro, e o brasileiro para o banco de reservas, de onde sai para ser o cadeado defensivo da segunda unidade). Bebê se firmou como pivô reserva e faz parte, de forma firme e consistente, da rotação do Toronto Raptors. Teve 13 pontos contra o Phoenix, 10 contra o Nets, 9 contra o Bucks e dois jogos com 4 tocos. Ah, e o cara agora está arriscando bolas de fora. Contra o Suns e Nets ele converteu duas.

f) Marcelinho Huertas -> Seis jogos, sempre com eles decididos e nada de relevante para Huertas em janeiro na NBA. É uma pena, torna-se repetitivo dizer isso aqui, mas a realidade é que já passou da hora de ele procurar novos ares. Ali, pelo visto, não vai acontecer nada pra ele mesmo. E digo isso com a certeza de que em alguma franquia com espaço para ele Huertas tem tudo para mostrar seu talento. O cara é muito, muito bom.

nene1g) Nenê -> Mês incrível para Nenê na NBA. Aproveitou cada segundo que esteve na quadra, teve atuações sensacionais como a contra o Sixers (21 pontos e 6 rebotes em 27 minutos) e contra o Bucks (17 pontos e 8 rebotes) e mostrou porque está há 14 temporadas no mercado de basquete mais difícil do mundo. Aos 34 anos, ele é uma peça pra lá de importante na rotação de Mike D’Antoni no Houston Rockets. Contra o Minnesota, em 11 de janeiro, ele inclusive matou uma bola de três pontos. Diante do Oklahoma, lá no começo de 2017, lances-livres fatais contra o OKC. Bem legal, Nenê! Arrebentou!

h) Raulzinho -> Outro que está em situação difícil na NBA. Passou pela D-League, quando esteve em quadra não foi muito bem e vê a concorrência (Shelvin Mack, Dante Exum e Alec Burk) comendo todo o tempo de quadra na armação que conta com o titular George Hill (este muitíssimo bem aliás). O mais complicado para Raulzinho deve ser segurar a ansiedade por querer mostrar serviço em pouco tempo de quadra sem parecer individualista. Torçamos para que ele ou encontre espaço em Utah ou que outra franquia aposte suas fichas no garoto de 24 anos.

i) Tiago Splitter -> Splitter ainda não estreou na NBA ainda. Deve retornar agora em fevereiro, depois do All-Star Game. Já faz trabalhos na quadra e treina normalmente com o seu time.

E você, o que achou do mês de janeiro dos brasileiros? Comente aí você também!


Como Lucas Bebê se tornou o segundo melhor em aproveitamento da NBA nos arremessos
Comentários Comente

Fábio Balassiano

lucas1Lucas Bebê começou a temporada 2016/2017 da NBA disputando a condição de pivô reserva do Toronto Raptors com o austríaco Jakob Poeltl. E não foi um início fácil, pois Poeltl, escolhido na nona posição do Draft, parecia ganhar a alcunha de suplente do lituano Jonas Valanciunas. Mas a história do brasileiro começou a mudar em dezembro, quando ganhou a confiança da comissão técnica por defender muito bem o aro e trazer segurança defensiva para a franquia canadense. Ele tem 4,7 rebotes por jogo e 1,77 toco por noite, o nono neste quesito de toda a liga. Mais do que na defesa, Lucas, no Canadá chamado de Nogueira, seu sobrenome, passou a chamar a atenção do Toronto e de toda a NBA também pela sua pontuação fácil e pela forma como ele facilita as coisas para seus companheiros pontuarem.

lucas11Com 2,13m e braços muito longos, Bebê é o corta-luz perfeito para os armadores Kyle Lowry e DeMar DeRozan infiltrarem em direção a cesta e converterem seus pontos. Como consegue ser muito mais rápido que Valanciunas e Poeltl, seus concorrentes por minutos no garrafão, o brasileiro vira e mexe ainda consegue receber os passes para pontuar de pertinho da cesta. Não é coincidência, portanto, que o jogador da franquia canadense, que hoje enfrenta o San Antonio Spurs em casa tendo a campanha de 28-16 (vice-líder da conferência Leste), tenha 68% de aproveitamento nos arremessos na NBA, segundo índice mais alto da melhor liga de basquete do planeta (fica atrás apenas de DeAndre Jordan, do Los Angeles Clippers, que tem 68,8%). Ele arremessa pouco, é verdade, mas é bola de segurança para a sua equipe (2,9 tentativas/jogo, com 2 acertos/jogo).

shotchart_LucasE sua melhoria é contínua. Suas médias já estão em 5,8 pontos, 4,7 rebotes e 25,2 minutos em janeiro deste ano, quando foi alçado pelo técnico Dwane Casey a condição de titular do time, jogando ao lado do lituano Jonas Valanciunas. Como demonstra a figura ao lado, Bebê converte grande parte de seus pontos perto, pertinho da cesta, inclusive com enterradas ferozes. Ao todo já são 38 no campeonato, mais do que uma por jogo nas 35 vezes em que esteve em quadra (no ranking ele é o trigésimo que mais deu cravadas na temporada).

A grande novidade é que neste ano já foram duas cestas de três pontos e algumas belíssimas jogadas de costas pra cesta ou bandejas invertidas para confundir a marcação. Se antes seu arsenal ofensivo se baseava praticamente em conversões de enterradas a partir de “lobs” (lançamentos para o alto) de seus armadores, Lucas Bebê parece estar aprimorando seus golpes para se tornar mais completo ofensivamente. Em 2017 jogou mais de 25 minutos em cinco vezes das nove em que esteve em quadra e em duas delas conseguiu dez ou mais pontos. No domingo, na derrota em casa para o Phoenix Suns, o camisa 92 teve uma partida perfeita com 13 pontos (5/5 nos arremessos, incluindo aí um acerto em uma bola de três pontos), 5 rebotes, uma assistência e dois tocos.

lucas21Das grandes surpresas desta temporada, Lucas é uma das que mais chamam a atenção. Em seu terceiro ano na liga, ele poderia ter sido esquecido pelo técnico Dwane Casey após a chegada do austríaco Jakob Poeltl. Só que como ele mesmo mencionou recentemente, Bebê passou a treinar mais, sair menos e a estar cada vez mais concentrado e preparado. Os resultados estão sendo sentidos a cada dia. Estar em segundo no percentual de arremessos da NBA é uma vitória e tanto para o garoto de 24 anos.


O bom momento do pivô brasileiro Lucas Bebê no Toronto Raptors
Comentários Comente

Fábio Balassiano

bebe5Quando projetei aqui a temporada dos brasileiros nesta temporada 2016/2017 da NBA falei que tinha preocupação em relação a Lucas Bebê. Reserva do Raptors e com Jonas Valanciunas jogando muito tempo, o pivô disputaria a posição de “comer os minutos restantes do lituano” contra o calouro austríaco Jakob Poetl, que fora muito bem na pré-temporada e que parecia ganhar a preferência da comissão técnica do Toronto liderada pelo exigente técnico Dwane Casey. Menos de dez jogos de campeonato e a situação do camisa 92 mudou. Pra melhor.

bebe4Jonas Valanciunas se machucou e se fato Poetl foi titular durante a semana. Mas aos poucos Lucas, que até o dia 6 de novembro não tinha entrado em quadra, foi ganhando espaço e mostrando bom desempenho.

Até que ontem, em seu quarto jogo seguido com mais de 20 minutos em quadra e já com Valanciunas de volta a rotação, foi a sua explosão. Em casa diante dos Knicks ele registrou seis pontos, 10 rebotes, sendo 6 ofensivos, três roubos, cinco tocos (dois deles em momentos cruciais no final da partida!) e +8 no +/-. Em uma semana pra lá de especial, Bebê tem nos últimos últimos 4 jogos as médias de 25,8 minutos, 8,3 pontos (duas partidas seguidas, contra Thunder e Hornets, com dígitos duplos), 7,3 rebotes, 2,5 tocos e 1,8 roubos de bola, além de +60 no +/-. Abaixo alguns lances dele em novembro:

bebe6Dá pra ficar um pouco mais animado em relação ao presente e ao futuro de Lucas na franquia. É óbvio que ele ainda tem muito a evoluir (se na defesa ele é um dínamo no ataque seu jogo se resume apenas a enterradas ou tapinhas, algo que já tinha notado e conversado com ele em entrevista de 2013 e motivo pelo qual seu aproveitamento nos arremessos é de incríveis 88%), mas é bacana notar que na luta para ser o reserva imediato de Jonas Valanciunas o brasileiro ganhou pontos importantes nesta semana. Noves fora os desabafos dele nas redes sociais (aqui), na minha concepção exagerados mas compreensíveis, é importante que o pivô de 24 anos mantenha a cabeça no lugar para ganhar de vez a confiança do técnico Dwane Casey, firmando-se na rotação do Toronto de forma consistente (palavra esta utilizada por Casey na coletiva de sábado à noite para definir as atuações do brasileiro nesta semana na NBA).

bebe3Muito bem em termos físicos, mais focado (na entrevista pós-jogo de ontem ele disse que está há 8 meses sem ingerir uma gota de álcool e sem sair à noite, e que pensa em sua filha que está por vir o tempo todo), com inglês BEM fluente e compreendendo melhor as situações do jogo (seu toco em Carmelo Anthony ontem à noite é um bom exemplo de cobertura bem feita!), Bebê pode se tornar uma ótima opção para o Toronto. Tal qual foi Bismack Biyombo na temporada passada, sua presença defensiva no garrafão é incrível e bem intimidadora devido aos seus 2,16m.

bebe7Provavelmente esta que termina neste domingo foi a melhor semana da vida profissional de Lucas Bebê desde que ele chegou na NBA há três campeonatos. Sete dias bem animadores. Apenas sete dias e quatro jogos seguidos com 20+ minutos. Mas que podem resultar em mais e mais minutos pelo restante da temporada. Agora a luta é para manter e subir ainda mais o nível das atuações que foram vistas contra Kings, Thunder, Hornets e Knicks.


Projetando a temporada dos Brasileiros na NBA – comente você também!
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Rockets1Você já leu aqui a previsão para a temporada da NBA que começou ontem, né? Então vamos lá analisar todos os brasileiros que farão parte do campeonato.

Nenê -> Contratado pelo Houston Rockets, o brasileiro há mais tempo na NBA (o tempo passa rápido e pouca gente nota que ele está no melhor basquete do mundo desde 2002/2003) terá boa minutagem no time texano. Disputará tempo de quadra com o razoável Clint Capela com a vantagem de ter armas que melhor se adequam ao estilo de jogo de Mike D’Antoni, novo treinador da franquia. O camisa 42 passa melhor que Capela, o que é fundamental para um time que acelera o jogo até dizer chega, e apesar dos 34 anos ainda consegue fazer bloqueios e partir em direção a cesta para pontuar. Se pode lhe faltar o vigor físico devido a idade, sobra experiência para um elenco que está tentando encontrar a sua identidade. Gosto das possibilidades dele, que está totalmente recuperado da fascite plantar e que fez excelente Olimpíada.

Podcast BNC sobre o começo da temporada

barbosa1Leandrinho -> É óbvio que para Leandrinho o melhor que poderia ter acontecido em termos profissionais era mesmo ficar no Golden State. Mas a franquia de Oakland optou por seguir em outra direção e coube ao brasileiro saciar o seu lado, digamos, emocional. Ele vai para a sua terceira passagem em uma franquia que o venera, cujos torcedores o amam e conhecendo perfeitamente o ambiente. O agora camisa 19 vem, porém, com uma missão bem diferente das que anteriormente cumpriu no Arizona. Agora Leandrinho entra para ensinar ao jovem Devin Booker (19 anos) os atalhos da liga e para ser uma espécie de mentor do garoto. É natural, acontece com todos os atletas da liga e é uma função pra lá de respeitável. Se não chegará longe, como ocorreu ou ocorreria com os Warriors, que Leandrinho aproveite o momento para passar a sua experiência para Booker e para sentir o carinho dos fãs de Phoenix.

tiago1Tiago Splitter -> Não será um ano fácil para Tiago Splitter. Em primeiro lugar porque ele será reserva do principal reforço do Hawks para a temporada. Dwight Howard chegou e ele sabe que o camisa 12 “comerá” no mínimo 30 minutos/jogo. Depois porque ele vem de uma lesão séria no quadril – e a gente sabe que retornar de uma cirurgia nem sempre é fácil. Isso tudo em último ano de contrato. Ou seja: em um cenário não tão fácil o pivô precisará mostrar que está recuperado e que tem basquete (e eu acredito que tenha sobrando…) para permanecer na liga por mais e mais tempo. A vantagem disso tudo é que a cabeça de Tiago é muito boa e sua força mental será sem dúvida importante para superar este difícil recomeço.

O palpitão do blog para a temporada 2016/2017

felicio1Cristiano Felício -> Se tem alguém entre os brasileiros que pode surpreender nesta temporada, este alguém é Cristiano Felício. O pivô começará como reserva de Robin Lopez, mas quem acompanha o ex-jogador do Knicks sabe que ele está longe de ser confiável. Felício, então, poderá comer pelas beiradas e ganhar espaço da mesma maneira que já fez no campeonato passado – defendendo muito bem, saindo ferozmente dos picks para enterrar a bola na cesta e convertendo arremessos de média distância. Jogar com Dwyane Wade, pelo lado da experiência, e Rajon Rondo, armador que não tem muito arremesso e que por isso procura demais a seus companheiros para que estes finalizem, também será muito bom para o brasileiro. Que Felício mantenha a cabeça no lugar, porque as oportunidades de mostrar talento irão aparecer.

andy1Anderson Varejão -> Chegou enfim a hora de Anderson Varejão se sagrar campeão da NBA? Ele chegou perto duas vezes nas finais passadas (com o Cavs contra o Warriors e com o Warriors diante do Cavs), mas bateu na trave. Para sua sorte ele permaneceu no Golden State mesmo que seu rendimento não tenha sido tão brilhante assim no certame passado. Aparentemente, porém, a franquia confia nele para fazer o trabalho sujo na defesa e por ser uma ótima influência no vestiário. Em um elenco que pode, sim, ter problemas com os egos de Steph Curry, Klay Thompson e Kevin Durant (não acredito que isso ocorra, mas que é possível, é), uma figura carismática, experiente e tranquila como Anderson Varejão é uma grande vantagem. Que ele se mantenha saudável para tentar concretizar um de seus grandes sonhos – ganhar o anel de campeão da liga.

raul2Raulzinho -> Não será um ano fácil para Raulzinho, não. Se o começo de sua temporada de estreia no Utah foi animador, do meio para o final do campeonato passado não foi bem assim. Shelvin Mack chegou e seu tempo de quadra reduziu. Para 2016/2017, cenário ainda pior. George Hill chegou, Dante Exum se recuperou de lesão no joelho e Mack ficou. Se estava difícil arrumar minutos em Salt Lake City em 2016, o que dizer do atual panorama? Não consigo projetar o ano de Raulzinho justamente porque não se tem ideia, ainda, de quantos minutos ele terá por jogo, quais serão as suas reais funções e como serão os desempenhos dos dois que Quin Snyder, o treinador, mais confia para este início (Hill e Exum).

huertas9Marcelinho Huertas -> O titular da posição 1 do Lakers chama-se D’Angelo Russell. Não por esta temporada, mas aparentemente por muitos e muitos anos. D-Lo, como é conhecido, tem tudo para ser a cara da franquia e um dos melhores da liga em pouco tempo. Fiz essa introdução para explicar em que cenário se encontra Marcelinho Huertas, que disputará os minutos restantes de Russell com outro armador experiente (José Calderon). Pelo que vi na pré-temporada o brasileiro conta com a simpatia de Luke Walton, o técnico, e tem ótimo relacionamento com alguns dos caras que sairão do banco de reservas com ele (Larry Nance Jr. principalmente). Ele continuará jogando pouco e precisará mais uma vez se acostumar com isso. Não é nenhum problema ser reserva do Lakers, mas eu sinceramente acho que Huertas tem mais basquete do que o que será visto em Los Angeles em poucos minutos por noite.

cabocloBruno Caboclo -> Não é animador o panorama para Bruno Caboclo mais uma vez. O Toronto segue fortíssimo no Leste, não há a menor chance de entrar em reconstrução e com os contratos longos de DeMar DeRozan e DeMarre Carroll os minutos nas posições 2 e 3 ficam muito restritos no Raptors. Para piorar, o camisa 20 não foi muito bem na pré-temporada, quando o tempo de quadra dos titulares mais experientes é reduzido e os jogadores que precisam de espaço normalmente tentam mostrar algo. Caboclo continua baseando seu ataque apenas em bolas de fora e na defesa segue com dificuldade de leitura de jogo – potencializada por uma natural barreira de linguagem entre ele e os atletas. Seu contrato vence apenas ao final do campeonato de 2017/2018, mas é bom ele começar a mostrar à franquia o motivo pelo qual ele foi escolhido anos atrás no Draft.

bebeLucas Bebê -> Outro que não tem situação confortável no Toronto. Bebê foi bem em alguns momentos na temporada passada, esperava ter mais chances quando o congolês Bismack Biyombo assinou com o Orlando Magic, mas a franquia optou por trazer outro pivô no Draft. O austríaco Jakob Poeltl vem da Universidade de Utah, tem 21 anos, 2,13m e jogou bem e bons minutos na pré-temporada torontina. Todo mundo sabe que o dono da posição cinco dos Raptors é Jonas Valanciunas. Ficará entre o brasileiro e Poeltl a disputa pelos minutos restantes do lituano. Se Lucas Bebê ganhar esse confronto interno pode se dar muito bem e se estabilizar como reserva de Valanciunas e peça importante na rotação de Dwane Casey.

O que você acha? Concorda comigo? Comente você também!


O que esperar dos brasileiros na temporada 2015/2016 da NBA?
Comentários Comente

Fábio Balassiano

Nos últimos dias falei sobre alguns dos times que deverão se destacar na temporada 2015/2016 da NBA (faltou o Memphis, na verdade, mas o Grizz estará aqui ainda esta semana, prometo). Agora é a hora de fazer um pequeno “esquenta” sobre os nove brasileiros que entrarão em quadra a partir de amanhã. Preparados? Vamos lá!

huertas3MARCELINHO HUERTAS (LAKERS) – Marcelinho Huertas demorou para assinar com a NBA, chegou ao Lakers e não entrou em quadra de cara na pré-temporada e deixou todo mundo preocupado porque seu contrato é não garantido. Foi só ele pisar na quadra que o “humor” mudou. Chamado de “Steve Nash brasileiro”, ele encantou a todos com seus passes incríveis e com sua rápida adaptação ao jogo e aos companheiros angelinos. Chamado de “mágico” por Nick Young (que vai ficar realmente feliz com os passes de Huertas), Huertas tem tudo não para ficar no elenco de Byron Scott até o final do campeonato, mas para fazer parte efetiva da rotação do Lakers neste certame. Como os garotos D’Angelo Russell e Jordan Clarkson poderão sentir a pressão em algum momento, é bem capaz de Scott confiar a armação em alguém mais experiente e que até agora não sentiu nenhum peso em estar na NBA. Resta saber como a parte física de Huertas reagirá ao cavalar calendário de 82 jogos da liga norte-americana. Da parte técnica, como venho falando há tempos, não dá pra falar nada – ele sabe jogar e com confiança quem sabe jogar atua em qualquer lugar.

nene1NENÊ (WIZARDS) – O ala-pivô do Washington Wizards, o brasileiro há mais tempo na NBA (está indo para a sua décima-quarta temporada, algo espetacular!), vai para o ano final de seu contrato com o Washington em uma situação não muito agradável. Seu tempo de quadra em 2014/2015 (25,2 minutos) foi o menor desde 2004/2005 (contando apenas os certames em que ele esteve em quadra – sem lesões graves) e a franquia acenou com a ideia de jogar com o famoso “quatro abertos”, ficando apenas com um pivô fixo (Gooden, Gortat, Humphries ou ele). Isso já seria preocupante. Mas tem mais. Com inúmeros problemas físicos, Nenê quase não foi visto em quadra na pré-temporada. Quando o campeonato começar, muita gente diz que ele tampouco será titular. Aos 33 anos e ganhando US$ 13 milhões (segundo maior salário da equipe), será necessário que o talentoso e dedicado camisa 42 encontre rápido a melhor forma para mostrar que pode, sim, receber boa proposta do time da capital norte-americana ao final da temporada.

tiago1TIAGO SPLITTER (HAWKS) – Tiago Splitter terá vida nova em Atlanta, disso não se tem dúvida. Trocado pelo San Antonio Spurs, ele reencontrará Mike Budenholzer (seu assistente no Texas) e deve começar o campeonato como reserva principal da dupla Paul Millsap e Al Horford no garrafão. Aos poucos, porém, é bem provável que Tiago ganhe minutos e a confiança para jogar até mais “solto” do que quando atuava para Gregg Popovich (e tinha limitadas ações ofensivas para executar) sem que isso necesariamente signifique que ele será titular (acho pouquíssimo provável). Será um ano de ajuste (nova cidade, novo time, novas funções, novos companheiros, nova conferência…), sem dúvida alguma, mas o cenário pós-troca lhe foi muito favorável (ele poderia ter “caído” em um time bem ruim…). Certamente ele estará na pós-temporada e terá bom tempo de quadra.

varejaoANDERSON VAREJÃO (CAVS) – O capixaba tem uma única meta (individual) para esta temporada: manter-se longe das lesões durante toda temporada. Pelos mais variados motivos tem sido assim nos últimos anos com o camisa 17. E sabemos quão importante, na quadra, ele é para o Cleveland. A boa notícia pra ele (e isso tira muito da pressão também) é que os Cavs, reconhecendo seu trabalho e sua importância dentro e fora da quadra para a franquia há 11 anos, renovaram seu contrato pelo menos até 2016/2017 (2017/2018 é opção da franquia). Para Varejão, que está no grande favorito para o título do Leste, ficar longe do departamento médico significa participar jogando de uma campanha que promete ser histórica para a turma de Ohio.

lb13LEANDRINHO (WARRIORS) – O atual campeão da NBA entra para a sua segunda temporada com o Golden State para repetir exatamente o que (muito bem) fez na temporada passada: descansar Steph Curry e Klay Thompson, manter a velocidade no ataque e passar um pouco de sua experiência aos mais jovens do elenco. É algo que Leandrinho conseguiu fazer no campeonato passado, quando conquistou o título com os Warriors, e que certamente continuará fazendo . Desta vez, ao lado de seu antigo fiel escudeiro em Phoenix – Steve Nash está em Oakland como “desenvolvedor de talentos” e para o brasileiro ter um cara como Nash, que tem um carinho todo especial por ele, é uma notícia pra lá de excelente. O GSW obviamente estará nos playoffs e o ala-armador seguirá com a sua importância (e provavelmente com o mesmo tempo de quadra de 2014/2015 – 15 minutos/jogo). Um detalhe interessante: será a primeira vez desde 2009/2010 que Leandrinho fará a pré-temporada inteira com o mesmo time do ano anterior. Para alguém que depende muito da velocidade, isso conta muito.

cabocloBRUNO CABOCLO (RAPTORS) – De número novo (o 5, utilizado por ele na temporada passada, a de estreia, estará com DeMarre Carroll, maior reforço do time), Caboclo começa o campeonato 2015/2015 com a expectativa não só de ser emprestado para a franquia canadense da D-League, mas também de ser aproveitado pelo técnico Dwane Casey no Raptors durante a temporada. Em cinco jogos da pré-temporada, o ala teve 12,4 minutos e bons momentos (como o toco no calouro Karl-Anthony Towns, do Minnesota), mas seus arremessos não caíram (26,7%) e sua insistência nas bolas longas (2/11) podem lhe custar a confiança de Casey e do restante da comissão técnica apesar da já anunciada renovação de seu contrato até o final da temporada 2016/2017. Quanto melhor aproveitar as chances que houver, mais minutos ele irá adicionar no percurso do campeonato de 2015/2016.

lucas2LUCAS BEBÊ (RAPTORS) – Eis uma situação preocupante. Lucas Bebê pouco foi aproveitado em sua temporada de estreia no Toronto e para este campeonato ganhou ainda mais concorrência – chegaram Luis Scola, Anthony Bennett e Bismack Biyombo para se juntar a Jonas Valanciunas (titular absoluto no pivô) e Patrick Patterson. Ou seja: se ganhar espaço na rotação era complicado em 2014/2015, para Bebê ficará ainda mais difícil em 2015/2016. Ele também teve seu contrato renovado com a franquia canadense até 2016/2017, mas não sei se isso é um ótimo sinal, não. É bem comum os times se garantirem com jogadores novos, mas não necessariamente isso garante aos atletas tempo de quadra e oportunidade no time principal. É bem provável que, tal qual Caboclo, o pivô brasileiro passe muito tempo na D-League. Torçamos para que, com a cabeça no lugar, ele ganhe confiança, evolua em seu jogo (principalmente na parte ofensiva), cresça fisicamente e mostre a equipe que ele pode, sim, fazer parte dos pensamentos de Dwane Casey.

felicioCRISTIANO FELÍCIO (BULLS) – Cristiano Felício será tema de um texto mais profundo aqui no blog mais tarde, mas desde já ele merece os parabéns. Saiu da reserva do Flamengo para fazer parte do elenco do Chicago Bulls que começará a temporada 2015/2016 da NBA. Foi muito bem na pré-temporada apesar do pouco tempo de quadra (menos de 10 minutos/jogo), ganhou elogios de toda comissão técnica do Bulls e fincou pé em um elenco fortíssimo e que conta com Pau Gasol, Joakim Noah e Taj Gibson como peças principais do garrafão. De todo modo, é um baita mérito para Cristiano se tornar o primeiro jogador brasileiro e vestir oficialmente a camisa do Chicago em um jogo de temporada regular da NBA. É muito difícil prever o que acontecerá daqui pra frente, pois (como disse acima) a concorrência é imensa no garrafão e de agora em diante o jogo é pra valer mesmo.

raulRAULZINHO (JAZZ) – Raulzinho começa a temporada de estreia na NBA com o Utah Jazz cercado de muita expectativa. Inicialmente contratado para ser o terceiro armador de uma franquia que sonha em dar o passo seguinte apesar do elenco muito jovem (leia-se chegar aos playoffs), o brasileiro acabou sendo “beneficiado” com a lesão no joelho de Dante Exum (o australiano rompeu os ligamentos em uma partida com a sua seleção – dá pra imaginar a “alegria” da equipe de Salt Lake City com isso…). Ganhou, de cara, a chance de ser o reserva de Trey Burke na pré-temporada. Mas não se contentou com isso e foi ganhando espaço jogo após jogo, terminando os amistosos como TITULAR do Jazz diante do Denver (1o pontos e 1 assistência contra o Denver) e deixando uma pulga atrás de todas as orelhas. Será que o técnico Quin Snyder confiará a armação de sua equipe para Raulzinho logo no começo de sua estrada na NBA? O técnico, aliás, tem elogiado bastante o brasileiro por sua mentalidade altruísta (pass-first), mas sabe lá como ele decidirá isso. Independente do começo, vale ficar de olho em Raulzinho, estreante no melhor basquete do mundo mas que conta com uma baita vantagem: ao contrário de muitos calouros que saem da universidade direto para o esporte profissional, ele já tem anos de experiência na Europa e também em competições com a seleção brasileira. Falando ótimo inglês e já atuando no basquete profissional há tempos, pode ser que a dificuldade na armação seja atenuada. Tempo de quadra já estamos vendo que ele terá. Agora é aguardar pelo seu desempenho – que foi bastante animador na pré-temporada.

E você, concorda comigo? O que você está esperando dos brasileiros?


Sobre a vinda de Lucas Bebê e Bruno Caboclo para o Brasil no Carnaval
Comentários Comente

Fábio Balassiano

duplaLi bastante coisa e deixei a poeira diminuir um pouco para escrever sobre a vinda de Bruno Caboclo e Lucas Bebê para o Brasil no Carnaval (no período em que a a NBA liberou seus atletas devido a All-Star Weekend). Vamos lá exatamente ao que penso:

1) Em primeiro lugar, eles NÃO erraram. Havia um período livre (e grande) dado pelas franquias aos atletas durante o All-Star e ambos optaram por vir descansar com seus familiares e amigos. Errado seria se eles não tivessem sido liberados e tivessem pego um avião e sumido. Não foi o caso.

lucas22) Muda nada para mim se os dois vieram para o Carnaval, para uma praia ou para uma casa no campo. Eles que façam o que acharem melhor. Que vão para os lugares que queiram, onde se sentem felizes. Acho tenebroso “vigiar” a vida de atleta em relação a ações fora da quadra e na idade deles faz todo sentido que curtam como bem queiram. Se eles optaram por estar na Sapucaí vendo os desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, algo que já fiz e continuo fazendo quando posso, opção deles (e não há absolutamente nada para se criticar nisso).

3) Não tenho, e nem nunca tive, intenção de ser amigo de qualquer atleta. Gosto muito dos dois, torço realmente pelo sucesso de Lucas e de Caboclo (e conheço ambos há tempos), mas se não concordar ou gostar de qualquer coisa que ache que deva ser dito o farei (como sempre fiz e farei). Meu trabalho aqui não é ajudar a ninguém, mas sim analisar o basquete da melhor maneira possível (dentro do MEU ponto de vista). E vocês concordarem ou discordarem também faz parte disso (com educação podem dizer sempre o que quiserem).

caboclo34) Meu ponto para ficar um pouco preocupado com a vinda deles ao Brasil baseia-se em três coisinhas:

      4.1) A NBA está completamente sem paciência para novatos. Vejam o que o Sixers fez com Michael Carter-Williams (melhor jogador da franquia, ele foi trocado no meio do seu segundo ano). Vejam o que o Detroit fez com Brandon Knight (também limado rapidamente). Vejam o próprio exemplo de Hasheem Thabeet (escolhido em 2009 na posição dois e que NUNCA se firmou). Não rendeu, cai fora. E rápido. Se o jogador não mostrar que será efetivo em um curto espaço de tempo, a chance de a franquia mirar outro atleta (da NCAA ou do mercado internacional) é cada vez maior. Apenas um dado para vocês: um jogador fica na NBA em média por 2,9 anos. Jogadores fora do Top-10 do Draft, 2,1 anos.

Brazilian Basketball player Bruno Caboclo drafted 20th over all by the Raptors arrives on Porter Airlines  from Newark NJ at Billy Bishop Airport in Toronto. Toronto Star reporter Isabel Teotonio (in Red) talks to Bruno as he arrived.      4.2) Leiam o que o gerente-geral Masai Ujiri falou aqui para mim. Está claro que a franquia fez um investimento imenso em Bruno Caboclo (este principalmente) e Lucas Bebê, e tê-los em ótima forma física e técnica é fundamental para que ambos sejam efetivos na rotação da equipe em curto espaço de tempo. Ainda não há pressão em cima dos brasileiros, mas como o próprio Masai garantiu ambos ainda “estão longe” de terem minutos na rotação. É óbvio que, caso a evolução não chegue, alguém vai  questionar: “Caramba, o que está acontecendo com Bruno e Lucas?”.

      caboclo24.3) Na minha primeira entrevista com Bruno Caboclo ele disse: “Preciso melhorar em velocidade, defesa, domínio de bola, arremesso, muita coisa. Meu sonho é ir pra NBA, é chegar o mais longe possível. NBA é meu sonho desde pequeno, desde que comecei a jogar. Eu sonho, sonho mesmo. Preciso treinar muito pra chegar lá porque estou um pouco atrasado, né. Eu ainda não estou pronto ainda, cara. Nos Estados Unidos os garotos são preparados desde muito cedo pra chegar na NBA. E se eu quiser chegar lá preciso evoluir demais ainda em todos os aspectos do meu jogo. Falta muito”. Ou seja: ele mesmo reconheceu o óbvio – que havia, e ainda há, uma distância imensa entre ele e os jogadores de elite da NBA (o que é natural e nem poderia ser diferente). Tentar diminuir essa diferença, essa distância, precisa estar (e acredito que esteja) em sua ordem do dia. Não há outra maneira de fazer isso que não treinando muito.

bebe25) Por isso realmente EU penso que quanto mais os dois brasileiros mostrarem a franquia que têm fome, que têm aquela vontade louca de vencer, de ser efetivo na rotação, melhor. Não que três, quatro dias façam a diferença e nem que eles não tenham isso. Mas este mercado da NBA trabalha com sinais claros e com respostas cada vez mais rápidas. Kyle Lowry antecipou o fim de sua lua-de-mel. Kobe Bryant treinou com a seleção americana de madrugada. LeBron James levanta pneu de caminhão nas férias. São recados claros de que os caras, já excelentes no que fazem, continuam famintos, seguem querendo evoluir, melhorar, superar seus (já altos) limites técnicos, físicos e mentais.

6) Que fique claro: NÃO estou falando que Caboclo e Bebê optaram por uma estagnação técnica (longe disso), mas ter ficado treinando mais um pouco poderia ter sido um baita recado de comprometimento e busca de excelência que os dois teriam dado a franquia. Franquia que certamente teria adorado saber que suas duas peças mais jovens e cruas, como o próprio Toronto os define, estavam se matando de treinar mesmo em um período que não estavam obrigados a fazê-lo.

bebe27) Outro dado importante: Em seis meses, nem 200 minutos somados entre NBA e D-League para Caboclo e Lucas Bebê. Ambos são muito jovens (nem 23 anos), e como não têm jogado muito precisam ainda mais de treinos (específicos e os com o restante do grupo).

8) Ainda há muito tempo e espaço para Bruno e Bebê treinarem, evoluírem e crescerem com o que a franquia lhes oferece. Não dá para dizer que eles são carta fora do baralho e nem que são o futuro da franquia (nem um, nem outro). Apontar o ponteiro para um lado (de ser efetivo) ou para o outro (descartáveis) é algo que veremos em um futuro muito breve, podem ter certeza. E a definição de seus respectivos futuros profissionais depende deles – Lucas e Caboclo.

Não há, portanto, moralismo (como alguns insinuaram) de minha parte em dizer que seria mais bacana se eles tivessem ficado no Canadá treinando (ou em outro lugar menos gelado). É uma OPINIÃO. Não uma análise, não uma constatação, não uma reportagem. Nada. É algo que eu sinceramente teria feito diferente, mas quem acha (notem o verbo) o contrário tem ótimos pontos também.

E o jogo segue.


Executivo do Raptors: ‘Caboclo e Bebê precisam de tempo pra se desenvolver’
Comentários Comente

Fábio Balassiano

* O Blogueiro viajou a convite do Canal Space

masaiAos 45 anos, Masai Ujiri tem o emprego dos sonhos de muita gente que ama basquete. Ele é o gerente-geral do Toronto Raptors, única franquia fora dos Estados Unidos na NBA. Contrata, troca, escolhe jogadores no Draft, renova contratos. É o verdadeiro-manda-chuva de uma equipe que se reconstruiu desde a sua efetivação no cargo há dois anos.

masai4Para chegar ao posto máximo do Toronto Masai passou por muita coisa. Nascido em Zaria, na Nigéria, foi para os EUA estudar e viver o sonho norte-americano de crescimento profissional. Foi olheiro internacional do Denver, aos poucos foi evoluindo e tornou-se gerente-geral dos Nuggets em 2010. Desde 2013 no Toronto, onde tem um contrato de cinco anos e US$ 15 milhões garantidos, ele trocou Rudy Gay e seu contrato astronômico, instalou uma cultura de vitória em uma franquia que estava totalmente desacreditada e espera dar o próximo passo ainda nesta temporada (vencer uma série de playoff depois de 14 anos).

Masai conversou comigo por quase 10 minutos sobre a franquia, sobre o desenvolvimento da NBA na África, a fase de seu time e, claro, sobre Bruno Caboclo e Lucas Bebê, os brasileiros de seu time.

duplaBALA NA CESTA: Sou do Brasil e é impossível não perguntar a você sobre os desempenhos e o desenvolvimento de Bruno Caboclo e Lucas Bebê. Ambos são muito jovens, quase não têm jogado. O que você pode nos dizer sobre o que tem se passado com eles em Toronto?
MASAI UJIRI: A palavra-chave para eles é essa mesmo que você usou – desenvolvimento. Precisa de tempo, precisa de treinamento e é nisso que estamos focando com eles. Primeiramente na parte física. Ambos precisam estar muito mais fortes para aguentar o ritmo de uma temporada da NBA. São muitos jogos, viagens, não é fácil para ninguém. Fora isso, há a questão técnica, que obviamente é muito forte e eles vão precisar desenvolver bastante. Para ambos não estão descartadas novas idas para a D-League, para que ganhem ritmo de jogo e coloquem em prática o que estão treinando (Nota do Editor: A entrevista foi feita no domingo e na quarta-feira Caboclo foi enviado para a D-League).

caboclo3BNC: Do seu ponto de vista, o desenvolvimento deles corre de acordo com o planejado? Ou está um pouco abaixo? Especialmente o Caboclo, que já foi para a D-League e foi uma aposta alta de vocês no Draft passado…
MASAI: É difícil dizer o que um jogador vai te trazer – e em quanto tempo irá trazer. Não depende só da franquia. É uma via de mão dupla. Dentro das nossas possibilidades damos tudo – treinamento físico, técnico, alimentação adequada, professor para o inglês. Nós sabemos o que o jogador precisa e o atleta precisa responder, precisa mostrar o que e o quanto quer. Temos feito trabalhos específicos com ele, com o Lucas também, mas isso vai muito de cada jogador. Kyle Lowry, por exemplo, antecipou o final de sua lua-de-mel porque sentiu necessidade de treinar. E ele está jogando o All-Star Game este ano. Você me entende? Não há muito segredo nisso. Quanto mais se treina, maiores serão suas chances de chegar mais longe. Não é uma regra, não é uma fórmula perfeita, mas via de regra funciona assim mesmo. Mas, voltando, sendo muito sincero para você: ainda vai levar um tempo para que eles se desenvolvam. Um tempo mais. Quanto tempo? Não sei lhe dizer com certeza. Torço muito para que eles fiquem prontos para o jogo de alto nível que é a NBA o quanto antes. É o que todos esperamos deles. Todos apostam muito neles.

caboclo4BNC: Pessoalmente falando, o que um bom ou mau desempenho do Caboclo pode representar na sua carreira? Digo isso porque se ele for bem será um dos picks de sucesso mais inesperados da história. Se for mal, vão olhar para você…
MASAI: Não tenho medo disso. É algo que já me peguei pensando várias vezes, mas hoje em dia eu só penso quando vocês jornalistas me perguntam a respeito (Risos). Bruno não tem 20 anos e sabíamos, desde quando o vimos pela primeira vez no Brasil, que demoraria a entrar na rotação do Toronto. Ele vem de outro país, outra cultura e é complicado inserir um menino em um time que já briga por playoff como o nosso.

Brazilian Basketball player Bruno Caboclo drafted 20th over all by the Raptors arrives on Porter Airlines  from Newark NJ at Billy Bishop Airport in Toronto. Toronto Star reporter Isabel Teotonio (in Red) talks to Bruno as he arrived.BNC: Desculpe insistir neste ponto, mas é que a gente, do Brasil, sempre fica com um pé atrás nisso mesmo. A gente vê a NBA cada vez com menos, digamos, paciência com jovens valores que não se tornam efetivos rapidamente. Há casos, como do Hasheem Thabeet, número 2 do Draft de 2009, por exemplo, que não ficou nem quatro anos na liga – e sempre jogando pouquíssimo. O que garante que o Toronto terá esta paciência, essa calma toda, para esperar o desenvolvimento do Bruno?
MASAI: Entendo o que você diz. Em poucas palavras: a NBA é um negócio, as coisas andam depressa. O mercado de transferências hoje é muito frenético e as respostas, tanto dos atletas, quanto dos técnicos e também de nós, executivos das franquias, precisam ser cada vez mais rápidas e precisas. Não iremos pressionar o Bruno, mas nossa expectativa é que ele se torne parte efetiva do elenco do Toronto Raptors muito em breve. Para isso ele precisará desenvolver suas habilidades e ficar mais forte mentalmente e fisicamente. Cada dia no ginásio para ele é um aprendizado. Temos conversado muito com ele e seus agentes sobre isso.

dwaneBNC: E o que esperar do Toronto nesta parte final do campeonato? É possível sonhar alto no Leste, certo?
MASAI: É totalmente possível. Somos um bom time. Começamos muito bem, demos uma caída natural mas agora voltamos a jogar bem. O trabalho do Dwane Casey (o técnico – na foto à direita) é consistente e traz muita confiança aos atletas. Acredito que há seis times que podem vencer a conferência Leste – e estamos entre eles. Não dá para cravar nada, nem para cima e nem para baixo, mas pode ter certeza que iremos brigar muito forte para chegarmos longe.

georgeBNC: O Draft de 2015 está chegando e gostaria de saber se podemos esperar novos picks de jogadores estrangeiros não tão conhecidos como foi com o Caboclo em 2014. O nome do brasileiro George Lucas (foto à esquerda), armador do Pinheiros, está sendo muito comentado e sei que você conhece ele. No Brasil há outros jogadores cotados também
MASAI: O Draft já começou. Não posso falar muita coisa sobre isso (Risos).

BNC: Para fechar. Na entrevista coletiva do All-Star Game o Adam Silver falou sobre o primeiro jogo da NBA na África (em primeiro de agosto). Será uma exibição, mas é um começo. Você vem de lá, tem origens africanas. O que isso representa?
masaiafricaMASAI: Olha, eu estava lá no fundo da coletiva e vibrei bastante quando ele contou essa novidade. Sou um dos “pais” do Basketabll Without Borders (Basquete sem Fronteiras) da África. Você, brasileiro, sabe muito bem quão necessitado é o continente. Então tudo o que eu puder fazer para ajudar aquela região eu farei. Se precisar de mim o (Adam) Silver sabe que pode contar. Certamente irei neste jogo.


Toronto encara maratona difícil fora de casa para se manter líder do Leste
Comentários Comente

Fábio Balassiano

kyleLíder do Leste, o Toronto recebeu o fraquíssimo New York Knicks em casa neste domingo. E fez o que tinha que fazer mesmo. Aplicou uma surra de 118-108 (jogando em terceira marcha), viu Kyle Lowry (foto à direita) fazer 22 pontos, Caboclo e Lucas Bebê entraram nos 2 minutos finais e a equipe saiu ovacionada de quadra pela sua fanática torcida (o rapper Drake estava lá, claro).

Foi a sexta vitória seguida dos Raptors, que chegaram a 22-6 e mantiveram a ponta da conferência Leste mesmo sem DeMar DeRozan, ala titular da franquia que está lesionado e sem previsão de volta.

Os números do Toronto falam por si. O time tem o terceiro ataque mais positivo da temporada 2014/2015 da NBA (107,4 pontos por noite), erra muito pouco por partida (são 12 desperdícios de média, terceiro menor índice da liga) e a defesa permite apenas 98 pontos. A diferença entre o que faz e o que leva está em +8,2, segundo melhor “saldo” do certame.

raptorsMas agora os Raptors têm pouco para comemorar. O Natal está aí, as festas de fim de ano também, mas o calendário para a franquia canadense é BEM difícil até 4 de janeiro de 2015 (depois disso são seis em Toronto também). Vejam aí na foto ao lado o que está reservado para os comandados de Dwane Casey (Bulls, Clippers, Nuggets, Blazers, Warriors e Suns). Só jogo fora de casa contra times de ou brigando por playoff.

raptors2Não sei, sinceramente, se poderia ter melhor teste para este jovem, surpreendente e ótimo time do Toronto. No momento em que se encontra, vencer três jogos neste período de partidas fora de casa já seria um testemunho de força, de maturidade, de mostra de que essa equipe vai brigar pelo prêmio máximo do Leste mesmo.

É difícil? Sim, claro que é. Mas voltar pra casa e começar o ano com a melhor campanha do Leste fará do Toronto ainda mais candidato a terminar a fase de classificação no topo ou perto dele. Será que os Raptors terminam bem estes seis jogos fora de casa? Comente aí!


Após estreia, hora de manter a calma com Bruno Caboclo e Lucas Bebê
Comentários Comente

Fábio Balassiano

bruno3A esta altura dos acontecimentos você, leitor atento e voraz que é, já sabe que Bruno Caboclo (19 anos) e Lucas Bebê (22) estrearam na sexta-feira pelo Toronto Raptors, na NBA, na larga vitória contra o Bucks (se não sabe clique aqui).

Foi um momento feliz para quem gosta de basquete no Brasil, um frenesi gostoso para quem estava acompanhando na madrugada de sexta-feira pelo League Pass da NBA. Eu me emocionei, você deve ter se emocionado. Mas como em tudo que acontece nestes tempos de redes sociais há o exagero.

bruno5No sábado nem Caboclo e nem Bebê entraram em quadra para enfrentar o Cavs, em Cleveland. E, claro, houve gritaria por parte da torcida brasileira em Twitter e Facebook. “Como assim Bruno não entrou para medir forças com o LeBron James?”, alguns arriscaram. Eu não me surpreendi. Já havia constatado uma ansiedade que ronda os basqueteiros há quase um ano no texto que escrevi aqui. Mas assusta, claro.

Não sei se precisa, mas vamos lá. O projeto da franquia canadense tanto com Lucas quanto com Caboclo (mais com este do que com aquele) NÃO é para agora, não é para dar resultado para a temporada 2014/2015. Lucas jogou duas temporadas na Liga ACB espanhola pelo Estudiantes, da Espanha (sendo que na segunda se machucou e ficou tempos sem jogar). Bruno Caboclo se destacou mais na Liga de Desenvolvimento (LDB, onde foi visto pelo Raptors pela primeira vez, aliás) do que pelo time principal do Pinheiros. Ambos não têm 23 anos (Caboclo, nem 20).

bruno1E o que isso quer dizer? Que nem o torcedor mais fanático do Toronto imagina que eles estejam prontos para ser efetivos em um time que disputa a liderança da conferência Leste da melhor liga de basquete do mundo. Caboclo, que jogou muito bem em seu primeiro jogo e teve o nome gritado pela torcida do ACC Center, só entrou na rotação porque o ala James Johnson se machucou, não custa lembrar.

Quem sou eu para pedir calma a alguém (logo eu, devem pensar meus amigos mais próximos), mas neste momento o mais recomendável mesmo é ter paciência com Caboclo e Bebê. Os dois podem, até, não jogar mais até o final da temporada. E isso não será uma catástrofe. Pelo contrário. É o planejado mesmo.

bebe2Masai Ujiri, gerente-geral do Raptors, sempre deixou claro que o campeonato de 2014/2015 está aí para servir de base e de aprendizado para os dois brasileiros. É assim que tanto eles quanto quem gosta e os acompanha daqui devem acompanhar este certame. Torcendo nos momentos em que eles estiverem em quadra e esperando que o desenvolvimento ocorra nos treinamentos a que eles estão sendo submetidos pela comissão técnica do Toronto.

O “devagar com o andor” que eu usei no dia 28 de janeiro deste ano está mais em voga do que nunca.