Bala na Cesta

Na contagem regressiva para a NBA, leitor relembra temporada do Boston Celtics de 1987

Falei aqui recentemente sobre a temporada de 1987 na Contagem Regressiva, quando o companheiro Fábio Sormani pediu um vídeo maneiríssimo do Boston Celtics. Pois desta vez Guilherme Vasco decidiu ir fundo naquele campeonato! Conta aí, Guilherme!

 

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A temporada de 87: Larry Bird, o ladrão
Por Guilherme Vasco

O ano de 1987 começou conturbado para o Boston Celtics. A principal aposta dos verdes no Draft daquele ano, Len Bias, havia morrido por uma overdose de cocaína dois dias depois de ter sido escolhido pelos C’s. Bias era considerado o sucessor de Bird e McHale como o grande próximo atleta a vestir verde e branco, numa promessa que infelizmente nunca se concretizou.
Apesar de tal nota triste, a temporada 86-87 (que teve um tal de Jordan ganhando o torneio de enterradas, numa das poucas conquistas de uma carreira apagada) foi considerada a era de ouro da NBA – 20 jogadores se tornariam membros do Hall da Fama atuaram ao mesmo tempo.

Mas o Celtics era o Celtics. E ainda tinha Kevin McHale, Dennis Johnson e o extraterrestre Larry Bird. Os três jogadores, com a ajuda de Danny Ainge, Robert Parrish e Bill Walton, levaram a equipe a melhor campanha da conferência Leste com 59 vitórias e 23 derrotas. Depois de surrar o Bulls de Jordan e passar pelo Bucks por 4-3, o grande duelo contra o Detroit Pistons.

O Pistons contava com Bill Laimbeer, que por mais odiado que fosse fora de Detroit, ainda era um jogador competente, além de Rodman, que já despontava como genial reboteiro, e com o próprio Thomas, que tinha médias de 24.1 pontos e 8.7 assistências nos playoffs daquela temporada. Além disso, o Pistons também tinha um time mais balanceado que o Celtics, com 9 jogadores atuando por mais de 15 minutos por partida.

A série começou como a anterior, e os Celtas aproveitaram a vantagem de casa para abrir um importante 2-0 logo de cara. Detroit devolveu os 2-0, vencendo os dois jogos seguintes, sendo o quarto jogo um acachapante 145 a 119. Para além do basquete, uma hostilidade começava a crescer na série, Laimbeer era famoso por usar bem a caixa de ferramentas e havia cometido uma falta flagrante em Larry Bird no jogo 3. Era então o momento do jogo 5. Robert Parish aproveitou a chance e no segundo quarto em um rebote do lado do Pistons em Boston Garden tascou um soco em Laimbeer, lavando a alma de muitos outros jogadores da liga. Mas o jogo prometia ser ainda mais dramático.

Com dez segundos de jogo faltando, Detroit vencia por 107 a 106 e parecia que tudo se encaminhava para que o Pistons levasse a vantagem para definir em casa. Bird tinha a bola e partiu para a bandeja, mas foi bloqueado. Na confusão para recuperar a bola, ela saiu pela lateral e o árbitro assinalou lateral para o Pistons. Faltavam cinco segundos. Os bad-boys de Detroit já comemoravam a vitória fora de casa, que os faria jogar a decisão em Detroit. Isiah Thomas foi repor a bola para Laimbeer quando, vindo de lugar nenhum, Larry Bird roubou a bola. Quase fora da quadra e sem tempo para pensar em uma jogada, Bird passou a bola para Dennis Johnson dentro do garrafão dos Pistons. Johnson fez a bandeja e salvou a franquia de Massachussets (e levou o narrador Johnny Most à uma loucura momentânea).

Boston perderia o jogo 6 em Pontiac e voltaria ao Boston Garden para vencer a sétima partida por 117 a 114 e se classificar para as finais, quando o esgotamento físico e o elenco reduzido do Celtics finalmente cobraram seu preço – os Lakers fizeram 4 a 2 e ficaram com o troféu Larry O’Brien. Para o Celtics, a temporada de 86-87 foi a última antes de um longo jejum e um forte período de vagas magras. Com a morte de Les Bias por overdose e a idade avançada dos principais jogadores da equipe, a franquia de Massachussets só iria alcançar o sucesso novamente com o título conquistado com o Big Three em 2008.

Mas tudo o que veio depois da grande roubada de Bird foi história. Aquele momento, quando o camisa 33 antecipou-se a Bill Laimbeer e salvou uma vitória quando ninguém mais acreditava é o que será eterno. No fim daquela temporada, Bird foi perguntado por um repórter se ainda conseguiria jogar por 42 a 45 minutos toda noite, Bird respondeu “Quando era criança, eu costumava jogar por duas horas. Isso é o que eu faço por diversão”. A entrega, o sacrifício, a resistência que aquele ano representou para o Celtics ficou marcado na história. Era bom ver Bird se divertindo.

Roubo de Larry Bird no jogo 5 contra o Pistons



Soco de Parish em Laimbeer

Jogo 6 Boston-Detroit, 35 pontos de Bird

O jogo 5  da final de conferência completo

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Especial 20 anos do Dream Team: contra a Alemanha, o último suspiro de Larry Bird

Depois do atropelo contra a Croácia de Toni Kukoc (ou seria Jerry Krause?), os Estados Unidos tinham pela frente a Alemanha de Detlef Schrempf, ala que marcou época no Seattle Sonics do começo da década de 90 (quem lembra dos duelos contra o Chicago, de Michael Jordan, certamente recorda das narrações em que Luciano do Valle o chamava de ‘Detléf’). Alemão de Leverkusen, Schrempf morava nos EUA desde a adolescência, e sabia muito bem o que iria enfrentar pela frente.

Então com 29 anos, ele passou pelo colegial, jogou na Universidade de Washington e em 1992 já possuía sete anos de experiência na NBA (depois, em 1996, jogaria a sua final contra os Bulls).

Conhecia todos os rapazes contra quem duelaria, e até que foi bem naquela noite. Saiu-se com 15 pontos e oito rebotes, mas não foi o suficiente para evitar a surra de 111-68 do time de Chuck Daly (o primeiro tempo terminou em incríveis 58-23). Karl Malone (18 pontos e cinco rebotes), Chris Mullin (13) e Barkley (14) foram muito bem, mas há duas histórias bem mais interessantes.

Ainda sem John Stockton, Chuck Daly teve um susto quando descobriu no treino da manhã que não poderia contar com Magic Johnson. Sua decisão foi simples: colocar Michael Jordan como armador. Já tendo atuado nesta função no Chicago Bulls, o camisa 9 teve 15 pontos e espantosas 12 assistências. A maioria para Larry Bird, que estava até então sumido na competição.

Disputando a sua última competição oficial e tendo problemas constantes na coluna (é comum olhar as imagens daqueles jogos e vê-lo estirado no chão para alongar as costas), Bird não vinha muito bem, mas contribuiu com 19 pontos (três bolas de três e sua melhor marca de pontos no torneio olímpico) e deu a sua última demonstração de talento em quadras de basquete.

Saiu ovacionado pelo público e pelos companheiros, que sabiam do esforço que ele fazia para estar ali.

Confira abaixo os melhores momentos da partida, que contou com a ilustre presença do tenista alemão Boris Becker no ginásio de Badalona!

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Alto-falante: Larry Bird diz que adoraria jogar com Kobe Bryant na NBA

“Se tivesse que escolher um jogador da atualidade que gostaria de atuar ao lado em uma temporada eu diria que é o Kobe Bryant. Óbvio que não por causa dos excessivos chutes de hoje em dia, mas sim pelo seu desejo incansável de ganhar, de querer evoluir a cada dia, a cada treino. Isso sim é fascinante. Por outro lado, se eu quisesse me divertir, como foi quando Bill Walton jogou comigo, eu escolheria o LeBron James. Seria mais divertido atuar com ele, mas como meu negócio é ganhar, ganhar e ganhar, escolheria o Kobe mesmo. Não que o LeBron não seja um vencedor, mas acho que a cabeça do Kobe é mais focada em vencer campeonatos do que em qualquer coisa coisa”

A declaração é de Larry Bird, mito do Boston Celtics e hoje gerente-geral do Indiana Pacers. O astro disse, em entrevista a Bill Simmons, da ESPN, que adoraria jogar uma temporada com Kobe Bryant. De quebra, comparou os estilos de Kobe e LeBron James com maestria (principalmente sobre a paixão por títulos e vitórias).

Concorda com ele? Comente na caixinha!

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Rivalidade entre Magic Johnson e Larry Bird vira peça de teatro na Broadway

O roteirista Eric Simonson (ganhador do Tony Award em 1993) terminou de ler o livro “When Pride Still Mattered: A Life of Vince Lombardi”, sobre o técnico Vince Lombardi, lenda do futebol-americano, e pensou: “Eu consigo fazer uma peça de teatro sobre isso”. E fez. “Lombardi” estreou na Broadway em outubro de 2010 e até que foi bem recebida pela crítica dos Estados Unidos.

E aí, como quem não quer nada, Eric foi ler “When the Game Was Ours”, livro sobre a rivalidade entre duas lendas do basquete norte-americano: Magic Johnson e Larry Bird, mitos do esporte e referências da modalidade nos anos 80. E aí o cara pensou de novo: “Poxa, consigo transformar em peça também”. E é o que os Estados Unidos e o mundo verão a partir de 21 de março na Broadway (em 27 de fevereiro haverá a pré-estreia). Com direção de Thomas Kalil, “Magic/Bird” tem tudo para um grande sucesso no teatro.

Os preços não são lá muito baratos (o mais em conta sai a US$ 121 e as camisas, a US$ 20), mas pelo que a imprensa norte-americana tem falado os 90 minutos de peça serão realmente fantásticos. De acordo com os releases divulgados pela produção, que teve que cortar um dobrado para achar atores tão altos quanto os atletas (Kevin Daniels será Magic Johnson e Tug Coker, Larry Bird), o foco será, claro, a rivalidade entre a dupla de 1979 a 1992, mas sem esquecer da grande amizade que Magic e Bird tinham mesmo quando Lakers e Celtics se engalfinhavam nas quadras de Los Angeles e Boston.

De acordo com os empresários dos ex-jogadores, ambos estão extremamente orgulhosos e animados com a montagem da peça, algo que jamais esperavam que aconteceria. O ponto alto, acrescentam os produtores, será o desfecho da carreira “casada” de ambos, nas Olimpíadas de 1992, em Barcelona, quando Larry Bird acaba por colocar um ponto final em sua vida de atleta.

Esta será a primeira peça já produzida sobre basquete na Broadway, e conta com apoio da NBA na empreitada. Veja, abaixo, o vídeo promocional da peça (está em inglês, mas há a opção, apertando o CC no Youtube, de colocar legendas em português), que, diga-se, não conta com o sempre discreto Larry Bird.

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