Bala na Cesta

Arquivo : Isaiah Thomas

Baixinho do Boston, Isaiah Thomas supera Kobe e LeBron e é o mais decisivo do século na NBA
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Fábio Balassiano

Não tem pra Kobe Bryant, LeBron James, Kevin Durant ou Russell Westbrook. O jogador que tem a melhor média de pontos em últimos períodos da NBA nos últimos vinte anos é Isaiah Thomas, craque baixinho do Boston Celtics. Veja a lista abaixo:

Armador de 1,75m do Boston Celtics, cuja história de vida e carreira foi contada aqui recentemente, o camisa quatro tem incríveis 9,9 pontos de média em quartos períodos em 2016/2017 da NBA, superando em 0,3 a Westbrook, que tem 9,6 pontos nos 12 minutos finais das partidas também nesta temporada. Sua performance assustadora nos derradeiros momentos das partidas leva a tradicional franquia verde a ótima campanha de 42-25, a segunda melhor da conferência Leste, e é a melhor deste século XXI.

EVENTO BALA NA CESTA EM SÃO PAULO – 27/03

Conhecido por seu “instinto assassino” para os momentos decisivos, Kobe Bryant aparece na lista das dez maiores médias em últimos períodos com surreais quatro participações (único atleta a ter múltiplas marcas neste sentido). Kobe teve 9,5 em 2006/2017, a terceira maior pontuação dos últimos 20 anos, quando este tipo de índice passou a ser medido, e também figura com o feitos obtidos em 2012/2013, 2006/2007 e 2004/2005.

Considerado o melhor jogador da atualidade, LeBron James teve 9,1 pontos nos últimos períodos em 2007/2008. Dwyane Wade, Kevin Durant e Tracy McGrady também figuram na lista.

No vídeo abaixo é possível ver uma performance extraordinária de Isaiah, que no dia 30 de dezembro do último ano anotou surreais 29 pontos nos 12 minutos finais e liderou os Celtics a uma importante vitória contra o Miami Heat.


Como um armador baixinho e desprezado no Draft virou o novo ídolo do Boston Celtics na NBA
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Fábio Balassiano

kyrieNo dia 23 de junho de 2011 todos os olhos daquele Draft estavam em Kyrie Irving e Derrick Williams. De Universidades renomadas (Duke e Arizona, respectivamente), eles seriam escolhidos nas duas primeiras posições por Cleveland Cavs e Minnesota Timberwolves. Primeiro a selecionar, o Cavs mandou ver em Kyrie, e vocês sabem o que o camisa 2 tem feito em Ohio desde que entrou na liga. O Minnesota não teve muita dúvida e foi em Derrick Williams logo depois. Enes Kanter, Tristan Thompson, Jonas Valanciunas, Jan Vesely, Bismack Biyombo, Brandon Knight, Kemba Walker e Jimmer Fredette seguiram a ordem das primeiras dez posições em uma noite que teve uma das trocas mais incríveis da história da NBA. O Indiana pegou George Hill, armador, mas despachou o seu pick, um rapaz chamado Kawhi Leonard (décima-quinta posição) para o San Antonio Spurs. Três anos depois Kawhi seria não só campeão, mas MVP das finais de 2014 com a franquia texana. Dois anos depois o Pacers mandaria Hill pra Utah.

isaiahO Draft seguiu, nomes como Klay Thompson (o décimo-primeiro) surgiram, fechou a sua primeira rodada com Jimmy Butler, do Chicago Bulls, mas segundas rodadas normalmente aparecem gringos que serão emprestados pelas franquias da NBA para a Europa. E assim a noite de 23 junho ia acabando. Nas posições 54, 56, 57, 58 e 59, só estrangeiro (Milan Mačvan, da Sérvia, Chukwudiebere Maduabum, da Nigéria, Tanguy Ngombo, do Catar, Ater Majok, da Austrália, e Ádám Hanga, da Hungria) e ao que tudo indicava a última escolha daquele dia iria pelo mesmo caminho. Mas é o Sacramento Kings, sabe como é. Os caras são diferentes – para o bem ou para o mal. E havia um baixinho disponível ainda. Era Isaiah Thomas, de 1,75m e produto da Universidade de Washington. Como assim alguém que teve três temporadas seguidas com no mínimo 15 pontos de média seria ignorado? Os dirigentes da Califórnia matutaram isso, viram que só tinham Tyreke Evans como armador no elenco e pensaram em Isaiah para ser reserva de Evans. Era uma opção. A última opção. E assim foi feito.

isiah3Um fato interessante sobre o nome da escolha de número 60 é que ele foi dado devido a uma aposta. Seu pai James, cujo time do coração era o Los Angeles Lakers, perdeu uma brincadeira para um amigo cujo time era o Detroit Pistons, do craque Isiah Thomas. James, então, prometeu que seu filho teria o nome do craque do time rival. E assim foi feito, mas com uma ressalva. A futura mamãe gostava do nome, mas não exatamente pelo basquete. Tina gostava da pronúncia que lembrava a do nome bíblico de um profeta e cujo significado era salvação. Entre a aposta do pai e o desejo bíblico da mãe, o casal Thomas se acertou em pagar a aposta com um asterisco. Nascia em 7 de fevereiro de 1989 Isaiah Jamar Thomas em Tacoma, Washington. E querem ver uma coisinha engraçada? Meses depois do nascimento de Isaiah os Lakers perderam a final para o Detroit, de Isiah.

Isaiah3Sua carreira na NBA começou no banco. Muito banco. Até o dia 26 de dezembro ele sequer havia pisado na quadra. Foi quando o técnico Keith Smart chamou Isaiah para fazer a sua estreia contra… o Los Angeles Lakers, time do pai. Foram 13 minutos, 5 pontos e 2 assistências. No dia seguinte contra o Portland, mais 11 minutos e 6 pontos. No começo de 2012, a primeira partida com mais de 10 pontos de sua carreira. Diante do Memphis em 3 de janeiro, 15 pontos em 16 minutos. Menos de 10 dias depois, a primeira vez com 20 pontos (contra o Toronto em 11/01). Não se tratava, obviamente, de um jogador de segunda rodada como os outros que a liga conhecia.

Isaiah31A temporada seguiu, Isaiah mostrou que não era apenas um baixinho atrevido, tornando-se, na verdade, uma grandíssima e importante arma vindo do banco. Rápido, corajoso, ótimo drible e excelente controle de bola, ele era um inferno para as defesas adversárias, forçando imensos ajustes de cobertura por parte dos rivais e obviamente criando espaços para seus companheiros. O jovem de 22 anos emplacou até uma sequência de oito partidas seguidas com 10+ pontos entre 15 de fevereiro e 2 e março em 2011. No final da temporada, as médias de 11,5 pontos, 4,1 assistências e 25,5 minutos chamavam a atenção, mas na verdade eram diminuídas pelo seu começo com poucos minutos. No total foram 22 dos seus 65 jogos somando 15 ou mais pontos. A fábula da carreira do pick 60 de 1,75m que jogaria muito bem na NBA virava realidade quando, depois do All-Star Game de 2012 Thomas não seria apenas um reserva, mas sim titular da equipe.

Isaiah311Nos dois anos seguintes, a consolidação. Em 2012/2013, 13,9 pontos e 4 assistências em 79 partidas (62 como titular). Em 2013/2014, 20,3 pontos e 6,3 assistências em 72 jogos (54 como titular). Pra azar do Kings, era seu último ano de contrato e o baixinho chamava a atenção. O Phoenix decidiu pagar US$ 27 milhões por 4 anos para reforçar o seu perímetro e o Sacramento preferiu não cobrir a oferta. A ideia que parecia ser boa, porém, acabou se tornando trágica para o Suns, que teria Goran Dragic, Eric Bledsoe e Isaiah disputando espaço, minutos e o vestiário na armação. A franquia precisaria escolher um ou dois deles. E parecia sobrar para Thomas, que nem estava tão mal assim (15,2 pontos em 46 jogos vindo do banco). Logo depois Dragic foi despachado para Miami, ficando apenas Bledsoe por lá.

Isaiah23No dia 19 de fevereiro os rumores se confirmaram. Boston enviou Marcus Thornton e mais um pick para ficar com o baixinho. O primeiro jogo dele vestindo verde (adivinhem) foi contra… o Los Angeles Lakers. Ao todo, 21 pontos vindo do banco, mas uma discussão com a arbitragem fez Isaiah ser expulso. Entrando no vestiário, o camisa 4 pensou que seria repreendido, mas um profissional da comissão técnica o puxou pelo ombro, deu-lhe um abraço e disse: “Cara, ser expulso contra o Lakers logo na estreia? A torcida do Celtics vai amar você. Não abaixe a cabeça”. O menino ouviu. Nos 21 jogos daquela temporada, 19 pontos e 5,4 assistências vindo do banco.

isaiah2No ano seguinte, em 2015/2016, o técnico Brad Stevens lhe conferiu a armação titular. Caberia ao rapaz de 1,75m comandar um dos times mais tradicionais da história da NBA. E como Isaiah Thomas respondeu? Com 22,2 pontos e 6,2 assistências em 32 minutos de média. E sendo um All-Star. E sendo ídolo de uma franquia. E sendo ídolo e principal referência de uma equipe como o Boston Celtics, maior ganhador da NBA.

O roteiro do filme, ou da fábula, já estaria de ótimo tamanho, mas Isaiah, que ainda recebe o salário daquele acordo com o Phoenix Suns que vai até 2017/2018 (é apenas o quinto mais bem pago do Boston na temporada), queria mais para a temporada 2016/2017.

Isaiah4Ficou feliz quando Al Horford foi contratado por quase US$ 120 milhões/4 anos, mas aquele já era o seu time – e continuaria sendo. Na temporada 2016/2017 são 28,4 pontos, 6,1 assistências e 34 minutos de média, um absurdo total e deixar até mesmo Isiah Thomas, mito do Pistons, de boca aberta. O cara é simplesmente o quarto maior cestinha da melhor liga de basquete do planeta, à frente de bambas como Steph Curry, Kevin Durant, DeMar DeRozan, DeMarcus Cousins, Damian Lillard, Lebron James, entre outros. Repito: isso com 1,75m e sendo o pick 60 do Draft de 2011. No Boston Celtics.

Isaiah36Já seria uma história e tanto, não? E se eu disser a vocês que ele é o cestinha do Boston com mais de 10 pontos de vantagem em relação ao segundo maior pontuador da equipe (Avery Bradley tem 17,7 de média)? E se eu disser a vocês que o baixola coloca os Celtics como terceiro time do Leste com 26-15? E se eu disser a vocês que no dia 30 de dezembro ele fez 52 pontos, sendo 29 no último período (maior marca da franquia)? E se eu disser a vocês que desde 19 de novembro o rapaz não tem NENHUMA partida com MENOS de 20 pontos?

Isaiah73Não sei se há história melhor nesta temporada 2016/2017. Um rapaz de 1,75m que tem o nome dado por causa de uma aposta vai pra NBA na última posição do Draft, começa no Sacramento, assina contrato milionário com o Phoenix, é despachado para o Boston, onde a pressão é enorme, mas lá vira ídolo. E que ídolo. Antes do campeonato disse que Isaiah não era armador de time campeão, embora o achasse espetacular. Se ele será campeão nesta liga ainda não dá pra saber, mas o cara é um vencedor. Vencedor que está desmentindo todo mundo que ainda teima em duvidar de sua capacidade desde 2011. Isaiah, corajoso ao extremo, está no caminho para colocar os verdes entre os melhores do Leste – e quem sabe avançar pesado com o elenco na pós-temporada

Baixinho atrevido, craque de bola, All-Star em 2017 mais uma vez e candidato, sim, a MVP da temporada. Que belíssimo roteiro de vida, e de filme, tem Isaiah Thomas.


O incrível Celtics apronta outra – vitória por um ponto contra o Cavs
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Fábio Balassiano

O jogo de ontem não começou bem para o Boston Celtics. Com dores no tornozelo, Jae Crowder precisou convencer a comissão técnica que jogaria sem maiores danos ao seu corpo. Amir Johnson cometeu duas faltas em menos de cinco minutos. E o Cleveland Cavs, em casa e melhor time do Leste, abriu 17-6 logo de cara com esse drible incrível de Kyrie Irving em cima de Avery Bradley.

bradMas sabe como é. É o time de Brad Stevens, um dos mais organizados da NBA nesta temporada como disse aqui nesta semana, e os verdes não iriam desistir tão fácil assim. Após levarem 32-20 no primeiro período reagiram fazendo 23-17 no segundo quarto e foram lutando até o final. Contaram com a saída de Kevin Love (sentiu lesão na perna, foi examinado e foi pro vestiário, não retornando à partida), mas perdiam de 101-96 com apenas 18 segundos por jogar.

Aí a mágica do basquete se fez presente. Vamos aos fatos:

96-101 (18” por jogar): Jae Crowder acerta seu único arremesso de três (teve 1/9 o voluntarioso ala)
99-101 (07” por jogar): Kyrie Irving mata seus dois lances-livres
99-103 (06” por jogar): Evan Turner converte bandeja e sofre falta do “gênio” JR Smith
101-103 (06” por jogar): Evan Turner erra lance-livre, e na disputa de bola a arbitragem marcou, acertadamente, a posse para os Celtics.

Vídeo a partir de 06:40:

Última chance. Posse de bola do Celtics com três segundos por jogar. Aí você clica no vídeo e dá uma olhada no que aconteceu:

bradleyPois é. É isso mesmo que você viu. Enquanto a arbitragem revisava se a bola era mesmo do Celtics, Brad Stevens armou uma jogava para Isaiah Thomas. Com tudo cercado, o camisa 4 passou a bola para Avery Bradley, que, marcado, ainda teve que driblar antes de chutar (isso tudo com menos de dois segundos).

O camisa 0 fintou, jogou pra cima e o Boston venceu em Cleveland por 104-103 (quarta derrota do Cavs em casa apenas) para chegar a terceira vitória consecutiva e a 30-22 na temporada, mantendo-se na terceira posição do Leste.

bradley2A temporada não acabou, eu sei disso, mas até o momento o prêmio de Técnico do Ano vai para Brad Stevens. E o Boston Celtics merece uma menção especial pelo que vem conseguindo nesta temporada. Com elenco pra lá de modesto os verdes se colocam entre os grandes e conseguem sair de buracos, como o de ontem em Cleveland, que muito time mais “cascudo” não sabe bem o que fazer.


Omelete sem ovo, Boston Celtics já está em terceiro no Leste
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Fábio Balassiano

stevens1Primeiro você clica aqui e olha o elenco do Boston. Depois aperta aqui e veja em que posição os Celtics estão na temporada 2015-2016 da NBA. Sim, é isso mesmo. Beira o inacreditável que a equipe do excelente Brad Stevens (foto) esteja agora com 29-22 (venceu ontem o Detroit em casa por 102-95 com seis jogadores em dígitos duplos e chegou ao sétimo triunfo nos últimos oito jogos) e já na terceira posição do Leste, atrás apenas do Cleveland Cavs e do Toronto Raptors, mas à frente de Chicago Bulls e Miami Heat, duas franquias apontadas sempre como as “bambas” da conferência.

thomasO mais surreal disso tudo é que as três principais estrelas do Boston Celtics nesta temporada tiveram posições BEM modestas em seus Drafts. Líder do time em pontos (21,5) e assistências (6,6), o baixinho Isaiah Thomas (de 1,75m e na foto) foi o ÚLTIMO no Draft de 2011 (sim, é isso mesmo, ele veio na 60ª escolha pelo Sacramento Kings). “Rato de treinamento”, Isaiah foi crescendo no Kings, onde chegou a ter a incrível média de 20,3 pontos em 2013/2014, não foi muito bem em Phoenix e, trocado para os Celtics, lidera a franquia deste o campeonato passado. Seu prêmio? Ter sido escolhido para o All-Star Game de Toronto na próxima semana, tornando-se o jogador com pick mais baixo de Draft a alcançar tal feito.

bradleyOutro que tem jogado muito bem é Avery Bradley. Escolhido em 2010 na posição 19, Bradley ainda viveu os tempos derradeiros do Big 3 (ou 4, com Rajon Rondo) do Boston. Treinou com Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett, e teve espaço (e a paciência da franquia) para ir evoluindo. Saiu-se 14,9 pontos em 2013/2014 de média, caiu um pouco no campeonato passado (13,9), mas em 2015/2016 Bradley tem sido muito bom no lado ofensivo (14,8 pontos) e soberbo na defesa ao contestar os arremessos de seus rivais no perímetro e também ao cobrir a marcação de Isaiah Thomas, que até se esforça, mas que devido a altura em vários momentos sofre para marcar adversários no post-up (jogo de costas pra cesta).

dupla1O bom de Bradley e Thomas é que, além de ainda estarem em franca evolução, seus contratos vencem apenas em 2017/2018, dando tempo para o Boston se planejar com seus 715 picks nos próximos anos sem muita pressa e sabendo que nas posições 1 e 2 há atletas de bom nível e com margem de melhora. O mesmo pode-se dizer de Jae Crowder, grande revelação dos Celtics nesta temporada (um dos que mais me chamam a atenção no certame aliás). Contratado na troca que tirou Rajon Rondo do time verde em 2015, Crowder se tornou uma espécie de DeMarre Carroll (ex-Atlanta e agora no Toronto) de Brad Stevens e renovou recentemente por pouco (US$ 35 milhões por cinco anos).

crowderCrowder é o “capitão” defensivo da equipe, relegando seus oponentes a terríveis 36% nos arremessos. O cara consegue, também, marcar alas-pivôs mais baixos perto da cesta, e é o jogador que, nas extremidades, espera os passes das infiltrações de Thomas e Bradley. Escolhido na quarta posição da segunda rodada do Draft de 2012, Jae, de apenas 1,98m mas com potencial físico imenso, teve 9,5 pontos nos seus 57 jogos no campeonato passado e agora registra 14,3 pontos, 5,1 rebotes e 1,7 roubo por partida. Ótima média para alguém que mal jogava pelos Mavs (10 minutos em 2014/2015) e para quem tem evoluído a cada ano em seus arremessos (seus 32% nas bolas de fora já saltaram para 36% neste certame).

celticsComo se vê, quase metade dos 104,6 pontos por jogo do Boston sai do trio Thomas, Bradley e Crowder, que jamais poderia ser apontado como espinha dorsal de um time que estaria, a esta altura dos acontecimentos, na terceira posição do Leste (por mais instável que seja a conferência). Colocar o mérito dos Celtics apenas no trio seria incorreto, no entanto. A pergunta que deve ser feita é: como um elenco que tem, além destas três peças (nenhum craque!), atletas como Evan Turner, Kelly Olynyk, Jared Sullinger, Marcus Smart, Amir Johnson e Tyler Zeller está conseguindo ir tão longe?

celtics1O mérito do Boston, e o trabalho de Brad Stevens deve ser exaltado por isso a cada minuto, é que a franquia tem conseguido desenvolver os jogadores DURANTE a temporada da NBA, ganhando jogos e sem entrar em desespero para contratar uma grande estrela a qualquer custo (rumores já colocaram DeMarcus Cousins e agora colocam Dwight Howard como pivô dos Celtics – grande deficiência do elenco, aliás), não mexendo no planejamento de Danny Ainge, o gerente-geral que tem tido paciência para montar um time sem grandes loucuras.

celtics2Com Stevens, que saiu do basquete universitário há duas temporadas e parece não sentir a menor pressão de estar na NBA, a franquia saiu de 25 vitórias em 2013/2014 para possíveis 50 em 2015/2016. Uma baita aula de construção de elenco, de altruísmo dentro de quadra (são 24 assistências nos 39 arremessos convertidos por noite), de defesa forte (o time tem um dos melhores sistemas de rotação da NBA atual) e de como é possível jogar um basquete competitivo mesmo sem grandes estrelas.

NBA: New York Knicks at Boston CelticsSe é possível ir mais longe do que os Celtics têm ido assim (sem grandes craques)? Eu acho que não (infelizmente até), mas a realidade é que este Boston não “deveria” nem chegar aos playoffs. Criticá-lo por não ir longe em um eventual mata-mata é algo que não farei. Vale, pra mim, exaltar o que Isaiah Thomas e companhia têm feito nos Celtics nesta temporada, algo louvável em tempos de estrelas cada vez mais mimadas e de técnicos cada vez mais sem comando.


Boston muito perto do playoff – o que deu ‘errado’ no plano dos Celtics?
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Fábio Balassiano

Stevens1No final da temporada 2012/2013 o gerente-geral Danny Ainge decidiu que era hora de mudar o rumo das coisas em Boston. Despachou Kevin Garnett e Paul Pierce para o Brooklyn, não fez muita força para manter o técnico Doc Rivers, recentemente trocou Jeff Green e Rajon Rondo (que seriam agentes-livres ao final da temporada) e começou a colecionar uma série de escolhas de Drafts futuros em negociações que aliviaria a folha salarial e daria condição de a franquia investir em curto prazo.

celtics1E, mesmo sabendo dos riscos de fazer a famosa remontagem (Rebuild, como os americanos chamam) em uma franquia como os Celtics, Danny Ainge não teve medo (e escrevi isso aqui há quase dois anos). Trouxe um promissor técnico universitário (Brad Stevens, de terno, na foto ao lado com Ainge), abriu mão da tradição e contratou um jovem-nerd-estatístico para a comissão técnica da franquia (mais aqui) e deve ter umas 765 escolhas de Draft pelos próximos anos graças a suas inúmeras negociações de dois anos pra cá (o número, exagerado, é uma brincadeira em decorrência de sua volúpia nas transferências – o correto é mesmo de 13 de primeira rodada e 4 de segunda até 2017).

boston1Tudo o que poderíamos esperar era o Boston bem longe dos playoffs, certo? Não foi bem isso que aconteceu. Com 80 jogos, a franquia tem razoáveis 38-42, a quarta melhor campanha depois do All-Star (23-12), está em sétimo no Leste e depende de apenas mais uma vitória para voltar a pós-temporada muito antes do que todos ali imaginavam. Como tem a vantagem no confronto direto contra Nets (o oitavo) e Pacers (nono), os Celtics, que venceram seis das últimas sete partidas, só precisam vencer Raptors (em casa amanhã) ou Bucks (fora na quarta-feira) para ir ao mata-mata.

isaiah1Boa parte do sucesso recente da equipe deve-se a Isaiah Thomas (foto à esquerda). Contratação frustrada do Phoenix para esta temporada, ele foi despachado para os verdes e chegou cercado de dúvidas (seu contrato vai até 2018). Vinte jogos se passaram, ele continua saindo do banco (a melhor opção mesmo!) e suas médias falam por si (19,5 pontos e 5,4 assistências em menos de 30 minutos por noite). Além dele outros que têm jogado muito bem são o ala Avery Bradley (14,8 pontos depois do All-Star), o ala-pivô Brandon Bass (12,5), o pivô Tyler Zeller (11,1 e excelente defesa), o ala Evan Turner (10,2) e o  titular Marcus Smart (9,6 pontos e 2,1 assistências).

celtics3E o que isso significa para o futuro da franquia? Há duas maneiras de ver isso. É óbvio que, por mais experiente que este grupo fique, parece longe de ser um elenco capaz de brigar pelas finais que todos de Boston esperam. Faltam muito potencial defensivo e sobretudo um craque, falta alguém capaz do calibre de (vá lá) Paul Pierce, Kevin Garnett, Rajon Rondo e Ray Allen. Por outro parece claro que o plano de Danny Aingle está mais avançado que os de Lakers e Knicks, franquias tradicionais que também têm sofrido nos últimos anos.

celtics2Se não era exatamente o que Ainge esperava (o ideal para ele, mesmo, era ter uma posição ruim na temporada para garantir um pick entre os 10 do próximo Draft), ninguém de Boston pode reclamar. O time provavelmente jogará o playoff contra Atlanta Hawks ou Cleveland Cavs, há boas chances de ser eliminado de cara, mas a reconstrução verde está em curso e com boas chances de avançar ainda mais nos próximos anos. O futuro aparentemente está bem encaminhado nos Celtics.


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