Bala na Cesta

Arquivo : Isabela Ramona

O bom começo de Isabela Ramona em sua primeira temporada na Europa
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Fábio Balassiano

ramona4Vi Isabela Ramona jogar pela primeira vez em 22 de novembro de 2010. Era uma segunda-feira e fui ver Mangueira x São Caetano pela LBF no Tijuca. Do banco do time carioca saiu a jovem baiana de 16 anos. Errou muito, correu bastante e terminou a partida com 8 pontos (ou foram 12, não me lembro e as estatísticas saíram do ar…). Mas seu físico (1,80m, braços longos, passadas largas) me chamou a atenção.

No ano seguinte ela fez parte do grupo que foi medalha de bronze no Mundial Sub-19 do Chile, última conquista do basquete brasileiro em competições de âmbito mundial aliás. Era uma menina ainda, mas despejou 8,8 pontos e foi peça importante.

ramonaContinuou jogando a LBF (Guarulhos, São José e na temporada passada fez parte do elenco campeão com o Sampaio Correa, do Maranhão) e elevando aos pouquinhos as suas médias. No meio disso tudo foi cestinha do Mundial Sub-19 na Lituânia em 2013 com 18,2 pontos, atuou em 2014 no Sul-Americano e Mundial adulto, no ano seguinte na Copa América e no Pan-Americano e neste ano marcou presença no time que teve a pífia campanha no Rio-2016 (sem vitória). Se seus números nunca foram extraordinários e seus fundamentos ainda precisam ser muito lapidados, suas “ferramentas”, seu potencial físico e sua rodagem para uma menina de 21 anos chamaram a atenção do basquete espanhol. Para essa temporada ela embarcou no desafio de jogar pelo Zamarat, clube da província de Zamora, pequena cidade histórica de 64 mil habitantes que fica na região de Castela e Leão.

ramona21E sua nova jornada tem sido muito animadora neste início. Em que pese a campanha não muito boa do seu time na primeira divisão da Liga Espanhola (3-9 até o momento), Ramona tem sido um dos destaques da equipe. Para uma menina de 21 anos, em seu primeiro ano no velho continente e jogando contra algumas atletas da WNBA, isso é ainda mais impressionante.

Titular, Ramona tem em 12 partidas as médias de 10,2 pontos (39% nos arremessos), 4 rebotes, 1,4 assistências e 1,7 roubos de bola por jogo, além de 8,3 em eficiência. Chama a atenção o seu número de desperdícios de bola (2,7/jogo), mas para uma ala que fica muito tempo com a bola na mão, caloura e responsável por carregar a pontuação de seu time jogo com a congolesa Mokango não é tão problemático assim. É claro que (insisto nisso) seus fundamentos, seus “golpes” precisam ser trabalhados à exaustão, mas ela é uma pessoa de 21 anos e ainda no processo de formação para quem sabe se tornar uma grande atleta.

ramona1Neste mês de dezembro Isabela teve atuações bem boas para seu time. No dia 3 contra o Ferrol foram 14 pontos, 7 rebotes e 4 roubos em 35 minutos de jogo. Na sexta-feira contra o Extremadura fora de casa, 9 pontos e 5 rebotes, além de 14 em eficiência.

Aos poucos ela vai ganhando a confiança de seu técnico Lucas Fernandez e se habituando a um basquete mais forte do que aquele que ela vinha atuando nos últimos tempos.

ramona10Depois de muito tempo sem representantes na Europa, nesta temporada são quatro brasileiras nas principais ligas do continente. Nádia (Gipuzkoia Basket, no País Basco) e Érika (Perfumerias Avenida, de Salamanca) também estão na primeira divisão da Espanha. Clarissa, no Bourges, da França.

Isabela Ramona é a mais nova delas. Aos 22 anos, vai mostrando seu talento e se colocando como peça fundamental no próximo ciclo olímpico para um basquete feminino brasileiro que se encontra nas cordas.


Sem jogar bem, seleção feminina segue invicta na Copa América
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Fábio Balassiano

zanon2Não tem sido fácil ver os jogos da seleção feminina na Copa América de Edmonton, no Canadá. O horário não ajuda (partidas às 23h45), os adversários são fraquíssimos, os duelos não têm emoção e (o pior de tudo) o Brasil não tem jogado absolutamente nada (e é só ver as declarações do técnico Zanon no site da CBB para constatar isso).

Independente disso tudo (e não é pouca coisa, obviamente), as vitórias têm vindo (e a classificação para a semifinal já está garantida). Na abertura, 86-71 contra a Venezuela. Na terça-feira, 83-44 contra a República Dominicana. Ontem à noite, 72-58 contra o tenebroso time das Ilhas Virgens (apenas 14 pontos de diferença, algo totalmente inimaginável 5, 10 anos atrás, quando esta margem era atingida em cinco minutos de jogo contra um adversário de tão pouca qualidade). Os de sempre irão comemorar a invencibilidade, mas olhar apenas para os resultados não é o melhor (e nem o mais honesto) a se fazer.

nadia1O triunfo desta quarta-feira chama a atenção pela quantidade de erros (19, 8 a mais que o rival), pelos 42% na conversão dos tiros de quadra e pela pontaria terrível nas bolas de fora (30,2%). Quer outro indício de como tem sido difícil ver essa seleção feminina jogar? Ao todo na Copa América foram 55 assistências em três jogos, mas ao mesmo tempo 59 desperdícios de bola. Ou seja: a equipe perde mais ataques do que passa para converter arremessos. Sintomático do pobre nível técnico, não?

zanon1O Brasil enfrenta hoje a Argentina (23h45) em partida que vale o primeiro lugar na chave B. Quem ganhar enfrenta o perdedor de Canadá ou Cuba, que medem forças às 21h30, na semifinal de sábado. Mais do que os números em si, a evolução que se esperava do time de Zanon infelizmente não tem sido vista. Se não dava para esperar um esquadrão (seria injusto isso), desejava-se um mínimo de organização, de padrão de jogo e apreço aos fundamentos básicos do jogo. Algo que infelizmente não conseguimos ver do time feminino há muito tempo.


Brasil não joga bem, mas bate Venezuela na estreia da Copa América Feminina
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Fábio Balassiano

ramona1Isabela Ramona (foto) teve 16 pontos, 4 rebotes e 4 assistências, Iziane saiu-se com 13, Nádia Colhado somou um duplo-duplo “gordo” (15+14 rebotes) e o Brasil ganhou da Venezuela por 86-70 na abertura da Copa América feminina que está sendo disputada em Edmonton, no Canadá. Já foi mais fácil bater times tenebrosos no feminino, né?

E o resultado mostra bem o que foi o jogo: o time de Zanon voltou a apresentar graves defeitos de fundamento (foram 20 desperdícios de bola), pontaria muito falha (6/20 de fora) e pouquíssimos passes trocados no ataque. Na marcação, a equipe brasileira fez a venezuelana Yosimar Corrales, ala de 25 anos e sem tanto brilho assim, parecer Diana Taurasi, tamanha a facilidade que ela teve para fazer seus 17 pontos.

nadia1Os 16 pontos de diferença estão aí, claros e cristalinos denotando que houve, sim, bastante sofrimento para bater, vejam só vocês, até mesmo uma seleção terrível como é a da Venezuela. Para apresentar um basquete razoável (minimamente razoável) Zanon e suas comandadas precisarão evoluir assustadoramente até os Jogos Olímpicos de 2016 caso queiram brigar por algo relevante no próximo ano (e algo relevante não é ficar entre a nona e a décima-segunda colocações, como tem sido nos últimos anos).

iza1Mas nem só de notícia ruim foi a estreia do Brasil ontem. A partida também marcou a estreia da jovem Izabela Nicoletti (foto à direita), de 16 anos (completados ontem inclusive), na seleção brasileira adulta (jogou seus primeiros 3 minutos e deve ter sido uma baita emoção pra ela, hein). Destaque da equipe que ganhou a prata na Copa América Sub-16 recentemente e dona de futuro promissor pela frente, ela foi convocada por Zanon para o time principal para a sua primeira chance (algo que é motivo de aplauso para o treinador).

Nesta terça-feira, no mesmo horário (23h45, com Sportv e ESPN), a equipe de Zanon mede forças com a não menos fraca seleção do Equador

 


Após renovação na seleção feminina, jovens não encontram espaço nos clubes
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Fábio Balassiano

Luiz Augusto Zanon (foto) foi corajoso desde sua primeira convocação à frente da seleção feminina (falei bastante sobre isso – relembre aqui). Renovou o elenco de forma quase que completa, chamou jovens atletas que precisavam de espaço e tentou, nos três meses em que as comandou, desenvolver o basquete delas da melhor maneira possível no Sul-Americano (título em Mendoza, Argentina) e Copa América (terceiro lugar e vaga no Mundial).

O que se esperava é que, com o pontapé inicial da seleção, os clubes passassem a olhar as jovens com um pouco mais de carinho para as meninas que têm menos de 22, 23 anos. Mas neste começo de temporada 2013/2014 não é o que está acontecendo. Das nove jogadoras pinçadas por Zanon para a fase de testes, a que mais vem jogando no Paulista é Tainá, armadora titular de Ourinhos (26,1 minutos).

O time do interior de São Paulo, é bom citar, apostou na renovação do elenco, mas faz com que Joice (20 minutos) e Patrícia (25,1) praticamente dividam os minutos entre elas e o que resta de Chuca (26 minutos). Mas ainda é muito pouco. Titular da armação na seleção, Débora Costa amarga a reserva de Joice em Americana e não chega a jogar nem 20 minutos por jogo (mesmo caso com Damiris, que disputa espaço com Êga). Isabela Ramona, cestinha do Mundial Sub-19, tem 15 minutos por jogo em uma equipe que até a temporada passada tinha como filosofia dar espaço às revelações do basquete brasileiro (Fabiana Caetano, contratada esta temporada, tampouco encontra brecha no elenco joseense).

Abaixo os dados completos das meninas que, nesta faixa etária, deveriam estar jogando.

É óbvio que esta não é uma situação agradável nem pras meninas e nem para Zanon. Elas precisam jogar para manter a evolução. E o técnico esperava que o processo iniciado por ele tivesse continuidade nos clubes. Clubes que, por sua vez, preferem o produto mais experimentado para as competições nacionais.

Não dá para culpá-los, porém. Para um basquete que vê, a cada dia, agremiações fechando as portas por problemas financeiros graves é até óbvio que as equipes apostem em atletas mais maduras que podem dar um título que garante a continuidade do patrocinador, do trabalho, da própria existência. Não é o que eu faria, mas é um raciocínio bem lógico.

A conclusão é simples: vive um paradoxo interessante o basquete feminino brasileiro. Os clubes preferem não arriscar nas mais novas. A seleção, por sua vez, já começou o processo de dar vazão ao talento delas. O que eu, daqui, esperava é que pelo menos no Paulista elas tivessem um pouco mais de rodagem, um pouco mais de experiência, um pouco mais de chance (talvez esta seja A palavra) para tentar. Depois de suas boas exibições (Mundial Sub-19 e Copa América), o mínimo que as jovens mereciam era um voto de confiança.

Nem isso tem sido visto neste começo de temporada, né. É uma pena.


Cestinha do Mundial Sub-19, Isabela Ramona comemora primeira convocação pra seleção adulta
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Fábio Balassiano

A baiana Isabela Ramona nasceu em 1994, ano que a seleção brasileira feminina conquistou seu maior título (Mundial da Austrália). Na Boa Terra, ela talvez não imaginasse que em menos de 20 anos estaria vestindo a mesma camisa que Janeth Arcain, sua técnica no Mundial Sub-19. Cestinha com 18,2 pontos por jogo e uma das melhores jogadoras da competição que terminou na Lituânia há duas semanas (sexto lugar), Ramona foi convocada ontem pela primeira vez para a seleção adulta. Tendo começado a jogar por influência de seu primo, Bruno, Isabela deixou seu irmão Waltinho, seu xodó, em Salvador, se mudou para o Rio de Janeiro com sua mãe (Iris), onde jogou a partir de 2007 em Fluminense e Mangueira, até se transferir para Jundiaí e, depois, para Guarulhos, clube que disputou a última edição da LBF. Contratada recentemente por São José, a ala de 1,79m e 19 anos chega a seleção de Zanon credenciada por ótimos desempenhos nas categorias de base.

BALA NA CESTA: Como foi a notícia da sua convocação? Ficou muito emocionada?
ISABELA RAMONA: Ah, cara, muita emoção, né. Fiz um bom Mundial, comentaram com a gente que poderia acontecer, mas a gente só acredita quando vem a confirmação. A Sassá, que também foi chamada, me mandou mensagem, ficamos muito felizes. É um momento bacana.

BALA NA CESTA: Mesmo sendo uma das mais novas, você pensa em ficar no grupo da Copa América, ou só em treinar por uma semana com o Zanon já está bom?
ISABELA RAMONA: Eu penso em jogar a Copa América, claro. Tenho que colocar este objetivo pra mim, embora saiba que é difícil. Converso muito com a Joice (Coelho), que é uma das minhas melhores amigas, e ela me conta como é o ambiente da seleção e um pouco das rotinas do Zanon, o técnico. Espero corresponder e ficar no grupo, sim. Sei que é difícil, mas é quase todo mundo da mesma idade, né.

BALA NA CESTA: Você foi um dos grandes destaques do Mundial Sub-19 em que o Brasil ficou em sexto lugar, sendo a cestinha e a principal líder do time. Qual a diferença da Ramona que disputou o Mundial em 2011, chegando em terceiro, pra Ramona de 2013
ISABELA RAMONA: Muita, muita. Mas tem algumas coisas interessantes. Neste ano eu era uma das líderes do time. Então tinha responsabilidade de pontuar e de comandar as outras meninas em quadra. Era mais do que jogar, mas também de dar exemplos, ser referência mesmo. Em 2011 eu era uma das mais novas, mas fui aprendendo e ganhando espaço na rotação do Tarallo. O interessante daquele ano de 2011 é que foi ali que cresci muito, muito. Foi assustadora a minha evolução desde o começo daquele período de treinos até o final do Mundial do Chile. Depois daquela competição é que passei a acreditar mais em mim.

BALA NA CESTA: O Brasil começou muito bem o Mundial, vencendo quatro jogos seguidos (Rússia, Sérvia, Japão e Coreia do Sul), mas perdeu três seguidos para seleções bem fortes (Austrália, Espanha e França). Pelo que você viu nos dois últimos Mundiais, o Brasil está muito atrás destas seleções?
ISABELA RAMONA: Olha, não, não está. O que acontece é que a preparação para este Mundial foi bem menor em relação ao último, de 2011. Ficamos dois, três meses treinando e isso acabou sendo sentido. Não foi pouco, mas poderíamos ter ido melhor, sem dúvida. O que faltou mesmo foi consistência no Mundial. Alternávamos momentos excelentes com outros muito ruins, e a grande lição que ficou desta competição na Lituânia é que em torneio deste nível não dá pra vacilar dois minutos, três minutos, que é tragédia na certa. A chave é manter o foco o tempo todo.

BALA NA CESTA: Você jogou sua primeira LBF pela Mangueira, há duas temporadas, e me lembro muito de um jogo que estive no Tijuca em que vocês ganharam do São Caetano, lembra (aqui e aqui)?
ISABELA RAMONA: Poxa, como lembro. Chorei demais naquele jogo. Foi uma vitória emocionante. Lembro que fiquei na quadra abraçando todo mundo sem saber o que pensar. Tinha 16 anos, caramba. A Mangueira foi muito importante pra mim, assim como o Fluminense, time que comecei no Rio de Janeiro. Tenho muito a agradecer a técnica Elen Rosa, minha primeira técnica, e ao Agostinho e ao Guilherme Vos, que me ajudaram demais. Foram eles que me deram toda a base de basquete, todo ensinamento. Pegaram muito no meu pé. Lembro que treinava na mesma quadra que a Clarissa, que agora estará na seleção comigo, e era um prazer vê-la se entregando a cada exercício. Foi uma experiência incrível com eles no Fluminense e principalmente na Mangueira. Aprendi demais.

BALA NA CESTA: Pra fechar, duas perguntas: no que você precisa melhorar pra chegar ao nível que você deseja em sua carreira?
ISABELA RAMONA: Olha, preciso melhorar em tudo, mas eu preciso estar mais confiante pra arremessar, pra definir no ataque, isso sim. Melhorei muito em meu arremesso, e nesta seleção eu vi que posso ser efetiva no ataque com chutes, cortes e outras jogadas ofensivas. Sou uma menina agressiva ofensivamente, e sei que posso ter bom futuro no basquete assim. Não será fácil, mas preciso me manter confiante.

BALA NA CESTA: A Olimpíada de 2016, a próxima, será no Rio de Janeiro, na sua casa. Isso te motiva ainda mais, não?
ISABELA RAMONA: É algo que motiva não só a quem mora no Rio de Janeiro, mas toda menina que joga basquete no Brasil, né. Mas seria sensacional se pudesse estrear em uma Olimpíada na minha casa, no quintal de casa. É um sonho e preciso fazer por onde alcançá-lo.


Após bom Mundial Sub-19, qual o futuro das meninas no basquete brasileiro?
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Fábio Balassiano

No dia 31 de julho de 2011, Damiris teve uma atuação magistral (26 pontos e 13 rebotes), o Brasil venceu a Austrália por 70-67 e terminou com o terceiro lugar no Mundial Feminino Sub-19 do Chile. A ala-pivô foi escolhida a MVP da competição e o futuro parecia brilhante pra ela e para uma geração absurdamente talentosa. Dois anos se passaram, outro Mundial Sub-19 veio e o resultado, embora não tão bom quanto o do Chile em 2011, foi bem satisfatório (disputa logo mais o quinto lugar com a China, o que não deixa de ser uma posição honrosa).

A questão central, porém, é que há uma semelhança bem básica entre as duas gerações (Ramona – na foto à direita -, Izabella Sangalli e Sassá disputaram as duas competições citadas acima): a falta de aproveitamento dessas meninas que surgem na base em competições adultas. Daquele time de 2011, apenas Damiris teve tempo de quadra e alguma evolução no basquete profissional (já tendo sido escolhida, inclusive, pelo Minnesota Lynx, da WNBA). As outras, muito, muito pouco. Joice e Ramona jogaram a LBF passada por Guarulhos (Ramona já havia disputado a anterior também, pela Mangueira), Tássia operou o joelho mas mal entrava em Americana e as outras nem isso. Triste, não?

E este não é um caso novo, não. Em 2003, o Brasil foi vice-campeão Mundial Sub-21 e no time de Paulo Bassul despontavam meninas muito talentosas e que pareciam que manteriam o alto nível dos resultados das seleções adultas (medalha de prata e bronze nas Olimpíadas de 1996 e 2000). Dez anos se passaram, algumas já pararam de jogar e outras não vingaram (Érika é a exceção que confirma a regra). E vocês sabem quem foi terceiro lugar naquela competição da Croácia? A França. Daquele time de dez anos atrás, cinco estiveram na Olimpíada de Londres e conquistaram a medalha de prata (Godin, Gomis, Dumerc, Ndongue e Lepron). Ou seja, houve sequência de trabalho, persistência e investimento. Explica muita coisa, não?

Uma solução básica, bem básica (e nem falarei no bizarro calendário brasileiro pra não me alongar muito neste texto), seria a Confederação fazer um investimento bacana, montar um time com as revelações do basquete brasileiro (isso já foi feito antes, em 2001, nem é tão novidade assim) e colocá-lo pra jogar a próxima LBF em alguma cidade. Para aumentar o desenvolvimento das meninas, este mesmo time poderia terminar o campeonato e viajar pelos Estados Unidos pra fazer clínicas e terminar uma temporada que começou com treinos específicos de Janeth Arcain (ela poderia ser a técnica deste time Sub-21 na Liga Feminina, visto que não possui time pra treinar), um Mundial Sub-19 e um campeonato adulto no miolo e uma chave de ouro com lições dos melhores da modalidade.

E não seria tão difícil assim montar, não. Com exceção da Isabela Ramona, que assinou com São José e terá espaço no adulto, a maioria das meninas não jogará muitos minutos nem no Paulista e nem na próxima LBF (três das meninas, aliás, jogam em clubes que não atuam em nenhuma das duas competições, uma lástima). Se juntar com as jogadoras da geração passada (a do Mundial do Chile), é possível pinçar 12, 15 atletas de bom valor e que ajudariam a formar mais do que um time, mas também uma massa de novas atletas pra abastecer o mercado interno (algo escasso por aqui).

Como disse na sexta-feira, o ranking de forças do basquete feminino mundial parece bem definido. Estados Unidos, França (vice-campeã olímpica e europeia no adulto e finalista neste Mundial Sub-19), Austrália e Espanha (campeã europeia no adulto) comandam as ações que há menos de dez anos eram dos EUA, Brasil e Rússia (as russas nem pro Mundial 2014 irão). E o que há em comum com os quatro países que atualmente dão as cartas na modalidade? Trabalhos de base fortíssimos, ligas fortes, investimento por parte das Confederações e técnicos absurdamente competentes.

Se a Confederação Brasileira trabalhasse bem só um pouquinho (não peço muita coisa, não), a situação poderia ser diferente. Espanha e França têm talento, mas não são nada de outro mundo (Alba Torrens, alçada como a nova maravilha espanhola, não é melhor que Damiris nem brincando). E mesmo jogado às traças, com divisão de base sucateada e com uma LBF de oito clubes, atrasada e sem returno (trevas máxima, portanto), ainda surgem jogadoras, ainda aparecem revelações do quilate de Damiris, Izabella Sangalli (foto à esquerda), Isabela Ramona, Tássia e Joice Coelho.

Um pouco mais de cuidado com essas meninas, com a Liga de Basquete Feminino e com os treinadores (principalmente os da base) e certamente o Brasil pode entrar naquele seleto grupo que comanda as ações da modalidade no mundo. O problema é um só: a CBB trabalhar como manda o figurino. Enquanto continuar terrivelmente administrada, a situação do esporte continuará péssima. A notícia ainda é pior para as meninas, pois com a criação do NBB o basquete masculino caminha bem melhor. Que pena.


Brasil perde da França e está eliminado do Mundial Feminino Sub-19
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Fábio Balassiano

Terminou a saga da seleção brasileira feminina no Mundial Sub-19 da Lituânia. E terminou de maneira amarga, dura. O time de Janeth Arcain (foto) não fez um grande jogo na manhã desta sexta-feira, não conseguiu fazer mais de 15 pontos em nenhum dos períodos e perdeu da França por 51-39 nas quartas-de-final da competição. Com o resultado, o time, que chutou 29% na partida (14/49 ao todo e 1/12 de fora), disputará apenas do quinto ao oitavo lugar no torneio de consolação.

O começo do jogo até que foi bom, com o Brasil abrindo vantagem no primeiro período (10-6), mas aquele apagão já conhecido do basquete nacional apareceu com força. A França marcou bem, viu as brasileiras ficarem cinco minutos sem pontuar e fecharam com 20-12 nos primeiros dez minutos (16-2 na sequência). O segundo período foi recheado de erros, e as europeias saíram pro intervalo com 31-19 após fracos 11-7 em dez minutos. Àquela altura, Ramona e companhia chutavam 7/26.

O segundo tempo veio, o Brasil deu a impressão que viraria o jogo e a diferença chegou a cair pra um ponto apenas (34/33). Venceu o período por 14-6 (4/9 nos chutes), reduziu o déficit pra quatro pontos (33-37) e deu esperança pro último período. Mas a bola subiu, e a seleção de novo se apagou, sumiu. Fez apenas seis pontos (3/14 nos arremessos), errou demais (ao todo foram 14 desperdícios, com 15 pontos europeus vindo através deles), viu as francesas abrirem vantagem e perderam o jogo por 51-39, sendo eliminadas nas quartas-de-final da competição sem ter conseguido marcar mais de 15 pontos em um jogo de mata-mata. Assim fica bem difícil ganhar qualquer partida eliminatória em âmbito mundial – em qualquer categoria. Principal jogadora do time, Ramona teve 2/11 (9 pontos) e quatro erros. Sassá, outra brilhante na competição, saiu-se com 5/13, 11 pontos e nove rebotes.

A campanha foi boa, isso não resta dúvida (vitórias contra Rússia e Sérvia, principalmente), mas a seleção brasileira feminina Sub-19 não conseguiu vencer os rivais mais difíceis (Austrália, Espanha e França). Não é demérito algum, e talvez mostre realmente em que patamar o país está no ranking de forças do basquete feminino mundial (atrás de EUA, Austrália, França e Espanha, que, sem coincidência alguma, devem fazer a semifinal da competição). Pra quem não investe direito, não é surpresa. Deveria servir de lição pra Confederação, mas a gente sabe que não vai acontecer absolutamente nada na entidade máxima.

Sofreu com o time de Janeth? Comente!


Brasil enfrenta França amanhã pra ficar entre os 4 melhores do Mundial Feminino Sub-19
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Fábio Balassiano

Antes do Mundial Sub-19 Feminino conversei com a técnica Janeth Arcain por quase duas horas. Falamos sobre o sistema tático que ela usaria, atletas, treinamentos e no final perguntei sobre o objetivo do grupo (se é que havia). Ela não titubeou e disse: “Queremos ficar entre os quatro. Vamos lutar por isso”.

Pois bem. Nesta sexta-feira, a partir das 7h30 (de Brasília e ainda sem saber se haverá exibição pela TV), a chance de ficar entre os quatro melhores times do mundo na categoria estará na quadra em Klaipeda (Lituânia), quando o Brasil mede forças com a França nas quartas-de-final (jogo único, mata-mata, ganhou segue, perdeu volta pra casa).

Não será fácil, mas (e não me perguntem o motivo) estou confiante no time de Janeth. Do lado das francesas, olho no trio formado por Valeriane Ayayi (a ala de 1,84m produz 11,5 pontos e seis rebotes por jogo), Olivia Epoupa (a alinha de 1,64m tem 11,5 pontos, 5,7 rebotes e 4,1 assistências) e Aby Gaye (gigante de 1,95m que tem 10,3 pontos, 60% nos tiros de quadra e 7 rebotes/jogo), que produz quase a metade dos 68 pontos franceses na competição até aqui (e as três fazem pontos sem muita ajuda, sem muitos passes – as europeias estão na antepenúltima colocação entre os de mais assistências no torneio, com 12,5 por partida).

Pra vencer (e isso tem me preocupado terrivelmente), o Brasil precisará é errar menos. O time de Janeth cuida mal pacas da bola, registra 21,2 desperdícios por partida (um a cada dois minutos, o quarto pior índice do Mundial Sub-19) e fica sem jogar a bola pra cesta em 23,2% de seus ataques, um absurdo sem tamanho. Pra vencer logo mais isso precisará ser revisto, principalmente contra o sexto time que mais rouba bolas na competição (as francesas têm média de 11 roubos por jogo até agora). Mais concentração e cuidado não farão mal, sem dúvida alguma.

Que os deuses do basquete estejam com Isabela Ramona, que faz Mundial magistral até o momento (17,7 pontos, 7,8 rebotes, 4 assistências e 49,4%), Sassá (a ala, na foto à direita, tem 11,3 pontos, 6,5 rebotes e incríveis 53,3% nos tiros de três pontos), Maria Carolina (a pivô de Americana, de 1,90m, terá um tem surpreendido e possui as médias de 10,7 pontos e 7 rebotes por jogo) e iluminem as meninas brasileiras amanhã de manhã. Se elas querem ficar entre as quatro melhores do planeta, a chance se apresentou contras as boas francesas.

Sorte pra elas.


Após 2º tempo ruim, Brasil perde da Espanha e enfrentará a França no Mundial Feminino Sub-19
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Fábio Balassiano

Pra quem precisava ganhar de 18 pontos pra garantir o primeiro lugar da chave até que o Brasil começou bem contra a Espanha na última rodada da fase de grupos do Mundial Feminino Sub-19 que está sendo disputado na Lituânia. Mostrou força, chegou a abrir vantagem de oito pontos no primeiro tempo (32-24) mas não conseguiu manter a força na segunda etapa. A seleção levou 25-15 da Espanha na volta do intervalo, não reduziu a diferença no período final e perdeu o jogo por 71-62. Isabela Ramona (foto) foi o grande destaque do jogo, com 24 pontos e 13 rebotes.

Com o resultado, o Brasil avançou às quartas-de-final na terceira posição (Espanha, com 6-0, e Austrália, com 5-1, ficaram na frente) e irá enfrentar a França, que acaba de perder dos Estados Unidos por duríssimos 69-63 (Breanna Stewart, craque de bola, brilhou com 22 pontos e seis rebotes). Os outros duelos do mata-mata serão: EUA x Japão, Austrália x China e Espanha x Canadá. Na semifinal, os vencedores de Espanha x Canadá e Brasil x França se enfrentam, o mesmo ocorrendo com os vencedores de EUA x Japão e Austrália x China.

Sinceramente não sei o que esperar (e torço para que alguma televisão exiba a peleja). A França é fortíssima, fez bela campanha e tem um trabalho longo e planejado há alguns anos. Mas o Brasil venceu Rússia e Sérvia, times fortes da Europa e fez jogo duro com a Espanha até onde deu. Não dá pra descartar o time de Janeth, não.

Então é isso. Na próxima fase é a França, campeã europeia Sub-18 e que deu um trabalho monstro aos Estados Unidos. Está confiante? Comente!


Antes do mata-mata no Mundial Sub-19, Brasil reencontra ex-técnico da seleção adulta
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Fábio Balassiano

Depois de perder pela primeira vez no Mundial Sub-19 da Lituânia, a seleção brasileira feminina comandada por Janeth Arcain (foto à esquerda) fecha hoje a segunda fase contra a Espanha (até então invicta com cinco vitórias) às 14h15 (horário de Brasília). E no duelo de logo mais haverá o reencontro com alguém bem conhecido do basquete nacional.

Carlos Colinas (foto à direita), espanhol e hoje dirigindo a seleção de base de seu país, foi treinador da seleção brasileira adulta por um curto período – e não deixou muita saudade, não. Foi com ele que o Brasil pagou um vexame danado no Mundial de 2010 (nona colocação).

Depois do torneio, a guilhotina da então diretora Hortência apontou para o comandante, e Colinas retornou a seu país, onde faz bom trabalho no Celta, de Vigo, nas seleções de base. Foi contra ele, inclusive, que, no Mundial Sub-19 que a seleção brasileira estreou naquela competição disputada no Chile (vitória brasileira por 71-64 com 19 pontos e 13 rebotes de Damiris, que depois viria a ser contratada justamente por Colinas no time galego).

Sobre o jogo de hoje, é bom ficar de olho em Astou Ndour, pivô (senegalesa naturalizada espanhola – não é novidade isso, né…) de 1,98m e que tem média de 18,4 pontos e 10 rebotes (ela também esteve no Chile, dois anos atrás, e já havia se destacado com médias de 12,1 pontos e 9,1 rebotes) e nos cenários que podem ocorrer dependendo dos resultados de logo mais. Vamos lá:

1) Se o Brasil perder, avança em terceiro e enfrenta o segundo colocado da outra chave (provavelmente a França) nas quartas-de-final.
2) Se vencer por 19 ou mais, é o primeiro colocado e pega o quarto colocado (que pode ser China, Canadá, Lituânia ou Holanda)
3) Se vencer por 17 ou menos, também será terceiro.
4) O cenário bizarro acontece aqui. Se o Brasil vencer por 18 pontos, o saldo de pontos de Espanha, Brasil e Austrália, que venceriam cinco jogos e perderiam um na segunda fase, fica exatamente igual (as espanholas venceram as australianas por 18), e iria para o critério de cestas average para a decisão final.

O que será que acontece hoje? Em que posição o time de Janeth avança pras quartas-de-final? Comente!