Bala na Cesta

Arquivo : Georginho

Com NBA de olho, jovem Georginho deixa futuro de lado e foca no NBB com Paulistano
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Fábio Balassiano

O ano era 2008. Na final do Paulista mirim entre São Bernardo e Círculo Militar, o placar apontava 58-56 com três segundos por jogar para o Círculo, mas a bola era do time do Grande ABC.

Aos 12 anos, George Lucas Alves de Paula recebeu a bola no fundo da quadra, se desvencilha do marcador, o relógio ameaça chegar ao final e ele solta a bola do meio da rua. Cesta. Cesta do título. Os meninos do Círculo Militar colocam as mãos na cabeça desolados. Georginho e seus companheiros de São Bernardo pulam loucamente comemorando o título com uma cesta improvável diante do grande favorito a levantar o caneco daquele ano.

“Nunca havia sentido uma emoção como aquela em minha vida. Foi a bola mais emocionante que eu já fiz a minha vida, uma das poucas até hoje que me fizeram perder o ar. Os caras estavam invictos no campeonato, todos diziam que eles eram imbatíveis e conseguimos vencê-los. Ali eu decidi que gostaria de ser jogador de basquete. Só de falar com você sobre este lance eu já fico emocionado. Isso que passaram quase 10 anos, mas eu nem preciso ficar olhando o vídeo pra lembrar. É muito fresco em minha memória”, conta George Lucas Alves de Paula depois de quase 10 anos.

Foto de Filippo Ferrari / OC

Fã de Russell Westbrook, que terminou a temporada 2016/2017 da NBA com média e recorde de triplo-duplos na NBA, George Lucas se transformou em Georginho , hoje armador do Paulistano e uma das maiores promessas do basquete brasileiro.

Monitorado por olheiros da NBA há cerca de três temporadas, participando com frequência de eventos com a nata jovem do planeta e com chance de figurar no próximo Draft da melhor liga de basquete do mundo, o armador de 20 anos, 1,96m, técnica refinada, fala mansa e pausada, explosão absurda rumo a cesta e dono de um potencial físico descomunal é um dos principais jogadores do Paulistano que hoje às 14h enfrenta o Basquete Cearense fora de casa em busca do empate na série de playoff do NBB (a Rede Bandeirantes exibe a partida). O time de São Paulo perde de 2-1 e novo revés faz a temporada terminar.

“Ter saído do Pinheiros no final da temporada passada e vindo para o Paulistano me fez sair de uma zona de conforto que eu precisava. Agradeço muito ao meu antigo clube por todo tempo que passei lá, sou muito grato a eles por tudo o que fizeram por mim, mas estou sendo muito mais cobrado, muito mais requisitado pelo time e tive que assumir um papel de líder, protagonista, algo que eu não esperava assumir tão cedo. Não tinha outro jeito que não amadurecer quase que naturalmente. Considero essa mudança que eu fiz na minha carreira bem acertada e certamente renderá muitos frutos lá na frente. Acho que estou me saindo bem e a presença do técnico Gustavo de Conti ao meu lado é muito boa. Ele me cobra muito, e eu acredito que as pessoas só cobram de quem tem potencial. Ele acredita em mim e eu só posso agradecer e tentar corresponder”.

Nascido em Diadema no dia 24 de maio de 1996 e filho de Mauricio e Suzana , começou a jogar basquete enquanto seus pais jogavam vôlei. Aos 7 anos os pais perceberam que o amor do garoto não estava na bola branca, mas sim na laranja e passaram a incentivar que ele praticasse basquete.

“Meu pai viu que eu gostava muito de basquete e em pouco tempo tanto eu quanto a minha irmã Bianca começamos a nos destacar na escolinha. Foi um caminho meio sem volta e agradeço demais por eles terem me incentivado a seguir praticando a modalidade que eu escolhi. Eles ficaram felizes e orgulhosos pela gente”, conta, relembrando que seu grande ídolo na época em que começou a jogar (2003/2004) era o armador Allen Iverson: “Eu queria ser o Iverson. Usava cabelo grande, tranças, imitava a forma de se vestir e as jogadas que ele tentava na quadra. Na época a gente não tinha TV a cabo, não via os jogos dele ao vivo, mas lembro que depois ficava vendo os melhores momentos direto, uma coisa louca mesmo. Eu era tão fissurado no cara que ficava fazendo os desenhos dele. Tinha uma pasta de desenhos bem legal, mas infelizmente eu perdi tudo. Sempre admirei muito ele, principalmente pelo fato de que a sua altura (1,83m) nunca o impediu de nada”.

Aos 9 anos ele, que hoje em dia vê seu irmão mais novo João de Paula também iniciando sua trajetória no basquete, foi para São Bernardo jogar para a técnica Monique Poles, responsável por toda iniciação de Georginho na modalidade (jogou dos 9 aos 15 anos). Há quatro temporadas foi para o Pinheiros, onde conheceu uma estrutura grandiosa e que lhe permitiu crescer profissional, pessoal e fisicamente. Ganhou visibilidade no cenário nacional e internacional com a (ótima) Liga de Desenvolvimento de Basquete, a LDB, torneio de basquete Sub-22 que revela atletas aos borbotões e que é responsável por 43 % da mão de obra do NBB, principal campeonato masculino do país.

“A Liga de Desenvolvimento foi muito importante pra mim. Já jogava o Campeonato Paulista, mas a LDB tinha uma abrangência nacional, eram times de todo país, jogadores diferentes daqueles que eu estava acostumado a jogar e bem mais difícil. Foi a maior novidade, uma coisa bem legal mesmo. O nível de exigência subiu, e ali eu vi como eu precisaria melhorar para conseguir atingir meus objetivos. Fomos campeões em 2015 pelo Pinheiros jogando um ótimo basquete e de novo tive uma sensação bem legal”, relembra Georginho, que jogou em um timaço do Pinheiros que tinha Lucas Dias, hoje seu companheiro no Paulistano, e também Bruno Caboclo, que foi para a NBA em 2014 e com quem George hoje em dia tem pouquíssimo contato.

Campeão da LDB de 2015 já como armador titular da equipe, George teve um pouco mais de tempo de quadra na temporada passada pelo time pinheirense mas queria mais. Trocou de clube, ganhou espaço, cresceu seus números (11,3 pontos, 4,1 rebotes e 4,4 assistências de média em seu primeiro campeonato profissional como líder e titular de uma equipe), jogou o All-Star Game do NBB em 2017 e o barulho em torno do seu nome aumentou. Os jogos do Paulistano são lotados de olheiros da NBA e vira e mexe seu nome é ligado a Draft e franquias do basquete norte-americano. Nada que incomode a cabeça do garoto de 20 anos.

Ale da Costa / Portrait

“No começo eu me assustei bastante. As coisas foram acontecendo muito rápido, todo mundo falava e eu meio que ficava perdido, assustado. Era tudo muito novo pra mim. Hoje já entendo mais como tudo funciona, estou mais maduro e tento não ligar para nada que eu não possa controlar. Eu só posso jogar basquete, melhorar como atleta e pessoa e ajudar meu time a conquistar vitórias. É o que posso fazer e preciso estar focado nisso. Basquete é a minha vida, tenho muito a evoluir e não sinto realmente essa pressão de NBA, não. Sigo trabalhando e treinando forte como sempre fiz. Essa especulação, previsões, não mexem comigo”, responde Georginho, que esquiva-se quando perguntado sobre qual seria, em sua opinião, o próximo passo ideal em sua carreira: “Ainda tem muita coisa pra acontecer nessa temporada. Tudo depende de como eu terminarei o campeonato. Vamos ver como eu vou me sentir para entrar ou não no Draft. Aí tomamos, eu, minha família e meus agentes a decisão final sobre isso”.

Bastante exigido pelo técnico Gustavo de Conti e ainda no processo de formação técnica, Georginho sabe exatamente as partes de seu jogo em que precisa melhorar. Sua capacidade analítica para compreender isso impressiona tanto quanto suas enterradas ferozes na quadra

“A parte de intensidade do jogo a gente sempre pode melhorar. É o principal pra mim e me cobro muito neste sentido inclusive. Jogar bem depois do pick and roll é algo que eu preciso melhorar bastante também. E, claro, ter um arremesso melhor, defesa, leitura de jogo. Quero ser o melhor armador que eu puder ser”, finaliza o garoto, que começou a fazer inglês recentemente, que adora andar com seus quatro cachorros e que tem a pesca como hobby.


Novamente comandando jovens, Gustavo de Conti mantém excelente trabalho no Paulistano
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Fábio Balassiano

Na sexta-feira estive em São Januário para comentar pela Rádio Globo a partida entre Vasco e Paulistano. No final das contas vitória do time de São Paulo por 82-67 sem grandes sustos. Os vascaínos estavam afobados, marcando mal o perímetro (13 bolas convertidas pelo rival, a maioria delas sem marcação) e sem inspiração no ataque.

Do outro lado pude ver mais uma vez um time jovem com potencial físico incrível para os padrões nacionais, organizado, sabendo exatamente o que fazia com a bola nas mãos e variando a defesa a cada segundo. Mérito total de Gustavo de Conti, excepcional treinador de 37 anos que mais uma vez volta a trabalhar com um grupo de atletas ainda em formação.

Na sexta-feira quem brilhou foi Lucas Dias, que anotou 19 pontos (cinco bolas de três convertidas), mas foram muito bem também os dois armadores (o titular, Georginho, saiu-se com 9 pontos e 6 assistências, e o reserva, Arthur Pecos, teve 5 pontos, 7 assistências, 6 rebotes e um controle de jogo absurdamente bom), os alas (Eddy, com 8 pontos, Jhonathan, com 15, e Mogi, com 7, se destacaram) e também os pivôs (Renato conseguiu cinco rebotes ofensivos). Foi uma atuação completa de um time que, como todo elenco jovem, ainda é muito instável (por isso a campanha de 14-12), mas talentoso ao extremo. No campeonato, 10 jogadores atuam por 15+ minutos e 8 deles possuem 8+ pontos de média, algo que mostra bem o espírito altruísta da equipe.

Noves fora manter de novo o time com campanha positiva na história do NBB, algo que acontece desde a temporada 2011/2012, Gustavo tem conseguido algo raríssimo no país: fazer suas equipes jogar de maneira completamente diferente de um ano para o outro. Quem acompanha basquete nacional há algum tempo lembra de ter visto o Paulistano com Dawkins e Holloway, os dois armadores norte-americanos, fazendo chover no perímetro. Agora, menos de um ano depois que a dupla foi dissolvida, o espaço é ocupado por Georginho, um dos mais comentados atletas dessa geração (estará em entrevista neste espaço ainda esta semana), Mogi e Arthur Pecos. Jovens e com estilos completamente distintos – mais velozes, mais físicos, mais atléticos, melhores defensores, mas com menos arremesso. Na ala saiu o jogo cerebral de Henrique Pilar para a chegada de Lucas Dias. Também jovem, com muito a aprender. No pivô o time perdeu com os pontos de Caio Torres, mas ganhou em mobilidade com o argentino Hure.

A metamorfose do Paulistano é imensa desde que foi vice-campeão do NBB em 2014 (perdeu a final em jogo único para o Flamengo). O time não foi bem no ano seguinte, em 2015/2016 fez estupenda campanha na fase regular (20-8) mas caiu nas quartas-de-final para o experiente Brasília. Era hora da diretoria mudar a rota, voltando ao que fazia com maestria – trabalhar com jovens talentos em buscam espaço.

Com o estudioso e corajoso Gustavo de Conti o Paulistano tem conseguido encarar todos de igual para igual no NBB ao mesmo tempo em que desenvolve jovens talentos e se classifica para mais um playoff. Dá gosto de ver um grupo tão novo jogando tão bem, tão determinado, tão destemido, tão livre assim.


Com vitória do seu Paulistano, o alegre retorno de Georginho ao Pinheiros
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Fábio Balassiano

george1Aconteceu na noite desta quarta-feira em São Paulo o primeiro encontro entre Georginho e seu ex-clube, o Pinheiros, em um jogo de NBB. E foi um retorno feliz o do agora armador do Paulistano ao ginásio Henrique Vilaboim.

O camisa 32, cada vez mais líder de seu time, despejou 20 pontos, 7 rebotes, 7 roubos de bola e 4 assistências (26 de eficiência) e ajudou o Paulistano, que agora tem 5-4 (quatro vitórias nos últimos cinco jogos), a vencer o Pinheiros fora de casa por 92-77 em partida válida pelo turno do NBB. Recuperando-se de lesão no joelho, Lucas Dias, ex-pinheirense também, jogou por 11 minutos e teve cinco pontos.

george1Já havia escrito aqui sobre o começo esplêndido de Georginho neste NBB (o primeiro em que é protagonista e tem real tempo de quadra em sua vida). Aos 20 anos, ele agora tem as médias de 13,8 pontos, 5,9 rebotes, 4,8 assistências e 1,5 roubos de bola por partida. Em nove embates, já foram seis confrontos registrando dígitos-duplos em pontos e o mesmo número de vezes com 4 ou mais assistências, numa prova de que ele está conseguindo exercer bem as duas funções (pontuar e distribuir a bola).

Sob o comando do ótimo Gustavo de Conti, Georginho tem tudo para seguir crescendo (o mesmo irá acontecer com Lucas Dias quando estiver bem fisicamente também). O seu retorno ao Pinheiros foi feliz. Os próximos passos, quem sabe até com seu nome colocado nos próximos Drafts da NBA, pelo visto também serão.

 


O animador começo de temporada do jovem armador Georginho no Paulistano
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Fábio Balassiano

george4Um dos nomes mais falados da nova geração do basquete brasileiro, George Lucas Alves de Paula, o Georginho, vai tendo um começo de NBB bem animador no Paulistano.

No sábado contra o Minas o armador de 20 anos e 1,96m foi responsável por 25 pontos (11 no último período), 9 rebotes e 7 assistências (31 de eficiência) para guiar seu time a uma importante vitória (98-86). Foi a quinta boa exibição do jogador, que tem as médias de 14,8 pontos, 51% nos tiros de dois, 6,2 rebotes, 4,8 assistências e índice de passes por desperdício de bola de 1,7, algo muito bom para quem é tão jovem.

george3Vale dizer que Georginho está jogando com constância seu 1º NBB. Em 2015/2016 foram apenas 9,1 minutos por jogo no Pinheiros. Nesta temporada seus números quase triplicaram (são, até o momento, 27,1 por partida no Paulistano) e com a ausência do ala Lucas Dias (lesionado no joelho) o papel de protagonista tem feito bem a ele (no sentido de ganhar mais responsabilidade – na marra e na prática). No campeonato são 9,4 arremessos de quadra por partida, e pela primeira vez em sua carreira três partidas seguidas chutando mais de 10 vezes (Franca, Brasília e Minas).

george1Não tinha dúvida que tanto Georginho quanto Lucas Dias iriam crescer nas mãos do ótimo Gustavo de Conti, um dos melhores e mais exigentes técnicos do país. Mas confesso que seu começo é muito melhor do que o que eu esperava (ressaltando o fato de ser este o primeiro NBB “real” dele).

Quero ver mais de Georginho, que obviamente tem a evoluir em todos os aspectos (defesa, arremesso, leitura de jogo, parte física, liderança etc.), o que é normal para alguém de 20 anos e ainda em formação, mas desde já vale dizer que é muito bom ver um garoto assim tão novo e sendo dominante sem a menor cerimônia. Toda sorte pra ele! E olho no garoto!


‘De volta às origens’, Pinheiros aposta na molecada para o NBB
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Fábio Balassiano

ecpNos últimos anos o Pinheiros se notabilizou por montar times fortíssimos. Foi assim que, com o aporte de grana pesada da Sky, o clube teve Marquinhos, Shamell, Marcus Toledo, entre outros atletas. Foi com eles e com uma forte organização que conquistou a Liga das Américas em 2013, o Paulista de 2011 e alcançou uma série de finais recentemente (Liga Sul-Americana, Interligas etc.). Com a saída da patrocinadora, porém, uma nova etapa se abriu no clube.

ECP Basquete Temporada 2015 ApresentacaoSem estrelas e com o técnico César Guidetti (ex-assistente do Pinheiros nos últimos cinco anos e um grande estudioso da modalidade – foto) no lugar de Marcel de Souza, a agremiação voltou, literalmente, às origens. Grupo renovado, cheio de garotos promissores querendo aparecer e alguns experientes (o pivô Morro e o ala norte-americano Desmond Holloway, ex-Paulistano) para dar sustentação à garotada.

trioecpChama a atenção neste momento que os jovens Georginho, Lucas Dias e Humberto (os três na foto) ganharão muito tempo de quadra nesta temporada. Lançados há mais de dois anos no time adulto, Humberto e Lucas Dias (ambos de 20 anos) sempre foram vistos como promessas, mas nunca tiveram minutos consideráveis no NBB (6 e 11 minutos respectivamente na temporada passada). Agora terão. Georginho, armador promissor de 19 anos e que quase foi selecionado no Draft da NBA este ano, será o titular da armação e tem tudo para, em caso de bom desempenho, ganhar experiência em um campeonato profissional para subir ainda mais nas projeções dos próximos anos.

george1Para quem sempre cansou de pedir (como eu) espaço para a molecada do Pinheiros se desenvolver a chance de aparecer com brilho está na mesa como nunca esteve. Eles (os garotos) vão sofrer um pouco, pois a transição da base para o adulto não é fácil, mas a saída do investimento pesado do antigo patrocinador acabou se tornando uma grande oportunidade não só para as revelações que saem das categorias inferiores da agremiação.

Colocar os garotos para jogar tornou-se, também, uma baita janela para o Pinheiros mostrar a todos quão bom é o seu trabalho de base e quão bacana pode ser investir na formação de atletas. Para quem gosta de basquete, da base ao adulto, é impossível não salivar com o que Georginho, Lucas e Humberto, entre outros jovens que terão mais chance a partir de agora, poderão fazer no próximo NBB pelo time da capital de São Paulo.


Com clínica de técnicos da NBA, LDB vê Minas, Pinheiros e Limeira invictos
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Fábio Balassiano

lucas1Terminou a primeira fase da Liga de Desenvolvimento de Basquete. Disputada em Uberlândia pelas 24 equipes (23 times e mais a seleção brasileira Sub-17 que se prepara para o Sul-Americano e teve 2-5), a competição viu Minas, Pinheiros e Limeira terminarem invictos (7-0).

Nesta etapa inicial, contudo, os destaques não ficaram apenas pelas atuações de bons atletas como Lucas Dias (foto), ala do Pinheiros, Danilo Fuzaro, ala-armador do Minas convocado por Rubén Magnano para a seleção principal e bem cotado no último Draft, Arthur Pecos (confiável armador do Paulistano), Maique (ala-pivô de Macaé e uma máquina de duplos-duplos) e Georginho (armador pinheirense cotado para ser escolhido no último Draft da NBA e monitorado pelas franquias da liga norte-americano para as próximas seleções).

ldb1Além da molecada, houve uma interessante clínica de dois técnicos da NBA para os jogadores e também para os treinadores presentes. Fruto da parceria da Liga Nacional de Basquete (LNB) com a liga norte-americana, a LDB viu Bryan Gates, assistente técnico do New Orleans Pelicans (NBA), e Kevin Burleson, técnico de desenvolvimento do Houston Rockets (NBA), compartilhando conhecimento para atletas e também técnicos.

bassul“A cada edição da LDB procuramos introduzir coisas novas para melhorar o desenvolvimento dos atletas. Nessa conseguimos trazer os profissionais da NBA. Ao mesmo tempo os técnicos também vão recebendo informações de duas formas: a primeira por estar atuando nas atividades, e a segunda é que no último dia o Bryan (Gates) deu uma clínica exclusiva para eles (treinadores)”, disse Paulo Bassul, Gerente Técnico da LNB.

No vídeo abaixo (ou aqui) você pode ver um pouco de como foi a clínica dos técnicos da NBA em Uberlândia (e a iniciativa, mais uma boa da Liga Nacional, merece aplausos) A próxima etapa da Liga de Desenvolvimento será a partir de 25 de agosto em três sedes diferentes e contará com quatro jogos para cada equipe.

Técnicos da NBA dão clínica a jovens talentos do Brasil


O que esperar dos 4 brasileiros que retiraram seus nomes do Draft da NBA?
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Fábio Balassiano

danilo1Ontem foi o último dia para que os jogadores que haviam se inscrito no Draft da NBA retirassem, caso quisessem, seu nome da seleção dos jogadores que acontecerá no dia 25 deste mês (mais no site oficial aqui).

E aconteceu o seguinte: os brasileiros decidiram não participar do Draft deste ano. Danilo Fuzaro Siqueira (Minas – ele na primeira foto deste texto), Georginho, Lucas Dias e Humberto (estes três do Pinheiros) retiraram seus nomes do Draft. Que fique claro: o quarteto pode se inscrever nos próximos porque ainda tem idade para isso. Permanecem como elegíveis para 2015 os nascidos em 1993, exemplos de Leo Meindl (Franca) e Henrique Coelho (Minas), dupla que vem sendo monitorada mas que não deve ser escolhida. Agora é tentar entender o que acontecerá com esta molecada daqui pra frente.

george1Talento brasileiro mais bem avaliado nesta fornada pré-Draft, o armador George de Paula, ou simplesmente Georginho, tem tudo para ganhar tempo de quadra no reformulado Pinheiros. Sem grandes investimentos, é bem provável que o clube de São Paulo volte seus olhos para as categorias de base, dando espaço para a molecada da qual Georginho faz parte. Com minutos de sobra e chance de evolução, é bem provável que ele chame ainda mais atenção das franquias da NBA pensando no Draft de 2016. Não custa lembrar: o garoto tem singelos 19 anos (completados em 24 de maio último), 1,95m e esta mão surreal aí da foto. Ele já tem um potencial físico surreal e terá a oportunidade de jogar, quem sabe como titular, tanto na Liga de Desenvolvimento (LDB) como em NBB uma quantidade bem razoável de partidas. Melhorar no inglês, algo importante para qualquer atleta de sua posição (necessidade grande de comunicação), também deve estar em sua ordem do dia.

lucas1Raciocínio parecido se aplica ao bom Lucas Dias, mas nem tanto. Ele também é jovem (completará 20 anos daqui a um mês), mas precisa mostrar a evolução que se espera dele rapidamente. Há três anos ele foi eleito o MVP do Jordan Classic, evento que reúne a nata dos jovens valores do mundo, mas desde então seus minutos não cresceram como se supunha no Pinheiros (entrevistei-o no começo de 2013, aliás). Ala de 2,07m, é outro que deve ganhar tempo de quadra e espaço na rotação do Pinheiros nesta temporada. É importante que desde o começo dos próximos campeonatos de 2015/2016 Lucas jogue todas as suas fichas. Talento ele tem, e o brasileiro foi muito bem avaliado por sua capacidade de arremesso nos Estados Unidos recentemente. É importante que ele evolua na parte física e que ganhe mais consistência durante os jogos.

humbertofinalO armador Humberto é uma grande incógnita pra mim. Da mesma fornada de Lucas Dias e também de Bruno Caboclo, ele surgiu muitíssimo bem no Pinheiros, foi espetacular na campanha que levou o clube ao vice-campeonato da Liga das Américas duas temporadas atrás, mas perdeu bastante espaço na rotação do clube. Com a subida de Georginho, não sei se a sua carga de minutos crescerá mesmo com um elenco menos experiente em relação ao último NBB. Ele é muito jovem também (completará 20 anos no próximo mês), muito bom na defesa e tem um físico privilegiado para um armador (1,95m), mas sua concorrência dentro do elenco será duríssima. Comparado a Leandrinho e a Russell Westbrook, é essencial que ele encontre seus minutos na rotação do Pinheiros nesta temporada para que o “fio da meada” de sua evolução não seja perdido.

danilo2Aos 21 anos, o ala-armador Danilo Fuzaro (que eu não sei bem como passou a ser chamado de Danilo Siqueira) terminou bem a temporada pelo Minas quando substituiu muito bem a Robby Collum nos playoffs contra Macaé. Teve 20, 26, 15 e 17 nos playoffs e chamou a atenção não só pela parte técnica do jogo, mas principalmente pela desenvoltura no mata-mata e pela capacidade de ler bem as situações do jogo mesmo em situações pouco confortáveis das partidas (mais aqui). Mais confiante após um período de quase 30 dias treinando nos Estados Unidos, ele deve ganhar espaço na rotação do técnico Demétrius no clube mineiro e ficar ainda mais pronto para os próximos anos. Precisa melhorar na parte física e na defesa.

foto1São quatro jovens brasileiros de muito valor e que certamente mostrarão seus talentos na próxima temporada de NBB e LDB. Torço, sinceramente, para que os clubes em que os quatro estão (Minas e Pinheiros) lhes forneça toda a estrutura necessária e principalmente uma carga de treinamento bem forte, pesada mesmo. Seria fundamental, por fim, que o pessoal da Confederação Brasileira ficasse de olho neles com carinho, mas seria pedir demais.


Brasileiro Georginho participa de evento com a nata Sub-19 do mundo
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Fábio Balassiano

george5Começa hoje uma das semanas mais importantes da vida do jovem brasileiro George Lucas Alves de Paula. Georginho, como é conhecido, tem 18 anos, 1,95m, é jogador do Pinheiros e está nos Estados Unidos.

O armador, cujo potencial físico e técnico tem sido elogiado por todos, foi selecionado para participar do Nike Hoop Summit, que reúne a nata Sub-19 do mundo anualmente em Portland (sede da empresa, aliás) para uma série de treinos e para a partida entre a molecada dos Estados Unidos contra a dos estrangeiros que dá nome ao evento (o jogo em si acontecerá no próximo sábado, ao meio-dia).

george2O Brasil não integrava a lista da seleção do mundo desde 2011, quando Raulzinho e Lucas Bebê representaram o país. Outros três fizeram parte do time: Guilherme Giovannoni (1996), Marquinhos (2006) e Rafael Hettsheimeir (2009). Em 18 edições, 94 jogadores que passaram pelo Hoop Summit já estão na NBA atualmente, incluindo nomes como Kevin Durant, Kyrie Irving e Dirk Nowitzki.

“Eu fiquei muito feliz, senti meu trabalho sendo reconhecido, e que, por isso, preciso trabalhar ainda mais. Senti que o meu sonho de chegar a NBA, se não ficou mais próximo, ficou mais real”, disse Georginho à assessoria da Nike.

george3Já seria, sem dúvida alguma, uma honra e um aprendizado imensos para Georginho. Esta semana em Portland ao lado da nata mundial de sua idade deve ser, realmente, o máximo para qualquer atleta (fora a estrutura, que todos elogiam absurdamente).

Mas o tamanho do evento e sua recente preparação aumentam a expectativa sobre o futuro do menino, projetado para ser escolhido na primeira rodada do Draft de 2015 inclusive (vejam mais no site Draft Express) e apontado como uma das maiores revelações do país nos últimos anos.

george1Ao lado de Lucas Dias (ambos na foto ao lado), ala também do Pinheiros, Georginho (mais dele aqui) esteve na IMG na semana passada para todos os treinos possíveis (técnicos, táticos, psicológicos e físicos) com a turma de uma das mais respeitadas Academias de esporte dos Estados Unidos.

Para ambos, olhados com muito carinho por executivos da NBA visando este e os próximos Drafts, foi uma oportunidade de ouro de vivenciar um treinamento mais intenso, mais pesado que os que são praticados no Brasil (e isso é natural, obviamente), e projetar o que eles poderão vir a fazer em suas carreiras (para Lucas, nessa toada há três temporadas, os ganhos podem ser ainda maiores a longo prazo, e explorarei o tema mais adiante).

Lucas retorna ao Pinheiros para voltar a fazer parte da rotação de Marcel de Souza nos playoffs do time no NBB a partir desta semana. Para Georginho (vídeos dele abaixo), o sonho de entrar na NBA ficará, como ele mesmo disse, mais real caso ele consiga desempenhar bom papel em Portland em treinos e principalmente no jogo do próximo sábado. Sorte a ambos.


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