Bala na Cesta

Arquivo : Franca

Franca vence grande jogo contra Bauru, e Helinho vai se tornando técnico de ponta
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Fábio Balassiano

O terceiro maior público da temporada do NBB viu um grande jogo de basquete neste sábado. Em um Pedrocão cheio, com pouco mais de 4 mil pessoas (número menor apenas que os 4.5 mil de Mogi x Flamengo e os 4.2 mil de Brasília x Flamengo), Franca venceu Bauru por 92-85 na prorrogação, chegou a 14 vitórias em 22 jogos e manteve vivo o sonho de ficar entre os quatro melhores da fase de classificação (hoje Mogi tem 15-7).

Individualmente o grande destaque do grande jogo deste sábado foi o ala-pivô Du Sommer, que 17 pontos e 12 rebotes, dominando o garrafão e pontuando com categoria perto da cesta, mas pra falar dos francanos é preciso falar de Helinho.

Estreante na função de técnico, Helinho deu entrevista no Podcast Bala na Cesta antes do NBB e lembro bem da seguinte frase: “Nós podemos perder, podemos ganhar, mas eu quero que as pessoas, quando nos assistam em quadra, saibam que aquele é um time de Franca. Precisamos recuperar a nossa identidade“. E ele vem conseguindo.

Seu time é modesto, não tem estrelas, mas joga exatamente como a tradição francana manda. A bola roda no ataque (16 assistências por partida), todos pontuam (cinco têm mais de 8 pontos por jogo), muitos jogam (dez atuam por 15+ minutos/jogo) e a defesa tem conseguido manter os rivais abaixo dos 80 pontos com frequência neste ano (em 2017, apenas em três das 11 partidas os rivais ultrapassaram esta marca). Nada mais Franca do que isso – inclusive o ginásio lotado e pulsando como vimos ontem no Pedrocão.

Lembro que no final de janeiro escrevi no Twitter após a vitória de Franca contra o Flamengo no Rio de Janeiro que acreditava que Helinho se tornaria um grande técnico, mas não que seria tão rápido. A evolução dele e de seu time no NBB são notáveis e merece aplausos. A vitória contra Bauru deste sábado comprova isso e mostra que o desenvolvimento não parou por ali (tanto do treinador quanto da equipe).

Não dá pra saber ainda o que irá acontecer nem com o técnico e nem com a sua equipe daqui pra frente, mas está muito claro que Helinho, que faz parte da nova safra de técnicos do país (tema de texto na próxima semana), vem seguindo os passos de seu pai para se tornar um grande treinador no cenário brasileiro.


Podcast BNC: O que esperar dos brasileiros na NBA? Falar o quê das confusões pelo Brasil?
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Fábio Balassiano

SuperIngressos

LB1No programa dessa semana falamos da pré-temporada da NBA e fazemos uma análise de TODOS os brasileiros que jogarão o certame que se inicia no dia 25 de outubro. Abordamos também os Estaduais pelo Brasil e as confusões recentes no Flamengo x Vasco, no Rio de Janeiro, e também no duelo entre Franca x Rio Claro, no ginásio Pedrocão, em Franca.

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Técnico Dedé, de Rio Claro, agride torcedor e joga cadeira no público – o que mais falta?
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Fábio Balassiano

(E lá vamos nós de novo para um tema chatíssimo)

helinho2Era pra ser uma noite de festa sábado no Pedrocão. Franca venceu Rio Claro por 82-62, fechou a série por 2-1 e se classificou para a semifinal do Campeonato Paulista onde enfrentará o Bauru, que neste domingo foi a São Paulo e bateu o Pinheiros por 95-88. Foi uma prova de força e de evolução de Helinho, em seu primeiro ano como técnico, e de seu grupo. Eles tentam resgatas os melhores dias da história do basquete francano voltando às origens com um basquete aguerrido, coletivo e forte na defesa.

Os problemas aconteceram depois que a peleja terminou. Vamos ao vídeo (dos vários que andam circulando por aí):

As imagens falam por si, mas eu vou colocar neste espaço o que aconteceu:

dede11) Descontrolado, o técnico Dedé (foto), de Rio Claro, discute com meio mundo. Logo depois disso ele sobe para o alambrado, discute mais um pouco e desfere um soco fortíssimo em um torcedor (o de vermelho). Não satisfeito, porque em sua cabeça ainda faltava alguma coisa para acontecer, Dedé pega uma cadeira, olha para a arquibancada e joga no público. Coisa fina, não?

2) Daniel Alemão também discute com torcedores e empurra meio mundo.

3) Gegê, armador recém-chegado ao time, atira algo no público (de longe parece uma toalha).

dede3Não estou aqui para fazer julgamento de ninguém, muito menos de Dedé, técnico promissor mas useiro e vezeiro em lances confusos desde seus tempos de atleta (veja mais aqui). Muita gente me diz que os torcedores francanos xingaram e cuspiram nos jogadores de Rio Claro após a partida. Não estava lá e não tenho ideia disso, mas NADA justifica o que Dedé fez.

Não há absolutamente nada que seja aceitável para um treinador (educador!!!!) fazer o que ele fez. Um cara que deveria prezar pelo espetáculo, pelo desenvolvimento do esporte, dando um soco em um torcedor (consumidor no final das contas) e jogando cadeira em arquibancada é surreal. O que acontecerá com Dedé, Alemão e Gegê? Alguém irá puni-los de forma veemente? Ou darão aquele famoso “me engana que eu gosto” de uma multa, dois, três joguinhos e vamos nessa? Aposto nesta opção minimalista (como sempre acontece).

Rioclaro1Pensam que acabou? Não acabou. Escoltado até o hotel, o time de Rio Claro jantou e entrou no ônibus para retornar à cidade. Logo que entrou na rodovia um barulho imenso assustou jogadores, comissão técnica e o motorista.

Todos saíram do ônibus e foram ver o que tinha quebrado parte do vidro da frente (foto à direita). Foi uma placa (também na imagem) atirada de cima do viaduto em direção ao veículo. O animal que fez isso poderia ter matado pessoas, vocês têm noção disso, né? Se placa atinge o lado do motorista, por exemplo, sabe lá o que poderia ter acontecido.

RioClaro2Na cadeira do co-piloto para auxiliar o motorista pois já morou em Franca e conhecia bem o caminho, Leo, assistente-técnico de Rio Claro, foi atingido por estilhaços do vidro e sofreu ferimentos leves (veja foto ao lado).

O ônibus estacionou na polícia rodoviária, uma queixa policial foi feita e o time de Rio Claro só conseguiu chegar à sua cidade porque Franca emprestou novo veículo para que a equipe visitante seguisse a viagem. Este não é um caso de basquete, mas sim criminal. É óbvio, porém, que há relação com a modalidade.

dede2Na boa, não sei nem mais o que escrever (algo que inacreditavelmente só eu tenho feito quando este tipo de bizarrice acontece). Vale lembrar que foi em um Rio Claro x Franca que aconteceu um furto no vestiário visitante (o francano) em jogo recente de playoff do NBB.

Em uma semana tivemos uma briga de “torcedores” do Flamengo, um técnico agredindo torcedores e um ônibus de time atacado. Só fico me perguntando o que mais falta acontecer em uma quadra de basquete e quantas pessoas de bem (famílias, principalmente) estão deixando de acompanhar a modalidade devido às confusões em série em que o esporte tem se envolvido de tempos pra cá.

Que momento surrealmente triste vive o basquete brasileiro, hein!


Com bons valores, Franca vence LDB pela primeira vez
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Fábio Balassiano

franca3Terminou ontem a enxuta-porém-valiosa edição de 2016 da Liga de Desenvolvimento (Sub-22). Maior campeonato de base do Brasil, a LDB viu um campeão inédito neste ano.

Foi Franca, que fechou a campanha de duas semanas invicta (10-0) com o triunfo de ontem em cima de São José por 66-50 dominando o rival de maneira incrível do começo ao fim. O ala João Pedro (12 pontos e 9 rebotes na final) foi eleito o MVP do torneio. Até então apenas o Basquete Cearense, em 2014, havia sido campeão invicto da LDB.

franca1Vi poucos jogos dessa edição, não posso analisar muito em termos técnicos, mas gosto desse começo de trabalho de Franca justamente pelo que disse Helinho em nosso Podcast dessa semana. Aparentemente é um novo modelo de gestão, que tenta colocar a casa em dia com salários em ordem, elenco curto e um punhado de jovens em busca de espaço. Do time da LDB gostei de Alexey, João Pedro e Antonio, que creio serão utilizados pelo novo treinador francano no time adulto nesta própria temporada do NBB.

saojose2Por São José, do promissor técnico Christiano Ahmed, olho em Biloca (18 anos, ala de 1,98m), Pedrinho (armador), Braga e Colimério (pivôs). O único lamento é que os jovens joseenses não terão o NBB para disputar, já que a equipe está fora da próxima edição do principal campeonato adulto de basquete do país. Não sei quais serão os procedimentos com os garotos, mas seria muito legal se eles pudessem atuar no NBB em alguma equipe para ganhar tempo de quadra, rodagem, experiência e sobretudo serem exigidos como atletas profissionais. Para times que buscam fechar seus elencos para a temporada 2016/2017, vale dar uma olhadinha nestes atletas do Vale do Paraíba.

joao1Como detalhe, vale dizer o seguinte. A Liga de Desenvolvimento acaba coroando times que fazem consistentes campanhas ao longo dos anos. Com exceção do Basquete Cearense, que ganhou em 2014 sem antes ter ficado entre os quatro primeiros, todos os outros vencedores chegaram, antes e/ou depois, entre os três melhores colocados.

O Flamengo, campeão em 2011, foi bronze em 2012, campeão em 2013 e vice em 2014. Bauru foi vice em 2011 antes de ganhar no ano seguinte. O Pinheiros, bronze em 2013, quarto em 2014 e, aí sim, campeão em 2015. Franca, por sua vez, foi vice em 2012 e campeão em 2016. Não é coincidência. É regularidade e trabalho mesmo. Que sirva de lição para todos os clubes. Não é só chegar, jogar e já sair ganhando caneco. Isso leva tempo, sequência e paciência mesmo.

Parabéns a Franca. Que seja o começo de uma nova era para o time e para a cidade. Que seja uma nova era de reencontro com as grandes conquistas.


Podcast BNC: Entrevista com Helinho, novo técnico do Franca
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Fábio Balassiano

SuperIngressos

helinho2O primeiro programa da temporada 2016/2017 traz, além da novidade do SuperIngressos (mais aqui), uma entrevista exclusiva e bem interessante com Helinho. O novo técnico de Franca fala do seu começo na profissão, das dificuldades, das dicas do pai, o mítico Helio Rubens, dos aprendizados no Golden State Warriors, onde fez um estágio recentemente, e da atual fase do basquete brasileiro.

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No melhor momento do NBB, o deprimente roubo no vestiário em Rio Claro
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Fábio Balassiano

franca2Então lá vamos nós de novo para um tema chatíssimo, daqueles que nenhum jornalista gosta(ria) de escrever. Chato como aquele do W.O. do Flamengo em 2014. Chato como aquele da saída de quadra de Rinaldo Rodrigues em Sorocaba no ano passado. Chato como as intermináveis goteiras nos ginásios brasileiros. Chato como a agressão aos árbitros no ginásio do Palmeiras em 2015.

Na noite desta terça-feira em Rio Claro acontecia o segundo jogo da série de oitavas-de-final do NBB entre o time local e Franca, que vencia a série por 1-0. No intervalo, o time visitante entrou para ouvir as instruções do técnico Lula Ferreira e teve uma surpresa: os pertences dos atletas (carteiras, celulares, tênis etc.) foram roubados durante a primeira etapa.

franca4As imagens ao longo deste texto são reproduções do Sportv, que exibia a peleja ao vivo para todo Brasil (trataremos disso mais adiante). Os vândalos entraram pela janela do vestiário e, sem segurança no local, literalmente fizeram a festa. Em uma atitude corajosa, Franca retornou à quadra, perdendo por 89-79 e vendo o time mandante empatar a série em 1-1. Antes de continuar, uma informação apurada por este blogueiro: Bauru passou pelo mesmo problema (furto no vestiário) em Rio Claro há cerca de três anos em um jogo do Campeonato Paulista. Ou seja: não é algo novo no ginásio Felipe Karan.

Bem, vamos lá a alguns pontos:

franca31) Em primeiro lugar, vamos ao que o regulamento diz neste sentido: “O mandante dos jogos será pessoal e integralmente responsável pela segurança e incolumidade física de dirigentes, árbitros, comissões técnicas e atletas das equipes participantes, desde a sua chegada até a saída em segurança das respectivas arenas de jogo, sem prejuízo da punição severa de qualquer um que atue de forma provocadora de acontecimentos perigosos ou danosos“. Pergunta clara e direta: quantos seguranças havia NA PORTA dos vestiários DURANTE o jogo? Nenhum? É óbvio, portanto, que Rio Claro tem culpa no cartório. Espero, sinceramente, que o time que tem uma fanática torcida e que faz um belo trabalho de reconstrução, seja fortemente punido, perdendo mandos de quadra (inclusive agora no playoff) e repondo o prejuízo dos atletas francanos da melhor maneira possível. Torço, de verdade mesmo, que a Liga Nacional não seja minimalista e/ou reducionista neste caso, reduzindo o escopo do que assistimos nesta terça-feira a quase nada – porque foi muita coisa.

lnb12) Mas não é só Rio Claro que merece críticas, não. É preciso, como sempre faço por aqui, ampliar o olhar, aumentar a lente da discussão. A Liga Nacional de Basquete emitiu uma Nota de Repúdio de forma imediata na noite de terça-feira mesmo. O texto, porém, não foi tão duro quanto deveria ser. E não foi por um simples motivo: é a LNB quem deveria vistoriar SEMPRE os ginásios ANTES da competição. Ela não deve, portanto, esperar que algo de vergonhoso aconteça para agir (a profilaxia é sempre mais efetiva que a posterior medicação). Confesso a vocês que mais do que o furto aos atletas de Franca o que me chocou foi VER o vestiário em Rio Claro. Que coisa feia, feia mesmo. É óbvio que a parte estrutural é diferente de se ter ou não segurança em um ginásio (segurança dos clubes é condição BÁSICA em esporte profissional), mas se essa mesma Liga libera estabelecimentos assim, como depois irá cobrar de forma veemente e forte como deve(ria) acontecer?

nbb13) Aqui vamos a outro problema. Os ginásios (internamente, entornos, vestiários, áreas de imprensa, ventilação, banheiros, áreas de alimentação, goteiras etc.) brasileiros, via de regra, são MUITO ruins. Os vestiários, então, nem se fala. Como resolver essa questão é muito difícil para a Liga Nacional, pois a maioria das praças de esporte são de prefeituras e as franquias do NBB não têm (com o perdão do trocadilho) bala pra construir novas (e caras) arenas em suas localidades. Aí é o cachorro correndo atrás o rabo (literalmente). A Liga Nacional deve cobrar dos clubes a melhoria nos ginásios, mas o fato cristalino é que os ginásios são arcaicos e péssimos desde sempre. Resolver isso é difícil. Fechar os olhos e achar que é aceitável conviver com isso, porém, não é recomendável.

AAPB4) Nada de novo no front, mas cabe destacar mais uma vez o silêncio ensurdecedor da Associação de Atletas Profissionais de Basquete (AAPB). Nenhuma nota, nenhum post no Facebook, nada. Não que fosse esperar algo diferente de uma entidade que é quase sempre passiva e que está longe de entender o poder transformador que poderia ter na modalidade de forma particular e no esporte de maneira mais ampla. A AAPB só não é passiva quando age para aprovar as contas do presidente Carlos Nunes, da CBB, como aconteceu na semana passada em Brasília, quando o Presidente Guilherme Giovannoni teve menos de uma hora para analisar as contas da Confederação de 2015 e deu o seu parecer favorável (APROVOU as contas) ao governor Nunes (mais uma vez, aliás). Ou seja: há passividade, pero no mucho, né? Cabe dizer, também, que Douglas Viegas, Diretor-Executivo da Associação, tem o o Canal Chuá dentro do site da Liga Nacional há cerca de um mês. Qual a independência de uma Associação cujo Diretor-Executivo tem um site hospedado dentro de uma entidade (a LNB) que ele deveria fiscalizar?

nbb255) O mais triste disso tudo é que o NBB vive o melhor momento de sua história. Patrocinadores entrando, parceria com a NBA, TODOS os duelos dos playoffs exibidos (pela TV Aberta, TV Fechada ou Web), jogos emocionantes, torcidas empolgadas (Caxias do Sul e Bahia, com o Vitória, lotaram seus ginásios e fizeram belas festas) e perspectiva de crescimento. Na primeira semana de mata-mata, o que o Brasil viu através da lente do Sportv, que exibia a peleja para todo país? Uma cena lamentável, vergonhosa, deprimente, chocante e de entristecer até a alma. Parece jogo de tabuleiro: para cada notícia boa que a Liga Nacional traz, ganhando uma casinha e se aproximando de ter um produto ideal, vira e mexe acontece um fato horroroso que faz com que a LNB volte duas casas no tabuleiro do esporte nacional. É algo que precisa ser pesado, pensado e analisado por todos os gestores da Liga.

franca5Que a Liga Nacional seja firme ao punir Rio Claro por um incidente tenebroso como este de terça-feira o quanto antes. E que ela, Liga Nacional, se estruture RAPIDAMENTE para verificar ANTES do próximo NBB as condições de TODOS os ginásios do país e exigindo as condições mínimas (segurança e vestiários em bom estado são itens BÁSICOS!).

Se quer (e a gente sabe que quer) transformar o NBB em um produto cada vez melhor, incidentes como os de ontem e como os citados no primeiro parágrafo precisam parar de acontecer com essa frequência não muito agradável.


Com ‘turbo ligado’, Flamengo enfrenta Franca hoje no Tijuca
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Fábio Balassiano

neto1Escrevi aqui essa semana que é nesta fase do ano que o Flamengo começa a ligar o “turbo” de sua máquina. Sabendo que a temporada é longa, e cujos prêmios principais começam a ser decididos agora (Liga das Américas e NBB), o técnico José Neto e a preparação física do rubro-negro “pegam pesado” no começo do ciclo, abrindo espaço para que o melhor estado físico e técnico comece a partir de agora.

Isso pôde ser visto na quarta-feira em um Tijuca lotado (e belíssimo, com quadra e luzes muito bem arrumados) contra um Bauru que deve (ou deveria?) ser o maior concorrente do Flamengo ao título do NBB. Jogando um basquete fortíssimo na defesa e coletivo ao extremo no ataque (23 assistências em 32 arremessos convertidos – ótimo índice!), os rubro-negros não tomaram conhecimento do forte rival, fizeram 30-13 no segundo período e venceram facilmente (e sem forçar muito) por 85-69 (foi a sexta vitória consecutiva do time no NBB).

ramon2Algumas coisinhas me chamaram a atenção. Com uma rotação de dez atletas de alto nível (Rafael Luz, Gegê, Robinson, Marcelinho, Marquinhos, Olivinha, Rafael Mineiro, JP Batista, Meyinsee e o recém-chegado Ronald Ramon), José Neto pode fazer mais ou menos como Gregg Popovich faz com o San Antonio Spurs (sem comparação do nível, mas sim do estilo e da mecânica pensada, por favor). Intensidade máxima de seus comandados na defesa, pressão na bola o tempo inteiro na marcação e incessante troca de passes no ataque. Não é coincidência que quarta-feira que estes dez atletas citados tenham jogado entre 15 e 22 minutos (todos eles!), tentando entre 11 (Ramon) e 21 (Marquinhos) pontos na partida. É um manual de jogo coletivo isso.

mark1Se individualmente este Flamengo já seria fortíssimo e bem complicado de bater, quando joga assim de forma coletiva, concentrado e sem nenhum grau de vaidade a dificuldade (para os adversários) fica ainda maior. Como marcar tanta gente boa assim? Como deter um time que tem 10 armas que podem pontuar ou atacar a cesta com naturalidade? Vale a pena dobrar a marcação em Marquinhos (foto), um jogador muito acima da média para o nível interno brasileiro, sabendo que você pode, com isso, deixar livre outro ótimo jogador? São dúvidas que os rivais têm quando enfrentam o time de José Neto – e cujas respostas não são fáceis de se encontrar e muito menos de aplicar na quadra.

jerome1Hoje o Flamengo recebe Franca às 17h30 no mesmo ginásio do Tijuca (a partida será exibida pela Rede TV! ao vivo). É mais uma chance de ver quão forte é este time de José Neto e quão difícil será para todos os rivais, da América ou do Brasil, vencê-los tanto em Liga das Américas quanto no NBB.

O turbo foi ligado pelos rubro-negros. Vai ser muito complicado freá-los. Será que mais uma vez o Flamengo consegue vencer Liga das Américas e NBB na mesma temporada (como foi em 2013/2014)?


Na Venezuela, Franca e Mogi tentam avançar às finais da Liga Sul-Americana
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Fábio Balassiano

giovannoni1Na semana passada Brasília fez a sua parte. No Uruguai, os comandados de José Carlos Vidal jogaram muito bem, venceram Obras Sanitárias (Argentina), Malvin (Uruguai) e Quilmes (Argentina), avançando às finais da Liga Sul-Americana (o campeão jogará a Liga das Américas). Destaque absoluto para Guilherme Giovannoni, autor de 15,7 pontos (média) nos três jogos (ele vive grande fase, é bom ficar de olho).

calendarioNesta semana Franca e Mogi representam o basquete brasileiro. Os times enfrentarão na Venezuela o local Guaros de Lara e o argentino San Martin de Corrientes entre hoje e quinta-feira. O melhor do grupo avança à decisão. Caso mogianos ou francanos atinjam o feito, a decisão seria com os dois times do país, o que seria ótimo e traria mais um representante para a Liga das Américas (maior competição continental e que garante vaga no Mundial Interclubes).

mogi1Pelo lado de Mogi, vale ficar de olho nos primeiros passos do técnico Danilo Padovani como treinador da equipe. O time começou mal o NBB perdendo do Basquete Cearense fora de casa, mas engatou uma sequência de três vitórias (Vitória, na Bahia, e depois Caxias do Sul e Pinheiros em casa) para se colocar entre os primeiros da competição. Ir bem em solo nacional, porém, não tira da cabeça o sonho mogiano em enfim ganhar um caneco (e o da Sul-Americana é um sonho bem palatável, digamos assim). Iniciar bem no quadrangular contra os argentinos do Corrientes é, portanto, fundamental para o elenco que tem Shamell como o principal líder.

nezinho1O outro time brasileiro é Franca. Empolgado com as chegadas de Nezinho e do bom ala Isaac, os francanos têm 2-1 no NBB (vitórias contra Macaé e Minas, revés diante do Flamengo em casa) e veem o jovem Antonio (21 anos) despontando muito bem neste começo de temporada (15 pontos e 2,7 rebotes de média até o momento). Além dele, quem inicia bem a temporada é Mathias, autor de 11 pontos e 11 rebotes/jogo no NBB em três partidas. Contratado após ter sido pouco utilizado em Bauru, o ala-pivô tem dado conta do recado pelo time de Lula Ferreira.

Será que Franca ou Mogi se juntam a Brasília nas finais da Liga Sul-Americana? Comentem aí!


Com Nezinho em Franca, o ‘auge da insanidade’ das férias do NBB
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Fábio Balassiano

nezinho1O dia de ontem começou com a divulgação de uma das notícias mais surreais do basquete brasileiro nos últimos tempos (a nota foi do Jornal do Comércio). Inimigo número 1 da torcida de Franca, Nezinho foi anunciado como reforço de… Franca para a temporada 2015/2016 do NBB.

Sem clube desde a extinção de Limeira, o armador chega para dar um pouco mais de peso ao elenco do técnico Lula Ferreira, com quem trabalhou em Ribeirão Preto, seleção brasileira e Brasília.

Se esta fosse a única notícia “insana” do basquete brasileiro nas férias do NBB até que a gente entenderia. Mas fui pensando, com um amigo, no número de acontecimentos inesperados que houve desde o final da última temporada até agora. Vejam só o tamanho do agito:

palmeiras11) Palmeiras anuncia fim do basquete

2) Limeira, time do presidente da Liga Nacional de Basquete, Cássio Roque, fecha as portas por problemas financeiros.

2.1) Vasco tenta suprir ausência de Limeira, encaminha acordo com a Liga Nacional, mas fica no quase e desiste do NBB8.

3) Liga Nacional de Basquete tenta, mas segue sem patrocinador

guerra64) Único técnico a ter dirigido em todas as edições do NBB pela mesma equipe, Guerrinha é demitido de Bauru

5) Para seu lugar, Bauru contrata Demétrius, ex-Minas

6) Sem Demétrius, Minas efetiva Cristiano Grama, ex-treinador da base, como técnico do time principal

7) Rafael Mineiro, que jogou o último NBB por Limeira, atua no Mundial contra o Real Madrid e nos amistosos da NBA por Bauru, fecha com o Flamengo

dede18) Melhor técnico do NBB7, Dedé está sem time para a temporada 2015/2016

9) Após fechar as portas em Uberlândia, franquia de Wellington Salgado vai para Salvador, onde jogará pelo Vitória-BA (abrindo mais uma praça no Nordeste).

10) Liga de Basquete Feminino e Liga Nacional de Basquete anunciam parceria.

11) Paco Garcia anuncia saída de Mogi após 3 anos (opção dele devido a um problema pessoal)

fla3Como se vê, houve um punhado de acontecimentos pra lá de interessantes desde que o Flamengo levantou a taça contra Bauru na final do NBB7. A próxima temporada começa na segunda-feira justamente com a reedição da decisão anterior (no interior de São Paulo), e a gente só espera que as emoções dentro da quadra sejam parecidas com a que vimos fora dela nestes meses que passaram.

Se isso acontecer, teremos facilmente o melhor NBB da história…


Pau Gasol, classificação olímpica e uma atuação para a história
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Fábio Balassiano

gasol3Falei aqui que Espanha x França, válida pela semi do EuroBasket, tinha tudo para ser a melhor partida do mundo FIBA em 2015.

Eu realmente esperava isso, mas confesso que o que vi ontem à tarde em Lille superou totalmente as expectativas. Os incríveis 80-75 na prorrogação a favor da seleção espanhola deram a vaga na final e o carimbo no passaporte ibérico para o Rio-2016, mas acabaram, por incrível que pareça, ficando em segundo plano diante da atuação de Pau Gasol (o camisa 4 na foto ao lado).

gasol5Foi uma daquelas tardes (ou noites) que a gente sempre se lembrará que viu, que testemunhou, que admirou um dos melhores alas-pivôs de todos os tempos. Pau Gasol terminou com surreais 40 pontos (50% de sua equipe), 12/21 nos arremessos, 11 rebotes e três tocos, liderando sua equipe contra um garrafão formado pelo gigante Rudy Gobert (quando ele saiu com cinco faltas se desenhou a vitória espanhola) e com jogadores da estirpe de Nicolas Batum (que levou a peleja para o tempo-extra com um tiro de três no final do último período) e Tony Parker (este muito mal com 4/17 e apenas dez pontos).

parkerDado interessante: 4-0 para a Espanha contra a França tanto com Pau Gasol quanto Tony Parker em quadra (os dois melhores jogadores de seus países neste século, portanto).

Dado triste: França só virá ao Rio-2016 se ganhar a sua chave do Pré-Olímpico Mundial. Para explicar: de acordo com a FIBA, serão três Pré-Olímpicos Mundiais ao mesmo tempo. Cada chave com seis países. Quem ganhar a sua chave vem aos Jogos Olímpicos. Quem não levar, vê a Olimpíada de casa. Dureza, né? Só lembrando: Canadá, França, Grécia, Itália, Croácia, Alemanha e Lituânia ou Sérvia (o perdedor de amanhã no EuroBasket) estão na mesma (desagradável) situação.

Abaixo os melhores momento da épica atuação de Pau Gasol na noite de ontem e também um vídeo só do ala-pivô do Chicago Bulls: