Bala na Cesta

Arquivo : Fortaleza

O que eu penso sobre a entrada de Fortaleza no NBB5 – leia e comente!
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Fábio Balassiano

Ontem rolou um debate interessante aqui sobre a provável entrada de Fortaleza no NBB5 aqui. E é ‘provável’ pelo seguinte motivo: o time de Alberto Bial (foto) precisa cumprir todos os requisitos técnicos e financeiros exibidos pela Liga Nacional. Passando ou não, eu prometi dar a minha opinião, né. Então vamos lá primeiro sobre a entrada dos cearenses (amanhã falarei sobre a questão técnica levantada por Kouros no mesmo post de quinta-feira). Alguns pontos importantes:

1) Pra mim, a questão mais importante de tudo isso é o fato de não haver segunda divisão do NBB. Enquanto não existir, sempre acontecerão debates acalorados sobre a inclusão ou não de times. Fica muito subjetiva, e pouco prática, a análise. Criando um campeonato de acesso, estas discussões acabam em um instante. Como sempre, o problema está na origem.

2) E se há problema na origem, é bem importante discutir o assunto. Não é possível que nesta altura dos acontecimentos tenhamos problemas tão elementares como a inclusão ou exclusão de times todo começo de temporada por conta de problemas financeiros. O Brasil está crescendo economicamente, e o basquete precisa se profissionalizar urgentemente pra surfar nessa onda se quiser se desenvolver.

3) Se a LNB analisou o projeto, que tem patrocinadores de peso (Sky e Governo do Ceará), e o julgou interessante, acho bacana. Mas uma maneira de a discussão (de novo isso) ser menos empírica e mais aberta ao público que acompanha o basquete seria colocar no site o que de fato são os projetos que estão querendo entrar na Liga. Dizer que uma determinada agremiação terá equipe adulta, basquete de base e trabalho social é legal, e embora acredite que tenha havido uma exposição sobre o tema na reunião de terça-feira, seria importante tentar tangibilizar o que os novos entrantes de fato têm na cabeça – até para que eles possam ser cobrados, em termos de resultados, depois.

4) Sobre Fortaleza especificamente, ninguém é louco de dizer que um time do Nordeste no NBB (o primeiro) é uma notícia ruim. É excelente para a cidade, para o estado e para o basquete do país. Espero sinceramente que LNB e até a CBB, que deveria fomentar a modalidade em todos os cantos do país, façam efetivamente ações para capitalizar em cima deste fato novo. Perder uma oportunidade como esta seria terrível, de verdade. Explorar o Nordeste, abrir campo para demais regiões (Norte, Centro-Oeste e Sul) e criar mais polos de alto nível para o basquete seria bem bacana e altamente possível.

5) Fico sinceramente feliz pela volta de Bial às quadras. Ele montou o projeto de sucesso em Joinville, e tentará o mesmo em terras cearenses. Gostar ou não dele é uma opção pessoal de cada um, mas não reconhecer o seu espírito desbravador é um erro. Ele tem o jeito dele, mas acho que sua importância para o desenvolvimento do basquete é inquestionável.

Conclusão: insisto que a questão é na origem do negócio todo. Não há segunda divisão, e projetos serão sempre analisados. O de Fortaleza passou, e se não dá pra criticar uma decisão que ficar restrita a um conselho de administração, seria muito bacana, muito melhor para o esporte, que acessos à elite do basquete viessem sempre da quadra, e não de uma sala fechada. Parabéns, Fortaleza, e que a segunda divisão saia do papel rápido, bem rápido, para que a discussão mude de “merecia” ou “não merecia” para o “que cesta maravilhosa para subir à primeira divisão”. É bem mais interessante para todas as partes.

Concorda comigo? Comente!


Confirmada, Fortaleza será a primeira equipe do Nordeste na história do NBB
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Fábio Balassiano

Como alguns de vocês já deve saber, Fortaleza será a primeira equipe do Nordeste a jogar o NBB. Em sua quinta edição, a principal competição nacional de basquete recebeu o projeto capitaneado por Alberto Bial (foto), analisou e, por unanimidade do Conselho de Administração da Liga Nacional de Basquete (LNB), aprovou a entrada do novo franqueado (leia mais aqui). Antes da minha opinião, que darei no post de amanhã, vamos a alguns pontos importantes.

Conversei com Alberto Bial ontem à noite (ele estava feliz demais e foi bem bacana ouvir a sua empolgação), e ele confirmou nove atletas: os armadores Davi Rossetto e Matheus, os alas Jimmy, Rogério, André Goes e Schneider, e os pivôs Drudi, Felipe e Adriano (dois estrangeiros ainda podem chegar, de acordo com o treinador).

Com patrocínio da Sky e do Governo do Ceará, o projeto terá três anos de duração garantida, categorias de base, equipe Sub-22 e núcleos sociais em escolas e quadras públicas (o orçamento, e isso não é informação dele, mas de outra fonte, é de cerca de R$ 3 milhões/ano). Além de Bial, estão confirmados na comissão técnica Espiga (ex-assistente dele em Joinville) e Marcelo Bunte, o Tchelo, responsável pelas divisões de base do Fluminense por muito tempo (este um abnegado do esporte que merece um baita reconhecimento!).

Pouco depois falei com Kouros Monadjemi (foto à direita), presidente da Liga Nacional. Ele me passou as seguintes informações (atenção):

1) Fortaleza não foi convidada. Ela apresentou um projeto, que foi avaliado pela Liga e aprovado em seguida. Não houve (e insisto neste ponto) convite para clube algum.
2) Sobre o tão falado Ribeirão Preto, são casos diferentes, segundo Kouros. Chaim Zaher não apresentou projeto, teve a chance de comprar uma franquia (Araraquara) e não o fez. Está fora.
3) Regra importante aqui: a partir de agora, os finalistas da Super Copa Brasil não terão acesso garantido ao NBB. Eles jogarão um mata-mata contra os dois piores do NBB5. Se vencerem, têm as vagas.
4) O limite imposto pela LNB de 50% das vagas para um mesmo estado (no caso, São Paulo) também morre. Se dez clubes paulistas quiserem entrar na Liga, e tiverem condições pra isso, vão entrar.
5) (Para mim, o ponto mais importante) A segunda divisão do NBB, anunciada no Jogo das Estrelas, foi postergada. Não começará mais em 2012-2013, mas sim em 2013-2014. Os vencedores, portanto, só jogarão no NBB7. Por isso, segundo Kouros, a entidade ainda precisa, e deve, ouvir projetos como o de Fortaleza. Como não há divisão de acesso, entra quem a Liga acha que cumpre os requisitos dela.
6) Segundo Kouros, a segunda divisão precisou ser adiada porque alguns times ainda passam por péssimos bocados financeiros. O Tijuca está ameaçado de não jogar o NBB5 (leia aqui), Limeira quase ficou de fora, Vila Velha está sempre com a corda no pescoço e Araraquara fechou as portas. Enquanto, segundo ele, não houver 14, 16 clubes seguros, em condições ideais, lançar um outro campeonato pode ser prejudicial ao NBB. Mas Kouros colocou o limite de lançar a competição junto com o NBB6.
7) De acordo com Kouros, patrocinadores de peso, a entrada no Nordeste, um projeto de longo prazo que engloba alto rendimento, divisões de base e trabalho social, e um ginásio provavelmente cheio e em boas condições (o Paulo Sarasate tem capacidade para 8 mil pessoas) foram pontos que contaram na escolha da cidade cearense.
8) Por fim, Kouros disse que o crescimento técnico é o principal ponto que será trabalhado pela Liga para o NBB5. O nível dos jogos, e isso eu canso de repetir por aqui, ainda, na palavra do presidente, precisa evoluir muito. É ótimo que Kouros pense assim, de verdade!

E você, o que acha da entrada de Fortaleza no NBB5? Comente na caixinha!